Blogue luso-brasileiro
Sábado, 29 de Janeiro de 2011
PAULO ROBERTO LABEGALINI - SENTIMENTOS QUE NÂO PASSAM

 

                        

 

 

Quando servi o Exército em Itajubá – NPOR, 1975 –, eu ainda estava amadurecendo na personalidade que carrego hoje. E quando converso com amigos daquela época, vêm à mente algumas imagens agradáveis e outras recordações um pouco tristes. O importante para mim é concluir que o saldo é positivo a favor de momentos felizes.

Um dia em particular marcou minha vida de aluno aspirante a oficial da reserva. No exercício de ‘Fuga e Evasão’, éramos prisioneiros e conseguimos fugir do acampamento inimigo. Apenas nove pessoas resolveram escapar num momento de desatenção dos guardas, e eu estava no grupo.

Fazia frio e chovia muito nas montanhas, contribuindo para o nosso sofrimento, já que vestíamos apenas calção. E partimos em direção à cidade de Maria da Fé, lugar ainda mais frio; mas o que incomodava muito era a fome. Estávamos há 24 horas sem comer e ficamos felizes quando avistamos uma casinha no campo.

Ao nos aproximarmos, uma senhora veio ao nosso encontro e, imediatamente, ouviu o pedido meio incomum do aluno Rennó:

– Dona, a senhora tem um arrozinho com ovo pra gente comer?

A resposta alegrou nossos corações:

– Tenho sim. Já fiz a janta de hoje e vou servir vocês. Esperem um pouco.

Devia ser mais ou menos 10 horas da manhã e, para nossa sorte, até o jantar estava pronto naquele abençoado lar. Imaginamos que era mais prático e econômico fazer a comida de uma só vez, antes do almoço, mas, por nossa causa, aquela senhora teria que cozinhar tudo de novo!

E logo chegaram os nove pratos bem caprichados. Não lembro exatamente o que tinha de comida, mas sei que havia feijão, arroz, tomate e carne de porco. O ovo que o Rennó pediu, não recordo se fazia parte do cardápio. E comemos como padres! Hehehe...

Abastecidos, chegamos a Maria da Fé e as áreas alagadas não nos permitiram continuar. Ficamos abrigados numa oficina mecânica, aguardando a chuva passar. Como o aluno que mais tremia de frio era eu, aceitei vestir um macacão todo sujo de graxa, que me salvou de ‘morrer congelado’.

À noite, o pai de um dos fugitivos chegou para nos levar de caminhonete para Itajubá. E após o banho, pedi à senhora da pensão onde eu morava ir comprar um lanche na padaria, pois eu não podia me expor na rua para não ser preso pelos inimigos.

Bem, mas sabe por que estou contando tudo isso? Na verdade, quero me reportar a um sentimento de ingratidão que guardo no coração, porque não me lembro como agradeci – e se agradeci – as pessoas que me ajudaram. ‘Obrigado’ eu acredito ter dito, mas somente isso foi muito pouco! Hoje, não sei se estão vivas, nem mesmo alguns rostos ou lugares que viviam me recordo. Como reparar isso?

Eu rezo pela senhora da casinha no campo, pelo mecânico que me emprestou o macacão, pelo pai do amigo que nos transportou na caminhonete e pela dona da pensão – esta sim, sei que já faleceu. Peço a Deus que tenham paz abundante assim na Terra como no Céu, mas ainda carrego um pouco de culpa por não lhes ter retribuído todo o bem que fizeram. Na época, por alguns meses sustentei o desejo de ir a Maria da Fé levar um presente ao mecânico, mas nem o macacão devolvi pessoalmente – seguiu pelo caminhão de leite.

Então, não somente eu, mas também você, leitor, temos que aproveitar todas as oportunidades  para retribuir o amor que recebemos. Não podemos deixar os agradecimentos de cada dia para depois, porque novas oportunidades poderão não existir.

Na semana passada, fui convidado a proferir duas palestras: uma em Itajubá e outra em Pedralva. A primeira fez parte da programação da Semana da Enfermagem e ocorreu na excelente Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. O tema que propus falar foi o título de um de meus livros: Mensagens que agradam o coração. E falei de amor, de paz e de motivação para servir o próximo com alegria. Com mais de 200 pessoas presentes, encerrei a palestra cantando e, pela graça de Deus, fui muito aplaudido.

No sábado, em Pedralva, lugar que me ‘adotou como filho’ e me faz sentir em casa, falei para um grupo de católicos no centro pastoral da Paróquia São Sebastião. O local também estava lotado e o tema foi o título de outro livro: Minha vida de milagres. Muita gente se emocionou comigo e lágrimas rolaram quando me referi às graças que alcancei de Nossa Senhora. Depois, eu e minha esposa recebemos algumas homenagens e cantei com os amigos na missa da noite.

