Blogue luso-brasileiro
Sábado, 22 de Fevereiro de 2014
DOM GIL ANTÔNIO MOREIRA - TERÇO DOS HOMENS: A DIVERSIDADE NA UNIDADE

 

 

 

 

 

 

 

A oração do Terço de Nossa Senhora, praticada historicamente pelos fieis católicos em todo o mundo, é uma excelente forma de meditação sobre os passos da vida de Jesus. Eis a razão pela qual o Beato Papa João Paulo II ensinou que o Terço é uma oração contemplativa. A sua Exortação Apostólica “Rosarium Virginis Mariae” (16.10.2002) despertou em toda a Igreja um renovado interesse pela antiqüíssima devoção do Rosário e seus efeitos continuam se propagando de forma encantadora por todo o orbe. É uma forma de contemplar Jesus com os olhos de Maria, tendo sido ela a criatura que mais perto esteve do Filho de Deus encarnado, durante toda a trajetória da Salvação. Nenhuma outra pessoa na terra esteve tão unida a Cristo quanto Maria. Desde a sua concepção até a morte na cruz, e ainda na ressurreição e após a ascensão, Maria está sempre presente e unida ao mistério de seu Filho, Jesus,  Deus e Homem verdadeiros.

 

No Brasil, uma experiência relativamente nova tem chamado à atenção. São os grupos de Terço dos Homens que têm crescido intensamente nos últimos anos. As iniciativas são diversas, surgindo comunidades de homens aqui e acolá, que tomam a decisão de se reunirem para rezar o Terço, quase sempre uma vez por semana comunitariamente, mas às vezes diariamente em família ou ainda solitariamente.

 

A origem deste costume, de homens se reunirem para rezar o Terço, contudo, se perde na história. Há notícias de tais grupos ao menos desde 1912. Porém, no Brasil, a iniciativa mais recente foi do Movimento Maria Três Vezes Admirável de Shoenstatt, também conhecido como Mãe Rainha, presentes, sobretudo no Norte e no Nordeste. Tive oportunidade de visitar reuniões de tal vertente em Recife e, em novembro de 2013, estive em São Luiz do Maranhão, onde constatei a imensa evolução desta prática espalhada em todas aquelas regiões. Faço aqui justa homenagem ao Padre Miguel Lencastre, falecido a 13 de janeiro passado, que foi um grande incentivador do Terço dos Homens e que teve a iniciativa de criar a sigla THMR (Terço dos Homens Mãe Rainha), identificando assim as particularidades do Movimento de Shoenstatt.

 

Com o crescimento dos grupos, seja da experiência acima mencionada, seja de muitas outras iniciativas independentes do Movimento da Mãe Rainha, pessoalmente me interessei em apoiar todos os grupos, certo que estou do grande valor evangelizador e santificador de tal devoção. 

 

A partir de 2008, surgiram as romarias do Terço dos Homens ao Santuário de Aparecida o que deu um extraordinário impulso ao movimento, nascendo daí muitas outras iniciativas pelo Brasil a fora. Quando acompanhei um grupo ao referido Santuário, há seis anos, o então Padre Darcy Niccioli, Reitor do Santuário (hoje Bispo Auxiliar de Aparecida), sugeriu aos romeiros do Terço solicitar à Presidência da CNBB, a nomeação de minha pessoa, como Bispo Referencial para o Terço dos Homens em nível nacional, o que foi prontamente acolhido pelo então Presidente, Dom Geraldo Lyrio Rocha, que, após ouvir os órgãos competentes, me nomeou para tal missão.

 

Desde aquela ocasião, tenho procurado me esforçar para que a oração do Terço seja momento de contemplação dos Mistérios de Cristo, associado  ao louvor e à súplica a Maria, e ainda oportunidade de maior engajamento dos homens do Terço na vida litúrgica e pastoral de suas paróquias ou comunidades.

 

Além disso, vi nascer algo maravilhoso que veio de forma espontânea, que foi o interesse de muitos grupos no sentido de voltarem suas atenções para os pobres, realizando verdadeira obra social, caritativa e promocional, o que tem aliviado o padecimento de muitos irmãos empobrecidos e sofredores, vencendo, como podem, as situações de exclusão social.

 

O Terço dos Homens tem se revelado também como força de transformação e de verdadeiras conversões. Homens antes em descaminhos ou frios na fé, ao  frequentar um grupo de Terço, têm mudado de vida e muitos têm se libertado de situações degradantes próprias de quem vive longe de Deus.

