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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AS NOVE FILHAS DA MEMÓRIA

         

 

                  

 

 

 

 

 

Em matéria artística, muito pouca coisa se cria, quase tudo se transforma ou, melhor, se imita. Se examinarmos com cuidado a extensa relação dos pintores, dos músicos, dos literatos, dos escultores, dos arquitetos, dos poetas e de todos aqueles que, num sentido muito amplo, podem ser designados como artistas, veremos que pouquíssimos foram realmente inovadores.

 

Quase todos imitaram. Ou imitaram fazendo pequenas alterações e adaptações ao que outros antes já tinham feito, ou imitaram ao inverso, mais ousadamente, rompendo com um estilo, mas fazendo exatamente o contrário daquele estilo – ou seja, tomando o estilo anterior como referência.  Mesmo neste último caso, o estilo anterior foi o referencial, foi a partir dele que surgiu a obra nova.

 

É claro que há imitações de alto nível, como também há imitações medíocres, de baixo nível, oportunísticas. Em literatura, isso é fácil de constatar. O extraordinário sucesso dos sete livros de Harry Potter - que foram editados em 67 idiomas e venderam cerca de um bilhão de exemplares – ensejou um número enorme de imitadores que logo se apresentaram ao público. Com exceção de alguns poucos que demonstraram inegável talento e produziram obras de valor, todos os outros se revelaram campeões de mediocridade e produziram obras-primas de mesmice e sensaboria.

 

Sem memória não existe arte. Criar algo do nada é atributo divino, nenhum homem pode fazê-lo. É a partir de experiências e informações registradas pela memória que o talento dos artistas se aplica e executa as suas obras. Essa verdade já era reconhecida pelos gregos antigos, que na sua mitologia (profundamente impregnada, por sinal, de princípios filosóficos) viam as Musas, as deusas das Artes, como sendo filhas de Mnemósine, a deusa da Memória.

 

Eram nove as Musas: 1) Calíope, a musa da eloquência e da poesia épica, era considerada a inspiradora dos poetas; 2) Clio, a musa que celebrava e cantava a glória dos feitos militares, era também a musa da História; 3) a arte musical tinha como deusa Euterpe, que constava ser a inventora da flauta, do pífaro, dos instrumentos de sopro em geral; 4) Tália era a patrona da comédia; 5) Melpômene o era da tragédia, presidindo também ao canto e à harmonia vocal; 6) Erato, conhecida por sua amabilidade, era a responsável pela inspiração dos poetas líricos, cantadores dos sentimentos humanos; 7) Polímnia era a musa da oratória, protegendo também os retóricos, que utilizam a palavra para a exposição e a defesa de suas ideias; 8) Terpsícore regia a dança e também protegia os corais dramáticos; 9) e, por fim, Urânia, a última das musas, era a inspiradora dos estudos astronômicos, da matemática, das Ciências Exatas em geral.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS , é historiador e jornalista, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



publicado por solpaz às 11:57
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ATMOSFERA DE VIOLÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

         Existe uma atmosfera de violência que impregna os ambientes.  Não se consegue ficar inerte. Situações próximas e longínquas. Cotidiano de inúmeros, culpado ou inocente, interrompido por um rastro de sangue.

 

         O moço elaborou, na imaginação, uma história de amor com a moça que conhecia. A moça ignorava a profundidade dessa história e o namorado dela igualmente.  A emoção descontrolada acionou o gatilho de uma arma clandestina e, sem que se esperasse, a história da imaginação e as histórias de verdade tiveram o seu epílogo no féretro.

 

         Outro moço, alucinado talvez, desrespeitou, na direção, a prudência e as regras e colidiu com muros, prédios, equipamentos, veículos diferentes, até tentar escapar, do que o atormentava, com cortes provocados por cacos de vidro. Seu caminho, do lado de cá, encerrou-se no velório.

