Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
LAURENTINO SABROSA - A VELHICE

 

 

 

 

 

                             (A PROPÓSITO DA QUINZENA DO IDOSO, OCORRIDA NO MÊS DE OUTUBRO)

 

Da parte das instituições que têm por missão apoiar os idosos e lhes prestar a devida assistência, há uma grande dedicação e respeito por esta fase da vida, cuja população tem tendência a aumentar. O mesmo se observa na TV e na Imprensa em geral. Enaltecem-se os idosos pelo muito que trabalharam e sofreram, pelo muito que sofreram e muito amaram. Então, diz-se ou dá-se a entender, devemos rodear o idoso o mais possível de carinhos e bem-estar, para o compensar de debilidades e tristezas, para lhe manter o ânimo de vida e da vida lhe conservar a dignidade. Na realidade, se os idosos não têm nesses seus anos de velhice, em que predominam múltiplas carências de saúde e afectivas, se não têm agora carinho e bem-estar, quando os hão-de ter? E se nós, os mais válidos e menos idosos, não lhos dermos, quem lhos há-de dar?

No entanto, será que socialmente e sem hipocrisias, o idoso é devidamente considerado? Muito se enaltece a experiência profissional dos mais velhos, mas o que se verifica é que, só porque já não se é propriamente jovem, uma pessoa é afastada do seu trabalho por critérios economicistas, talvez errados, e, por esses critérios, é preterida e não aceite em candidaturas de emprego; fala-se muito da respeitabilidade que a um velho devemos dispensar, mas nos transportes públicos e em várias circunstâncias se pode verificar que raras vezes o velho, melhor dizendo, o idoso, recebe a respeitabilidade que em teoria dizem merecer; fala-se muito da sabedoria dos idosos, mas essa sabedoria de préstimo e de bom senso só tem valor na teoria dos manuais de Moral. Parece que só na sabedoria bíblica, a experiência é o título de glória dos velhos. E essa indiferença ou falta de consideração não vem apenas da juventude, irrequieta e desatenta. Os seniores, os da fase intermédia entre a juventude e a velhice, são os primeiros a dar o mau exemplo, a não “corrigir os que erram”, não educando assim os mais novos, esquecidos que parecem estar de que um dia também serão idosos e combalidos, velhos que nessa altura não podem receber o tratamento que gostariam, por agora não o ensinarem nem o praticarem. A Educação das pessoas não depende só da família e da escola, depende também muito do ambiente social, da cultura e da espiritualidade da sociedade. E, no entanto, até perante o Concílio Vaticano II, os velhos merecem tudo: “não só o necessário, mas também faze-los participar, com equidade, dos frutos do progresso económico.” –  Decreto O APOSTOLADO DOS LEIGOS, nº.11. Segundo os Provérbios, da Sabedoria de Salomão, “os cabelos brancos de um velho são uma coroa de glória” (Prov.16,31).

Por outro lado, temos de reconhecer que envelhecer é uma arte, nada fácil de realizar com beleza, que deve ser pensada e preparada desde os tempos da maturidade, se não antes. Quem, por exemplo, não prepara os seus tempos pós-reforma, quando se vir na situação de reformado, ao fim de pouco tempo surgem-lhe o tédio e a sensação de inutilidade na vida. Deverá ter o que anteriormente devia ter pensado: uma ocupação qualquer que lhe preencha o tempo, o mais possível com proveito familiar ou social, que, pelo menos, lhe retarde atrofias e escleroses múltiplas. Se o não conseguir, sobrevém a ruína na saúde, na mente, no espírito. Para uma velhice com sabedoria e dignidade, o labor mental e intelectual que cada qual se ministra, acompanhado de uma suficiente actividade física, é fundamental. Cada ser humano deve evitar ser velho, muito menos ser gebo, deve porfiar por que os seus neurónios se não degenerem a ponto de lhe roubar a lucidez e fazer dele um trengo, ou seja, deve ser um ancião, em toda a beleza da palavra. Costuma-se dizer que “velhos são os trapos”, mas os próprios trapos só são velhos se estiverem sujos e não servirem para nada. Tal como os trapos, as pessoas só serão velhas se estiverem sujas e não servirem para nada, e se esquecerem de que mais velhos que os trapos velhos são os trapos novos que cheirem a sulfato de sebo ou nitrato de mijo. A devida preparação da velhice, que devia ser a preocupação de todos, dá beleza e até nobreza a essa fase da vida, atrasa a perda da memória e o assalto das neuroses e das artroses.