 

Dia 22 de fevereiro próximo, acontecerá a 6ª. Romaria Nacional do Terço dos Homens a Aparecida. De Juiz de Fora, mais de 15 ônibus já estão lotados para o evento. De todo o Brasil, virão multidões de homens para mais uma vez celebrar a Eucaristia, rezar o Terço e reforçar a união dos que descobriram este jeito de estar mais perto de Deus e de receberem graças especiais para a sua condição de verdadeiros discípulos e missionários do Senhor. As origens, as modalidades são diferentes, mas todos estão unidos num mesmo objetivo: rezar e contemplar o Terço de Nossa Senhora. Não se pretende uniformidade, mas se faz questão da unidade.

 

Louvores sejam dados a Deus e a Nossa Senhora por esta surpresa animadora suscitada pelo Espírito Santo no Brasil e que vem se espalhando de forma tão encantadora e benéfica! Salve Maria, Salve Rainha!

 

 

Dom Gil Antônio Moreira   - Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora  -  Bispo Referencial do Terço dos Homens no Brasil.

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - A RESPEITO DA OBEDIÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

A obediência está dentre os pilares que, se destruídos ou danificados, provocam a ruína do ser humano. E obedecer não significa ser subserviente, mas coerência como norma de conduta. A cada ano aumenta o desrespeito com as leis, com as regras, com as posturas que elevam o ser humano.

 

Inúmeras e inúmeros se posicionam como se a felicidade ou o sucesso estivessem em ser esperto. Astúcia no trânsito, no pagamento de impostos, no enriquecimento ilícito, em benesses...

 

Observa-se que inúmeros alunos agem com desacato na escola porque, em casa, não convivem com regras que os ensinem a se conter diante do incorreto. E, na sociedade, quantos adolescentes, jovens e adultos que têm, como motivação, infringir a lei, danificar o patrimônio público, usar as pessoas com certo cinismo, que me parecem em estado de inconsciência. Não se ignora que lhes faltam exemplos.

 

A criança que se submete às regras que formam seu caráter, cujos porquês são explicados com clareza pelos pais, diz não à natureza rebelde, que todos carregamos, e se torna, na maioria das vezes, um ser humano equilibrado, com lucidez diante dos desvios. Sou muito convicta dessa colocação de São Paulo aos Coríntios ( 1º Cor. 10, 23) a respeito dos limites: “Tudo me é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica”. Abrir mão do que é permitido, quando é mais prazeroso do que aquilo que convém, é um exercício nas pequeninas coisas, com o propósito de se revigorar para as maiores.

 

Adultos que reagem negativamente à obediência benéfica se deixaram levar pela soberba com seus tentáculos: julgamento condenatório, mentira, inveja, arrogância, hipocrisia, presunção.

 

O inesquecível Dom Joaquim Justino Carreira, em seu livro “Trevas ou Luz” – Os Pecados Capitais e os Dons do Espírito Santo”, coloca como três as manifestações fundamentais da soberba: o domínio, o vitimismo e a mágoa. Segundo ele, “o domínio significa que só estamos bem quando as pessoas fazem o que queremos, como queremos e quando queremos. O vitimismo significa que, quando não fazem o que queremos, nos comportamos como vítimas dos outros e das situações: achamo-nos incompreendidos, desvalorizados. A mágoa, como dizem os Padres do Deserto: ‘toda a mágoa é fruto do orgulho ferido’. (...) Você pensa que é o centro do mundo e faz um julgamento. Condena. Mata as pessoas no coração! (...) A soberba exasperada conduz a tal exaltação do próprio ‘eu’ a ponto de perder a reta percepção de si mesmo. (...) O remédio da soberba é a humildade”.

 

Chama-me demais a atenção a passagem do Evangelho de São Lucas (22, 39-46), que relata a suprema angústia de Jesus, um pouco antes de sua prisão, em que Ele diz: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas a tua”.

 

Benfazejo é para a pessoa, em todas as fases da vida,  em todas as vocações, o colocar na cruz os dissabores da obediência que fortalece. É dessa obediência, sem acalentar os filhos da soberba, que nasce a claridade da madrugada da Páscoa.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 

 

 



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - MAMÃE NÃO TEM NAMORADO

 

 

 

 

 

 

 

Em reunião de preparação para um encontro de casais há tempos atrás, o Pe. Maristelo (indicado para bispo de Caicó – RN) fez uma reflexão para o grupo de trabalho e lembrou que ‘o amor de Deus é uma grande caridade para cada um de nós’. Como disse São Paulo: “Se não tiver amor, nada vale”.

 

Mas o grande desafio em nossa vida é amar sempre, mesmo diante das tribulações que nos afligem. E quando o trabalho é em grupo, fica mais difícil emanar amor, porque está em jogo as sensibilidades e os traumas de cada um. E disse o padre: ‘São muitos cristais na carroça!’; porém, como o amor de Cristo nos une, rezamos para que as vaidades deem espaço à solidariedade entre irmãos.