Em cada lugar, fiz questão de agradecer imensamente o carinho que recebi. Cheguei a dizer: ‘Deus lhes pague pela caridade que estão dirigindo a mim’. Enquanto não tive certeza que entenderam a gratidão que eu sentia pelo caloroso acolhimento, insisti no agradecimento.

Amar como Jesus amou não é fácil, porém, amar como percebemos que somos amados por tanta gente é o mínimo que o mundo espera de nós. Há carinho suficiente emanando dos corações e não temos o direito de segurar isso conosco, sem retribuir. Faça também a sua parte para não se arrepender.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
JOÃO ALVES DAS NEVES - Imprensa: PARA A HISTÓRIA DOS JORNAIS E REVISTAS ARGANILENSES

Depois do artigo sobre o Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa (23-12-2010), pretendemos acrescentar outros comentários em torno da História da Imprensa de Arganil, a partir do que escreveu o dr. A.J.de Vasconcelos, pioneiro do regionalismo da Beira Serra e um dos principais doutrinadores do Movimento.

No texto que publicou no Livro de Ouro do XXV aniversário da Casa da Comarca de Arganil, em 1954, está uma extensa lista da Imprensa de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra: o total é de 24 títulos, mas temos de considerar que nem todos são periódicos, pois vários deles foram números únicos, como são os casos do “Fraternidade” (1888), “Manhãs Dominicais” (1911), “O Regedor” (1914) e “A Voz dos Rouxinóis” (1946) – é claro que nos referimos tão somente aos arganilenses.

De outro lado, incluímos 2 suplementos infantis de “A Comarca”: “O Jornalito”, porque teve 6 edições, e “O Bebé“, dirigido pelo jornalista Luís Ferreira. No estudo que apresentou na revista “Arganilia” (2006) esclarece Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra) que “O Jornalito” foi uma brincadeira do pai da “directora” (que era menor), mas “O Bebé” foi dirigido por um jornalista profissional” que trabalhava no jornal lisboeta “O Século” e que depois se tornou um dos mais assíduos redactores de “A Comarca” : enquanto o primeiro suplemento foi efêmero, “O Bebé” durou de 1-1-1930 até 23-12-1932. Não obstante, o mais duradouro dos suplementos infanto-juvenis da centenária “Comarca” foi “A Comarquinha”, que tivemos o prazer de coordenar no decurso de 16 anos, desde 3 de Janeiro de 1991 até 3 de Dezembro de 2008, completando 216 edições mensais.

Voltamos a falar do Livro de Ouro da Casa da Comarca de Arganil para recordar que se tratou de um projecto do Dr. Álvaro Marques Afonso, que o dirigiu após deixar a presidência da instituição. E um dos seus mais próximos colaboradores foi o Dr. Armando José de Vasconcelos Carvalho, o mais entusiasta regionalista que conhecemos de perto. Aliás, o volume deve ser considerado a mais genuína “Bíblia” do Regionalismo da Beira-Serra, pois reuniu alguns dos destacados cultores do Movimento que lutou pelo progresso material e cultural da Beira.

Antes de concluir o nosso segundo artigo acerca da Imprensa de Arganil (quem se habilita a fazer o historial do jornalismo goiense, pampilhosense e dos outros municípios beirões – pelo menos o dos que ficam no lado de cá da Serra de Estrela, é necessário relembrar a iniciativa da revista cultural “Arganilia” (tão injustamente atacada por quem nada fez pela nossa Terra). Referimo-nos, evidentemente, ao Colóquio da Imprensa, realizado em Lisboa, que contou não somente com a nossa colaboração, mas também com os depoimentos de Monsenhor A. Nunes Pereira, Regina Anacleto, José Caldeira, António Ramos de Almeida, Aníbal Pacheco, Lina Maria Alves Madeira, Teodoro Antunes Mendes, J. E. Mendes Ferrão, António Lopes Machado, Beatriz Alcântara, Cáceres Monteiro e Fernando Correia da Silva.

Entre as conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira Serra, ressalta-se o propósito de promover em 1991 o II Encontro, durante o qual poderiam ser ampliados os temas da imprensa e outros que abordassem igualmente as questões em aberto do Movimento Regionalista e os de História, Literatura, Folclore e Artesanato, Música, Arquitectura e Artes Plásticas, Economia, etc. Por não se ter concretizado o II Colóquio, quem assume - agora - o desafio?

