Blogue luso-brasileiro
Sábado, 29 de Dezembro de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - ANO NOVO

 

 

 

 

        Que mudanças concretas se sobreponham aos

        sentimentos repentinos e às manifestações     artificiais!

 

                               

Após as comemorações, voltamos a viver em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares. Mais do que nunca, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem social.

           

 

            Já se disse que a condição humana está determinada pelo caráter do tempo. Por isso, no fim de cada ano, fazemos de conta que o seu fluir inexorável abre uma porta e fecha outra, lançando uma ponte para podermos atravessar de uma época para outra. Até tentamos mitificar esse momento de passagem, criando novos propósitos, prometendo o abandono de vícios e comodismos, além de aspirarmos cuidar melhor de nós mesmos, da família e do próximo. Enfim, esse período nos convida a um balanço e reflexões, ao mesmo tempo em que impõe a inevitável sensação de urgência em terminarmos e fecharmos assuntos pendentes

.

                        No entanto, transcorridos os festejos e o “reveillon”, vem a triste realidade:- continuamos os mesmos do ano passado e os problemas, os suplícios e os conflitos mais primitivos permanecem assolando nossa convivência e a mídia em geral. Parece que todas as esperanças lançadas entre os dias 31 de dezembro e 01 de janeiro são de artifício, como os fogos que estouram durante a euforia sem limites das comemorações tradicionais de final de ano.

 

                        Na realidade, buscamos ser felizes, mas não conseguimos nos realizar coletivamente. Sonhamos em ser iguais, mas cultuamos os piores contrastes. O egoísmo gera o anonimato que impede o surgimento de alianças sólidas entre os indivíduos e as relações tendem a ser fortuitas e passageiras. O tempo passa mais rápido que nossa capacidade de doação e um cenário promissor à solidariedade acaba sempre se distanciando.

 

                        Assim, não haverá prosperidade, tão desejada nos votos de “boas festas”, enquanto persistir a concentração de riquezas nas mãos de poucos; as gritantes injustiças cometidas sob os mais frágeis argumentos; a corrupção devassadora e outros males provocados pela prevalência das questões econômicas sobre as sociais – verdadeiros acintes aos valores cristãos. E voltamos, após as comemorações, a vivermos em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares.

 

                        Diante da ameaça que paira sobre todos, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem, para progredirmos em conjunto rumo a tão almejada paz, compreendida como fruto da eliminação da miséria e do desenvolvimento integral de todos os povos.

 

                        A título de reflexão, publicamos um trecho da mensagem do saudoso papa João Paulo II para o Dia Mundial da Paz , em primeiro de janeiro de 2000:- “Os pobres, quer dos países em vias de desenvolvimento quer dos países prósperos e ricos, pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos. A elevação dos pobres é uma grande ocasião para o crescimento moral, religioso, cultural e também econômico da humanidade inteira”.

 

           Vale dizer que será muito bom quando sentirmos sede de justiça, para lutarmos pelo direito de todos.. Será ótimo, enfim, quando nos motivarmos a seguir o caminho correto, para transformarmos esse mundo velho em um mundo novo, mais fraterno e solidário. Nesta época do ano sobram simpatias, análises, cultos esotéricos e religiosos para que tudo melhore. Sobram desejos e pedidos de paz, prosperidade, saúde. Ao encerrarmos, esperamos sinceramente que as mudanças concretas se sobreponham aos sentimentos repentinos ou as manifestações artificiais.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

                                    



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - RETROSPECTIVA
 
 

 
 
 
 
 
 
Acho que todo ano é a mesma coisa. As pessoas esperam retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes, mais importantes do ano que se finda. Penso que é uma forma de repassar o tempo, na tentativa de reter ao menos um resumo do que não se consegue guardar na íntegra, muito provavelmente no intuito de nos apoderarmos do tempo que já não nos pertence.
 