 

Precisamos lembrar que casamento é um Sacramento – sinal visível da graça de Deus – e temos o dever de socorrer aqueles que perderam o rumo na vida. Da mesma maneira que Jesus teve compaixão das ‘ovelhas sem pastor’, estaremos de plantão para acolher cerca de 50 casais que foram chamados para uma experiência maravilhosa de encontro pessoal com Cristo. Ele mesmo falou: “Quem tem sede, vem a mim e beba. Eu lhe darei água viva!”.

 

Alegra-nos pensar que há tanta gente feliz, mesmo sem bens materiais, porque acredita em Deus e tem motivos para sorrir. Confiam que Jesus é fonte de misericórdia e tábua de salvação. Para quem tem fé, tudo gira em torno de amar e ser amado. Mantém viva a chama do coração apaixonado, onde o amor nunca morre e sempre alimenta a esperança no Redentor.

 

E concluindo suas colocações, o Pe. Maristelo usou mais sabedoria para dizer que a maior prova de amor é o perdão do traidor. Precisamos usar nossa fraqueza para ter compaixão da fraqueza do outro, onde o discurso da fidelidade não pode ser desvinculado do discurso da reconciliação.

 

Portanto, sempre estaremos ‘vendendo o peixe do Evangelho’, porque é esse ‘peixe’ que nos alimenta. E, com certeza, muitos testemunhos daremos para tocar fundo em alguns corações endurecidos. Também usaremos histórias tristes como esta:

 

Uma menina contou à sua amiguinha:

 

“Ontem estive na casa do meu tio e aprendi muito quando vi minha prima se preparando para a chegada do seu namorado. Ela arrumou os cabelos, se perfumou, colocou uma roupa jovial e correu de um lado para o outro, vistoriando tudo detalhadamente para que seu amor não encontrasse nada fora do lugar. Olhava toda hora na janela para não perder um passo dele chegando.

 

O namorado entrou cheiroso, usando uma loção especial e, quando seus olhos se encontraram, pareciam que os dois estavam flutuando no ar. Minha prima logo lhe ofereceu algo para beber e apressou-se a apresentar algumas guloseimas que ela mesma preparou durante a tarde.

 

Ele elogiou tudo o que ela fez e agradeceu pelo delicioso jantar. Sentaram-se e sorriram bastante durante o período que ficaram a sós na sala. Também escutaram um ao outro e, sem soltarem as mãos, ficaram juntinhos até a despedida.

 

Voltei para minha casa e, no dia seguinte, perguntei à minha mãe:

 

– Mamãe, quem é o seu namorado?

 

Ela sorriu e disse que é o meu papai. Eu retruquei que não é o meu papai, mas ela insistiu que seu namorado é sim o meu papai. Então, não acreditei e falei:

 

– Ora, mamãe, como é que seu namorado é o meu papai se nunca o vi chegar com flores ou chocolates? Como é que seu namorado é o meu papai se ele só dá presentes no seu aniversário e no Natal? Nunca o vi dar um presente só por estar chegando em casa! Como é que seu namorado é o meu papai se você nunca se arrumou quando o papai volta do trabalho? Ele nem sorri encantado quando olha pra você!

 

Ela ficou sem dizer nada e eu continuei:

 

– Como é que seu namorado é meu papai se, quando ouve o ruído da chegada dele, apenas lhe diz um ‘alô’? E o meu papai, ao invés de dizer ‘oi meu amor’, diz apenas ‘que dia duro tive hoje’, e troca logo de roupa procurando ficar mais confortável em frente à televisão!

 

Ela continuou em silêncio. Abaixou a cabeça e nem me olhava mais. Fiquei com dó dela e só completei:

 

– Como é que meu papai é seu namorado se você não pergunta o que ele gostaria de jantar? Os namorados dizem coisas românticas, tipo: ‘como te amo’, ao invés de perguntar ‘foste ao banco?’. Minha prima e seu namorado não param de se olhar, mas, quando você, mamãe, passa em frente da televisão, papai se inclina para não perder o que está na tela.

 

Eu acho que a mamãe me disse que eles são namorados para eu não saber que romperam o namoro logo depois que se casaram. Na verdade, meu papai não tem namorada e minha mamãe não tem namorado. Eles são apenas marido e mulher.”

 

 

 

 PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DORMIR E SONHAR

 

 

 

 

 

 

 

            Uma das coisas que gosto de fazer é dormir. Não que eu seja daquelas pessoas que dormem muito, mas aprecio o bom sono. Desde pequena tenho minhas preferências. Nunca foi adepta de dormir cedo e, sobretudo, de acordar muito cedo. Deixo esse hábito para maior parte dos pássaros e para aqueles que gostam de ver nascer o sol.

