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Sábado, 23 de Setembro de 2017
ARTUR VILLARES - MARTINHO LUTERO - Ontem e Hoje

 

 

 

 

 

 

 

 

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Caminhamos a passos largos para a comemoração do 5º Centenário da Reforma Luterana (1517-2017), levada a cabo pelo Dr. Martinho Lutero, de bendita memória. Figura pouco conhecida em Portugal, geralmente mal compreendida, pela ausência de traduções das suas obras no nosso país, Martinho Lutero é aqui motivo de reflexão, como contributo para o conhecimento deste personagem histórico, marcante na história da Europa e da Igreja Cristã.

 

 

Quando em 31 de Outubro de 1517 Martinho Lutero afixou as 95 Teses para o «debate sobre o esclarecimento do valor das indulgências», ninguém, com certeza, teria arriscado as consequências de tal acto, na Igreja e na História. E isto por uma razão simples: é que o acto de afixar publicamente um documento para debate público era, então, um acto vulgar para professores universitários, que pretendessem debater teses do seu interesse. Martinho Lutero era, nessa ocasião, doutorado em Teologia e professor na jovem Universidade de Wittenberg, fundada pelo Eleitor Frederico da Saxónia.

Esse acto, hoje longínquo, e quantas vezes (ainda) mal compreendido, esteve no cerne do vasto movimento que a História veio a conhecer como «Reforma», ou mais genérica e equivocamente «Reforma Protestante». Sublinhe-se, de passagem, que esta designação deveria apenas ser atribuída, em abono da verdade, à Reforma Luterana, pois o "protesto" foi o de vários príncipes alemães luteranos, em 1529 na II Dieta de Speier, contra a falta de liberdade religiosa de que eram alvo pelo édito de Worms.

O que levou àquele momento, perdido na noite da transição da época medieval para a moderna? Quem era afinal esse (ainda) obscuro monge/professor de teologia, que assim viria a estar na génese de uma das mais profundas crises da história europeia?

 

 

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I - INFÂNCIA E ESTUDOS

 

 

Lutero nasceu em Eisleben, na Saxónia, a 10 de Novembro de 1483, tomando o nome de S. Martinho no dia seguinte, nas águas baptismais. Os seus pais, Hans e Margarethe, eram gente de origem rural, origem que, aliás, Lutero nunca renegaria e que lhe moldaria o carácter franco e até agressivo, que o caracterizou.

O pai foi subindo na escala social e financeira, o que permitiu a Lutero a frequência dos estudos existentes então. Estudou em Magdeburgo, depois em Eisenach, seguindo, em 1501, para Erfurt, onde se matriculou na Universidade. Aí obteve o grau de Mestre em Artes em 1505, iniciando estudos de Direito.

 

 

 

II - A CRISE RELIGIOSA

 

 

E é neste ano de 1505 que sobrevém a Lutero a famosa crise religiosa que lhe mudou o rumo da vida.

Numa noite, a 2 de Julho, enquanto se dirigia para Erfurt, desabou na floresta uma violenta tempestade, quase sendo fulminado por um raio. Lutero recorre no desespero a Santa Ana, prometendo que iria para monge, se fosse salvo dessa tormenta.

Assim aconteceu e, 15 dias depois, ingressou no mosteiro de Santo Agostinho em Erfurt, o mais rigoroso de todos os que havia na cidade.

 

 

 

III – O MOSTEIRO E A «JUSTITIA DEI»

 

 

A presença de Lutero no mosteiro marcou decisivamente a trajectória religiosa do Reformador.

Seguindo os estudos de Teologia, foi ordenado sacerdote em 1507, foi a Roma em 1510/11, já bacharel em Escritura, e em 1512 doutorou-se em Teologia, passando a leccionar vários cursos sobre a Bíblia na Universidade de Wittenberg.

A carreira era brilhante, aos 29 anos, tendo um futuro promissor na hierarquia da ordem agostiniana, na Universidade e na Igreja Católica. No entanto, a instabilidade religiosa perseguia-o. Apesar de ser um rigoroso cumpridor das vigílias, das orações, dos rigores da Ordem, Lutero continuava a interrogar-se sobre como poderia «obter um Deus gracioso?» Como aplacar a ira de Deus sobre o pecador, que ele se considerava, apesar de ser um austero cumpridor das leis da Igreja? E foi exactamente na Bíblia, que ele ensinava, que Lutero encontrou a resposta na célebre «experiência da torre». Numa noite em que meditava sobre Romanos 1:17 («O justo viverá pela fé»), Lutero sentiu a resposta às suas angústias espirituais abrir-se sobre ele:

«Enquanto meditava dia e noite e examinava o sentido destas palavras - o justo viverá pela fé - comecei a compreender que a justiça de Deus significa aqui a justiça que Deus oferece e pela qual o justo vive, se tem fé. O sentido da frase é, pois, o seguinte: O Evangelho revela-nos a justiça de Deus, mas a justiça passiva, pela qual Deus, na sua misericórdia, nos justifica por intermédio da fé. (...) Senti-me imediatamente renascer e pareceu-me transpor as portas escancaradas do próprio Paraíso!»

 

 

 

IV – DAS INDULGÊNCIAS À RUPTURA

 

 

O que se passou de seguida é já mais conhecido. Na sequência de uma descuidada e, por vezes, grosseira venda de indulgências, por parte do dominicano João Tetzel, Lutero, indignado com tal «venda da salvação», decide elaborar, 95 Teses contra as Indulgências, documento que, como era hábito então, afixou num lugar público, a fim de promover um debate teológico sobre a matéria.

O que se seguiu é também do conhecimento normal dos manuais de história.

O papa de Roma reage ao documento, enviando sucessivos mediadores a Lutero, a fim de que ele se retractasse. Não o conseguindo, o papa pressiona o Imperador da Alemanha, Carlos V, a convocar o monge para a Dieta de Worms, a fim de resolver o problema que entretanto alastrara a todo o império.

