Blogue luso-brasileiro
Domingo, 30 de Setembro de 2012
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O IMPRESCINDÍVEL DIPLOMA

 

 

                                                 

 

 

 

 

 

 

No final do século XX, entrevistei jovem deputado que começava a evidenciar-se pelo dinamismo.

 

Após telefonema, para marcar hora e local, ficou combinado encontramo-nos em cafetaria, onde este costumava tomar o cafezinho matinal.

 

Ia a entrevista animada, quando lhe lembrei a intensa actividade, em prole da cidade que o viu nascer. Começou, então, a narrar o seguinte:

 

Devido à juventude e ao facto de não possuir curso superior, sentia dificuldade em ser aceite no parlamento, até no próprio partido.

 

Sempre que abordava questão com alma, logo havia quem lembrasse que faltava-lhe experiência e conhecimento para desertar sobre o assunto.

 

Para ser respeitado e as ideias terem peso e pernas para andarem, precisava de obter grau académico, que lhe permitisse ser chamado de “doutor” ou “engenheiro“.

 

Iria frequentar, brevemente, a universidade, matriculando-se num curso que fosse de interesse para a vida política, já que sentia que podia ser útil à sociedade e à Pátria.

 

Ao conhecer que políticos portugueses haviam obtido licenciatura, por meios pouco claros, lembrei-me desse jovem deputado e da dificuldade que sentia no parlamento e no seio do próprio partido.

 

É que se dá mais valor a titulo universitário, que ao conhecimento da matéria; aqui reside a razão porque se busca, a todo custo, obter diploma, que ateste talento e capacidade de iniciativa.

 

Lembrei-me abordar o assunto, após ter lido a crónica de Marinho Pinto - bastonário da Ordem dos Advogados, - referindo-se à formatura de Relvas e Sócrates, e daqueles que criticam a leviandade de certas Faculdades.

 

Sugere o jurista: “ Seria bom saber quem são as figuras públicas que em 25 de Abril de 1974 obtiveram cursos superiores com passagens Administrativas dadas por professores aterrorizados pelos próprios beneficiários dessas passagens –   “ A Venda de Cursos Superiores” -  “JN” 20/07/12.

 

Já agora – por que não? - conhecer, igualmente, os que, habilidosamente, por meio de sindicatos, partidos políticos, associações secretas ou não, alçaram a lugares  de relevo, nas empresas, à custa, daqueles que, ingenuamente, lhes serviram de escada?

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 19:34
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EUCLIDES CAVACO - FOLHAS DE OUTONO
 

                                                 

 

 


Olá mui prezados amigos e leitores


FOLHAS DE OUTONO é o poema que vos ofereço em antecipação para esta próxima semana que vem muito a propósito para dar as boas vindas ao Outono de 2012 no Hemisfério Norte, muito embora o sentido do poema pretenda retratar nas folhas de Outono,  o ciclo da vida humana. Veja-o aqui neste link:


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Folhas_de_Outono/index.htm


Euclides Cavaco

 cavaco@sympatico.ca

 

EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá


publicado por solpaz às 19:25
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012
RENATA IACOVINO - VALOR DOS DIAS ATUAIS

 

 

 

 

 

 

 

 

Não sei de onde vem a lenda de que artista exerce seu labor por lazer, entretenimento, ou algo do gênero. E, portanto, não precisa receber por aquilo que faz. A arte alimenta, não é mesmo? Certo e errado. A arte alimenta a minha e a sua alma. A alma de quem executa e a de quem recebe. Mas o corpo precisa sobreviver para ter forças e continuar fazendo arte. A mente precisa de energia para renovar suas ideias e saber como colocá-las em prática. Tudo isso tem um preço. Nem digo “valor”, pois acredito que o trabalho de um artista seja imensurável, mas como é necessário ter um preço, algo às vezes até simbólico é tido como o valor daquela obra, daquele labor, daquela criação.

Deparamo-nos com situações esdrúxulas, envolvendo a questão da remuneração do trabalho artístico, cotidianamente. E outro dia, uma postagem no facebook fez-me refletir uma vez mais sobre tal questão.

Dizia: “Sou artista. Isso não quer dizer que minhas criações são de graça. Tenho contas para pagar como você. Arte≠mera diversão. Arte=meu tempo, meu esforço, meu trabalho. É o que faço para viver!” É isso. Algo tão simples e tão complexo de se entender.

Como disse no inicio deste artigo, não sei qual a origem da lenda de que artista sobreviva do ar, ou do próprio fazer e refazer artístico. Talvez sua imagem ainda esteja arraigada ao alienável estigma de que artista é bicho-grilo, hippie, vagabundo, e por aí vai. Ou que realmente ele parece tão feliz e realizado com aquilo que faz, que isso basta, já é o seu prêmio.