 

            Antes que alguém me crucifique, também considero um maravilhoso espetáculo o momento em que o sol vai surgindo, como se nascido da terra e não do céu, e começa  tingir o tempo com cores infinitas. Só que, a par disso, eu não consigo me sentir muito disposta fisicamente nesse horário. Se o sol nascesse às 8 da manhã, eu estaria sempre a postos, mas, como astro que é, tem as suas manias também... 

          

            Sempre gostei de ir dormir depois que todos já haviam se deitado, depois que a casa estava silenciosa. Em verdade, eu não ia exatamente dormir, mas ler e escrever. Sempre foi esse igualmente meu horário preferido para estudar, pois gosto da sensação de que o tempo fica pensativo e quase tudo ao meu redor se torna silêncio, até para permitir que ideias brinquem livres e barulhentas pela minha cabeça, embora se fazendo audíveis para mim...

 

            Quando o sono vem, por fim, estou plena e pronta para me encontrar com Morfeu. Ter sono é uma dádiva, diga-se de passagem. Em certos períodos, quase sem explicação, sou tomada pela insônia e isso me deixa louca, transtornada, sentindo-me viúva daquele que me renova o corpo e a alma.

 

            Gosto de acordar quando me sinto revigorada e isso ordinariamente ocorre após as oito horas da manhã, ainda que eu tenha ido dormir lá pelas duas da madrugada. Da mesma forma, gosto daquele sono que me invade depois de uma refeição e se eu pudesse dormir meia hora nesse horário, seria uma pessoa muito mais ativa e menos cansada. Houve, de fato, um tempo no qual isso foi possível, mas hoje, definitivamente, durante a semana, é inviável.

 

            Para além de dormir, o sono me propicia o imenso prazer de sonhar. Sonho muito e gosto demais disso. Alguns sonhos me parecem tão reais que tenho a impressão de que, vez ou outra, eu os misturo com minhas reais lembranças, de forma indistinta e quase proposital.

 

            Já sonhei que era capaz de voar, de respirar livremente embaixo d’água; já sonhei que era princesa, mas também que era escrava; sonhei que era bicho, que era homem, que era velha, que era criança outra vez; sonhei que gente viva estava morta e que gente morta estava viva; já acordei chorando, mas já acordei sorrindo...

 

            Ao me deitar, não posso evitar imaginar para que tempo, mundo ou emoção os sonhos me conduzirão. É como ter a própria máquina do tempo,  o próprio teletransporte. Amo pertencer a um mundo no qual o mal e o bem são ensaio e a morte pode ser enganada sem pudor ou vingança.

 

            Sei de pessoas que dizem não sonhar. Se isso for verdade, sinto muito por elas...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.



publicado por solpaz às 10:21
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PADRE ANTÓNIO VIEIRA E A LUTA CONTRA AS INJUSTIÇAS SOCIAIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

No último dia 06 de fevereiro, comemorou-se quatrocentos e seis anos do nascimento em Lisboa (Portugal) do Padre ANTONIO VIEIRA, cuja vida e obra no Brasil têm sido objeto de muitos trabalhos literários, alguns produzidos com base nos noves anos em que ele viveu no Maranhão, onde também se notabilizou como orador no púlpito do convento das Mercês, em São Luís onde desenvolvia os seus admiráveis sermões.

 

Faleceu em 1697, na Bahia depois de ter ocupado vários cargos importantes na Colônia e na Corte. Sempre foi um defensor da liberdade religiosa dos judeus e, ao se contrapor à Inquisição, acabou preso por 813 dias “num covil apertado e escuro”, um sertão frigidíssimo, como costumava se referir ao clima de Coimbra. O seu legado literário mais importante foi “Os Sermões”, conjunto de peças ditas em público e que ia arquivando até a publicação final, depois de várias intervenções para melhorar o estilo e aprimorar as expressões.

 

            De acordo com o jornalista José Pedro Martins, “nos Sermões, Vieira fez a defesa dos indígenas, a crítica aos fazendeiros do Maranhão, às guerras entre Portugal e Holanda. Mas o sermão talvez mais importante, lapidar, de Vieira tenha sido o Sermão da Sexagésima, ou da “Palavra de Deus”, dito na Capela Real de Lisboa, em março de 1655. Objetivo do sermão era fustigar as ordens adversárias dos jesuítas, mas o seu conjunto representa importante peça de oratória, em que mais do que tudo Vieira expõe suas idéias sobre linguagem e a sua extensão, a literatura. O pregador tinha status correspondente ao do escritor atual. A arte da oratória era para muitos ´a` arte. A crítica da oratória é a crítica da literatura” (Correio Popular- 07.01.2007- A.8).