Particularmente, também faço, todos os anos, uma rápida rememoração do que vivi, do que ficou de positivo e o que de nem tanto. Alguns anos, com certeza, trazem saldos melhores do que outros, mas nenhum deles deixou de merecer ter sido vivido, por pior que possa ter sido. Assim, uma vez mais, coloco-me a pensar no ano que agora vai agonizando, realizando seus derradeiros dias.
 
Não cabe, por óbvio, em um espaço destinado à leitura alheia, tecer digressões sobre o meu ano, pois isso seria mais um tema para "meu diário", do que para uma coluna de jornal. Minhas realizações, eventuais frustrações e desejos não podem importar a muito mais gente do que eu. Dessa forma, sem querer desistir da ideia de uma retrospectiva como texto de fechamento do ano, fiquei a imaginar sobre o que ela poderia tratar, do ponto de vista do interesse alheio.
 
Os assuntos de interesse geral rapidamente vieram à tona em meus pensamentos. Pelo mundo afora, a crise econômica se acirrou e gigantes mostraram que também tem telhado de vidro. Não há mais um lugar para se fugir, em um abandono ao país natal, rumo ao sucesso infalível. Acho que a lição maior disso foi a de que é não há um lugar de sonhos, mas um sonho para um lugar qualquer. A diferença haverá de ser o sonhador...
Da mesma forma, muitos locais, mundo afora, foram assolados por catástrofes naturais e eu estou certa de que isso é um recado do Criador, dê-se a Ele o nome que se quiser dar. O recado é claro: quem manda nisso tudo ainda sou Eu! E quem tiver olhos de ver e o ouvidos de ouvir, que entenda o que quer dizer. A natureza exige o respeito que lhe devemos e que negamos a dar, a cada dia mais. Não vamos pagar caro por essa indiferença: já estamos pagando, só que, por ora, em prestações. Temo pelo dia do pagamento à vista...
 
Muita gente famosa também nos deixou. Gente de televisão, da telona e da telinha. Mas eu acredito que muitos prantos doídos tenham sido vertidos pelos anônimos, importantes para quem eles eram caros. Deixo aqui, nessa simples e despretensiosa retrospectiva, meus sinceros sentimentos pelas vítimas da violência, da ignorância, da intolerância, do descaso público, gente que não dá manchete, exceto nos corações daqueles que restam inconsoláveis.
 
E como não poderia ser diferente, não dá para escrever sobre 2012 sem voltar a falar no "não fim do mundo". Sei que muitos já nem aguentam esse tema, mas seria uma retrospectiva fajuta sem essa questão ser tocada. Ou seja, a coisa toda, ao menos para quem continuou vivo, ainda está em andamento. Logo logo inventam "outra civilização secreta que previu com acerto e agora sem erros, o fim do mundo para uma data qualquer, cabalística" e lá iremos nós outra vez, rezando, intimamente, para que tudo não passe de besteira, pois ainda há muito o que vivermos.
A vantagem é que, como disse um amigo meu, agora podemos falar que já sobrevivemos a dois fins de mundo e olha que isso não é coisa para qualquer um não! E tudo isso sem muito preparo ou aparatos de sobrevivência. No meu caso, somente dormi, mais nada e isso já bastou para me livrar do pavor e do caos (rs).
 
Agora, antes de acabar esse texto, aproveito para desejar a todos aqueles que tem a santa paciência de ler o que escrevo, um ano de 2013 de muitas esperanças, de muito amor, de muita paz e de forças para enfrentar o que for necessário, pois se já demos o olé no fim do mundo, o resto todo será fichinha.
 
E por derradeiro, mesmo com risco de descontentar a alguns, há no meu coração uma lembrança de 2012 que não posso deixar passar e que causou emoção mundial (rs), que foi a conquista do Timão! Tudo o que posso dizer, pedindo desculpas ao meus amigos Palmeirenses, São Paulinos e aos demais times, é que sou uma torcedora respeitosa com os adversários e que não admito brigas por futebol, mas em homenagem ao meu pai e falecido sogro, corinthianos ambos, tenho que dizer: _ VAI CORINTHIANS!!!!!
 
 
 
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.


