Blogue luso-brasileiro
Domingo, 29 de Abril de 2012
RENATA IACOVINO - A OBRA E A CRÍTICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            "Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.", declarou Antonio Candido, crítico literário, professor e sociólogo.

            Sua postura é algo raro, e por isto, também, tornou-se figura tão respeitada.

            A crítica, em geral, é tendenciosa e parcial. A análise de obras, os comentários acerca do que se cria é, de certo modo, o resultado de uma opinião. Não há como escapar disto. O grande dilema é como se policiar para que essa subjetividade não seja o retrato simples de uma linha de pensamento e de um conceito fragmentado, que acabam se desviando da origem do objeto a ser avaliado.

            Tecemos nossas opiniões diariamente sobre os mais variados temas, desde a questão mais banal até um assunto mais filosófico. Opiniões são a manifestação da liberdade e do preconceito, paradoxalmente.

            Mas o profissional que se debruça para analisar uma obra, deveria, como premissa, desnudar-se de uma postura leiga, ir a fundo, relativizar, levar em conta todas as condições, compreender, despir-se da vaidade do ofício.

            Isto me faz lembrar Rainer Maria Rilke, poeta alemão: "As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas."

            O amor, que podemos ler nestas palavras de Candido, quando se refere à literatura: "o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, a afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante."

            Mas o que vemos é que a superficialidade que inunda as relações atuais e molda a postura "humana", também está presente em muitas críticas. E o poder econômico, como em todo setor, é o que rege a direção a ser dada.

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



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JOSÉ RENATO NALINI - QUE PENA !

 

                                             

 

 

 

 

 

 

 

Que pena que o brasileiro não lê! A melancólica situação em que se encontra a sociedade, cujos valores se perderam ou se confundiram na mediocridade geral, é fruto da falta de leitura. Quem não lê, não fala, não pensa! Vegeta e não existe como ser pensante. Se o brasileiro lesse, poderia se deliciar com o artigo “Trovoadas de Março”, que Marina Silva assinou na FSP de 30 de março.

Ao comentar a morte de Millôr Fernandes, ela diz: “O estilo debochado de Millôr desnudava os políticos de sorrisos congelados e intenções inconfessáveis”. Este é um ano de eleições. E lembra ela: “Cada vez mais, os que se acham espertos usam os mesmos truques já tão conhecidos, como se a sociedade cumprisse apenas um papel secundário de plateia”. E lamenta a tragédia da revogação do Código Florestal. Morre a floresta, em nome da ganância dos que preferem dinheiro no bolso a garantir a vida a seus descendentes.

Marina sabe o que fala: “Um projeto que acaba com a proteção das florestas do Brasil é apresentado como o ‘novo’ Código Florestal. Para diminuir o constrangimento, fala-se em deixar a votação para depois da conferência Rio+20, mas a sanha voraz da motosserra estabelece prazos e exigências”. É por isso que parece não haver mais esperança para um País que teria tudo para dar certo. “Chegamos ao Saara da política”. Ninguém mais acredita neste sistema.

Existe democracia porque o povo pode votar a cada dois anos? Existe democracia porque os Tribunais estão abertos e abarrotados de problemas que poderiam ser resolvidos com boa vontade à mesa da conciliação? Existe democracia porque a mídia é livre para produzir maravilhosos espetáculos de reality shows que na verdade são o circo triste do vazio existencial?

Enquanto a educação consistir em transmissão de informações que devem ser decoradas pelos alunos, os pais declinarem de sua missão de educar gente séria e honesta, preocupada com o destino comum de todos, nos satisfizermos com os partidos políticos que se identificam na busca do interesse de seus próprios integrantes, não haverá progresso no Brasil. Mas a tragédia é que o povo não lê. Não sabe ou não quer saber de nada.

 

 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por solpaz às 18:51
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JOÃO BOSCO LEAL - DIFERENÇAS CULTURAIS OU CRIMES ?

 

 

                                              

 

 

 

 

 

 

Pouco foi divulgado pela imprensa brasileira sobre o caso de um diplomata iraniano que, segundo denúncias das próprias vítimas, de salva-vidas e de parentes das crianças e dos adolescentes, teria abusado sexualmentede crianças e adolescentes brasileiros, acariciando as partes íntimas de meninos e meninas de 9 a 14 anos enquanto mergulhava na piscina do Clube Vizinhança, na Asa Sul de Brasília, área nobre da cidade.

Inicialmente a embaixada do Irã no Brasil estava tratando o caso como um mal entendido resultante das diferenças culturais entre iranianos e brasileiros e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, chegou a declarar que as denúncias eram infundadas, falsas e irreais.

Informado pela Polícia Civil do Distrito Federal sobre as acusações, o Ministério das Relações Exteriores notificou oficialmente a embaixada do Irã no Brasil, solicitando explicações do governo do Irã, pois como o iraniano, de 51 anos, possui imunidade diplomática e não pode ser investigado ou incriminado como um cidadão comum.