 

A forma como o religioso enfrentou inúmeras situações e desafios é a maior prova da dignidade desse ser humano, que para o mesmo jornalista foi “um sinal de que é possível crer, sempre, no brilho do pensamente, acima de toda a mediocridade e de todas as condições sociais, econômicas, culturais e políticas que parecem dizer o contrário, só poderia vir de Antônio Vieira”.

 

            Em determinada ocasião, quando esteve em Portugal para lutar por medidas que pusessem fim ao cativeiro dos indígenas, aproveitou para pregar em Lisboa o “Sermão do Bom Ladrão”, diante de Dom João IV e sua corte. Conforme o educador Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras, houve um “desconforto do auditório – formado por juízes, ministros, conselheiros da coroa e os mais altos dignitários do reino- forçados a ouvir Vieira falar obsessivamente de ladrões e ladroeiras: Já a tese inicial é implacável: “Nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo os reis. O que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levarem consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno. Prosseguirei com tanto maior esperança de produzir algum fruto quanto vejo enobrecido o auditório de tantos ministros de todos os maiores tribunais, sobre cujo conselho e consciências costumam se descarregar a dos reis” (Folha de São Paulo, 10.09.2007- A.3).

 

        Parece que as palavras de Pe. Antonio Vieira c permanecem atuais. As pessoas continuam descompromissadas com os valores cristãos, humanos e familiares, sem os quais não se operam necessárias transformações sociais. No entanto, faltam homens corajosos e sensatos como ele, que lutem para que contra os favorecimentos espúrios e outros aspectos, caracterizados pela baixeza e total falta de ética de muitas de nossas autoridades e detentores do poder econômico.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário

 



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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014
FELIPE AQUINO - MÃE, CONSOLO DE DEUS PARA O MUNDO

 

 

 

 

Mãe, a maior reserva de amor e compaixão que Deus colocou no mundo

 

Quando o nosso mundo se agita neste mar de violências e de injustiças, não podemos deixar de lembrar de tua pessoa, Mãe, porque ainda és, a maior reserva de amor que Deus colocou neste mundo. Quando tudo parece estar perdido, ainda resta o coração; é de lá que a vida começa a renascer. E tu, ó mãe, tens entre os homens o primado do coração.

 

Nem os arranha-céus mais altos, nem os computadores mais possantes, nem os aviões mais velozes, podem ser comparados à beleza transcendente do teu olhar e o sentimento incomparável do teu coração. Mãe, foste criada não só para dar a vida aos homens, muito mais do que isto, para semear o amor entre eles. Sois tão diga, que até o próprio Deus quis nascer de ti, em forma humana.

 

O mundo precisa aprender contigo mãe, antes que seja tarde, a lição do perdão sem limites, da compaixão que faz sofrer solidária, da bondade que supera toda inveja, da paciência que vence toda inquietação, do amor que vence todo ódio, e que é mais forte do que a morte.

 

Somos gratos a Deus que te criou e te deu de presente a cada um de nós. A tua beleza é grande porque em ti é grande a intensidade do espírito que penetra a matéria. Sobretudo mãe, queremos reconhecer e agradecer pela gratuidade das tuas boas obras. Sois como a raiz da árvore, sempre escondida, mas sempre promovendo o crescimento dos ramos e dos frutos.

 

 

 

 

 

Disse alguém que “o prazer da abelha é sugar o mel da flor, mas o prazer da flor é entregar o mel à abelha”. Sei que assim és mãe! Olhando para ti aprendemos a dar graças a Deus todos os dias. E, se por acaso, alguém não reconhecer o teu valor, ou não retribuir com gratidão o teu amor que nunca acaba, saiba que o Criador te vê. Lembra-te daquilo que disse alguém: todo dia o sol também dá um belo espetáculo ao nascer o dia, e, no entanto, a maioria da platéia dorme, e não pode reconhecer a sua beleza. Mas nem por isso, o sol deixa de ser belo, formoso e fundamental. Da mesma forma, mãe és o sol do lar.

 

Que o bom Deus, que nos deu a graça de criá-la, renove tuas forças e tua graça, hoje mais do que nunca, para que do teu coração surja uma nova esperança para todos. Mãe, mais do antes, precisamos muito de ti!

 

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os alunos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”.

 

Esta é a sua bela missão Mãe, educar; e educar é isto, com paciência e perícia ir tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes do filho, até que o “anjo” apareça. Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.”

 

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais. Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, “é obra do coração”, é obra do amor, por isso tem muito a ver com a mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida.

 

 

 

 

O povo diz que atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, mas é preciso não esquecer que “esta mulher” mais do que a esposa, é a mãe.

 

É no colo da mãe que a criança precisa aprender o que é a fé, aprender a rezar e a amar a Deus e as pessoas. É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém.