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FAUSTINO VICENTE - ESPIRITUALIDADE NAS EMPRESAS

 

 

 

 

 

 

 

Às vésperas do Natal, já podemos afirmar que o consumismo vai bater novo recorde, que famílias vão se reunir para a ceia, que as igrejas celebrarão solenidades especiais, que o Papai Noel vai tentar roubar a cena do aniversariante, que a solidariedade estará à flor da pele e que a expressão – Feliz Natal – será imbatível.

 

Além dessas manifestações, que ocorrem anualmente, seria bem-vindo um presente...sem data de validade.

 

Nossa sugestão vai para os lideres de organizações, – publicas e privadas –, de todos os portes e segmentos, para que a espiritualidade, sem nenhum vínculo com religião, ganhe espaço no cotidiano das empresas.

 

Diante das descobertas científicas, do avanço tecnológico e do progresso material no mundo, que  são bem-vindos, estamos convencidos que há um descompasso entre essa realidade e a evolução das relações interpessoais, gerando um profundo abismo entre o oceano de pobres e a ilha de ricos.

 

Pressão excessiva para aumentar a produtividade e reduzir custos, assédio sexual, constrangimento moral, gestão centralizadora, que inibi a criatividade dos funcionários, salários desproporcionais ao lucro de determinadas organizações e condições inadequadas de trabalho, são algumas evidências que nos levam à máxima – “quem pode manda e quem tem juízo obedece” - , uma cruel realidade em muitas empresas.

 

O estudo da espiritualidade, por parte de dirigentes e funcionários nas empresas, pode fazer parte da cultura organizacional, pois é uma singular oportunidade para uma profunda reflexão sobre o capital e o trabalho, o econômico e o social, a hierarquia e o autoritarismo, o questionamento de ideias, não de pessoas, o preconceito (chaga social) e o respeito, a empresa e a família,  a gestão solitária e a gestão solidária e, enfim, as metas da empresa e as necessidades do funcionário.

 

Dar oportunidades iguais, em seu mais abrangente sentido, para que todo cidadão possa revelar e desenvolver o seu potencial, é o alicerce indispensável para a construção de uma sociedade e mais justa socialmente e menos desigual economicamente.

 

Concluímos que espiritualidade é a soma de valores, que produz uma mudança para melhor, no interior do ser humano.

 

 

 

 

Faustino Vicente   –   Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos, Professor e Advogado – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – Jundiaí (Terra da Uva) São Paulo – Brasil -



publicado por solpaz às 14:24
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - IOLANDA APARECIDA SABIÁ

 

 

 

 

 

 

 

Dezembro se finda com mais uma despedida. No dia 26, Iolanda Sabiá, querida por tanta gente, aos 53 anos, experimentou a morte para, no passo seguinte, adentrar a Eternidade.

Creio que se cumpriu o tempo que é de Deus. Foram três anos da doença que se multiplicava e exigia tratamentos mais fortes com reações que machucavam o corpo e o sentimento. A enfermidade também minou sua aparência: quedas de cabelo, unhas escuras, opacidade na pele... Ela não era, no entanto, de vaidades extremas. Ajeitava-se de alguma forma, desde os lenços coloridos para emoldurar o semblante meigo.

As células defeituosas que avançavam e a tornavam frágil, não conseguiram atingir o brilho de seus olhos, a doçura de seu sorriso e a grandeza de sua alma.  Sua alma era pelo sopro de vida do Criador e por seu “sim” a Ele, de Deus e da Virgem Maria. Suas mãos continham o perfume da reza diária do terço.

 

 

 

 

 

Caracterizava-se pela acolhida gentil e insistência em resolver problemas. Foi assim no tempo em que trabalhou na recepção do gabinete da Prefeitura de Jundiaí e, mais tarde, na Secretaria Municipal de Obras, da qual se aposentou por limitações físicas. Foi assim nos 17 anos de voluntária na diretoria da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Associação Maria de Magdala.

