Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
JÚLIA FERNANDES HEIMANN - DIÓGENES

              

                                

                                              

 

 

 

      Na minha fase escolar, tive dois colegas com o nome Diógenes. Eram pessoas muito boas e estudiosas; aqui em Jundiaí, conheço um senhor e todos fazem jus ao nome. Depois, nunca mais encontrei uma criança que fosse batizada com esse nome, acho que saiu de moda, porque nome também tem moda.

      Nestas férias, uma grande amiga viajou à Grécia e trouxe-me lembranças lindas. O culto ao filósofo já arrefeceu por lá, mas ainda existe, informou.

      Depois de ouvi-la, resolvi lembrar um pouco esse grande homem, com o objetivo de não deixar sua filosofia de vida cair no esquecimento. Atualmente, seria impossível viver como ele – hoje, mendigo só por necessidade - mas usar um pouco o critério da humildade, sim.

     Diógenes nasceu de uma família abastada. Quando seu pai, que era banqueiro, foi acusado, sem provas, de adulterar moedas, toda a família foi exilada. A partir daí, ele começou a viver modestamente.

      Diógenes se autointitulava cínico. Os cínicos faziam parte de um movimento filosófico denominado cinismo, que tem como uma das possíveis origens a palavra “cão” (kyov). Eles se autodenominavam cães porque suas vidas se assemelhavam à vida desses animais; dormiam nas praças e nas ruas; usavam apenas uma túnica como vestimenta, uma caneca para beber água e andavam descalços.

     Entre as muitas histórias que são contadas sobre o cínico Diógenes, uma é que dormia num tonel, no centro de Atenas, sendo considerado o mais cínico dos homens – cínico no sentido antigo da palavra, que significa total desprendimento e desprezo pelas riquezas e convenções sociais. Era muito inteligente e rápido nas respostas, possuindo o dom da persuasão.

     Hoje, cínico e cinismo têm outros significados.

       Conta-se que, um dia, Alexandre Magno, rei da Macedônia, visitou a Grécia e quis conhecer o famoso filósofo. Encontrou-o no campo, tomando sol. Como ouvira falar de sua inteligência e o admirava sem conhecer, parou seu cavalo perto do homem deitado e falou:- Diógenes, pede-me o que quiseres que concederei!  A resposta veio rápida: - Quero que saias da frente do meu sol.

     Dizem que o desprendimento mostrado por Diógenes aumentou tanto a admiração de Alexandre Magno que, quando lhe perguntavam quem gostaria de ser, se não fosse o rei da Macedônia, respondia: - Gostaria de ser Diógenes!

    Mais dois acontecimentos interessantes da vida do filósofo Diógenes vão passando através dos séculos. Diz-se que ao ver um rapaz tomando água numa fonte, usando o côncavo da mão, dissera: - Ele me mostrou que ainda tenho coisas supérfluas, e jogou fora a caneca que levava.

    Outro acontecimento conhecido é que andava pelas ruas de Atenas com uma lanterna acesa na mão e, quando lhe perguntavam a razão disso, respondia: - Ando à procura de um homem virtuoso. Esse homem, para ele, deveria ter, além de outras qualidades, estas imprescindíveis ao ser humano: bondade, ética e coerência nos atos.

    Quando morreu (323a.C.), construíram-lhe um túmulo sobre o qual ergueram uma coluna com a figura de um cão em cima e as seguintes palavras:

“ O bronze envelhece com o tempo, mas tua glória, Diógenes, nem toda a eternidade destruirá, pois tu ensinaste aos mortais a lição da autossuficiência e a maneira mais fácil de viver”.   

    Sendo verdade ou lenda é uma história de vida muito bonita.

 

 

                                              

                                                

                                              

                                                                                      Lendas de todos os tempos,

                                                                                  História de Jundiaí, Dona Jiboia e a

                                                                                 Alcateia (sobre as alterações

                                                                                 ortográficas) e Cem piadas sem

                                                                                   dono.

