Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
RENATA IACOVINO - APLAUSOS AO HINO NACIONAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aplaudir ou não aplaudir?

Eis uma pergunta que muitos de nós já nos fizemos: se é correto aplaudir após a audição do Hino Nacional Brasileiro.

Se aplauso é aclamação, louvor, elogio, por que será que carregamos a tradição de que é “proibido” aplaudi-lo?

A Lei Federal nº5700 de 1º de setembro de 1971, que dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais, nos diz em seu Capítulo V-Do respeito devido à Bandeira Nacional e ao Hino Nacional, Art. 30, Parágrafo único: “É vedada qualquer outra forma de saudação.” Isto porque o referido artigo menciona que “todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio(...)”.

Explicitamente, não há nenhuma referência taxativa a tal proibição.

Segundo nos ensina Carlos Takahashi, especialista em cerimoniais públicos, em seu livro Os 3 B’s do Cerimonial, “A lei não menciona expressamente a proibição aos aplausos após a execução do Hino Nacional. Entretanto, o legislador da época (anos 70) tinha essa pretensão ao introduzir o parágrafo único proibindo qualquer outra forma de saudação que não fosse a atitude de respeito, de pé e em silêncio, além da cabeça descoberta aos homens. Durante anos se manteve a ideia de que seriam proibidos aplausos após o Hino Nacional. O Mestre de Cerimônias ou quem presidir a solenidade pode solicitar aplausos ao intérprete ou coral que entoa o Hino Nacional ou à orquestra ou à banda que o executa. Atualmente, o Hino Nacional é entoado ou executado em quase todas as atividades públicas, oficiais ou não, e é atitude espontânea do público aplaudir no seu encerramento com entusiasmo e alegria. Nesse momento, não é aconselhável reprimir essa manifestação, mas seguir o bom senso agradecendo a todos pela entoação.”

Desta forma, temos desmistificada a questão dos aplausos. Segundo Takahashi, quando de seu curso Introdução às Normas do Cerimonial Público Brasileiro, esse artigo da lei procurou proteger as solenidades à época (regime militar) de costumeiras manifestações da oposição quando da execução do Hino Nacional.

Também é orientação do Comitê Nacional do Cerimonial Público, que somente nos casos de hasteamento ou arriamento da Bandeira o público deverá estar voltado a ela durante a execução do Hino Nacional. Em qualquer outro caso, o público deve estar voltado às autoridades e estas ao público.

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por solpaz às 13:17
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SILÊNCIO

 

 

 

 

 

 

 

            Sou, por definição, uma pessoa barulhenta. Já me disseram, muitas vezes, que, de longe, sabem quando estou me aproximando. Tenho alguns hábitos ruins, os quais nunca pratiquei por maldade, mas talvez por essência. Falo alto, gesticulo, dou gargalhadas, canto sempre que posso e, não raro, falo sozinha.

            Muito já ouvi, por outro lado, que o tempo muda as pessoas. Ultimamente, tenho preferido certa dose de silêncio. Acho que tenho preferido passar de fininho ao invés de me anunciar a plenos pulmões. Tenho crido que prego que se levanta leva mais marteladas e, assim, melhor manter certa reserva, certo distanciamento.

            Ultimamente, tenho refletido sobre o valor do silêncio. Há muito, aliás, já acredito que, se não tenho nada útil a dizer, melhor ficar quieta. Jamais quis ser aquele tipo de gente que diz tudo que passa pela cabeça, ainda que seja uma idiotice ou uma ofensa. Penso que muitas dores e brigas poderiam ser evitadas se as pessoas pensassem um pouco antes de dizer tudo o que pensam. Nesse sentido, abençoado o Criador que não nos permite o dom de ler pensamentos...

            O silêncio é como aquelas substâncias que podem ser venenos ou remédios, conforme a dose administrada. Por vezes, em excesso, causa muitos estragos. É quando contamos com aquela voz amiga que não vem, quando esperamos inutilmente o consolo que não chega ou aquela palavra que nunca é dita. Esse tipo de silêncio eu não me permito. Posso errar de muitas formas, mas não quero que seja por omissão. Até onde me consta, estou sempre à disposição daqueles que de mim esperam alguma ajuda, algum apoio. Não porque eu me pretenda alguém especialmente boa, nada disso. Apenas me policio para tentar não falhar com quem eu posso ajudar, só isso...

            Outras vezes, como diz uma frase popular “O silêncio é de ouro”. Há momentos nos quais só o silêncio se faz entender, em que o nada dizer representa muito mais do que qualquer palavra ou gesto. Noutros casos, o silêncio é a pausa que permite a continuidade, que evita a mágoa, que dá asas à contemplação, à reflexão. Não me arrependo das vezes nas quais me calei para não dizer coisas das quais poderia me arrepender. É nesse sentido que hoje me pretendo mais comedida. Tantas vezes, por outro lado, desejei que as pessoas nada tivessem dito. O silêncio, assim, também é uma das facetas do amor.

