Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014
JOSÉ RENATO NALINI - MORRER DE TRABALHAR

 

 

 

 

 

 

 

MITA DIRAN era redatora de publicidade da Young & Rubican da Indonésia e no último dia 14 de dezembro, postou no twitter: “30 horas de trabalho e continuo forte”. Só que depois disso ela morreu. Vítima daquilo que os japoneses chamam “karoshi”: overdose de trabalho. Ela foi estimulada a aferir sua capacidade de permanecer frente ao computador até vencer um recorde.

 

Na verdade, foi um autoimposto desafio ou uma disputa subliminarmente estimulada por seus patrões? Como ela, existem muitos seres humanos que se matam a trabalhar. Se o mercado convive com a geração “nem-nem” – nem estuda, nem trabalha – existe uma legião dos que trabalham demais. E repousam de menos. Onde está a era do ócio, que permitiria ao ser humano usufruir do patrimônio natural, se entreter com arte, cultura, lazer e outras diversões?

 

O certo é que todos estamos muito ocupados, sem tempo para nada, trabalhando alucinadamente, estressados e mal humorados. Será por medo do descarte? Quem não produz é descartável. Essa é a regra do mercado. O tema tem sido estudado por alguns pensadores. Steve Poole escreveu o ensaio “Por que o Culto ao Trabalho Intenso é Contraproducente”, para alertar aqueles que mergulham numa atividade intensa e esquecem de viver.

Já Andrew Smart produziu o livro-manifesto “Autopilot : A arte e a Ciência de Não Fazer Nada”. Tentam mostrar que ainda há espaço para a contemplação, para o “dolce far niente”, revalorizando o superado conceito de que “ficar bestando é regenerativo e potencialmente criativo”. Confesso que sou um workaholic, viciado em trabalho. Sinto prazer em trabalhar. Durmo pouco e me lembro sempre de Tancredo Neves: “Por que dormir agora, se terei para descansar a eternidade toda?”

 

Não me recuso, porém, a tomar conhecimento das advertências de quem se preocupa com o assunto. Nem sempre esse mergulho no trabalho é necessidade ou inevitável condição de vida. Na verdade, é uma opção. Admito que é uma espécie de conforto existencial, um antídoto contra a sensação de vazio e solidão. A pior solidão é aquela de quem está rodeado de pessoas, mas sabe que a vocação humana é nascer sozinho e morrer solitário.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog www.renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - TRADUTORI, TRADITORI...

 

 

 

 

 

 

 

Costuma-se repetir, nas mais diversas circunstâncias, o famoso dito italiano “tradutori, traditori”, que significa que os tradutores são traidores. De fato, o exercício da tradução fiel é algo extremamente difícil. Com muita facilidade o pensamento original do autor é traído, inadvertidamente ou de caso pensado, por quem o traduz para outro idioma.

 

Tive ainda recentemente um exemplo de uma traição dessas, comparando dois textos – o original francês com a tradução brasileira – das memórias da Condessa de Paris, a neta mais velha da Princesa Isabel.

 

Leiamos primeiramente o texto brasileiro, na tradução de Vera Mourão, falando da Princesa Isabel e de seu esposo, o Conde d´Eu: “Sempre vi meus avós juntos, mas jamais os vi conversar ou discutir: moravam no mesmo apartamento, aparentavam ser bons amigos, mas na realidade quase não se sorriam”. (De todo Coração, Francisco Alves, 1983, p. 36)

 

Vejamos agora o texto da Condessa de Paris, no original: “J´ai toujours vu mes grands-parents ensemble, mais je ne les ai jamais entendus parler ou discuter entre eux; ils habitaient le même appartement, avaint l´air de deux bons amis mais ils ne riaiaient vraiment pas souvent” (Tout m´est bonheur, Robbert Laffont, Paris, 1978, p. 53)

 

Não pretendo julgar as intenções da tradutora, claro. Mas não posso deixar de afirmar que sua tradução é muito infiel, pois altera bastante o sentido do original, dando a errônea impressão de que a Princesa Isabel e o Conde d´Eu assumiam uma atitude externa (“aparentavam”, que não é bem exatamente o mesmo que “avaient l´air”, já que no português corrente o verbo aparentar tem uma conotação de fingimento) pública de amizade, mas a realidade é que só muito raramente trocavam sorrisos entre si. A leitura do texto traduzido induz o leitor a interpretar que o velho casal mantinha uma rotina, no seu matrimônio, um tanto sofrida. De público, os dois passavam a ideia de que estava tudo normal, mas na vida privada apenas se suportavam, tão desgastado estava o seu relacionamento, a ponto de quase nem sorrirem um para o outro...