Na realidade, nem sequer se esgotou o tema da Imprensa, actualizado com a restauração de “A Comarca de Arganil”. Quanto a nós, retomaremos o assunto, comentando as publicações periódicas:

  1. O Trovão da Beira (1871)
  2. Folha Verde (1890)
  3. A Comarca de Arganil (1901)
  4. O Franco Liberal (1905)
  5. Jornal de Arganil (1913)
  6. O Crítico (1914)
  7. Correio de Arganil (1915)
  8. O Celavisense (1916)
  9. O Celavisense (1920),
  10. O Crítico (1921)
  11. O Crítico (1922)
  12. Jornal de Arganil (1926)
  13. Acção ao Regional (1931)
  14. Arganilia (revista cultural da Beira Serra)

JOÃO ALVES DAS NEVES  -   Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos Quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.



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EUCLIDES CAVACO - PARABÉNS A EUSÉBIO
PARABÉNS A EUSÉBIO
Na passagem do seu  20+24+25 aniversário, aqui  deixo este tributo
à maior ESTRELA do nosso futebol de todos os tempos...
Que continue a festejar muitos mais aniversários na nossa companhia.
Veja este tema dedicado ao nosso grande ídolo EUSÉBIO:
 
http://www.euclidescavaco.com/Dedicatorias/Tributo_a_Eusebio/index.htm
 
Calorosas saudações
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - BISPO SURPREENDE E RECUSA PRÊMIO EM SOLENIDADE NO SENADO FEDERAL

                

                                                                                                             

 

               O bispo cearense de Limoeiro do Norte, dom Manuel Edmilson Cruz, recusou uma homenagem do Senado Federal sob a alegação de que o aumento dos vencimentos dos parlamentares se constituiu num atentado aos direitos humanos do povo brasileiro. O religioso afirmou que a Comenda Dom Helder Câmara, que lhe foi oferecida, não honra a história de quem lhe dá título, expondo que a realidade da população mais carente, contrasta com a confortável situação salarial dos deputados e senadores. Um protesto que obteve grande repercussão e apoio geral contra uma verdadeira agressão desferida por aqueles que têm obrigação legal e moral de tutelar os interesses públicos.

 

                   No último dia 20 de dezembro, aconteceu a solenidade de entrega da COMENDA DOS DIREITOS HUMANOS DOM HÉLDER CÂMARA, outorgada pelo Senado Federal a personalidades que se destacaram na área. Na ocasião, num plenário esvaziado, apenas com alguns parlamentares e convidados, um dos homenageados, o bispo cearense de Limoeiro do Norte, dom Manuel Edmilson Cruz, acabou impondo um espetacular constrangimento aos parlamentes. Após receber uma placa alusiva das mãos do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), ao discursar, ele recusou a reverência  em protesto ao reajuste de 61,8% concedidos pelos deputados e senadores aos seus próprios vencimentos, alguns dias antes.

                     “A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, à cidadã contribuinte para o bem de todos, com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”, afirmou o bispo.

                    Ele destacou que a majoração deveria ter como base o mesmo índice concedido ao salário mínimo, em torno cerca de 6%. “O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo”. Aplaudido pelo público, o religioso ainda expôs que a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar filas nos hospitais da rede pública, contrasta com a confortável situação salarial dos parlamentares, criticando-os por aprovar aquele montante à remuneração. “Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar”, disse.

                   A surpreendente posição de dom Manuel obteve enorme repercussão na imprensa e idêntico apoio de inúmeros setores religiosos e da própria sociedade em geral, inclusive muitos militantes dos Direitos Humanos. Demonstrou a revolta que parte da população, envergonhada com o comportamento de vários homens públicos em geral, nutre pelos desmandos propiciados por muitos de nossos representantes políticos, mais preocupados com seus anseios particulares do que com os interesses coletivos, e para os quais “tudo pode” enquanto o resto sofre inúmeras privações e ferrenha regulagem de seus parcos salários, notadamente os beneficiários da Previdência Social.

                    A Teoria Geral dos Direitos Humanos primordialmente defende: os direitos fundamentais dos seres humanos e sua concretização; a dignidade da pessoa humana e o acesso à Justiça; a autolimitação do poder do Estado ao cumprimento das leis que a todos subordinam e a igualdade de oportunidades e o Estado Democrático de Direito. Efetivamente, na atualidade, muitos dos atos praticados por nossos legisladores e governantes contrariam e desrespeitam frontalmente tais preceitos, procrastinando o nosso amadurecimento institucional, que requer desenvolvimento cultural e educacional, fortalecimento da cidadania com a inclusão dos excluídos e um grande esforço de restauração do respeito à lei, com provimento eficiente de justiça e segurança pública.