É algo bastante corriqueiro ver que uma pessoa é capaz de gastar boa parte de seu salário em lojas de um shopping center com coisas que nunca irá usar ou entrar numa mega store e comprar livros e CDs de apelo comercial, mas achar estranho quando você oferece seu livro ou CD por trinta reais.

Certamente há exceções. Existe, ainda, aquela espécie em extinção, que valoriza e reconhece seu trabalho, enxergando naquilo não apenas um produto final, mas todo o processo – inclusive emocional, pois estamos falando de arte – que se deu para chegar a determinado resultado.

Mas o artista é um persistente – ou teimoso – por natureza, e vai buscando meios para fincar sua bandeira, seja em meio ao deserto, seja em meio a um campo de guerra.

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br / reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por solpaz às 10:23
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LAURENTINO SABROSA - GRANDE SABEDORIA OU BOA MORAL ?

 

 

 

 

 

 

De certa vez um rapazinho de nove ou dez anos foi dar um passeio com uma sua tia, em visita a uma amiga desta. À despedida, foram a um café, onde havia vários jornais e revistas para os clientes se distraírem.

As mulheres ficaram sempre a conversar, mas o rapaz pegou numa das revistas e pôs-se a ler. A certa altura a que não era tia, perguntou-lhe afavelmente:

- Então, Ruizinho, que é que se diz nessa revista?

- Diz que você é uma ignorante – respondeu o rapaz.

Na verdade, ele sabia que aquela mulher, amiga da tia, era analfabeta, tal como eu, mais tarde vim a saber, a sua tia o era. A mulher sorriu embaraçada, disse algumas palavras incomodadas a disfarçar. O rapaz continuou a ler, as mulheres continuaram a conversar, e o incidente ficou por ali.

 

Eu era quatro ou cinco anos mais velho que o rapaz, e, embora agora pense que, por timidez e princípios, não era capaz de dar uma resposta daquelas, quando ouvi aquela frase, de característica tão sentenciosa, até a achei brilhante e apropriada. Depois, falando nisso por acaso ao dono do café, meu vizinho, ele também achou que o rapaz tinha tido um protagonismo e sabedoria de adulto. Foram precisos muitos anos para eu concluir que eu e o meu amigo e vizinho, estávamos vergonhosamente em erro.

 

O rapaz já não se considerava ignorante, pelo simples facto de saber ler, mas ainda não sabia que para não se ser verdadeiramente ignorante, é preciso saber que não se deve chamar ignorante a quem o é, principalmente ele, um imberbe, a uma mulher que podia ser sua mãe, e no assunto de ignorância não era nada inferior à sua tia. Quanto a mim, essa sua tia foi a mais ignorante, pois não teve a sabedoria de, ali mesmo e na hora, lhe dar uma reprimenda pelo dito, a mostrar-lhe que, acima de tudo, foi uma falta de educação.

Paradoxalmente, a menos ignorante de todos foi a mulher a quem o Ruizinho chamou ignorante, pelo simples facto de não ter ripostado com azedume, limitando-se a disfarçar com umas palavras, em tom alegre e jocosamente. Eu e o meu vizinho, também fomos ignorantes, por não sabermos que não ser ignorante não é só saber ler e escrever bem, e ter outras sabedorias aprendidas na escola; é também ser educado e delicado, para não ofender ninguém, especialmente nas dificuldades e incapacidades que ele possa ter. Chamar “cegueta” a quem não usa óculos e parece ver bem, não é grande ofensa; chamar “cegueta” a quem a quem é fortemente míope, é ofensa que o magoa mais que a sua miopia e mais do que se lhe chamassem ignorante.

                                                                                                                                     

 

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -    Senhora da Hora, Portugal.

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
VALDEREZ DE MELLO - INTELIGÊNCIA NÃO TEM COR

 

 

                                                 

 

 

 

 

 

 

                Quando Deus criou homens de pele branca, amarela, preta, marrom, vermelha, talvez quisesse engalanar o mundo com suas magníficas criaturas. Então, para perpetuar a soberania da igualdade, a todos premiou com inteligência e alma incolores.

 

            A preocupação exacerbada sobre discriminação está se transformando em neurose social ou até maneira indireta de levar vantagens através de atitudes premeditadas.