No princípio desse ano Lutero seria, aliás, excomungado pelo papa Leão X.

Na dieta de Worms, realizada em Abril de 1521, Lutero é instado a retractar-se das doutrinas que ensinava. Num grito de consciência, que ecoaria pela história, responde:

«A menos que seja convencido de erro pelas Escrituras ou por raciocínio claro, pois a minha consciência está presa à Palavra de Deus, não posso nem quero retractar-me, porque agir contra a própria consciência não é, nem verdadeiro, nem honesto. Aqui estou! De outra maneira, não posso! Que Deus me ajude! Amém!»

Na sequência desta Dieta e desta atitude, Carlos V decretava a proscrição de Lutero e este, até ao final da vida, dedicar-se-ia à redacção de milhares de páginas de livros, manifestos, cartas, catecismos, comentários bíblicos, etc., etc.

Morreu a 18 de Fevereiro de 1546, na presença de filhos e amigos, aos quais declarou que morria confiando em Jesus Cristo e reafirmando a doutrina que ensinara ao longo da vida. Um papel, possivelmente o último escrito por Lutero, no leito de morte, dizia: «Não passamos de pobres pedintes. Essa é a verdade».

 

 

 

V – ONTEM E HOJE

O LEGADO DE LUTERO

 

 

Cinco séculos depois, com a poeira da História a assentar, e as polémicas, ódios e extremismos, definitivamente encerrados nas prateleiras da apologética de todos os participantes, o que significa, para o homem de hoje, o nome de Martinho Lutero?

- Para muitos nada;

- Para outros tantos, um mero revoltado, um rebelde, que destruiu a unidade da Igreja do Ocidente;

- Para outros ainda, uma figura histórica, de assinalável grandeza, um dos construtores do mundo moderno;

 

E para os luteranos?

Naturalmente que a herança de Lutero é imensa:

- Foi o pai do alemão moderno;

- Foi o autor de uma vasta obra teológica, que hoje abarca cerca de cem volumes;

- Dignificou o casamento, dando ele próprio o exemplo, ao casar em 1525 com a ex-freira Catarina de Bora, de quem teve seis filhos.

- Compôs dezenas de hinos, reestruturando o canto congregacional na Igreja.

- Reafirmou o sacerdócio universal de todos os crentes e introduziu o vernáculo como língua litúrgica.

- Inspirou grandes mestres da música, como Bach e Mendelssohn.

E tudo isto, sem dúvida foi entrando no património das igrejas após Lutero.

 

Mas Martinho Lutero, sendo tudo isto, é muito mais do que isto. Lutero coloca-se naquela posição de homem de Deus, profético, que no exacto tempo de Deus proclamou a Sua palavra salvadora. É esta a herança de Lutero que o faz enfileirar na sequência dos grandes Pais da Igreja Cristã, desde os tempos de Santo Agostinho. E ainda hoje essa voz profética de Lutero se faz ouvir, como interpelação a todos os cristãos para uma fé mais profunda sustentada na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Essencialmente, no fundo, seguindo a máxima do próprio Dr. Martinho Lutero, de bendita memória: "Deixai Deus ser Deus".

 

 

 

 

ARTUR VILLARES   -   Doutor em História, pela Faculdade de Letras do Porto. Graduado em Teologia, pelo Instituto Concordia, de São Paulo. Docente de: "História e Cultura Portuguesa e de Património Cultural", na licenciatura, em Turismo, no ISLA. Pastor  da Igreja Luterana de Portugal.

 

 

 

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ANTÓNIO VENDRAMINI NETO - UM CONTO ABORDANDO A FINAL DO REINADO DE JOÃO PAULO II

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Essa narração não é bem a trajetória real dos acontecimentos... Na minha visão de escritor, a imaginação campeia solta em busca de um bom motivo para escrever uma crônica ou um conto, mas o fato da morte desse grande estadista foi verdadeiro. Estou falando do Papa João Paulo II, nascido Karol Jozef Wojtyla.

 

O seu longo reinado estava chegando ao fim. Sua morte se aproximava rapidamente. Aquele homem, já considerado pela humanidade como um santo, necessitava contar o segredo que guardou por tanto tempo. O povo, reunido em orações na monumental praça rodeada por  estátuas de santos, aguardava, em silêncio, o momento final.

 

Ele já enxergava a alma em levitação, querendo deixar o corpo terreno. Sua luta neste mundo foi produto de uma jornada de muita compreensão e perseverança entre os homens do povo e os Chefes de Estado com quem se reuniu inúmeras vezes, na busca incansável pela paz entre os seres humanos providos de bons pensamentos.

 

Sentia uma emoção incontrolável em razão da doença e do avanço da idade, mas tinha que revelar o que guardou por muito tempo. Imaginou como seriam os esforços de seu confessor para realizar a difícil tarefa da revelação, em razão de um mundo atormentado onde as religiões andam de olhos vendados, ignorando as vidas perdidas em guerras políticas e insanas dos fanáticos.

 

Em sua cabeceira encontravam-se seus assessores diretos, alguns em fervorosas orações, outros já providenciando o protocolo para os dias que se seguiriam ao seu funeral. Ele estava ali, inerte, e sem forças nos intramuros de seu reduto religioso.

 

 

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Na porta de seus aposentos estavam seus soldados, com uniformes bufantes e coloridos desenhados por Michelangelo, com a arma medieval, a alabarda, uma espécie de lança com uma placa de metal em forma de meia-lua na ponta. São os tradicionais guardas suíços que fazem a proteção pessoal do Sumo Pontífice, no imenso palácio, há mais de quinhentos anos.

 

Na parede da minha memória sobrou uma lembrança e, em forma de “momentos do passado”, voltei a esse local, onde, com a minha esposa, assistimos a uma missa campal, com ele presidindo os sacerdotes nos procedimentos religiosos, embaixo de chuva e, mesmo assim, os fiéis permaneciam naquele solo sagrado. 