       O corajoso ato de dom Manuel deve servir de alerta para que não aceitemos passivamente constantes agressões desferidas por aqueles que têm obrigação legal e moral de tutelar as aspirações populares, mormente em relação ao dinheiro público, tão malversado em nosso país, em detrimento ao desatendimento das muitas necessidades básicas da maior parte do povo brasileiro. Precisamos deixar de lado o comodismo e o egoísmo, mudando nossos modos de pensar e agir, para lutarmos decisivamente pela busca de caminhos que garantam uma vida digna à maioria dos brasileiros e não apenas a uma minoria privilegiada. Imprescindível que o povo se organize e procure soluções ao seu alcance, reivindicando, fiscalizando e cobrando de nossas autoridades a satisfação de seus anseios constitucionalmente garantidos. E, amparando-se em mensagens cristãs, forçar a Nação a trilhar  um rumo certo, condicionando cada cidadão ao respeito por si mesmo e ao seu irmão.

        Reiteramos: não pode nos faltar coragem para recolocarmos os alicerces à construção de um Brasil justo, unindo-se forças para não nos omitirmos na defesa dos preceitos evangélicos na vida social, econômica e política, participando ativamente na modificação de estruturas injustas e corruptas, tornando possível um projeto comprometido com a distribuição de renda e de combate às concentrações, capaz de diminuir os contrastes entre seus habitantes, exigindo permanente seriedade de nossos representantes.

 

                           

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DE FRENTE PARA O SOL

                

 

 

            

Como se não bastasse o verdadeiro zoológico que tenho em casa, há dois meses arrumei uma calopsita. Descobri que na casa de uma vizinha haviam nascido 5 filhotes e, curiosa por natureza e por profissão, resolvi ir até lá para dar uma xeretada. Quando vi um filhote amarelo e branco, com as bochechas laranjadas, em um ímpeto disse: _Esse é meu!

            Embora eu sempre quisesse uma ave dessas, algumas horas depois eu tive uma espécie de arrependimento. Pensando direito, eu ia ter que fazer algumas adaptações e, fosse como fosse, representava mais um hóspede para a casa de amigos ou hotelzinho, quando eu fosse viajar.

            Há cerca de 4 anos, apaixonada por outra calopsita que estava à venda na loja de um amigo, acabei fazendo uma experiência e a levamos para casa, para ver como nossos cães de portavam. Demos a ela o nome de Sol. Mansa, amarelinha, ela era um encanto. Vinha no dedo, deixava que lhe coçassem a cabeça, mas isso era um desfavor no quesito “defesa contra dois cãezinhos possessivos”.  Na primeira oportunidade, ambos tentaram fazer dela um “yellow lanche feliz”! Frustrada, acabei por devolvê-la.

            O tempo passou e eu, ou me esqueci do passado ou criei esperanças. Olhando para a avezinha, batizei-a como Sol, em um surto de originalidade (ou de nostalgia). Providenciei as instalações dela e, no dia combinado, fomos buscá-la. Para minha surpresa, o que eu imaginava ser o maior problema, na prática, não foi tanto. Ainda não arrisco deixar os cachorros sozinhos com ela, mas eles nem se atentam à presença da ave que, quando os “amigos” não estão, fica solta pela sala.

            Minha surpresa, em verdade, deu-se me outro nível. Ao contrário de sua xará, a nova Sol não era mansa. Arisca, dava boas picadas nos dedos que se aventuravam perto dela. Fiquei desapontada. Eu queria a mesma ave que atendia aos chamados e que se deixava ser acariciada, mas o que tinha era um bicho arisco e bravo.

            Descobri, ainda, que não se tratava de uma fêmea, mas de um macho. O Sol. Enfrentar o Sol, portanto, não seria tarefa das mais simples. Desatei a buscar informações na internet. Algum dia ele seria manso? Eu o conseguiria ensinar a falar ou a assoviar? Todas as respostas eram no sentido de que tudo dependeria de mim, da paciência e do amor que fosse capaz de dedicar a minha rebelde ave.

            Resolvi não tentar... Resolvi conseguir! Se eu não pudesse dominar o Sol, aprenderia a conviver harmoniosamente com ele. Passei a cantar para ele, a me aproximar, agora sem a luva, mesmo diante do risco de uma bicada. Sofri algumas, digamos, “chamuscadas”, mas não só não é mais necessária a luva, como ele, agora, já come na minha mão.

            Engraçado é que ele me conhece mais do que eu a ele, o que denota que uma qualidade já lhe ressalta: a da inteligência. Sabe quando estou com medo dele e, nessa hora, tenta me bicar, embora de maneira indolor. Quando estou determinada, simplesmente sobe em meus dedos, até como se dissesse: _ Viu como é fácil?

            Encarar o Sol, de frente, é mais do que um ato de valentia,  é um ato de amor. Não existe amor sem renúncias, sem riscos. São necessárias confiança, paciência e determinação. Nenhum amor é igual ao outro, assim como o Sol de um dia não é idêntico ao que brilha em outro dia...

