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Sábado, 30 de Março de 2013
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PÁSCOA. CELEBRAÇÃO QUE FAZ EMERGIR UMA PROFUNDA ESPIRITUALIDADE.

 

 

 

 

 

 

 

 

                       

A Páscoa é uma festa universal onde os homens, independente de credo e origem, comemoram o renascimento da vida. Para nós, católicos, a grande mensagem da ressurreição de Jesus é a vitória da existência sobre o império da morte. Esse triunfo inaugurou uma nova era, na qual o indivíduo passou a conceber um profundo sentido de fraternidade e partilha, a ser demonstrado por gestos de respeito ao próximo, de procura da igualdade e do acolhimento de todos, sem quaisquer exceções. No entanto, não é esse o quadro que se pinta, revelando-se, inclusive, uma situação adversa.

 

Com efeito, os interesses materialistas nas relações, a hegemonia do ter e do parecer, o estímulo à futilidade e o exclusivismo, geraram no mundo, um isolamento humano, onde a consideração à pessoa é freqüentemente violada; abafada pela ação do poder econômico ou prejudicada pela morosidade da Justiça. Por tais circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade de se questionar com a máxima urgência e clareza, os efeitos danosos de uma concepção estreita e distorcida de dignidade humana.

 

 


 

 

Os dias que já antecedem a comemoração pascal, conhecido no calendário litúrgico como Quaresma, desperta à consciência de integração, para que ninguém se sinta marginalizado do processo vital. Trata de uma época de humanização e reconciliação, período ímpar na busca do enfrentamento aos desafios atuais: vencer a crise social; diminuir a exclusão; superar a dualidade da democracia, na qual convivem miséria e desenvolvimento e consolidar aspectos que valorizem a cidadania. Tanto que a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza há cinqüenta anos a Campanha da Fraternidade, escolhendo anualmente um tema, que define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação. Os de 2013 são respectivamente “Fraternidade e Juventude” e “Eis me aqui, envia-me” (Is 6,8).

 

Para muita gente, infelizmente, a Páscoa se mostra a cada ano, mais relacionada a ovos de chocolate, coelhinhos, brinquedos e a feriados prolongados. Essa noção é preocupante já que o ritual da Ressurreição de Cristo deveria ser bem valorizado em nossos dias, notadamente para se contrapor ao presente e desenfreado avanço da cultura consumista. Ela indica a redenção da própria humanidade e a promessa de um futuro de alegria para os que têm fé e esperança, aclamando a solidariedade como único atributo capaz de instaurar a justiça social de que tanto precisamos e almejamos.

 

Desde que Jesus fez sua passagem da morte para a vida, tornou-se possível proclamar que a verdade vencerá. A celebração deste domingo, que faz emergir uma profunda espiritualidade, incita-nos a um permanente recomeçar, traduzido na luta contra o império da especulação que só valoriza o lucro e afasta a ética, o respeito e os sentimentos.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e autor de vários livros, entre os quais “Direito à Vida” (Ed. Litearte)



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RENATA IACOVINO - VIL RACIONALIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

            Quanto mais o Homem exerce a racionalidade parece que mais perto fica da irracionalidade.

 

            Pergunto-me, todos os dias, qual animal, afinal, somos nós. Nós é que temos bom senso, sensatez? Nós é que agimos em conformidade com a razão? Qual? Existem mil razões, mas nenhuma contempla a coletividade. Há a razão de cada um. E por esta razão estamos violentando o outro, semelhante ou o diverso; estamos subtraindo a liberdade de quem está ao nosso lado; estamos massacrando de maneira discriminatória aquilo que não nos agrada, sem medir consequências, pois estas também já não importam.

 

            É quase impossível assimilar coerência em nós, em todos nós, e em todos esses nós em que nos transformamos. Milhares de nós atados sem buscar entender onde vai dar essa imensa trama de atitudes desconexas, despojadas de começo, meio e fim.

 

            Tantos discursos e teorias em vão, como se as palavras pudessem morrer nelas próprias, sem fazer eco no que nos tornamos na prática.

            Devemos agir de maneira ecologicamente correta e saudável, proteger o planeta, salvá-lo da sandice autodestrutiva que nos move desde os primórdios, vigiar aquele que polui, desperdiça, ofende, que é indiferente... Devemos, o tempo todo, estar atentos. Mas em algum momento, algo em nós falha, e a pulsão de morte se sobrepõe.

 

            Cremos numa força suprema, cultivamos a fé em algo, pagamos o dízimo, falamos em nome do bem, somos fanáticos, por vezes, e tudo isso em vão, pois somos autênticos em nossa mentira. Uma mentira coletiva. Somos o ícone de uma espécie de neurose coletiva e o efeito dominó vai fazendo com que mais pessoas se envolvam em atitudes bem distantes do que poderíamos chamar de racional.

