Blogue luso-brasileiro
Sábado, 31 de Março de 2012
PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e A CARIDADE E AS DROGAS

                                                  

 

 

 

  *H I S T Ó R I A

 

Um homem estava extremamente triste e desencorajado de se levantar todas as manhãs para ir trabalhar, enquanto sua mulher ficava em casa. Querendo que ela soubesse o quanto lhe custava sair cada dia para o trabalho, ele fez o seguinte pedido:

– Meu Deus, eu dou duro todos os dias durante oito horas, sem contar o transporte de ir e vir que me ocupa mais três horas! Minha mulher, que fica em casa, precisa saber o quanto eu sofro. O Senhor poderia trocar os nossos corpos para que ela compreendesse o meu calvário?

Na sua infinita bondade, o Criador aceitou o pedido e, no outro dia de manhã, o homem acordou mulher. Então, preparou o café da família, trocou as crianças para irem à escola, foi ao banco e ao supermercado, pagou algumas contas em lojas, lavou roupas, arrumou a casa, fez almoço, lavou as louças, ajudou os filhos nas tarefas, escovou o cachorro, passou roupas, preparou a janta, limpou a cozinha, deu banho nas crianças e as colocou para dormir, bateu um bolo para o dia seguinte, fez sua higiene pessoal e, finalmente,  foi se deitar.

De manhã, levantou-se e rezou:

– Meu Deus, eu estava enganado por ter inveja da minha mulher que ficava em casa. Por favor, permita que possamos cada um retomar ao corpo original.

E o bom Deus respondeu:

– Meu filho, eu creio que você aprendeu a lição e ficarei muito feliz em restabelecer as coisas como eram antes, mas é preciso esperar nove meses... Você ficou grávido ontem à noite!

A partir daquele dia, ela – ou ele –passou também a fazer feira para comprar mais barato os legumes e conseguir guardar algumas economias para o parto. E embora adorasse jiló, não comprava porque ninguém mais na casa gostava, e queria agradar o marido e os filhos– como quase todas as mulheres fazem.

Que dureza, não? E você, leitor, quantos‘jilós’ deixará de comer para agradar o próximo? Fará isso por amor ou reclamando da vida? Se tivesse mais dinheiro, gastaria com os pobres ou aumentaria sua ceia dominical? Lembre-se que os preferidos de Jesus continuam sendo os pobres.

Desejo que você limpe o seu coração, não sinta inveja, dê o perdão a quem ainda não foi perdoado e, assim, tenha uma vida muito mais feliz.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

                    **A CARIDADE E AS DROGAS

 

É importante lembrar que faz parte do trabalho vicentino assistir pessoas com dependências químicas, porque não é justo escolhermos qual tipo de caridade vamos praticar. E, embora seja muito mais fácil socorrer pobres famintos, também devemos ajudar os nossos irmãos que não conseguem se libertar dos vícios. Portanto, levando alguns desses tristes casos para as conferências vicentinas, na unção do Espírito Santo, sempre será possível um encaminhamento abençoado para cada um deles.

Se nada for feito, estaremos deixando de cumprir a missão que abraçamos quando fomos aclamados membros da Sociedade São Vicente de Paulo: “Aliviar os sofrimentos do próximo, mediante o trabalho coordenado de seus membros.” Sabemos que é um compromisso assumido pelo resto da vida e, se Deus quiser, será também o nosso passaporte para o Céu.

É comum ouvir pessoas dizendo que ‘drogado é caso de polícia’ ou que ‘ele entrou nas droga porque quis’,mas é raro saber de cristãos leigos combatendo a propagação das drogas em nosso meio... até que alguns membros de suas famílias estejam envolvidos. Quando isso acontece, o caso deixa de ser da polícia, aparecem alguns‘culpados’ que ninguém conhece, enfim, começam a surgir justificativas, tempo e força de vontade para resolver o problema.

Fiz esta reflexão para mostrar que nós, confrades e consócias da SSVP, não podemos agir assim. O mal das drogas existe, está se alastrando e precisa de toda ajuda possível para enfrentá-lo – desde a conscientização na infância até o encaminhamento de dependentes para tratamento.