 

Entretanto, qualquer pessoa que saiba um pouco de francês facilmente se dá conta de que a Condessa de Paris afirmou que seus avós riam pouco, não disse que eles, entre si, quase não se sorriam, como escreveu a tradutora brasileira.

 

Por outro lado, Vera Mourão traduziu “pas souvent” por raramente. Parece-me que ela foi um pouco além, na escolha desse advérbio, do significado de “pas souvent”. “Pas souvent” significa não frequentemente, significa que eles não tinham o hábito de rir muito. Não significa necessariamente que só raramente riam.

 

Também me chamou a atenção o advérbio “vraiment”, usado pela Condessa de Paris. Parece-me que esse advérbio pode ser interpretado de dois modos: 1) na verdade, eles não riam com com frequência. 2) eles não riam de verdade (ou seja, não riam de um riso franco e solto, quase gargalhando) com frequência.

 

Entendo que essas duas interpretações são possíveis, não saberia qual delas deve corresponder à intenção da Condessa, ao redigir seu texto. Lembro, por fim, que existe uma diferença muito grande entre rir e sorrir. O texto francês fala em rire, não fala em sourire, como entendeu a tradutora brasileira. Uma pessoa que nunca sorria é uma aberração da natureza humana... Mas uma pessoa que não tenha o hábito de rir, conforme as circunstâncias, conforme o contexto histórico, conforme a cultura prevalente na época e no ambiente, pode ser muito mais explicável. A Rainha da Inglaterra nunca foi fotografada rindo abertamente em público, mas seu sorriso é permanente, em todas as fotos. Os Papas, normalmente não riam em público, porque se entendia que era essa uma atitude não muito condizente com a dignidade papal. Isso não impediu que dois papas do mesmo século (Pio X e João XXIII, por coincidência ambos antigos Patriarcas de Veneza), houvessem por bem romper essa norma e dessem frequentes mostras de bom humor, mesmo em público. O bom humor espontâneo e contagiante até se tornou como que “marca registrada” dos dois.

 

Aqui ficam estas considerações, à maneira de exemplificação de como são, facilmente, traidores... até mesmo os melhores tradutores.

 

 

 

 

RMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS    -   é historiador, jornalista profissional e ex-diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - O OLHAR DELES E O MEU

 

 

 

 

 

 

 

 

Tarde quente de terça-feira. Ainda de férias. Após o teste ergométrico com o propósito de avaliação cardiológica, optei por voltar a pé para casa. Bem distante um ponto do outro. Desejava pisar sobre um fato da véspera, que me apertava em excesso o peito.  Considerava que a caminhada me ajudaria. Existem, não obstante os locais serem de meu cotidiano, novas cenas, que ao passar de carro não percebo. Nas minhas andanças a pé, não importa o motivo, busco paisagens diversas. Às vezes, nesse cenário há uma flor esquálida que brotou na sarjeta e me emociona.

 

Um pouco mais da metade do percurso, decidi entrar na lanchonete de um supermercado e tomar um suco. Minutos depois, vi que me observavam seis meninos de faixa etária aproximada de oito a onze anos, vestidos com simplicidade. Detive-me no olhar deles. Incomodam-me em demasia meninos e meninas com olhos de fome.  Mexem com minhas entranhas. Fome de colo, de proteção, de meiguice, de compreensão, de brinquedo, de mar e de montanha, de paz, de aconchego. Fome de entender o que se encontra na lousa, nos livros e em seu caderno. Fome de inclusão no bairro onde mora, na escola, dentre os de sua faixa etária. Fome de que as diferenças, de todos os tipos, não os joguem para as margens. Fome de família. Fome de saber que é criatura amada por Deus. Fome de respeito por seu corpo e suas emoções. Fome de moradia apropriada, com água, luz e canalização de esgoto.  Fome de mãe e pai que assumam seus filhos. Fome de ouvir o cântico com alma de seus antepassados. Fome de viagens que rompam as fronteiras que lhe impuseram nas periferias. Fome de tratamento médico e dentário adequados. Fome de alimento.  Fome de esperança em seus sonhos. E quantas outras fomes, meu Deus, eles exalam!