            Na música, o silêncio, a pausa, representa uma ausência musical, tem um significado próprio, indizível, mas que é sentido plenamente. Ainda que, em nossas mentes, ao menos enquanto estamos vivos, nunca haja o silêncio absoluto, com ecos que nos perseguem mesmo em sonho, que nossos lábios saibam que, às vezes, é melhor silenciar. Um beijo, por acaso, umas das mais sublimes expressões do gostar, só se concretiza quando as pessoas se calam, num silêncio único e divino...

            Ademais, já diz o ditado que, quem fala demais dá bom dia a cavalo. Por sorte, o bicho cavalo não responde e, se o faz, é porque veio ao mundo em forma de gente.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - UM REIZINHO DE VERDADE

 

 

          

 

 

 

 

 

Parte do povo vive em situação de pobreza. Parece-me que a pobreza é tanta, ainda na infância, que, anos mais tarde, a pessoa não consegue reagir e se entrega a uma dependência resignada em nada ter. Talvez seja o constatar que, por seus limites de formação educacional ou técnica, por seu endereço, pelos fantasmas das dependências químicas e do ilícito que a cercam, a chance de se elevar não chega ao primeiro degrau de uma escada que ultrapassa fronteiras. Existe, também, um amortecer interno que amarra os passos. E romper as barreiras da sociedade do lucro, onde raros são sensíveis à fome, ao frio, ao desamparo, à ignorância, ao direito de acesso às necessidades básicas, não é fácil. Romper barreiras, sem vagas de oportunidade, estanca a respiração.

Comovo-me com os despossuídos, principalmente com aquelas e aqueles que carregam olhos fortes de anseio por algo que lhes falta, sem abrir mão da meiguice; sem se entregar aos desatinos. Numa tarde apenas, de chuva e frio, deparei-me com vidas sem recursos materiais, mas de doçura na face. Uma estava preocupada, porque o filho, de oito anos, quebrara a única cópia da chave na porta de entrada da casa. Vivem com os pais dela. E como fariam no retorno do menino da escola, se não houvesse ninguém lá? Os três reais para nova cópia de chave seria possível no final do mês, ao receber o pagamento da firma onde trabalha na faxina. A outra comentou sobre a noite anterior. São em quatro: ela, o marido e dois filhos. Possuem apenas dois cobertores ralos que usam para os meninos. Não foram suficientes. Encolhidos, enregelados, tremiam. Resolveram a situação estendendo, entre o lençol e a coberta, algumas roupas. Um pouco depois, questionei a moça de sandália de dedo, que acabara de chegar, se a baixa temperatura e as águas da chuva não lhe fariam mal. Melhor seria estar com um calçado que protegesse os pés. Respondeu-me que dispunha de dois pares, o chinelo que usava no cotidiano e uma sandália, com salto, para ir à cidade. Se colocasse meia, o pé não se adaptaria ao chinelo. Ao final da tarde, aconselhei ao menino de sete anos, de calça e camiseta curtas, que tomasse um banho quente para espantar a friagem. Seria possível no dia seguinte. Onde mora não há banheiro. A vizinha permite o banho das 05h00 às 9h00, antes de sair para o trabalho. Retorna por volta das 23h00.

Envergonhei-me: do cuidado em adquirir chaveiros bonitos para as minhas chaves; do mau humor ao levantar à noite, quando o frio cresce, com o propósito de pegar mais uma coberta; de reclamar comigo se os sapatos que tenho não combinam com a roupa que irei usar; dos resmungos quando a água do chuveiro não esquenta na proporção da atmosfera fria. Como me falta, pela caridade, abrir mão do excedente e ficar com o essencial. Não se expuseram com tom de fracasso, não me pediram nada, não murmuraram. Procurei, contudo, resolver de imediato algumas circunstâncias e propor, a cada um, caminhos de superação com vitórias pessoais.

No dia seguinte, uma menina de sete anos me mostrou o cartão que confeccionara para a mãe. Na cartolina rosa, havia corações por ela desenhados e as figuras da mãe, dela e a do irmão de oito com uma coroa na cabeça. Ele cuida dela. Ajuda nos deveres, vão juntos à escola, insiste que ela pegue o agasalho, aponta os lápis... Interfere para que ela não sofra. O irmão ajuda a varrer a casa, arrumar a cozinha... É o seu reizinho. Quem é rei de verdade, defende das assombrações e merece fé.

Concluo que se todas as crianças se fizerem e forem vistas como nobres e assim de fato tratadas na família, na escola, no bairro, na cidade, com chances semelhantes, em um futuro muito próximo, a miséria será um termo arcaico e meninas e meninos, homens e mulheres habitarão e reinarão no mundo com a dignidade que Deus sonhou e sonha para todas as suas criaturas.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí



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FILIPE AQUINO - UMA AMIZADEB SÓ É VERDADEIRA SE BASEADA NA FIDELIDADE

 

 

 

            

 

 

 

 

 

Não preciso falar aqui da importânica de cultivar as boas amizades para ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão.”

A verdadeira amizade nos socorre quando menos esperamos! Podemos esquecer aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esqueceremos daqueles com quem choramos. Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre.