 

            Vejamos o sistema de quotas para universidades: durante uma década os alunos passam pela peneira de largas malhas, sem avaliações, com aprovação automática, tal e qual florido caminho pelo mundo do faz de conta. No vestibular, as malhas da triagem são drasticamente bitoladas e, independente da etnia, estudantes são igualmente prejudicados. Logo, o sistema de quotas deveria a todos premiar, dando sequência à costumeira admissão automática, pois, ao oferecer chances diferentes aos iguais, surge escancarada a verdadeira discriminação. Se as instituições de ensino fossem eficientes e eficazes e primassem pela excelência, a isonomia seria plena e o sistema de quotas dispensável. Importante frisar que apesar de tudo, chances iguais não garantem resultados idênticos, pois, a conquista é obrigação personalíssima que exige dedicação, esforço, perseverança e muita renúncia, qualquer que venha ser a cor da pele do indivíduo.

 

            Imperativo é poder discernir entre discriminação, direito de preferência e preconceito. Discriminar é tratar de modo injusto, de forma tal que venha a prejudicar ou execrar o outro, por motivos étnicos, sociais ou religiosos. Direito de preferência, ou seja, gostar mais de; ter predileção por; escolher alguém ou algo em relação a outrem; achar melhor uma ação ou atividade em relação à outra, é o livre-arbítrio, a faculdade de tomar decisões seguindo somente o próprio discernimento. O direito de escolher é a democracia do poder ser, da individualidade. Já o preconceito é a nefasta opinião concebida sem reflexão sobre algo ou alguém, de forma irracional, embrutecida e ofensiva.

 

            O ato discriminatório e o preconceito geralmente são praticados por pessoas deseducadas, arrogantes ou assoberbadas, que carregam o peso do orgulho desmedido, ignorando a igualdade entre os homens.

 

            A grande verdade é que a discriminação está fortemente arraigada nas mentes nefárias daqueles que realmente dela fazem uso. O importante é que independente da cor da pele, todos são por Deus condecorados com inteligência e esta, graças ao criador, não tem cor.

 

 

VALDEREZ DE MELLO   -   Psicopedagoga e advogada. Autora do livro "Lágrimas Brasileiras".

 

 



publicado por solpaz às 11:15
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - RELATÓRIO INÉDITO MOSTRA QUE ATAQUES DE HOMOFOBIA SÃO MAIS COMUNS EM CASA

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma sociedade que não vive o amor e o respeito ao próximo está longe de aprender a viver em harmonia. Relatório apresentado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos mostra que a situação é grave: há uma manifesta incapacidade de conviver com o diferente e as formas encontradas para solucionar os problemas de convívio social se afastam do diálogo, da comunicação direta e honesta, alcançando os próprios familiares e pessoas próximas das vítimas.

 

 

          Homens, gays, negros, entre 15 e 29 anos, agredidos dentro de casa por familiares e vizinhos. Esse é o perfil da maioria das vítimas de homofobia no país. Por dia são feitas 19 denúncias de violência motivadas por homofobia, segundo relatório da Secretária Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República que divulgou pela primeira vez dados oficiais sobre o tema, segundo matéria assinada por Natália Cancian e publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” (23/07/2012- C-3).

         O estudo usou dados coletados em 2011 pelo Disque 100, que recebe e verifica relatos de abusos aos direitos humanos, somados a registros da ouvidoria do SUS, da Secretária de Políticas para Mulheres e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação. Ao todo, foram computadas 6.809 denúncias. Em 62% dos casos o suspeito era conhecido da vítima – familiares e vizinhos respondiam por mais da metade das agressões. As ocorrências supostamente cometidas por desconhecidos foram de cerca um terço do total. Em 9% dos casos, o suspeito não teve a identidade informada. Grande parte delas se efetivou na casa da vítima (42%), sendo a rua palco de 31%.

O documento ainda traça um perfil dos suspeitos: a maioria é homem, heterossexual e tem de 15 a 29 anos. “Mostra que os jovens são as maiores vítimas e também os maiores agressores”, diz o coordenador de direitos LGBT, Gustavo Bernardes, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que crê que o número de agressões seja maior porque nem todos denunciam. O delato predominante foi de violência psicológica (42,5%), como humilhações e ameaças. Em seguida,  discriminação (22%) e violência física (16%), sendo que a maioria aponta mais de um agressor. Para a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB, Maria Berenice Dias, a ausência de uma lei que criminalize a homofobia faz a maioria das denúncias ficar impune. “Acaba condenando à invisibilidade todas essas agressões”, diz.

Esses resultados trazem novas perspectivas para o debate em torno da tolerância relativa aos comportamentos, relevantes e atuais. Vivemos um momento de desafios, de reflexões, de pensar o passado e de, enfim, chamar atenção para aqueles grandes erros que a nossa história, seja pessoal ou coletiva, produziu. Um desses equívocos parece que veio para ficar, o que quer dizer que se fixou como base de boa parte de nossa conduta. Trata-se da nossa incapacidade de conviver com o diferente e as formas encontradas para solucionar os problemas de convívio social onde o que menos importa parece ser o diálogo, a comunicação direta e honesta, sem truques, golpes, violências, onde o respeito pela vida do outro e sua forma específica de manifestação e expressão fosse considerado.