Madre Teresa de Calcutá dizia: “Perdoe os insensatos, os falsos e os invejosos. Seja gentil, honesto e faça o bem. Dê o melhor de si e o melhor virá, porque, no final, o acerto será sempre entre você e Deus.” Pensando assim, ela via Jesus presente em todo trabalho que fazia e recebia muito amor – porque amava a todos. E quanta gente diz não conhecer o rosto de Deus, mesmo se olhando no espelho! Quantos se esquecem das obras dos santos e deixam escapar a grande oportunidade de ganhar o céu!

Enquanto achamos difícil amar aqueles que são diferentes de nós, Jesus Cristo sofre na pessoa do excluído. Rezemos para que São Vicente nos ajude a dar o grande exemplo de caridade cristã no combate às drogas. Todos merecem uma nova chance de voltar a sorrir.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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Sexta-feira, 30 de Março de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIREITO - UMA ÉPOCA QUE ATUALIZA OS SENTIDOS DE SOLIDARIEDADE, DE FRATERNIDADE E DE JUSTIÇA SOCIAL.

                       

                                                                

 

 

 

 

 

Vale reiterar que a semana que ora se inicia tem um profundo significado, quer religioso, quer histórico, por que marca o final da trajetória de Jesus Cristo na Terra. A sua importância transcende os aspectos que os cristãos lhes outorgam: mesmo os ateus e àqueles que professam outras crenças reconhecem o valor daquele que morreu pregando os princípios da igualdade, da liberdade e da solidariedade que até hoje se revelam na base das três gerações dos Direitos Humanos.

 

A sociedade concreta em que vivemos, quer no nosso país, quer em grande parte do planeta, está marcada pelas desigualdades, pelo egoísmo e pelas injustiças. As comunidades estão cada vez mais individualistas e o consumo parece ditar todas as normas, gerando a omissão daqueles que não são financeiramente úteis. O materialismo absoluto determina o êxito das pessoas e a mídia quase sempre destaca os mais ricos e poderosos, incentivando o crescimento exclusivo da área econômica.

 A Semana Santa, que hoje se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até a Páscoa, mais que simples representação histórica ou celebração religiosa, constitui-se num momento de profundas reflexões. Com efeito, os fatos que nela se revivem, acabam por atualizar em cada um de nós, os sentidos de solidariedade, de fraternidade e principalmente, de Justiça Social. Efetivamente, precisamos de muita coragem e determinação, para mudarmos o sórdido quadro atual. Não é mais possível convivermos com a miséria extrema a qual são submetidos milhões de brasileiros, atingidos por diversas formas de exclusão regional, étnica e cultural.

Através da promoção concreta da prestação jurisdicional e da libertação integral do ser humano através de sua formação educacional, acesso à saúde, melhores condições de trabalho, salários compatíveis e circunstâncias mínimas de dignidade, alcançaremos um novo mundo no qual o Direito realmente se revele em órgão regulador da ordem social. Por isso, aproveitemos este período privilegiado de encontro com Deus com seus ritos cheios de beleza, de encantamento litúrgico e de mistério, para meditarmos sobre a importância do amor ao próximo, do desprendimento, da conversão e do respeito recíproco entre os indivíduos. Mesmo porque, reitere-se que professar um credo, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas coisas vivas sobre a terra, ajudar a quem precisa, ser responsável e generoso, perdoar e reverenciar os outros.

Aliás, os dias que já antecedem a comemoração pascal, conhecido no calendário litúrgico como Quaresma, desperta-nos à consciência de integração, para que ninguém se sinta marginalizado do processo vital. Trata-se de uma época de humanização e reconciliação, período ímpar na busca do enfrentamento aos desafios atuais: vencer a crise  política; diminuir as privações; superar a dualidade da democracia, na qual convivem indigência e desenvolvimento e consolidar aspectos que valorizem a cidadania. E, ressalte-se, em 2012 a Campanha da Fraternidade, a exemplo de anos anteriores, abordou tema de manifesta importância e grande atualidade, preocupando-se com os rumos da Saúde Pública.

No domingo que vem, celebramos a Páscoa, uma festa universal onde os homens, comemoram o renascimento da vida. Ela indica a redenção da própria humanidade e a promessa de um futuro de alegria para os que têm fé e esperança, aclamando a solidariedade como único atributo capaz de instaurar a justiça social de que tanto precisamos e almejamos.