A Convenção de Viena, da qual o Brasil é signatário, diz que um diplomata só pode sofrer punições ou ser processado de acordo com as leis de seu próprio país e só seria responsabilizado aqui se o Irã retirasse sua imunidade diplomática, o que é praticamente impossível. Outra possibilidade seria o Brasil adotar uma medida diplomática extrema, declarando-o persona non grata, o que provocaria sua expulsão do país e o impedimento de seu retorno.

No Irã, uma república orientada pelos preceitos religiosos desde a revolução islâmica de 1979, o diplomata seria julgado de acordo com as leis do Sharia, o código de conduta moral regido pelo Alcorão.

Independentemente de regime político adotado ou de sua predominância religiosa, penso ser necessária a imediata revisão, por todos os países e pelos órgãos mundiais de justiça, de certos preceitos legais ou religiosos, que praticamente protegem casos como esse, ainda admitem a inimputabilidade dos povos indígenas e acobertam os mais diversos crimes cometidos por políticos brasileiros e de diversos países do mundo.

Salvo raríssimas exceções de tribos indígenas que ainda não tiveram contato com o mundo civilizado, no mundo globalizado e informatizado em que vivemos, com antenas parabólicas captando sinais de canais televisivos nos locais mais distantes e pouco habitados, não se admite a possibilidade de uma pessoa – por mais isolada que esteja -, não possuir o mínimo de conhecimento sobre regras básicas do convívio social.

As populações indígenas, que atualmente transitam pelas mais diversas cidades brasileiras portando aparelhos de telefonia celular, título de eleitor e carteira de motorista, não poderiam continuar aqui com os mesmos costumes de vestimentas ou culturais utilizados em suas aldeias ou não poderiam delas sair e nem possuir os mesmos direitos sociais dos outros cidadãos.

Tratando-se de um diplomata, por seu preparo cultural e posição social frequentada, deveria ter seu crime julgado com rigor ainda maior, pois pelo menos teoricamente, teria de saber sobre os costumes, tradições e leis do país onde está trabalhando.

Os políticos brasileiros corruptos, que teoricamente foram eleitos para legislar em benefício do povo ou para administrar bens públicos e deles se aproveitam em benefício próprio, não poderiam se utilizar de imunidade parlamentar ou de fórum privilegiado. A corrupção é um crime e os corruptos deveriam ser, além de condenados, obrigados a ressarcir os cofres públicos.

Alegações de diferenças culturais, desconhecimento legal, imunidades diversas ou fóruns privilegiados, não poderiam ser aceitos na defesa de nenhum tipo de crime.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil.



publicado por solpaz às 18:45
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e MULHER: SEXO FORTE OU FRÁGIL ?

 

 

 

 

 

 

*H I S T Ó R I A

 

 

 

 

Três jovens irmãos deixaram a chácara onde moravam e foram trabalhar na cidade. Conseguiram ser empregados na mesma empresa, com o mesmo salário, mas, dois anos depois, João ganhava 1000 reais por mês, Paulo 2000 e Joaquim 4000.

O pai deles, quando soube que não recebiam os mesmos valores, foi saber com o empresário a razão das diferenças de salários. O patrão, então, chamou João e disse-lhe:

- Ouvi comentários que uns importadores do oriente mandaram vir um avião cheio de mercadorias japonesas. Pode ir ao aeroporto e fazer um relatório do carregamento?

Minutos mais tarde, João regressou ao escritório e falou:

- Telefonei para um amigo e soube que o avião veio carregado com 1000 rolos de seda.

Em seguida, o patrão chamou Paulo, que ganhava 1000 reais a mais, e pediu-lhe a mesma coisa. Duas horas depois, ele chegou ao escritório com esta descrição:

- São 1000 rolos de seda, 500 computadores e 1000 canas de bambu pintadas à mão.

Por fim, o empresário pediu o mesmo a Joaquim, que ganhava dobrado. Ele só voltou depois do expediente e explicou:

- A carga principal do avião tem 1000 rolos de seda. Eles queriam 60 reais por rolo e fiz uma proposta de compra para adquirir todos os rolos. Mandei um e-mail a um cliente e lhe ofereci os rolos por 75 cada. Também havia 500 computadores. Telefonei a outro cliente e vendi com 8 reais de lucro por unidade.

Quando Joaquim saiu do escritório, o patrão disse ao pai dos moços:

- Então, viu? O João não faz o que mando, o Paulo só faz exatamente o que ordeno, mas o Joaquim faz além do que lhe peço.

Ficou claro que os dons dos três eram bem diferentes nos negócios, aliás, como acontece com pessoas de quase todas as famílias.

Pois é, assim é o mundo. Uns têm dons para os negócios, outros são bonitos apenas por fora, mas, para Deus, todos são iguais quando possuem amor no coração. Nem sempre esse amor nos leva à riqueza material, mas, com certeza, nos conduz ao Céu!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

                 MULHER: SEXO FORTE OU FRÁGIL?

 

Não podemos negar que, em quase todos os lares, a mulher trabalha mais que o homem – embora com serviços diferentes, caso a caso. Mas, antes de continuar a reflexão, preste atenção nesta passagem bíblica:

“Naquele tempo, Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. Uma mulher, que tinha uma filha com espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia, da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse:‘Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos’. A mulher respondeu:‘É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair’. Então Jesus disse: ‘Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha’. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.” (Mc 7, 24-30).