Na prosperidade, os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade, apresentam-se espontaneamente. A fortuna faz amigos. A desgraça prova se eles existem de fato. É preciso saber fazer e cultivar amizades. Isso depende de cada um de nós; antes de tudo, do nosso desprendimento e fidelidade ao outro. Para conquistar um amigo é preciso criar um “deserto” dentro de si, aceitando que o outro venha ocupá-lo.

Acolher o amigo é, em primeiro lugar, ouvi-lo. Alguns morrem sem nunca ter encontrado alguém que lhes tenha prestado a homenagem de calar-se totalmente para ouvi-los. São poucos os que sabem ouvir, porque poucos estão vazios de si mesmos, e o seu “eu” faz muito barulho. Se você souber ouvir, muitos virão lhe fazer confidências.

Muitas pessoas se queixam da falta de amigos, mas poucos se preocupam em realizar em si as qualidades próprias para conquistar amizades e conservá-las.

Se você quiser ser agradável às pessoas, fale a elas daquilo que lhes interessa e não daquilo que interessa a você. A amizade é alimentada pelo diálogo; que é uma troca de ideias em busca da verdade; muito diferente da discussão, que é uma luta entre dois, na qual cada um defende a sua opinião.

A verdadeira amizade não pode ser alimentada pela discussão, somente pelo diálogo.

Em vez de demonstrar exaustivamente que o amigo está errado, ajude-o a descobrir a verdade por si mesmo; isso é muito mais nobre e pedagógico.

Se você quiser agir sobre seu amigo, de verdade, para que ele mude, comece por amá-lo sincera e desinteressadamente.
A amizade também exige que se corrija o amigo que erra; mas devemos censurar os amigos na intimidade; e elogiá-los em público. Nada é tão nocivo a uma amizade como a crítica ao amigo na frente de outras pessoas; isso humilha e destrói a confiança. Nunca desista de ajudar o amigo a vencer uma batalha; não há nem haverá alguém que tenha caído tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso socorro.

Uma amizade só é verdadeira e duradoura se é baseada na fidelidade. Cuidado, pois para magoar alguém são necessários um inimigo e um amigo: o inimigo para caluniar e um “amigo” para transmitir a calúnia.

 

 

 

FILIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - RESPEITO IRRESTRITO À DIGNIDADE. O DIREITO SÓ SE JUSTIFICA EM FUNÇÃO DO SER HUMANO.

 

 

 

                                                        

 

 

 

 

 O significado de dignidade humana se relaciona ao respeito irrestrito às pessoas e o objeto de sua proteção se estende a todos os indivíduos, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’.

 

O Estado Democrático de Direito é aquele cujo regime jurídico autolimita o poder do Estado ao cumprimento das leis que a todos subordinam, permitindo ao povo (governados) uma efetiva participação no processo de formação da vontade pública (governo). Por isso, dispõe a Constituição: “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Ele é adotado em nosso país e consagrado na Constituição brasileira, que também indica quais são os seus fundamentos: soberania (poder máximo de que está dotado o Estado para fazer valer sas decisões e autoridade dentro de seu território;  cidadania (qualidade do cidadão caracterizada pelo livre exercício dos direitos e deveres políticos e civis); dignidade da pessoa humana;  os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e  pluralismo político (existência de mais de um partido ou associação disputando o poder político).

Os direitos humanos são aspirações elementares à dignidade humana, um dos fundamentos do regime consolidado no Brasil, razão pela qual a doutrina entende que as suas normas são materialmente constitucionais, eis que se incluem no conteúdo básico referente à composição e ao funcionamento da ordem política. Nessa trilha, invoquemos o prof. Dalmo de Abreu Dallari: “As finalidades mais importantes da Constituição consistem na proteção e promoção da dignidade humana. Por esse motivo, não é uma verdadeira Constituição uma lei que tenha o nome de Constituição, mas que apenas imponha regras de comportamento, estabelecendo uma ordem arbitrária que não protege integralmente a dignidade de todos os indivíduos e que não favorece sua promoção” (“Constituição e Constituinte”, p.24, São Paulo: Saraiva)

A dignidade se revela assim como princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca um meio e situa as pessoas no vértice de todo o ordenamento jurídico, pois o direito só se justifica em função do ser humano. O seu significado se relaciona ao respeito irrestrito às pessoas e o objeto de sua proteção se estende a todos os indivíduos, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’. Ressalte-se interessante manifestação de Alexandre Morais: “A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos” (“Constituição do Brasil Interpretada”, São Paulo: Atlas, 2002, p.129).

            O recente processo de reintegração de posse de Pinheirinho, cuja violência policial foi destacada pela imprensa de todo o mundo, violou os direitos humanos. “Seria necessário suspender o cerco policial e formar uma comissão independente para negociar uma solução para as famílias”. Essa opinião foi da relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, 55, que enviou um Apelo urgente às autoridades brasileiras pedindo explicações sobre o caso. Em entrevista à Folha de São Paulo, indagada se a questão social no Brasil ainda é um caso de policia, declarou: “Estamos indo para trás. Lutamos pelo Estado democrático de direito, pela igualdade do tratamento do cidadão. A Constituição reconheceu o direito de ocupantes da terra. Agora que o Brasil está virando gente grande do ponto de vista econômico, estamos voltando para trás nesses direitos. A pauta da inclusão social virou sinônimo da inclusão no mercado, via melhoria das condições de renda” (27/01/2012- C8).

