Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - FRATERNIDADE E SAÚDE

 

 

                                                

 

 

 

 

 

“A “fraternidade” é expressão de uma antropologia segundo a qual os seres humanos, no fundo, são todos irmãos, membros de uma única família humana, com dignidade e direitos fundamentais comuns...”.

 

 

            

 

 

 

O período quaresmal, que se iniciou na última quarta-feira, lembra os quarenta (40) dias que Jesus passou no deserto preparando-se para a sua missão, e os quarenta (40) anos em que o povo do Israel andou no deserto rumo à terra prometida. É um tempo litúrgico de preparação à celebração da Páscoa do Senhor; uma época de conversão e de transformação da própria vida através da penitência, da oração contínua, da escuta atenta e amorosa da Palavra de Deus. É o tempo em que a Igreja Católica no Brasil mantém a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo despertar a solidariedade de seus fiéis e de toda a sociedade em relação a um problema concreto que envolve toda a nação, buscando soluções para o mesmo.

“A “fraternidade” é expressão de uma antropologia segundo a qual os seres humanos, no fundo, são todos irmãos, membros de uma única família humana, com dignidade e direitos fundamentais comuns. Decorre daí, como conseqüência ética, que essa dignidade deve ser reconhecida em cada ser humano e os seus direitos fundamentais, respeitados e promovidos por todos. O que vale para um vale pata todos. Essa também é a base da Declaração Universal dos Direitos Humanos” (Dom Odilo P. Scherer) (O Estado- 14/11/2009-A2).

Para o ano de 2012, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil escolheu por tema, "Fraternidade e Saúde Pública" com o lema "Que a saúde se difunda sobre a terra", visando promover ampla discussão sobre a realidade da saúde no Brasil e das políticas públicas da área, para contribuir na qualificação, no fortalecimento e na consolidação do SUS, em vista da melhoria da qualidade dos serviços, do acesso e da vida da população.

Como já ressaltamos anteriormente, trata-se de um assunto de extrema importância, não só para o exercício da cidadania como também para o próprio desenvolvimento do país. Nessa trilha, vale ressaltar que “um país desenvolvido tem cidadãos saudáveis e sistema de atendimento à saúde organizada e em funcionamento. Há economias dinâmicas, com crescimento e participação no comércio internacional que não podem ser classificadas como desenvolvidas. Sofrem em exclusão, desigualdade, pobreza e organização social rígida e estratificada... Na economia, dois complexos de atividades produtivas alavancaram com a articulação entre o Estado e a iniciativa privada: o industrial-militar e o da saúde. Áreas que representam os maiores gastos de pesquisa e desenvolvimento do mundo, compondo segmentos produtivos estratégicos que estão na base do potencial econômico e político dos Estados líderes na economia mundial” (José Gomes Temporão e Carlos Grabois Gadelha – A saúde em novo modelo de desenvolvimento”- Folha de São Paulo – 27/05/2007- A-3)

Por outro lado, o combate a dor hoje se constitui numa busca incansável do ser humano almejando melhor qualidade de vida. “Define-se por dor qualquer experiência sensorial desagradável. Seja de natureza física, seja emocional. Quando o ser humano vivencia o processo da dor, ele experimenta uma condição de indignidade tal que prejudica a capacidade de gerenciamento da própria vida” (in “A dor invisível” – Maria José Americano e Marcílio Silva Proa Jr. –“ Folha de São Paulo”20/03/2009- A-3).

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por solpaz às 10:24
link do post | comentar | favorito
|

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DECISÃO DELE

 

 

                                    

 

 

 

 

 

Telefonou para testemunhar que estava bem. Faz uns três anos que não me procura. Percebi, de imediato, suas palavras sem desespero. Disse-me que sempre sonhara com uma crônica escrita por mim a respeito dele e se eu poderia fazer isso. Quando alguém aprecia algo que escrevo, sinto-me amada, porque sou o que expresso nos textos. Segundo ele, o relato será como um atestado de que se encontra, embora o desejo seja crônico, de resistência curada.