 

Julia Fernandes Heimann é escritora e poetisa brasileira. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro mas reside em Jundiaí-SP. É autora de sete livros e pertence às Academias de Letras da cidade de Jundiaí e da Academia Brasileira de Literatura, no Rio de Janeiro, sendo membro correspondente da várias entidades similares. Recebeu da Câmara Municipal de Jundiaí, a comenda "Prof. Joaquim Candelário de Freitas" pelas atividades culturais que desenvolve e o título de "Cidadã Jundiaiense"´pelo serviço prestado à cultura da cidade. 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CRACOLÂNDIA

 

                        

 

 

Estão no noticiário local as duas cracolândias, uma em São Paulo e a outra em Jundiaí, nos arredores do Jardim São Camilo, com usuários se estendendo no entorno para conseguir como pedintes, em pequenos serviços ou através de furtos, a quantia ou o material de troca que possibilite a próxima pedra. É a busca do prazer de imediato que não escora a felicidade. Provoca, após os segundos de êxtase, de plenitude, em decorrência da droga, um vazio com sobressalto, que pede mais uma, duas, três...

E a que “avanço” chegamos, a ponto de usar, na denominação do espaço, onde os usuários desse entorpecente se concentram, o sufixo -land (do inglês), que significa terra, territórios de determinados povos. O sufixo –ia, de origem latina, usado para formar locativos pátrios, designa igualmente terra, país, região. Cracolândia, portanto, terra dos usuários de crack. E quem instituiu oficialmente essa terra, onde as personagens aumentam e a droga – mistura da pior parte da cocaína com bicarbonato de sódio - é utilizada livremente? E quem gerou esse povo adoecido pelo vício, de todas as idades, que provoca dano a si mesmo, aos seus familiares, a alguns que passam ou residem na proximidade? E quem deu às trevas essa gente que, ao amanhecer, abandona o cachimbo e perambula pelas ruas, em busca de uma marquise que acolha, por poucas horas, os seus pesadelos. Moro na região e os vejo passar como vultos ao encontro de alguém que, pela insistência na súplica, lhes forneça a possibilidade de manter acesas as brasas de seu desejo numa latinha qualquer. Vendem-se e comercializam o que surgir para que, por instantes, enquanto dura a fumaça, não se sintam espectros. Uma das dependentes químicas, moradora de rua, contou-me que denominam o local de toca. Que coisa! O significado de toca é um pequeno buraco, no qual animais ou peixes se escondem de seus predadores. Abrigo ou esconderijo de animais, covil. Quem seria o predador de cada um deles?

Há propostas e discussões incontáveis sobre o tema. Para curar uma inflamação é essencial conhecer o que a provoca. A cracolândia se sustenta em dois pilares: o consumo e a oferta. Aquele que consome, com raras exceções, é de vida negligenciada desde a infância, de família desestruturada, de desequilíbrio emocional e/ou de transtornos psíquicos não detectados no tempo certo para tratamento. A responsabilidade da oferta é sempre do ilícito. Portanto, por maior empenho que exista nos projetos sociais, enquanto sobreviver o mercado delituoso, a maioria dos usuários resolverá sua fissura na compra. Quando não houver mais resposta para o desejo incontrolável, para os desatinos, para o comércio de ilusões, a vontade que restou procurará ajuda na verdade.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/Magdala, Jundiaí, Brasil

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O DEUS DAS PEQUENAS COISAS

 

 

 

 

 

 

 

            Desde criança sempre tive o desejo de enxergar o mundo em micro. Gostava de observar os formigueiros e imaginar como seria estar lá dentro. Logo que descobri o que era e para que servia um microscópio, quase enlouqueci. Não via a hora de ir para a escola e poder manusear um. Para minha decepção, pouco do que desejei da escola estava disponível aos alunos do antigo pré-primário. Tanto eu estava certa de que aprenderia a ler logo nas primeiras aulas, quanto de que faria experimentos em tubos de ensaio e observaríamos o mundo através de microscópios.

            O tempo era outro e creio que hoje, em boas escolas, as crianças até vivenciem muito do que eu sonhava fazer, mas, de toda forma, naquela época, os microscópios eram muito caros e eu tive que me contentar com uma luneta que ganhei e com a qual segui em minhas infantis e fantásticas incursões pelo mundo pequenino.