Vale reiterar que o amadurecimento institucional do Estado de Direito, principalmente em nosso país, requer desenvolvimento cultural e educacional, fortalecimento da cidadania com a inclusão dos excluídos (e.g. reforma agrária, habitação social, saneamento, saúde) e exige um grande esforço de restauração do respeito à lei, com provimento eficiente de justiça e segurança pública.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



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LAURENTINO SABROSA - O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E ALGUMAS DIVAGAÇÕES A PROPÓSITO

 

 

                                                                

 

 

 

 

 

 

Dois leitores perguntaram-me qual era a minha opinião sobre o Acordo Ortográfico, estranhando que, até agora, eu nada tenha dito sobre um assunto tão importante. O facto de sempre ter escrito sem respeitar esse Acordo, ao contrário do que já se faz em quase todos os jornais e em toda a TV portuguesa, com uma pressa que se pode considerar abusiva, já é revelador da minha opinião – não sou nada apologista desse tal Acordo. Sinto-me feliz por não ser obrigado a aplicá-lo nem estar na obrigatoriedade de o ensinar.

Entendo que esse Acordo não corresponde à necessidade de aperfeiçoar a nossa língua, e que, num eventual acordo, quaisquer normas só serão legítimas se forem a ratificação do que já está consagrado pela espontânea evolução popular. Sempre se tem dito que O POVO É QUE FAZ A LÍNGUA, mas os diversos acordos ortográficos, feitos por intelectuais que, em algures, disseram isso mesmo, querem que a língua seja fixada por decretos. Isso deve ser uma das causas por que os vários acordos têm uma já longa história trágico-cómica. Convém saber que:

1º.– A primeira grande reforma ortográfica ocorreu em 1911, oficializada por decreto de 1 de Setembro. Foi estudada pelas principais sumidades da época, como Adolfo Coelho, Cândido de Figueiredo, Gonçalves Viana, Carolina Michaëlis e seu marido Leite de Vasconcelos. Esta reforma foi feita por nós, portugueses, como legítimos proprietários da língua. Não foi feita para agradar a ninguém. Em 1915 a Academia Brasileira de Letras aderiu a este acordo, mas em 1919 essa adesão foi revogada! 

2º. – Para contemporizar as coisas, lá foi tentado o acordo do Brasil, até que em 1931 foi conseguido o primeiro Acordo Ortográfico entre os dois países, mas esse acordo nunca foi posto em prática! Vigorou apenas no Brasil.

3º. – Em 1945 entrou em vigor um novo Acordo Ortográfico, com as normas que para já ainda estão em vigor entre nós, mas na verdade o Acordo não chegou a ser Acordo, porque nunca foi ratificado pelo Brasil!

4º. – Trinta anos depois, em seguimento de tentativas de aproximação da ortografia brasileira à ortografia portuguesa e da ortografia portuguesa à brasileira, foi elaborado novo projecto de acordo entre as duas Academias, que não foi aprovado oficialmente!  

5º. – Depois de muitas conversações culturais e memorandos entre as duas Academias, lá se chegou a este NOVO ACORDO, assinado em Lisboa em 16 de Novembro de 1990. Parece ter sido feito para “agradar a gregos e a troianos”, donde resultou que o Brasil foi politicamente o grande vitorioso. Foi aprovado por resolução da Assembleia da República em 4 de Junho de 1991, para entrar em vigor em 1 de Janeiro de 1994, “após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados (além de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, e São Tomé e Príncipe) junto do Governo da República Portuguesa”. Ora, acontece que (tanto quanto sei) isso ainda só foi feito por Portugal, Brasil e Cabo Verde. Por isso, já começaram as complicações. Assim, foi celebrado um Protocolo Modificativo, que eliminou as principais datas: a de entrada em vigor do Acordo, e a que tinha sido estabelecida para a publicação em cada país de um vocabulário comum da Língua Portuguesa. Como parece que há um excepcional interesse em ver este Acordo oficializado e cumprido, foi celebrado um Segundo Protocolo Modificativo, onde se estabelece que basta a ratificação por parte de três países para que ele entre em vigor! Este “segundo protocolo” foi aprovado em Maio de 2008 pela Assembleia da República, ano em que o Presidente da República também promulgou o Acordo. Nesse ano de 2008 foi estabelecido pelo Governo um prazo de seis anos para a plena entrada em vigor, pelo que, verdadeiramente, o Acordo só será “obrigatório” em 2014.