 

 

    

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O MISTÉRIO DO CARAMUJO

 

 

 

 

 

 

            Hoje, dando uma pausa na minha “série” sobre os Sete Pecados Capitais, não consegui resistir a escrever sobre uma história que me intriga, além de causar-me risos. Além disso, acho que estou sob a influência do pecado do pecado da semana passada, a preguiça. Fiquei com preguiça de prosseguir pecando literariamente e optei por outro assunto, algo que já estava fazendo cócegas nas minhas ideias.

 

            Já até escrevi sobre essa minha faceta, mas sou, como se costuma chamar no interior, uma pessoa “lombriguenta”. Assim, quando vi na casa do meu Sensei de aikido, de quem já tinha copiado o aquário de kinguios (peixes dourados), dois caramujos amarelos, logo perguntei para que serviam e, ao descobrir que tinham função de limpar o limo das paredes do aquário, debrucei-me sobre a internet, pesquisei e não sosseguei enquanto não comprei os meus também.

 

            O problema que o primeiro deles, o Juju, que já protagonizou outro texto meu, era um caramujo abandonado, que nem o pessoal da loja sabia o que era ou de onde tinha vindo. Mesmo assim, porque minhas “lombrigas do desejo” clamavam, comprei sem estar muito certa do que poderia vir dali. Meses depois, o Juju estava enorme, quase quatro vezes o que era e eu já andava meio com medo de onde aquilo iria parar. Contudo, para minha tristeza, certa tarde, ao me aproximar do aquário, percebi que a bomba estava parada e, descobri que o causador era o Juju, sugado que estava pela pressão que fazia o cano que levava a água para o filtro. Ainda tentei salvá-lo, mas ele estava perdido, com as “tripas” esticadas...

 

            Esse foi o fim do Juju que, embora tenha me deixado triste, até porque eu podia estar próxima de algum recorde de crescimento “caramujal”, não chegou nem perto de me causar a estranheza do que me foi reportado pelo meu Sensei.

 

            Pois bem, ele tinha dois caramujos, os quais chegaram até mesmo a depositar lindos e gosmentos ovos no aquário, devidamente exterminados para evitar uma praga. Ocorre que um dia, de um deles, aparentemente, restou somente a concha. Ele procurou daqui, procurou dali e nada de achar o, digamos, recheio do bicho. Teriam os peixes, à semelhança de como se come escargot, mandado o coitado para a pança?

 

            Dias depois, já dando o caramujo por perdido, não foi sem surpresa que ele constatou que, inexplicavelmente, o caramujo “descascado” havia se mudado para dentro da concha do outro. Detalhe: sem que o dono saísse da casa! Espremidos, pareciam estar literalmente no aperto! O mais curioso é que lá ficaram, como se tivessem resolvido morar juntos, sei lá.

 

            Como se não bastasse, mais uma semana e um deles (não se sabe qual!) simplesmente evaporou. Sumiu. Não há rastros, vestígios ou peixes empanturrados. Tudo o que restou foi uma concha, uma casca, vazia, boiando em meio aos peixes. Mistério....

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A PÁSCOA EM PORTUGAL HÁ MAIS DE CINQUENTA ANOS

     

                                             

 

 

 

 

Depois dos dias fúnebres da Semana Santa, chegava o alegre domingo de Páscoa. A ressurreição de Jesus.

Nas nossas aldeias - que eram relicários de tradições, - os cristãos agrupavam-se no templo, entoando jubilosos hinos e aleluias.

Do alto de rústicos campanários, tangiam festivamente os sinos, em animada e pueril gralheada.

Saiam os compassos, cada um com sua cruz alçada. Envergando alvas opas, homens acompanhavam o prestimoso abade ou seminarista, que levavam o Senhor de casa em casa.

Tapetes de verdes e flores, vestiam toscos caminhos e soleiras de entrada, que devotas mulheres colhiam com carinho e Amor.

Estalejavam alegremente foguetes, em alarido desenfreado; e alvoraçados cachorros, em roda-viva, pareciam, também, dizer: Chegou a Páscoa!... Chegou a Páscoa!...