 

         Embora o terceiro moço, desta crônica, percorresse extravios, diversos indivíduos que não buscam atalhos perigosos gostavam dele por sua maneira, na sobriedade, de saudar com ternura os que passavam. A menininha tão frágil, de laços de sangue com ele, comentou que lhe dava doces e jamais batera nela. Veio um sábado, talvez com atritos, e o domingo com pavor. Antes que a noite mergulhasse na madrugada, três estampidos romperam o silêncio. Os soluços do irmão de idade semelhante substituíram os gritos agourentos das aves de rapina. Se pudesse, teria repartido sua vida para ressuscitar a vítima. Uma jovem lamentou: ele lhe falava, ao vê-la ir à Igreja, que estava no caminho certo. Ela o convidava, mas as raízes de frutos venenosos enroscavam em seus pés e lhe impediam de seguir para o lado contrário.

 

         Tenho muita pena de juventude ceifada por incongruências do mundo!

 

         Há quem afirme que são escolhas, contudo escolhas somente são possíveis se houver, de verdade, chances parecidas.

 

         Existem pessoas de meu conhecimento e de pouco contato com trabalhos de promoção humana que me perguntam sobre a razão de tanta violência. Não sei responder com rigor, porém tenho certeza de que a falta de Deus e a desestrutura familiar, além de desajustes psicológicos, se encontram dentre as maiores razões da agressividade crescente que fere o outro.

 

         E as apologias? Apologia ao consumismo, ao poder ditatorial, ao prazer... Apologia em letras de música, em programas televisivos, em propagandas. Apologias em todas as classes. Apologias que sufocam os sonhos e a lucidez. Aliás, creio que vivemos numa ditadura de apologias que tomaram o lugar das virtudes.

 

         Pobre sociedade doente, que não busca o oxigênio que sustenta a essência do ser!

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E PROTEÇÃO AO MEIO-AMBIENTE.

 

 

 

 

 

 

 

Comemora-se o 05 de junho próximo o DIA MUNDIAL DE PROTEÇÃO AO MEIO-AMBIENTE, instituído com a intenção de despertar e aprimorar nas pessoas a consciência ecológica e a necessidade da integração entre o desenvolvimento e o progresso, com o meio-ambiente, buscando-se melhorias na qualidade de vida do ser humano, sem desrespeitar todas as manifestações em geral da natureza.

 

 

 

No Brasil, apesar da Constituição Federal determinar em seu art. 225 que o Poder Público e a coletividade têm o dever de defender e proteger os bens de uso comum e de dispormos de uma moderna legislação que regulamenta a matéria (Lei de Crimes Ambientais - Lei 9.712/98), ainda prevalece em quase todos os segmentos, um manifesto descaso com os problemas de ordem ambiental, fomentado inclusive, pela morosidade da Justiça e de sua conseqüente impunidade - característica de alguns equivocados instrumentos jurídicos que costumeiramente procrastinam ou tumultuam os feitos, beneficiando quase que exclusivamente os que transgridem as regras sociais.

 

Tal desleixo, também motivado pela displicência de nossos cidadãos, tem gerado sérios problemas que requerem não apenas um redirecionamento no eventual progresso tecnológico, mas uma mudança de postura em relação ao processo produtivo, comercial e de prestação de serviços, bem como do papel da Administração Pública como agente regulador, a fim de alcançarmos um urgente modelo de “desenvolvimento sustentável” - “aquele que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer as necessidades das gerações futuras”, conforme conceito estabelecido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

 

Reiteres-se que tal propósito suscita, entre outras medidas imediatas, a paralisação das agressões àquilo que cerca ou envolve os seres vivos e a todos os seus efeitos, como escassez das riquezas da natureza não renováveis (minerais, madeiras de lei, etc), as emissões de gases e o efeito estufa, a redução da biodiversidade; a fome e a pobreza generalizadas e, principalmente, as relações manifestamente desiguais entre as nações desenvolvidas, as em desenvolvimento e as subdesenvolvidas.

 

Por outro lado, em todo o mundo se observa o uso indiscriminado de grande parte das riquezas por instrumentos que agridem frontalmente a natureza. A cada ano, sessenta milhões de terras férteis se tornam inúteis para a agricultura, onze milhões de hectares de floresta são destruídas; um milhão de toneladas de petróleo é jogada no oceano e toneladas de poeira e gases venenosos são lançados na atmosfera, o que gerou a palavra ECOCÍDIO para denominar o crime contra os recursos naturais.