            Agora, todos os dias, ele escuta, por cerca de 20 minutos, um CD com assobios. Quietinho, com os olhos atentos, ele parece compenetrado. Depois, sirvo sementes de girassol direto em seu bico. Ainda nos olhamos, por vezes, desconfiados. Estou enfrentando o Sol, cheia de esperanças, mas ciente de que há uma distância a ser observada, aquela necessária para transformar dona e animal em, simplesmente, amigos...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por solpaz às 13:44
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - AMORES NOSSOS

                       

 

 

Algumas pessoas da década de 20, do século passado, me fazem um bem imenso ao coração e me ensinam ternura, sensatez, perseverança, alegria, ideais nobres e crença no Altíssimo. Começo por minha mãe, mas destaco ainda a Irmã Maria Inês do Carmelo, Irmã Áurea da Igreja do Rosário, Da. Marta Burgos Pereira da Silva, Da. Clélia Sartori, Da. Ray Ruas Mendes, Da. Aparecida Mariano de Barros... De 1919, um ano antes, recordo-me de Da. Maria Tereza Mendes Moreira, mãe de Dom Gil, Arcebispo de Juiz de Fora, de minha amiga Miralice e de outros seis filhos.

Hoje, contudo, falo de dois dos exemplos de amor que iluminam a história da Pastoral da Mulher/ Magdala, dois parceiros do sonho de Deus para mulheres excluídas, seus filhos e netos: Padre JOSÉ BROMBAL e Diácono BOANERGES RODRIGUES DE CAMARGO. Um de 1927 e outro de 1929. Dois amores nossos.

O Padre Brombal ficou viúvo faz tempo. Teve 12 filhos. Tem da esposa lembrança sagrada e os filhos todos, os netos igualmente, com suas diferenças e semelhanças, são para ele um tesouro. Ainda quando Diácono, na Igreja da Vila Arens, na década de 90, em época de preconceito maior contra mulheres em situação de prostituição, levou-nos àquela paróquia, para dizermos da Pastoral da Mulher e para que uma das assistidas desse testemunho de sua história triste e, em seguida, ao encontro diocesano do Apostolado da Oração. Permitiu que nossa caminhada entrasse pelos caminhos dele e se fortalecesse em meio ao povo que o respeita e o ouve. Recentemente, sugeriu a uma pessoa, que possuía um grande número de peças novas de jeans, de uma confecção desativada, que as doasse para a Magdala. O bazar de roupas novas e seminovas, que acontecerá de três a cinco de fevereiro, na Casa de Catecismo da Catedral – Rua do Rosário, 163, tem como grande novidade essas quatrocentas peças novas de jeans, que chegaram através do pensamento imutável do Padre Brombal em fazer o bem, em anunciar o Deus Amor.

O Diácono Boanerges segue ao nosso lado nas ações que dizem de fé e caridade. A esposa partiu há alguns anos. Bonito ver a dedicação dele a ela, durante a enfermidade, sem confiná-la para diminuir seu trabalho e desgaste. Semana passada, esteve conosco na quinta-feira, na Magdala, para o cafezinho da manhã. Soube do evento beneficente de fevereiro. Retornou, na sexta, com um cabide na mão, contendo camisas masculinas cuidadosamente passadas, para somar às peças que serão comercializadas no bazar. Emocionei-me tanto! Próprio de gente que transpira a misericórdia de Deus. Nossos colaboradores comovem-me a todo instante.

E as mulheres nossas, que experimentaram a violência do uso e foram açoitadas por olhares de condenação, percebem, cada vez mais, que há lugar para elas no Reino do Céus e que vale a pena, embora em meio a tropeços como todos, deixar-se seduzir por Jesus Cristo.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora Diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala

 

NB: Compareça ao nosso bazar. Haverá, também, sapatos, bolsas e bijuterias seminovas. O valor unitário das peças será de R$ 1,00 a R$ 10,00. A comunidade jundiaiense tem sido muito solidária com a doação de roupas e sapatos, em excelente estado, para os bazares da Magdala. Maiores informações: 4522-4970.



publicado por solpaz às 13:38
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A MAIOR AFRONTA

                  

 

 

Diz Lucas – 17:11,19 – que, caminhando Jesus para Jerusalém, escutou um brado de socorro. Eram dez leprosos, que de longe, como a lei mandava, pediam a cura.

O Mestre disse-lhes:”Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. Acreditaram - a fé os salvou, - e correram para o templo.

Nesse em meio verificaram que estavam limpos e vibraram de alegria, mas um, que era samaritano, grato pela cura milagrosa, veio atrás em busca de Jesus, e colando a face ao chão, agradeceu-Lhe a graça.

Diz o evangelista que o Filho de Deus, mostrou-se agastado e interrogou-o, nos seguintes termos:

- Não eram dez os leprosos? Como só um regressou para agradecer?! Se o Mestre dos mestres doeu-se com a ingratidão, o que será o homem mortal, perante a indiferença do semelhante?