Sabemos que a lista de tipos sociais que são alvos de discriminação e exclusão que nossa sociedade construiu é grande. Não podemos mais admitir o preconceito e a violência que ele gera, receosos de comprometermos os rumos e as escolhas da história, para quem procura roteiros menos cruéis para as futuras gerações, para quem aposta na experiência humana como um lugar onde as ideias se transformem e possam orientar-se por valores pautados pelo respeito e aceitação plena.

Vale invocarmos algumas palavras que deveriam prevalecer no relacionamento humano: amor, reflexão, solidariedade, afeto, ajuda a quem sofre e, finalmente, vida. Parece impossível não se sensibilizar pelo descaso com a cidadania, pela fome e sede, pela dor e sofrimento. Mas uma sociedade que não vive o amor e o respeito ao próximo está longe de aprender a conviver com os semelhantes.  Enquanto isso, alguns humanos continuarão a se sentir mais humanos do que outros e continuarão a acreditar que as suas vidas são as únicas que valem a pena serem vividas.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por solpaz às 11:04
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PISANDO EM OVOS

 

 

 

 

 

 

 

            Não sei se há alguma explicação para isso, mas sempre me senti atraída por ovos. Gastronomicamente eu também os aprecio e muito, mas nem é disso que escrevo. Na verdade, o que eu gosto, até hoje, diga-se de passagem, é de encontrar, de recolher ovos.

            Quando eu tinha cerca de uns seis anos, ganhei dois periquitos e praticamente todos os dias eu olhava a caixinha que colocáramos para ninho, na esperança de encontrar ovinhos lá. Alguns meses depois, descobri que, sendo dois machos, isso seria meio impossível... Ganhei uma fêmea e a mesma foi levada para o viveiro de um primo, para ver se lá a coisa ia, e, de fato, pouco tempo depois, cinco ovinhos estavam sendo chocados, até que minha prima soltou a periquita, inadvertidamente, deixando órfãos os ovos...

            Mesmo eu tendo implorado, ninguém me deu aqueles ovinhos pequenos, brancos e redondinhos. Os pobrezinhos foram colocados de enfeite no quarto dos meus primos, mas ninguém atendeu o meu pleito, justo, por sinal. Talvez tenha sido esse o primeiro passo para eu me tornar advogada, a verificação de que meu direito havia sido desrespeitado...

            Na casa das minhas avós sempre houve galinhas e não havia um só dia em que, se lá eu estivesse, não pegasse emprestado o chapéu do meu avô materno ou usasse minha blusa, que fazia dobrar para cima, em um tempo que expor a barriga era algo sem muitos riscos (rs), para lá colocar todos os ovos que conseguisse recolher. Adorava encontra-los nos locais mais improváveis, desvendando os ninhos das pobres galinhas. Se eu percebe que haviam vindo para o mundo recentemente, se estavam quentes ainda, eu os colocava no rosto, para melhor sentir o calor. O bom de ser criança é que elas não se detêm sobre de onde os ovos saem...

            Ninhos de passarinhos, ocultos pelas folhas e galhos também me encantavam. Eu jamais mexi nos ovinhos, pequenas pérolas vivas, sementinhas de futuras fadinhas aladas. Eu dava um jeito de subir na árvore e ficar o mais próxima possível, só para admira-los, contá-los. Seguia nas minhas observações até que os filhotinhos dessem as caras, ou melhor dizendo, os bicos. Nunca deixei de me admirar essa mágica de ver ovos transformados em avezinhas.

            Até ovos de lagartixa eu gostava de encontrar. Na casa da minha avó paterna havia um armário velho no qual sempre eu podia “garimpar” ovinhos dos mini jacarés domésticos. Eu os reunia em uma caixinha forrada com algodão, a qual deixava fechada até que fosse a hora de fazer a conferência diária. Pouca coisa se compara ao susto que tomei quando, ao abrir, um belo dia, a tal caixinha, vi de lá pular meio milhão de pequenas lagartixas, loucas para conhecer o mundo e suas paredes.

            Ovos de pombas, ovos de pato, ovos de codorna estão entre os que colhi, cuidei ou coloquei para chocar. Mesmo na feira, quando vou comprar os mais simples, para consumo, não consigo deixar de pensar que faz falta o chapéu do meu avô, o quintal da minha avó e os misteriosos e encantados ovos que jamais voltei a recolher....