As famílias reuniam-se à mesa, que permanecia coberta de branquíssima toalha, com o tradicional folar, amêndoas cobertas de açúcar, pão-de-ló e vinho fino.

No meu tempo de menino, no Sábado de Aleluia, nas igrejas, retiravam-se os panos roxos que recobriram as imagens, nos dias tristes de Quaresma. Os altares, que permaneceram despidos, engalanavam-se nessa hora de alvíssimas toalhas e vistosas flores de cores garridas, enquanto os sinos soavam ao desafio, em animada e ruidosa desgarrada.

Nas ruas, grupos de rapazes e moças, confeccionavam boneco de trapos, que suspendiam num poste. Era o “Judas”. Boneco que recolhia na pança, numerosas bombas carnavalescas, e lembrava certa figura, em regra, pobre diabo, bombo de festa do garotio.

Pegava-se, então, fogo aos pés, e para gáudio de todos, assistia-se ao queimar do “Judas”, que estourava entre gritos e palmas da rapaziada.

Nesse tempo, no dia de Páscoa, os afilhados visitavam os padrinhos, levando-lhes raminho de flores ou de oliveira, benzido em Domingos de Ramos.

Estes retribuíam com amêndoas ou dinheiro. A isso, chamava-se pedir o folar.

Em terras montanhosas, nomeadamente em Trás - os - Montes e Beiras, folar era, e ainda é, gigantesco bolo, recheado a carne, que tinha, por vezes, feitio de alguidar.

Mais romântico e citadino, eram as caixinhas de porcelana, que os namorados ofereciam com amêndoas. Eram de todos os tamanhos e feitios, algumas de grande beleza.

Bem diferente se comemora, nos nossos dias, o tempo pascal. Poucos são os que participam e vivem as cerimónias da Semana Santa; as velhas tradições quase desapareceram e, sem elas, morre um pouco da alma portuguesa, as raízes que a identificam.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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CLARISSE BARATA SANCHE - PÁSCOA

 

 

                              

 

 

 

 

 

 

 

A Páscoa é esperança, é doçura e é luz!

A festa mais linda do povo Cristão!

Que canta aleluias no seu coração,

Lembrando o Mistério de Deus, numa Cruz!...

 

 

 

O Céu anilado e a Terra seduz,

Vestindo de galas p'ra Ressurreição!

Alegram os trinos das aves que são

A mais bela orquestra de preito a Jesus!

 

 

Este ano e em Roma, São Pedro, por graça,

Com flores da Holanda a adornarem a Praça,

Encheu-a de Sol a brilhar, perfumada!

 

 

 

O Papa falou-nos de Amor e da Paz:

Bem prega, tal como pregou Frei Tomás...

E os homens tão cheios de tudo.... e de nada!

 

 

 

Abril  -  2001

 

 

CLARISSE BARATA SANCHES   -   Goís, Portugal

 

 

 

 

 

PRAÇA VIVA  -  JUNDIAÍ 2012

 

 

 

Aproxima-se a edição 2012 do Praça Viva...

O evento acontece todo ano desde 2006, levando Arte - gratuitamente - à praça central de Jundiaí/SP.

São apresentações e oficinas diversificadas que já se firmaram dentro do cenário cultural jundiaiense.

Além disso, marcará presença o tradicional Varal Literário, para o qual estão convidados como sempre poetas de todo o mundo.

O tema é livre.

Quem é daqui de Jundiaí e quiser, inclusive, versar sobre os 150 anos do Solar do Barão, fique à vontade.

Vamos encher os olhos (e fazer arte nas mentes e nos corações) de todos os que por ali passarem, nos dias 4 e 5 de maio.

Para tanto, envie seu(s) poema(s) para o e-mail:   vmalagoli@uol.com.br  - até o dia 13 de abril.

Ao final, por e-mail também, todos receberão seus certificados de participação.