Vêm-me fragmentos de sua história. Alguns relatados por ele, outros com os quais tive contato. Menino ainda, em dúvida sobre sua sexualidade, um homem adulto usou seu corpo, o que se repetiu com colegas de escola. Serviam-se dele para depois atacá-lo, de maneira hipócrita, com apelidos ofensivos. Em meio a esse redemoinho, sem ter onde ou com quem se colocar, para dizer e tratar os seus sentimentos pisoteados, as drogas o capturaram.. A mãe chorou. O pai foi duro com ele. Propuseram tratamento. Permanecia em grupos de apoio e em clínicas no máximo um mês, dizia-se curado e voltava a se prostituir, o que lhe possibilitava as drogas. Quando o conheci, na década de 90, era dependente químico e vagava pelas ruas do centro como travesti. Abordou-me um dia com a proposta de que passasse a reuni-los como às mulheres em situação de prostituição, para refletirmos sobre a Palavra de Deus. Dom Amaury Castanho, na época nosso Bispo Diocesano, aprovou a ideia. Ele traria outras pessoas de seu mundo até a Igreja. Não deu certo porque ele, logo depois, foi detido por furto. Visitei-o na cadeia e ao adoecer no hospital. Do crime foi absolvido por insuficiência de provas. Alguns relacionamentos às escondidas são revestidos de dúvidas e um furto registrado pode ser tentativa de um incluído ou uma incluída, pela intimidação, jogar fora de seu mundo uma excluída ou um excluído que conhece os segredos de seus prazeres impudicos. Há pessoas que carregam taras e, em lugar de tratamento, procuram saciá-las em pessoas mais frágeis e com menor visibilidade. Tenho pena dos que não buscam se livrar de seus desvios e dos que são sacrificados pelos desviados.

Chamava-me em suas situações de desencontro e em suas propostas de reconstrução. Chamava-me para ajudá-lo a deter a morte.

Percebeu-se, há um ano, de corpo, alma e coração amarrotados. Constatou que a droga o devorara. Sabia, contudo, em meio aos seus delírios, que as oportunidades de superação não deram certo porque lhe faltara querer com firmeza. Exigiu de si mesmo uma mudança: que Deus, Aquele que é, vencesse o passado nele. Cumpriu o tempo de clínica, conseguiu um emprego em outro município e frequenta uma comunidade religiosa. Distancia-se do que pode lhe enfraquecer a determinação. Que beleza!

Ao se fazer senhor de seus passos, encontrou o caminho da liberdade nas pegadas de Deus.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



publicado por solpaz às 10:18
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS - PRIMEIRA PARTE: A GULA

 

 

 

 

 

Nem adianta a Vandete tentar. Hoje eu vou fazer de um jeito diferente. Aff, me irrita tanto isso que ela faz!! Gente, que coisa chata. Eu adoro pipoca. Mais do que adoro, na verdade, acho que comeria pipoca todos os dias, se pudesse ou se ninguém me enchesse o saco (se fosse de pipoca, tudo bem, hehe).  Hoje não vai ter conversa! Já tenho tudo esquematizado.

A Vandete e eu somos amigas de trabalho.  Faz cinco anos que trabalhamos na mesma empresa, como secretárias. Nossas mesas ficam ao lado uma da outra e nossos chefes são sócios. Eu cuido das coisas do Dr. Osmar e ela, do Dr. Roberval. Até que a gente nem pode reclamar deles, porque pagam direitinho, dão vale-transporte e “tique” refeição.  Daí que quando eu entrei na empresa, uma semana depois da Vandete, ela foi super gente fina comigo. Ensinou tudo que eu tinha que fazer e até me corrigiu umas “coisa” que eu falava errado. Reconheço as bondades que ela me fez, mas, olha, eu preciso desabafar, tem certas atitudes dela que eu simplesmente não aceito! A Vandete é muito gulosa!