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por solpaz às 10:59
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - O CÉU EM MIM

 

                                                                     

 

 

 

 

 

 

Cheguei apressado em casa, cheio de papéis nas mãos e preocupações na mente, entrei no elevador e subi. Do térreo ao 10º andar são exatamente 42 segundos, que pacientemente experimento várias vezes ao dia há 20 anos.

Na expectativa de a porta se abrir no tempo previsto, desocupei uma das mãos para segurar a chave do apartamento e adentrar rapidamente no lar, mas o elevador continuou fechado. Achei que houvesse acabado a energia, porém, eu continuava subindo. Dei uns pulinhos para me certificar do sentido do percurso e tive certeza que me dirigia para cima.

– Que coisa estranha! – pensei. – Como seria possível o elevador passar pelo telhado e ascender ao céu? Será que não pertenço mais a este mundo?

Fiquei apavorado. Por mais que achemos que estamos preparados para a morte, ninguém espera falecer dentro de um elevador. Comecei a apertar os botões e a bater na porta, mas nada se alterava, eu continuava subindo. Sem opção, pus a papelada no chão, limpei o suor do rosto e sentei, esperando o final do percurso.

Então, com tempo suficiente para ficar à toa, comecei a pensar no sentido da vida.

– O que fiz com a minha existência? Correspondi à vontade de Deus nas oportunidades que Ele me deu de fazer o bem? Agradeci o suficiente a Nossa Senhora por tantas bênçãos que me concedeu? Amei as pessoas como Jesus me ensinou ou, pelo menos, retribui o carinho que tanta gente demonstrou por mim?

Surpreendentemente eu não chorava. Mesmo lembrando minha adorável família, eu não chorava. Uma profunda paz interior tomou conta de mim e somente coisas boas vieram à cabeça: missas que cantei, palestras que ministrei no Cursilho e Ovisa, evangelização nas rádios e nos jornais, caridade com os vicentinos, trabalhos na Pastoral Familiar, livros católicos que escrevi, coordenação do Natal no Campus da UNIFEI, aulas, terços, futebol com os amigos, vida em família...

Ah, de repente, todas as lembranças antigas começaram a se apagar e somente as coisas mais recentes eu podia recordar. Lembrei de uma palestra que participei e aprendi este ensinamento:

O pecado é como um obstáculo que nos faz parar e refletir; e no Evangelho, obstáculo aparece como ‘escândalo’! Para quem está iniciando na fé, isso pode se tornar um impedimento definitivo para a caminhada cristã. Por isso, é preciso analisar com profundidade as conseqüências de se viver na graça ou viver negando a proposta divina – desgraça.

Infelizmente, poucos entendem os gestos de amor de Jesus para com os pecadores e, aqueles que ignoram, deixam de fazer essa belíssima experiência em suas vidas. Seria importante que nossa evangelização enfocasse o Plano de Deus para cada irmão em Cristo: amar uns aos outros, servindo com humildade no coração, construindo um mundo mais justo e fraterno. É um Plano de Amor e Salvação!

No capítulo 30 do Livro do Deuteronômio está escrito: “Eis que ponho diante de ti o bem e o mal. Escolha o bem e viverás”. Isso significa abrir mão de alguns interesses pessoais para assumir um projeto coletivo de felicidade – o que não é fácil! No sentido figurado, significa ‘rasgar o coração’. Por exemplo: o jovem rico do Evangelho de Marcos deixou tudo para seguir Jesus? Confiou na promessa de que não era necessária sua fortuna para entrar no Céu?

Como é difícil aconselhar outras pessoas, concorda? Mesmo preso no elevador, lembrei de um padre que estava procurando a agência de correios numa cidade do interior e encontrou um menino sentado na sarjeta.

– Meu jovem, pode me explicar onde fica o correio? – falou o sacerdote.

– Ali, depois daquela ponte, seu padre.

– Muito obrigado, mas vejo que você é tão novo e já está com um cigarro na boca! Eu sou o novo pároco da cidade e gostaria de lhe ensinar os caminhos de Deus. Vá à igreja e conversaremos.

– Que nada, seu padre. O senhor não sabe nem o caminho do correio e quer me ensinar o caminho de Deus?

Esbocei um sorriso e logo voltei à realidade do elevador que continuava subindo ao céu. Ao céu desconhecido ou ao Paraíso? Na dúvida, comecei a rezar, a pedir perdão dos meus pecados, a rogar pelos nomes que deixei escritos no oratório de casa, e fui me entregando nos braços do Pai com cânticos de louvor. Ficava feliz cada vez que pensava no pouco que fiz pela construção do Reino. Dava vontade de gritar com alegria: ‘Eu não esperei ficar velho e aposentado para servir a Deus!’