            A bem da verdade, nunca deixei de ter essa espécie de adoração e por muito pouco, ao invés da Direito, não enveredei para o mundo da biologia. Tanto que hoje possuo um pequeno, bem simples até, microscópio, mas que me permite observar algumas coisas que me despertam a curiosidade.

            Quando observo o mundo na sua pequeneza é que me convenço de sua grandiosidade. É incrível pensar em como tudo se ajusta, como aquelas bonecas russas (matrioshka) que são colocadas umas dentro das outras, em uma incrível sucessão. Tudo se encaixa perfeita e divinamente. Nesses instantes, durantes essas digressões, penso no Criador, não aquela das religiões, ainda misterioso, complexo e controvertido para mim, mas naquela inspiração inegável que tornou possível a vida que conhecemos. Ninguém, em sã consciência, pode deixar de crer, imaginar que somos somente o resultado de uma alea, de um dado que, em algum tabuleiro, rolou para casa errada...

            Quando penso no Deus das pequenas coisas, naquele Criador que está presente em tudo, penso também em como nós, humanos, somos equivocados. Achamos e usamos os mais tolos e destemperados argumentos para justificar que somos donos do mundo e que tudo aqui está a nos servir. Usamos de tudo e de todos da forma que nos convém, certos de sermos reis, senhores e tiranos auto justificáveis, iludidos e desconhecedores de estamos mais para  crianças ou fâmulos da Criação, ainda no início de nossa aprendizagem, olvidados de que o aprendiz primeiro serve para depois ser servido...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



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EUCLIDES CAVACO - VOZ DO SILÊNCIO
Olá gentis amigos
VOZ DO SILÊNCIO
É o tema declamado que vos proporciono esta semana que procura traduzir um estado da alma bastante complexo e dolente.
Ouça-o  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Voz_do_Silencio/index.htm
Desejos duma excelente Quinta Feira
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 


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LAURENTINO SABROSA - AS SÁTIRAS e AS FÁBULAS

 

                               

 

 

 

 

Um tipo de discurso muito importante, são as SÁTIRAS. Modalidade antiquíssima, na sátira procura-se a crítica com intuitos moralizantes dos costumes de uma sociedade, das suas instituições, das ideias predominantes, denunciando  erros e hipocrisias. Podem ser feitas em prosa, em poesia ou em discursos propriamente ditos. Muitos dos sermões do Padre António Vieira são sátiras contra os colonos do Brasil que exploravam desalmadamente os escravos, principalmente nos engenhos de açúcar; outros sermões, pronunciados perante a nobreza da época, eram sátiras dirigidas com grande arrojo à própria nobreza, que com desagrado e desdém o estava a ouvir. É claro que isso lhe acarretou muitos desgostos e sofrimentos. Era o que sucedia a quem tivesse a sua ousadia  Foi o que sucedeu a Gomes Leal, que por causa dessa ousadia foi parar ao Limoeiro. Mas o leitor pode ficar descansado. Em livros, teatro ou discursos pode ser satírico à vontade, porque, modernamente, ninguém se sente visado por uma sátira. As sátiras não são ataques pessoais, são observações na generalidade, e, por isso, como não se citam nomes ou pessoas em concreto, ninguém se sente visado. Toda a gente ri e aprova a justeza da sátira, mas até os próprios visados se sacodem, julgando, sinceramente ou não, que a coisa não é nada com eles. Nota-se isso na reacção dos partidos políticos a certos textos ou discursos de grandes  individualidades nacionais ou internacionais: são avisos ou advertências dirigidas aos partidos e aos políticos em geral, quase todos estão de acordo com a oportunidade e exactidão dos “recados” que foram dados, mas cada político ou partido logo diz : estamos no bom caminho, aquilo não foi dito a pensar em nós.