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli

 



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Terça-feira, 27 de Março de 2012
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - RETRATO DE UM VICIADO

 

                                              

 

 

 

 

 

O livro autobiográfico de Bill Clegg, “Retrato de um Viciado quando Jovem”, lançado no Brasil em 2011, pela Companhia das Letras, traduz o que se passa por dentro de um dependente químico de crack. Bill é um agente literário em Nova York bem sucedido, que, através das drogas, desceu a um mundo tenebroso, em que a angústia do instante era tratada com a fumaça do cachimbo de crack. Raras as situações, no viver em sociedade, em que se sentia melhor, com uma dobra de seu interior desamassada.

O crack o tirou do trato íntimo com aqueles que amava e da sociedade em geral. Escondia-se cada vez mais dentro de si. Primeiramente, foi a bebida em excesso, com destaque para a vodka. Depois veio o crack. Após o uso, a cama e o chão ficavam repletos de migalhas. Acabadas as pedras, ajoelhava-se atrás dessas migalhas ou raspava o cachimbo para tentar mais uma tragada.  Considerava que as verdades sombrias e preocupantes, que rugiam alto ao seu redor, desapareciam na cortina de fumaça. Trocou a angústia existencial, as questões mal resolvidas na infância pela agonia da dependência química. Mais de 20 minutos sem fumo era o seu limite. Para o pânico ir embora, entre as tragadas, bebia vodka. Fazia queimaduras feias nas mãos devido às intensas tragadas. Chegava a preparar três cachimbos ao mesmo tempo, a fim de que não precisasse esperar que um esfriasse para fumar a próxima pedra. O medo voltava, na ausência da fumaça. Não conseguia parar de telefonar aos traficantes. A paranoia e o nervosismo o afetavam cada vez mais. Confortava-se, apenas, momentaneamente, com a quantia de crack que possuía.  Encarava as pessoas, com quem estabelecera uma relação afetiva, como se estivesse dentro de um trem deixando a estação, vendo um estranho parado na plataforma. Convivia com elas planejando mentiras. Considerava-se estar em lugar algum e não pertencer a nenhum lugar.  Procurava um local onde não se lembrasse de si mesmo e a volta à consciência era sempre um choque. Em sua paranoia, observava alguns homens e imaginava que eram policiais disfarçados, que viriam prendê-lo. Temia as sórdidas prisões por posse de drogas. Em meio à multidão, era como se as pessoas estivessem se afastando, evitando-o. Rezava por um enfarte fulminante. Desejou, em inúmeras horas, que a mistura da bebida com as tragadas lhe desse a morte.  “Enxergo-me como uma marionete que já vi centenas de vezes e que jamais pensei ser. Sou apenas madeira, fios e espasmos. Sem dinheiro. Sem amor. Sem carreira. Sem reputação. Sem amigos. Sem esperança. Sem compaixão. Sem utilidade. Sem segundas chances”, testemunha em um dos capítulos.

Após um tratamento de desintoxicação, constatou os danos que provocara às pessoas de seu entorno e experimentou a liberdade de não mais procurar desculpas e estratagemas para o dia seguinte. De não se preocupar em ser uma fraude ou em ser desmascarado como em todos aqueles anos. Optou por ser ele e o que salva o ser humano é a sinceridade, o olhar de frente as vitórias e os fracassos de sua descendência e de sua história, sem horror ao amanhecer.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



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JOSÉ RENATO NALINI - OS PAIS DO DROGADO

                           

 

 

Acabo de ler o livro “Você meu filho”, de Jean Bothorel. O autor é comentarista político do “Le Figaro”, na França. Descobriu que seu filho de dezessete anos era drogado. Escreveu o livro numa espécie de monólogo/diálogo com o jovem. Os pais não cessam de se autoindagar: “Onde foi que eu errei?”. Era quase impossível reencetar o encontro com o filho que crescera confortado por todos os mimos materiais, mas que era um desconhecido para seu pai.

Os pais perguntam com quem o filho está saindo? O que ele vê na internet? Quais suas angústias, suas dúvidas, seus sonhos e ambições? O pai já fora fruto de uma rebeldia alimentada pelos Jack Kerouac (autor de “On the road” e “Dharma bums”), Allen Ginsberg, William Burroughs (“Naked lunch”), sem falar nos conterrâneos Sartre, Camus, Bataille, Gide, Malraux, Céline, Mauriac e Bernanos. Lembrava-se do próprio pai – o avô do viciado – que representara “a moral de outrora.