Desde o começo nós combinamos de almoçarmos juntas, lá no “Serv service” perto da empresa. Os chefes não ligam de sairmos juntas, porque nesse horário o boy, o André, topou ficar atendendo ao telefone e recebendo correspondência. Claro que ele pediu para ficar usando o Facebook enquanto isso, mas até agora, graças a Deus, ninguém descobriu... Bom, daí eu e a Vandete nunca demoramos e levamos sempre nosso “tique alimentação”. A coisa já começa por aí. Eu que não sou boba, aproveito para entrar na fila primeiro, porque a Vandete, com aquela gula dela, sempre pega o mais gostoso antes de mim! Algumas vezes, até, eu só descubro que era o mais gostoso depois que vejo no prato dela, mas ela sempre pega o último e eu fico só olhando. Pra vocês verem, um dia desses eu corri para fila e peguei o de sempre: arroz, feijão, macarrão, maionese e farofa. Depois fui ver as carnes, mas só tinha um bifê a rolê, um filé de sardinha e dois “peito” de frango. Como eu amooo frango, peguei logo os dois pedaços e o bifê a rolê, que tava com uma cara ótima. Atrás da Vandete vinha uma senhorinha, tadinha, magrinha que só ela. Fiquei besta quando vi a Vandete pegar o filé de sardinha inteiro para ela! Com é que pode!?! E a educação? E eu parece que me lembro que ela nem gosta muito de peixe, sei lá... O pior é que o bifê a rolê nem tava tão gostoso, mas eu comi mesmo assim, porque sei que a Vandete gosta e se eu deixasse no prato, eu é que seria a errada, como sempre...

Apesar desses costumes feios dela, eu gosto da Vandete e porque sou uma pessoa boa, convido a Vandete para ir ver filmes comigo, lá em casa, de sábado à noite. A pipoca fica por minha conta, porque gosto dela feita do meu jeito. Na minha eu coloco molho de pimenta e pedaços de queijo. Na da Vandade, não ponho nada especial, só sal  porque ela nunca pediu. É só pedir que eu faço igual, mas como não sei, acho melhor comer o queijo sozinha mesmo. O que me irrita é que eu faço uma bacia para mim e outra para ela, um pouco menor. O cúmulo da gula é ela comer a dela primeiro e ficar olhando para minha bacia, como quem quer mais! Uma vez até perguntei se ela queria um pouco da minha, mas quando ela enfiou a mão e tirou ela cheia de lá, com vários pedaços de queijo, senti uma fúria que nem sei explicar! Que gulodice!!! O filme até perdeu a graça para mim... Daí, não deixei barato, bebi inteirinho o refri de 2 litros que ela tinha levado. Só para ela aprender o quanto é feio ser gulosa!!!

Hoje ela vem aqui em casa outra vez, porque, como eu disse, sou uma pessoa boa, que não guarda mágoas. Mas dessa vez, com a pipoca, a coisa vai ser diferente. Vou comer a minha bem rápido e depois vou avançar na dela, só para ela ver como é bom! Essa coisa de gula é muito feio! Nem que a minha barriga explodir, mas vou comer e beber tudo. Fiz doce de abóbora do jeito que ela gosta, para compensar, mas tava tão gostoso que acabei comendo tudo enquanto tava quente. Minha barriga tá meio estranha agora, talvez porque eu não seja de comer muito, mas acho que a pipoca vai ajudar a melhorar. Dessa vez vou agradar um pouco a Vandete, minha amiga gulosa, só para ela ver que não sou como ela. Vou colocar bastante molho e queijo na pipoca dela...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



publicado por solpaz às 18:47
link do post | comentar | favorito
|

JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - A CAMINHADA QUARESMAL

 

 

                                                               [Cônego.jpg]

 

 

 