Muitas sátiras são feitas em tom jocoso e sarcástico, e quanto mais sarcásticas forem mais mordazes são. Um tipo especial de sátira são os PASQUINS, coisa que há muito está arredada, mas pela curiosidade do que foram, é interessante relembrar. Os pasquins têm (ou tinham) uma finalidade diferente, menos nobre, da da sátira. Porque o pasquim era um escrito com que se pretendia ridicularizar com sarcasmo ofensivo e anónimo alguém: uma instituição, uma personalidade importante, ou o próprio Estado. O termo PASQUIM deriva de PASQUINO, nome de uma estátua da antiga Roma, que era uma velha estátua de Hércules a quem puseram esse nome, onde se formou o hábito de dependurar ou afixar os tais escritos anónimos e insultuosos. Mas anteriormente, quem deu o nome à estátua foi um certo sapateiro desse nome, conhecido pela sua má língua, cáustica e desbragada. Ora, havia e ainda há em Roma uma grande estátua de divindade fluvial chamada MARFÓRIO. E, então, eis que se formou o hábito de dar réplica no MARFÓRIO a muitos cartazes satíricos, colocados no PASQUINO. Durante cerca de três séculos foi uma “alegria”, ver e apreciar o reportório de piadas e  comentários, umas vezes cáusticos outras vezes divertidos entre as duas “estátuas falantes”,  falantes através do que lá era afixado.

Hoje o termo pasquim tem o significado de planfleto difamatório sem qualquer valor, que se pode aplicar, por exemplo, a um jornaleco sem aceitação e sem moralidade. Por isso, uma sátira que pretenda influenciar alguém, a corrigir erros, hábitos sociais ou doutrinas, nunca pode degenerar em pasquim, porque perde de imediato valor e credibilidade.

Há séculos que a sátira é praticada em toda Literatura. Já nos antigos gregos foi usada, por exemplo, por Aristófanes nas suas comédias. Na nossa literatura, houve na época medieval as “cantigas de escárnio e maldizer”; o poeta e escritor Sá de Miranda, cultivou a sátira; mais modernamente, tivemos em Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão sátiras mais ou menos veladas, sobretudo nas suas conhecidas FARPAS.

Ser satírico através de uma obra, de um discurso, é muito diferente de ser panfletário. Este, usa tom satírico, mas sem serenidade e com violência de termos ofensivos, que normalmente lhe fazem perder a razão que tenha. Por isso, quase ninguém o toma a sério. A sátira pode ter os seus efeitos numa sociedade, mas é caso para perguntar: em que medida é que a humanidade foi levada através da sátira a reconhecer os seus erros, a melhorar a sua vida moral e social? Seria um estudo interessante psicológica e socialmente.

O Padre A. Vieira conseguiu alguma coisa, duvido que Gil Vicente através da sua obra teatral tenha conseguido o mesmo. E, então, hoje em dia, como acima referi, ninguém se sente atingido por uma sátira. Talvez risonhamente acolhida,  considerada oportuna e de valor, mas, no sentir de cada qual, o que na sátira se insinua para ser mudado é só para os outros, ou talvez para ninguém.

 

Nos velhos tempos da instrução primária, dizia-se que FÁBULA era uma história em que os animais falavam entre si como se fossem gente. Nada mais. É uma definição muito simplória que deve ser modificada. Na verdade, nas fábulas, os protagonistas da acção são animais, que são imaginados a falar e a ter sentimentos, em episódios de vida semelhantes aos dos seres humanos, mas  são histórias, em prosa ou em verso, que pretendem dar aos seres humanos lições de bom senso e de rectidão. Nessas histórias há elevados conceitos morais e filosóficos a respeito da nossa conduta, do que podemos esperar dos outros conforme os nossos próprios actos, etc.  São normas de vida que, aproveitadas, concorrem para a felicidade. A maldade e a perfídia têm sempre o seu castigo, o bem vence sempre o mal. Há, portanto, uma maneira muito diferente da da sátira, a pretender chamar a atenção, de corrigir o que moral, social e individualmente não é devido.

É um tipo de literatura também muito antigo. Entre os antigos gregos, ficaram célebres as fábulas de Fedro e as de Esopo. Na era moderna, as fábulas mais conhecidas são as de La Fontaine.   