Que texto maravilhoso! Não só por ser a Palavra da Salvação, mas também porque uma mulher convenceu Jesus a fazer um milagre! Ele, que vinha curando os judeus – povo da primeira aliança –, realizou esta cura a uma criatura pagã, mostrando sim que não excluía outros povos, mas sob a influência direta de uma corajosa mulher – da qual Jesus não pode se esconder!

No Livro do Gênesis, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. E, após criar todos os animais, pediu a Adão que lhes desse nomes. Mesmo obedecendo ao Criador, Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então, Deus tirou-lhe uma das costelas, formou a mulher e a conduziu a Adão, que exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!”

Até hoje, todos os homens da face da Terra reconhecem que Adão teve muito bom gosto em aceitar o presente de Deus. Feliz o homem que respeita a fragilidade física da esposa e se faz respeitar. Feliz o homem que tem uma mulher religiosa que o ajuda a alcançar graças para toda a família. Feliz o homem que a perdoa e a ama de coração. Feliz o homem que cumpre com as promessas feitas diante do padre no dia do casamento. Feliz o homem que reconhece o sexo forte que tem ao seu lado e luta para viverem juntos na eternidade.

A família rezando unida é o maior exemplo do amor que Jesus Cristo tem por nós. Em minha casa, somos consagrados a Nossa Senhora e, Ela, nos mantém firmes na fé.

Caro leitor, consagre-se você também: Ó minha senhora e também minha Mãe, eu me ofereço inteiramente todo a vós...

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 

 



publicado por solpaz às 18:38
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - BEIJOS NA BOCA

 

 

 

 

 

 

 

Escreve Ana Colaço no “ Destak” de 15 de Março, que a filhinha de nove anos, ao ser interrogada, durante o jantar, sobre o que deu na escola, respondeu espevitadamente, transbordante de inocência: “ Dei três beijos na boca”.

Com igual inocência responderam as garotinhas do Jardim-de-infância de Góis *, há quatro anos, quando alguém lhes inqueriu: “O que é namorar?”

Eis as respostas: “Tirar a roupa” (4 anos); “Dar beijinhos na boca” (5 anos);” Fazer sexo” (5 anos)”; “ As meninas para não ficarem grávidas têm que usar supositórios (5 anos); e outras definições do mesmo cariz.

Estas garotinhas encontravam-se muito longe da puberdade e ainda não frequentavam o 1º ciclo escolar; daqui se conclui, que as meninas (os) repetiram o que ouviram e presenciaram no meio familiar ou observaram em filmes, telenovelas e “conselheiros” da TV.

A filha da jornalista Ana Colaço, de nove anos, deu três beijos na boca, e, segundo a mesma, correu bem.

Três beijos inocentes, sem malícia, porque se o não fosse, a menininha não o teria revelado espontaneamente, mas fê-lo seguindo o exemplo, penso eu, que viu em telenovelas; as outras, a do infantário, com quase metade da idade, deram à repórter, respostas mais avançadas.

Em lugar de explicarem, que namorar é: ter um amigo, agradar, partilhar, andar de mãos dadas, disseram, que: era tirar a roupa e fazer sexo.

É o conceito que a media transmite e incute, sem escrúpulo, do mesmo jeito como a imprensa estampa nas páginas de “Relax” fotos e textos vergonhosos. que deviam indignar os leitores, já que não incomodam os directores, que buscam o lucro à custa da perversidade de crianças e adolescentes.

Perante a indiferença de uns, e a ambição de outros, como querem que a sociedade seja mais justa, moralmente mais são, se as crianças, mesmo dentro de casa, corrompem-se em contacto com esses exemplos nefastos?!

 

* - “O Varzeense” 29/02/O8

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 18:27
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PINHO DA SILVA - AS ORELHAS DE MIDAS

 

 

 

 

 

Arrebita as orelhas, o bom Midas,

escutando, de Pan, a rude frauta,

tal como faz, ainda hoje, a gente incauta

com as tretas de pessoas bem sabidas.

 

 

 

Essa gente, a patranhas dá guarida,

falem elas de fome ou mesa lauta;

e, das mesmas patranhas, é arauta

sem que  sinta as orelhas mais compridas.

 

 

 

 

Apre, que é já demais!..-. É ser casmurro!...

Não lhe faltam avisos ( mas em barda),

desde o velho Bordalo às próprias velhas!

 

 

 

Que diabo, é mania de ser burro!...

E é gosto, sobretudo, em ter albarda,

para além das ridículas orelhas!