 

Ao fundo, enxergávamos a Basílica, erguida no mesmo local onde Simão Pedro, o primeiro Papa, havia sido crucificado no ano 67 d.C.. Foi daí que a Cidade do Vaticano começou a surgir, em 313, com a conversão do Imperador Romano Constantino ao cristianismo.

 

Foi a primeira grande aliança política da Igreja, que, a um só tempo, livrou-se das perseguições e pôde construir a Basílica de São Pedro com ajuda oficial.

 

A história da instituição religiosa, uma invejável trajetória de sobrevivência e expansão ao longo dos séculos, seguiu a lógica de qualquer país ou governo em busca do poder.

Nas vezes em que lá estive, consegui arrebanhar muitas informações, por ser um assunto de que gosto muito. Soube que, com apenas mil habitantes fixos, esse pequeno grande país, que é a cidade do Vaticano, realiza o milagre de falar em nome de mais de um bilhão de católicos, rebanho formado por uma em cada cinco pessoas da população mundial.

 

Chefiado pelo Papa, soberano com poderes absolutos, o Vaticano é uma inusitada monarquia em que o trono não é transmitido por herança, mas disputado no voto, em eleições quase sempre dramáticas, das quais os Cardeais, e só eles, participam na dupla condição de eleitores e candidatos.

 

Esse é o foco desse conto, com personagens reais e fatos imaginários, que abordarei daqui em diante. O enriquecimento do assunto se fez presente nas visitas internas que fizemos aos museus e outras dependências, culminando na Capela Sistina, que, além de ser um local de peregrinação, é onde se conhece um novo Papa, após os funerais do antecessor. Assim, vislumbrei um dia escrever sobre o assunto em forma de ficção, obra da fértil imaginação de quem começa a escrever.

 

Antes de seu suspiro final, João Paulo II mexe a cabeça para o lado esquerdo de sua cama onde, sobre um móvel centenário, havia uma antiga bíblia. Olhando firmemente, fez um sinal com os olhos ao assessor direto, o cardeal Joseph Ratzinger.

 

Este, sabendo e conhecendo todos os seus gestos transmitidos ao longo do secretariado, entendeu o recado e se aproximou com delicadeza e suavidade.

 

Apontou para a bíblia que continha um crucifixo separando algumas anotações feitas dias antes. Conversaram em voz praticamente inaudível, aos sussurros e lágrimas; ninguém se aproximou, compreendendo o colóquio religioso daquelas duas criaturas que se entenderam perfeitamente durante os longos anos de cumprimento do dever em nome de Jesus Cristo e Deus nosso Senhor.

 

Criou-se e instalou-se ali, O Peso de Um Segredo e o Limiar de Uma Nova Era.

 

Quase sem forças para andar tamanha era a carga que lhe pesava sobre os ombros, sentiu um baque profundo, empalideceu, suas pernas tremeram, sua voz recolheu-se em estado de profunda emoção e não conseguiu proferir uma só palavra aos demais presentes. Viu seu mentor partir, ajoelhou-se em grande respeito e recolheu-se em meditação na capela Sistina, fitando o painel do Juízo Final, de Michelangelo.

 

Olhando aquela magnífica obra de arte no teto da capela, bailou, em sua mente, a disposição que lhe pesou quando da revelação de João Paulo II, entregando-lhe a missão e a dificuldade que teria que desempenhar para a realização.

 

Imaginou que se fosse eleito Papa, deveria se espelhar no “drama” que viveu Miguelangelo com o Papa Julius II, transformando aquela empreitada em “agonia e êxtase” e pôde retratar, em um grande afresco, as pinturas na abóboda da capela.

 

Com esse pensamento, continuou em meditação, pediu ajuda celestial aos céus e desenvolveu um plano que começou arquitetar mentalmente. Não tinha muito tempo, pois, logo em seguida, vieram ao seu encalço, os representantes da sucessão, informando-lhe que, a partir daquele momento, se tornaria o “camerlengo’, figura que toma as rédeas da igreja até a eleição de um novo papa”. 

 

Essa condição foi uma das revelações; João Paulo já havia recomendado aos agentes da sucessão quem seria o camerlengo, fato que o ajudaria a se desincumbir da missão, pois ele seria o condutor da sucessão que aconteceria, na capela sistina, nos próximos dias após as solenidades do funeral.

 

La fora, na praça, o povo entoava canções de louvores ao seu belo reinado de vinte e seis anos; ao término, ecoavam as palavras na língua italiana, “Santo Súbito”.

 

Passadas todas as emoções do sepultamento, os cardeais de todo o mundo, que vieram para o funeral, começaram a se reunir na capela, sob a direção de Ratzinger, seus assistentes e a cúpula sucessória composta de cardeais com menos de oitenta anos.

 

Após vários dias de reuniões pela manhã, tarde e noite, o povo reunido na praça viu, finalmente, a fumaça branca sair pela chaminé da Capela. Antes, o que se viu durante dias foi a fumaça preta, informando que ainda não havia nenhuma decisão, mas, na manhã do quinto dia, saiu o veredicto; o representante da sucessão informou, da janela dos aposentos papal, a frase esperada por todo o mundo, uma vez que o evento estava sendo transmitido ao vivo por todos os meios de comunicação: “Habemus Papam!”.

 

O Cardeal Ratzinger tornou-se Bento XVI. Após alguns minutos, Sua Santidade chegou à janela, debruçou sobre a imensa toalha vermelha que forrava o local, aproximou-se dos microfones e disse: “Espero não me atrapalhar com a língua italiana, pois a emoção de conduzir esse enorme rebanho é muita”. Vou trabalhar como o meu antecessor, o querido João Paulo II.

