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Sábado, 26 de Janeiro de 2013
RENATA IACOVINO - SURDOS DE ALMA

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos surdos. Ando relutando para aceitar essa tola constatação.

 

Mais um atributo advindo destes estrangeiros tempos atuais.

 

Tudo hoje é fabricado para poupar nosso tempo, para que precisemos utilizar minimamente nossas mãos, nossas pernas e infeliz e consequentemente, nossas mentes.

 

Andamos emburrecendo por conta da tecnologia. Parece papo de quem está envelhecendo, mas é algo menos simplista do que isto. Por       que “simplificar” também é uma característica desta era. A simplificação é tanta, tanta, que nos reduzimos, por vezes, a seres ininteligíveis, que agem por automação, ou por pura lógica, sem aventar qualquer possibilidade crítica. A crítica – a que nos faz refletir e nos abrir para um mundo diverso, e não a que nos acomete de arrogância, fazendo-nos pensar que somos donos da verdade – é a mãe do pensar e da maturidade intelectual. Mas a crítica se dá se nos relacionamos com o mundo, se participamos de situações que nos proporcionam experiências diversas, se atuamos em debates presenciais... Se nossa relação for com máquinas, tudo indica que nos tornaremos, igualmente, máquinas.

 

E a surdez tem a ver com isso. A relação com as máquinas e toda comodidade que ela nos oferece, nos afasta de quem não é máquina. E vamos nos voltando cada vez mais para nós mesmos; não queremos a companhia do outro...

 

Vamos ficando surdos diante de outrem e daquilo que ele tem a nos expor. Conversas são, boa parte, à distância. Esta modalidade prática nos faz abreviar, cortar, eliminar... E quando o encontro é presencial, tendemos a fazer o mesmo. Isso quando não preferimos continuar com os olhos pregados em alguma máquina enquanto o outro tenta inutilmente um mínimo de nossa atenção.

 

Nosso ouvido, a princípio, se torna seletivo, escutando apenas aquilo que nos interessa por alguma razão mesquinha. Num segundo momento, apanhamos a informação que nos é útil, dita por quem monologa conosco, e o interrompemos, utilizando a informação para enaltecer nossos dotes ou vender nosso peixe (seja ele qual for).

 

Assim, torna-se reduzida a chance de, por um breve momento, concluirmos alguma história, algum raciocínio... E o que prevalece é sempre o mínimo eu – ansioso! – buscando abafar uma tentativa de diálogo. A necessidade de sobressair-se se sobrepõe a um mísero espírito de amizade, palavra esta em extinção.

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CÁLCULOS NA PROSTITUIÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

A prostituição é feita de cálculos perversos.  O “olheiro”  presume o quanto um corpo pode render, seja em valores monetários ou em satisfação para a carne. Se houver a perspectiva de vantagem, alicia, investe e corrompe.

Na primeira quinzena deste mês, o jornalista acreano Altino Machado, ex-repórter dos jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Folha de São Paulo, divulgou no Blog da Amazônia, por ele coordenado, matéria a respeito da Operação Delivery em Rio Branco (AC), que identificou uma rede de prostituição e exploração de menores naquela capital. Foram denunciados aliciadores e clientes. Integravam a rede pelo menos 25 adolescentes menores de 18 anos e 104 mulheres maiores de idade. Os usuários da rede são, segundo Machado, empresários, fazendeiros, comerciantes, políticos, integrantes do governo estadual, incluindo pais e filhos. Um dos nomes em destaque é o do ruralista Assuero Doca Veronez, presidente da Federação de Agricultura do Acre, que se encontra foragido.