 

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 

 




     
O grupo “Arte em Ação” , que reúne artistas, produtores, apoiadores e apreciadores de arte de Jundiaí, e  tem por objetivo
desenvolver ações culturais nas diversas áreas (música, dança, teatro, artes visuais, literatura, arte-educação, patrimônio histórico),
convida você para um novo evento, "Praça Viva 2012" , nos próximos dias 4 e 5 de maio.
Local: Praça Governador Pedro de Toledo - Centro - Jundiaí
 
EQUIPE ORGANIZADORA:
 
 
ARTES VISUAIS - Paula Pestana / Yeda Sandoval       
DANÇA -  Sandra Noemi
MÚSICA -Cláudia de Queiroz / Renata Iacovino
LITERATURA - Valquiria Malagoli / Júlia Heimann  
PATRIMÔNIO HISTÓRICO - Anna Luiza Fagundes / João Borin
AÇÃO EDUCATIVA - Maria Lúcia Panizza
TEATRO - Claudio de Albuquerque
COMUNICAÇÃO VISUAL - Paula Pestana / João Borin
 
  
PROGRAMAÇÃO:
 
 
VARAL LITERÁRIO
OFICINAS (GRATUITAS):
·          ESTAMPARIA EM TECIDO
·          OFICINA DE EXPRESSÃO: ”Era uma casa...”
·          LITERATURA DE CORDEL
·          PALAVRA CRUZADA
·          DESENHANDO A PRAÇA  (Colaboração: Cecília Celandroni)
 
 
4 de maio - SEXTA-FEIRA
 
 
 
10:00 INÍCIO DAS OFICINAS
12:00 MÚSICA
CLARINA & ODILIES
12:30 TEATRO
CIA NA PONTA DA LÍNGUA
12:45 MÚSICA 
JOÃO CARLOS DE LUCA 
13:25 TEATRO
TRUPE ART NATIVA
13:30 TEATRO
GRUPO MIXÓRDIA
13:50 TEATRO
TRUPE ART NATIVA
14:00 MÚSICA
HELTY GOMES
14:40 TEATRO
TRUPE ART NATIVA

14:50  DANÇA

GRUPO DA 3A IDADE DA ASSOCIAÇÃO NIPO BRASILEIRA DE JUNDIAÍ

Coordenação: Helena Nagayama

15:00  MÚSICA

·          CORAL CRIJU

Centro de Referência do Idoso de Jundiaí

·          CORAL FATI

Faculdade Aberta da Terceira Idade

Regência e arranjos: André Minutti

15:30  DANÇA

Dança Circular (com o público presente)
Focalização: Viviana Mola
15:45  MÚSICA
MATHEUS & GABRIEL
16:15 TEATRO
CIA TÃO DISTANTE (palhaços)
16:20  MÚSICA
BALANÇO DO CHORO
16:50  MÚSICA 
TAMBORES DE INKICE
17:30  MÚSICA

CORAL ASTRA

Regência: Vastí Atique

 

 

5 de maio - SÁBADO
 
 
9:00 MÚSICA
ORQUESTRA DE VIOLEIROS TERRA DA UVA
Direção: Daniel Franciscão

9:20  DANÇA CIGANA

ATELIÊ CASARÃO
9:30  MÚSICA
DANIEL FRANCISCÃO E TRIO

9:50  DANÇA CIGANA

ATELIÊ CASARÃO
10:00 INÍCIO DAS OFICINAS
10:00 - MÚSICA 
BANDA HILL JACK
10:20  TEATRO 
ATELIÊ CASARÃO
10: 35 MÚSICA
ORQUESTRA OFICINA DE CONCERTO
                Direção e Artística e Regência: Sílvia Carla Garcia
10:50 TEATRO
CIA TÃO DISTANTE (palhaços)
11:00 MÚSICA
QUARTETT NOBLE
11:20 - MÚSICA
BRASIL CELTA
11:40 – MÚSICA
CLARINETANDO
11:55 TEATRO
BONECOS
12:10 - MÚSICA
Lucio Gregori, Sonia Cintra, Shirley Espíndola e Fabio Floriano

12:20   MÚSICA

GRUPO DE TAIKÔ DA ASSOCIAÇÃO NIPO BRASILEIRA DE JUNDIAÍ
Coordenador: Marcos Teruo Tanaka
12:30  MÚSICA
TRIO REGRA TRÊS
12:55 TEATRO
CIA TÃO DISTANTE (PALHAÇOS)

13:00  DANÇA

ESCOLA ESPAÇO DO SAPATEADO
Direção: Ana Raquel dos Santos DÀngieri
LA BELLA ARTE
Direção: Lisiane Pandini / Coordenação: Gisele Bianchini
13:30  MÚSICA
CORAL MUNICIPAL DE JUNDIAÍ
Regência: Cláudia de Queiroz
13:50 MÚSICA
CORAL SANTA RITA DE CASSIA
Regência e arranjos: André Minutti
14:15 – CAPOEIRA
GRUPO DE CAPOEIRA NOSSO SENHOR DO BONFIM
              Direção: Mestre Kauê
          ENCERRAMENTO
 
 
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Museu do Trabalho Michel Giacometti

Largo Defensores da República

2900-470 Setúbal - Portugal

265537880

 

 

 

 

http://jornal.netbila.net/index.php?option=com_content&view=article&id=872:balbina-mendes&catid=157:balbina-mendes&Itemid=106

 

 

 

BALBINA MENDES 

 

 

Balbina Mendes nasceu em Malhadas,
concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança. Desde muito cedo dá conta da
sua sensibilidade para a pintura, começando por ser influenciada pelos temas e
pela paisagem que envolve a sua aldeia natal. Assim, as temáticas transmontanas
e durienses foram a sua primeira fonte de inspiração para os quadros que ia
pintando. No Porto, em 1989, mostrou, pela primeira vez, as suas obras numa
exposição conjunta com outros pintores. Animada pela crítica, começou a
desenvolver a sua actividade e criatividade artísticas, pelo que a pintura
passou a ser um dos seus anseios principais. As suas exposições foram
acontecendo carregadas de sucesso.

