Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
RENATA IACOVINO - PALAVRAS

                        

 

 

            “O mais difícil é não fazer nada: ficar só diante do cosmos. Trabalhar é um atordoamento. Ficar sem fazer nada é a nudez final. Há uns que não aguentam. Então vão se divertir. Estou escrevendo de madrugada. Talvez porque não queira ficar só diante do mundo. Mas de algum modo estou acompanhada.”.

            Os subterfúgios que parecem o paradeiro ideal para recostarmos nossa alma conflituosa, são a descoberta de um mundo interior in(dizível) .

            Abrimos infinitas portas ao adentrar no submerso palatável das palavras.

            Palavras ditas, pensadas, calculadas, cantadas, letradas, intraduzíveis, frívolas, cerradas, cerceadas, frias, palavras-cores, ardentes, sentidas, inusitadas, sofridas, palavras-lágrimas, mortas, novas, articuladas, palavras-palavras, palavras...

            De qual armário escolhemos as palavras a serem ditas? Em quais gavetas escondemos as palavras omissas?

            O poeta é o artesão das palavras, antes mesmo que qualquer outro personagem chegue até ela.

            Um discurso pensada-mente inacabado, um ponto final bem colocado, uma aproximação articulada, uma chance de resposta ao vazio, um preenchimento da lacuna vil...

            Poetas cantam, encantam, contam. Inventam, reinventam e se alimentam.

            “Há uns que não aguentam”, como afirmou Clarice Lispector, mas os poetas se autossustentam. E não vivem de migalhas. Revivem e recriam histórias que pertencem a um universo de pessoas, pois que se multiplicam nelas (e nelas).

            “Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras – quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.”.

            Mergulho e vou procurando a decifração do inesgotável... gota a gota. O sulco deixado pela pedra me intriga. É ele que persigo quando volto à terra.

            Palavras são suspiros que nasceram neve e se amalgamaram com o gélido espreitar do cético, produzindo calor em sua intenção terna. Conduzem o poeta a linhas que serão seguidas pela humanidade, enquanto o belo prevalecer como linguagem essencial à sobrevivência.

 

Renata Iacovino , escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



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Cfd. ALUIZIO DA MATA - CAPELA DA MINHA INFÂNCIA

                         

 

 

Hoje, 27 de novembro, dia consagrado a Nossa Senhora das Graças me deu vontade de enviar uma mensagem que considero muito especial, já que a  Mãe de  Jesus é muito importante para os vicentinos. Para quem não sabe, estas foram as palavras de Maria numa aparição a Santa Catarina Labouré, irmã da Família Vicentina, em 27 de novembro de 1830, quando ela mandou cunhar uma medalha que passou a ser conhecida como Medalha Milagrosa:

"Todas as pessoas que usarem a Medalha receberão grandes graças, trazendo-a ao pescoço".  "As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança”. 

Tempos atrás tive a oportunidade de passar perto do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Sete Lagoas. Eram 5 horas da manhã e parei o carro em frente da capela. De onde estacionei, via o prédio ainda às escuras.

De repente, pelo vitral, percebi que alguém acendera a luz da capela. Pouco depois as portas se abriram e pude entrar.

A minha imaginação correu no tempo e me vi anos atrás, naquele mesmo lugar e lembrei-me de quando ainda era criança. Quantas missas  havia assistido no mesmo horário das 05h15min h da manhã, junto com a minha mãe. Morávamos a um quarteirão de distância.

Ao entrar na capela vi, com emoção, o mesmo crucifixo iluminado por trás, e do lado direito do altar  a mesma imagem de Nossa Senhora das Graças, com sua coroa e raios iluminados saindo de sua cabeça e de suas mãos, nos mostrando as bênçãos que ela derrama constantemente sobre nós.

Vi a mesma religiosa, irmã Lourdes, já bem velhinha, mas ainda a primeira a chegar à capela, a bater o sino chamando os fiéis vizinhos.