Amava os filhos: Otávio e Olívia com amor que é presença, dedicação, exemplo. Amava os pais e os irmãos. A família era o centro de sua ternura e esforços. Partiu no dia exato em que seu pai, há dezoito anos, falecera. Sua mãe me disse, diante do corpo silente nascido de suas entranhas, que o pai se reencontrara com a filha em tempo do verdadeiro sentido do Natal. Sem dúvida, pois o Natal é prenúncio da Ressurreição.

Desde que soube da doença, acreditava em um milagre, ou seja, uma manifestação, quase tátil, do Senhor e de Nossa Senhora, que a curaria. A revelação, por certo aconteceu, mas não aqui e sim além dos limites da compreensão humana. É de lá que, hoje, ela sussurra cantigas que podem acalmar a dor dos se que despediram dela e se sentem violentados com sua ausência.  É de lá que ela intercede junto a Deus por aqueles que amou do lado de cá.

Ao olhar ao meu entorno, noto a falta de tantas pessoas, como a Iolanda, que, de alguma maneira, me fizeram um bem imenso. Tenho saudade grande. O espaço de cada uma, porém, está preservado com uma vela alaranjada acesa, de chama que não se apaga. E, à minha frente, após planícies, colinas e cordilheiras, acendem estrelas do azul.

A Iolanda, no final de e-mails, cartões, me escrevia: “De sua amiga para sempre”. Creio nessa afirmação, pois fomos feitos para a Eternidade e para o reencontro, embora dizer adeus nos fira, nos sangre. 

Iolanda para sempre, porque Deus é Eterno.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -   Jundiaí, Brasil

 

P.S. Querida Leitora, querido Leitor, que 2013 traga, em todos os dias, o diálogo com Deus que os (as) ama e lhes acena com a vida para sempre.

 



publicado por solpaz às 14:12
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FELIPE AQUINO - O ANO NOVO E A FESTA DA MATERNIDADE DE NOSSA SENHORA

 

 

 

 

 

 

Sempre que começa um ano novo, nós temos também criamos uma expectativa nova.

 

Queremos limpar as gavetas, acertar as contas, colocar tudo em dia,  mas é preciso também  acertar a nossa vida espiritual, acertar a nossa alma, começar uma vida nova, em Deus, deixando o pecado para trás, deixando para trás aquilo que não é de Deus, porque assim a gente começa a ter a paz, a alegria. Quem vive a virtude encontra a felicidade!

 

No 1° dia de janeiro a Igreja celebra a festa da maternidade de nossa Senhora. É uma festa dedicada a Santa Mãe de Deus, daquela que veio ao mundo para fazer a vontade, sendo em tudo exemplo para cada um nós. Que benção poder iniciar o ano com essa festa!

 

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Vejamos também neste vídeo a importância deste dia para nós cristãos:

 

 

http://youtu.be/QYOJQMYJ5lc

 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por solpaz às 13:59
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JOSÉ RENATO NALINI - POÇO DE PRECONCEITO

 

 

 

 

 

Ortega y Gasset afirmou que somos nós e nossas circunstâncias. Não teria errado se tivesse dito: somos nós e nossos preconceitos. Mesmo que não admitamos, somos preconceituosos. Temos pré-compreensões geradas na família, na escola, na religião, na sociedade. Elas moldam a nossa concepção de vida e orientam o nosso convívio.

 

O magistério mal remunerado, sem tempo de se reciclar, sem o descanso sabático do Primeiro Mundo, é um terreno fértil para o aprofundamento preconceituoso. Assim, não é raro se divida a classe entre os ‘burros’ e os ‘inteligentes’. Quando o professor acredita que um aluno é menos dotado, sua crença vira sentença. Ele condena o objeto de seu preconceito a um rendimento menor.

 

Isto não é ‘achismo’, senão resultado da pesquisa que o educador Robert Pianta, Reitor da Escola de Educação Curry, da Universidade de Virgínia, fez com alunos do nível fundamental. Para ele, o professor desestimula os alunos que considera menos capazes de todas as formas possíveis. Sorrindo menos par eles, mostrando impaciência, não levando suas dúvidas a sério.