 

            Matar um ser humano é algo repugnante, o pior crime existente, pois não é direito de ninguém tirar a vida de outro. Não é comum matarmos pessoas e se isto acontece, não admitimos a impunidade.

 

            Por que matar animais, covardemente, em frente aos nossos olhos, é um fato que parece soar comum, banal e até necessário? Necessário é o respeito à vida, seja qual for, porque aqui estamos dividindo nosso tempo e espaço com vidas distintas e, quase sempre, indefesas.

 

            Que religiosidade é essa que nos faz irracionais frente ao racionalismo sensível de seres ditos inferiores a nós? Sagrado é o nosso desejo, a nossa fome de destruir o que se mostra resignado?

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br / reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SAUDADES
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

            Muita gente gabaritada, poetas, filósofos, já escreveram sobre esse sentimento, traduzido, na língua portuguesa, por uma palavra única, que não encontra sinônimo em lugar algum do mundo. Assim, embora um tanto sem jeito para falar sobre isso, tendo em vista as vozes que já me antecederam e entre as quais não me ombreio, acordei hoje com saudades e não consegui pensar em outra coisa para escrever.

            Nem sei direito do que ou de quem a saudade me tocou nessa manhã, mas o fato é que em meu coração, em minha alma, eu a encontrei. De um jeito como quem não quer ser incomodada, como quem não quer ser vista, mas que fica sussurrando baixinho, na esperança de ser sentida, a saudade fez pouso em mim e, agora, escorre pelos meus dedos, em busca do papel.

            O que sei da saudade?  Não muita coisa, mas muita gente. Sei que funciona como uma máquina do tempo, que sem que eu perceba, leva-me para longe, para ontem ou para um abraço de um segundo atrás. Sei também que é possível sentir saudades do que não foi, daquilo que deveria ter sido, saudades da esperança ou da ilusão do possível, do sonhado. O contrário dessa saudade se chama realidade e ao seu vetor podemos chamar o tempo...

            Não muito mais sei desse sentido, muito embora, com frequência, ele me inunde por completo. Sei que dói demais a saudade daqueles que já se foram, aqueles para os quais eu poderia ter sido mais ou aos quais eu poderia ter conhecido melhor. Sinto saudade de vozes, de olhares, de risadas, de conversas e fico pensando que é muito injusto haver despedidas eternas, mesmo que terrenas.

 

            Sinto saudades de amigos que se foram cedo demais, que deixaram hiatos impreenchíveis, desoladores. Hoje, sobretudo, tenho saudades dos meus avós, aos quais não posso mais abraçar, com os quais não posso mais aprender, para os quais não há mais endereço ou telefone...

            Sinto saudades dos meus animais de estimação, com os quais vivi momentos incríveis, únicos e que não posso reviver exceto em minhas lembranças e sonhos. Fecho os olhos e posso sentir o calor de seus pequenos corpos e constato que eu também não sou mais a mesma que habitou essas recordações.

            Sei da saudade é que ela é irmã do tempo e com ele anda de mãos dadas. Mestres da vida, são donos da história, daquela que já não nos pertence. Sei da saudade é que ela me ensina que não há ensaios ou tecla que nos permita voltar. Por isso, a todo tempo, sei do tempo que me foge e que me presenteia com o hoje, mas que nunca me devolverá o ontem, por mais que ele me preencha de saudades...

            Hoje, em que a saudade me domina, só posso deixa-la fluir de mim, pois sei que, nessa vida, ainda irei acumula-la muito mais do que gostaria...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



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Sexta-feira, 29 de Março de 2013
FRANCISCO VIANNA - A BURRICE DO GOVERNO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conta uma piada, dos tempos do governo militar do Gal. Figueiredo, que, ao receber a visita do Papa João Paulo II, este teria perguntado ao presidente se não era um exagero ele governar com doze ministérios. O general teria dito ao Sumo Pontífice que assim como Jesus Cristo tinha doze apóstolos para divulgar sua igreja pelo mundo, o Brasil tinha doze ministros para construir uma nação-potência. Risos de ambas as partes e a coisa, felizmente, parou por aí.

A piada foi readaptada para os dias atuais, contando que o Presidente Obama, dos EUA, teria perguntado à Presidente Dilma se “não era um exagero ela governar com trinta e nove ministérios?”. A resposta da presidente teria sido a de queassim com Ali Babá chefiava quarenta ladrões, ela já estaria chegando quase lá”...

Agora, leio na Folha de São Paulo, uma entrevista concedida ao jornal pelo empresário Jorge Gerdau dizendo queO Brasil está no limite da burrice governamental, com um estado paquidérmico, ineficiente, travado pela corrupção e pela incompetência e falta de competitividade e produtividade”.

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter é filho de Curt Johannpeter e Helda Gerdau Johannpeter. É bisneto de Hugo Gerdau, fundador da Gerdau. Atualmente é o presidente do Conselho de Administração da Empresa e trabalha na Organização desde 1954. Em 1983, assumiu o cargo de diretor-presidente da empresa. Sob sua liderança, a Companhia inciciou seu processo de internacionalização.