Em entrevista ao blog, uma das garotas de programa, 22 anos e universitária, comenta sobre a crueldade do cafetão, que se considera dono das mulheres, exige obediência, servidão total.  Os pais e os noivos desconhecem que o que ela faz. À pergunta sobre sair da prostituição, após concluir a faculdade, responde: “Não vou mentir. (...) É um dinheirinho a mais que entra. (...) Muita gente que aponta ou critica as garotas de programa faz coisas piores”. (...) Pretendo me estabilizar financeiramente, pois todo mundo conclui faculdade e fica desempregado. (...) No dia que eu me estabilizar, quero ter filhos, casamento estável. Quando chegar a esse ponto, não vou mais fazer programa”. E a respeito de conselho a alguma jovem que pensa ou já pensou em se tornar garota de programa, ela afirma: “Estudar de verdade para não se atrasar. Terminar o ensino médio com 16 ou 17 anos, quando a gente ainda é novinha, ingressar na faculdade, estudar pra valer, arranjar um namoradinho, ficar noiva, casar, ter filho e jamais fazer programa. Uma coisa eu digo: programa vicia. (...) Outra coisa: conversar com os pais ajuda muito. (...) O meu conselho é que as garotas não aceitem fazer programa, não aceitem presentes de homens, pois isso é um jeito também de se prostituir”.

Raciocínio lógico: prostituir-se, seja do tipo que for, não vale a pena. Deforma o caminho do ser humano. Utilizar-se da prostituição é a mesma coisa.

E nesse tempo de comentários eufóricos sobre os Jogos Olímpicos e a Copa, ressurgem projetos de lei na Câmara dos Deputados com a proposta de regulamentar a prostituição como “benefício” a quem negociar o seu corpo para turistas estrangeiros.  Avanço, na realidade, para legalizar a função de cafetão e cafetina, que não passam de sanguessugas. Se aprovado, será o exercício torpe, sob o amparo da lei, de inserir seres humanos em calculadoras.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - UMA SENHORA CHAMADA SÃO PAULO

 

 

 

 

 

 

            Se há uma lição que a vida me ensinou e sempre vive me lembrando é que não se pode dizer “dessa água não beberei”, nem “cuspir para cima”, como se diz por aí, pois, sem qualquer dúvida, a tal água se torna doce, desejada ou necessária e o cuspe despenca na cara.

 

            Aliás, digo até mais: o inesperado, o imaginável, quando não são tragédias, são parte do que a vida tem de melhor. As surpresas, os atalhos impensados, o amor que não se sonhava, o sonho que não se sonhara e tantos outros “imprevistos” fazem com que cada jornada humana seja única e incrível.

 

            Pois bem, assim, um dia, há muito tempo, muito mais do que desejo confessar, estava eu, aos 17 anos, às vésperas de terminar o então colegial e hoje ensino médio. Era hora de escolher não apenas a faculdade que eu faria, bem como o local que seria escolhido para isso. Venhamos e convenhamos que essa escolha, no mais das vezes, importa no que se fará da vida dali para frente e isso, como, creio, aconteça com muitos jovens, deixou-me apavorada.

 

            Só havia uma coisa da qual eu estava certa: jamais iria para São Paulo! A ideia não me passava nem remotamente pela mente, exceto pelo lado da negativa. Eu não apenas achava a cidade feia, cinza, como atemorizante. Creio que a palavra certa para o que eu sentia por São Paulo era ojeriza. Mesmo sabendo que uma das melhores faculdades de direito, pública, ficava em São Paulo, nem ousei me inscrever no vestibular, até para não correr o risco de passar.

 

            Dessa forma, lá fui eu para o Paraná, para cidade de Londrina, na qual morei excelentes 5 anos. Contudo, sempre que me perguntavam se eu ficaria lá após terminar o bacharelado em Direito, eu não tinha convicção, eu não achava essa resposta no meu coração. Para poder aperfeiçoar meus estudos, acabei dando a mão à palmatória e, ainda a contragosto, vim morar em São Paulo.  

 

            Não posso dizer que esse tempo, que restou sendo de dois anos, tenha deixado saudades. Foram tempos de dinheiro contado por centavos, de morar na casa dos outros e de muita autocobrança, ainda que produtivos em termos de estudo e experiência de vida. Tão logo pude, voltei para o interior, aliviada por ter deixado aquela gigante que sequer eu chegara perto de desvendar ou de entender.