Tenho para mim, que a ingratidão é a maior afronta que se pode fazer, e no entanto é a mais praticada.

Poucos são os que agradecem as mercês, e ainda menos os que ficam reconhecidos pelos favores praticados.

Se a aflição bate à porta, são lágrimas, rogos encarecidos, promessas sem fim; mas afastada a tempestade, sentindo o bafo quente da bonança, viram costas e nem telefonema, nem e-mail, nem carta, nem um muito obrigado.

Para quê? - dizem, - não preciso dele para nada!; e se são repreendidos, lembrando-lhes que já precisaram, respondem: Não tenho tempo! ….

Não têm tempo!; mas tiveram para solicitar o emprego; para obter a bolsa, que não saia; para o jeitinho que solucionou o problema.

Diz Paulo que é devedor a todos, porque de todos precisou.

Como ele, também sou devedor aos professores que tive; ao médico que me recebeu como se filho fosse; aos primos que ao longo dos anos estiveram presentes em momentos amargos.

Devo, e muito, a meus pais, que abriram caminho para que chegasse a bom porto e a velhice confortável.

Devo a intelectuais, jornalistas, amigos, porque sem apoio, sem sua ajuda, não podia nem sabia escrever esta crónica.

Devo também a directores, redactores de jornais e revistas, que abriram os periódicos e emissoras, e acicataram-me a progredir, a continuar a ingrata missão de escrever.

Devo, igualmente, a sacerdotes, a religiosos católicos e evangélicos, que instruíram-me e formaram o carácter, ensinando-me a respeitar a Lei de Deus.

Devo até, a antepassados, que nunca conheci; deles recebi bens e nome honrado.

A todos, o meu muito obrigado. A todos estou eternamente grato.

Não sei se isto acontece ao leitor, a mim, sim: cartas, mensagens electrónicas, boas-festas, parabéns de aniversário, ficam sem resposta; e raros são os telefonemas a indagarem como passo.

Mas se precisam, são cartas, e-mails, telefonemas constantes…Recebida a mercê, recolhem à indiferença, ao: Não preciso dele para nada! …

Isso desgosta-me; isso entristece-me; mas que hei-de fazer?!, se os homens são assim!

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 10:28
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
PAULO ROBERTO LABEGALINI - COMO PERSEVERAR NA CARIDADE

                      

 

 

Sabemos que o amor ao próximo deve ser praticado sempre, pois é o único sentimento que transforma duas pessoas num único ser. Por isso, aconselho confrades e consócias a tirarem proveito das dificuldades nos relacionamentos, conscientizando-se que um será remodelado para o outro e todos para uma Rede de Caridade. E graças ao bom Deus, o resultado dessas orientações tem sido maravilhoso.

Dizer que precisamos de paz, de coragem e de esperança para bem viver, também não é novidade para qualquer vicentino. Um pouco mais complicado é convencer alguns irmãos a perdoar, a dizer a verdade e a rezar. Às vezes, para enraizar um ensinamento, conto histórias como esta:

Uma menininha muito sapeca arrancava os cabelos da boneca, derrubava pratos quando pedia para enxugar a louça e, com cara de levada, dizia sempre:

– Desculpe, mamãe!

Tinha certeza que, pronunciando esta frase, obtinha completa absolvição. E aconteceu que, uma manhã, derramou café na toalha da mesa. Assim que falou ‘desculpe’, viu sua mãe enrolar a toalha, pegar uma colher e dizer:

– Filha, agora você é uma fada e esta é uma varinha de condão. Diga dez vezes ‘desculpe, mamãe’ e esta mancha de café irá desaparecer.

A garotinha repetiu apressadamente a frase e, quando terminou, abriu a toalha e viu que a mancha continuava do mesmo jeito. Chateada, começou a chorar, e sua mãe lhe explicou:

– Não podia mesmo desaparecer, filha! Dizer ‘desculpe’ não resolve nada em muitas situações. Agora, vou encher outra xícara com café e você vai tomar sem derrubar, certo?

Pois é, uma simples historinha de criança pode nos ensinar uma grande lição. Eu imagino estar um dia diante de Deus e dizer a Ele: ‘Desculpe, Senhor, eu não fiz nada para ajudar no Seu projeto de evangelização’. Então, o que aconteceria comigo? Não sei, mas não quero correr o risco.

Hoje em dia, se alguém disser que tem uma receita mágica para resolver algum tipo de problema, rapidamente haverá um grupo interessado em saber, praticar e divulgar. Por isso, nós, vicentinos, precisamos ser orientados espiritualmente por pessoas sérias, éticas e de muita fé, porque um coração recheado de bons ensinamentos caminha mais alegremente.