 

Os meninos que me espreitavam, vindos do morro do Jardim São Camilo, tinham fome, no passeio que se deram, de salgadinho de aniversário. Notaram que os fitava com aconchego. O menor deles se aproximou e me perguntou sobre a possibilidade de comprar uma coxinha. Dividiriam em seis partes. Fome de guloseimas.

 

Com as coxinhas e os refrigerantes, sentaram-se de forma a não me  perder de vista.  Não lhes perguntei nada e também não puxaram conversa. Trocamos sorrisos.

 

Interrompemos o nosso diálogo de encanto ao chegar uma amiga. Na hora em que terminaram o seu lanchinho, voltaram-se para mim e o maior deles encostou o dedo polegar no coração e fez sinal de positivo. Abracei-o com a expressão de meu rosto.

 

Na quinta-feira, a jornalista e escritora Ariadne Gattolini, que sente, escreve e pensa a justiça social com seriedade e compaixão, enviou-me o  artigo “Não são pobres, são os excluídos da festa”, do jornalista e escritor espanhol Juan Arias, no periódico “El Pais”. Fantástico! Arias comenta que não devemos chamar os pobres assim. No sentido etimológico latino, pobre significa estéril, parir ou gerar pouco.  Aqueles que chamamos de pobres, segundo ele, são os excluídos da festa, os sem oportunidades de serem como nós. Concordo com Juan que os pobres não precisam de migalhas que nossa benevolência joga a eles. “Eles só precisam ter a permissão de ter acesso por direito à nossa festa de pessoas satisfeitas, sem fechar a porta na cara deles e sem chamar a polícia para que sua presença incômoda seja mantida à distância”.

 

Ao saber do acontecido, a minha amiga mencionou que um dos responsáveis pelo supermercado pediu a ela, há algumas semanas, que não pagasse mais  lanche a um jovem que se aproximara. Outro trecho do artigo no “El Pais” me fez refletir sobre o fato: “Quem interessa que continue havendo pobres, contentes com os restos de nosso banquete, é o poder, porque ele não existiria se não houvesse aqueles que poderiam ser dominados e servidos por ele”. Quem saboreia um lanche inteiro não precisa de migalhas.

 

Enquanto vivenciei a situação com os meninos, esqueci-me do acontecido no dia anterior. Permiti, por alguns instantes, direito deles, que  “viessem para a festa” e recebi o que mais precisava: ternura santificada que unge feridas.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



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Sábado, 25 de Janeiro de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - SOLIDARIEDADE E CONSOLIDAÇÃO DE UMA CONVIVÊNCIA AFÁVEL.

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebra-se a trinta e um de janeiro o DIA DA SOLIDARIEDADE. Trata-se de uma data de suma relevância, por convidar a uma séria reflexão sobre a importância de desenvolvermos uma convivência mais fraterna e solidária, notadamente numa época em que o desenfreado consumismo se sobrepõe a inúmeros princípios, tornando as pessoas mais frias e insensíveis.

 

Com efeito, e como asseverou o saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida, “a realidade nacional revela três grandes anomalias que devem ser corrigidas o quanto antes: as concentrações de renda, terras e poder; o aumento cada vez maior de empobrecidos e excluídos dos benefícios; e a atuação oscilante do Estado, ora onerosa, ora desrespeitando o princípio da subsidiariedade que assegura e incrementa a autonomia dos diversos níveis de organização social e política.” (Revista “Família Cristã”- 09/1994 – p. 46).

 

Assim, a inclusão social se mostra como a grande solução para uma situação tão desigual como de nossos dias. Por isso, não podemos mais apostar em ações paternalistas, mas sim na mobilização de todos os setores. Imperioso que se multipliquem as ações sociais. Todavia, isso só se tornará realidade quando, dentro de nós mesmos, o individualismo for substituído pelo amor sincero ao próximo.

 

Somente a solidez dessa conduta capacita os indivíduos a resistir aos apelos fáceis e as tentações do mundo moderno. E essa mesma firmeza é que cria a respeito e o entendimento entre as pessoas, sendo que o compromisso com o bem comum vai se traduzindo no esforço constante de se promover o ser humano.

 

A insensibilidade e a busca do sentido da vida no consumo de bens desumanizam e trazem sérias conseqüências morais e existenciais. Numa época na qual os padrões dominantes privilegiam o ter em detrimento do ser, faz-se necessário traçarmos um novo horizonte para o amanhã, com a asseveração de princípios básicos como a solidariedade, que integra a terceira geração dos direitos humanos.