Outras das antigas irmãs, já não estavam mais presentes.

Aos poucos foram chegando as pessoas, muitas das quais eu conhecera na minha infância.

Das pessoas que assistiam as missas antigamente, muitas não mais se encontram neste mundo, inclusive a minha mãe.

Algumas pessoas que naquela época eram  mais jovens, agora já se apresentavam idosas.

Quanta saudade!

No passar dos anos, quantas pessoas por ali também passaram. O padre Agenor, capelão já não mais vivente, também veio à minha lembrança. Vivia para assistir aos doentes.

Posso testemunhar a dedicação de muitas e muitas irmãs de caridade, não só na capela, mas zelosas no hospital, onde eram um misto de tudo: Eram enfermeiras, conselheiras, amigas.

O progresso transformou o hospital, inclusive  no seu aspecto físico. Desmancharam uma bela construção antiga e ergueram um moderno edifício. O atendimento, que era quase pessoal (conhecia-se todo mundo, médicos, enfermeiros, pacientes); hoje se tornou impessoal. Quase ninguém conhece ninguém.

Somente as irmãs de caridade não mudaram. Continuam prestando um serviço que não encontramos igual em outro lugar.

A SSVP nunca teve seus assistidos recusados naquele hospital. Eram tratados como se clientes ricos fossem. Nos dias de visita os vicentinos, em grande número, lá estavam presentes. Nós alegrávamos os doentes e eles alegravam nossos corações.

Muita coisa mudou. Menos a caridade, e a Capela, que tiveram o bom senso de nela não tocar.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



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Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - O SENCIONALISMO DE SEMPRE

 

A série de sérias reflexões que o Papa Bento XVI faz no livro Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos já se acham afetadas pelo sensacionalismo que centra suas atenções na   questão em que foi dado um exemplo referente ao preservativo. Eis o que disse Bento XVI: “Pode haver casos individuais justificados, por exemplo, quando uma prostituta usa um preservativo, e esse pode ser o primeiro passo rumo a uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer.  No entanto, essa não é a maneira verdadeira e adequada para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade”. 

O Arcebispo Metropolitano de São Paulo,  Cardeal dom Odilo Scherer explicou  que a Igreja Católica não mudou sua posição em relação ao uso do preservativo. Dom Odilo comentou as declarações do Papa Bento XVI que considera aceitável o uso de preservativos “em certos casos” para evitar a transmissão de doenças. Afirmou D. Odilo: “Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade”.

De fato, a castidade é uma atitude correta diante do sexo, ou seja, conservar e usar as forças do sexo dentro do plano de Deus. Para isto é mister perceber qual é o sentido profundo  e valor exato da sexualidade. Deus preceituou que  homem deixaria o pai e a mãe e se uniria a sua mulher, formando uma só carne (Gên. 2,24).  Ele havia dito: “Não ë bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliar igual a ele ( Gên. 2,18). O Criador abençoou Noé e seus filhos e lhes ordenou: “Sede fecundos, multiplicai, enchei a terra”(Gên 9,1). O sexo está destinado, portanto, à união e ao crescimento no amor, possibilitando a criação de uma nova vida humana. Na visão cristã não é, como hoje muitos  querem fazer crer, algo que se possa usar fora dos planos divinos. Ele foi feito para o matrimônio e o matrimônio foi elevado à sua prístina dignidade por Jesus Cristo, como está claríssimo no Evangelho (Mt 5,32). Jesus proclamou: “Bem-aventurados os puros, porque eles verão a Deus”.

 Muitos, felizmente, são os jovens que imbuídos do Espírito Santo se conservam puros até o dia do casamento, apesar de toda esta onda de erotismo que envolve, infelizmente, o mundo de hoje.

Não se trata, portanto, da moral católica, mas da ética estabelecida pelo próprio Ser Supremo.

 A AIDS, como ensina o Papa Bento XVI em vários de seus pronunciamentos é evitada pela castidade, pela fuga dos desvios que animalizam o ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador.