 

Numa época marcada pelo individualismo, mas na qual a aspiração ecológica faz parte do exercício da cidadania, a proteção do meio ambiente não é uma tarefa exclusiva das autoridades, mas um compromisso de toda a sociedade. Por isso, mais do que nunca, devemos despertar e cultivar o ideal de conservação ambiental, propagando a consciência ecológica para que a natureza que ainda existe consiga se recompor com equilíbrio e em caráter permanente.

 

Mais do que nunca, independentemente de leis – inclusive se discute muito no momento o novo Código Florestal -, é preciso que as pessoas se conscientizem da importância da preservação da natureza e do ambiente como um todo, sob pena de se tornarem inviáveis, em pouco tempo, à própria sobrevivência humana. Necessitamos manter, ao máximo, aquilo que Deus nos outorgou e aquém dos diplomas legais existentes, cujo cumprimento não é adequadamente fiscalizado pelos órgãos competentes, que as atenções se voltem para nós mesmos, possíveis vítimas desse massacre incontrolável do Universo, sob o argumento injustificado de que é efetivado em nosso  benefício por força de um eventual progresso tecnológico.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



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JOSÉ RENATO NALINI - NEOPOPULISMO JUDICIAL

 

 

 

 

 

 

 

O artigo “A arte de enganar os pobres”, de Ferreira Gullar, na FSP de 27.4.14 é um libelo que deveria ser objeto de reflexão de todos os que ainda não perderam a capacidade de se preocupar com o futuro do Brasil.

 

O quadro de desalento é geral. Ninguém consegue enxergar possibilidade de reversão rumo ao caos. O Estado, que deveria ser instrumento de realização das potencialidades individuais e dos grupos menores, eis que uma sociedade de fins gerais, tornou-se onipotente, onisciente e vocacionado a crescer até o infinito.

 

A conta não fecha. O Brasil das contradições adota a livre iniciativa, o valor do trabalho, a Democracia participativa. Mas resta envolvido numa teia burocrática suficiente a sufocar o protagonismo e a alimentar a corrupção. Tudo sob aparente inspiração saudável: reduzir as desigualdades sociais. Ferreira Gullar observa: “Não resta dúvida de que reduzir a miséria, melhorar as condições de vida dos mais necessitados, está correto. O que está errado é valer-se politicamente de suas carências para apoderar-se do governo, da máquina oficial, dos recursos públicos e usá-los em benefício próprio, sem se importar com as consequências que decorreriam disso”. Quem poderia se opor à constatação de que “É fácil assumir o governo e passar a dar comida, casa e dinheiro a milhões de pessoas; dinheiro esse que devia ir para a educação, para o saneamento, para resolver os problemas da infraestrutura, ou seja, para dar melhores condições profissionais ao trabalhador e possibilitar o crescimento econômico”?

 

O fenômeno é o mesmo em todas as áreas. O discurso dos “direitos” é sedutor. Todos só têm direitos. Ninguém tem obrigação. Profusa a malha dos direitos, ausente a preocupação com deveres. E se houver problema, existe para isso o Judiciário. Por que se preocupar em conversar, dialogar, entender o ponto de vista contrário, se existem Tribunais abertos para resolver todo e qualquer problema?

 

Iludem-se as pessoas com a expectativa de que a Justiça venha a prevalecer, sem alertá-las de que o modelo sofisticado de um processo mais relevante do que a substância, de quatro instâncias intermináveis, de mais de cinquenta oportunidades de reapreciação do mesmo tema tornam o justo concreto uma aventura imprevisível. O neopopulismo também chegou à Justiça. Onde vamos parar?
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JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço http://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.


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RENATA IACOVINO - FALSO OU VERDADEIRO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Com frequência ouço, aqui e ali, que para obter algum destaque nas artes, em qualquer arte (artes plásticas, música, dança, poesia...) é preciso mais do que criar. É preciso trazer algo inovador.

 

            Só esta palavra, por si, põe-me já desconfiada...

 

            Quer dizer que basta ser inovador para ter garantido o ingresso a uma possível aceitação mercadológica?