São Vicente também dava seus conselhos evangélicos, chamados de virtudes pessoais –colhidos do Evangelho de Jesus Cristo e do seu exercício cotidiano junto aos pobres. Eis os cinco conselhos: simplicidade, humildade, mortificação, mansidão e zelo pelas almas. Seguir nesse caminho de santidade não é fácil; é preciso haver, principalmente, sinceridade na prática da caridade.

Resumindo minhas palavras, não podemos perseverar na caridade sem amor no coração. Esta é a ‘receita’ que disponibilizo em livro: auto-estima, humildade, bondade e sinceridade. As duas primeiras virtudes precisamos carregar dentro do peito e, as outras duas, disponibilizar ao próximo – seja o pobre ou outro vicentino. Segundo minha experiência na SSVP, isto minimiza problemas de relacionamentos, falta de perdão, mentiras e desculpas para não assumir o trabalho com responsabilidade.

A sustentabilidade da caridade no planeta depende de cada um de nós. Não esmoreça, faça a sua parte!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



 



publicado por solpaz às 11:53
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - QUEM MORA EM MIM ?

            

 

 

A Beata Elisabeth da Trindade, beatificada por João Paulo II em 1984, é uma mística que reconheceu que nós somos templos vivos e casa da Santíssima Trindade e se deixou habitar como Casa de Deus pela Trindade de Amor. Como disse, encontrou seu céu na terra, posto que o céu é Deus e Deus estava em sua alma. “Crer que um ser que se chama Amor habita em nós a todo instante do dia e da noite, e nos pede que vivamos em sociedade com Ele, eis aqui, garanto-vos, o que tem feito de minha vida um céu antecipado”.

Nascida em acampamento militar de Avord, perto de Bourges, coração da França, em 18 de julho de 1880, herdou da mãe a emotividade e do pai, capitão José Catez, o idealismo e a tenacidade. Distinguia-se, desde criança, por seu temperamento um tanto agressivo, mas também marcado pela sensibilidade, fidelidade e autenticidade nas palavras e gestos. Pianista de talento, em 1893, com somente 13 anos, obteve o primeiro prêmio de piano no Conservatório de Dijon.  Entendia que, como afirmou o poeta Keats: “A thing of beauty is a joy for ever”, ou seja: “Uma coisa bela será para sempre um motivo de alegria”. Seu fascínio maior, contudo, era pelo Amor de seus amores: Deus. Escreveu em seu diário de adolescente: “Tu cativaste meu coração, tu vives constantemente nEle e tens feito nEle tua morada. Tu, a quem sinto e a quem vejo com os olhos de alma no mais fundo deste pobre coração”.

Com 14 anos, já experimentava uma vida interior intensa e, de acordo com os estudiosos de sua vida, experimentava um fogo abrasador que a impulsionava a dar-se sem reservas. Aos16 anos, tomou uma firme decisão: escolher de uma forma absoluta e coerente a vontade de Deus. Em 1901, entrou para o Carmelo. Dentre os dez pontos para estar presente, diante do “Grande Presente”, segundo ela: “Jesus não se mostra fisicamente. (...) Ele não tem de vir, já está aqui. Eu, porém, me coloco a caminho, me aproximo do que me espera. A fé é o face a face nas trevas”. E, continuando, testemunha que Deus está em toda parte e devemos “cercá-Lo” com nosso amor. Convida-nos a nãos nos fixarmos em experiências e sentimentos negativos. Não pensar com tristeza no passado, mas começar hoje, consciente de que Jesus é um amigo compreensivo e rico em misericórdia. e que sejamos, para Ele, uma humanidade de acréscimo, na qual Ele renove todo o Seu Mistério.

Em 1906, tuberculosa, contraiu a enfermidade de Addison. Parte para a contemplação plena de Deus em novembro. Suas últimas palavras: “Eu vou à Luz, ao Amor, à Vida...”

Monjas, como ela – em Jundiaí temos as queridas da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo – velam sobre nós, aumentam a consciência de somos templos de Deus, conduzem-nos ao santuário de nosso interior e nos convidam a sermos dóceis às moções do Espírito Santo.

O Carmelo São José, de nossa Diocese, que glorifica incessantemente Aquele que lá habita, muito tem ajudado a Pastoral da Mulher/Associação “Maria de Magdala” a receber e a compartilhar as abundâncias do Amor que não passa.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PROJETO DE LEI REGULAMENTA A GUARDA DE ANIMAIS DOMÉSTICOS EM CASO DE DIVÓRCIO

                       

 

 

Após inúmeras especulações sobre o tema, finalmente tramita na Câmara Federal, um projeto de lei que regulamenta a guarda de animais domésticos em caso de divórcio do casal que os mantém. Trata-se de uma medida extremamente salutar já que reconhece os animais como seres vivos e não como meros objetos, respeitando os sentimentos das pessoas que os possuem e que normalmente mantém com eles laços de profunda afetividade.