 

Recolheu-se para seus aposentos e pediu, em baixa voz, ao seu camareiro que chamasse o Papa Ângelus Nero I. Como? Alguns dos seus íntimos assessores estranharam o fato. Mas o certo é que, na Capela Sistina, foram eleitos dois papas, dentro de muito mistério e segredo.

 

Começava a ser cumprida, pelas mãos da igreja católica e do novo Papa, a revelação do segredo informado ao então cardeal Ratzinger, por João Paulo II.

 

Como poderia ser a Igreja católica conduzida por dois Papas? O que se discutiu e foi acertado durante aqueles dias de reuniões e conferências dentro da capela foi o seguinte:

 

- O papa Bento XVI deveria e foi eleito o novo Papa, uma vez que era o sucessor natural de João Paulo II.

 

- O papa Ângelus Nero I (anjo negro), depois de conversar longamente com Bento XVI, despojou-se de suas vestes sacerdotais, travestiu-se de homem comum do povo e, já falando uma linguagem universal, saiu pelos subterrâneos do Vaticano, tomando rumo ignorado, com a missão de evangelizar os povos de todo o mundo para uma única religião.

 

Após anos de peregrinação pelo mundo, voltou ao Vaticano e ficou sendo o assessor direto de Bento XVI, sendo que, após a sua morte, será conduzido pelas mãos de representantes de todos os governos ao centro de um poder único, como Nações Amigas e Unidas, estabelecendo, finalmente, a paz no mundo.

 

E assim, o último Papa católico e o primeiro da raça negra transformar-se-ão em arautos da paz mundial, como símbolo de esperança de um mundo melhor.

 

Em seu discurso, falará daquela janela para o mundo em um único idioma; “Povos de todas as raças, hoje começa uma nova era: é o ano “I”; sem um Papa para conduzi-los, o mundo falará um único idioma e haverá somente uma religião para os povos de boa vontade”.

 

 

 

ANTÓNIO VENDRAMINI NETO   -   escritor,cronista e poeta. Jundiaí, Brasil.

 



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FELIPE AQUINO - O AMOR À PÁTRIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em nosso hino da Liberdade cantamos: “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Mas o que é “ficar a pátria livre” hoje?

 

Não é mais vê-la livre das invasões por parte de outros povos; mas ver a pátria livre dos seus males. De onde vem a corrupção deslavada e institucionalizada? Vem sim dos saqueadores do erário público, mas também de cada um que aceita burlar as leis para tirar vantagens ilícitas. Sem construir o homem não é possível construir o mundo.

Infelizmente, na mente de muitos, foram apagadas as importantes palavras: PÁTRIA e CIDADANIA. Evaristo da Veiga nos ensinou a cantar: “Já podeis, da pátria filhos, ver contente a mãe gentil: Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”! Devemos trocar hoje a palavra “liberdade” por “honestidade”?

Tornar a pátria livre é hoje lutar por uma cruzada de honestidade privada e pública, integridade e retidão ética. A pátria só será livre de fato se houver comprometimento moral e ações virtuosas de todos os cidadãos, especialmente dirigentes honestos, sábios e preparados.

O civismo exige que não se vote em patifes, aqueles dispostos a saquear o patrimônio da nação, aqueles, como disse o Marquês de Maricá, que têm “muito patriotismo na boca, mas grande ambição no coração”.

Para tornar a pátria livre e grande é preciso que cada brasileiro se conscientize que é preciso trabalhar honestamente, de modo competente para o engrandecimento do país. A pátria somos todos nós, uns ajudando aos outros, fazendo a sociedade mais humana.

 

 

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Leia também: Pátria e Bíblia

O Brasil está passando por uma cirurgia

O que fazer para mudar o Brasil?

Ter fé é bom para a Pátria

A fé que salva uma nação

 

 

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A Nação exige a existência de leis razoáveis que assegurem os direitos de todos. Por isso, os governantes devem zelar pela sua observância e os cidadãos devem respeitá-las.

Para que a Pátria seja de fato livre, a sua legislação não pode ser contrária aos princípios da lei natural e aos Mandamentos de Deus, pois as leis humanas devem ter por fundamento as normas divinas. “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor!”.

Quem não ama a sua Pátria, traindo-a com sua má conduta, é um filho ingrato. Quem não admira a sua pátria é um despatriado. Quem não a ama, com a sua origem religiosa e com as suas vitórias no campo da honra, não tem valor moral e é um perigo para toda a sociedade.

O “7 de setembro” deve ser um dia de reflexão, de renovar o amor ao Brasil, esta terra maravilhosa de Santa Cruz. Tudo depende de cada um de nós. Deus nos deu tudo que precisamos, falta apenas fazer a nossa parte.

A Igreja ensina que “É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis para o bem da sociedade, num espírito de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade. O amor e o serviço à pátria derivam do dever de gratidão e da ordem de caridade. A submissão às autoridades legítimas e o serviço do bem comum exigem que os cidadãos cumpram seu papel na vida da comunidade política”. (CIC, § 2239)

 

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Assista também: Rezemos pelo nosso país neste dia

 

“A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento de impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país: Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto a quem é devido; a taxa a quem é devida; a reverência a quem é devida; a honra a quem é devida (Rm 13,7)” (CIC, §2240).

O Apóstolo nos exorta a fazer orações e ações de graça pelos que exercem autoridade, “a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade” (1 Tm 2,2).

Mas as autoridades precisam aprender o que disse o Papa Francisco: “autoridade significa serviço”. Servir a Nação, e não se servir dela.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



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PAULO R. LABEGALINI - PROVIDÊNCIAS DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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“Assim como o corpo sem o espírito é morto, assim também a fé, sem as obras, é morta”, disse São Tiago inspirado pelo Espírito Santo. E completou: “De que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não tem o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos’, e ‘Comei à vontade’, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso?”.