Todas as culturas têm as suas fábulas, diferentes em pormenores, nos animais utilizados e no simbolismo que se associa a cada animal. Assim, e de uma maneira geral, o lobo é símbolo do glutão insaciável; a raposa é símbolo da esperteza desleal; a lebre, representa a agilidade; o leão, a força e dignidade de rei ; a hiena, a maldade; a rola, a mansidão e a pureza; o mocho é o animal sábio. É curioso notar que o cão, que entre nós é símbolo de dedicação, em algumas culturas é símbolo de perigo e de ferocidade.

Esperemos que as fábulas tenham, sobretudo na  educação da juventude,  a quem  mais se destinam,  maior impacto que as sátiras têm na sociedade.

 

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

LAURENTINO SABROSA   -  Senhora da Hora, Portugal



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A CONSTITUIÇÃO PUGNA POR MAIOR ATENÇÃO À SAÚDE

 

 

 

Uma concepção moderna de saúde indica que ela se constitui no bem-estar do indivíduo nos aspectos físico, mental e social.  Neste contexto e pela importância que representa, foi elevada a um dos direitos fundamentais do ser humano, integrando-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH, proclamada pela Organização das Nações Unidas – ONU em 12 de dezembro de 1948 e que dispôs em seu art. XXV: “Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora do seu controle”.

Nesta trilha, cite-se a Associação Médica Mundial, fundada em 1947 e que conta atualmente entre seus membros, com oitenta entidades afins de diferentes países, incluindo  Brasil. Sua principal finalidade é a de “servir a humanidade, visando atingir os mais elevados níveis em educação, ciência, arte e ética, bem como, cuidados de saúde para toda a população mundial”. Um de seus documentos mais importantes é a Declaração sobre os Direitos do Paciente, aprovada em 1981 durante a 34ª Assembléia da Associação Médica Mundial realizada em Lisboa (Portugal) e revista em Santiago (Chile) no ano de 2005. A declaração apresenta onze princípios fundamentais, entre os quais: “Direito à dignidade, que implica respeitar a privacidade do paciente, sua cultura e seus valores; ter o sofrimento aliviado segundo o estado atual de conhecimento médico; e contar com cuidados terminais que dêem a ele toda assistência possível para tornar a morte tão digna e confortável quanto possível”.

A doutrina dominante, dentre vários critérios, costuma classificar os direitos fundamentais em Gerações de Direitos que também indicam a evolução histórica destes. A saúde se situa nos Direitos Humanos de Segunda Geração, que engloba os direitos sociais, culturais e econômicos. O momento histórico que os inspira e os impulsiona é a Revolução Industrial européia, a partir do século XIX. De acordo com Pedro Lessa, “nesse sentido, em decorrência das péssimas situações e condições de trabalho, eclodem movimentos como o ‘cartista’-Inglaterra e a ‘Comuna de Paris’(1848), na busca de reivindicações trabalhistas e normas de assistência social. O início do século XX é marcado pela 1ª Grande Guerra e pela fixação de direitos sociais, evidenciados dentre outros documentos, pela Constituição de Weimar, de 1919 (Alemanha) e pelo Tratado de Versalhes, 1919 (OIT)” (“Direito Constitucional Esquematizado”, São Paulo: Saraiva, ed.2005).

A saúde como direito fundamental em nosso país ainda trilha um longo caminho a sua concretização. Em verdade, a sua conquista como aspiração humana repousa na possibilidade de fazê-lo deixar a abstração para aterrissar no mundo real, posto que a sua situação caótica e deficitária, apesar da Constituição Federal em seu art. 196 expressamente dispor: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Desta forma, a Carta Magna de nosso país pugna por maior atenção à saúde, cujo desrespeito se considera uma infração de natureza constitucional, sem incidência, contudo, de eventuais sanções pelo seu descumprimento. Mesmo assim, algumas conquistas foram efetivadas nos últimos tempos, mas ainda estamos longe de alcançar a situação ideal. E dentre os inúmeros e sérios problemas que afetam e prejudicam o setor, talvez o mais grave se constitua no fato do sistema atual transformá-lo de um direito do cidadão constitucionalmente garantido em um privilégio econômico, acessível a poucos. Perante a fragilidade dos órgãos públicos, proliferam os planos de saúde da área privada. E apesar de se revelar numa incumbência pública, o que se vislumbra uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros aspectos sociais de igual relevância.

O saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida destacou que “toda pessoa tem direito à estima e ao respeito, mais ainda quando enferma e incapaz de tratar de si própria. Necessita de amparo, de assistência médica, de presença amiga e de conforto espiritual”. Em nosso país, entretanto, tais aspectos nem sempre são outorgados aos pacientes e  inúmeros, complexos e gravíssimos são os problemas no atendimento médico e hospitalar da população que se depara com uma estrutura ineficaz e desprovida de recursos, mercê ausência quase absoluta de vontade política em amenizar a situação.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

                       



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e OS NOSSOS QUERIDOS SACERDOTES

 

 

                                *H I S T Ó R I A

 

Certo dia, uma senhora que passava por momentos muito difíceis ligou para um locutor de rádio e, através daquela oportunidade, ela resolveu fazer o seu apelo, dizendo:

- Eu estou passando por uma grande prova: o desemprego bateu à minha porta, tenho filhos pequenos, meu esposo está fazendo apenas alguns serviços extras e a renda não é suficiente. Se algum irmão puder me ajudar com alimentos eu ficaria muito grata. Aquilo que Deus tocar em seu coração eu agradeço e será de grande ajuda.

E ela deixou seu endereço; porém, no momento do apelo, um ateu estava ouvindo a programação e disse:

- É hoje que eu acabo com essa raça de cristãos... é hoje!

Então, ele se dirigiu ao mercado e fez aquela compra! De tudo comprou um pouco e, depois, disse assim para duas pessoas que trabalhavam com ele:

- Vocês vão até a casa dessa senhora, entreguem esta compra e, quando ela perguntar quem mandou, digam que foi o diabo.

E seguiram aqueles homens rumo à casa da necessitada. Bateram palmas, ela com toda humildade atendeu e eles disseram:

- Viemos trazer esta compra para a senhora.

Descarregaram tudo e ela agradeceu demais; mas, vendo que a mulher não se interessou em saber quem era o doador dos mantimentos, um deles falou:

- A senhora não vai querer saber quem lhe deu esta compra?

Ela, tranqüila, respondeu:

- Não, não é preciso. Quando o meu Deus manda, até o diabo obedece!

Pois é, quando os critérios de moralidade e justiça não são adequados, a providência Divina protege os filhos amados –sabemos muito bem disso.

À luz da Sagrada Escritura, sabemos o que é certo, o que é errado e não podemos deixar que a ambição supere a caridade. O nosso relacionamento com Deus precisa ser ético!

E você, tem consciência que na natureza só o homem e a mulher assumem comportamento ético? A partir dos três anos de idade já entendemos muita coisa a respeito da diferença entre o bem e o mal. Por isso, os bons costumes e deveres do nosso povo podem ser melhorados por você para a construção de uma sociedade justa e solidária!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

**OS NOSSOS QUERIDOS SACERDOTES

 

Até hoje, nos relacionamentos que tive com os sacerdotes, nunca houve nenhum tipo de atrito, graças a Deus. Além disso, sempre ocorreu muita descontração em cada encontro, alternando o útil e o agradável nos diálogos.

Nas reuniões de comunidade, por exemplo, mesmo com a presença de vigários diferentes, temos boas recordações de brincadeiras sadias, que eles usaram para motivar e unir ainda mais o grupo em busca de um objetivo comum.

Ah, se Jesus Cristo e Maria Santíssima estivessem sempre em nossos corações como estão presentes nos seus filhos prediletos – os sacerdotes! Aí sim, acredito que não teríamos muitas coisas para nos preocupar! Mas, como conseguir essa graça? Com certeza,‘imitando’ a conduta dos sacerdotes: rezando um pouco mais, conseguindo tempo para ajudar nas obras de Deus, fugindo do pecado, pregando o Evangelho, combatendo as injustiças, incentivando a caridade entre irmãos, recebendo diariamente a Eucaristia...

Parece difícil, mas se torna fácil quando abrimos o nosso coração ao Amor de Maria e à Paz que emana de Jesus. O trabalho em comunidade nos aproxima de Deus, a tal ponto, que a nossa caminhada passa a ser cada vez mais cristã, por obra do Espírito Santo.