 

Por outro lado, vivemos num país com sérios problemas e que passivamente acompanha o aumento da concentração de renda em plena crise econômica, o que nos deixa diante de um grande desafio. A título de ilustração, invocamos o economista José Batista de Carvalho Pinto: “É preciso rever a estrutura tributária, previdenciária, sindical e política para que possamos ter uma economia com crescimento econômico desenvolvimentista, voltada para o social, com políticas consistentes e efetivamente canalizadas para a preservação da qualidade de vida, emprego e renda.” (Correio Popular – 02/05/2004 – B-4).

 

Como propósito moral que vincula o indivíduo à subsistência, aos interesses e às obrigações dum grupo social, duma nação ou da própria humanidade, fazendo com que ele partilhe construtivamente da vida do seu semelhante, a solidariedade encerra dois aspectos, ou seja, participação e ajuda: uma virtude que se subordina à disposição afetiva em relação a quem nos avizinha.

 

Para Franz Kafka, ela “é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. O futuro, coletivo e individual, depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas questões para, estruturado em muito trabalho e numa boa dose de renúncia, alcançar gradualmente, e o quanto antes, a consolidação de uma convivência afável e justa.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário (joaocarlosmartinelli@terra.com.br)

           



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SE CHOREI OU SE SORRI....

 

 

 

 

 

 

 

            Podem me chamar de brega se quiserem, mas gosto muito das letras das músicas do Roberto Carlos, das composições mais antigas dele. Até seria difícil ser diferente, já que era uma trilha sonora constante na minha casa, fãs que meus pais ainda o são.

 

            De todas elas as letras, sempre me vem à mente “Emoções”. Talvez porque eu mesma seja um turbilhão delas ou talvez porque eu acredite que sem emoção a vida não vale ser vivida.

 

            É claro que todos temos o idílico sonho de uma vida apenas de boas emoções, de momentos felizes. Por óbvio isso é impossível. Primeiro porque as emoções não são apenas boas ou ruins, mas muitas são um pouco de cada, tudo junto e misturado. O próprio chegar a esse mundo é um momento de dor, mas que também é de alegria, alegria que o recém- nascido não reconhece de início, contudo.

 

            Penso que a própria existência humana é emocional. Impossível não termos sido fruto do amor, ainda que tenhamos desvirtuado nosso caminho. Vivemos pelas emoções, pelo prazer, pela busca da felicidade, pelo direito de sentir tudo o que desejamos. As emoções, mesmo as piores, como a inveja ou a raiva, impulsionaram o progresso da humanidade e permitiram que outras pessoas usufruíssem das melhores emoções, como se saber imunizado ou curado de alguma doença, por exemplo.

 

            Fico pensando, de minha parte, em todas as emoções que já vivi, nas boas, nas não tão boas e nas tristes. Tenho a esperança de viver ainda muitas alegrias, mas sei que o futuro, naturalmente, reserva-me emoções dolorosas, aquelas que temos quando perdemos alguém que amamos. Não há como me preparar para elas, mas apenas me permitir viver ao máximo os momentos felizes, para fazer que os difíceis sejam suportáveis...

 

Por outro lado, conheço muitas pessoas que vivem como se economizassem emoções, como se houvesse um banco para isso, como se fosse possível a eternidade. Não dá para deixar os sorrisos para depois, os abraços e beijos para outra hora, pois a alegria não admite ser deixada de lado. Felizmente, é possível adiar algumas dores, alguma espécie de sofrimento, como aquilo que vem de nossa própria alma ou coração. Quando for inevitável sofrer, que seja inevitável e nada mais.

 

            Gosto de saber que em mim, como em todas as pessoas, há a semente de todas as emoções. Bom saber que é possível domesticar algumas, que se pode ser dominado por outras, que a dor pode ser prazer, que a lágrima pode ser de alegria, que o medo pode ser sobrevivência, que a raiva pode ser passageira e que a mágoa pode ser esquecida...

 

            Seja como for, se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - OPORTUNIDADES DE VIDA E SALVAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava imediatamente; levava-os a uma sala com arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro – na qual estavam penduradas caveiras cobertas de sangue.

 

Nesta sala, ele os organizava em círculo e dizia:

 

– Vocês podem escolher morrerem flechados ou passar por aquela porta.