Desde os primórdios do cristianismo a quaresma marcou para os cristãos uma fuga ainda maior das futilidades do mundo. Assim sendo, há uma entrega com mais ardor à oração, não pela multiplicação de preces, mas se dedicando mais atenção e piedade aos momentos de uma mais intensa união com Deus. Uma prece mais contemplativa, na qual se ouça com amor as inspirações do Divino Espírito Santo. Todas as tarefas realizadas conscientemente na  presença do Ser Supremo, o que leva a um maior desvelo no cumprir as obrigações cotidianas. Isto dá uma amplitude notável às menores ações, afastada toda a indolência  e abolidos os pretextos vãos para uma comodidade que na verdade é, tantas vezes, o culto da ociosidade, mãe de tantos vícios. Ressoa lá no íntimo de cada um as palavras do Mestre divino: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3).Jesus, porém, não quer nada de extraordinário, mas, sim, o dever de cada instante bem feito com o fito de reparar falhas passadas e de propiciar cada um a si mesmo crescimento espiritual. Deste modo se atinge o núcleo do autêntico espírito de sacrifício: a contrição do coração e a mortificação do corpo. Esta pode ser via de ascese, quando são afastados alimentos saborosos, mas que, ao invés de contribuir para a saúde, só servem para aumentar o campo das mais variadas doenças. A verdadeira homenagem a Deus abrange o homem todo: corpo e alma. A expiação dos pecados é, portanto, uma meta quaresmal de suma importância. Rompimento total, absoluto com o pecado, o que é a essência mesma da conversão interior. Ilusão de muitos cristãos é se julgarem irrepreensíveis,. São aqueles que se entregam a uma falsa segurança, sem preocupação alguma em comparar sua vida com os exemplos de Cristo e dos santos. Que se reaviva a coragem dos filhos de Deus que aspiram a paz interior que só é garantida para a alma verdadeiramente penitente. Cumpre se  reparem pecados. Além disto, a esmola que inclui todas as obras de misericórdia para com o próximo, é de suma valia e será sobretudo providenciando remédio para o pobre que se terão as bênçãos divinas.  É deste modo que o cristão se  prepara para o Banquete pascal do glorioso 8 de abril. Nem se pode esquecer que a Campanha da Fraternidade deste ano é um clamor a favor do esforço para que a saúde se difunda por toda a terra. Cumpre a cada um prestar ainda mais atenção aos doentes, sobretudo aos que estão sob o mesmo teto. É preciso cooperar, realmente,  para que não falte remédio aos mais necessitados. Nem se pode esquecer que é importante preservar a própria saúde, evitando tudo que a prejudica, seguindo fielmente o roteiro de um nutricionista competente, mantendo o peso ideal e fazendo os exercícios físicos prescritos pelos bons fisioterapeutas. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

 

 

 CÔN. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -  da Academia Mineira de Letras. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



publicado por solpaz às 18:39
link do post | comentar | favorito
|

LAURENTINO SABROSA - TÔMBOLA DE CARIDADE

 

 

 

 

 

 

 

Observando a extracção da lotaria e do totoloto, deu-me para pensar que é possível estabelecer uma relação entre essas extracções e o desenrolar da vida, ou seja, a sucessão dos acontecimentos.

Também este mundo é aproximadamente uma esfera que gira, que gira, e desse girar vão-se desprendendo os acontecimentos, variáveis até ao infinito, agradáveis ou desagradáveis nos mais diferentes graus de intensidade. Desta esfera de Deus saem, em cada segundo, milhões de contas ou pérolas – esferinhas da sorte – que indicam o que terá de suceder por esse mundo fora: nascimento de uns, morte de outros; um vendaval aqui, um naufrágio acolá; um feliz ou infeliz negócio para este, um muito feliz ou um menos feliz casamento para aquele; uma queda, um exame, a sorte grande de uma herança ou a pouca sorte de um incêndio, uma cabeça que cai abaixo de uns ombros ou um cabelo que cai abaixo de uma cabeça – eis um pouco do muito que é possível ser ditado por Deus, através desse movimento contínuo que nos contempla com os acontecimentos que na nossa óptica são felizes ou infelizes.

Se este mundo, tal como actualmente gira, há-de ter um fim, é evidente que as contas ou pérolas de que falei, cada uma correspondendo a um acontecimento, também se hão-de esgotar. As “Testemunhas de Jeová” já anunciaram esse momento, pois que por mais do que uma vez anunciaram o fim do mundo, prevendo que uma última conta ou pérola se iria desprender com fragor, não com a suavidade dos propósitos de Deus.