 

            Mais nove anos depois e a vida mudou. São Paulo parecia o destino mais seguro sob o ponto de vista profissional. Eu tinha que apostar minhas derradeiras fichas, antes até nem fichas eu tivesse para isso. Pela segunda vez, fiz minhas malas e fui para São Paulo, pronta para o que viesse, fosse para devorá-la, fosse para ser devorada por ela.

 

            Bastaram, inexplicavelmente, menos de seis meses para que algo muito estranho ocorresse... A gigante de pedra foi me seduzindo de forma irresistível e eu fui me deixando conquistar até estar totalmente entregue aos seus mistérios, aos seus cantos, encantos e desencantos. Pela primeira vez em toda minha vida, senti-me pertencendo a um lugar, a uma cidade. É como se fosse uma cidade nova e como se eu tivesse vivido aqui minha vida toda.

 

            É claro que ainda há muito a ser feito para tornar São Paulo uma cidade modelo. Há muita violência, muita sujeira, muito descaso público e privado, mas, por outro lado, já não há tantos lugares no nosso país onde esses fatores não estejam presentes. No entanto, poucos lugares tem a mesma mistura de pessoas, de culturas, a mesma gama de oportunidades. Sempre há algo novo a ser descoberto em São Paulo, essa senhora que completa 459 e para a qual confesso meu amor incondicional, imprevisto e até inexplicável.

 

            E não é mesmo assim o amor?  Só se sente e só se pertence... Parabéns São Paulo!

 

 

 

 

 

 CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - A CRUZ SAGRADA

 

 

 

 

 

 

Continua circulando na internet as palavras do Frade Demetrius dos Santos Silva, publicadas no jornal‘Folha de São Paulo’ de 09/08/2009:

 

“Sou padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

 

Jamais gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas. Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte. Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

 

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e dos pobres.”

 

Foi uma resposta ao Ministério Público que, em 4 de agosto de 2009, ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas. Eu não concordo em generalizar a opinião de que a maioria dos políticos é ruim e os profissionais de direito também. É preciso analisar cada caso para um melhor julgamento, porém, em se tratando da Cruz de Cristo, todo respeito ainda é pouco.

São Bento rezava uma oração que continua sendo repetida milhares de vezes a cada hora em todo o mundo: “A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te Satanás, nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno”.

 

E a medalha de São Bento onde está gravada esta famosa oração é considerada um sacramental, quer dizer, um sinal poderoso de fé. Acredito que o uso da medalha protege contra as artes do demônio e concede graças – como a vitória sobre os inimigos perigosos e a tentação.

Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras CSPB – são abreviações da frase em latim: ‘Cruz Sancti Patris Benedicti’ ou ‘Cruz do Santo Pai Bento’. No alto da cruz está gravada a palavra PAX, ou Paz, que é o lema da Ordem de São Bento. A imagem do santo aparece no verso da medalha; ele segura na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz. Ao redor da medalha, lê-se ‘Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur’, que quer dizer: ‘Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte’.  

É representada também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu milagrosamente ileso.

 

Com certeza, o santo seguia os ensinamentos de Jesus, que dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome a sua cruz e siga-me” – São Lucas, 9,23. E sabemos, as cruzes são diferentes nas costas de cada ser humano que vive: umas leves, outras muito pesadas, mas nenhuma que não possa ser carregada com fé.

 

Havia um homem que tanto se queixou de seu sofrimento que o Senhor lhe apareceu em sonho. Então, aproveitando a oportunidade, o queixoso indagou:

 

– Senhor, por que tenho que sofrer tanto?

 

Jesus respondeu:

 

– Você acha que sua cruz está pesada? Quer escolher outra?

 

– Sim, Senhor, eu gostaria!