 

Desde os anos 1960, sabe-se que a expectativa dos professores é decisiva no processo de aprendizagem. Para evitar que a baixa expectativa atrapalhe o desempenho do aluno, recomenda-se ao professor que numa sala com 30 alunos, dedique um dia por mês para dar atenção especial a cada um. Converse com o aluno, pergunte sobre suas dificuldades e se gosta das lições.

 

É importante definir um tempo padrão para que os alunos respondam às questões, destinando o mesmo tempo a cada um. É saudável demonstrar surpresa quando um aluno tira notas baixas e deixar claro que se esperava mais dele.   Se necessário, deve-se mudar os alunos de posição na sala, de quando em quando, para não ficar próximo sempre dos mesmos estudantes.

 

Verdade que muitos professores não precisam pensar nisso, pois desenvolveram suas próprias técnicas de valorização do alunado. Todavia, não custa fazer um exame de consciência para concluir se o docente está fazendo o seu melhor para aproveitar a potencialidade dos educandos. Por melhor que a auto-estima nos considere, há sempre espaço para crescer e para se aperfeiçoar.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.



publicado por solpaz às 13:49
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - PACTO COM A FELICIDADE

 

 

 

 

 

 

Na semana passada eu publiquei um texto de Natal do Pe. Maristelo e algumas pessoas responderam elogiando o texto.

Então, também por este motivo, eis parte da mensagem de Ano Novo que o mesmo sacerdote leu numa missa de final de ano na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração:

 

“Mudamos alguma coisa passando de um ano para o outro? Os dias depois de 1º de janeiro são diferentes dos dias anteriores a 31 de dezembro?

 

            Nosso poeta Drummond, encantado com este mistério assim falara do ano novo: ‘Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente’.

 

            Chamar este ano de ano velho não é uma ofensa pra quem conviveu conosco 365, na alegria e na tristeza? Cantar ‘adeus ano velho’ para ele não é uma forma cruel de despachar um companheiro de todas as horas, de todos os minutos e de todos os segundos? Cantar ‘Feliz Ano Novo’ não é uma forma excessivamente rápida de esquecer o passado e se envolver com o que chega?

 

No salmo 89 assim canta o salmista: ‘Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria!’ O desafio da passagem do ano não é a contagem dos dias que se passaram ou dos dias que faltam, mas  aprender a saborear os dias vividos e a salivar pelos dias que se aproximam. Santo Inácio de Loyola dizia: ‘Porque não é o muito saber  que sacia e satisfaz a  alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente’.  Plagiando este mestre espiritual, poderíamos dizer que não são os muitos anos vividos que saciam a vida, mas a capacidade de sentir e saborear as experiências vividas.

 

Imagino a passagem de um ano para o outro como o encontro do idoso com a criança. O idoso não é um velho nem é um ultrapassado, mas é alguém que traz a experiência do vivido, tão respeitado nas culturas antigas. A criança não nasce instantaneamente, mas desde a concepção vai sendo gerada. Antes mesmo de ser gerada no ventre, vai sendo gerada no coração e no sonho de muitos homens e  mulheres, por isso não se sabe precisamente quando nasce uma criança.  Uma pessoa quando parte continua viva na mente e no coração daqueles que a amam.

 

A passagem do ano não é o funeral de um ano e o nascimento do outro, é a dança do idoso com a criança. Ele com os passos cansados, mas vividos. Ela ensaiando os passos, mas cheia de energia. Nesse baile, em vez de uma ampulheta se entrega uma rosa branca com folhas bem verdes, branca como a paz, verde como a esperança, sementes semeadas ontem, flores colhidas hoje, anunciando o fruto de amanhã. Ambos embalam uma criança que se chama Jesus.

 

Nós cristãos temos um conceito de tempo que se chama eternidade: existência absoluta, sem princípio nem fim, pois a nossa história foi assumida por Aquele que é o Ontem e o Hoje, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega, o Senhor do Tempo e da Eternidade, Aquele que era, que é, que será.