A caridade só pode ser praticada com amor no coração. Melhor ainda seria se grupos se unissem para ajudar o próximo, como acontece em Pastorais e Movimentos da nossa Igreja, mas, infelizmente, nem todos pensam assim. Uns dizem que lhes falta tempo, outros, que lhes falta fé, e o tempo vai passando.

O ser humano é tão complicado que, mesmo envolvido no mesmo ideal de um grupo, consegue desmotivar alguns bons parceiros. Se ao menos procurasse se orientar por ensinamentos bíblicos, saberia o que fazer. Veja, por exemplo, o que o grande santo Tiago ensina:

“Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz.”

Eu costumo dizer que devemos aproveitar os chamados que vêm do Céu para servirmos a Deus, mas nem sempre abrimos o coração e nos colocamos à disposição do Senhor. Porém, como Ele nos ama infinitamente, surgem novas oportunidades, como nesta linda história:

Um empresário muito rico estava viajando a negócios e, quando foi pagar a conta do hotel, não quiseram liberá-lo porque deram falta do controle remoto da televisão do quarto. Ele ficou furioso e começou a revirar toda a mobília tentando encontrar o objeto.

Somente ao retirar o colchão da cama, localizou o que procurava e, para não passar em branco a humilhação que julgou ter passado, insistiu com o gerente na demissão da camareira que vistoriou o apartamento. Ela implorou que não apresentasse a queixa porque tinha filhos pequenos e não poderia ficar sem aquele emprego, mas ele não a perdoou.

Ao sair apressado para o aeroporto, esbarrou na barraca de uma senhora que vendia frutas e espalhou toda a mercadoria pelo chão. As maçãs começaram a rolar ladeira abaixo e, mais uma vez, ele se enfureceu:

– Que absurdo! Aqui não é lugar de vender isto!

Em seguida, percebeu que a pobre senhora, mesmo agachada, não conseguia localizar suas frutas porque era cega. Naquele momento, Deus tocou o duro coração daquele homem e o fez amolecer. O sentimento de compaixão apoderou-se dele e, imediatamente, colocou sua bagagem no chão para ajudar a recolher a mercadoria que derrubou.

Após pagar pelas maçãs perdidas e estragadas, desculpou-se e se dirigiu ao aeroporto. O trânsito o fez atrasar ainda mais e acabou perdendo o embarque.

Andando pelas lojas do lugar até resolver o que faria, viu um menino apertando uma boneca contra o peito. Aquilo lhe chamou a atenção e ficou olhando até ouvi-lo conversar com uma mulher idosa:

– Vó, não posso mesmo levar esta boneca?

– Não, querido. Coloque-a de volta na prateleira porque já estamos indo embora.

O empresário, então, se aproximou e disse baixinho ao menino:

– Por que quer comprar a boneca?

– Quero que a minha mãe a leve à minha irmã que está no Céu.

– Mas, como ela irá fazer isso?

– Papai disse que a minha mãe vai se encontrar com ela. Eu também queria dar uma rosa branca pra mamãe, mas não tenho dinheiro!

– E onde está sua mãe agora?

– No hospital. Eu estou indo lá com a vovó dar adeus a ela.

Mais uma vez, aquele senhor bem vestido sentiu profunda compaixão e comprou os presentes que o jovenzinho queria. Depois, voltou para o mesmo hotel que havia se hospedado, onde aguardaria o voo do dia seguinte. Com as provações que passou, ele já se sentia outro homem.

A primeira coisa que fez foi retirar a queixa contra a funcionária. Depois, entrou no apartamento e chorou copiosamente. Ligou à esposa e justificou seu atraso. Também pediu desculpas pela vida vazia que levavam e prometeu fazê-la feliz. Conversou ainda longamente com cada um dos filhos e reconheceu ter sido um pai muito ausente em casa.

Quando amanheceu, de malas prontas para partir, encontrou a mesma camareira no corredor e ouviu dela:

– Deus lhe pague por ter voltado atrás na queixa que fizera a mim. Vou rezar pela sua família e a Virgem de Nazaré irá sempre abençoá-la.

Já no avião, ele abriu o jornal do dia e viu a foto do velório de uma mulher que havia levado um tiro durante um assalto. Ao lado dela, no caixão, estavam uma boneca e uma rosa branca.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - LIBERDADE DE EXPRESSÃO, É PARA TODOS?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                   “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas

                                  defenderei até à morte o seu direito de dizê-la.”

 

                                                                                                                                                                       Voltaire

 

 

 

 

 

Editora portuense, deu à estampa dois cadernos de exercícios para crianças: um, dedicado a meninos; outro a meninas.

Logo se levantaram vozes indignadas, que, em nome da educação democrática, pediram a retirada dos livros.

Não posso avaliar os conteúdos dos cadernos, porque não os vi; mas admiro-me de tamanha indignação:

Não vivemos num regime democrático, onde cada qual compra o que quer, e goza de liberdade de escolha?! …

Eu sei, que há quem confunda: ensino com educação; e há, igualmente, quem considere: igualdade de oportunidades e direitos, com igualdade de género.

Está em voga, pelo menos no Mundo Ocidental, defender educação igual para ambos os sexos. Pretende-se educar, do mesmo modo como o dinheiro é cunhado na Casa da Moeda. Todos iguais.

Outrora ouvia, muitas vezes, eminentes homens de esquerda, criticar a Mocidade Portuguesa, que pretendia inculcar valores e ideologias caras ao Estado Novo.

Diziam – e bem, – que cabia aos pais escolher e orientar os filhos; encaminhando-os, na vida, segundo seus princípios e valores.

Em nome da “ liberdade”, o Estado Novo retirava do mercado, tudo que não perfilhasse a ideologia em vigor. Era a ditadura.

Agora, em nome da “liberdade”, condenam, criticam e insultam (por vezes,) tudo e todos, que não seguem a ideologia “oficial”. É o direito democrático.