 

Então, o homem foi levado ao lugar das cruzes. Ali havia um monte delas, de diversas variedades: cruzes de pedras preciosas, ouro, prata, tronco de árvores etc. E o homem viu uma cujo brilho se destacava das outras. Apontou-a e disse:

 

– Senhor, esta é a cruz que eu quero..

.

E Jesus, sorrindo, exclamou:

 

– Mas esta é a sua cruz! Por ser de ouro é muito brilhante, mas também muito pesada.

 

O homem finalmente compreendeu que sua cruz não lhe fora imposta por Deus, mas carregava a cruz que era fruto de sua própria escolha. Aceitou então aquela cruz para sempre, e ela já não lhe pesou tanto.

 

Pois é, muita gente escolhe uma cruz de ouro, não e mesmo? E muita gente, com o passar do tempo, serra sua cruz e a torna mais leve para suavizar a caminhada; porém, a parte que fica no caminho é o ‘serviço a Deus’ que, por ser pesado para alguns, reduzia a velocidade desenfreada em direção ao pecado. Terá valido a pena?

 

Nas procissões desta Semana Santa, se as cruzes imaginárias fossem materializadas, veríamos algumas grandes e pesadas sendo conduzidas por pessoas de almas iluminadas. Quanto maior a confiança na salvação, maior a força interior de alguém que almeja o Céu, sem se importar com o peso da cruz.

 

Enfim, a cruz é o instrumento de redenção do mundo. Sua representação desperta em nós os sentimentos de gratidão para com Deus, pelo benefício de nossa salvação. Passaram 500 anos após a morte de Jesus até os cristãos fabricarem a primeira cruz. Deixou de ser sinal de maldição e se tornou o maior símbolo do cristianismo.

 

Amigo, que a Cruz de Cristo não seja para ti apenas um amuleto, mas também a tua verdadeira luz

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO

 

 

 

 

  Professar um credo é muito

                   mais que ir ao templo e rezar.

              

                        

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial da Religião, cuja origem ocorreu nos Estados Unidos da América, em dezembro de 1949, quando a Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'is sugeriu que ela fosse celebrada anualmente com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as religiões, a crença num Ser superior, a mediação de um sacerdote ou líder com esse ser divino e um sentido corporativo ou de comunidade.

 

Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta com dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram a construir a Nação. Em nosso país todos são livres para seguir qualquer religião. O inciso VI do art. 5 da Constituição Federal dispõe que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, estendendo no inciso VII, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa...” .

 

Essa liberdade de religiões não acontece em todos os lugares do planeta, nos quais muitas delas são proibidas e seus fiéis, perseguidos, apesar do Art. I da Declaração Universal dos Direitos Humanos dispor “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade" e do Art. II do mesmo documento estabelecer que “todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição”.

 

Apesar de tais aspectos, todos os grupos sociais do mundo têm as suas próprias religiões, ressaltando que há mais delas do que culturas desenvolvidas pelo ser humano. Tanto que Liev Tolstói chegou a afirmar que “o homem pode ignorar que tem uma religião, como pode também ignorar que tem um coração; mas sem religião e sem coração, o homem não pode viver.»

 

No entanto, vale ressaltar aqui, que professar um credo, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ser solidário e generoso, perdoar e reverenciar os outros. Notadamente em nosso país, onde a materialização nas relações passou a ser aspecto fundamental, a hegemonia do ter e do parecer, prevalece sobre o ser; o estímulo à futilidade ganha cada vez maior espaço e o exclusivismo, gera um isolamento humano, onde a igualdade fundamental da pessoa é freqüentemente violada; mais do que nunca temos que nos conscientizar que o amor próximo e à natureza devem abalizar qualquer crença.

 

Num momento em que a cidadania é abafada pela ação do poder econômico, ou prejudicada pela morosidade na prestação jurisdicional, temos que professar nosso credo com autenticidade. De nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos.