 

            Não, claro que não. Mas onde se encontra exatamente a linha divisória daquilo que nos possibilita distinguir entre o que é uma farsa e o que é concebido de forma, digamos, verdadeira, respeitando o real sentido de inovação?

 

            Onde estão escritos tais critérios?

 

            Parece que a busca (utópica) pelo inédito, pela vanguarda, tornou-se, a exemplo das demais correntes já existentes em qualquer segmento, um modismo.

 

            Estão abertas as inscrições para o vale tudo. E, claro, em meio a esse balaio desprovido de uma mínima coerência, há preciosidades. Estas, geralmente escondidas em algum canto tímido de um submundo próximo. E seguem ignoradas, enquanto do outro lado, por meio de oportunidades obscuras (ou às vezes bastante explícitas), o óbvio disfarçado de inovador vira febre, se multiplica, modelando tantos outros iguais.   E onde mesmo ficou o ineditismo? No ridículo resultado que se mostra? Na mentira estampada como verdade? Porque, nos dias atuais, tanto uma quanto outra passaram a ter o mesmo valor.

 

            Sorte da mentira que ganhou credibilidade. Pior pra verdade, que nunca mais convencerá ninguém...

 

            Os carregadores da bandeira da inovação condenam o que já existe, ou seja, o passado, ou seja, a história.

 

            Curioso, não? Ninguém é capaz de criar algo verdadeiramente inovador, que traga em seu bojo uma nova mensagem e que tenha um rico conteúdo, se não partir do respeito ao diverso, à liberdade de expressão e à preservação da memória de uma linguagem, de um segmento. Caso contrário, está fazendo o movimento exatamente oposto.

 

            Tudo é passível de tornar-se modismo: o simples, o indesejado, o anticonvencional, o grotesco... E cada um desses compartimentos vai perdendo sua digna identidade, em detrimento de um aproveitamento pseudo-original.

 

            Forjar um ineditismo acaba por revelar uma ação desprovida de naturalidade, portanto, não será capaz de dar seu recado. Se é que há tal intenção, ou apenas ganhar os seus quinze minutos de fama.

 

 

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br / reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

           



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - ESTAMOS NO MESMO BARCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há muitos anos, Tom era funcionário de uma empresa preocupada com a educação. Um dia, o executivo principal decidiu que ele e todo o grupo gerencial – 12 pessoas – deveriam participar de um curso de sobrevivência. Teriam que se dividir em três grupos de quatro pessoas, denominados A, B e C, para cruzarem um grande rio.

 

O grupo A recebeu quatro tambores vazios, duas toras de madeira, uma pilha de tábuas, um grande rolo de corda grossa e dois remos. O grupo B ganhou dois tambores, uma tora e um rolo de barbante. Já o grupo C não recebeu recurso algum para cruzar o rio.

 

Não foi dada nenhuma outra instrução a eles além de saberem que todos deveriam atravessar o rio em até quatro horas.

 

Tom teve a sorte de estar no grupo A, que não levou mais do que meia hora para construir uma maravilhosa jangada. Um quarto de hora mais tarde, todos estavam em segurança e com os pés enxutos no outro lado do rio, observando os dois grupos seguintes em suas lutas desesperadas.

 

O grupo B, ao contrário, levou quase duas horas para atravessar. Havia muito tempo que Tom e sua equipe não riam tanto como no momento em que a tora e os dois tambores viraram com os gerentes: financeiro, de computação, de produção e de pessoal. Mas, o melhor estava por vir.

 

Nem mesmo o barulho das águas sufocava o riso dos oito homens quando o grupo C tentou transpor as águas espumantes. Os coitados agarravam-se a um emaranhado de galhos que se moviam rapidamente com a correnteza.

 

O auge da diversão foi quando o grupo bateu em um rochedo, quebrando os galhos. Somente reunindo todas as forças que lhe restava, o último membro do grupo conseguiu atingir a margem, 200 metros rio abaixo. Foi exatamente o profissional mais respeitado por todos: o gerente de logística, que ficou todo arranhado e com os óculos quebrados.