Na passagem do ano ao Senhor da Eternidade cantamos Te Deum: ‘A Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim’. Aos irmãos que estamos no tempo, diferente de Vinícius não dizemos: ‘que seja infinito enquanto dure’, mas sim que seja eterno, pois dura para sempre. Dizemos mais do que adeus ano velho ou feliz ano novo. Desejamos simplesmente eternidade feliz, eternamente feliz.”

 

Depois destas belas palavras, que tal fazermos um ‘Pacto com a Felicidade’? Por exemplo:

 

De hoje em diante, todos os dias ao acordar direi: ‘Hoje vou ser feliz’. Lembrarei de agradecer ao sol pelo seu calor e luminosidade; sentirei que estou vivendo. Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar. Vou sorrir mais, cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades. Não julgarei os atos dos meus semelhantes, mas aprimorar os meus.

 

Reservarei minutos de silêncio para ter a oportunidade de ouvir. Não vou lamentar nem amargar as injustiças; pensarei no que posso fazer para diminuir seus efeitos. Não vou sofrer por antecipação, prevendo futuros incertos, lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação. Não pensarei no que não tenho e que gostaria de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo. E o maior bem que possuo é a própria vida!

 

Vou lembrar-me de ler uma poesia, ouvir uma canção e dedicá-las a alguém, sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ver uma pessoa sorrir. E quando a noite chegar, olharei para as estrelas, para o luar e agradecerei a Deus... porque eu fui feliz!

Que assim seja para todos em 2013.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



publicado por solpaz às 13:38
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UBIRATAN IORIO - A FLOR QUE VICTÓRIA COLHEU

 

 

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/conservadorismo/13713-a-flor-que-victoria-colheu.html

 

 

 

victoria sotoVictoria venceu, com sua morte, a cultura da morte. Foi cristã até o fim.

 

 

 

Dizem que o amor é uma flor delicada e da mais rara beleza, mas que nasceu e desabrochou bem na beira de um abismo, para que quem deseje pegá-la e desfrutar de sua formosura, fragrância e tudo o mais ue representa, tenha que demonstrar muita coragem.

 

O mundo inteiro chocou-se com o episódio ocorrido no colégio Sandy Hook, em Newtown, no estado americano de Connecticut, quando um psicopata, cujo nome não merece sequer ser mencionado, assassinou a tiros vinte crianças entre cinco e dez anos e seis adultos, incluindo a própria mãe.

 

 Imediatamente, a mídia mundial destacou o fato, mas, como sempre acontece nesses momentos de comoção, procurou capitalizar seus próprios interesses, sugerindo que, caso a posse de armas fosse proibida, a tragédia teria sido evitada. O presidente Obama, com seu populismo característico, está também tirando proveito do episódio, já se declarando a favor de mudanças radicais nas leis que regem o porte de armas nos Estados Unidos.

 

Isso não é verdade, pela mesma razão - para usar uma imagem popular – pela qual a culpa por um aluno ter tirado zero em uma prova não pode ser atribuída ao lápis com que fez a mesma... No triste caso de Newtown, a culpa não foi da arma e nem da legislação, ela foi simplesmente do assassino! Mas não pretendo aqui enveredar pela discussão sobre se o porte de armas deve ser ou não permitido, embora me sinta na obrigação moral de afirmar que qualquer cidadão de bem tem o direito de possuir armas para se defender dos que não são de bem. Aliás, parecem preocupantes as razões que estão por trás dessas frequentes tentativas de desarmamento das pessoas corretas, porque naquele plebiscito realizado há alguns anos no Brasil nosso povo manifestou-se maciçamente a favor do porte legal de armas para os cidadãos se defenderem.

 

Mas, nesta postagem, quero muito, também por dever moral, enaltecer as virtudes heroicas de uma jovem, Victoria  Soto, professora de origem porto-riquenha daquele colégio de Connecticut, cristã da denominação protestante Lordship Community Church, que não hesitou em entregar sua vida, na plenitude de seus vinte e sete anos, para salvar suas crianças.