 

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
HUMBERTO PINHO DA SILVA - A BONECA FEIA

                      

 

 

Em mês de Julho, dos anos setenta, estanciei numa cidadezinha do interior. Burgo antigo, cheio de tradições, de ruas estreitas e  reduzido comércio. Por razões, que não devo esclarecer, não revelo nomes, já que os intervenientes pertencem a famílias conhecidas.

Na modesta pensão em que me hospedei encontrei jovem de vinte e poucos anos, que viera em busca de menina, que o havia fascinado.

Na verdade, e é isso que devo ao leitor, o moço não andava fascinado: mas encantado, e fervia de paixão.

Conheceu-a em menina; e a moça lançava-lhe ternos olhares e meneios, que frecharam-lhe o coração com flechas de Cupido.

No andar dos anos, o rapaz desvelava noites a fio, absorvido numa paixão delirante. Crescera a moça e desmudara atitude; mas o jovem, fantasiando, declarava, para quem o queria ouvir, que a menina mostrava apenas o pejo próprio da adolescência.

Terminado o ano escolar, o rapaz visitava a cidadezinha, na esperança de a ver, mas a moça esquivava-se, dando mostras de enfado, refugiando-se em locais inacessíveis ao enamorado.

Certos serão, quando tomávamos o cafezinho, confessou-me, com os olhos saltando de júbilo: que de tempo a tempo recebia correspondência, onde a prima - pois era sua prima, - nas entrelinhas, parecia mostrar afecto, e isso bastava para o animar.

A exemplo de anos anteriores, lá estava pensativo na pensão. Desta vez ,segundo declarou, gostaria de presenteá-la, mas por mais voltas desse ao bestunto nada o contentava.

Sugeri-lhe o “chorão”, que estava em voga.

A ideia foi bem aceite e pouco depois, o jovem. Percorria pressuroso as livrarias, em busca de “chorões”; mas, por mais que os procurasse não os havia. Após ter visitado as lojas, não encontrou outro remédio, senão comprar boneca que se impunha pelo tamanho e feieza.

Mostrou-ma desolado, enquanto jantávamos. Era deselegante, de feições grosseiras e hirta como pau.

Animei-o, dizendo-lhe que talvez a jovem gostasse, e ele respondeu-me, quase chorando de arrependimento por não ter trazido da sua terra o gracioso “chorão”: - Que fazer?, se nem bazares há nesta localidade!

No dia imediato bateu temeroso à porta da moça. A mãe recebeu-o afectuosamente e apontando para o mamarracho, interrogou-o

- Para quem é a boneca?!

Tartamudeando de vergonha - segundo me contou, - disse que era para a….

Esclareço que a mãe da moça nunca se apercebeu do intento do primo pela filha, talvez devido à diferença de idade ou sempre soube dissimular, como progenitora prudente que era.

Nesse mesmo dia o hospede corrido de pejo, despediu-se e partiu no primeiro comboio da manhã, declarando-me que não mais voltaria, a não ser que a prima assim lho solicitasse.

Nunca mais soube desses amores secretos e platónicos, mas jamais o esqueço, porque nunca conheci amor tão sincero e puro.

Será que a moça teve outro tão puro? Creio bem que não: porque em matéria de amores são raros os verdadeiros, e como diz o povo: não há igual ao primeiro.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - UMA SOLENIDADE ESPETACULAR !

                       

 

 

Domingo passado, dia 21 de novembro, recebi uma homenagem da Academia Itajubense de Letras que me deixou emocionado. Numa solenidade ímpar, fui condecorado com o Diploma de Honra ao Mérito pela participação cultural, social e artística em nossa cidade.

A presidente e sempre simpática Terezinha Ofélia Nascimento Rennó, teceu grandes elogios a mim, assim como outros acadêmicos: Marcos Antonio Olivas, Paulo Roberto Tavares Pereira, Wilson Ribeiro de Sá, Rozelet Fernando Armentano Silva, Fredmarck Gonçalves Leão etc.