Como os antigos antifascistas (se me permitem pensar,) penso: cabe aos pais, educadores – enfim à família, – educar as crianças, dentro dos padrões e princípios que professam.

Não há – como alguns afirmam, – uma educação; mas várias. Como não cabe ao Estado e à classe politica, impor, mas defender a livre escolha e a livre opinião.

Há educadores, de países – de amplas liberdades, – que procuram igualar os sexos, desde a mais tenra idade: para isso, as casas de banho de escolas, são unissexo; e defendem, até, que cada qual, traje, como deseja: de saia, calção ou calça comprida, sejam meninos ou meninas.

Pretendem, deste modo, igualar o género, mesmo quando os pais e as crianças, não querem: por pudor ou vergonha.

Admira-me, todavia, que, certas pessoas, que eram acérrimas puritanas, no tempo da ditadura, fiquem agora silenciosas, permitindo que o direito de expressão e de educação, sofra tratos de polé.

Teriam mudado de opinião ou acomodaram-se?

Admira-me, mas não devia admirar-me, porque os que defendem plena liberdade, costumam ficar mudos, quando se trata de a defender, em certas zonas do globo…

Mas, já o nosso Camões, dizia: “ É fraqueza entre ovelhas ser leão” (Lus. Cant. I - LXVIII).

E há tantos leões!...

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - BALADA DE OUTONO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Outono Boreal no hemisfério Norte inicia já esta semana.
Com o neu abraço de amizade partilho este poema que embora não seja novo, está sempre actual poderão ver e ouvir aqui:

 

 

 

 

https://www.euclidescavaco.com/balada-outono

 

 

 


BALADA DE OUTONO

 

 

 

 

 

                    Impiedoso Setembro 
                   Traz a balada de Outono
                   Que muda na folha as cores
                   Seduz e despe as flores
                   Num sestro de abandono.

 

                   Em toada persistente
                   As folhas , essas coitadas
                   Vão caindo lentamente
                   Das árvores amarguradas
                   Ao ficarem desnudadas
                   De cada folha cadente.

 

                   Será que uma folha sente
                   Na despedida a tristeza ?… 
                   Como dom da Natureza!…
                   E que em secreta amargura
                   Sofre, mas nunca se queixa
                   Como alguém que a Pátria deixa
                   Por destino ou desventura!…

 

                   E em cada folha caída
                   Resta uma angústia profunda
                   Num frágil sopro de vida
                   A sussurrar moribunda:
                   Não fez sentido viver
                   Esta tão curta existência
                   Outono, sem clemência
                   Tão cedo me fez morrer!…

 

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

***

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

 

*** 



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Domingo, 17 de Setembro de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - " A VIDA TEM A COR QUE NÓS PINTAMOS " ( M. Bonatti)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            A procura ambiciosa do lucro fácil; a busca ansiosa de prazeres; o consumismo exacerbado; a estima obsessiva de ter ou possuir muito e a sensualidade desenfreada pinta um quadro que tem tornado o individuo cético na perda de sua identidade e do seu real papel dentro dos grupos a que pertence. A desconsideração aos valores morais que fundamentam a dignidade e a elevação humana produz os descontentes, os inconformados e os revoltados, que se mostram incapazes de controlarem as tendências de indisciplina e agressividade que se exigem nas pessoas. Por isso, nos últimos tempos, a violência continua sendo um rastilho de pólvora que está sempre pronto a pegar fogo.   Realmente as pessoas não se preocupam mais com os verdadeiros princípios, ocorrendo manifesta inversão de valores, onde só pensam em seus interesses e ambições pessoais, passando por cima inclusive de preceitos éticos até no exercício da  profissão, sem medir consequências e resultados.  As novas gerações estão perdendo referências. Uma pena que tais situações persistam numa época em que os seres deveriam viver harmoniosamente e alcançarem pleno atendimento de seus direitos fundamentais.

         Ficam sérias preocupações com as ocorrências que vem marcando nossos dias e os seus reflexos para o futuro. Em todo o mudo se registram eventos os mais negativos possíveis contra a integridade física e a dignidade dos cidadãos,  às vezes por razões as mais inaceitáveis possíveis, como preconceito racial, religioso e até por agressividade gratuita e absolutamente injustificada, levando a crer que o homem está se tornando cada vez mais insensível e materialista, afastando-se de padrões espiritualistas.

         Tanto que Marinho Guzman, com brilhantismo, dispôs: "A importância que as futilidades têm na vida dos pobres de espírito é inversamente proporcional ao sentimento de felicidade vindo da compreensão do que é importante. Isso posto, quando a gente coloca cada coisa no seu lugar, há espaço para tudo, e na ordem direta, as prioridades nos dão a correta dimensão da verdadeira razão de viver...". É por isso que adaptando célebre frase de Mário Bonatti, pode-se dizer que "a vida tem a cor que nós pintamos". Por isso não  devemos acrescentar dias a nossa vida, mas vida aos nossos dias.

         No entanto, do jeito que as coisas trilham, alcançamos o ponto de não acreditarmos nem nas instituições, o que é manifestamente preocupante. É preciso, com muita ação, cobranças, luta e empenho modificarmos essa triste realidade enquanto é tempo, para prepararmos um futuro melhor para as próximas gerações, outorgando-lhes exemplos de integridade, solidariedade e fraternidade. Caso contrário, nunca entenderão nossa omissão e sempre nos questionarão: que mundo é esse?

 

 

A VIDA É BEM MAIS QUE “COISAS”

 

 

O famoso poeta português Fernando pessoa, já dizia: “Sinto-me nascido a cada momento / para a eterna novidade do mundo”. Realmente, o milagre da perfeição é obra de esforço, conhecimento, disciplina, elevação, serviço e aprimoramento próprios, pois a grandeza humana não consiste apenas em ter sabedoria e sim em sabermos usá-la. Ter fé em Deus e aceitar os percalços da vida tornam as dificuldades mais suportáveis.