 

Ela reagiu sem pestanejar assim que ouviu disparos na sala de aula que havia sido invadida pelo criminoso, bem ao lado da sua. Em meio ao terror daqueles momentos que podemos imaginar quão terríveis foram para quem os viveu, encontrou forças para ter o tirocínio de dizer aos dezessete alunos que aqueles barulhos (tiros e, certamente, gritos) faziam parte de uma brincadeira e que se eles desejassem ganhá-la deveriam esconder-se nos armários da sala e permanecer absolutamente quietos, em silêncio absoluto. As crianças obedeceram a essas instruções e quando o monstro invadiu a sala de aula, ao não ver nenhum aluno, perguntou onde estavam. Victoria novamente mostrou acuidade, dizendo-lhe que estavam em uma aula de ginástica, mas, infelizmente, ele não ficou convencido disso e abriu fogo contra um dos armários. Então, para proteger seus queridos alunos, incontinenti e com impressionante destemor e coragem, se colocou entre eles e o assassino, fazendo-se ela própria de escudo. Foi então atingida mortalmente, dando a sua vida pelas daqueles inocentes que a ela estavam confiados naquele momento. Ela foi encontrada amontoada sobre as crianças, as suas crianças, a quem defendeu instintivamente como se fossem seus próprios filhos.

 

Victoria deu sua vida pelas vidas de crianças inocentes. Vidas que não foi ela que gerou, mas que tratou como se tivessem sido concebidas por ela. Um soco no queixo de quem defende práticas abortivas em nome de um pretenso “direito ao corpo” da mulher, como se os filhos que carregam no ventre a elas pertencessem, como se não possuíssem vidas próprias. Nesse sentido, podemos dizer que Victoria venceu, com sua morte, a cultura da morte. Foi cristã até o fim.

 

Quem é cristão sabe que não há prova maior de amor do que dar a vida pelo irmão, como fez o próprio Cristo. Quem é ateu e tem bom coração, certamente, haverá de concordar com isso. Mas quem achar que atos assim não são heroicos, seja cristão ou ateu, pode parar de ler esta pequena elegia, porque, sinceramente, sua ausência não me fará a menor falta...  Todas, rigorosamente, todas as pessoas que possuem bons sentimentos – protestantes como Vickie, católicos, judeus, espíritas, ateus – reconhecem seu ato de heroísmo. Victoria não titubeou em morrer para que aqueles pequenos anjos tivessem a chance de permanecer vivos. Colocou a vida deles em primeiro plano. Seu primo Jim Wiltsie, segundo postagens na Internet, afirmou que ela "perdeu a vida fazendo o que amava. Ela amava essas crianças  e sua meta na vida era chegar a ser uma professora para moldar estas jovens mentes" [graduada na Eastern Connecticut State University, estava cursando o mestrado em educação para deficientes na Southern Connecticut State University]. Sua amiga Andrea Crowell disse que Vickie "pôs suas crianças em primeiro lugar. Ela sempre falava disso. Ela quis fazer o melhor por eles, ensinar-lhes algo novo cada dia".

 

Sua igreja, segundo pude constatar na Internet, está organizando uma campanha para angariar fundos para sua família que, ao que parece, vive com dificuldades financeiras. Uma bela iniciativa.

 

Estamos acostumados a ver imagens dos santos em estátuas e estampas que nós, católicos, veneramos (o que é muito diferente de adorar), como se estivéssemos olhando com carinho para uma estátua ou fotografia de uma pessoa querida.

 

Pois ao olhar ontem para a fotografia de Victoria na Internet, uma jovem bonita, de olhar que irradiava pureza e alegria e plena de vida, tive a certeza de que  sua demonstração heroica de amor fez dela uma santa de nossos dias, mártir dos tempos modernos! Sem estampa, sem estátua, sem pertencer à Igreja que beatifica e canoniza pessoas que demonstraram em vida virtudes heroicas. Pois o que menos importa é a que igreja pertencia, já que o que resulta – e que Deus certamente já levou em conta – é que Victoria, com a dedicação à sua missão de professora, com a qualidade de procurar fazer sempre suas tarefas profissionais da melhor maneira possível dentro de suas limitações humanas, colheu destemidamente a flor do amor.