Para que a consideração e carinho pelos idosos sejam uma realidade social, cada qual deve lutar por isso, seguindo as mil maneiras de o fazer, começando por entrar na velhice com cuidado, tal como nos recomenda o seguinte soneto de Manuel Bastos Tigre, escritor, poeta e humorista brasileiro do século passado:

 

 

 

Entra pela velhice com cuidado 

pé ante pé, sem provocar rumores,

que despertem lembranças do passado,

sonhos de glória e ilusões de amores.

 

 

do que tiveres no pomar plantafdo,

apanha os frutos e recolhe as flores.

Mas lavra ainda, e planta o teu eirado,

que outros virão colher quanto te fores.

 

 

Não te seja a velhice enfermidade!

Alimenta do espírito a saúde

E luta contra as tibiezas da vontade!

 

 

Que a neve caia, mas que o teu ardor não mude!

Mantem-te jovem, não importa a idade!

Cada idade tem a sua juventude!  

                     

 

 

 

Em teoria, enaltece-se muito o valor da velhice e dignifica-se aquele que é velho. Mas na verdade, quem é velho deve procurar merecer respeito e honra, com pundonor e virtudes, na sua educação, nos seus sentimentos e nos seus procedimentos. Em algures da Bíblia se diz, por exemplo, que “um velho devasso é coisa abominável aos olhos de Deus”. E também se diz que “é uma maldição que não haja velhos numa família”. No entanto, subentende-se que esses velhos que, existindo, são a bênção de uma família, devem ter comportamento digno e congruente com a bênção que são. O mérito de ter filhos,  já expresso pelo Salmo 127, é, assim, confirmado: os pais, novos que sejam, passam a ser os velhos da família, sobre a qual eles lançam as suas bênçãos.

O Eclesiastes, no seu último capítulo, apresenta uma grande meditação sobre a inevitabilidade da velhice (Ecl, 12, 1-7). Na verdade, tomos sabemos por ser evidente, que, por muito que se lute medica e espiritualmente contra a velhice, ela não deixará de aparecer. Mas não é por se lhe diminuir a visão e se lhe debilitar o coração, por se ser meio mouco e muito rouco, que alguém perde a nobreza se estiver a ter “uma velhice venerável, que não consiste em longa vida nem se mede pelo número de anos. As cãs do homem são a prudência, e uma verdadeira velhice é uma vida imaculada –  Sab 4,8-9). Um velho que é mesmo velho por nada ter feito para não cair na senilidade, que não soube promover-se a ancião e não soube prestigiar-se a si e aos da sua classe, contribui para que a teoria de respeito e protecção por poucos seja respeitada. Na opinião da generalidade, ser velho assim é negritude e vergonha social, pelo que não inspira aos jovens o devido respeito e o afasta dele, aprofundando, assim, o conflito das gerações.

 

 

13 de Outubro de 2011  

                                                           

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

 LAURENTINO SABROSA   -   Economista, Senhora da Hora, Portugal



publicado por solpaz às 13:07
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SAUDADE COM FLORES

              

 

 


 

 

Quando acontece Finados, logo depois do Dia de Todos os Santos, os cemitérios se revestem de flores de inumeráveis tons, algumas frágeis, outras mais resistentes, assim como as pessoas. Diversos dos meus queridos se encontram no Cemitério Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí, outros no da Consolação em São Paulo e há aqueles em localidades distantes. Fazem-se, porém, diariamente próximos em minhas preces. Creio, no entanto, que a visita aos que partiram é mais pelo pulsar do carinho.

Para a Festa de Todos os Santos, na Liturgia das Horas, há um sermão do abade São Bernardo (Séc. XII) que me desperta sempre: “Procuremos as coisas do alto, saboreemos as coisas do alto. Desejemos os que nos desejam, corramos para os que nos aguardam, preparemo-nos com as aspirações da nossa alma para entrar na presença daqueles que nos esperam”. É uma preparação para o Finados, sobre o qual afirma o Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, O.C.D.,  em seu livro “Intimidade Divina” – Edições Loyola: “A morte não se apresenta como destruição do homem, e sim como trânsito, aliás, nascimento para a verdadeira vida, a vida eterna. (...) Não é um caminhar para o nada e, sim, para os braços de Deus”.