Há anos, eu estive numa reunião da Academia, a convite da Ana Cley Marques Pizarro, tocando e cantando para os presentes. Não me lembro o motivo, mas também foi alguma homenagem especial que prestaram. Mas, nesta de agora, foram quase três horas de mensagens que agradaram todos os corações.

Agradeci dizendo que, se soubesse que as emoções seriam tão fortes, teria tomado um calmante. Também disse que ser homenageado por imortais é coisa do outro mundo! E passei a falar com o coração, já que tudo o que eu pensei dizer foi apagado pelas lágrimas.

Lembrei quando o professor Fredmarck concorreu pela terceira vez a diretor da EFEI. Mesmo sabendo que eu era um professor bem mais novo, foi ao meu gabinete e pediu que eu revisasse sua proposta para o debate com os demais candidatos. Fiquei impressionado com sua humildade em me procurar, considerando que ele trazia consigo uma enorme bagagem de competência. Naquele dia, aprendi um pouco mais a me nivelar com as pessoas menos favorecidas.

Depois, olhei para o acadêmico Benedito Paulo Nogueira e comentei que ele foi uma das primeiras pessoas que conheci em Itajubá. Em 1974, quando cheguei para fazer a matrícula na Faculdade de Engenharia Civil, fui recebido por ele, atual secretário, que me disse: “Você é um rapaz de sorte! Chamamos todas as listas de espera e, mesmo assim, sobraram três vagas. Chamamos mais três alunos e somente dois vieram. Então, como última tentativa, resolvemos chamar mais um – exatamente você!” Eu concluí a história, dizendo agora ao Paulo Nogueira que fui o melhor aluno daquela turma, graças ao meu esforço e às bênçãos divinas.

E lembrei do meu falecido pai e da época que fiquei doente no hospital, em 1991, à beira da morte! Minha irmã, minha filha Soraia e muitos presentes choravam durante o relato, mas eu afirmei que aquilo não foi em vão. Entendi que o amor de Deus me impulsionava a servir o próximo e, somente por este motivo, eu estava recebendo aquela homenagem. Na pessoa da dona Ambrosina Freitas Paiva, agradeci a presença de todos e pedi que os meus parentes se levantassem para receber aplausos – coadjuvantes que são da minha vida abençoada.

Dirigi um obrigado especial à minha querida mãe, à minha esposa e a Nossa Senhora. Uma do céu e duas da terra, carregaram-me no colo a vida toda. Ah, também comentei a grata presença dos confrades do Círculo Italiano: Antônio Consoli, Giovani e Antonio Trota. A engenheira Marita Arêas de Souza Tavares e esposo, formados pelo Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual UNIFEI, vieram de Belo Horizonte com um dia de antecedência para me cumprimentarem. Quanta bondade!

Enfim, havia muita gente prestigiando a outorga que recebi. Por e-mail, recebi e respondi mais de 50 mensagens de parabéns. São amigos do coração que repartiram à distância as alegrias desse momento – mais um sinal de Deus, dizendo que estou no caminho certo: ajudando na evangelização.

E a dona Terezinha Ofélia declamou um poema, escrito pelo seu falecido pai, B. Nascimento, que, segundo ela, poderia ter sido feito à minha pessoa. Título: Fogo Santo.

“Eis, meu Senhor; aos vossos pés minha alma. Contrita e pronta ao fogo desse Amor, que, sendo agitação, refreia e aclama, e, sendo chama, apaga toda dor...

Que o caminho tortuoso e duro espalma, e, sendo chispa, abranda o sofredor; que emana dessas mãos, sangrando a palma, do vosso atroz martírio, ó meu Senhor!

Essa fogueira não me faz espanto, que é refrigério, é fogo sacrossanto. Lançai-me nele, nele irei queimar-me...