 

Balbina Mendes, atenta ao seu meio, ao meio que a
viu nascer, não passa indiferente à cultura do seu povo que é rica nas suas
tradições ancestrais. É neste contexto que cresce e aprimora a sua sensibilidade
artística, explorando afincadamente a riqueza dos usos e costumes do nordeste
transmontano. As festas das aldeias, os rituais, os dizeres, as cantigas, os
grupos de rapazes desfilando mascarados pelas ruas das aldeias, e as
tradicionais máscaras transmontanas; têm sido nos últimos anos a sua grande
fonte de inspiração.

É uma dessas máscaras que dá um novo impulso à
sua vontade criadora - o Chocalheiro de Bemposta -, figura ao mesmo tempo
aterradora, bela e misteriosa da freguesia de Bemposta do concelho de Mogadouro.
Esta figura mascarada e a sua admiração pelas máscaras usadas ainda hoje nas
tais festas de rua dos concelhos de Bragança, provocou na pintora a vontade de
pintar uma grande colecção de máscaras. Estas constituem um grande conjunto das
obras mais recentes de Balbina Mendes.

 

 

Trancrito do: NetBila  News

 

 

 



publicado por solpaz às 17:52
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
JOSÉ RENATO NALINI - SEM MEDO DA MORTE

 

                                         

 

 

 

 

 

 

O cristão deveria ser a criatura mais feliz sobre a face da Terra. Se todos os demais humanos não conseguiram contornar o medo da morte, o crente é um afortunado. A base de sua fé está na convicção de que esta vida não é senão passagem. Efêmera para todos, pese embora a sensação de que alguns chegam à ancianidade. Por mais que se esforce, o ser humano é incapaz de ultrapassar os 110 anos.

Quem chega aos 90 já fica feliz, pois muitos contemporâneos já partiram. Com isso se confortam: ficar velho é melhor do que morrer. Desde a mais remota antiguidade, logo após a mitologia ter cedido espaço à razão, preocuparam-se os pensadores com obter explicação satisfatória para esse fenômeno da finitude. Por que se nasce? Qual a missão de cada um neste peregrinar? Por que se precisa morrer? A busca da perenidade não se satisfaz com a resposta laica.

Vive-se na descendência, o que priva aqueles que não geraram filhos de sobreviver. Perpetua-se nas obras realizadas durante este percurso. Esta resposta não é das mais conclusivas. De que vale eternizar-se naquilo que se fez, se a individualidade perece? Já o cristão tem uma solução para o mistério. A humanidade resultou de um ato de amor do Senhor da Razão e de todas as coisas. Pretensioso, o homem quis logo comparar-se a Deus.

Perdeu a situação original de verdadeira bem-aventurança e se viu obrigado a trabalhar para viver, “obter o pão com o suor do rosto” e, para culminar, sentiu o que é a mortalidade. Ofensa a um Deus, só um sacrifício divino para redimir o ofensor. Daí a linda história do Cristo, presente sempre, a iluminar os caminhos desta espécie cada vez mais desalentada, tanta a insensatez que campeia pelo sofrido planeta. O ápice disso tudo é a ressurreição.

Alguém que venceu a morte – já o fizera a ressuscitar seu amigo Lázaro – não é uma pessoa qualquer. Se Ele ressuscitou, eu também posso ressurgir dos mortos. E se não tivesse ressuscitado, “vã seria a minha fé”, como proclamou Paulo. Criatura miserável, o ser humano deixa de levar a sério a mensagem, se desespera, se desalenta, blasfema, esquece-se de sua filiação divina. Pensa em ovos de chocolate em lugar de se entregar ao Cristo Ressuscitado. Na festa mais linda até do que o Natal. Pois sem a ressurreição, qual a razão para se continuar a viver?

 

 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por solpaz às 11:42
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PORTAS E JANELAS ABERTAS

 

                                  

 

 

 

 

Indigno-me e me comovo com certa facilidade. Sou de sentimentos intensos que, às vezes, sangram por dentro. Neste mês de abril, dentre outros acontecimentos, chocou-me a fala do Dr. Marcos Carneiro Lima, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo. Consultado a respeito da proposta da comissão do Senado de reforma do Código Penal, que prevê o fim de punições às cafetinas e cafetões, e sendo favorável à iniciativa, diz ele: “A atuação da prostituta acaba trazendo benefícios à sociedade. Como somos mamíferos e primatas, descarregamos no ato sexual aquela energia que poderia ser canalizada para coisas violentas”. E conclui que a maior parte das casas de prostituição existente hoje no Estado dá pouco trabalho à polícia porque seus donos tentam evitar que as garotas criem problemas.