Separarmo-nos de alguém que amamos dói muito. Os braços procuram abraços que não se encontram mais. O pensamento busca uma voz que se calou. Os olhos percorrem o vazio da presença por quem éramos afeiçoados. O tempo, todavia, embora a lembrança permaneça, acalma as dores. Como repetia meu pai, “a saudade é a única chama que o vento não apaga”.

Percorrer as alamedas do Cemitério Nossa Senhora do Desterro com suas árvores centenárias e cantigas de passarinhos, me emociona, mas não me deprime. Existe sobre os túmulos a visão do imenso azul do céu e há algo que amplia0 o que se medita. De cada nome, a recordação maior ou menor depende do bem que a pessoa fez e não dos bens que deixou. Experimento forte sensação da caminhada de cada um aos braços de Deus, porque Deus é bom e procura uma forma para nos salvar, mesmo que  nos últimos instantes de nossa vida por aqui.

Vejo como grande delicadeza saudade com flores nos túmulos. Meu avô, Benedicto Castilho de Andrade, agia de maneira suave com os que se punham a caminho do Eterno. Na sepultura da filha, que se foi pequenina, escreveu: “Ternura, graça e inocência depositadas aqui. Terra, não peses sobre ela, pois não pesou sobre ti”. Meu pai também procurava ser cortês com as pessoas. Talvez seja por isso que, constantemente, quando vou ao cemitério, encontro, na imagem de Santa Isabel de Portugal, em seu túmulo, uma avezinha. Saudade com flores, penso consistir em um poema feito com pétalas para homenagear aqueles que tiveram cuidado com o nosso coração.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PORTA GIRATÓRIA DE BANCO RENDE DANO MORAL A CLIENTE

               

 

 

 

De acordo com notícia publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” (18/10/2011- p.C4), o banco HSBC deve pagar R$ 30 mil por dano moral a um homem que ficou dez minutos retido na porta giratória de uma agência bancária. A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a indenização é devida por causa do constrangimento sofrido em decorrência da conduta do vigilante e do gerente, que afirmou que o usuário tinha “cara de vagabundo”. O relator do recurso,  ministro Luis Felipe Salomão, destacou que, de acordo com a jurisprudência do STJ, o simples travamento da porta giratória constitui um mero aborrecimento. Quando a situação é adequadamente conduzida pelos vigilantes e funcionários do banco, não ocorre abalo moral nem prejuízo passível de indenização.

            Contudo, no caso analisado, o magistrado entendeu que o constrangimento experimentado ultrapassou o mero aborrecimento. Segundo o processo, o homem ficou aproximadamente dez minutos preso no interior do equipamento, foi insultado e, mesmo após ser revistado por um PM, não foi autorizado a entrar. No recurso ao STJ, o HSBC contestou apenas do valor da indenização, que considerou exorbitante. O caso aconteceu em agosto de 1998. Em primeiro grau, o valor da indenização foi fixado em 30 salários mínimos. Ao julgar apelação, o Tribunal de Justiça de São Paulo elevou essa quantia para cem salários mínimos.

            Atualmente a reparação ao dano moral tem encontrado amplo acolhimento na Justiça brasileira. Destacada pela Constituição Federal, inúmeros processos dessa natureza tramitam pelo Judiciário e visam compensar às ofensas ao ânimo psíquico, moral e intelectual de uma pessoa, seja contra honra, seja contra a privacidadeintimidade, imagem e nome. Consiste assim, em violações de natureza não econômica.

Assim, a decisão judicial supramencionada é de suma relevância. A dignidade da pessoa humana, em sentido constitucional, alcança todo o conjunto dos direitos e deveres individuais definidos ou atribuídos no Título II da Constituição Federal do Brasil e que sejam pertinentes ou aplicáveis à pessoa humana. Daí a dificuldade em delinear os seus limites, uma vez que a noção de “dignidade humana” é manifestamente ampla pelas numerosas conotações que enseja entre as quais, a de ser considerada como núcleo dos direitos da personalidade (honra, privacidade etc.).

Ressalte-se interessante observação de Alexandre de Moraes: “A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos” (“Constituição do Brasil Interpretada”, São Paulo: Atlas

 

 

João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - LÁGRIMAS FINADAS

 

 

           

Todos sabemos que a imortalidade não nos pertence e que, um dia, as portas do desconhecido se abrirão para nós, tal qual ao nascermos, mas agora para a direção oposta. Vivemos procurando o sentido desta que é mais uma passagem e, na viagem, nos esquecemos de que ela não é eterna, bem como que muitos de nossos entes queridos acabarão nos deixando no meio do nosso caminho, várias vezes sem tempo para despedidas.