Incinerai-me em vosso fogo ameno! Minha alma pronta está e estou sereno: condenado a esse fogo, hei de salvar-me.”

Quanta honra! Mais uma vez, agradeci a todos. Perdoem-me aqueles que esqueci de citar neste artigo, mas tenham certeza que rezarei por vocês. E antes do encerramento da reunião, convidei os amigos para participarem dos eventos do Natal no Campus UNIFEI 2010. Os ingressos gratuitos serão disponibilizados no início de dezembro para estes shows:

– dia 11, sábado – Ballet Bolshoi (Santa Catarina) – espetáculo clássico;

– dia 12, domingo – Encontro de Corais (mais de 300 vozes: adulto e infantil) – espetáculo musical;

– dia 15, quarta – Jair Rodrigues – espetáculo da família;

– dia 17, sexta – Adriana Calcanhoto (Show Partimpim 2) – espetáculo infantil;

– dia 18, sábado – Banda Sinfônica de Santa Rosa de Viterbo – concerto de Natal.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Maria Santíssima!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - CASÓRIO

                      

 

 

                Acho que já escrevi sobre quase tudo nesses dez anos de crônicas semanais. Escrevi sobre a chuva, sobre o sol, sobre meus cachorros, meus peixes, meus pássaros, sobre minha sobrinha, meus avós, meus pais, sobre flores, sobre amores, sobre dores, sobre medos, compulsões, sobre política, sobre enganos, sobre internet, sobre carros, sobre cidades, sobre meus professores, meus alunos, sobre ambulantes, políticos, taxistas e sobre qualquer coisa que conseguisse preencher minhas linhas...

                Muitas vezes me questiono, preocupada por escrever constantemente sobre coisas que tangenciam minha vida, que fazem parte do meu cotidiano. Um dia, por certo, imagino, as pessoas irão me perguntar por que razão minhas colunas, meus espaços em blogs, sites ou jornais não se chamam “Meu Diário”. Ainda assim, uma vez terei que escrever sobre um acontecimento familiar, sobre um momento que tocou demais as minhas emoções. Prometo, solenemente, que vou buscar escrever mais sobre os outros e menos sobre mim, mas hoje, seja como for, eu seria incapaz de buscar inspiração em qualquer outra coisa.

                Nesse último fim de semana, assim, minha irmã caçula, Tricya, casou-se. Nem sei descrever a emoção que me invadiu quando, lá do altar, na condição de madrinha, eu a vi entrar, de braços dados, com meu pai e minha mãe. Imediatamente, eu fiz uma viagem ao passado. De uma noiva linda, resplandecendo em um vestido branco, eu a vi transformada na menininha de um ano e meio que não saía do meu colo enquanto nossa mãe não chegasse do trabalho, para minutos depois ser a criança que, querendo participar das brincadeiras das irmãs mais velhas, ficava muito brava ao ser chamada de “café com leite”.

                Quando ela tinha oito anos, era comum meu pai olhar para ela e dizer: “_Ah, meus oito aninhos!” Naquela frase, todos sabíamos que o desejo era de que ela nunca crescesse, que fosse eternamente a criança da casa. Confesso que tinha dificuldade de entender aquilo, pois crescíamos, independentemente de nossa vontade e parecia crueldade desejar que não acontecesse. Hoje compreendo que não se trata disso, mas do desejo que se tem de que o ser amado continue pequenino, protegido das dores e tristezas que a vida adulta contempla.

                Assistimos os oito aninhos dela irem embora na mesma velocidade que os anos de todos nós foram se acrescendo. Com o tempo veio a adolescência, a juventude e a maturidade. Vi minha irmã chorar, rir, desejar, sofrer, sonhar e, muitas vezes, desacreditar. Particularmente, sempre a admirei pela inteligência, pela perspicácia, pela seriedade profissional, pela mulher elegante que se tornou, mas durante um bom tempo, ficou difícil fazê-la acreditar nessas mesmas coisas.