 

Todos escolhiam morrer rapidamente pelos arqueiros.

 

Ao término da guerra, um soldado perguntou:

 

– Senhor, o que havia atrás da assustadora porta?

 

– Vá e veja – respondeu o rei.

 

O soldado, então, a abriu vagarosamente e percebeu que a porta conduzia o prisioneiro à liberdade. Admirado, apenas olhou para o rei, meio sem entender. E o monarca explicou:

 

– Eu dava a eles a escolha, mas preferiam morrer! Os covardes temiam passar por algum sofrimento maior.

 

E você, leitor, quantas portas deixou de abrir por medo de se arriscar? Se Nossa Senhora não confiasse em Deus e dissesse ‘não’ ao anjo Gabriel, como seria a história da salvação? E Moisés, teria libertado o povo do Egito sem ter sofrido e se entregado à vontade do Criador? Jesus Cristo, que era 100% Deus e 100% homem, também teve medo e, mesmo com todas as provações, fez prevalecer o desejo do Pai, certo?

 

Portanto, confiando sempre na vida eterna e aproveitando cada oportunidade de fazer o bem, estaremos caminhando para a libertação da alma. E trabalhando com amor no coração, aproveitamos mais oportunidades de sermos regidos por Deus – nosso grande Maestro!

 

Para completar esta reflexão, vale a pena conhecer uma história real de alguém que fez o bem e não se arrependeu:

 

Há vinte anos, em face de rodar no turno da noite, o táxi de um bom homem tornou-se um confessionário. Os passageiros contavam suas alegrias e tristezas.

 

Nenhuma viagem tocou mais o coração do motorista do que a de uma velhinha que transportou no mês de agosto. Ele havia recebido uma chamada de um pequeno prédio, numa rua tranquila do subúrbio. Imaginava que iria pegar pessoas de fim de festa, ou talvez um trabalhador indo para o turno da madrugada em alguma fábrica.

 

Quando chegou às 2h30, o prédio estava escuro, com exceção de uma única lâmpada acesa no térreo. Em vez de buzinar, o motorista foi até a porta e bateu. Uma octogenária pequenina apareceu, usando um vestido estampado e um chapéu bizarro – que mais parecia aqueles usados nos filmes da década de 40. Trouxe consigo uma valise de nylon.

 

Quando embarcaram, ela deu-lhe o endereço e falou:

 

– Por favor, vá pelo centro da cidade.

 

– Não é o trajeto mais curto.

 

– Eu não me importo. Não estou com pressa, pois meu destino é um asilo de velhos. Não tenho família e o médico disse que minha vida está no fim.

 

Nas duas horas seguintes, passearam de táxi. Ela mostrou-lhe o edifício que havia trabalhado como ascensorista; andaram pelas cercanias em que ela e o esposo tinham vivido como recém-casados; depois, ela pediu-lhe que passasse em frente a um depósito de móveis, que havia sido um salão de dança que frequentou quando mocinha. De vez em quando, pedia também para dirigir vagarosamente em frente a um edifício ou esquina e ficava com os olhos fixos na escuridão, sem dizer nada.

 

Quando o primeiro raio de sol surgiu no horizonte, ela falou:

 

– Estou cansada, vamos agora.

 

Viajaram em silêncio e chegaram a uma pequena casa de repouso. Dois atendentes muito amáveis caminharam até o táxi assim que parou. Ela sentou-se numa cadeira de rodas que trouxeram para o desembarque e perguntou ao motorista:

 

– Quanto lhe devo?

 

– Absolutamente nada – respondeu ele.

 

– Você tem que ganhar a vida, meu jovem! – insistiu a idosa.

 

– Há outros passageiros que irão pagar – falou o bom homem, com lágrimas nos olhos.

 

Quase sem pensar, ele curvou-se e deu-lhe um abraço. Ela, então, se despediu:

 

– Você proporcionou a esta velhinha bons momentos de alegria. Muito obrigado por dar um pouco mais de sentido no final da minha existência. Que Deus o recompense.

 

Assim que a porta do asilo foi fechada, encerrou-se o ciclo de mais uma vida. Naquele dia, o motorista não pegou outros passageiros. Dirigiu sem rumo, perdido em seus pensamentos: ‘E se a velhinha tivesse pegado um taxista mal-educado, ou algum que estivesse ansioso para terminar seu turno? E se houvesse recusado a corrida, ou tivesse buzinado uma vez e ido embora?’. Ao relembrar, ele concluiu que jamais fez algo mais importante no trabalho.