O que foi exposto, mais pormenor menos pormenor, é um resumo da odisseia que rodeia este assunto. É certo que a estrutura da nossa língua exige algumas normas ortográficas e de acentuação, para que haja uma língua-padrão, que seja de uso e orgulho dos lusitanos e base para os africanos e brasileiros que queiram ter o orgulho de ter como sua língua a língua portuguesa. É uma tarefa extraordinariamente difícil, que exige muita sensatez e subordinada a muitos limites. Veremos porquê.

                                                                                                                 laurindo.barbosa@gmail.com 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    -    Senhora da Hora, Portugal.

 



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e O DOCE GOSTO DA FÉ CATÓLICA

 

 

 

 

* H I S T Ó R I A

 

 

Dois amigos cristãos morreram no mesmo dia e chegaram juntos ao Céu. Um deles era um motorista de táxi desastrado que corria feito um louco e vivia causando acidentes. Ele foi, então, conduzido por um anjo a uma morada belíssima no Paraíso. O outro era um grande orador que pregava paz e bem a todos os lugares que freqüentava, mas, surpreendentemente, ganhou uma pequena e simples habitação no Céu.

Inconformado, o pregador foi reclamar com São Pedro, assim:

– Eu passei a vida falando de amor entre os povos e recebi uma recompensa pior do que aquele motorista barbeiro? Ele colocava a vida das pessoas em risco, inclusive, eu morri dentro do seu táxi no acidente de ontem!

– Pois é – disse São Pedro –, o resultado de evangelização no trabalho dele foi melhor do que o seu!

– Mas, como? Isso é um absurdo! – falou o homem.

E logo veio a resposta do santo:

– Veja, enquanto você pregava, muitos dormiam; e enquanto ele transportava perigosamente as pessoas, todos rezavam!

É claro que isso é só uma piada, mas muitos vêem apenas o resultado do nosso trabalho e não os meios que usamos para alcançá-lo, não é mesmo?

Jesus disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”, portanto, o tempo da nossa permanência aqui na Terra a Ele pertence. E ‘vida em abundância’ não significa somente ter saúde física, mas, principalmente, ter Deus no coração.

Não se esqueça de cumprir o seu papel de cristão fiel todos os dias para que o resultado disso lhe dê paz e prosperidade completa.

 

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

 

 

           O DOCE GOSTO DA FÉ CATÓLICA

 

Eu respeito todas as crenças e jamais falaria mal de alguma sem conhecê-la, mas posso comentar de cadeira a fé católica porque a pratico diariamente. Aconselho isto a todos que conheço: ‘Se querem viver em paz e se salvar, sigam os Mandamentos de Deus, rezem para Nossa Senhora, participem da Eucaristia e aceitem as orientações do Papa’. Quem fizer isso, com certeza absoluta, não poderia agradar mais a Jesus em nenhum outro lugar.

 

Sei que há meninas que dizem não ter tempo para ir à igreja, mas passam a madrugada em frente ao prédio do seu ídolo, esperando ele abanar da janela! Outras escrevem bilhetes com dois quilômetros de comprimento ao namorado: ‘te amo, te amo, te amo...’, mas são incapazes de rezar um terço! Enquanto enamoradas, fazem qualquer coisa por um homem, mas será que fariam o mesmo pelo pai, pelo irmão ou pelo marido? Passariam em claro tantas noites e se dedicariam dessa maneira? Talvez mal saibam que, em caso de doença, basta rezar uma Ave-Maria com fé e aguardar a Mãe-Medianeira conseguir a graça que precisam.

 

A oração da Ave-Maria nasceu da Bíblia (Lc 1, 28 e 42) e do povo. Não é à toa que a Virgem Maria é a Padroeira do Brasil, com o nome de Nossa Senhora Aparecida: sua imagem é feita de barro, é pequena e humilde, porque abençoa a classe mais simples da nação: os sofredores e os pobres – todos se sentem representados na imagem.

 

Foi esse povo que colocou nela o manto azul, como presente. Ele é todo ornamentado e muito bonito, porque todos gostam muito de Nossa Senhora. Milhões de pessoas fazem romaria a Aparecida todos os anos, agradecendo as graças, carregando o andor e cantando ‘Ave-Maria’. Por que agem assim? Porque em Maria, o povo vê realizado o ideal que alimenta há muitos séculos: a liberdade dos filhos de Deus.

 

E por amá-la tanto é que continuamos inventando nomes carinhosos a ela. Minha devoção e paixão pela Mãezinha querida fazem com que eu tenha, só no meu quarto, as imagens de Nossa Senhora: Aparecida, das Graças, de Fátima, Desatadora dos Nós, do Sagrado Coração e da Soledade. Com devoção a ela, compus a letra de uma música, que diz assim:

 

“Virgem Santa, medianeira dos favores do Senhor, / me acompanhe na alegria, alivie a minha dor. / Nos caminhos tortuosos, me segure pela mão; / nos momentos gloriosos, seu é o meu coração. / Mãe das Graças, da Agonia, do Sagrado Coração, / Soledade, Aparecida, do Socorro, a mesma são.”