Jorge Gerdau Johannpeter também tem forte atuação na busca pela eficiência e qualidade da gestão nos setores público e privado. Atualmente participa do Movimento Brasil Competitivo (MBC), resultando em aumento de produtividade e melhoria da capacidade de gestão em diversas organizações públicas do Brasil, e é membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ). Além disso, foi coordenador da Ação Empresarial, um dos mais ativos movimentos para a busca da execução de reformas estruturais necessárias para o crescimento brasileiro.

Nas áreas de educação e cultura, é presidente do Conselho de Governança do Movimento Todos Pela Educação, voltado para melhoria da qualidade da educação básica no Brasil. Preside a Fundação Iberê Camargo, o Conselho da Fundação Bienal do MERCOSUL e é membro do Conselho da Fundação Bienal de São Paulo.

É membro do Conselho do Instituto Aço Brasil, do qual foi presidente durante duas gestões. Faz parte do Conselho de Administração e Comitê de Sucessão e Remuneração da Petrobras, do Conselho Superior Estratégico da FIESP e do Conselho da Parceiros Voluntários. A partir de 2009, passou a integrar o conselho consultivo do escritório brasileiro do David Rockfeller Center for Latin American Studies, mantido pela Universidade de Harvard. Além disso, é presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do Governo Federal.

Gerdau sabe, pois, muito bem das coisas que acontecem no submundo da política nacional e, mais especificamente, na política de Brasília. Há quase dois anos à frente da “Câmara de Politicas de Gestão”, Jorge Gerdau diz que o trabalho mais pesado foi feito na Casa Civil com o PAC, uma estrutura que sepropunha a trabalhar dentro da Casa Civil, mas acabou indo, burocraticamente, para o Ministério do Planejamento. Foi preciso reorganizar tudo pa­ra dar condições de gerência eficaz e para que a presidente pudesse acompanhar a execução de todos os projetos. O PAC está totalmente informatizado e sofreu avanço em diversas áreas,tais como a da saúde, da logística, da compra de remédios, na de transportes, etc.

 

Questionado sobre os resultados objetivos, o empresário disse que o Minierio da Saúde ampliou sua capacidade de atendimento de 40 para 80% - prevista para junho – da demanda.

 

Outro exemplo de bons resultados com mudançassles de gestão foi o do aeroporto de Gua­rulhos, quetinha yma capacidade de atendimento de 900 pessoas por hora e agora atente algoemtorno de 1500 e, no entanto, o atendimento dos terminais é ainda por vezes caóticos. O maior aeroporto internacional do país está subdimensionado e não é maior nem melhor do que qualquer aeroporto de cidade de porte médio dos EUA ou da Europa.

 

Instado sobre se a política atrapalha ou não a gestão governamental, o empresário foi taxativo: “dentro da es­trutura brasileira, o conceito de política atrapalha bastan­te a gestão. Mas nós temos que encontrar os caminhos dentro das reali­dades em que vivemos e ter em mente que as funções e in­teresses de estado, as de go­verno, e as de administração, constituem patamares diferentes de gestão. País adiantado e civilizado troca de mi­nistro e muda duas, três pessoas de relação pessoal. A administração não muda. A estrutura de governança po­de ter modificações de deci­são política. Costuma mudar o partido, a cabeça do líder. No Brasil, só há quatro ou cinco ins­tituições em que a estrutura de meritocracia e profissio­nalismo funcionam: Banco do Brasil, Banco Central, Itamaraty e Exército. E ai tem ainda o BNDES.

 

Sobre os trinta e nove ministérios de Dilma, o empresário foi enfático: “é burrice, não deveriam existir. Apenas meia dúzia deles seria maido que necessário. Além do mais, muitas áreas podem ser gestadas por meio de agências reguladoras e algumas até terceirizadas”.

 

Agora, ao contrário, com o aumento do número de partidos políticos, muitos esperam que o número de ministérios também aumente. “Mas tudo tem seu limite, inclusive a estupidez. Quando a burrice, ou a loucura, ou ainda a irresponsa­bilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite disso vir a acontecer”. Do jeito que está, a presi­dente tem até o poder para redu­zir o número de ministérios, mas como o número de partidos vai cres­cendo cada vez mais, isso é quase impossível. O que a presi­dente faz é trabalhar com meia dúzia de ministérios realmente chaves e o resto é apenas um processo de cabidagem de emprego cujas delegações têm menos peso nas decisões mas oneram da mesma forma o erário.

 

Explicou ainda que a administração pública federal tem hoje uns 20 mil cargos de confiança e que isso é absolutamente excessivo e abusivo. Numa estrutura meritocrática, as fun­ções de Estado, de governo e de administração esse númerocairia paracerca de um terço com evidente aumento da eficiencia, com o restantedos cargossendo ocupados por servidores de carreira com base na comência, folha corrida e dedicação ao serviço público.