Personalizava um modo de ser, um catálogo de valores bem estabelecidos: o respeito à escola, o amor ao trabalho, a aversão à preguiça e aos preguiçosos, a lealdade e sobretudo o sentido da honra”. Quando se lembrou de “honra”, teve um sobressalto. A palavra foi esquecida e o conceito também. Honra, grandeza, probidade são gloriosas teorias desmoralizadas pelos poderosos que constantemente as empregam, sem nelas acreditar. Ele questiona:

“Por que desapareceram de nosso vocabulário essas palavras de que nenhuma educação, nenhuma instituição, nenhuma sociedade pode prescindir? A honra é uma ética. É uma valorização da pessoa. Pode até parecer ingenuidade, bobagem, mas a verdade é que o respeito-próprio é a base do respeito pelos outros. Por que jogamos fora ideias tão simples e tão importantes?”.

O jornalista fez o “mea culpa” e reconheceu ter feito o jogo do avestruz. Fazer de conta que nada acontece. Levar sua vida e propiciar ao filho todos os prazeres, não falar “não”, nada proibir, tudo permitir. Deu razão a François Mauriac, a lamentar: “É verdade que vivemos num mundo em que tudo é feito para corromper a infância, a adolescência e a juventude. Pagaremos caro, muito caro por isso”. Alguém consegue provar que isso não aconteceu e continua a acontecer?

 

 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



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Segunda-feira, 26 de Março de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS. PARTE 5 : A PREGUIÇA

 

 

 

 

 

 

                O André, office-boy na empresa do Dr. Roberval e do Dr. Osmar, tinha a plena convicção de que devia ter alguma coisa errada com o mundo. Tudo girava muito rápido e isso o deixava nauseado, meio sem rumo. Ele tinha certeza de que não era um problema dele, mas do ritmo do mundo. Alguma coisa estava fora do lugar no universo...

                O horário dele na empresa era às 8 da manhã. Ele tinha que chegar lá antes que os patrões chegassem, mas por mais que ele se esforçasse, nunca conseguia esse feito. Quando o relógio tocava, alguma coisa conspirava contra ele, porque, sem que ele se desse conta, acabava desligando o dito cujo e era sugado para dentro de um sono com sonhos infindáveis. Assim que conseguia se libertar dos poderosos braços de Morpheus, sentia um entorpecimento que só podia ser causado por algo misterioso, algo que, já que não estava em seu controle, ele já tinha desistido de lutar contra.

                Não dava para sair e ir trabalhar sem tomar café ou banho e essas são coisas que não se pode fazer correndo, com pressa. Aliás, André não entendia o conceito de pressa. Se a Terra gira, na verdade nunca se chega a lugar nenhum, nunca vale a pena correr, não em círculos. Aos dezoito anos, ele estava certo de ser um sábio. Ainda desconhecido, era verdade, mas detentor de uma sabedoria que, um dia, poderia mudar o mundo, caso, é claro, ele tivesse tempo para tanto...

                Como todo jovem recém saído da adolescência, ele precisava cuidar do visual. Não dava para descuidar das madeixas negras que, repletas de redemoinhos, caiam em uma longa e rebelde franja. Era preciso ser paciente para se atingir a perfeição, ele costumava pensar e rir sozinho... Uma hora depois, sentia-se pronto para ir ao trabalho, mas já um pouco cansado. Ele estava certo de que somente não perdera o emprego porque as secretárias dos patrões, a Vandete e a Glória, sobretudo a gordinha, a Glória, seguravam as pontas para ele. Ele sabia que, no geral, fazia sucesso com as mulheres. Pena que esse não era, exatamente, o departamento dele, mas enfim...

                O fato era que as secretárias deixavam que ele ficasse usando o computador delas, na hora do almoço, em troca de atender aos telefones que tocavam. Tudo para que pudessem ir juntas almoçar. Ele achava bem bonita a amizade delas. Coisa rara nos dias atuais. Na verdade, ele nem ligava muito para o computador, mas mais era para sentar nas cadeiras confortáveis que elas tinham, até para descansar do estresse que era ser um Office boy. Elas nem faziam idéia, mas nem sempre, ou melhor, quase nunca, ele atendia aos telefones. Não se sentia disposto a falar com estranhos. Era algo desgastante, que despendia muita energia, que o deixava exaurido. Ele se limitava a tirar do gancho o aparelho, para que parecesse estar ocupado e não despertar a atenção dos chefes...