            É até engraçado pensar que quando nos damos conta de que estamos fazendo a viagem, também ganhamos o conhecimento de que ela pode se findar. Lembro-me de quando era bem criança e comecei a ter medo de que meus pais morressem e que me deixassem. Foi no mesmo momento em que comecei a temer, eu mesma, a morte. Recordo-me do pânico de pensar que eu também iria, inevitavelmente, deixar esse mundo. Dia desses, quando ouvi minha sobrinha Isadora, que ainda não tem cinco anos, dizer que a mãe dela e ela nunca iriam virar “estrelinha”, soube não apenas que o tempo passara, mas que outra criancinha já estava ciente da fragilidade da vida...

            O tempo passou e, quanto mais eu vivo, mas sei que tenho menos, menos tempo para dizer eu te amo, para pedir desculpas, para ser feliz. Paradoxalmente, a cada dia, ganho mais de algo que nunca se repetirá... Creio que muitas pessoas, em algum momento da vida, parem para pensar nisso, na efemeridade humana. Somos folhas de uma imensa árvore, da qual não avistamos o topo e que, ao se renovar, vai deitando as mais antigas ao chão, dando lugar aos brotos novos e frescos.

            No dia destinado oficialmente à lembrança dos que se foram, a saudade se torna naturalmente mais forte. Normalmente, inclusive, o dia de Finados costuma ser chuvoso e melancólico. Difícil não pensar nas perdas. Ainda que a vida se renove, que haja nascimentos, novas alegrias, as ausências deixam espaços impossíveis de serem preenchidos. Uma pessoa não substitui a outra nos corações nos quais fizeram morada. Apenas que as pessoas seguem levando a vida, porque essa não permite pausas, seguindo como um, seu curso, sempre contínuo, ainda que descontinuado algumas vezes.

            Tenho saudades de tantas pessoas que deixaram esse mundo. Avós, tios, primos, amigos, professores. Infelizmente, já há mais nomes do que eu gostaria e esse é o preço de se ir avançando no caminhar da existência. Gostaria, como muitos outros, de ter certeza de que ainda nos podemos fazer ouvir àqueles que estão do outro lá, seja esse lá onde for. Gostaria de dizer a eles o quanto importaram, o quanto fazem falta e o quanto o mundo seria um lugar melhor e mais familiar se eles estivessem por aqui.

            Dizem que a saudade é meio-irmã do amor, e eu acredito nisso, mas é uma irmã mais triste, cujo sentimento nunca mais se realiza por completo. Talvez, um dia, deixe de ser saudades e se torne reencontro. É o que espero, aliás, desde que me conheci como mortal...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por solpaz às 11:39
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EUCLIDES CAVACO - MENINO POBRE
É o tema para esta semana que embora tenha já
algumas décadas
é um drama que continua ainda actual nas nossas sociedades de
hoje.
Aqui fica pois o meu grito de revolta à deprimente injustiça e
avareza
que teima em discriminar os mais vulneráveis.
Ouça e veja este
tema  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/O_Menino_Pobre/index.htm
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por solpaz às 11:35
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11ª FEIRA DA SOLIDARIEDADE EM JUNDIAÍ



publicado por solpaz às 11:30
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e A SOLUÇÃO PARA O SEU PROBLEMA

                                          

 

 

* H I S T Ó R I A

 

Ao chegar em casa, certa senhora notou que sua jóia de alto valor não se encontrava mais presa ao vestido. Ficou apreensiva porque a recebera do esposo há poucas semanas e precisava recuperá-la.

Julgando tê-la perdida no carro, desceu as escadas e voltou à garagem. Abriu o veículo, examinou cuidadosamente cada cantinho, mas nada! O que fazer? Como já era tarde, o mais sensato seria deixar as novas buscas para o dia seguinte.

Nas primeiras horas da manhã, ela fez uma ligação para o teatro onde estivera na véspera e foi gentilmente atendida pelo gerente. Contou, então, com detalhes a respeito do ocorrido. Disse-lhe que estava certa de haver perdido a jóia durante o espetáculo da noite anterior – um broche de ouro, cravejado de brilhantes, de valor incalculável!