 

Pois é, estamos condicionados a pensar que nossas vidas giram em torno de grandes momentos já planejados, mas oportunidades para grandes feitos nos pegam desprevenidos e, às vezes, ficam no esquecimento. Por outro lado, sempre haverá pessoas que nunca se esquecerão de coisas boas que fizemos.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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FELIPE AQUINO - SANTIDADE AO ALCANCE DE TODOS

 

 

 

 

 
 
 
 
 

Desde a Antiga Aliança, realizada através dos Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo” (Lv 1,44-45).

 

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gen 1,26), e Ele é Santo, todos nós temos que ser santos também. Isto é natural, porque fomos feitos para Deus. O Senhor não deixa por menos.

 

São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16). São Pedro exortava os cristãos do seu tempo a romper com o pecado: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pe 4,3), vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados” (1Pe 4,8).

 

 

 

 

 

 

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5,45). Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis ?” (46).

 

Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44). E mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra” (39).

 

Todo o Sermão da Montanha, relatado nos capítulos 5,6 e 7 de S. Mateus, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz ler no Evangelho este discurso de Jesus.

 

 

 

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São Paulo começa quase todas as suas cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são “chamados à santidade”. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo: “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos…“ (Rom 1,7). Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2). Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5). Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza…” (1 Tess 4,3-5). “Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1). “Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Heb 12,14).

 

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”. A santidade ainda não é um fim, mas o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

 

A santidade é a melhor resposta que damos ao amor de Deus. É esse amor retribuído que levaram os santos a fazerem a vontade de Deus e chegarem à santidade. O Concílio Vaticano II afirmou que: “Todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado” (LG 41).

 

Essas palavras da Igreja mostram que a santidade não é, como se pensava antes, um caminho para poucos “eleitos” de Deus, privilegiados; mas um caminho para “todos” os cristãos. Esse chamado é uma “vocação universal.

 

Todos os batizados, portanto, sem exceção, são chamados à santidade. “Eles são justificados no Senhor Jesus – diz o Concílio – porquanto pelo batismo da fé se tornaram verdadeiramente filhos de Deus e participantes da natureza divina e portanto realmente santos” (LG 40).

 

Vemos então que cada um de nós “recebeu” a santidade no batismo e deve viver de modo a preservá-la e aperfeiçoá-la. Certa vez o Papa João Paulo II disse em Roma, citando Bernanos: “A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos”.

 

Em outra ocasião, ele disse aos catequistas: “Numa palavra, sede santos. A santidade é a força mais poderosa para levar a Cristo, os corações dos homens” (L.R. nº 24, 14/06/92, pg 22 [338]). Para viver a santidade devemos, como disse Santo Afonso de Ligório, “fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”; isto é, viver os mandamentos e aceitar a vontade de Deus em tudo.

 

A Igreja existe para nos levar à santidade; e nos oferece muitos meios de santificação: a oração, os sacramentos, os sacramentais, a Palavra de Deus, a fé. Além disso nos santificamos pelos sofrimentos, pela vivencia familiar como pais e filhos cumpridores de nossa missão; pelo trabalho realizado com amor. É no chão do lar, da fábrica, do asfalto, da rua, da luta diária que cada um de nós se santifica, fazendo a vontade de Deus.

 

O mundo hoje precisa de muitos santos, como disse João Paulo II aqui no Brasil; santos modernos, de calça jeans, tocando violão e tudo mais.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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FRANCISCO VIANNA - RECRUDESCE, COM FORÇA, A AÇÃO DO GOVERNO COLOMBIANO CONTRA AS FARC

 

 

 

 

 

 

Acampamento guerrilheiro é bombardeado e o número de membros mortos das FARC já chega a quatorze.

 

 

 

 

 

 

 

Soldados colombianos mantêm sob custodia os corpos dos guerrilheiros das FARC coletados no local do bombardeio das FFAA colombianas em Arauco, próximo à fronteira com a Venezuela. (Foto: AFP/Getty Images)

 

 

A agência de notícias espanhola, EFE, divulgou hoje que as FFAA da Colômbia já têm em seu poder 14 cadáveres de guerrilheiros das FARC mortos num bombardeio militar no domingo último no Estado de Arauca, a leste da Colômbia e fronteiriço à Venezuela. O anúncio foi feito pelo General Comandante Leonardo Barrera, quando explicou que os trabalhos de recuperação de mortos continua a ser feito na área. Houve apenas um ferido e outro que se entregou às forças militares.