 

“Sobre isso já conversei com a presidente Dilma e a resposta que ela me deu foi amesma que dei a você. O processo é angustiante, mas a maturação desse processo de busca de meritocracia e maturação tecnológica é um trabalho de anos. É um processo desenvolvido em na universidade americana de Harvard e consiste em definir as metas principais sob uma visão es­tratégica. Depois, sob uma visão financeira e, finalmente, sob uma vi­são de viabilidade de recursos financeiros e humanos. Assim se define claramente a missão de uma dada organização. É um instrumento para que todo mundo que trabalha naquele ministério entenda para que esse ministério existe e quais são as suas metas”. 

 

Perguntado sobre como o Brasil poderá sair do impasse de ter um mercado superaquecido com salários que pressionam governo e setor privadocom demanda e consumo em alta, Gerdau disse que “a saída é a busca por soluções de competitividade e de produtividade. Cada vez menos, nas principais nações do mundo de hoje, ganha-se de forma estática por uma função fixa. Tudo aponta a remunerar melhor a quem é mais eficiente, proficiente, confiável, persistente e dedicado. Isso se aplica ao setor privado e ao estatal igualmente. Ora, a não competitivi­dade do produto brasileiro e a falta de pro­dutividade do trabalhador em todos os setores são bem conhecidas e um problema que encontra uma dificuldade adicional de ser resolvida no âmbitoestatal: a política.

 

Essas duas coisas deveriam ser analisadas separadamente. Na Gerdau, empresa com patamares de produ­tividade homem/hora se­melhantes aos melhores do mundo, no entanto, um operário no custa para a empesa quase o dobro do que paga a ele, pelo que tem que recolher de ‘obrigações trabalhistas’... Em outros países isso não ocorre. No Chile, por exemplo, um ope­rário leva para casa quase 85% do que recebe nominalmente da empresa. Nos EUA, os custos empregatícios adicionais são extremamente baixos. Poucos países usam a folha de pagamento como instru­mento de arrecadação estatal e o certo seria que a relação contratual entre a empresa e empregado se vinculasse apenas naquilo que é a relação de trabalho e remuneração.

 

Para sair do labirinto de falta de competitividade e de produtividade em que se econtra, o país necessita urgentemente de uma reforma trabalhista que desonere a empresa e permita que o trabalhador contribua para ter servilos públicos essenciais relamente decentes e de bom padrão internacional. Apresidente e o PT já estão há dez anos no poder e ao que parece esse não foi ainda um tempo suficiente para mudar esse cenário, pois há motivações ideológicas que prejudicam as distintas visões de liderança.

 

O PAC criado por Dilma é um instrumento do estado para controlar o que investe no país, instrumento esse que frequentemente se mostra ineficiente nesse controle, com a maioria de suas obras custando significativamente muito mais do que seus orçamentos iniciais. E isso não quer dizer que vai conse­guir eficiência operacio­nal em todos os ministérios.

 

Para o país vir a ter um planejamento competitivo e produtivo em todas as frentes, acredito que precisará de um trabalho continuado de mais de uma década”.

 

Assim como o empresário Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, Jorge Gerdau e outros poucos grandes empresários e generais competentes e patrióticos estariam altamente qualificados a começar uma revolução meritocrática no país.

Mas, quase sempre limitam-se a falar, mostrando sua indubitável experiência e competência, mas são incapazes de vir para a arena política em busca de ocupar uma possível posição de liderança nacional que lhes possibilitasse montar a estrutura que não cansam de recomendar.

 

E sabem por que isso não acontece? Porque o cidadão que vota e é votado não tem o lustro mínimo sequer do segundo grau da escolaridade, como condição que caracterize uma cidadania de melhor qualidade para o Brasil. Numa contenda eleitoral, é bem possível que perdessem a eleição para um Tiririca qualquer, ou para um beócio de nove dedos com esperteza suficiente para tirar proveito pessoal dessa exdrúxula situação.

 

E, enquanto isso, o Brasil que se exploda na escoriocracia atual em que vive.

 

 

Terça feira, 19 de março de 2013

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

88 - Não faço promessas em casa para cumprir em Fátima.

Faço promessas em Fátima para cumprir em casa.

 

89 - Há pessoas que não são prestáveis a fazer favores mas gostam de os receber; há pessoas que gostam muito se ser prestáveis a fazer favores, mas não gostam de aceitar. As primeiras têm uma certa forma de parasitismo; as outras têm uma certa forma de orgulho e de vaidade. Não se pode “viver juntos” se a conceder favores não corresponde receber favores se e quando houver oportunidades. 