 

Por outro lado, devemos questionar com profundidade, sob pena de descaracterizá-la, se a religião que praticamos evidencia a necessidade de se questionar com a máxima urgência e clareza, os efeitos danosos de uma concepção estreita e distorcida de toda a amplitude da dignidade humana. Assim, aliados a nossa fé e à simpatia que temos por determinado credo precisamos alcançar uma convivência humana harmoniosa, na qual todos os seres humanos sejam respeitados, independentemente de sexo, raça, situação financeira e principalmente da religião que adotam.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É autor, entre outros, do livro “O Sentimento de Justiça” (Ed. Litearte), obra requisitada pela Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard.



publicado por solpaz às 11:56
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JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - A MÍSTICA DO SILÊNCIO

 

 

 

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O silêncio é necessário para que se possa penetrar na grandeza incomensurável do Ser Supremo. Supõe maleabilidade e acessibilidade às influências das moções divinas. Isto é condição basilar para atingir a maturidade espiritual que deve ser uma meta de todo aquele que tem fé. Um primeiro passo para se poder envolver inteiramente na luz celestial é evitar a dispersão, inimiga  peremptória da concentração. O bulício é óbice a um diálogo com Deus, pois “non in comotione Dominus", o Senhor não está na agitação. Quando se age longe do tumulto, esta atitude muito agrada a Deus. Os demais passos tornam-se mais fáceis. Entre o "mundo" e "Deus" o posicionamento de torna claro, radical e definitivo. Verifica-se o  sim verdadeiro de quem quer estar unido ao Pai celeste. Eis porque é preciso aprender a fazer silêncio para que seja viável o aprimoramento interior e, em conseqüência, a transformação de todo o ser. È possível a taciturnidade mesmo que não esteja dentro de um mosteiro. Encontrar um espaço para estar a sós com Deus é questão de opção. Criar um ambiente para a abertura ao contato com o Espírito Santo significa a disposição implícita de escutá-lo, já tendo, inicialmente, o cristão se proposto à observância sincera e perseverante dos mandamentos sagrados do Decálogo e se colocado numa atitude de profunda humildade. Dá-se, deste modo, a possibilidade da imersão no mistério do Deus três vezes santo. Desta maneira, as orações ganham sentido. O terço, por exemplo, se torna uma prece vocal e, ao mesmo tempo, mental pela contemplação atenta dos grandes episódios bíblicos. A leitura pausada de trechos da Sagrada Escritura passa a propiciar oportunidade ímpar para que o Espírito Santo fixe suas diretrizes as qual são então acatadas como resposta instantânea  ao seu Senhor. Ocorre, neste caso,  a admirável adaptação  da criatura a seu Criador. Eis um primeiro fruto do silêncio. Ele enseja ao cristão compreender que o estar com Deus não representa se alienar do que o rodeia numa fuga condenável das tarefas cotidianas e, também, do interesse pelo próximo. Ao contrário, revigorado com estes instantes de união com Deus o cristão compreende que silêncio sem apostolado é vão egoísmo e sem o cumprimento do dever de cada instante é fatuidade. Com efeito, aquele que se entrega a momentos de uma oração silenciosa coloca em ordem seu interior e quer, depois, irradiar paz, serenidade, tranqüilidade, imperturbabilidade em seu derredor, fazendo bem tudo que deve fazer a bem dos outros. Apenas assim se chega à sabedoria e à inteligência espiritual de que fala São Paulo aos Colossenses. Esta sabedoria conduz a um comportamento digno do Senhor, tudo transformando em pensamentos, desejos e ações agradáveis a Ele . É, assim, que a vida do cristão produz, de fato, frutos abundantes e o epígono de Cristo cresce continuamente no conhecimento de Deus numa sublime atitude  perseverante e paciente (cf Cl 1,9-11). É preciso, portanto, saber e degustar todas as alegrias de se sentir salvo amado por Aquele que é o oceano infinito de amor. Tudo que aconteceu no passado fica entregue confiadamente à Providência e ela lança o cristão jubilosamente para o futuro, como ensina o referido São Paulo (cf.Fl 3,14). O dia de Deus se torna o Deus sempre presente, duração viva, sem trevas, tristezas, fobias. É que os momentos de silêncio se convertem em  instantes felizes nos quais a alma como que inefavelmente toca o Infinito.