Assim, saber olhar para esta esfera de Deus, que gira, que gira, e da qual se desprendem os acontecimentos, é uma grande virtude. Para as “Testemunhas de Jeová” ela é totalmente transparente: julgaram até terem-lhe visto o fim; para os católicos, ela simplesmente translúcida: com o dealbar do fim dos tempos, sabemos que o seu conteúdo vai diminuindo, mas nunca nos preocupamos com a saída da última esfera da sorte que ditará o fim do mundo – cada qual deverá preocupar apenas com a que lhe vai dar a ordem de Deus para se apresentar junto d’Ele; para os ateus, que não acreditam no fim do mundo, a referida esfera de Deus é totalmente opaca, com um conteúdo impossível de se esgotar. Curiosamente, estão a considerar Deus infinito, naquilo que Ele quis ser finito.

Devemos, porém, considerar que se Deus quis ser finito na sua esfera e no conteúdo dela – os acontecimentos – quis ser infinito na sua qualidade e na sua distribuição. Cada acontecimento, classificado pelos homens como feliz ou infeliz, é um acto de amor que nós por limitação, ou mesmo por maldade, não conseguimos interpretar correctamente. Jesus Cristo disse que o Pai, porque é Pai, nunca dá pedras a quem pedir pão, nem lagartos a quem pedir peixe. Então, podemos ter a certeza de que esta esfera de Deus vai girando sempre só para nosso bem, para nos dar em cada esferinha da sorte não aquilo que merecemos mas aquilo de que precisamos – não se trata de uma pagã boceta de Pandora que semeia ventos e tempestades.

Considerando a vida e o mundo tal como a estou a considerar e compreendida esta “mecânica celeste” que acabo de expor, fácil é concluir que Deus criou para nós não um jogo de lotaria ou de azar, mas uma verdadeira tômbola de caridade.

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal.

 

 

 

                                                           



publicado por solpaz às 18:32
link do post | comentar | favorito
|

RENATA IACOVINO - DICOTOMIAS E DILEMAS

 

 

 

 

 

 

 

            Muito se diz sobre a rapidez na comunicação e os variados meios para postarmos nossas vidas, expormos histórias e sentimentos. A tecnologia e seus benefícios estão a serviço dentre outras necessidades de satisfazer nossos desejos, vaidades, frustrações, nossa autonomia e nossa escravidão.

            Somos atores, autores, protagonistas, coadjuvantes, voyeurs, cúmplices, culpados, acusadores... de verdades, meias verdades, falácias, tudo corre rede a fora, e vem para os nossos domicílios virtuais; e dentro dele também criamos e expelimos a continuação de histórias, a produção de novos e velhos enredos.

            Antes, se quiséssemos nos comunicar por escrito com alguém, era preciso aguardar o prazo do correio. Sem contar atraso ou extravio.

            Hoje as correspondências são em larga escala e nossas missivas virtuais alcançam conhecidos e desconhecidos.

            Extravios acontecem, mas em escala proporcionalmente menor, se levarmos em conta as mensagens que mandamos aqui e acolá, em tempo integral.

            O que fazíamos em dois meses, hoje consuma-se em dois dias.

            A comunicação de fato criou asas, percorre redes sociais, fios, wi fi (sou da época do hi fi, uma bebida feita com vodca e suco de laranja), 3G, ondas de rádio, numa velocidade incrível.

            E pensar que a expectativa em ver as imagens registradas nas últimas férias ou numa festa de aniversário começava na compra do filme, na escolha de sua asa, na quantidade determinada de fotos, doze, vinte e quatro... um, dois, três filmes... a terrível possibilidade de queimar a foto, velar o filme, ou ter de esperar para terminar aquele filme em algum outro evento, para só então revelá-lo.

            Tudo isso hoje revela-se mais simples. Em nosso bolso (ou bolsa) carregamos uma máquina fotográfica, acoplada ao nosso celular, que nos permite closes e zooms desde a unha do dedinho do nosso pé até o bem-te-vi que pousa num fio entre os postes que percorremos enquanto estamos no trânsito.

            Essa gama de ofertas e essa rapidez em nos encontrarmos com aquilo que queremos não pode nos deixar esquecer da qualidade nessa comunicação, da cautela nesse excesso de exposição, do critério nas escolhas, da importância das relações humanas... Não podemos perder a capacidade de nos indignarmos. A banalização é algo que está sendo oferecido gratuitamente, e de nosso crivo depende todo o futuro.