 

90 - São Francisco de Assis foi quem melhor conseguiu imitar Cristo. Amava a natureza, a irmã morte, a irmã água e o irmão lobo. Não amaria ele também o irmão touro? lá porque este é fero e bravo? Imitar plenamente Cristo é impossível; imitar São Francisco é difícil mas possível, o que aumenta a obrigação de o fazer. Assim, como se pode gostar de touradas?

 

  91 - “De quem eu gosto nem às paredes confesso”. Mas eu digo “Quem eu amo só às paredes confesso”. Bem posso fazer delas relicário do meu segredo, como se fossem augusta pitonisa, porque é da velha Sabedoria da Nações que elas têm ouvidos, e é da sabedoria mística de Teilhard de Chardin que elas estão impregnadas do Espírito de Cristo. São, assim, o mais perfeito confidente, mais fiel e sigiloso que o zéfiro que ondula as searas, porque esse, orgulhoso de saber o que lhe foi confiado, propala-o aos quatro ventos seus irmãos. Então, eis que “todo o mundo o sabe”: os ventos semeiam-no no éter, o Sol absorve-o e o transmite à Lua, a Lua informa o Mar, o Mar enrola-o na areia, a areia vai incubá-lo como se fosse um preciosíssimo ovo, donde vem a surgir “o mais” de todos os tempos e para que todos, mesmo todos, tomem conhecimento e se extasiem. Porém, nesse momento, o que Sky e Heaven sabem ser pulquérrimo, imediatamente fica desbotado e, mesmo perante os que seguem a Sabedoria das Nações e são tão permeáveis ao Espírito como as paredes, não passará de ser “uma coisa” bonita, louvável, enternecedora.

Como isso é pobre para quem tem sede de infinito! O que é belo e puro, perfeito e sublime, há-de, um dia, ter a a sua paga, que nem o beneficiado por “essa coisa” espiritual e terna, terna e eterna, pode dispensar. A recompensa do que eu só às paredes confesso há-de ser excelsa e digna, a corresponder à beleza do que lhes digo e, então, aguarda-me uma entrada triunfal no Reino daquele de quem eu queria ser o alter ego, Aquele que enchendo as minhas paredes as tornou dignas de serem minhas confidentes. Estou a ouvir desde já, em cortejo solene e grandioso, uma marcha nupcial ainda desconhecida, em que ao som de harpas, cítaras e liras Ele manifesta nas alturas a Sua grandeza ao mesmo tempo que na terra faz brilhar a Sua glória, para quem tem tão bons ouvidos como as paredes e está como elas cheio do Espírito de Cristo. Um tapete largo como o céu, ornado de estrelas, resplandecente de luz mais branca do que a neve me há-de conduzir a uma mansão privada e colectiva, que nunca foi nova nem nunca foi antiga, onde vou recomeçar o princípio sem dele ter saído, onde vou reencontrar o que nunca perdi, onde não é preciso tendas para nos sentirmos bem, nem tectos de abrigo para nos sentirmos seguros, nem paredes com ouvidos para desabafarmos amores ou angústias.

Por isso, se só em Deus ponho a minha esperança, “ quem eu amo só às paredes confesso”.

 

92 - A Natureza não faz milagres, faz revelações – Carlos Drummond de Andrade. Consideramos milagres aquilo que não sabemos ou podemos fazer, não sabemos explicar. A Natureza é “um outro eu” de Deus, e Deus não faz milagres, porque para Ele é tudo muito “natural”, tudo se processa segundo os seus planos os seus desígnios, segunda a sua Providência. Milagres não existem, só existem na nossa imaginação como consequência das nossas inferioridades. Tudo decorre segundo a vontade e o poder de Deus.

 

93 - O prazer é a prova da Natureza, o seu sinal de aprovação. Quando somos felizes, somos sempre bons, mas quando somos bons nem sempre somos felizes – Óscar Wilde. É uma visão muito pagã das coisas. O autor, mestre do paradoxo, nem sempre neles é feliz. Este pensamento deve ter sido congeminado na perspectiva social da moral do prazer e na sua época mundana em que era homo-sexual o que lhe veio a custar uma vergonhosa prisão. O ser bom não é consequência de sermos felizes, embora a felicidade possa contribuir para, em entusiasmo fortuito, sermos epidermicamente, pontualmente, bons. Ser bom é inato, embora susceptível de aperfeiçoamento. Todo o prazer tem a sua mescla de dor, quanto mais não seja por se saber que é fugaz e transitório. Quando somos bons, medularmente, espiritualmente bons, ao contrário do que diz O. Wilde, somos sempre felizes.

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    -   Senhora da Hora, Portugal

 

 



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FELIPE AQUINO - A SEMANA SANTA

 

 

 

 

 

 

 

O maior acontecimento da História da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade deste acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, sobretudo os Santos e Santas se debruçaram sobre este acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.

 

 

Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)

São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as palavras aos romanos:

 

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós… Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.” (Rm 5,8-10)

 

Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus humanado morreu por nós. O que mais poderíamos exigir de Deus para demonstrar a nós o seu amor? Sem isto a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por quê?