 

 

DIA DA CRUZ

 

 

Em 14 de setembro se celebra o Dia da Cruz, em homenagem ao grande símbolo cristão. Na realidade, a tradição católica comemora nesta data a chamada Festa de Exaltação da Santa Cruz, onde diferente do que ocorre no feriado de sexta feira santa, paixão de Cristo e crucificação, tem-se o objetivo de exaltar esse instrumento pelo qual se acredita que Jesus alcançou a vitória sobre a morte e os pecados. Devemos refletir, por isso, sobre o mundo atual, marcado pelas desigualdades, egoísmos e injustiças, e passarmos a lutar contra as malesas reinantes.

 

 

                   BREVE REFLEXÃO

 

 

 

“Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade... (Cora Coralina).

 

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

        



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - NEO-GENEALOGIA: QUE É ISSO ?

                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cunhei, tempos atrás, a expressão “Neo-Genealogia”, para designar a Genealogia tal como é hoje estudada. Já não mais se trata da velha e tradicional Genealogia, nem das caricaturas e contrafações dela, mas de um fenômeno novo, com características peculiares.

Já não mais é uma Genealogia sacra, por motivos religiosos, que se estuda hoje em dia - exceção feita dos Mórmons, que investigam as próprias raízes porque creem que a revelação que teria sido feita ao seu fundador, John Smith, no século XIX, pode beneficiar as pessoas que viveram antes, se os descendentes delas se converterem ao mormonismo e cumprirem, em relação aos respectivos antepassados, determinados ritos póstumos.

Também não se trata de uma Genealogia de cunho nobiliárquico ou patrimonial. Não é para encontrar antepassados nobres que se pesquisa afanosamente, nem para disputar heranças e legados. Mas - e nisto está o essencial do fenômeno da "Neo-Genealogia" - é única e exclusivamente para encontrar as próprias raízes, provenham elas de onde provierem.

Sim, é com essa finalidade de encontrar as próprias raízes sejam elas quais forem que, nas últimas décadas assistimos ao renascimento - melhor seria dizer à revivescência - dos estudos genealógicos. Vejamos alguns fatos a esse respeito:

São sempre mais numerosos os pesquisadores. E não são necessariamente velhos saudosistas e afeitos à poeira dos arquivos, por esquisitice ou mania. Mas são pessoas de todas as idades - muitas delas jovens - e de todas as classes sociais, inclusive das mais modestas. E isso em muitos países.

A grande medievalista Régine Pernoud, na introdução do livro Le Tour de la France médiéval, que publicou em colaboração com Georges Pernoud (Éditions Stock, Paris, 1982, pp. 8-9), fala da enorme atualidade de Idade Média. Ela registra o enorme movimento de curiosidade dos franceses em relação à Idade Média, que toca - a expressão é dela - "as mais íntimas fibras” da alma dos franceses. Em seguida, ela se pergunta qual a natureza desse movimento de curiosidade:

"Essa Idade Média, tão presente no mundo de hoje, seria apenas a sustentação de um sonho que se oporia a uma realidade de concreto e de matéria plástica? ....

"Não, há algo mais profundo nesse movimento - que é o mesmo que leva tantos franceses a se debruçar sobre suas próprias genealogias. Quando Jean Favier, diretor dos Arquivos de França, houve por bem abrir um curso para esses caçadores de ancestrais e de linhagens que atualmente tomam de assalto nossos arquivos, ele desde logo precisou duplicá-lo, de tal maneira eram numerosos os amadores que desejavam por si mesmos decifrar velhos papéis e pergaminhos que poderiam permitir-lhes um progresso maior em suas explorações, subindo um pouco mais alto na procura de suas origens. Ora, o que impulsiona esses pesquisadores, o que lhes espicaça a curiosidade, é precisamente a necessidade que têm de reencontrar a própria identidade. O estudo da História, tal como a estabelecem os programas de ensino oficiais, já não os satisfaz; esse estudo frustra uma parte deles, precisamente a parte melhor, aquela que tem verdadeiro sabor da vida; eles querem - e isso já virou clichê - "reencontrar suas raízes". Pois neste mundo em que tudo lhes é facilitado, eles procuram aquilo que está ao alcance do mais humilde dos ciganos: as tradições que lhes são próprias. Eles entreveem que por trás .... das instituições oficiais nascidas por força de uma lei ou de um decreto, há figuras encantadoras, há belas histórias de romance, há fisionomias de contos de fadas, há toda uma arte de viver, uma paisagem familiar, que eles vão descobrindo com o ardor de um arqueólogo que sonda as profundezas de um terreno para tirar à luz do dia uma civilização portadora de tesouros ocultos".

Sem dúvida Régine Pernoud, nesse trecho, descreveu e exprimiu bem o fenômeno que chamo de Neo-Genealogia.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - FerMentando

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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             Neta de um padeiro, sempre fui uma apaixonada por pães. Desde que tenho lembranças de existir nesse mundo, ocorre-me a imagem de pães deliciosos e perfumados. Pães de todos os tamanhos, de todas as formas e sabores foram personagens importantes dos meus dias e de fato ainda são. No que dependesse exclusivamente de mim, comeria muito mais dessas iguarias, mas pelo bem da circunferência da minha cintura e para não ter que trocar todas as minhas roupas, restrinjo esse prazer ao meu café da manhã, minha refeição preferida, a propósito.

            Diante dessa minha paixão, sempre acalentei o sonho de fazer um curso de panificação artesanal, eis que a morte levou o meu avô enquanto ele iniciava minha instrução. Infelizmente ainda não consegui conciliar meus horários com alguns cursos que me despertaram o interesse. Isso, contudo, não me impediu de fazer tentativas por conta própria.