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por solpaz às 18:24
link do post | comentar | favorito
|

PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e TODO ATEU É TRISTE ?

 

                                               

 

*H I S T Ó R I A

 

 

Uma mãe e seu filhotinho camelo estavam à toa, quando o bebê falou:

– Mãe, posso lhe perguntar umas coisas?

– Claro! O que está incomodando o meu filhote? – disse ela.

– Por que os camelos têm corcova, mãe?

– Bem, meu filhinho, nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar gordura e sobreviver longos períodos sem água e alimento.

– Certo, e por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas? – quis saber o filhote.

– Filho –respondeu a mãe –, certamente elas são assim para nos permitir caminhar no deserto! Sabe, com estas pernas eu posso me movimentar pela areia melhor do que qualquer outro animal!

– E os nossos cílios, mãe, por que são tão longos? De vez em quando, eles atrapalham minha visão!

– Meu querido– disse pacientemente ela –, os cílios longos e grossos são como uma capa de segurança. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto!

– Tá certo mãe, mas se a corcova é para armazenar gordura enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto e os cílios são para proteger os olhos da areia do deserto, então, mãe, que diabos estamos fazendo aqui no zoológico?

Pois é, o que será que a mãe respondeu? Será que o filhote concordaria com a explicação de que fazem parte de um grupo de animais confinados para visitação pública? Naquele local em que se encontravam, as corcovas, por exemplo, teriam utilidade?

Da mesma forma, quando alguém não coloca a serviço de Deus os dons que recebeu, fica‘enjaulado’ no mundo materialista, tentando conseguir argumentos para justificar a vida vazia que leva. Uns falam que não têm tempo para participar de reuniões na igreja, outros dizem que rezam em casa mesmo e alguns– os piores! – tentam se convencer que não precisam de Deus.

E você, acha que a caridade não precisa ser praticada por todos? Pensa que quando alguém morre por falta de socorro, o problema não é seu? Espero que, ao contrário, você concorde que ninguém diria isso diretamente a Jesus Cristo sabendo que perderia o Céu, não é verdade?

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

**TODO ATEU É TRISTE?

 

 

O jornal ‘O Lutador’, de Belo Horizonte, publicou há anos atrás uma matéria assinada por Carlos Scheid, que respondeu à declaração do teólogo Leonardo Boff, quando disse: “Prefiro ser um ateu alegre a ser um religioso do tipo do Pe. Marcelo”.

Inconformado com a alternativa apontada pelo teólogo, Scheid escreveu:

“Ateu alegre não existe. Todo ateu é triste. Quando um ateu honesto e autêntico se vê diante de uma pessoa que crê, não consegue evitar o comentário: ‘Eu gostaria de crer como você!’ Na prática, os ateus são pessoas muito úteis. Prestam à humanidade o precioso serviço de dar o triste exemplo da extrema infelicidade que é viver e morrer sem Deus. Ao contemplar o ateu e seu beco sem saída, o homem de fé pode dar graças a Deus pelo dom da fé.”

E continuou Carlos Sheid:

“Sim, todo ateu é triste. Sua vida não tem sentido. Ignora sua fonte. Ignora seu destino. Se o ateu escreve, destila amargura. O verme do ceticismo e da descrença rói suas noites insones. Se pensa na morte, nela vê um terrível absurdo. No pólo oposto, o homem de fé sabe que a vida se projeta além da morte e pode celebrar antecipadamente o retorno ao coração do Pai.”

Eu acho que você, leitor, gostaria de continuar lendo essa belíssima reflexão do citado autor da matéria, mas acredito que já foi o bastante para consolidarmos uma opinião a respeito do Pe. Marcelo, não? Afinal, o que ele tem feito de errado?

Deus lhe deu uma linda missão evangelizadora e ele a cumpre com Jesus e Maria no coração – como poucos o fazem nesse mundo de tantos pecados e de tantas injustiças com os nossos irmãos necessitados. Talvez a incompreensão de muitos exista porque o Pe. Marcelo se tornou famoso e vende milhares de CDs cantando, mas se esquecem que ele se dedica integralmente às obras da Igreja – inclusive doando os direitos autorais para a sua congregação!