 

Porque o homem pecou e peca, desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis que rompe nossa comunhão com Ele; e esta ofensa se torna infinita diante da Majestade de Deus que é infinita. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor Infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade a Deus. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar com o seu sacrifício esta ofensa infinita a Deus, então, o próprio Deus na Pessoa do Verbo veio realizar essa missão.

 

 

semana_santa_cristo

 

Não pense que Deus seja malvado e que exige o Sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz, por mero deleite ou para tirar vingança da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isto; esta lei não existe no meio dos animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Deus, mas à Justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; cada injustiça que nos foi feita será reparada no Dia do Juízo.

 

Nisto vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gn 1, 26).

 

A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente:

 

“Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus. “ (Hebreus 10,5-10).

A Semana Santa celebra todos os anos este acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o seu resgate das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (Rm 6,23).

 

Mas agora Jesus nos libertou; “pagou o preço do nosso Resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz. (Col 2, 12-14)

Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Jesus; a pia batismal é portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua Justiça. É por isso que na Vigília Pascal do Sábado Santo renovamos as Promessas do Batismo.

 

O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo apenas um grande feriado; é porque ainda não entenderam a grandeza da Semana Santa e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande Mistério de Amor.

 

O católico convicto celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela se inicia com a celebração da Entrada de Jesus em Jerusalém, o Domingo de Ramos. O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. O povo grita “Hosana!”, “Salva-nos!”; Ele é Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele, e só Ele, é o nosso Salvador (cf. At 4,12).

 

Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava-pés, na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos onde Ele instituiu a Sagrada Eucaristia e deu suas últimas orientações aos Apóstolos.

 

Na Sexta-Feira Santa a Igreja guarda o grande silêncio diante da celebração da morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida, a Procissão do Senhor Morto por cada um de nós. Cristo não está morto, e nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção.

 

Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”

 

A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.

 

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida.  O Papa Bento XVI disse em sua encíclica “Spe Salvi”, que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida.

Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - NOSSAS PROMESSAS

 

 

 

 

 

 

O rei de um povo sofrido era conhecido pela sua valentia nas batalhas. Quando o país entrava em guerra, ele era o primeiro que montava em seu belo cavalo e saia à frente para a luta. Com isso, ganhava fama e respeito.

Um dia, porém, o cavalo preto adoeceu e passou a preocupar o rei. Sem aquele fiel aliado, o monarca sentia-se inseguro para enfrentar os inimigos. O cavalo não melhorava e o rei deixou de ficar à frente nas batalhas. Então, disseram a ele que havia um homem que poderia aconselhá-lo a sair daquela situação; e o rei foi procurar o sábio que lhe indicaram.

Viajou dois dias no lombo de outro cavalo e chegou à humilde casa de um homem muito velho que mal podia andar. Contando sua angústia ao sábio, ouviu este conselho:

– Não deixe para depois o que é mais importante em sua vida. Se o cavalo preto está doente há tanto tempo, vossa majestade já deveria ter adestrado outro animal. Faça-o imediatamente ou perderá o seu reino.

Revoltado com o conselho que recebeu, o rei mandou prender o velho sábio e retornou a galope para o palácio. Continuou tentando recuperar a saúde do cavalo de estimação e perdendo guerras. Mais algum tempo se passou e os invasores tomaram o trono do monarca.

Colocado na mesma cela em que estava o sábio que prendeu, o rei ouvia sempre estas palavras: ‘Nada é tão bom que nunca se acabe ou tão ruim que perdure para sempre. Precisamos cuidar do presente para plantarmos um futuro melhor’.

Pois é, que esta lição sirva também para a nossa vida. Pensando na próxima Copa do Mundo de Futebol, lembro-me que há quase doze anos eu estendi uma bandeira do Brasil no terraço do meu apartamento. Quando saía gol da nossa seleção, eu e meus filhos balançávamos a bandeira para fora do prédio. Depois disso, o pano estragou e eu prometi que compraria outra bandeira, mas ficou só na promessa.

Há quatro anos, perto do Natal, eu enfeitei a grade da frente do apartamento com lâmpadas coloridas. A decoração ficou bonita, mas estragou já no ano seguinte e prometi que faria algo melhor. O tempo passou, eu estive ainda mais ocupado e hoje não há luzes para acender.

Ah, outra promessa que deixei de cumprir foi me exercitar diariamente na bicicleta ergométrica que comprei. Naquela época, disseram-me que iria virar cabide, e foi o que aconteceu. Então, adquiri uma esteira eletrônica e prometi à família que iria caminhar nela todos os dias. Já está difícil manter esse ritmo, mas tentarei não decepcionar.

Ainda preciso ver se cumpro outras promessas que fiz há anos: ler alguns bons livros guardados, visitar amigos em São Paulo, arrumar as gavetas que guardo meus pertences, estudar o manual do teclado... Acho que preciso parar de prometer!