 

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da mal-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que vai lhe ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que nas primeiras tarefas do lar, lhe ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade.

 

Até o filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

 

Mãe querida, que Deus te abençoe.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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LAURENTINO SABROSA - POSTAL DE PARABÉNS ÀS MÃES ANIVERSARIANTES

 

 

 

 

 

 

 

MINHA SENHORA

 

 

                        Não importa muito sabermos há quantos anos, no dia do seu nascimento foi bebé, para, tempos depois, ser criança, para mais tarde e sucessivamente, ser adolescente, mulher, esposa e mãe. 

 

                     Vimos apresentar-lhe os nossos parabéns pelo seu aniversário e desejar- lhe que nunca deixe de ser mãe, nobremente mulher por ser verdadeiramente senhora e esposa, podendo também continuar a ser adolescente e criança, com a sabedoria de saber como e quando o deve ser.

 

                    Bem merece os nossos parabéns pelos seus títulos, belos e nobres exercidos com pundonor e elevação, mas que apesar disso, não estão completos. Por isso, o nosso maior desejo é que, em longa vida e com saúde, venha a acrescentar aos teus títulos o de AVÓ, para que sinta mais do que nunca a nobreza de ter sido esposa, verdadeiramente mãe, verdadeiramente senhora, verdadeiramente mulher.

                                          

                    Em nome do Blogue luso-brasileiro "PAZ" e em nome pessoal como seu colaborador.

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    Senhora da Hora, Portugal

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

 



publicado por solpaz às 15:00
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FRANCISCO VIANNA - CHOQUE DE REALIDADES - AMERICANOS COMEÇAM A VIAJAR PARA CUBA E CONSTATAM QUE A SITUAÇÃO DA ILHA É PIOR DO QUE PENSAVAM.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por mais de 40 anos o turismo estadunidense em Cuba esteve bloqueado por uma proibição de se viajar à ilha por parte de Washington que vigora desde a década de 1960. Basicamente, o fato impediu que Havana faturasse os dólares de americanos dispostos a gastá-los numa das ilhas mais fascinantes e atraentes do mundo em termos de belezas naturais.

 

Durante esse tempo, raros norteamericanos conseguiram saborear a exótica cozinha insular, que combina o alho, o cominho, e o orégano em seus temperos das empadas cubanas, ou desfrutar o café da ilha que não difere em nada do brasileiro.

 

Com a flexibilização tanto por parte de Havana quanto por parte do governo Obama, 2013 foi um ano que, de fato, muitos cubano-americanos puderam visitar a ilha, bem como alguns insulares puderam ir à Flórida visitar seus parentes.

 

Entre os estadunidenses que foram a Cuba, muitos eram estudantes de 17 a 21 anos, integrantes de programas de estudo e pesquisas escolares e universitárias. Essa moçada teve oportunidade de interagir com botânicos, professores e médicos da ilha e ver de perto a relação custo-benefício do sistema social (político e econômico) implantado na ilha desde a deposição do antigo ditador Fulgencio Batista. Isso teve uma importância ímpar na carreira desses estudantes que chegaram ao país caribenho fazendo uma ideia do que se passava na ilha bem diferente do que ocorre na realidade.

 

A experiência desses visitantes estadunidenses ajudou a desfazer mitos e a corrigir algumas noções errôneas que os jovens tinham sobre o suposto “ódio dos cubanos aos EUA”, entre outras ideias plantadas pela propaganda marxista. “Não imaginava que os cubanos pudessem ou estivessem dispostos a falar e interagir conosco, mas a quase totalidade deles se mostravam felizes de fazê-lo”, era o comentário geral entre os visitantes do norte. “Creio que o simples ato de falar livremente conosco dava aos locais a sensação de que as coisas pudessem estar mudando por lá; e mudança é o grande anseio que qualquer estrangeiro sente da parte deles”.

 

As dificuldades que esses visitantes encontraram foram as mesmas que os cubanos enfrentam todos os dias, com a vantagem de terem dólares para gastar – o que pareciam ser milionários para os locais – e a desvantagem de que a grande maioria deles não falava o espanhol, o que os deixava um tanto perdidos em Havana.

 

Um grupo, no entanto, ficou muito surpreso quando uma família local dele se aproximou falando em inglês e em questão de minutos estavam numa conversa interminável sobre a sua vida diária na ilha. “Falaram de sua cultura, dos locais onde trabalham, das escolas frequentadas por seus filhos, e demonstraram sempre a preocupação de que nós, visitantes, pudéssemos desfrutar da parte que julgavam boa de seu país, as belezas naturais”, relatou um dos membros desse grupo.  Esse grupo de estudantes viajaram sob os auspícios do programa “BreakAways” (vencendo barreiras) do Colégio Illinois, uma universidade de artes liberais de Jacksonville, numa excursão à Cuba sob a chefia de professores como programa de férias da instituição estadunidense de ensino.