Que coisa! Primeiro a colocação sobre o ser humano, algo como se um Pit Bull tiver, ao seu lado, uma cadela no cio, não atacará ninguém. Depois, um total desconhecimento sobre o que leva uma mulher pobre a se prostituir como a violência sexual infanto-juvenil, o contato desde menina com a promiscuidade sexual, a miséria, a falta de oportunidades. É raro uma escolha livre de comercialização do próprio corpo. De que forma os rufiões evitam que as garotas criem problemas?! Barateia o custo para o Estado confiná-las sob a exploração de alguém, expostas a situações de vulnerabilidade e violência, do que propiciar condições para que as personagens do submundo ascendam socialmente, recuperem a dignidade. Movimentos de mulheres em situação de prostituição, que se dizem favoráveis a essa proposta, costumam ter uma líder intelectual que, de alguma forma, se beneficiará com a descriminalização dos bordéis. E quem as protegerá, dentro dessas casas, do desrespeito, do constrangimento físico e psíquico, dos insultos, da morte? E quem lhes oferecerá tratamento médico apropriado nas doenças físicas e emocionais? Quem as amparará na decadência?

No lado oposto, emocionei-me com a via-sacra realizada pela Pastoral da Mulher/ Magdala, em nossa cidade, na noite de dois de abril. Tenho a convicção de que há algo nas pegadas das pessoas que permanecem.

As mulheres da pastoral, muitas delas com um tempo de prostituição no centro da cidade, quiseram voltar aos mesmos locais, dispostas a afastar os fantasmas do passado e a exorcizar as lembranças funestas. Colocaram, em cada um desses pontos, através de sua fé, gestos, anúncio do caminho sagrado, orações e cânticos, os santos passos do Senhor. E como as feridas se curam na coragem de pisar no mesmo chão com a alma renovada! Poucas conseguem retornar, de olhos na claridade da cruz, aos lugares em que sofreram muito, em que foram vitimadas pelo preconceito. Raras as pessoas que conseguem colocar a semente da ressurreição nos pontos de suas quedas.

Impressionou-as portas e janelas abertas para observá-las em prece. As lojas, ao término de expediente, que aguardaram que todas passassem para em seguida baixar as portas. As janelas que se abriram no Hospital São Vicente. Os olhares de respeito por elas. As pessoas desconhecidas que cessaram a caminhada para rezar em uma das estações da via-sacra e as que seguiram junto. As que fizeram o sinal da cruz ao constatar que era uma caminhada de amor a Deus. O mendigo alcoolizado que se aproximou em silêncio para rezar. As portas da Catedral abertas pelo Padre José Brombal e o Diácono Boanerges para acolhê-las na bênção final.

Legalizar o procedimento de quem isola as mulheres para explorar o comércio de corpos é rejeitar a honradez das criaturas de Deus; é contrariar a essência do ser humano que encontra a paz, a felicidade e o amor em portas e janelas abertas.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

 

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS. PARTE 7: A LUXÚRIA

 

 

 

 

                A mulher do Roberval, a Salomé, entendia que, na vida, de alguns princípios morais, nunca se podia abrir mão. Ela, por exemplo, era uma pessoa temente a Deus, mãe devotada e esposa fiel. Não podia admitir certas coisas. Quando o filho mais velho pediu para levar a namorada para dormir em casa, ela não apenas proibiu, como se viu obrigada a explicar, uma vez mais, tudo o que um rapaz de família precisava ser. Sem dizer que, se a moça dormisse lá, teria que ser com ela e, jamais, em hipótese alguma, antes do casamento, em qualquer outro lugar fora do alcance dos olhos dela.

                Ela não se conformava como a juventude estava desviada dos caminhos. No tempo dela, quando namorava o Roberval, as coisas não eram desse jeito não. Não tinha essa permissividade moderna. Salomé se lembrava de que o Roberval tinha respeitado todas as regras impostas pelo pai dela. Nunca tinha tentado nada, nunca passara dos limites. Depois de casados, ele também tinha se portado com um cavalheiro, jamais sugerindo ou buscando “novidades”. E assim, ela sabia que estava segura, vivendo dentro da normalidade.

                Todos os dias pela manhã, a Salomé levava o marido para empresa. Ele sempre queria chegar mais cedo do que o sócio, o Roberval. Muitas vezes, quando os meninos demoravam um pouco mais para se arrumarem para escola e ela não conseguia sair no horário planejado pelo marido, as coisas ficavam tensas. Ela gostava de subir com ele até o 10º andar, onde a empresa funcionava e aproveitar para bater um papo com as secretárias, a Vandete e a Glória. Quando as encontrava, usava a oportunidade para dizer a elas que deviam se guardar para o casamento e não ficar por aí, namorando um e outro, sem compromisso. Ainda que percebesse que não era levada a sério, não podia deixá-las no caminho da luxúria, da perdição.