Contudo, nada disso é mais importante em minha vida do que a missão na evangelização. Isto eu não posso deixar de cumprir porque comprometeria o plano de salvação que Deus tem para algumas pessoas, inclusive eu! Não deixarei para depois as tarefas que Jesus confiou a mim.

Precisei trocar alguns‘cavalos pretos’ e substituí-los por outros para transpor obstáculos, mas a caminhada não parou. Quantas vezes tive vontade de dizer:‘hoje não’ ou ‘estou com preguiça’; porém, eu lembrava que o Pai me dava saúde, paz e fé no coração para servi-Lo. Da mesma forma que aprendi a perdoar, eu precisava passar esse amor às pessoas que ainda sentiam ódio dos irmãos. E da mesma forma que fui curado, eu precisava testemunhar a confiança que devemos ter na oração.

Assim, valorizando cada vez mais o sagrado, fui deixando de cumprir algumas promessas menos importantes. Quem sabe um dia, a minha bicicleta voltará a funcionar, as luzes e a bandeira do terraço voltarão a existir, alguns livros sairão da gaveta... Enquanto isso não acontece, cabe a mim: continuar servindo os pobres como vicentino, cantar nas missas com minha filha Soraia, além das Celebrações da Eucaristia sempre, sempre, sempre.

E você, leitor, tem deixado para depois os compromissos missionários de cristão batizado na Igreja Católica? Se ainda nem começou a cumprir essas ‘promessas’, imagine quantas pessoas já poderiam ter se convertido por seu intermédio!

Numa palestra que participei, ficou claro a mim o amor de Deus por nós. Ouvi as promessas que Jesus fez à humanidade no século XVII por meio de Santa Margarida Maria Alacoque. Eis a primeira e a última promessas:

“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”; “A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Diferente de mim, Ele sempre cumpre suas promessas.

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



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CÍCERO HARADA - ABORTO: A INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

 

 

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“O CFM apoia  o aborto até a 12ª semana de gestação.” “Médicos apoiam aborto até o 3º mês.” Eis as manchetes dos principais meios de comunicação.

 

Tem-se discutido o mérito da questão, isto é, se a favor ou contra o aborto. Claro que este é a pena de morte que se inflige ao inocente indefeso. Nesse sentido não há aborto seguro e inseguro. Todos irremediavelmente matam o nascituro.

 

Não é disso que vou tratar agora, mas da indagação prévia do desvio de finalidade do CFM perpetrado por seus dirigentes.

 

A incompetência dessa autarquia de fiscalização profissional, no tocante à matéria, é gritante.

 

Com efeito, a Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, que dispõe sobre os Conselhos de Medicina e dá outras providências, em seu artigo 5º, estabelece as atribuições do CFM, a saber: “a) organizar o seu regimento interno; b) aprovar os regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais; c) eleger o presidente e o secretária geral do Conselho; d) votar e alterar o Código de Deontologia Médica, ouvidos os Conselhos Regionais; e) promover quaisquer diligências ou verificações, relativas ao funcionamento dos Conselhos de Medicina, nos Estados ou Territórios e Distrito Federal, e adotar, quando necessárias, providências convenientes a bem da sua eficiência e regularidade, inclusive a designação de diretoria provisória; f) propor ao Governo Federal a emenda ou alteração do Regulamento desta lei; g) expedir as instruções necessárias ao bom funcionamento dos Conselhos Regionais; h) tomar conhecimento de quaisquer dúvidas suscitadas pelos Conselhos Regionais e dirimi-las; i) em grau de recurso por provocação dos Conselhos Regionais, ou de qualquer interessado, deliberar sobre admissão de membros aos Conselhos Regionais e sobre penalidades impostas aos mesmos pelos referidos Conselhos.”

 

 

Como se vê, não há previsão que autorize o CFM a apoiar ou não projetos de lei, muito menos dessa natureza.

 

 

Trata-se de autarquia federal que não pode ultrapassar os limites da autorização legal de competências. Se ela atuasse no âmbito do direito privado, poderia fazer tudo que não lhe fosse vedado por lei, mas regendo-se pelo direito administrativo, há de observar estritamente o que a lei determina. Portanto, a ilegalidade de seu ato é um evidente escândalo que depõe contra a maioria dos dirigentes que  fizeram aprovar o apoio ao projeto abortista.

 

Os dirigentes da instituição que assim pensam até podem, como cidadãos, em nome próprio, manifestar nesse sentido, mas o CFM não detém poderes para encaminhar moção, ofício ou mesmo designar comissão a quaisquer dos Poderes, apoiando ou rejeitando o aborto.

 

O diploma legal citado autoriza no artigo 5º, letra “f “, apenas e tão só que o CFM proponha emenda ou alteração do Regulamento da referida lei nº 3.268/57, ou seja, em assunto que diga estritamente respeito ao rol taxativo de suas competências.