 

Quando o líder do curso voltou, depois de quatro horas, perguntou:

 

– E então, como vocês se saíram?

 

Os integrantes do grupo A responderam em coro:

 

– Nós vencemos! Nós vencemos!

 

O líder comentou:

 

– Acho que entenderam mal; vocês não foram solicitados a vencer os outros! A tarefa seria concluída quando os três grupos atravessassem o rio nas quatro horas. Não pensaram em se ajudar? Ninguém quis dividir os recursos para atingirem uma meta comum? Não ocorreu a nenhum gerente coordenar os esforços?

 

Foi uma lição para todos. Caíram na armadilha, mas, naquele dia, aprenderam muito a respeito de trabalho em equipe e lealdade. Da mesma forma, se parássemos de encarar as pessoas como estranhas ou adversárias, provavelmente sofreríamos menos, compreenderíamos mais os problemas alheios e teríamos muito mais conforto no abraço de um irmão.

 

Infelizmente, nos vemos como rivais, como se estivéssemos em busca de um tesouro tão pequeno que só poderia servir uma única pessoa. Esquecemo-nos que o maior prêmio de nossa existência está na capacidade de compartilhar a vida. É preciso rever nossos valores, pois estamos todos no mesmo barco!

 

Experimente acolher ao invés de se esconder, perdoar ao invés de revidar e, principalmente, amar ao invés de pecar. Tudo isso é possível e extremamente gratificante. A vida fica mais leve, o caminho mais fácil, e a recompensa virá de Deus.

 

Nossa sobrevivência depende de nos empenharmos em compreender o sofrimento do próximo e partilharmos mais também. E lembrando que realmente estamos todos no mesmo barco, precisamos ter mais paciência em casa, na família. Se não colaborarmos para fazer o outro feliz, sofreremos as consequências do desamor. Às vezes, numa resposta mal educada, todo o clima de alegria vai por água abaixo, como neste caso:

 

O marido estava na sala, concentrado na leitura de um livro, quando sua esposa gritou da cozinha:

 

– Meu bem, você me ama?

 

– É claro que amo! – respondeu ele.

 

– Mas, você me ama de paixão?

 

– Sim, amo você de paixão! – falou meio impaciente.

 

– Quem é que você ama mais, eu ou sua mãe?

 

– Muito mais você, meu bem – respondeu suspirando.

 

– Muito mais, quanto?

 

– Eu a amo da mesma maneira que o Roberto Carlos amou a Maria Rita – disse ele jogando o livro no sofá.

 

– Então, amor, prova que me ama desse jeito.

 

– Morra que eu provo!

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



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FELIPE AQUINO - AS BÊNÇÃOS DE UMA FAMÍLIA NUMEROSA

 

 

 

 

 

 

 

Eu nasci numa família de nove irmãos. Perto da minha casa, morava um tio, que tinha quinze filhos. Um pouco mais longe, morava o senhor Guatura com seus 24 filhos e mais um adotivo. Era assim há uns cinquenta anos. E que festa era! Faltava bola para jogarmos futebol no quintal; então, fazíamos bolas de pano.

 

No aniversário de cada filho, bastava convidar os primos para a casa já ficar cheia. Minha mãe fazia um delicioso “pão de ló” coberto com suspiro. Era o manjar dos deuses! Cada um tinha o direito – só naquele dia – de tomar um guaraná “caçula”. Para acabar devagar, pedíamos ao papai para fazer um furinho na tampa. Que tempo bom!

 

 

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Não tínhamos quase nada, só um rádio. Não havia TV, internet, fogão a gás, geladeira, batedeira, freezer, nem micro-ondas, mas não nos faltava nada, havia muitos irmãos e muito amor.

 

É por isso que o Catecismo da Igreja diz que “a Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem, nas famílias numerosas, um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (n.2373). E ainda: “O filho não é algo devido, mas um dom. O “dom mais excelente do matrimônio” e uma pessoa humana’” (n. 2378).