O programa visa levar ao estudante a condição de desenvolver uma perspectiva diferente sobre como o mundo funciona, segundo Steven Gardner, um professor de espanhol e um dos organizadores da viagem. “Ora, Cuba está a apenas 90 milhas (145 km) dos EUA, mas, provavelmente, é a cultura que menos os norteamericanos conhecem, devido a décadas de isolamento social. O que nós sabemos da ilha vem sempre com um forte teor ideológico e político de ambos os países”, acrescentou. “Achamos que seria importante deixar que nossos estudantes conhecessem de perto a pobre sociedade cubana e assim pudessem tirar suas conclusões livremente a partir de uma vivência real e sem interferência de terceiros”.

Para tanto, os estudantes estiveram observando o sistema de saúde local, visitando consultórios médicos e hospitais. Estiveram também em creches e escolas para sentir a que ponto ia o cuidado com as crianças e adolescentes em Havana. “Infelizmente”, disseram, “o turismo em Cuba ainda é orientado pelo estado e o turista não pode viajar livremente pela ilha, mas se ater a roteiros pré-estabelecidos, o que ainda dificulta se ter uma noção da realidade de cidades e vilas do interior”.

 

A viagem, por outro lado, teve a intenção de dar aos estudantes a oportunidade de estudar temas relacionados com suas metas profissionais e poder comparar o que aprenderam com suas próprias realidades, além de melhorar seus níveis de cultura geral, o que tem sido um problema sensível nos EUA. “Os americanos têm vivido voltados quase que exclusivamente para o seu próprio país e pouco têm se interessado o que ocorre no resto do mundo, principalmente quanto à juventude atual”, explicou um professor.

 

A psicopedagoga do grupo, a Dra. Rellinger-Zettler, disse que “o ponto de vista psicológico, Cuba tem uma cultura muito interessante para os americanos pelo fato de não só apresentar diferenças com relação à vida familiar e entre suas identidades culturais como também por sua política de estado de oferecer educação e atenção à saúde a todas as pessoas do povo, embora tal meta esteja longe de ser atingida satisfatória e dignamente”.

 

O nível de pobreza encontrado em Havana foi comparável ao existente em Porto Príncipe, a capital do Haiti. Pouquíssimas pessoas têm carros e, a miúdo, a espera por um taxi ou um transporte coletivo – sempre apinhado de gente – pode levar horas, o que dificulta uma simples ida ao supermercado.  A atenção medica, digamos ‘trivial’, é, no entanto satisfatória para todos. A coisa se complica quando o caso sai da ‘trivialidade’ e o atendimento ainda deixa muito a desejar para os casos de idosos aposentados.  

 

“De qualquer modo, os estudantes puderam avaliar um sistema de saúde que, com todas as deficiências às quais não estão acostumados, mesmo assim funciona com recursos limitados”, afirmou o professor Gardner.

 

Os estudantes americanos comiam pratos típicos em restaurantes administrados pelo estado. De vez em quando iam comer nos “paladares”, como se chamam os restaurantes que funcionam em casas particulares, e pagos em dólares, naturalmente, o que os tornam fora do alcance da maioria da população.

 

O que se fartaram de ver em Cuba foi a quantidade de músicos e artistas que atuam em troca de gorjetas. “Em quase todos os restaurantes havia alguém que tocava bongôs, cantava e dançava a salsa ou a rumba”, disse um professor. Até hoje os estudantes têm dúvidas quanto à autenticidade da alegria exibida por muitos cubanos e não sabem ainda se ela é a manifestação de um sentimento autêntico ou uma espécie de disfarce ou alter egoexibido para esconder uma dura realidade...  

 

Com a volta do grupo aos EUA, ficou a certeza por parte do corpo docente que a viagem foi muito proveitosa para mudar a forma de ver a vida dos estudantes. “Essa mudança de visão tem o efeito de provocar no estudante uma valorização de toda a riqueza que dispõem e que corriqueiramente estavam acostumados a não dar a devida importância. Mas a grande lição fica por conta da certeza evidente de que um país não pode ter tudo o que os americanos têm por via de construção, geração e distribuição de riqueza através do estado”, completou.

 

Todos parecem, por outro lado, ter voltado às suas casas com uma forte convicção: a de que não viveriam num país como Cuba...

 

 

Terça feira, 4 de fevereiro de 2014

 

 

 

FRANCISCO VIANNA-   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ISAURA CORREIA SANTOS - UMA ALENTEJANA DE ALEGRETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Março de 1914, em plena planície alentejana, nascia a escritora Isaura Correia Santos.