 

Tramita na Câmara Federal um projeto de lei que regulamenta a guarda de animais domésticos em caso de divórcio do casal que os mantém. Pela atual legislação, eles são concebidos como bens, cuja propriedade é outorgada a quem apresentar documentação que a comprove, como a assinatura no pedigree. A futura lei propõe que, na falta do dono legal, a posse deve ser transferida para quem demonstrar maior capacidade de criá-los, levando em conta inclusive, a afinidade com eles. Caso isso não ocorra, a vigilância poderá ser compartilhada, com períodos predefinidos de convívio.

“Hoje o animal é tratado como um objeto, mas as pessoas que convivem com ele têm ligações afetivas, quase como um filho”, diz o deputado Márcio França (PSB-SP), autor da propositura que ainda prevê o direito de visita ao bicho de estimação pela parte vencida.

O projeto tramita em caráter conclusivo – não precisa ser aprovado no plenário. Para entrar em vigor, basta a aprovação das comissões responsáveis, mas ainda não há prazo definido para que isso aconteça. O parlamentar, em matéria publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” (06/10/2010- C6) afirmou que ingressou com o pedido após receber o “e-mail” de uma mulher que se dizia inconformada por ter perdido a posse dos cachorros para o ex-marido, após a separação.

Trata-se de uma medida extremamente salutar já que reconhece os animais como seres vivos e não como meros objetos e respeita os sentimentos das pessoas que os possuem e que normalmente mantém com eles laços de profunda afetividade. Além do mais, são inúmeros os casos em que o Poder Judiciário atualmente é invocado para resolver questões onde a disputa pelos mesmos são alvos de litígios entre cônjuges que dissolvem suas uniões e não há um parâmetro definido às soluções destas situações. Propicia ainda a possibilidade de convivência parcial dos que perdem a guarda, minimizando assim, eventuais dores e sofrimentos provocados por longos períodos de ausência.

Aproveitamos para destacar este futuro diploma legal já que no próximo dia 27 de janeiro, comemora-se o trigésimo segundo aniversário da proclamação pela UNESCO da Declaração dos Direitos dos Animais. Em sessão realizada em Bruxelas nesta data em 1978, foram determinadas regras mundiais de amparo aos animais, nem sempre observadas por cidadãos dos próprios países signatários. Constitui-se numa boa oportunidade para meditarmos sobre a necessidade de respeitá-los e protegê-los de quaisquer investidas humanas, notadamente de agressões gratuitas. Nada como conviver com eles, apreciando o equilíbrio da natureza que eles ajudam a edificar. Assim, a preservação das espécies deve ser propósito efetivo de todos nós, fazendo valer as disposições contidas na Declaração, começando a respeitá-las nos próprios meios em que vivemos.

A título de reflexão, invocamos a poetisa Olympia Salete: “A vida é valor absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem mata ou subjuga um animal por julgá-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo.”

                        Dia do Aposentado

        O filósofo italiano Norberto Bobbio assim se expressava: “O velho sabe por experiência aquilo que os outros ainda não sabem e precisam aprender com ele, seja na esfera ética, seja na dos costumes, seja na das técnicas de sobrevivência”. Infelizmente no Brasil, ele não é reconhecido, tendo sido criado um Estatuto para que se lhe outorgassem direitos constitucionalmente garantidos e o afeto natural pelo qual deveriam ser reverenciados, principalmente por seus familiares. 

        Celebra-se amanhã o Dia do Aposentado, em razão da assinatura da Lei Eloy Chaves em 24 de janeiro de 1923 e que se constituiu no embrião da previdência social em nosso país. Não há o que comemorar, posto que as normas reguladoras, constantemente alteradas, esbulham o direito adquirido de milhares de cidadãos; há um permanente achatamento salarial e manifesto desrespeito a condição do aposentado. É por isso que pelo menos na prática, o verbo aposentar está cada vez mais fora de moda. Se antes a aposentadoria era considera o término da fase produtiva do trabalhador, hoje representa o encerramento de uma primeira etapa, não o fim do trabalho. 

        Prova disso é que um em cada três aposentados do país continua trabalhando ou está em busca de uma posição. Eles somam 6,6 milhões de profissionais que não rompem o vínculo com a empresa em que trabalham ou que procuram outra vaga, segundo levantamento do pesquisador Márcio Pochmann, da Unicamp, com base em dados oficiais e divulgados pelo caderno “Classificados” da Folha de São Paulo (08/07/2007- p. F1). 

        Espera-se por um reforma do setor que realmente atenda às mínimas condições da classe, tão aviltada nos últimos tempos e que se consolide uma legislação salarial digna, efetivamente compensatória aos períodos trabalhados.

 

 

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário

 



publicado por solpaz às 11:38
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