 

Ora, se Deus diz, pela boca da Sua Igreja, que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio”, então, dentro dessa lógica, quanto mais filhos melhor. Ninguém rejeita um dom de Deus, certo? Nunca vi alguém rejeitar um presente. É por isso que, no altar, o padre pergunta aos noivos: “Prometem receber os filhos que Deus lhes enviar, educando-os na fé de Cristo e da Igreja”?

 

Bem, sabemos que o mundo mudou muito nesses cinquenta anos. A vida ficou mais cara e os pais têm mais dificuldades para criar e educar os filhos. Mas não há justificativa para irmos ao outro extremo, pois há muitos casais que já não querem ter filhos ou adiam o nascimento destes por muitos motivos.

 

Todos os países da Europa já estão com a população diminuindo, e muitos deles fazendo fortes campanhas para aumentar a natalidade. O Japão, por exemplo, está investindo três bilhões de ienes para fomentar o nascimento de mais crianças.

 

O Brasil tem somente 20 pessoas por km2, enquanto o Japão tem 330; dezesseis vezes mais. E eles querem aumentar a população, pois esta está envelhecendo. E o Brasil quer diminuí-la.

 

 

 

 

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A Igreja ensina que cada casal deve viver segundo a “paternidade responsável”, isto é, deve ter todos os filhos que puder criar adequadamente. O critério de natalidade não deve ser o egoísmo, o medo ou o comodismo, mas o amor a Deus e ao filho, “o dom mais excelente do matrimônio”. Num casal cristão não pode faltar “a fé que move montanhas”. A Bíblia diz que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6) e que o “justo vive pela fé” (Rom 1,17, Hab 2,4). Hoje faltam filhos porque falta fé.

 

Quanto maior uma família tanto mais alegria há nela. Como é gostoso, nos fins de semana, os cinco filhos, o genro e as quatro noras, mais os onze netos! É uma festa que não tem preço! É claro que tudo isso custou caro, muito trabalho, suor e lágrimas. Mas é uma festa contínua. Só quem dela participa sabe o seu significado.

 

Nós damos valor a uma família grande sobretudo na hora da dor e do sofrimento, quando todos se juntam para ajudar aquele que sofre. Como foi bom ver meus filhos e noras acompanhando, todos os dias, em revezamento, a minha esposa no hospital, em São Paulo, em um mês de internação, antes de Deus a chamar! Como é bom compartilhar as alegrias e as lágrimas com aqueles que têm o nosso sangue!

 

Portanto, mesmo com as dificuldades da vida moderna, o casal deve, na fé, não negar a Deus os filhos que puder ter. Afinal, o Catecismo diz que “os pais devem considerar seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas” (n.2222).

 

A maior glória que podemos dar ao Senhor é gerar um filho, pois nada neste mundo é tão grande e belo quanto ele. A nossa liturgia reza que “tudo o que criastes proclama o Vosso louvor”. Pode a criação dar mais glória a Deus do que quando surge uma vida humana? Um cientista disse que “o Cosmos chorou quando viu o homem surgir”.

 

Infelizmente, caiu sobre o mundo todo um pavor estranho, um medo enorme de ter filhos; mas o casal cristão não deve se deixar levar pelo pânico de muitos ecologistas exagerados e de outros catastrofistas de plantão.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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FRANCISCO VIANNA - AQUECIMENTO GLOBAL E EFEITO ESTUFA SÃO AS PRINCIPAIS FARSAS AMBIENTALISTAS ADOTADAS PELO NEOCOMUNISMO NA AMÉRICA E NA EUROPA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A teoria do ‘aquecimento global’ não faz sentido, porque não pode ser demonstrada na prática pela ciência”, diz físico britânico e professor de termodinâmica.

 

 

 

 

                                                                          :: 

 

     O Prof. Les Woodcoc garante que a hipótese de uma ‘mudança climática produzida pelo homem’ é insustentável.


Professor emérito de Termodinâmica na Universidade de Manchester, na Grã Bretanha, o físico Les Woodstock defendeu que “não existem provas reproduzíveis em laboratório” de que os níveis de CO2, dióxido de carbono, aumentaram no século XX e que, “mesmo que suas concentrações na atmosfera triplicassem, ainda assim nenhum ‘aquecimento global’ ocorreria por causa disso”. Ele condenou o movimento verde por estar causando danos econômicos ao povo comum. A informação foi publicada no site Breitbart.