                Em uma dessas manhãs, a Salomé conheceu o André, o Office boy da empresa.  Assim que ele entrou na sala, com os cabelos escuros e grossos, molhados, de calça jeans e camiseta branca, foi impossível não sentir o perfume que exalava dele, de todo ele. Por alguns momentos, ela se perdeu naquela visão e sentiu um calor que, vindo dos pés, atravessou todo seu corpo. Ela se sentiu incendiar, literalmente. Com a visão meio turva, enfumaçada pelas chamas que a consumiram, Salomé teve uma espécie de mal-estar e sentiu que o chão aos poucos ia desaparecendo.

                Quando abriu os olhos novamente, estava rodeada pela Vandete e pela Glória, que, assustadas, não paravam de perguntar se ela estava bem. Demorou alguns minutos para se dar conta de que estava amparada pelos braços do André. Estremeceu quando uma gota d’água, vinda dos cabelos dele caiu e rolou por todo seu rosto. Tudo o que ela conseguia pensar é que deveria estar perdendo o juízo. Ela era uma mulher de família, uma mãe! Não podia ter esse tipo de pensamento, não do tipo que estava invadindo a mente dela.

                Como quem acorda de um transe, ela se aprumou, agradeceu polidamente ao rapaz e correu para casa, para um longo banho. Ela tinha que tirar aquilo tudo da cabeça. Eram pensamentos para moças fúteis como a Vandete e a Glória, gente que vivia de luxúria, de ideias pequenas e mundanas. No banho, queria que água quente lavasse a alma dela e não o corpo.

                Assim que o Roberval chegou, foi esperá-lo na porta, abraçando-o como de costume. Inspirou fundo e ficou tranquila por dele não exalar nada parecido com o que o André era e cheirava. Com o coração mais calmo, tratou de fazer as suas orações ao dormir. Sonhou, contudo, com o André e desse sonho jamais seria capaz de esquecer, embora nunca fosse se permitir, conscientemente, lembrar. Acordou encharcada em suor. Nem conseguia olhar para a cara do Roberval. Não para aquela cara sem sal ou açúcar.

                Dessa vez tomou um banho de água fria, gelada. Arrumou-se como nunca e, quando se deu conta, estava indo com o Roberval para a empresa, com o coração aos pulos. Ela sabia o tipo de mulher que era. Conhecia sua moral, seu valor. Iria até lá apenas para alertar as secretárias de que alguns sentimentos podem ser devastadores para mentes simplórias e corações sem fé. Provavelmente ela não encontraria o André, o que era bom. Contudo, se assim o fosse, ela poderia, ter certeza de que tudo não passara de uma tentação, de um incidente infeliz.

                Deixou o Roberval na sala dele e, não encontrando as secretárias, mas somente a pedante da Supervisora delas, resolveu sair logo de lá e se dirigiu ao elevador. Assim que a porta se abriu, lá estava o André. Antes da visão, ela o sentiu pelo olfato. Com as pernas bambas, deixou a porta se fechar atrás de ambos e começou a rezar...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS ( cont.)

 

      

 

 

 

 

 

 

35 - O homem verdadeiramente inteligente é aquele que ouve de toda a gente conselhos e opiniões, mas acaba por seguir a sua.

 

36 - “ Aquilo que retemos indevidamente na nossa posse, toda a vida chora pelo dono”.

 

“Meu Deus, Eu sei que, com o que me deste até agora, Tu já me consideras um homem rico. Por isso nada Te peço de valores como prémios de totoloto, totobola, lotaria, heranças, fortunas, faustos e grandezas. Mas, meu Deus, há uma coisa que eu Te peço: que não me retires nada daquilo que até agora me tens dado. Dessa maneira, já me estás a dar muito e até eu me sinto extraordinariamente rico. Não preciso de mais”.

 

Estes pensamentos não são my own – são de um amigo meu, António Dias Salgueiro, aqui registados em sua memória e em comovida homenagem. Deus fez-lhe sempre a vontade, até ao dia em que lhe roubou a saúde, para depois lhe roubar a vida. Partiu aos 93 anos. Deus chamou-o para o enriquecer mais.

 

37 - Quando um homem vai acompanhado de uma mulher e se cruza com outra mulher que a fita com demasiada atenção e persistência, é sinal de que essa mulher a odeia por ir acompanhada daquele homem.

 

38 - O que não pode ou não deve ser continuado, nem sequer deve ser começado, ainda que se tenha de andar sempre ougado.

 

39 - O realizador de filmes com animais, ainda que sejam dinossáurios, não consegue fugir à humanização das figuras, quanto mais não seja pela fala e por manifestação de sentimentos; em contrapartida, os homens que nos filmes lutam ou perseguem animais, têm muito de animalesco estampado no rosto.