O gerente, demonstrando todo o interesse em colaborar na busca, pediu-lhe que permanecesse na linha enquanto faria as verificações de praxe. Saiu à procura do administrador, a quem indagou o possível aparecimento da jóia em meio aos papeis retirados do chão do teatro. O administrador informou prontamente que a jóia havia sido encontrada e estava guardada em lugar seguro.

Voltando ao telefone para transmitir a feliz noticia, o gerente constatou que a senhora já havia desligado. Como não sabia seu endereço ou telefone, foi impossível encontrá-la para entregar o objeto que tanto desejou recuperar.

Pois é, quantas pessoas buscam a Deus pedindo alguma coisa de muita importância, mas não ‘ficam na linha’ aguardando a solução. Desanimam depressa demais e partem em busca de outra alternativa, esquecendo que Jesus, algumas vezes, demora numa resposta porque o tempo não é oportuno ou porque a nossa vontade não é a Dele!

E a falta de paciência na espera pode levar alguém a precipitações, cujas conseqüências conduzem a sofrimentos ou prejuízos pelo resto da vida!

Portanto, leitor, aja sempre com bastante paciência, amor ao próximo, fé no coração e desapego às coisas materiais. Se eu fizer bem feito a minha parte e você a sua, todos nós seremos muito mais felizes.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

A SOLUÇÃO PARA O SEU PROBLEMA

 

 

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus. Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”; mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos aos seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda comigo que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa financeira’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o vôo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

 Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que se atiram obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 

 



publicado por solpaz às 11:25
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JOÃO BOSCO LEAL - AS LIÇÕES DO PASSADO

               

 

 

Constantemente podemos perceber pessoas aflitas, tensas, com algo ocorrido em suas vidas. Raramente se lembram que o que já ocorreu não tem mais como ser apagado, já foi, bem ou mal, resolvido.

O máximo que podem e devem fazer é buscar alternativas para solucionar algo que não saiu como esperado e acabou magoando ou prejudicando alguém ou a elas próprias.

É incrível como só com mais experiência e maturidade acabamos percebendo o óbvio, que não devemos nos repreender ou ficarmos tristes com o que ocorreu no passado, se erramos ou erraram conosco, se magoamos ou se fomos magoados, se sofremos ou fizemos sofrer.

Nenhuma dessas situações poderá ser alterada, mas se realmente desejarmos, podem ser amenizadas, tornar-se menos dolorosas para quem quer que seja e servir de exemplo, que poderá impedir novos erros.

Analisando o passado podemos perceber claramente, nas experiências alheias e em todas as áreas, atitudes mais ou menos convenientes, que provocaram diferentes resultados. Esse tipo de observação é uma ótima escola, onde podemos aprender sem a necessidade de praticar o que já não deu certo com outros.

Invariavelmente, os jovens ridicularizam esse passado, considerando-o uma fonte de informações ultrapassadas, mas, com a maturidade, perceberão como poderiam ter melhor conduzido sua vida, errado menos e obtido maior sucesso, se simplesmente tivessem tido a humildade de, olhando para trás, aprender com o que historicamente ocorreu na humanidade, e lá buscando exemplos que poderiam ter facilitado inclusive sua escolha da profissão a seguir, decisão crucial para seu futuro.

Em diversos ambientes e épocas, os temas mais variados, como amizades, relacionamentos, paixões, amores, brigas, revoluções e guerras, podem ser observados e orientar nossas decisões.

Essa análise histórica nos mostra os bons e os maus exemplos, os erros e acertos cometidos, facilitando nossas escolhas, nas ações e atitudes corriqueiras, do caminho a ser seguido com maiores chances de sucesso.

Negócios mais ou menos lucrativos já foram exaustivamente tentados, em diferentes países, pontos e climas, para as populações mais variadas, tanto culturalmente como por seu poder aquisitivo, podendo servir de exemplo para pessoas de qualquer raça, cultura, credo, posição social ou nível educacional.

O homem sempre aprendeu muito na área comercial, olhando seus antepassados, mas ensinamentos tradicionais óbvios, como o de só procurar vender para quem pode comprar, ainda não foram absorvidos por muitos, como por Lula, que só buscava parcerias comerciais com seus parceiros ideológicos, dirigentes de pequenos países, sem nenhuma expressão comercial ou populacional, como Cuba, Bolívia, Venezuela, Líbia e Irã.

Com as novas tecnologias surgem milhares de novas oportunidades, mas a história continua e permanecerá nos ensinando muito, pois só com a observação e os estudos do passado os homens foram capazes de produzir tudo o que hoje nos envolve e utilizamos.