Quem está nesse caminho consegue entender melhor os padres, mesmo sabendo que enfrentam uma série de problemas quase insuperáveis para qualquer leigo como nós. Todos deveriam ter essa experiência de convivência com os sacerdotes para reconhecerem que eles têm muito carinho para conosco e precisam da nossa compreensão quando nos orientam ou, principalmente, quando nos repreendem nas falhas que cometemos.

Também nos programas de televisão, quando presentes, os padres ficam à vontade, aceitando brincadeiras e testemunhando a fé viva que brota de seus corações. Com poucas exceções, cada vez mais se tornam grandes exemplos para as novas vocações! Reze comigo:

ORAÇÃO VOCACIONAL: “Senhor da messe e pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: vem e segue-me. Derrama sobre nós o teu Espírito, que ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao reino, na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança a nossos seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da messe e pastor do rebanho, chama-nos para o serviço do teu povo. Maria, mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder sim. Amém.”

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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JOÃO BOSCO LEAL - NOSSAS VIDAS

                       

 

 

Centenas de vezes a vida já foi descrita como uma viagem única, exclusiva, na qual cada um vai para onde, como e com quem quer, arcando, durante o percurso, com as consequências de suas escolhas.

A viagem pode ser por trilhas, rios, mares ou auto-estradas, a pé, a cavalo, de barco, navio ou motorizada, mas sempre é uma viagem e o meio escolhido por quem a faz.

No meio de qualquer uma delas, alguns escolhem continuá-la de modo virtual e para isso utilizam-se dos mais diversos tipos de drogas hoje existentes, acelerando bastante o final de seu percurso. Outros, sem encontrar saída para sua ansiedade, interrompem bruscamente a sua, antes que o fim previsto o tivesse alcançado.

Durante a viagem notamos muitos exemplos de aproximações e afastamentos, sucessos e fracassos, amizades e conflitos, paz e guerra, mas sempre provocado por algo anterior.

Seria bem mais fácil se logo no inicio de sua caminhada todos já soubessem que tudo é exatamente como precisa ser e na grande maioria das vezes, uma consequência de escolhas passadas. Poderiam pensar antes de qualquer atitude, palavra ou gesto, para que no futuro não se encontrassem com muita frequência com o arrependimento.

O que se vê externamente quase nunca é o mais importante. Como em um automóvel que com o capô esconde seu motor, em quase tudo que existe o externo, material, é o visível, bonito, mas frágil, perecível, e o interno é o duradouro, que realmente possui valor.

Ressentimentos antigos podem ser apagados se realmente forem perdoados. As coisas mudam, as pessoas vão e vem, entram e saem de nossas vidas e o que é errado hoje pode não ser amanhã, quando os amigos atuais poderão já estar distantes e será possível curar o atualmente incurável.

No corpo ou a alma, as dores e os machucados sempre ocorrerão, mas se você permitir que isso ocorra, elas também passarão, algumas mais facilmente e outras nem tanto, mas poderão sarar e as emoções alegres sempre poderão ser relembradas.

Dores que nos corroeram durante anos, se você as aceitar como suas, poderão, no futuro, ser lembradas como momentos de tristeza. Buscando em nosso interior, somos capazes de perceber o que é e o que não é realmente importante, deve ser ignorado, esquecido e como podemos seguir adiante após cada queda no caminho.

A felicidade como descrita em livros e filmes só é possível ali, pois na vida real a felicidade é a vivência de momentos felizes, como o deslumbramento com um lindo por do sol, a delícia de um banho de mar, um abraço no entre querido, um beijo e todos os outros momentos que possam lhe provocar sorrisos, alegrias.

Nossas passagens ou viagens pela vida são diferentes para cada um, e de acordo com a maior, ou menor frequência e quantidade dos sentimentos de carinho, amizade, dores, alegrias, tristezas, paixões e amor que vivemos, costumamos dizer que somos mais ou menos felizes.

No entanto, é muito bom entender que todos podem influir bastante em seu futuro, plantando o que pretendem colher, na maior quantidade de áreas possível, física, educacional, cultural e de relacionamentos, pois as colheitas fartas sempre ajudarão a suportar momentos mais difíceis.