 

Um dos helicópteros que procederam ao bombardeio foi atingido por tiros disparados do solo, mas que estes não foram suficientes para fazer a aeronave cair.

 

Ainda segundo o General Barrera, os guerrilheiros pertenciam à “coluna móvel Alfonso Castellanos” das FARC e foram surpreendidos quando se preparavam para atacar uma área rural de Tame “com uma ação de fogo indiscriminada contra a população civil de Puerto Rondón, com armas artesanais de artilharia”.

 

Contingentes da Aeronáutica, da Força Tarefa Quirón da Oitava Divisão e da Aviação do Exército participaram do bombardeio do acampamento guerrilheiro, sobre o qual foram informados pela inteligência militar e por habitantes da área. O líder da coluna, um tal de “Franklin”, pode ter fugido para a Venezuela, levando os discos rígidos de seu computador. O bandidão chefe tem sido responsabilizado por diversos atentados “contra a população civil, contra as instalações de infraestrutura econômica do Estado de Arauca e contra a Polícia local”, entre esses a emboscada que, em agosto último, matou 14 soldados.

 

Segundo um relato do Comando Geral das FFAA, nos primeiros 20 dias de 2014 foram mortos em ação 13 guerrilheiros das FARC, do ELN e outros três foram presos, ao passo que em todo o país morreram um total de 18 e um total de 40 foi capturado.

 

Este é o primeiro grande revés sofrido pelas FARC depois que ambos os lados deram por encerrada a trégua unilateral de um mês que o governo estabeleceu por causa das festas natalinas.

 

 

 

 (da mídia internacional)

 

Quarta feira, 22 de janeiro de 2014

 

 

 

FRANCISCO VIANNA-   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil

 

 



publicado por solpaz às 11:54
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - SALÁRIO MÍNIMO

 

 

 

 

 

 

 

 

Com as primeiras chuvas outonais, fui surpreendido, certa manhã, com pequeno “lago”, no chão da minha cozinha.

 

Rapidamente verifiquei que se tratava de caleira entupida, da casa contigua, há muito desabitada, desde que os proprietários – casal muito simpático, – foram internados num lar de idosos, pelas filhas.

 

Declararam, a quem lamentava a sorte dos pais, que viviam desafogadamente, que não tinham tempo disponível para cuidarem dos progenitores.

Tentei avisar uma das filhas, sem êxito. As herdeiras, recusaram, delicadamente, fazer a limpeza do telhado. Aguardam, certamente, que os pais passem desta vida, para elas terem melhor vida.

 

Não encontrei outro remédio, senão mandar limpar a caleira, que estava toda florida.

 

O trolha, que me fez o serviço, enquanto destramente executava a limpeza, iniciou diálogo comigo:

 

Lamentava-se da crise, que levou muitos postos de trabalho.

 

Disse-me que era encarregado de obras e ganhava razoavelmente, mas aos poucos, muito lentamente, o salário mínimo foi “crescendo” e os outros descendo, ao ponto da maioria dos operários, estarem, quase todos, com igual salário.

 

Para que não pensasse que era invejoso, esclareceu-me que concorda com a subida do salário mínimo, que é uma miséria; -“ mas os outros devem, também, subirem um pouquinho.” Afirmou.

 

E concluiu deste jeito: - “ O salário mínimo a subir, e os outros a descerem, qualquer dia estamos todos, incluível os reformados, no salário de miséria!”

E filosoficamente: rematou -“ a não ser que se pretenda que só existam duas classes: os ricos, que tudo têm, e os pobres que nada têm…”

Devo informar, os curiosos, que o trabalho foi eficiente. Nunca mais choveu na minha cozinha.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  - Porto, Portugal.



publicado por solpaz às 11:39
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EUCLIDAS CAVACO - COIMBRA CIDADE ETERNA
 
 
 
 
 
 
 
Bom dia prezados amigos...
COIMBRA CIDADE ETERNA É o poema declamado que vos ofereço esta semana que poderão ver e ouvir   no link abaixo:

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Coimbra_Cidade_Eterna/index.htm
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade. London, Canadá.


publicado por solpaz às 11:29
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