Todas as experiências vividas, mesmo as piores, sempre possuem um lado bom, o da lição, infelizmente só aproveitado por aqueles que sempre ouvem e observam, buscando seu crescimento como seres humanos.

Aceitar como passado os fatos e ocorrências de nossas vidas é o primeiro passo para soluções futuras, mas só a minoria, os maduros e humildes fazem isso e aprendem com a observação e análise da história.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

 

Campo Grande, Brasil.



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ATÉ ONDE VALE O MÉRITO

 

 

 

A exemplo do que aconteceu em New York, quis a RTP apresentar cançonetista famoso, daqueles que arrastam incalculáveis multidões, mormente jovens, numa paragem de Metro.

Caracterizou-o, cuidadosamente, de jeito a não ser reconhecido; escondeu pequenas câmaras em pontos estratégicos, bem dissimuladas; e deu inicio ao espectáculo.

Os passageiros, agitados, perpassavam, velozes, diante do conhecido cantor, indiferentes à inconfundível voz. Mais por compaixão, que reconhecimento do mérito, alguns deixavam moedas de reduzido valor, mas poucos, muito poucos o escutavam

Por que haveriam de parar os transeuntes nos largos corredores de uma estação do Metro?

Sabemos que os famosos, os que têm mérito, exibem-se em salas de espectáculos, cuja entrada é vedada a pobres e aos que aforram para o não serem.

Se o artista e seu conjunto actuasse num teatro, propagandeados pela imprensa, assediados pela TV, por certo, os que passaram indiferentes, não recusariam pagar, para usufruírem o prazer de apreciar o cançonetista da moda; mas ali, naquele sitio prosaico, onde saltimbancos e inexperientes, exibem artes, quem os escutaria?

D. Francisco Manuel de Mello, dizia, que, em matemática, o zero tem mais ou menos valor consoante a posição que ocupa. Assim, também, é com os homens.

Se escritor consagrado, apresentasse novo romance, usando pseudónimo, quem o adquiriria?; e a critica, como se comportaria? Na melhor das hipóteses diria: É uma promessa! …

Amigo meu, industrial, tem na sala de visitas, quadro de arte abstracta, que não consegue interpretar, mas nutre orgulho de a mostrar, como natureza morta, acrescentando: é um ***.

O vulgo só admira, o que lhe dizem ser bom; e quanto mais elevado for o preço, maior valor lhe dá.

Quantas obras, editadas pelo autor, ficam esquecidas nos escaparates do livreiro? Todavia, em muitos casos, são dignas de serem lidas, apreciadas e premiadas.

Se não há “padrinho” influente, empresário astuto, editor que divulgue e recomende a obra, bem pode o ilustre desconhecido oferecer volumes aos amigos e conhecidos, que estes, precisamente por serem amigos, não lhe darão o devido valor; e para os conhecidos não passará de simples habilidoso.

A sociedade assim está estabelecida e não há remédio a dar-lhe.

Dir-me-ão os mais jovens: Isso não é bem assim. Conheço artistas que nasceram pobres e subiram a pulso!

É verdade, pela “corda” da política, em regra, suja, e esquerdista; sofrendo opróbrios; dobrando o espinhaço aos que lhe podem dar “corda”… e, como dizia Cruz Malpique: muitas outras coisas mais…

Há excepções - bem o sei, - mas são tão poucas!…

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal



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Domingo, 6 de Novembro de 2011
PINHO DA SILVA - MÃE !...

 

 

 

" E, desde aquela hora, o discípulo

   a recebeu em sua casa"

                João,19-27

 

 

 

 

Foi no Monte Calvário, junto à cruz:

João, estava lá;  e tu, também.

A tarde, esmorecia. Àquela luz,

ia morrendo tudo-aqui...além...

 

 

No céu, turvo, o relâmpago reluz:

- há trovões surdos; a tempestade, vem

com fúria que aterra... - Silêncio!Sus!:

- uluia, de pavor, Jerusalém!...

 

 

Jesus, suspira: a morte, vem chegando!

Então, descendo do céu o olhar brando,

com ternura infinita, olhou para vós

 

 

e disse: - "Ele, é teu filho, crê, Maria!";

e a João: - "Ela é tua mãe!"...Desde esse dia,

tens sido um pouco a Mãe de todos nós!...

 

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal



publicado por solpaz às 15:38
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