                Pisquei os olhos e novamente estava no altar. Ela vinha, braços dados com meus pais. Radiantes, eles eram só sorrisos e orgulho. Na igreja delicada e discretamente decorada, o som de um teclado sutil dava a trilha sonora. Aguçando os ouvidos, porém, o que mais se ouvia era o som das lágrimas daqueles que amam o casal de noivos. Olho ao redor e vejo amigas de infância dela, mulheres que conheci meninas, com os olhos turvos d’água. Sinto a umidade que me invade os olhos e engulo firme: não vou chorar. Tantas vezes quis que as lágrimas dela secassem e hoje não quero emoções assim. Deixo-me escutar a música e contemplar as pessoas. É uma noite de alegrias, de festa.

CASÓRIOO padre, depois de um sermão inspiradíssimo, próximo ao coração, faz com que eu tenha saudades da igreja que acolhe, que ampara os corações. Sinto-me leve, como quem assiste, enfim, a um final feliz. Só que não é um final. É um começo...

Algo me diz que, algumas vezes, os sonhos se realizam. Tri, irmã amada, ainda bem que você cresceu...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo





publicado por solpaz às 14:47
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EUCLIDES CAVACO - TROVAS AO LUAR
Bom dia carissímos amigos
 
TROVAS AO LUAR
É mais um tema que dedico à cidade capital do distrito onde nasci,
aos estudantes e tricanas que são um dos mais belos expoentes
da história e tradições da nossa Coimbra repleta de predicados.
Veja este tema aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Trovas_ao_Luar/index.htm
 
Cordiais saudações
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por solpaz às 14:42
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JOSÉ RENATO NALINI - A METAMORFOSE DA POLÍTICA

O que aconteceu com a política brasileira? Ninguém nega a sua importância. A política interfere na vida privada, influencia a economia, condiciona o progresso. Entranha-se na intimidade de todas as pessoas, mesmo daquelas que a hostilizam. Um fenômeno generalizado é ouvir pessoas de bem evidenciarem sua ojeriza pela política partidária. Generalizar é sempre perigoso. Mais perigoso ainda é se omitir, a pretexto de que os honestos não se dão bem com o sistema e entregar o território de tamanha relevância a quem dele queira se aproveitar. Já advertia Edmund Burke há tantos anos:

“Para o mal vencer, basta que os bons cruzem os braços. Para o bem triunfar, é suficiente que os descruzem”. Essa conclamação precisa ser lida e refletida como libelo. É urgente que a política seja reabilitada e dela participem os melhores. A Democracia tende a servir exatamente a essa finalidade: selecionar os melhores, para que – em caráter transitório – ofereçam seu talento, devotamento e trabalho à “res publica”. Mas para atrair esse potencial hoje ausente do processo eleitoral é preciso que sobrevenha – e com urgência – a reforma política.

Um dos fatores determinantes da ausência de bons quadros é o custeio da campanha. Somos todos do século passado e nos recordamos como se desenrolavam as eleições há algumas décadas. No município, pessoas probas e pobres conseguiam se candidatar e eram bem-sucedidas. Alguns ricos chegaram a concorrer, mas não empenhavam sua fortuna pessoal para ganhar eleições. Hoje, uma candidatura custa milhões. Parece injustificável, à luz do bom senso, que alguém vá investir em sua eleição, quantia equivalente a várias vezes o que perceberá em subsídios, durante toda a gestão.

Como é que se explica o montante desses gastos? Mostra-se necessário repensar o tema do custeio. O sistema atual é burocrático, formalístico e se presta a tergiversações. A Justiça Eleitoral fica atormentada de tantas denúncias, muitas frágeis, outras nem tanto. Será que em pleno século XXI não se encontra uma fórmula mais efetiva, mais eficiente, mais sensata, de permitir que almejem a participar dos pleitos os cidadãos que, não sendo políticos profissionais, hoje são praticamente expelidos do processo?