 

Graças a Deus, minha família tem essa forte devoção: dormimos e acordamos com Maria no coração. Mas, a vida das pessoas às vezes é outra: uns se matam, outros se ajudam; poucos rezam e muitos se perdem; novas promessas de salvação aparecem e alguns acreditam. Enquanto isso, continuo rezando e dizendo que quem praticar os ensinamentos da Igreja Católica entrará no Céu.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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FRANCISCO VIANNA - ESTÁ NAS MÃOS DA ALEMANHA O FUTURO DA UNIÃO EUROPEIA

 

 

                                                     

 

 

 

 

 

 

Você daria seu aval para pessoas que estão habituadas a viver de dinheiro emprestado, e que chegam ao ponto de pedir emprestado para pagar dívidas vencidas? Eu, pelo menos, não. Mas é isso que o resto da Europa está pedindo para que a Alemanha faça.

A hipótese dos “eurobonds” (títulos sobre a dívida da União Europeia, que não existe ainda como país, mas apenas como bloco comercial e econômico) cada vez mais está sendo apontada como a melhor solução no longo prazo para a crise financeira na Europa. Tais títulos representariam a assunção conjunta das dívidas de todos os 17 países membros da ‘eurozona', como se fossem da dívida de um só país, que ainda não existe. Tal dívida seria também garantida por todas as nações da zona do euro, o que permitiria que todos esses países desfrutassem o mesmo status creditício que goza a Alemanha, e os custos de empréstimos para países como Grécia, Portugal, Itália e Espanha despencassem. Mas os custos de empréstimos para a Alemanha subiriam substancialmente. Como diria o carioca: “É ruim, hein?”

Isto, na verdade, significaria, segundo recentes estimativas do Banco Central Alemão, que a Alemanha teria que arcar com um custo extra de 50 bilhões de euros ao ano em despesas com juros e ‘spreads'. Assim, numa década, tal custo totalizaria algo em torno de 500 bilhões de euros. Não é preciso dizer que os alemães não estão nem um pouco entusiasmados com tal ideia.

Mas o novo presidente francês, o socialista François Hollande, está defendendo à velas desfraldadas os ‘eurobonds', e ele tem o apoio da OECD, do FMI e de muitos dos principais políticos italianos. No final das contas, isto pode ser a chave para o futuro da União Europeia e da zona do euro. Caso os alemães concordarem e decidirem que estão dispostos a subsidiar profundamente seus perdulários vizinhos indefinidamente, então o euro poderá ser salvo. Caso contrário, tal assunto poderá determinar o fim da União Europeia, do euro e fragmentar a Europa como antes, não sem levar um grande número de seus componentes ao empobrecimento demorado e de difícil recuperação.

É fácil pintar a Alemanha como a vilã dessa estória, mas tente se colocar no lugar dela por um minuto. Se você tivesse uns parentes, ou mesmo uns amigos, vivendo de forma perdulária e gastando aos borbotões à custa de dinheiro de crédito e já estivessem devendo ao cartão de crédito cem mil reais ou algo por aí, você lhes daria o seu aval para conseguir novos cartões? Claro que não, pois ninguém é maluco de fazer isso. Afinal, amigos, amigos, negócios à parte...

Mas as recentes eleições na França e na Grécia deixaram perfeitamente claro que os povos desses dois países rejeitam a austeridade econômica. Ao contrário, querem o retorno à falsa prosperidade movida pelo crédito subsidiado do qual eles sempre tiraram proveito no passado.

Infelizmente, esses países precisam da ajuda alemã para isso. É por isso que o no presidente francês, François Hollande, defende tanto os ‘eurobonds'. Ele quer que o resto dos países da eurozona seja capaz de ser “carregado nas costas” pela excelente classificação de crédito da Alemanha de modo que cada um deles possa retornar aos dias de empréstimos e gastos à vontade. Como bom socialista o novo presidente da França pensa exatamente assim.

Mas os alemães têm muito medo de que tal coparceria na dívida da zona do euro possa no final das contas significar. Não apenas isso encareceria dramaticamente os custos creditícios da Alemanha, mas há também a preocupação de que o resto da eurozona possa eventualmente não apenas mudar o seu comportamento e prosseguir rumo ao abismo e levar a Alemanha junta com eles. Áustria, Finlândia e Holanda também são, claro, contra os tais ‘eurobonds', mas o país chave é a Alemanha.

Por hora, a Alemanha não está engolindo essa estória de ‘eurobonds' de jeito nenhum. A Primeira Ministra alemã Angela Merkel fez a seguinte declaração durante um discurso recente em Berlim: “Trata-se exatamente de não se gastar mais do que se produz ou que se ganha. É impressionante como um fato tão simples possa produzir tanta celeuma”... E ela está absolutamente certa. Por que tanta controvérsia em insistir que os povos não podem gastar mais do ganham?

Mas este é o problema que se cria quando as pessoas se acostumam a um falso estilo de vida alimentado por dívidas que são ‘roladas' por décadas. As pessoas ficam acostumadas a tais falsos padrões de vida e partem com tudo de punhos cerrados quando as contas começam a chegar para serem eventualmente pagas.