                O serviço do André era levar papéis de um lado para o outro, de um setor para o outro e de fazer serviço de banco. Ele ia, era verdade, mas no tempo dele, porque, na experiência de vida dele, nada, de verdade, era urgente. As pessoas é que adoravam colocar isso nos envelopes para provocar os mensageiros, mas ele sabia que não era assim que o mundo era e que ninguém morreria se não recebesse um documento ou pagasse uma conta no mesmo dia.

                Assim, o André sentia que cumpria seu papel na Terra. Ele existia, sem pressa, sem urgência. Dormia o quanto podia e o quanto seu corpo mandava. Trabalhava do jeito que lhe parecia correto, justo. Não precisava de gente colocando fogo no seu pé. Se ele fosse preguiçoso, tudo bem, mas isso, com certeza, ele sabia que não era... Preguiça era algo muito cansativo para ser vivido..

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



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FAUSTINO VICENTE - VICENTINOS, OS PIONEIROS

 

                                                        

 

 

 




Informações oficiais, recebidas da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de Jundiaí, colocam os Vicentinos ( Sociedade São Vicente de Paulo  SSVP ) como os pioneiros em ações de Responsabilidade Social, em nossa cidade.



A primeira Conferência (Vicentina) São José, fundada em 1897, tornou-se fonte de uma singular história que, após 115 anos de atividades, evidencia os princípios cristãos e o espírito empreendedor, que a identifica no mundo todo. Quantas empresas com essa longevidade existem em Jundiaí?



Conferência Vicentina , célula mãe da SSVP - é a denominação que recebe um grupo de pessoas, que se reúnem semanalmente seguindo as normas internas e planejando as visitas domiciliares aos assistidos.



Essa Rede de Caridade, laica e católica, foi fundada em 1833 (Paris) sob a liderança de Antônio Frederico Ozanam (1813-1853), hoje Beato, e acha-se presente em 142 países, através de 51.000 Conferências, 700.000 membros efetivos e mais de 1.500.000 colaboradores.



Além de Ozanam (20 anos) o "iluminado", o nosso destaque vai para os primeiros confrades vicentinos: Emmanuel Bailly (42) o "ideólogo", Paul Lamache (23), Félix Clavé (22), Auguste Le Taillandier (22) o "assessor", Jules Davaux (20) e François Lallier (20) e Adolph Bordon os "organizadores".



Essa juventude em ação adotou São Vicente de Paulo (1581-1660) como patrono, pela sua devoção aos pobres.



O grupo se aproximou e entrou em contato com uma Filha de Caridade, Irmã Rosalie Rendu  a professora , que organizou a distribuição de necessidades do escritório de Caridade na área abaixo o Lamente Mouffetard, então no XII Distrito Municipal de Paris.



Qual a percentagem de empresas, muitas com consagrados executivos em gestão organizacional, espalhadas pelos 04 cantos do planeta, que têm 179 anos de eficaz existência?



Além de uma lição exemplar, no contínuo aprimoramento espiritual de seus membros e na missão de levar cidadania aos seus assistidos, a SSVP pode servir de referência para o globalizado mundo dos negócios.



No exercício da trilogia teologal - fé, esperança e caridade -   e nos princípios da excelência gerencial, residem o conceito e a metodologia que permitem a SSVP se adequar às velozes inovações tecnológicas e as profundas transformações sociais, econômicas e culturais das últimas décadas.



O Hospital São Vicente de Paulo (1900), do qual fui Diretor, e que recentemente foi doado pelos vicentinos à Prefeitura, a Cidade Vicentina (1939), a administração do Cemitério Parque dos Ipês (1970), do estacionamento do Velório Central, os Dispensários e as Conferências, são eficazes ações vicentinas do Terceiro Setor jundiaiense.



A criação (2006) da Paróquia Beato Frederico Ozanam é fruto da doação, que o Conselho dos Vicentinos fez, de parte do terreno da Cidade Vicentina (1939) à Cúria Diocesana.