 

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”. Editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por solpaz às 14:39
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Cfd. ALUIZIO DA MATA - PRESENTES DE NATAL

                         

 

 

Em minha opinião, Natal deveria ser apenas uma ocasião de agradecimento a Deus, pelo nascimento de Jesus. Foi o maior presente que o Criador poderia dar para a humanidade.

Talvez porque a própria Bíblia narre que Jesus recebeu presentes ao nascer, o homem tenha pensado em imitar o gesto, mas hoje em dia, o motivo e a intenção mudaram completamente, pois poucos são os que se lembram de Jesus no Natal. O comércio, o consumismo, a própria falta de religião tem contribuído para que seja assim.

Lembro-me que, quando criança, nossos presentes de natal eram coisas de utilidade.  Roupas e sapatos (às vezes doados por parentes ricos),  e só. Os brinquedos nós mesmos os fazíamos. Qualquer manga verde caída do pé era nosso boi, pois colocávamos nela pedaços de paus imitando pernas e chifres. Pedaços de cabaça (pequenas abóboras secas) eram transformados em carros de boi. Pequenas rodelas dessas mesmas cabaças, com um furo no centro onde passávamos um cordão, era o que chamávamos de “piorra”,  e que imagino ser a antepassada do iô-iô moderno.

Minhas irmãs ganhavam, além das roupas e sapatos, bonecas de pano que minha mãe fazia com ajuda delas.  E éramos felizes.

Tudo isto estou lembrando para que os dois Grupos que tenho composto de mais de 900 pessoas, procure fazer do Natal uma festa da família, onde Jesus seja a principal figura.  

Parece que o que estou propondo seja utopia, pois nem todos das nossas famílias pensam assim. Sei disso, mas precisamos tentar.

Todas as crianças esperam e recebem muitos presentes no Natal, às vezes um presente de cada adulto da família. E por mais presentes que ganhem logo  deles se esquecem. Os presentes de hoje, embora mais bem elaborados,  já não têm os atrativos  dos presentes de antigamente. Dê uma busca em sua casa e acharás mitos brinquedos guardados ou esquecidos.

Todas as crianças vão ter um natal assim?  Certamente que não.

Existem milhares de crianças que não vão ganhar nada neste natal.  Se falarmos em termos de planeta, certamente, serão milhões de crianças. E isto não dói na nossa consciência?

Já escrevi sobre o caso de uma menina de 12 anos que perguntada o que queria ganhar de presente, respondeu:

— Quero um prato de comida!

Sei que muita gente está pensando:

— Mas não fui eu quem criou esta situação!

É verdade, mas a criança que nasceu na circunstância de extrema pobreza também não foi quem quis assim.

Então, o que fazer?

Se cada um de nós (falo apenas dos integrantes dos Grupos TEXTOPARAMEDITACAO e MIDIAVICENTINA der um presente para uma criança carente, seja ela de um orfanato, seja ela de uma família que more na periferia, ou até que more debaixo de viadutos, já teremos feito algo de bom. Serão mais de 900 sorrisos.

Sei que nos nossos grupos já existem pessoas fazendo campanhas de arrecadação nos lugares onde trabalham ou entre os seus vizinhos, para  doar no natal.   

E não tem nada mais agradável  a Deus do que um nome escrito em seu coração com o sorriso de uma criança pobre.

Caso você não conheça ninguém que seja pobre, caso você não possa ou não tenha coragem  de ir até um bairro distante, vá a uma agência dos Correios. Lá existem centenas de cartas de crianças pedindo algum brinquedo. Você pode optar levar o presente e entregá-lo com suas próprias mãos, ou deixar o carteiro entregar por você.  A primeira opção é a que mais deve agradar a Deus, porque você vai até onde Jesus está  representado naquele pobre.

Ainda há a opção de você entregar os seus presentes para uma conferência Vicentina, pois ela os distribuirá para crianças carentes. E tomara que as Conferências estejam pensando em fazer uma ceia de natal para seus assistidos.

