Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
AINDA HÁ IMPRENSA LIVRE

 

 

 

 

 

Dia destes, cavaqueando com director de pequeno periódico, onde dei a lume algumas entrevistas, este, lamentava-se de dificuldade em que vive ou sobrevive, a imprensa local.

Sem auxilio estatal, dependente de assinantes, que, em norma, são cada vez menos, e de anúncios, que devido à crise - interna e externa, - diminuíram drasticamente, resta - a muitas administrações, - a dependência do poder autárquico, que, em regra, impede imprensa livre, capaz de informar com a desejada isenção.

Só há liberdade de expressão, se a media pode, sem medo, apresentar comentários e criticar o poder, se há razão disso.

Mas, como se é livre,  quando se depende do poder político para quitar despesas de pessoal e tipográficas?

O jornal subsiste das vendas e dos anunciantes. Quando escasseiam, resta-lhe fechar as portas ou reverenciar o poder.

Certa vez - em 1997, - o Presidente da Câmara de Penalva do Castelo, Gabriel Costa, asseverou a jornalistas, em Viseu

Quem está com o Governo come, quem não está, cheira. “

O homem do “PP” acabara de aceitar o convite do “PS” para se candidatar nas suas listas, após a promessa de novo edifício para os Paços do Concelho - “ O Primeiro de Janeiro”, 10/SET/97.

Disse bem Gabriel Costa, porque disse a verdade. Quem está com o poder, governa-se. Assim pensaram, igualmente, muitos após a Revolução dos Cravos (cito Baptista-Basto, in “ Diário Económico” 10-10-97: “ No 25 de Abril (…) surgiu um rol impressionante de democratas de cartão plastificado e de antifascistas vitalícios (…) Matricularam-se nos partidos, chegaram deputados e a ministros. Antigos serventes de Salazar e Caetano, arregimentaram-se à nova ordem, que os recebeu de braços “calientes”. Estão todos bem, graças a Deus. Até os pides.”

Voltemos à vaca fria - salvo seja! - à conversa que mantive com o director de gazeta local. Referiu-se que outrora havia a detestável censura, agora permanece o receio de processos judiciais (sempre caríssimos), e o corte de anúncios, se o ponto de vista do director, fere interesse de anunciante; e a propósito citou o que aconteceu ao jornal francês “ La Croix” ao criticar os que faziam desfile de moda, de conhecidos costureiros, nas comunhões solenes. Atitude reprovável e nada cristã.

O resultado foi que as modistas famosas e industriais do ramo, retirassem a publicidade do jornal, facto que prejudicou a subsistência do periódico.

Nos nossos dias administrar pequena gazeta é feito quase heróico, quando se pretende informar com seriedade e publicar artigos de opinião, sem lhe pôr espartilho.

Assim como numa empresa estatal se chega facilmente ao topo, possuindo um pouco de talento e cartão partidário, também um jornal navega de vento em popa, se se entregar à dependência do poder.

Felizmente, ainda que muitos pensem o contrário, é na imprensa local, onde se encontra mais honestidade e independência; preferindo muitos, reduzir a periodicidade e até tiragens, para se manterem orgulhosamente apartados do poder. Infelizmente nem sempre são compreendido e aplaudido pelos leitores.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

 

 



publicado por solpaz às 15:08
link do post | comentar | favorito
|

INFELIZMENTE A VIDA É ISTO !

 

 

 

 

 

Conta D. Francisco Manuel de Melo, nos “ Apólogos Dialogais - Escritório do Avarento”, que certa vez, Alexandre, o Grande Conquistador, injuriou um pirata, dono de duas barcas, movidas a remos, que infestava as costas do reino.

O corsário era modesto e manhoso, e após a reprimenda, falou-lhe deste jeito:

Tá, tá, senhor Alexandre! Não me maltrates, que tu e eu, ambos temos um próprio oficio, mas com tal diferença: que a ti, porque roubas o mundo cercado de exércitos, te saúdam as gentes por monarca, e a mim, que com poucos companheiros faço pequenos danos, me infamam de corsário”. E remata o nosso clássico: “ Eis aqui como os homens fazem suas medidas!