Dei razão a uma amiga que um dia me disse: ‘Não faça da sua vida um rascunho, pois pode não dar tempo de passar a limpo. Lembre-se que somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para melhorar o que somos. Enfim, é até melhor estar preparado para dar uma oportunidade e não ter nenhuma, do que ter uma oportunidade e não estar preparado’.

Êpa, após horas sozinho naquele lugar, o elevador parou e a porta se abriu. Então eu acordei. Viva, acordei para uma vida nova! Acorde você também.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



publicado por solpaz às 10:55
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Domingo, 23 de Setembro de 2012
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PEQUENO GRANDE HOMEM

 

 

         

 

 

 

 

 

 

Fiquei pensando sobre as referências a DOM JOSÉ RODRIGUES DE SOUZA, Bispo Emérito de Juazeiro da Bahia, que faleceu aos 86 anos no último dia nove, qual seria a melhor como título desta crônica: Bispo dos Excluídos, ou Profeta do Semiárido, ou Pequeno Grande Homem. Optei pelo último porque os grandes homens, não importa a estatura, possuem olhos para os marginalizados e são profetas.

Todas as criaturas de Deus merecem respeito, sejam elas quem for, mesmo os nossos desafetos. Com algumas, contudo, menor ou maior número de afinidades nos coloca em comunhão. Foi assim que nasceu a amizade com Dom José, em 1985, quando lhe escrevi para saber mais sobre o trabalho, em Juazeiro, com mulheres aliciadas pelo comércio do sexo. A Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena, em nossa Diocese, dava os seus primeiros passos e desejávamos conhecer a caminhada de outros grupos da Igreja no submundo da prostituição. Depois disso, comumente, além da correspondência que trocávamos, passava conosco o dia livre da Assembleia dos Bispos em Itaici. Era simples, verdadeiro, de inteligência brilhante e comprometido com os mais pobres dos pobres. Certa vez, da janela aqui de casa, observando o morro do São Camilo, me disse que, por certo, Deus nos conduzira a habitar no morro em frente, para que nunca me esquecesse dos que se acotovelam na periferia das grandes cidades e olhasse para eles com misericórdia.

Três pontos nos uniam: o amor a Jesus Cristo, a compaixão pelas mulheres excluídas, o gosto pela literatura. Dom José, nascido em Paraíba do Sul (RJ), ingressou no Seminário dos Redentoristas em 1938. Foi nomeado Bispo de Juazeiro em 1974, onde ficou até 2003, após pedir a renúncia pela idade. Passou a viver no Convento Redentorista de Trindade (GO). Em Juazeiro atuou com firmeza e coragem em defesa dos direitos da população pobre das caatingas, beira do rio e periferias urbanas. Lutou contra os aspectos políticos que sustentavam a indústria da seca no semiárido brasileiro. Reagiu aos projetos governamentais, como exemplo ao da Barragem de Sobradinho, a fim de que as populações residentes não ficassem sem as indenizações. Implantou, naquela Diocese, sete pastorais sociais, Círculos de Cultura com Paulo Freire, um setor diocesano de comunicação, uma biblioteca de 45 mil volumes. Realizou uma campanha pioneira pelas cisternas familiares de água de chuva.

Dentre os acontecimentos de sua vida que me comoveram está a de se trocar, por um bebê, na ponte que ligava Juazeiro a Petrolina, quando do sequestro do gerente do Banco do Brasil. Sob a mira de armas, ele e a família do gerente por vários dias percorreram as caatingas. Em um dos dias, o sequestrador que estava do lado dele adormeceu e ele, com acesso à arma, o acordou. Disse-me que não faria o mesmo que aquele homem. Mais tarde, visitou, por algumas vezes, os infratores em presídio em Brasília e fez o casamento de um deles.

Partiu, com Deus que passou na brisa, como viveu, despojado de bens materiais e levando na alma, como bagagem, palhas da gruta de Belém.

 

 

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por solpaz às 19:56
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FRANCISCO VIANNA - AS PROMESSAS POLÍTICAS E A REALIDADE AMERICANA

 

 

                                                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na batalha pela Casa Branca, o candidato republicano faz fortes ataques ao presidente Obama sobre esse tema e dá ênfase à sua plataforma econômica, assegurando que vai criar empregos.

 

                      (com base no noticiário internacional)

 

 

 

            Durante seus discursos, ontem, o candidato republicano a ocupar por quatro anos a Casa Branca, Mitt Romney, atacou duramente o presidente Barack Obama por este não ter cumprido com sua palavra e promessa de levar a cabo uma reforma migratória durante sua administração e prometeu criar um sistema para que famílias inteiras possam vir viver legalmente nos Estados Unidos.