Os alemães são sóbrios e comedidos e aprenderam com sangue, suor e lágrimas a não acreditar mais em socialismos e não desejam mais fazer grandes sacrifícios porque gregos, franceses e italianos estão desejosos de voltar a se endividar e a gastar de forma perdulária o dinheiro que não é deles. Arranjem meio motivo para os alemães quererem isso! Não há.

Os políticos alemães, como citou um recente artigo da CNN, acreditam que os ‘eurobonds' estão, de qualquer forma, explicitamente banidos dos existentes tratados da União Europeia: “É inadmissível a introdução de ‘eurobonds' sob os atuais tratados (da UE). Na verdade, existe uma proibição explícita para isso”, disse um veterano funcionário alemão, acrescentando que Berlim não deixará de se opor a isso num futuro previsível. “Esta é uma convicção firme que não será mudada em junho próximo”.

Mas, políticos como Hollande se queixam de que a austeridade poderia seriamente causar danos nos padrões de vida pela Europa afora. E Hollande está certo com relação a isso. Quando se infla o padrão de vida não em decorrência de um enriquecimento real, mas pedindo dinheiro emprestado e rolando-se as dívidas indefinidamente, chega a hora em que, eventualmente, as contas terão que ser pagas e a um preço muito maior. Qualquer um que já esteve no vermelho em seu cartão de crédito sabe o quão doído isso pode ser. É vergonhoso, para o resto da Europa, estar a implorar que a Alemanha o ajude. Devia cuidar melhor de si mesmo.

Como já disse em outros escritos, a Grécia ficaria muito melhor, no longo prazo, se saísse da zona do euro, lambesse suas feridas, e tratasse de reorganizar sua economia com base em princípios econômico-financeiros saudáveis. Todavia, o que se lê na maioria da mídia financeira mundial são apelos para que haja algum ‘plano' de ‘salvamento' da Europa.

Como exemplo, segue um trecho de uma recente publicação do Jornal americano The Wall Street Jounal : “ Tem havido duas respostas principais à crise: austeridade e ‘botar para quebrar'. A austeridade, caso não se tenha notado, parece estar sendo repelida. Isto significa que a menos que algo seja feito, algum outro plano abrangente, a outra principal resposta, ‘botar para quebrar', vai acabar derrapando para fora da estrada”. Exatamente porque a maioria apoia a ideia dos ‘eurobonds', exceto os alemães, e desde que eles são os únicos que estão com quase todo o dinheiro, então são eles os únicos que detêm o único voto válido. Assim, é hora de apelar para um plano B. Só existe um plano B, e não há mais tempo, tampouco.

Caso os alemães não concordem em subsidiar o resto da eurozona, isto, no frigir dos ovos, significa que a eurozona será forçada a se romper? Provavelmente. E isso causará muita dor no curto prazo, mas o euro nunca foi mesmo uma boa ideia, a não ser que houvesse, de fato, um forte desejo de transformar a Europa numa espécie de Estados Unidos da Europa, coisa que ficou provada não ser aceito pelo exacerbado nacionalismo de seus países membros. Foi uma suma besteira esperar que uma união monetária funcionasse afinadamente na ausência de uma união econômica, fiscal, e política. Como bloco econômico, a União Europeia pode trazer alguns benefícios aos seus membros, desde que todos ajam de modo razoável e pratiquem os saudáveis princípios do capitalismo privado e abandonem as funestas práticas do capitalismo estatal. Como nação, a União Europeia é um aborto.

Para ser honesto, o mundo inteiro estaria melhor com menos integração europeia, que se transformou num pesadelo burocrático horroroso e seria maravilhoso se ela explodisse por inteiro. Mas, por hora, a única coisa que corre perigo é o euro. Pouco a pouco, parece que a Grécia será o primeiro país a sair da zona do euro. O futuro dos remanescentes será determinado pelo modo como a nação helênica vai se recuperar ou não e a que dose de sacrifícios terá que impor a si própria para conseguir tal objetivo.

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -    Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



publicado por solpaz às 11:19
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ESPERAR VALE A PENA

 

 

                                                 

 

 

 

 

 

 

Acicatados por escabrosas cenas, que o cinema apresenta e a TV reproduz, e pelos nefastos exemplos, que as telenovelas mostram, os jovens – muitos são crentes, – desvalorizaram a virgindade.

Excitados, esquentados por torpes imagens, encorajados por discípulos de Hollywood, que a mass-media acarinha, ao primeiro encontro de namoro, os jovens, pensam em relações sexuais, primeiro com preservativo… depois, sem.

Julgam, os adolescentes que as precoces relações criam fortes laços de união, mas sempre ou quase sempre, acontece o invés: abalam a reputação e desacreditam, mormente a moça, que se entrega ao impúdico acto.

Asseveram os moços que a entrega incondicional é a Prova suprema do amor.

Esquecendo-se que quem ama, não exige “Provas”. Pelo contrário: respeita.

E como quase sempre há tantas “ Provas”, como namorados que a moça tem, de “Prova” em “Prova”, descamba-se na promiscuidade torpe e vil.