Sabemos que na falta de assunto, vale tudo: até criticar o abençoado Pe. Marcelo. Seria muito mais louvável‘imitá-lo’, procurando levar a Palavra de Deus ao povo via grandes emissoras de rádio e de televisão – ocupando, assim, um espaço que a Igreja Católica poucas vezes conseguiu!

Se até o Papa nos convoca a dar testemunhos de fé cristã rumo a um mundo mais justo, quem somos nós para discordarmos dos meios usados pelo Pe. Marcelo e por outros sacerdotes cantores? Portanto, felizes aqueles que, de coração, seguem os seus passos, pulam e cantam como eles.

Parabéns, grande Pe. Marcelo!

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por solpaz às 18:17
link do post | comentar | favorito
|

JOSÉ CARLOS PASCOAL - A IGREJA ESPERA UMA FORTE AÇÃO DOS BATIZADOS NESTA QUARESMA

 

 

 

 

 

 

 

            Nesta Quaresma refletiremos mais um forte tema social, necessário para a realidade sócio/política do Brasil. A Quaresma é Tempo Forte da Igreja, tempo de reflexão, oração, jejum e esmola. Tempo de conversão para viver a plenitude da Páscoa do Senhor. A Campanha da Fraternidade aborda neste ano a Saúde Pública. É necessário questionar o Executivo, Legislativo e Judiciário, para garantir aquilo que está na Constituição Brasileira: o acesso de todos, especialmente os pobres, enfermos, idosos, aposentados à Saúde Pública, principalmente através do SUS.

            O Sistema Único de Saúde é uma idéia formidável, mas que precisa ser melhor desenvolvida. A corrupção, que teima em desviar recursos da saúde, precisa ser combatida corajosamente. É entristecedor ver que há profissionais que atendem mal os que buscam os serviços de saúde, especialmente os pobres. É lamentável ver que uma pessoa doente precisa esperar meses para conseguir uma consulta especializada, um exame necessário para saber seu estado de saúde (doença). Causa dor no coração saber que pessoas desmaiam ou morrem em longas filas para poder marcar uma consulta num hospital ou Posto de Saúde.

A Pastoral da Saúde tem uma missão desafiadora: lutar pelos direitos das pessoas enfermas. São muitos os presbíteros, diáconos, religiosos e leigos comprometidos com a área da saúde. A Igreja espera uma forte ação por parte deles, tanto na defesa dos direitos como na ação evangelizadora. Há quem entenda que basta rezar no hospital, mas há muito mais a fazer. Toda oração leva a uma ação missionária, social e libertadora.

             Outro grande evento é a realização do Seminário das Pastorais Sociais do Regional Sul 1, que será realizado em Embú das Artes, SP, no período de 16 a 18 de março de 2012. Este encontro marcará o lançamento em São Paulo da 5ª Semana Social Brasileira, evento importante da Igreja no Brasil e que abrirá novos horizontes para entender a problemática político/social, e oferecerá muitos subsídios para as pastorais e movimentos sociais. Que não somente os agentes de pastorais da Igreja Católica compreendam isso, mas todos os que, independente de credo têm como meta atuar em favor dos excluídos, participem ativamente do mesmo e de seus desdobramentos.  O tema é: “Um novo Estado, caminho para uma sociedade do Bem Viver”, e o lema: “Em busca dos sinais dos Tempos: reflexão crítica sobre a história dos dias atuais”. Para inscrição, acessar o site www.cnbbsul1.org.br, link “5ª Semana Social Brasileira.

 

 

JOSÉ CARLOS PASCOAL ,Presidente da Comissão Regional dos Diáconos (Sul1/SP). Coordenador da Comunicação da Comissão Nacional dos Diáconos. Membro da equipe de coordenação do Fórum das Pastorais Sociais do Regional Sul 1 da CNBB. Salto,Brasil

           



publicado por solpaz às 18:11
link do post | comentar | favorito
|

HUMBERTO PINHO DA SILVA - IGNORÂNCIA RELIGIOSA

 

 

                                                     

 

 

 

 

 

               Ao declinar de tépida tarde de Estio, em anos de juventude, entrei em “ O Comércio do Porto”, a entregar ao Sr. Manuel Filipe, fotografias para a “ Reportagem Gráfica”.