 

A proposta do aborto, pois, sequer poderia ter sido posta em discussão, ser aprovada ou rejeitada, menos ainda a sua defesa encaminhada ao Senado, em nome do CFM. São atos de desvio de finalidade e como tais nulos de pleno direito e de nenhum efeito. Cuida-se de grave instrumentalização política de entidade que sempre gozou da mais ampla respeitabilidade social, mas que agora, ao arrepio da lei, embarca na canoa da morte.

 

Há interesses corporativos de médicos, como já se vem propalando, visando a ampliar o mercado de trabalho, em atividade que arrecada milhões e milhões de dólares em outros países à custa da morte dos não nascidos? Não sei, mas certo é que, qualquer que seja o interesse classista, ao tomar posição, o CFM assume o papel de sindicato, desviando de suas atribuições legais, o que lhe é vedado.

 

Saliento que, de acordo com o art. 11 da lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, “constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:  I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência.”

 

É de se esperar que o CFM, por seu conselheiros, adote “interna corporis” ações corretivas rigorosas, imediatas e eficazes, evitando que essa nódoa macule triste e definitivamente a história da entidade e impedindo, ao mesmo tempo, que medidas externas venham a ser tomadas, visando a fazer cumprir a lei?  É improvável, mas só o futuro dirá.

 

 

CÍCERO HARADA   -   Advogado, foi Procurador do Estado de São Paulo e Conselheiro da OAB-SP
.

 

 

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A MISTERIOSA PROCISSÃO, NA IGREJA DE S. FRANCISCO, NO PORTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Júlia Rosa da Silva Paulos era conhecida em Santa Marinha (Gaia), pela sua dedicação à Igreja, e fé intransigente.

 

Ostensivamente apresentava-se no templo, e todos os santos dias, assistia à missa, em épocas, que ser católico, era motivo de mofa e achincalhamento.

 

Não era jovem. Sofria de reumatismo crónico; mas nem a idade, nem a doença, nem o medo, impediam-na de participar na Eucaristia, mormente na Matriz de Santa Marinha, já que era admiradora das célebres homilias do Dr. António d’Azevedo Maia.

 

Uma bela ocasião assentou com amigas, participar na missa da Igreja de S. Francisco, no Porto.

 

Demorou-se, todavia, a rezar as devoções predilectas.

 

O templo estava a média luz, e após o culto, silencioso e deserto.

 

D. Júlia, ergueu-se, persignou-se, acenou às companheiras, e saiu, com elas, por porta lateral.

 

Haviam dado breves passos, em acanhado corredor, quando deparam com estranhíssima procissão, seguida de fiéis, envergando vestes desusadas.

 

Receosas e para evitarem o aglomerado de fieis, retrocederam, saindo pela porta principal.

 

Ficou, contudo, a cismar com o que vira, e nos piedosos cânticos que entoavam. Dias depois, dirigiu-se ao sacerdote, interrogando-o pela inusitada procissão.

 

Ficou atónito o padre, e após se ter inteirado de detalhes, respondeu-lhe, admirado, que nada houvera no dia indicado.

 

Decorridas semanas, acompanhada de amigas, que presenciaram o inesperado acontecimento, foi visitar o sacerdote.

 

Então, cada uma, por sua vez, narrou o que vira e ouvira naquela manhã.

 

O que teria acontecido? Infelizmente não sei explicar. Posso, todavia, asseverar que D. Júlia, e suas amigas, jamais esqueceram as estranhas vozes e a procissão misteriosa.

 

Dizem-me, que em anos seguintes, por determinação do sacerdote, realizou-se, nesse dia, cerimónia religiosa, na igreja. Penso, que no correr do tempo, caiu em esquecimento.

 

Júlia Rosa da Silva Paulos, nasceu a 1861, na Fervença (Santa Marinha, Gaia). Casou duas vezes, e foi mãe da pianista Sofia Paulos, que veio a casar com Mário Pinho, editor do jornal “ A Paz”, que tinha redacção na rua Direita, em Gaia

.

O pai, emigrara para o Brasil e nunca voltou. A mãe, possuía modesta mercearia, na rua de General Torres (Gaia), e a quinta da “ Leira Grande de Sá” no Areinho (Oliveira do Douro).

 

Após a morte, em 1937, correu pela população ribeirinha, que era “santa”, por ter sofrido com resignação e paciência evangélica, a grave e dolorosa enfermidade que a vitimou.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   - Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - SEMANA SANTA
 
 
 
 
 
Olá amigos, aqui vos deixo este poema:
SEMANA SANTA
que embora não seja novo, está sempre actual e apropriado para esta semana muito especial. Ouça-o e veja-o em Poema da Semana ou aqui:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Semana_Santa/index.htm

Desejos duma refletida Semana Santa.
 
 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca


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