Assim como eu ganhava roupas usadas e ficava feliz, imagine  o jesus da periferia como vai ficar...

Se você atendeu ao pedido que fizemos  ano passado e vai atender ao pedido para este Natal, serão registros a seu favor no coração de Jesus.     

Quer pagamento melhor?

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 





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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DEUS É VIVO

         

 

 

Impressionei-me com a história de Maria Baouardy – Irmã Maria de Jesus Crucificado – nascida em cinco de janeiro de 1846, em Abellin, pequena cidade da Galileia perto de Nazaré, após 12 abortos involuntários de sua mãe. Quem escreve sobre ela é Afonso de Santa Cruz, em publicação própria, que encontrei em meio aos livros do Carmelo São José.

Construiu dois Carmelos, um na Índia e outro em Belém da Judéia, sem pôr o pé fora da clausura.

Muito cedo perdeu o pai e a mãe, o que a fez, precocemente, levar a vida a sério, pois cada dia podia ser o último. E como reflete o autor do livro: “Quem está marcado pela Eternidade, não conhece meios termos, justamente quando se trata de um acontecimento de repercussão eterna”.

Comprometida com a humildade, afirmava que a verdadeira graça leva ao aniquilamento: “Quando Deus me visita, eu vejo de tal modo o meu nada, minha miséria, que eu não seria capaz de a suportar, se Ele não me sustivesse”. E explicava humildade como a verdade. Mas o que é a verdade? É a realidade. E qual é a realidade? Somos e seremos sempre pecadores, felizes na proporção do arrependimento e do perdão. Quando aplaudida por algum acontecimento, Irmã Maria de Jesus Crucificado falava em sua linguagem árabe: “Eu apenas enfio a linha na agulha e Jesus costura o vestido brilhante”. O orgulhoso, para ela, era como uma semente de trigo, que é jogada na água. Ela incha, fica gorda. Mas pondo-a ao sol, ela seca e se queima com os raios ardentes.

Encontrava-me rascunhando esta crônica, quando participei, na Igreja do Rosário e São Benedito – Santuário Diocesano de Adoração do Santíssimo –, no último dia 21 de novembro,  da Celebração Eucarística presidida pelo Padre Eugênio Barbosa Martins, SSS, e concelebrada pelo Reitor do Santuário, Padre José Brombal, no jubileu de 75 anos da Irmã Maria Eustela Caiuby – completará 100 anos de idade em dezembro -  e de 50 anos da Irmã Carolina Caravelo.  A festa de Cristo Rei. Cristo vive, reina e impera.  O celebrante, com muita propriedade, colocou que aceitamos o reino de Deus quando, por ele, abrimos mão de nossa liberdade. E quais os critérios desse reino? Davi era o último dos irmãos e foi a ele que Deus escolheu. Dimas estava na cruz, ao lado do Cristo e, ao reconhecê-Lo como Mestre, dEle ouviu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. A Missa, a vida de oferta a Deus das Irmãs – iluminando espiritualmente a nossa -, o coral, sob a regência de André Minutti, com acordes do coro dos anjos, fizeram-nos experimentar um acontecimento de “repercussão eterna”.

Voltei ao livro “O Nadinha da Pequena Árabe” a respeito de Maria Baouardy. Na apresentação, Afonso de Santa Cruz escreve: “Posso TUDO nAquele que me conforta, disse São Paulo. Tudo em contrate com o Nada. Em duas palavras, este contraste é possível quando o  NADA (eu) cede o lugar ao TUDO (Cristo). Em um dos capítulos, destaca que a existência de Irmã Maria de Jesus Crucificado foi sinal de que “Deus é vivo”. Assim também a vida da Irmã Maria Eustela, da Irmã Carolina e todas as Irmãs da Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento.

DEUS É VIVO!

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/Magdala, Jundiaí,Brasil

 



publicado por solpaz às 15:39
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