Como, em 2013, a SSVP vai comemorar o bicentenário do nascimento do Beato Ozanam podemos, nos sites: www.ssvpglobal.org (Conselho Geral Internacional - Paris) e  www.ssvpbrasil.org.br (Conselho Nacional do Brasil, Rio de Janeiro), obter preciosas informações sobre a história, missão, visão,  valores (princípios e crenças), objetivos, norma de procedimento e a trajetória da SSVP, nos quatro cantos do planeta azul.



O berço da SSVP no Brasil é o Rio de Janeiro, com a fundação da Conferência São José (1872).



O Movimento Vicentino tem o seu nome gravado  de maneira indelével  na história da Terra da Uva.



Faustino Vicente  Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos.          e-mail: faustino.vicente@uol.com.br  Jundiaí (Terra da Uva) São Paulo  Brasil.



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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS ( CONT.)

    

                         

 

 

 

 

18  - É costume dizer-se que “contra a estupidez até os  deuses lutam em vão”. E é verdade. A razão disso é que por muito débil que seja a estupidez, os tais deuses nada podem fazer, pelo simples facto de não existirem, nem nunca terem existido, nem mesmo naqueles recuadíssimos tempos que precederam o tempo em que as galinhas tinham dentes. Contra a estupidez nada vale rezar, nem mesmo a Deus que, por existir, poderia fazer alguma coisa – e isto porque lutar e vencer a estupidez é tarefa que nos está cometida na caminhada para o aperfeiçoamento. Sempre haverá pobres, porque sempre haverá pecados e estupidez.

 

19  - As  estatísticas dizem-me que os namorados de agora quanto mais se beijam mais um dia se vão feder. É o resultado da saturação pelo exagero. Na verdade, beijam-se com tal frenesim e ganância que é difícil saber qual deles à despedida leva a língua do outro na boca.

 

 

20 - Verdadeiramente, perante Deus, ninguém é digno de nada. Não somos dignos de continuarmos a receber as suas bênçãos e as suas graças, não somos dignos de que “entre em nossa morada”, não somos dignos de vermos atendidas as nossas orações, não somos dignos de “alcançarmos as promessas de Cristo”. Por muito que façamos, por muito impolutos que sejamos em termos relativos com os nossos semelhantes, perante Deus nada merecemos, de nada somos dignos. Podemos aproximarmo-nos de sermos dignos, mas, verdadeiramente dignos, nunca conseguiremos ser e, por isso, se não fora a incomensurável bondade de Deus com a sua infinita gratuidade, não teríamos salvação.

Mas eu creio que Deus é tão misericordioso que nos concede uma maneira de sermos “verdadeiramente dignos” face à Sua Face. Se nós queremos ser dignos e nos esforçarmos por isso, e, por outro lado, humilde e sinceramente nos convencermos de que nunca seremos dignos, então o procedimento e o facto de estarmos convencidos de que não somos dignos, faz com que na verdade sejamos dignos. E eis, então, o paradoxo: quem é indigno, pode tornar-se digno pela sensação e certeza da sua indignidade.

 

 

21  -  Dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, é um dos grandes princípios de justiça. Dar a César o que é do Cesário é a mais clamorosa injustiça.

22  -  Contas com Jorge, Jorge na rua; contas com Deus, Deus em casa

23 - Se Deus governasse o Mundo à maneira humana, não precisava de um escritório onde houvesse departamentos de Contabilidade e de Estatística – bastaria o de Organização e Métodos, coadjuvado pelo de Beleza e Limpeza.

24  -  Tudo que agrada é provisório ; tudo que aflige é passageiro, Só tem valor o que é eterno.

 

25  -  Ir à Madeira, deve ter mas pode não ter mais importância que uns bilros que se trouxe como recordação; ir aos Açores, deve ter mas pode não ter mais significado que dar um pontapé numa pedra-pomes. Mas ir à Terra Santa, deve ser qualquer coisa de inolvidável, quase sagrada, que exige preparação mental para deixar frutos de ordem espiritual. Na preparação prévia que fizermos, mandamos para lá o nosso espírito, para depois o ir lá buscar.

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal.



publicado por solpaz às 11:28
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