Tal comportamento ignominioso retira curiosidade e prazer natural, na lua-de-mel, e envergonha a jovem ao perpassar por antigos namorados.

Corre-se ainda o perigo de infecções de doenças incuráveis, gravidez na adolescência e possível aborto, que deixa sempre sequela difícil de apagar, e remorsos, mesmo em não crentes...

O namoro destina-se ao conhecimento mútuo e descoberta da alma.

Se for recatado, é período de grande felicidade, que se estampa no rosto e desperta sentimentos de nobreza, se for levado a sério e com respeito.

Há diferença entre o amor e desejo sexual. Um, transforma-se em amizade; outro, uma vez satisfeito, deixa um sentimento de inquietação. Recorda Bertrand Russel em “ A Conquista da Felicidade”: “ O amor é uma experiência pelo qual todo o nosso ser é renovado e refrescado como o são as plantas pela chuva após a seca. Nada disso sucede nas relações sexuais a que o amor é alheio. Quando o prazer momentâneo finda, sobrevêm a fadiga, o desgosto, e o sentimento da vida vazia. É que o amor faz parte da vida da Terra, e o desejo sexual, sem amor, não faz.”

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto Portugal



publicado por solpaz às 11:14
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Domingo, 27 de Maio de 2012
CASIMIRO DE ABREU - DEUS

 

                                                      Ficheiro:Casimiro de Abreu.jpg

 

 

 

 

Eu me lembro, eu me lembro! - Era pequeno

E brincava na praia; o mar bramia

E, erguendo o dorso altivo, sacudia

A branca espuma para o céu sereno.

 

 

 

E eu disse à minha mãe nesse momento:

- " Que dura orquestra! Que furor insano!

Que pode haver maior do que o oceano,

Ou que seja mais forte do que o vento?"

 

 

 

Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus

E respondeu: - "Um ser que nós não vemos,

É maior do que o mar, que nós tememos,

Mais forte que o tufão... Meu filho : é Deus!"

 

 

 

 

 

 

CASIMIRO DE ABREU   -   ( 1839 - 1860 )

 

 

 

                                  

 

 

 

                

 

 

                

XSXSXSXSX

 

EUCLIDES CAVACO

 

Tem o grato prazer de informar os seus amigos e leitores

 

que editou e vai lançar o seu novo livro

 

TERRAS DA NOSSA TERRA

 

em Portugal, nos locais e datas a seguir indicados:

 

Maio

 

27 – LISBOA 16:00 - Associação Portuguesa de Poetas - Casa das Beiras

 

Junho

 

1 – LISBOA 20:00 - Hotel Real Palácio

 

2 – CORROIOS 16:00 - Centro Cultural do Alto do Moinho

 

3 – AMORA 15:00 - Auditório da Junta Freguesia

 

6 – LISBOA 15:00 - Sporting Clube de Portugal Salão VIP – Estádio José Alvalade

 

7 ou 8 – COSTA CAPARICA – A ser confirmado

 

9 – ALCOCHETE 16:00 - Galeria Paços do Concelho , organização Casa da Malta – com fados

 

16 – LISBOA 18:00 - Movimento Internacional Lusófono – na sede do MIL

 

Julho

 

8 – MONTE GORDO / VRSA Local e hora a confirmar

 

Livros à venda on line:

 

http://www.bertrand.pt/ficha/terras-da-nossa-terra?id=12851435

 

http://www.wook.pt/ficha/terras-da-nossa-terra/a/id/12851435

 

Livrarias:

 

Bertrand – Wook – Alêtheia – Pó dos Livros - Lofersil

 

Mais informações ou endereços através do email de Portugal:

 

ecosdapoesia@hotmail.com

 

Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
email de Portugal a partir de 12 de Maio:
ecosdapoesia@hotmail.com
 
 
 
                
  
 
 
 
                         

 CINEMA GRATUITO NA CIDADE DE JUNDIAÍ

O cinema
está de volta ao centro da cidade!
 
A Prefeitura de Jundiaí por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Cineclube Consciência, promove o projeto Cineclube na Cidade, proporcionado mais uma opção de cultura à cidade, com sessões de cinema gratuitas às quartas-feiras de agosto a novembro na Sala Glória Rocha, á partir de 25/08.

O projeto Cineclube na Cidade
cria um espaço alternativo de cinema com debates e convidados, oferecendo
reflexão e difusão cultural.



Local: Sala Glória
Rocha (Rua Barão de Jundiaí, 1093, Centro) (11) 4521-0971


Realização:
Prefeitura Municipal de Jundiaí- Secretaria Municipal de Cultura e Cineclube Consciência

Apoio cultural:
Centro Cineclubista de São Paulo

Produção: Vânia
Feitosa- Cine a Vapor Produções



Contato com a
produção

Vânia Feitosa
cineclubenacidade@yahoo.com.br
(11) 9700-3120 ou (11)
8029-3780
 
 
 
 
              

 

 

 

Museu do Trabalho Michel Giacometti

Largo Defensores da República

2900-470 Setúbal - Portugal

265537880

 



publicado por solpaz às 18:13
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