Na verdade, invadir e subjugar, cercado de militares, não faz muita diferença do salteador, que pela madrugada, sumido na sombra do arvoredo ou abrigado no cotovelo de estrada, aguarda, como araquenidio, a presa, para a despojar de bens. A diferença está na lei. Um é fora de lei; o outro é protegido por ela.

Se pobre diabo é apanhado a roubar é ladrão; se empresário ou gestor diplomado, pratica falcatrua, chamam-lhe: desvio.

Se alguém aparece mal entrajado, pergunta-lhe: “ Que queres?”. Se veste com elegância, passa a ser Senhor e até, em certos meios, de doutor ou Excelência.

Ladrão, rato, vigarista, vagabundo, gatuno, e termos como tal, só se empregam tratando-se de indivíduos que vivam sem posses. Quando o  rico é aprisionado pelas alicantinas que praticou, há diferença de tratamento. No Brasil basta possuir curso superior, para que as condições se modifiquem; nem é preciso “ enricar”, como diz o caipira, para ser respeitado.

O trajo, a posição social, o cargo que exerce, é que faz a diferença, e não, como devia ser: a cultura, a educação, a bondade a moral e sobretudo a justiça.

Assim se julgam e se avaliam as pessoas, catalogadas e apartadas, consoante as funções que ocupam.

Alexandre “ roubava”, despojava, matava, para ser Grande. O corsário fazia o mesmo, mas como não era rei, nem valido, a justiça punha-o a ferros, enquanto venerava e reverenciava o rei.

Infelizmente a vida é isto!, como disse Guerra Junqueiro “ No Bouvevard ( in Musa em Ferias)”:

 

O ponto essencial é não trazer grilheta.

Uma camisa branca, uma consciência preta.

Um ar pouco sério, um nome, algum dinheiro.

Eis tudo que se exige a qualquer bandoleiro

Para representar a farsa desta vida.

A virtude consiste em ter folha corrida.

A moral é um blague;  apenas se suporta

Num drama ou num sermão; de resto é letra morta.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 



publicado por solpaz às 15:02
link do post | comentar | favorito
|

VAMOS PROCURAR JESUS ?

 

 

 

 

 

É do conhecimento de todos a antiga, mas sempre interessante história, da mãe, que explica, ao filho, de terra idade, como é Deus:

- Olha! - disse, - quando tomas, pela manhã, café com leite, colocas na xícara um pouco de açúcar, para que não fique amargo.

No entanto, se olhares para a chávena, não consegues ver, porque dissolveu -se no líquido. Assim é Deus: está em toda a parte, mas não se vê.

Esta explicação do Omnipotente é simples e perfeita. É como aquele menino, que em manhã de nevoeiro cerrado, corria pela praia, segurando o barbante que sustinha o papagaio. A cerração não permitia vê-lo, mas o rapazinho sabia, que para lá da bruma, a estrela flutuava, e de tempo a tempo sentia o puxão.

Podemos, igualmente, afirmar a sua existência, comparando-O à central eléctrica. Quando abrimos o interruptor do nosso quarto, a lâmpada fica incandescente. Não vemos a electricidade, nem donde vem, mas sabemos que existe.

São inúmeras as imagens que podemos utilizar para demonstrar e explicar Deus, mas basta-nos as que aponto.

O facto de não se ver, não quer dizer que não exista. Também não vemos o vento, e não temos dúvida de sua existência.

Quantas vezes Deus caminha ao nosso lado, segura-nos pela mão para não resvalarmos na voragem do abismo, e no entanto não O enxergamos!  

 

 

  

 

Esta gravura, que acompanha o texto, é bem um exemplo do que se disse.

Nela está, bem visível, a figura de Cristo; mas, para descobrir precisamos de O procurar.

Cabe agora, ao leitor, encontrar, nesse emaranhado de manchas e traços, o Homem de Nazaré; mas, por certo, só o descobrirá após aturada busca.

Vamos procurar Jesus?

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por solpaz às 14:58
link do post | comentar | favorito
|

Europa
mais sobre mim
Brasil
arquivos

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
Foz Coa
links