                       

            O palanque de Romney, ontem, foi o programa, transmitido em inglês e espanhol, “Gran Encuentro” pela cadeia de TV UNIVISION, gravado no ‘Bank United Center’ da Universidade de Miami. Uma vez no ar, Romney demonstrou habilidade em discorres sobre o turbulento assunto da imigração nos EUA, se esforçando, contudo, para não se mostrar por leniente demais com a presença ilegal de milhões de pessoas no país. Porém, como todo político à caça de votos, expressou abertamente sua disposição de buscar uma solução permanente do problema para não ofender o crucial eleitor espano. Os analistas acham que esse tipo de eleitor terá ter um papel determinante dentro da atual disputa eleitoral, principalmente na Flórida, na Califórnia, e no Novo México, onde Romney e Obama competem numa batalha eleitoral extremamente renhida.

 

            A chamada “reforma imigratória” tem sido um assunto muitíssimo sensível para a comunidade latina, pelo fato de que numerosos defensores da deportação dos mais de 12 milhões de imigrantes que residem e trabalham ilegalmente no país costumarem usar uma linguagem ofensiva para denegri-los. Disse Romney que “o sistema imigratório, que acredita que todos estão de acordo, tem problemas e tem sido um assunto explorado politicamente, ao longo dos anos, tanto por democratas como por republicanos”. “Uma das razões pelas quais o presidente Obama, como candidato, obteve tanto respaldo da comunidade latina na última eleição é o fato de ele ter prometido que, em seu primeiro ano de governo, uma de suas prioridades seria a reforma do sistema imigratório, coisa sobre a qual nem sequer apresentou qualquer projeto de lei […] É hora de deixar de lado o jogo político e realmente reformar o sistema imigratório, o que pretendo fazer de fato”, acrescentou o ex-governador de Massachussets.

 

            Mitt Romney declarou que quer se certificar de que, nos próximos anos, os imigrantes possam ingressar legalmente no país, sem que necessitem contratar advogados. “Quero também me certificar de que ao invés de estarmos a oferecer vistos de entrada variados, possamos disponibilizar, em troca, oportunidades de o imigrante trazer todos os seus familiares para viver nos EUA legalmente mediante o cumprimento de certos deveres e obrigações, pois não há direitos sem deveres correspondentes. Quero que haja um mecanismo legal de imigração eficiente e preferido e, de certo, caso um estudante vá suficientemente bem a ponto de obter uma graduação avançada, possa receber seu “greencard” de residente permanente anexo ao seu diploma”, explicou.

 

            Romney afirmou que aos Estados Unidos interessam que a imigração seja qualificada por pessoas que realmente queiram se tornar futuros cidadãos americanos e se disponham a cumprir todos os deveres e obrigações que justificam os direitos da cidadania estadunidense. O país, por isso, deve buscar uma solução permanente para as crianças que foram trazidas por seus pais ilegalmente para o país, criticando a medida temporária introduzida pelo presidente Obama para fazer face ao problema. Aproveitou, no entanto, para dizer que é a favor da residência permanente de todos aqueles que se dispuserem a prestar serviço nas Forças Armadas.

 

            Quanto às pretensões de setores da sociedade americana de simplesmente expulsar do país os 12 milhões de imigrantes ilegais existentes hoje em dia – boa parte deles provenientes da América Latina – Romney, ao ser questionado sobre o assunto, considerou que isso não é uma meta realista ou mesmo honesta e não interessa aos EUA livrarem-se de uma força de trabalho tão valiosa. “Não queremos simplesmente juntar essas pessoas pelo país afora e enviá-las de volta aos seus países de origem. Durante as primárias, já afirmei que não vamos fazer isso, ou seja, repatriar filhos e pais, quando tudo o que é necessário ser feito é uma legalização, reservando a deportação apenas aos casos de desocupados, malfeitores e parasitas do sistema social americano, que querem tudo, mas não estão dispostos a dar nada em troca. O que necessitamos é encontrar uma solução permanente para tais distorções, solução essa que combine o respeito a quem trabalha e quer progredir com o interesse americano que, em suma, e realmente esse”, reiterou o candidato.

 

            Por outro lado, o ex-governador se limitou a mencionar apenas a situação dos filhos de imigrantes e das pessoas que têm servido às Forças Armadas, sem dar qualquer sinal de como poderá beneficiar o resto da população de imigrantes ilegais. Ele também manteve o seu respaldo às duras leis anti-imigração adotadas pelo estado do Arizona, ressaltando que há necessidade de os imigrantes entrarem no país de forma legal, e de as empresas, que contratarem imigrantes ilegais, serem punidas. “A razão pela qual existe tal legislação no Arizona se deve ao fato de o governo federal, e especificamente o do presidente Obama, não ter resolvido o problema da imigração no país e na região. Destarte, os estados estão tratando de resolver este problema da melhor maneira que podem e de acordo com o interesse de seus cidadãos e ir de encontro a isso seria, no mínimo, uma traição à pátria”, afirmou.