            Já testei diversas receitas de pães durante minha vida e a cada um que fiz, apenas tive a comprovação de que realmente é algo a que quero dedicar mais tempo e estudo. Em uma operação que parece alquimia, farinha, fermento e ovos se transformam em pedaços dourados que se assemelham a um dia de sol. Especial demais sovar a massa, dar forma e para ela transferir os melhores sentimentos de gratidão pelo pão nosso de cada dia.         

           Há alguns anos adquiri uma máquina de fazer pães. Confesso que é muito prática e aqui em casa demos a ela muito uso. Tudo muito simples: basta colocar lá os ingredientes, programar e voilá: temos um pão quentinho! Se bem feito, ficam bem gostosos, mas tem um formato que não é propriamente elegante, já que mais parece um tijolo. Seja como for, quebra bem o galho e eu tento me divertir inovando nos ingredientes, sempre inserindo algo como nozes ou mesmo uma farinha especial.

        Fazia já algum tempo que eu não fazia um pão à moda antiga, até que, fuçando pela internet eu vi uma receita de como fazer meu próprio fermento artesanal, o levain! De pronto fiquei encantada e resolvi arriscar. Partindo da fermentação de uvas passas, produzi um liquido com aroma azedo que, incorporado à farinha de trigo, foi crescendo, borbulhante. Comecei, inevitavelmente, a sonhar com os lindos pães que eu faria e até mesmo a quem eu presentearia com os excedentes.

            Em meio as minhas elocubrações, comentando com minha mãe sobre minhas novas incursões, descobri que a mãe dela, minha avó, também cultivava seu próprio fermento e que o multiplicava sempre a fim de perpetua-lo. Não pude deixar de lamentar o quanto perdemos quando os mais velhos se vão desse mundo, sobretudo quando ainda somos incapazes de entender o universo de conhecimentos que levam com eles.

            De toda forma, voltando ao meu fermento, tudo ia bem quando eu passei para uma das últimas fases da fermentação antes de iniciar a feitura do pão. Após uma noite em que minha “criatura” deveria ter dobrado de tamanho, acordei ansiosa para contemplar o milagre da multiplicação e, para minha frustração, constatei que algo aparentemente dera errado, já que não havia crescido.

            Diante da hipótese de ter que recomeçar, de fazer tudo novamente, surgiu em mim certa tristeza, mas antes de descartar tudo resolvi entrar nas redes sociais e pedir ajuda em um grupo de aficionados por pães e fermentos naturais. Tive algum alento ao ser informada de que nem tudo estaria perdido, já que eu deveria tentar alimentar mais uma vez os meus fermentos e esperar para ver se reagiam.

            Nesse momento acabei de fazer isso e estou na expectativa de que meus esforços não tenham sido todos em vão. Ainda estou com esperança de assar meus pãezinhos artesanais, nascidos dos meus sonhos e das minhas mais doces lembranças. Se não der certo, eu arrumo coragem e começo tudo de novo. Penso, com nostalgia, que seria muito bom ter um canal direto com o Céu, pois com certeza a Dona Antônia e Seu Zé poderiam me ajudar.

            Na impossibilidade desse auxílio, resta-me o desejo de que a genética possa fazer o papel dela e me levar pelo bom caminho. Um dia desses, quem sabe, consigo fazer o curso que há tantos anos venho planejando. Enquanto isso, vou fazendo, com prazer, aquilo que sou de fato mestra, graduada com louvor: sigo comendo-os, deliciosamente.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA Advogada na Silva Nunes Advogados Associados, professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e cronista.       São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PARA VENCER O HÁBITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A vida obriga a reagir, desta ou daquela forma, diante dos obstáculos, E a história de cada um é feita de escolhas pela lucidez, pela emoção ou por uma mistura delas. De acordo com a luta e a resistência, as pessoas passam a imagem de fortaleza. E é assim como algumas pessoas me veem: mulher forte. Recordo-me de uma situação na rodovia que liga Fortaleza a Natal: achava-me em conversa com algumas meninas que se prostituíam em barracas na estrada, ou melhor, eram prostituídas por inúmeras formas de miséria. Um cafetão tentou interferir. Reagi de imediato. Ele me disse: “O diabo de muié [sic] brava, que empurra a gente com os zoio [sic]. Quero distância”. Interessante, chego a mencionar, em acontecimentos parecidos, a respeito da observação do indivíduo e não me contradizem. Epa! Talvez eu tenha energia no olhar, contudo doçura é sempre melhor.
Houve um tempo que me agradava ser considerada mulher forte, quem sabe por ser uma maneira de mascarar minhas fragilidades, de me fazer autossuficiente.  Com o passar dos anos, nas entranhas, despi-me dessa couraça para me encontrar em meus limites. Considero-me destemida em alguns casos, em outros o peito aperta e a angústia salta. Já fiz parte de acordo de rebelião na antiga Cadeia de Anhangabaú, mas para dirigir em lugar desconhecido...
Fato recente: enquanto observava o povo miúdo do local em que trabalho, sob um céu de azul intenso, divagava sobre a partida de quem acrescentou bondade, luz e cuidados aos meus caminhos. Trazia-os de volta nas lembranças bonitas. Uma de nossas meninas, de 12 anos e cotidiano com preocupações diversas, além da escola e do projeto, às vezes arredia pela pressão que recebem os habitantes das margens, surgiu de repente, abraçou-me na cintura e me disse: “Você está triste? Não fique assim”. Surpreendi-me e me emocionei. Que espontaneidade a dela e quanta ternura. Tão novinha e me ver desprovida das décadas, dos conhecimentos, do cargo que exerço... Identificou-me com necessidade de colo naquele instante.  Do útero materno até os últimos dias, com menor ou maior frequência, presença de colo faz bem. E há olhos com colo.
Penso na sensibilidade da menina, que quebrou, por momentos, o hábito de me exigir ser forte e independente. Expus-me sem notar. Talvez eu seja agora mais natural com minha realidade de ser humano apenas.
 
  

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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