 

40 - Sou de opinião que o povo português, talvez mais que os outros europeus, é um povo sem rituais. Reza pouco, pois isso já exige um mínimo de ritual, pelo menos de vez em quando, sobretudo na Missa. Tomar uma refeição, um chá, um café, à pressa, de pé, sem companhia, sem concentração espiritual, sem toalhas e sem as louças apropriadas, é coisa que se aproxima muito da vida meramente vegetativa ou até da irracionalidade. Não há ritual a iniciar as refeições, a terminar as refeições, ao deitar e ao levantar, não há ritual nas reuniões de família e nas reuniões de trabalho. E é pena, porque os rituais desenvolvem a espiritualidade e dela se alimentam. A oração, por seu lado, será mais perfeita se for feita, não de qualquer maneira, mas com um certo ritual. A nós, ocidentais, pode parecer ridículo e nada necessário o ritual que os chineses têm a tomar chá; pode-nos parecer ridículo que os japoneses tenham o seu ritual nos próprios combates marciais, este último de feição pagã. Provam com isso que têm uma civilização de maior espiritualidade que a nossa. Dantes, talvez há 80 anos, qualquer coisa esquisita, pouco ou nada conforme os nossos hábitos e mentalidade, era uma chinesice ou uma americanice. Mas a verdade é que eles, com chinesices e americanices, são hoje dois povos dos mais avançados do mundo, cada qual à sua maneira. Esperemos que a civilização oriental dos chineses com a sua espiritualidade, não venha a subverter a civilização ocidental, exactamente por esta só ter materialidade.

 

41 - O suicídio é um voluntário adeus ao mundo, em que se quer que o mundo nos diga não voluntariamente adeus. É o mal de quem, fazendo contas à vida, não sabe Cálculo das Probabilidades: em vez de achar probabilidade igual a 1 (certeza), errando os cálculos achou probabilidade igual a zero (impossibilidade).

 

42 - O Mistério da Encarnação encerra dois mistérios que se sobrepõem: o nascimento de um ser humano sem intervenção de um pai biológico e o facto de esse ser humano não vir procurar o seu bem nem um estatuto superior na escala social.

 

43 - O Muro de Berlim foi um muro de ossos em carne viva, construído com as vítimas do holocausto.

 

44 - Dizia-se nos provérbios antigos que “ quatro coisas quer o amo ao criado que o serve: deitar tarde, levantar cedo, comer pouco e ser alegre” – dito que era muito apropriado ao meio rural, e que agora, mutatis mutandis, ainda pode ter muita aplicação. De maneira semelhante, há quatro coisas que Deus quer que nós façamos para sermos benquistos perante Ele, tal como o criado queria ser benquisto do seu patrão: dar, trabalhar, sofrer e rezar. Mas há uma grande diferença: enquanto o patrão gostava ou gosta que o seu criado desse nas vistas dele e de toda a gente, Deus quer que essas quatro coisas sejam feitas sem dar nas vistas de todos, para que sejam vistas só por Ele.

 

45 - Senhor, que tal se, como em certas leis físicas, o clamor e o valor das nossas orações subirem em progressão geométrica, enquanto o número dos vossos eleitos subirem apenas em progressão aritmética? Não olhes os nossos pecados mas a fé da vossa Igreja.

 

46 - Os homossexuais querem ser pais dos filhos dos outros, adoptando crianças. Na verdade dois homens ou duas mulheres nunca poderão substituir um pai e uma mãe, adoptivos que sejam. Sabemos que mesmo entre as mulheres nem todas têm sentimentos de amor e de dedicação, para substituírem a mãe verdadeira. Um “casal” homossexual nunca poderá atender verdadeiramente à educação psicológica e afectiva duma criança, que mais tarde, por não ter as mesmas tendências dos seus “pais” adoptivos, pode ficar traumatizada por ter sido criada numa união que pode ser-lhe repulsiva. O direito de adoptar crianças como qualquer heterossexual, especialmente por dois homens homossexuais, é um direito de que muito poucos pensam usufruir, e a exigência desse direito só se compreende como requinte, sensação de vitória plena e talvez trocista sob a capa de perfeita igualdade.

 

47 - Só os espíritos frágeis e abonecados é que se apaixonam por alguém. Mas não será virtude ser-se espírito frágil e abonecado?

 

48 - Cristo era um homem libérrimo. Não tinha medo nem da fome, nem da morte, nem da guerra, nem das bocas do mundo, nem dos cavalos das hordas romanas. Só fazia a barba quando tinha compromissos sociais, o que nunca aconteceu, para além das bodas de Caná. As parábolas de Cristo são hipérboles, e não tinha medo das incompreensões, nem do ridículo de pertencer à juventude rebelde. Aliás, tudo nele era exagero e excêntrico, até na sua bela cabeleira. Até apetecia ir comprar um cometa para se ter uma cabeleira assim!

 

49 - Tenho verificado que quanto menos pedimos, menos nos querem dar. Por isso, no exigir, não no pedir ou poupar, é que está o ganho. Quem não chora (quem não exige), não mama (não obtém).

 

50 - Ó Deus! Que eu não queira aquilo que eu queria, por ser de Teu querer que eu não queira. Que eu aceite o que Tu queres, não o que eu queria, por ser de Teu querer que eu não queira.

 

 

LAURENTINO SABROSA   - Economista -    Senhora da Hora, Portugal.

laurindo.barbosa@gmail.com

 

                                                                             



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