              Encaminharam-me a exígua salinha, de altas paredes, com janela para saguão, onde havia, pesada mesa de pé de galo, de madeira maciça, e sólidas cadeiras, também de madeira.

              Ao sair, perpassei por varandim, onde dois gentis sujeitos, galhofavam animadamente, comentando, entre frouxos risos, o facto de certo jornalista, ateu confesso, ser indicado a cobrir cerimónia religiosa.

              Lembrei-me da caricata cena, hoje, estando a ler o “ Jornal de Notícias”, da cidade do Porto, na confeitaria onde costumo merendar, ao deparar a seguinte informação:

 

 

 

     Cátia Palhinha é evangélica e lê o Bíblia em casa.

A auxiliar de acção médica e a mãe tornaram-se evangélicas há cerca de um ano. A mãe da algarvia diz que a filha “ tem muita fé”

     Cátia trocou há um ano a fé cristã pela evangélica (….)

                              “JN”, pág.31-07/12/2011

 

 

 

               Estava a comentar, em alta voz, a notícia, quando senhora, envolta em falso casaco de peles e dedos cobertos de anéis, tão falsos como o casaco e os brincos, esclareceu meu espanto de: “ trocar a fé cristã pela evangélica”:

 

               - "O que a mãe quis dizer: é que trocou a Igreja de Cristo pela de Deus. Era católica, agora é evangélica."

 

               Empenhadíssimo, agradeci a elucidativa explicação, da gentil senhora, que pelo porte, fez-me recordar recuadas épocas em que haviam Senhoras, no trajo e em espírito.

               Não finei de riso, como fizeram os da comitiva de Frei Bartolomeu dos Mártires, ao chegarem a terras de Barroso, mas pasmei pela ignorância religiosa que grassa pela nossa terra, e queira Deus que seja apenas religiosa, não vá a ignorância entrar, também, nas universidades, que são as “fábricas” de políticos, porque então não há santa que nos valha.

 

 

Humberto Pinho da Silva   -   Porto, Portugal

 

 

 



publicado por solpaz às 17:47
link do post | comentar | favorito
|

PINHO DA SILVA - ASCO

 

 

 

 

 

 

 

Mas entrem, meus senhores, que vale a pena!

- Vem de longe a comédia, e não tem fim;

enquanto dura o mundo, é sempre assim:

outros actores, mas sempre a mesma cena!

 

 

Alcunha-se de génio, a reles pena,

e chama-se " um artista", a pintor ruim;

só tem razão...quem pensa igual a mim,

e a vida bem "vivida", é a obscena!...

 

 

Diz a gente: - "Bom dia!...", por dizer;

-"Bom apetite, amigo!..." - e...que comer?!

Terá ou não terá, também, comida?!

 

 

Comédia das comédias, este mundo!...

Como isto faz, à gente, asco profundo,

como é nojenta a cena desta vida!

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

 

 

 

PRAÇA VIVA  -  JUNDIAÍ 2012

 

 

Aproxima-se a edição 2012 do Praça Viva...

O evento acontece todo ano desde 2006, levando Arte - gratuitamente - à praça central de Jundiaí/SP.

São apresentações e oficinas diversificadas que já se firmaram dentro do cenário cultural jundiaiense.

Além disso, marcará presença o tradicional Varal Literário, para o qual estão convidados como sempre poetas de todo o mundo.

O tema é livre.

Quem é daqui de Jundiaí e quiser, inclusive, versar sobre os 150 anos do Solar do Barão, fique à vontade.

Vamos encher os olhos (e fazer arte nas mentes e nos corações) de todos os que por ali passarem, nos dias 4 e 5 de maio.

Para tanto, envie seu(s) poema(s) para o e-mail:   vmalagoli@uol.com.br  - até o dia 13 de abril.

Ao final, por e-mail também, todos receberão seus certificados de participação.

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli

 

 



publicado por solpaz às 17:14
link do post | comentar | favorito
|

Europa
mais sobre mim
Brasil
arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
Foz Coa
links