 

O Prof. Woodcock é autor de mais de 70 escritos acadêmicos publicados num largo espectro de jornais científicos. É membro da Royal Society of Chemistry, e entre outras coisas, editor fundador do jornal Molecular Simulation.

 

Foi com todo esse cabedal que ele declarou ao jornal inglês Yorkshire Evening Post: “a expressão ‘mudança climática’ não faz sentido. O clima da Terra está mudando desde tempos imemoriais e essas mudanças obedecem a ciclos de variação cujos parâmetros têm se mantido os mesmos. A teoria de uma ‘mudança climática produzida pelo homem’ é uma hipótese insustentável, pois, a influência humana nessas variações é tão desprezível que é incapaz de ser medida”.

 

Segundo os defensores da “religião melancia” – pois que verde por fora, mas vermelha por dentro – o clima terrestre tem sido afetado de modo negativo pela queima de combustíveis fósseis nos últimos 100 anos, “causando um aumento muito gradual da temperatura média da superfície da terra que teria consequências desastrosas”, o que, definitivamente a ciência da climatologia não comprova.

 

“Tal teoria diz que o CO2 emitido pela queima dos combustíveis fósseis produz um ‘efeito estufa’ que provoca o ‘aquecimento global’”.

 

Na verdade, são o vapor d’água e as nuvens – que não são gases –, além das partículas sólidas em suspensão na atmosfera, os únicos responsáveis pelo ‘efeito estufa’ – que, por sinal, é vital para a vida na Terra –, uma vez que nenhum gás tem a capacidade de refletir o calor solar irradiado pelo planeta de volta à sua superfície e, portanto, não são capazes de aumentar ou diminuir o bendito e essencial ‘efeito estufa’. “Sem esse efeito, o clima terrestre seria semelhante ao dos desertos, tórrido sob a luz solar e gélido à noite”. Mesmo assim, as concentrações de vapor d’água na atmosfera se situam por volta de 1% dela, e as do gás carbônico em torno de apenas 0,04% da massa gasosa atmosférica, e não há evidência científica reproduzível em laboratório de que o CO2 tenha aumentado significativamente nos últimos 100 anos. Mesmo porque, eventuais aumentos de gás carbônico seriam benéficos para os vegetais que os absorveriam e aumentariam o teor de oxigênio no ar, mantendo, assim, a mesma proporção existente, até no caso de as emissões desse gás fossem triplicadas. 

 

E acrescentou: “A temperatura da terra oscilou para cima e para baixo durante milhões de anos, e nada disso foi devido ao CO2 na atmosfera e tais oscilações não são causadas por nós, mas principalmente, pela intensidade da atividade solar que comanda fisicamente essa ciclicidadeFalar, pois, em aquecimento global e efeito estufa causado por gases gerados pela humanidade é uma completa ’estupidez pseudocientífica’.

 

Interrogado sobre o fato de a maioria dos cientistas, líderes políticos e figuras representativas se engajarem na teoria do “aquecimento global”, o especialista respondeu: “A ciência não funciona assim, mas a política pode até ser conduzida por lendas. Se você me diz que tem uma teoria de que há uma parafernália qualquer em órbita em algum lugar entre a terra e a lua, não cabe a mim demonstrar que isso não existe; cabe a você apresentar as provas cientificamente reproduzíveis dessa  sua teoria”.

“E as provas da mudança climática humanamente provocada não foram apresentadas”. Porém, esta falta de provas não impediu o aparecimento de toda uma rendosa “indústria verde”. E, instigados por essa “indústria”, os governos estão aprovando cada vez mais leis e regulamentações que tornam a vida mais difícil e mais cara para o pagador de impostos, enquanto grupos se locupletam com a índústria dos “creditos de carbono”.

 

“...O custo do dano causado à nossa economia pelo lobby da ‘mudança climática’ está sendo infinitamente mais destrutivo para a qualidade de vida de nossos netos do que os alegados “malefícios” do progresso. E pensar que quem defende isso é, ironicamente, classificado como “progressista”, um aleivosia atribuída aos socialistas. Para nós, os avós, também está cada vez mais caro aquecer nossas casas e nossas camas no inverno em consequência de decisões idiotas tomadas por nossos políticos nos últimos anos, em matéria de produção ‘verde’ de eletricidade”.  