 

            Mitt Romney, da mesma forma, ressaltou a necessidade de reativar a economia de seu país, destacando que o que a administração Obama fez até agora para tal tem sido amplamente insuficiente e ineficaz, apenas ampliando de modo extraordinário a dívida interna do governo. O candidato assegurou “que a abordagem de Obama tende a distanciar cada vez mais os americanos dos valores que transformaram o país na principal potência mundial. A continuação das políticas de Barak Obama representa uma decadência crescente da sociedade americana que será difícil de reverter nos próximos anos”. “Além do mais – continuou Romney - esta é uma nação que seguiu por um caminho muito diferente do que conhecíamos e as políticas do atual presidente, embora acredito que sejam bem intencionadas, são conceitualmente erradas e, por isso, não alcançaram seus objetivos; o socialismo não deu certo e lugar nenhum do mundo e, os EUA, não têm porque serem considerados uma exceção”. “Quero por os americanos de novo a trabalhar. Si como fazê-lo. Isso não se consegue hipertrofiando o governo tornando-o uma máquina de tirar dinheiro de quem trabalha para dar a quem não trabalha e não quer trabalhar. Esse pode ser o ideal socialista, mas, certamente, não é o ideal americano. Isso é o que acontece em outros países do mundo e que, por isso mesmo, não conseguem se desenvolver, pois há neles um contingente cada vez maior de pessoas que vivem sem trabalha e sem produzir a custa da parcela produtiva da sociedade”.

 

            Falando durante o programa, o senador pela Flórida, Marco Rubio, corroborou dizendo que quando “instado por jornalistas sobre um comentário feito em 1998 por Obama sobre a necessidade de ‘aumentar o papel do governo federal na distribuição de riqueza no país’, na verdade, os imigrantes latinos não querem isso. Creio que eles são mais propensos que outras pessoas nos EUA em não aceitar o argumento da ‘redistribuição de riqueza’ e, de fato, caso se tenha em mente a ampla gama de imigrantes, não apenas os latinos, uma enorme quantidade deles chegaram a este país exatamente para se livrar de estados todo-poderosos. Essas pessoas também querem deixar para trás as economias controladas e estatais – alem de muitas vezes estados totalitários – porque naqueles países cujo Estado domina tudo, a gente que trabalha duro para progredir nunca parece afinal conseguir qualquer resultado expressivo, em função do fato de que a tal propalada ‘redistribuição de renda’ não passa de uma distribuição igualitária da miséria e da pobreza extrema”. E continuou , o senador: “É por isso que eles vêm para cá, com a esperança de viver na ‘terra das oportunidades’, onde não importa o lugar onde começar. Nós acreditamos que todos devem ter a oportunidade de ir, por seus talentos, perseverança, e ética de trabalho, o mais longe onde possam chegar e construir reputações de cidadãos de bem para o engrandecimento pessoal e do país que escolheram para viver”, completou o senador Rubio.

 

            Horas antes de o programa ir ao ar, já havia um grupo de pelo menos vinte pessoas se manifestando defronte ao Bank United Center contra Romney. Os manifestantes eram parte do grupo ativista ‘1Miami’, oriundo de vários sindicatos. Portavam cartazes contra Romney, e gritavam “Nós somos os 47%”, em referência aos comentários polêmicos do ex-governador republicano, feitos durante um evento privado para arrecadar fundos para sua campanha eleitoral, onde o candidato disse que 47 por cento dos americanos votarão em Barack Obama porque querem benesses e não pagam impostos federais.

 

            “Sou uma contribuinte contra os comentários de Mitt Romney”, disse Jeanette Pierre, integrante de 1Miami (foto acima). Outra, chamada Clara Vargas, que trabalha para a Universidade de Miami como faxineira, disse que apoia Obama e se somou aos protestas porque é contra os comentários de Romney. “Há muitos ricos nos Estados Unidos que não pagam impostos e deveriam pagar a parte que lhes corresponde”, assacou Vargas. Rebecca Fernández, outra jovem que participou da minúscula manifestação, disse que veio nem tanto para apoiar Obama, mas para protestar contra os comentários “ridículos” de Romney. “Os EUA têm os recursos para ‘dar’ a todos os cidadaos do país assistência médica e moradia de graça”, disse Fernández.

 

            Como se vê, estão postas à mesa todas as cartas ideológicas da batalha eleitoral travada no país, cujo vencedor determinará os rumos da maior potência do planeta, dependendo de quem vá morar na Casa Branca.

 

Quinta feira, 20 de setembro de 2012

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



publicado por solpaz às 19:47
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