Como nas ondas oceânicas, nossas vidas estão sempre em movimento, com altos e baixos, e as arrebentações, mais ou menos explosivas, dependendo de cada um como chegará à praia.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

Campo Grande, Brasil.



publicado por solpaz às 11:07
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
HUMBERTO PINHO DA SILVA - PROSA HERMÉTICA

 

 

 

Ao ler certos textos, ao escutar homilias, ao participar em colóquios literários, fico muitas vezes a pensar, se os leitores ou ouvintes, conseguiram digerir o que se leu ou se disse.

Porque muito que se escreve, no nosso país, está revestido de espessa e rígida couraça, e é opaco como torre de marfim.

O mesmo hermetismo encontra-se nas explanações de professores e infelizmente em práticas de sacerdotes, mais desejosos a esmagarem com o peso do seu saber, do que tornar acessível a matéria espraiada.

Turva-se a água ao usar dicção rebuscada, rodriguinhos, frases obscuras, prosa apocalíptica, no intento a ofuscar e amesquinhar o leitor ou ouvinte.

Citar textos em latim, empregar arcaísmos ou neologismos, para arrancar aplauso, não é digno, a meu ver, de quem escreve ou ensina.

O vulgo, na sua bacoquice, exalta a prosa ilegível e oca, assim como aceita a arte, que não sendo Arte, nada transmite e nada diz.

Como não quer mostrar ignorância, comporta-se como os cidadãos do reino em que o monarca caminhava seminu pelas ruas da capital, e declara enfatuado, sacudindo solenemente a cabeça:

- É bom! …É óptimo! … É excelente! …

Estando em clube portuense a escutar famoso pianista, presenciei o diálogo travado entre dois cavalheiros. Dizia um, idoso, sisudo, esguio como Eça, dentro de bom fato azul-ferrete:

- Você já reparou que quando se ensina filosofia, poucos a entendem; mas se lermos os filósofos -  os verdadeiros, -  em regra são claros e límpidos como água colhida na fonte!?

Não aceito que os professores de Filosofia sejam sensaborões. Tive um excelente, e era uma delícia ouvi-lo; mas concordo que muitas vezes é mais fácil ler os textos de filósofos, que escutar certos professores e eruditos, a dissertar sobre os mesmos textos.

Há tendência a “turvar a água”, como dizia Nietzsche, a tudo que é didáctico e cultural, “ para que pareça profunda”.

Assim é, porque não se tem coragem de asseverar que não se entendeu, para não se ser julgado de ignorante.

Nunca escutei, da boca de quem saiu do teatro, exposição de Arte ou conferência, que não entendeu patavina.

Do mesmo jeito nunca se diz que não se conhece obra-prima ou que está a ler um clássico; porque o “intelectual” não lê mestre de literatura, releu-o.

Conhecendo a psicologia das massas, certos escritores, mormente novatos, “turvam” a prosa, enxameiam-na de palavras inúteis, citações em língua estranha, introduzindo, a cada passo, siglas, neologismos e termos técnicos e, ao tornarem-se obscuros, o vulgo louva-os e considera-os excepcionais.

Assim vai o mundo, enganando-nos uns aos outros, e rindo-se dos mais simples.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 20:31
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PINHO DA SILVA - VALORES

 

 

 

Falemos de valores. Sim,há valores;

não se contesta, não!...Quem o faria?!

Confessemos, contudo, que, hoje em dia,

há bem menos valores, do que...favores.

 

 

 

Em primeiro lugar vem o dinheiro;

em seguida um "canudo"; ar importante;

sempre um livro na mão; roupa elegante;

ou um aspecto jovial e prezenteiro...

 

 

 

Eis o que são valores, p'ra certa gente,

quando, afinal, a coisa é bem diferente!

Atalhareis vós: - "Não é assim!...Falta à verdade!..."

 

 

Não falto, garanto eu!... Ele há senhor

que é muito culto, e muito sabedor...

porque... disfarça a sua nulidade.

 

 

 

PINHO DA SILVA   -  Vila Nova de Gaia, Portugal



publicado por solpaz às 20:08
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