Nesses mesmos dias, a professora Judith Curry, da Escola de Ciências Atmosféricas do ‘Georgia Institute of Technology’, declarou ter sido enganada para dar apoio ao IPCC. Ela acrescentou que, “se o IPCC é um dogma, então podem me considerar uma herética”.

 

 

 

 (da mídia especializada em climatologia)

      Quarta feira, 28 de maio de 2014

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.

 



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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014
HUMBERTO PINHO DA SILVA - A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

"Todos buscam as suas próprias coisas,

e não as que são de Jesus Cristo."

           (Fl 2:21)

 

 

Graças aos modernos meios de comunicação, o Evangelho foi praticamente difundido em todo o mundo.

 

Mas, infelizmente, o cristianismo, tendo ganho em quantidade, perdeu, e muito, em qualidade, porque nas últimas décadas surgiram seitas, apelidadas de neopentecostais, que exercem “evangelização” agressiva, baseada em marketing empresarial.

 

Como se fossem simples estabelecimentos, vendem produtos que vão ao encontro de desejos e interesses dos que amam o mundo: dinheiro, status sociais, fama, sucesso imediato, a troco de ofertas, algumas bem generosas…

 

Os líderes dessas novas seitas aparecem em programas televisivos, com gestos estudados, como vedetas, como se fossem estrelas de cinema ou ídolos desportivos.

 

Alguns possuem canais de TV, postos de rádio e jornais e revistas de grande tiragem, quase sempre aparecendo como independentes e generalistas.

 

São, na realidade, publicações camufladas, ao serviço do líder, que administra o “império” como empresário multinacional.

 

Possuem aviões, várias residências, e numerosas empresas que vivem à sombra da “Igreja”.

 

Em regra, tudo, ou quase tudo, encontra-se como propriedade da denominação, para fugirem ao fisco, mas o proveito é próprio.

 

Há dissimulada concorrência entre os supersacerdotes. Concorrência que se verifica não só em ridicularizar a “fé” dos antagonistas, mas na construção de megatemplos.

 

O púlpito eletrónico, muito em voga, serve, quantas vezes, para o pastor obter prestígio e dinheiro, e não para difundir a doutrina, como muitos pensam.

 

Esses “sacerdotes” pululam, já que o “ negócio” vai de vento em popa – parece, o que não é verdade, já não haver quem evangelize ou “cure” de graça!

 

Infelizmente chegam a contagiar as verdadeiras Igrejas Evangélicas, e até certo clero católico.

 

Nos seus templos, supermercados de religião, resolvem desde problemas amorosos, a financeiros. Para isso “ vendem”: água, óleos, toalhinhas e até livros… que realizam milagres, que crendeiros e supersticiosos, adquirem e recomendam.

 

Felizmente nem todos os neopentecostais caiem nesses exageros desonestos - há sempre gente honesta em todo lado, - mas quase todos são excelentes psicólogos e conhecedores de truques eficazes para arrastar multidões e explorarem os simples.

 

Graças ao Papa Francisco, homem integro, corajoso e humilde, que convive com todos, não fazendo exceções de pessoas e classes, o catolicismo parece estar livre do contágio desses oportunistas – que  servem-se das necessidades do povo para terem melhor vida…, – já que Sua Santidade anda empenhado em reformar a Igreja, aproximando-A dos ideais primitivos.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 



publicado por solpaz às 11:54
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EUCLIDAS CAVACO - VOZ DA ALMA
 
 
 
 
 
VOZ DA ALMA É um poema feito FADO a que o fadista Mário Jorge empresta a sua melodiosa voz e que vos apresento como poema desta semana que poderão ver e ouvir em poema da semana ou aqui neste link:
 
 

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Voz_da_Alma/index.htm
 

As minhas mais cordiais saudações para todos vós
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
cavaco@sympatico.ca


publicado por solpaz às 11:49
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