 

 

 

 

 

CÔN. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -  da Academia Mineira de Letras. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos. - Viçosa, Brasil.



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LAURENTINO SABROSA - UM CONSELHO E UMA HISTORIETA

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Muitas pessoas adoptam como código secreto do cartão multibanco a data do seu aniversário. É de facto uma maneira fácil e cómoda para não esquecer e não confundir com outros códigos que porventura haja para utilizar. Convém saber que isso é bastante perigoso, especialmente quando juntamente com o tal cartão se usa ter o B. de Identidade ou qualquer documento em que figure a data de nascimento. É que esse hábito de usar a data de aniversário como código de cartões bancários está de tal maneira vulgarizado que os carteiristas ou assaltantes que consigam roubar cartões e documentos, vão logo experimentar sacar dinheiro, e muitas vezes têm sorte. Se virem nos documentos que o dono do cartão faz anos a 10 de Junho, eles vão logo ver se o código 1006 ou 0610 funciona. Portanto, caso se queira utilizar a data de aniversário como código, nunca se deve trazer ao mesmo tempo e na mesma carteira documentos que indiquem essa data.

 

Da mesma maneira, há pessoas que nos seus cofres pessoais usam iniciais do seu nome ou de algum familiar. Também é perigoso, pois no caso de a residência ser assaltada, é muito possível que o assaltante, como de costume sempre muito esperto, saiba ou se informe previamente dos nomes dos locatários, e vá experimentar as devidas letras para tentar abrir o cofre.

 

Isto é um conselho que cada qual pode aproveitar ou não, mas se estiver “em falta” naquilo que estou a mostrar e não corrigir, não se pode queixar do mal que lhe venha a suceder.

 

Ora, saiba o leitor que de certa vez dois meliantes de alto coturno planearam assaltar uma casa, um bom palacete cujos proprietários estavam em férias. Munidos de boas ferramentas foi-lhes fácil em certa noite, com lanternas e tudo, penetrar dentro. Seguros de que todos estavam bem ausentes, não tiveram pressas ou nervosismos e encheram uns sacos com várias preciosidades. A certa altura depararam com um pequeno quarto, onde com vários arrumos se encontrava um móvel metálico fechado à chave, mas que, com a maior facilidade conseguiram abrir. Logo reparam num cofre solidamente soldado ao móvel.

 

 – O cofre ! Ó Zecas, vamos lá ver se conseguimos arrombar. Deve haver aí grandes maquias!

 

O Zecas torceu o nariz. Não via grandes possibilidades de o fazer, não vinha preparado para esse tipo de arrombamento

.

 – Ó pá ! Não me digas que não queres tentar mesmo nada! É uma combinação de só duas letras! Tenta lá, a madrugada ainda vem longe. Podemos ter sorte!

 

O Zecas começou a tentar combinações ao acaso. Depois de mais de uma hora a fazer tentativas sem êxito, exasperado, vociferou:

 

 – Porrraa!!! Este cofre é ainda mais filho da puta que o dono!

 

  O outro deu uma risada.

 

 – Ai o dono é filho da puta?!

 

 – Claro – disse o Zecas – Conheço este gajo há muitos anos, andei com ele na escola. A mãe dele era mulher da vida, e nem ela sabe quem é o pai do filho que teve. Um dia, teve sorte, encontrou um tipo que, pelos vistos, era um ricaço, que gostou dela e acabou por casar com ela, e foi assim que este gajo também ficou cheio de sorte…herdou tudo… é o senhor engenheiro cheio de dinheiro !

 

 – Nunca ouvi falar dele, desse senhor engenheiro assim tão rico. E é engenheiro de quê? De minas, se calhar… encontrou uma mina de ouro ! Como se chama ele?