 

Muito jovem, casou-se com o pintor Abel Santos. Tinha dezassete anos. Era uma menina bonita, moderna e muito determinada.

 

Publicou trinta e três obras, entre livros e opúsculos. Notável conferencista, trabalhou em Londres, como jornalista da BBC.

 

O governador do Texas, concedeu-lhe, em reconhecimento da actividade como jornalista e cronista, de grande mérito, o título de cidadã honorária do Estado do Texas.

 

Suas crónicas apareceram na “ República”, “ O Comércio do Porto”, “ O Primeiro de Janeiro” e em numerosos periódicos locais. Eram, em norma, incisivas e mordazes, todavia nada irreverentes.

 

Aos sábados, reunia em sua casa, na Praça da Galiza, no Porto, pequena tertúlia. Abordava-se, então, temas: políticos, económicos e mormente literários.

 

À hora do “ chá”, a Filó – a empregada – colocava sobre a alva toalha adamascada, chávenas de fina porcelana, todas diferentes, mas de grande beleza.

 

Lembro-me que uma das assíduas frequentadoras, era Dora Correia da Silva, da “ Crónica Feminina”, e o poeta, muito espirituoso e excelente conversador, Jorge Condeixa.

 

Tinha, a escritora, em Soutelinho, casa de férias, onde, de longe a longe, repousava. No pino do Verão, ia a banhos, para o Estoril.

 

Certa vez, ao entrar no carro, que estava estacionado na estrada Povoa – Vila do Conde, foi colhida por viatura, e teve que ser hospitalizada, gravemente ferida.

 

 


                                                              Isaura Correia Santos -  Desenho de Abel Santos

 

Fui visita-la à Ordem da Trindade. Certa ocasião, ao entardecer, confidenciou-me: “ Agora começam a ver melhor o interior, a compreender a Vida e seus segredos…” E prosseguiu, em voz dolente: “ Apesar da pouca fé que tenho, confio Nele, e espero a Sua misericórdia.”

 

E mais adiante:

 

“ Tenho rezado muito. Este acidente fez-me compreender o que nunca tinha conseguido alcançar.” - E concluiu: - “Não se esqueça de mim, nas suas orações...”

 

Já convalescente, numa visita que lhe fiz a sua casa, revelou-me que andava preocupadíssima com a saúde da Filó (Filomena).

 

Telefonou-me uma tarde de Julho, de 1988, muito aflita, dizendo-me que a Filó havia falecido e que se sentia muito só e muito triste.

 

A escritora, que recebeu o prémio “ Maria Amália Vaz de Carvalho”, era autora da conhecidíssima colecção de livros para crianças: “ O Senhor Sabe Tudo Contou…”

 

Pouco depois do telefonema, foi internada no Hospital do Carmo. Confessou, durante o internamento, a amiga: “ Não receio morrer - até desejo, - visto acreditar numa outra Vida e principalmente na misericórdia de Deus.”

 

Em fresca, mas luminosa manhã de Fevereiro, do ano de 1989, fui visitar Frei Martinho Manta, aos Padres Franciscanos, na Rua dos Bragas.

 

Ao entrar na salinha de visitas, este, de rosto contornado disse-me:

 

- "Morreu uma grande Senhora do meu Alentejo: a escritora Isaura Correia Santos."

 

Cumpria-se a “profecia” da Filó, proferida dias antes de morrer: “ A minha senhora não vai durar mais de seis meses, após a minha morte!”

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 14:37
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EUCLIDAS CAVACO - A FAMÍLIA
 
 
 
 
A FAMÍLIA Amanhã dia 17 celebra-se no Canadá o dia da FAMÍLIA que me motivou a fazer deste trabalho o poema da semana que espero seja do vosso agrado, pois todos nós temos a nossa família. Vejam esta versão poética no seguinte link:
 

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/A_Familia/index.htm

Desejos duma excelente semana para todos vós.

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
***

 

 

 

 

Revista digital brasileira  abre cadastro para escritores e artistas de todo o mundo que queiram publicar poesias, crônicas, resenhas, artigos, notícias, vídeos, pinturas, etc, gratuitamente. A Revista PROTEXTO - letras, artes & atualidades (www.remisson.com.br)   tem centenas de colaboradores, famosos e iniciantes,  escrevendo em diversos idiomas e seu conteúdo é publicado imediatamente em diversas redes sociais e outras páginas conveniadas, possibilitando grande difusão dos autores e das obras. Para fazer parte basta se cadastrar no topo da página e aguardar um e-mail de confirmação com os dados para o acesso. Depois, é só publicar à vontade, de acordo com seu tempo e disposição.
Espero sua visita.
Um abraço do Remisson Aniceto
www.remisson.com.br


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