 

O abismo não a intimidou! A flor é sua, Professora, você a colheu com muita coragem, desfrute de sua beleza, fragrância e tudo o mais que representa o amor. Amor que você dedicou a seus pequenos inocentes. O Pai certamente há de ter se alegrado com a sua atitude e há de ter concedido a você a maior de todas as alegrias, a que reserva para as pessoas humanas, os únicos seres transcendentais criados, que é a alegria da Sua presença, Vickie!

 

 

 

 

 

Transcrito de " Midia Sem Máscara"



publicado por solpaz às 11:54
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - VAMOS FALAR DE DEMOCRACIA

 

 

 

 

 

 

Anos há, ao ler crónica publicada on-line, reparei que no rodapé havia enxurrada de comentários, que em regra, primavam pela ignorância e má fé, para não dizer: falta de educação.

 

Apressei-me a escrever parecer sobre a liberdade de expressão, frisando que o articulista, em democracia, tinha o direito e até o dever, de exprimir livremente sua opinião. Cabia, todavia, ao leitor, opinar de forma cortês, evitando palavras agressivas, carregadas de ódio, demonstrativas de falta de maturidade e respeito.

 

Escusado será dizer que o comentário não foi publicado. Provavelmente consideraram-no indesejável, por não perfilhar a opinião dominante.

 

Sempre lutei pela liberdade de expressão, pois sem ela, não pode haver democracia plena. Mas esta só subsiste, se todos, mutuamente, se respeitarem.

 

Insultos, remoques grosseiros, que se escutam na rua, em manifestações, comícios e debates políticos, são demonstrações inequívocas de a má formação cívica, indicativo que, quem assim age, não é democrata, mas ditador camuflado ou em gestação.

 

Povo que não é educado, cedo ou tarde cairá em ditadura.

 

Recontava, meu pai, o que ouvira a sua avó Júlia, sempre que assistia a debate político recheado de ataques ou veladas ofensas:

 

Estando o Dr. Pinheiro Torres, na Bélgica, ouvira dizer que ia haver renhido “combate” entre conhecido conservador e convicto progressista.

 

Perante o espanto do jurista - habituado a confrontos de parlamentares portugueses, na Primeira República, - o debate terminou com afectuoso aperto de mão, e os intervenientes pareciam pedir perdão por discordarem.

 

Concluía, meu pai, que sua santa avó, lamentava que o mesmo não acontecesse em Portugal.

 

Discordar de pareceres, sejam políticos, religiosos ou desportivos, em democracia, é direito inalienável; por isso, cercear liberdade,  a quem não pensa como nós é prepotência inaudita.

 

Sempre que se intimida ou se humilha, em termos agressivos, v.g.: mentiroso, aldrabão gatuno, chulo e quejandos, dá-se machadadas mortíferas, destruidoras da democracia.

 

O regime democrático, não é perfeito, mas é o melhor que se conhece. Infelizmente, quando o povo não tem educação, confirma o que bem disse Jean Jacques Rousseau: Um governo tão perfeito, não convém aos homens, mas a deuses. - “ Contrato Social”- Cap. lV

 

É bem verdade, quando se diz, que cada povo tem o regime e o governo que merece.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - ABRAÇO DE NATAL

 

 

 

 

 

ABRAÇO DE NATAL É o poema onde me interrogo, como será o Natal daqueles menos fortunados que muitos nós, onde não predomina a razão para celebrar o Natal. Tentemos ser solidários com estes nossos semelhantes e dar-lhes o nosso abraço fraternal expresso neste poema que poderão ver  aqui neste link:

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Abraco_de_Natal/Index.htm

 

 

 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
 
 
 
 

 



publicado por solpaz às 11:02
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