 

 –  Eu sei lá ! Para nós na escola ele era o Chico.

 

 – Chico, é Francisco. E é Francisco quê?

 

 – Eu sei lá! – respondeu o Zecas – nunca soube do resto até porque nunca fomos amigos.

 

– Ó pá! se ele é Francisco e é filho da puta, então experimenta o FP.

 

O Zecas fez mais uma tentativa, mesmo sem esperança ou convicção. Para espanto de ambos, de olhos arregalados, era mesmo aquela a combinação do segredo do cofre. Pouco tempo depois, os dois assaltantes celebravam com sonoras gargalhadas o grande proveito em peças valiosas e em grossa maquia de dinheiro que criminosamente tinham arrecadado.

 

É que o seu dono, o tal que era sem querer o que gostaria de não ser, chamava-se Francisco Pereira!

 

Caro leitor. A historieta confirma o conselho. Aproveite-o enquanto é tempo.

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    -   Senhora da Hora, Portugal

                            laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por solpaz às 11:43
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JOÃO BOSCO LEAL - NOSSAS BUSCAS

 

 

 

 

 

 

Podemos sentir diferentes, mas verdadeiros tipos de amor por pessoas distintas, como nossos avós, pais, filhos, namoradas, esposas ou outras.

 

Independentemente de por quem nutrimos esse sentimento, o importante é que amar faz bem a quem ama e a quem é amado. Entretanto, nem sempre isso é possivel e constantemente se observa amores não correspondidos, o que torna esse amor bastante dolorido para quem o sente.

 

Motivos diversos, como maiores ou menores afinidades entre duas pessoas - mesmo pais e filhos -, podem levar a sentimentos muito dolorosos para quem ama e percebe não ser amado, por não entender como, com tanto para dar, muitas vezes sequer é notado, ou é preterido por outra que sabe não amar aquela pessoa como ela.

 

Há pessoas que dizem manter ou haver mantido um relacionamento por “dó” do outro, que muito lhe amava, o que gera a destruição das duas vidas, uma por não ter seu amor correspondido e da outra por permitir uma situação em que não possui felicidade e nem permite que o outro - mesmo que com um sofrimento inicial -, tenha a oportunidade de encontrar outra pessoa que o ame.

 

Um dos principais motivos de tantos relacionamentos fracassarem é exatamente o fato da maioria das pessoas não serem mais capazes de permanecer só por um tempo, e com isso acabam se unindo ao primeiro que aparece, sem pensar que de nada adiantará, não durará, ou que podem provocar dor no outro e, mesmo após perceberem haver errado, adiam rupturas simplesmente para não ficarem sós.

 

A história mostra centenas de casos de crimes ocorridos por causa de sentimentos de pessoas que se sentiram traídas, menosprezadas ou até as que cometeram suicídio por terem sido impedidas de ficarem juntas, como Romeu e Julieta.

 

Entretanto, através dela também é possível saber de milhares de casos de amores correspondidos, bem sucedidos, de pessoas que, juntas, construíram lindas histórias de amor e vida.

 

Porém, na sociedade atual, com milhões de casamentos desfeitos, é comum vermos pessoas buscando novos relacionamentos, sem demonstrar ter aprendido o básico em qualquer um dos seus anteriores.

 

O ponto de partida para o sucesso amoroso é, necessariamente, a correspondência de sentimentos. Nenhum deles obterá sucesso se for dedicado somente por um dos lados. Amizades, namoros ou casamentos jamais sobreviverão com um desejo unilateral.

 

Mesmo os que fracassaram em diversas tentativas não devem desistir, pois certamente aprenderam algo e amadureceram com cada uma delas e o próximo encontro pode ser com a pessoa que sempre buscou.

 

A busca deve ser por alguém capaz de transformar pequenos instantes em grandes momentos.

 

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil.



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FRANCISCO VIANNA - GOVERNO ARGENTINO CONSIDERA “FALTA DE RESPEITO” O REFERENDO NAS FALKLANDS

 

 

 

 

 

 

O governo argentino qualifica de “falta de respeito” a convocação do referendo sobre a soberania das ilhas Falklands (que os argentinos insistem em chamar de Malvinas), anunciado este fim de semana pela Assembleia Legislativa do arquipélago, segundo uma nota pelo website oficial da Casa Rosada.

 

O vice-presidente argentino, Amado Boudou, presidente em exercício em função da viagem de Cristina Fernández de Kirchner a vários países asiáticos, declarou na citada nota que esse referendo, que terá lugar em março próximo, “é uma falta de respeito à inteligência e ao direito nacional e internacional”.

 

Afirmou que o referendo “será votado por colonos, os mesmos que expulsaram das ilhas os ‘verdadeiros’ habitantes delas” e assegurou que a Argentina “continuará reivindicando em paz, mas com toda a força” um diálogo com o Reino Unido sobre a soberania do arquipélago.

 

Os habitantes do arquipélago das Ilhas Falklands comparecerão à urnas para um referendo que decidirá se querem viver sob a soberania argentina ou se desejam permanecer na Comunidade Britânica de Nações (British Commonwealth), nos próximos dias 10 e 11 de março deste ano, numa consulta popular que a Argentina rejeita porque julga contradizer as resoluções da ONU.

 

Os residentes do arquipélago responderão “sim” ou “não” à pergunta: “Deseja que as Ilhas Falklands conservem seu status político atual como Território de Ultramar do Reino Unido”?

 

A decisão foi anunciada pela Assembleia Legislativa do arquipélago para “dar a todos a máxima oportunidade de exercer seu direito ao voto”, cujo resultado demonstrará “de maneira clara, democrática, e incontestável a forma pela qual as pessoas que habitam as ilhas hoje desejam viver suas vidas”, explicou o legislativo insular na sexta feira passada.

 

O referendo, que conta com o apoio do governo britânico, ignora as numerosas resoluções da ONU, especialmente a de número 2065 de 1965, segundo a qual não reconhece o direito de autodeterminação dos habitantes do arquipélago por tratar-se de um caso de descolonização.

 

Após o anúncio, o primeiro ministro britânico, David Cameron, afirmou na semana passada em declaração escrita que o Reino Unido “respeitará e defenderá” o resultado do referendo.

 

Tal consulta popular já tinha sido anunciada, em junho de 2012, pelo líder conservador, que nas últimas semanas comunicou a militarização do arquipélago, onde há em torno de 3.000 habitantes e 1.500 soldados.

 

A ameaça armamentista de Cameron veio em resposta à carta enviada a ele por Kristina Kirchner, na qual pedia que acatasse as resoluções da ONU que exigem um diálogo sobre o assunto, na ocasião do 180º aniversário da ocupação inglesa. Tal conflito entre Argentina e Reino Unido já dura décadas, com a soberania do arquipélago sendo exercida pelos britânicos desde a guerra de 1982, ocasionada pela invasão argentina das ilhas pelas tropas do Gal. Galtieri, que resultou em cerca de mil mortos e a derrota de Buenos Aires.

 

 Segunda feira, 21 de janeiro de 2013

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil



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PINHO DA SILVA - CAVALO DE CARROÇA
 
 
 
 
 
 
Cavalo de carroça, a galopar
- catatum! catatum! catatum! -
a galopar, a galopar
sem parar...
Sempre a trote,
sob a ameaça do chicote!
 
 

 
Boi de lavoura, sempre a andar
- Ei! Ei! Ei! -;
sempre a andar, sempre a andar,
a lavrar...
A ganhar pão,
sob a ameaça do aguilhão!

 
 
 
A vida
é uma corrida:
- catatum, catatum, catatum;
sempre a andar, sempre a andar
...até parar!
 
 
 
 
 
 
PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


publicado por solpaz às 10:53
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