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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - UM DIA DEPOIS DO OUTRO

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

            Como professora universitária, estou sempre em contato com jovens recém saídos do ensino médio e com aqueles que se preparam para deixar os bancos universitários, rumo ao mercado de trabalho. Todos os anos, uma turma entra e outra se despede. Todos os anos, vejo rapazes e moças, mas sobretudo as moças, sofrendo de ansiedade, desesperados com o porvir. Nesses momentos é inevitável que eu me lembre da jovem que também fui, sofrendo do mesmo mal...

            Agora, a distância no tempo, parece tudo muito mais simples, mais fácil de ser entendido, mais passível de ser aguardado, mas quando somos pouco mais do que crianças, crescidos por fora e um tanto pequeninos por dentro, parece-nos que se não pensarmos a respeito, tudo saíra do controle, do planejado e, assim, o desespero toma conta de nós, dos nossos sonhos, do nosso sono, da nossa paz de espírito.

            Empenho-me na tentativa, quase vã, de convencer meus alunos de que, no fim das contas, tudo se ajeita, de um jeito ou de outro. Digo-lhes que, apesar dos nossos planos quase sempre mudarem à revelia da nossa vontade, os ventos do destino costumam direcionar nossos navios para lugares nos quais nossos corações acham morada. Entretanto, eu estou certa de que, em que pese minha intenção, não se aprende determinadas lições pela experiência alheia. A vida, por si só, é uma experiência sensorial, um trajeto que só se conhece percorrendo.

            O passar do tempo, nesse sentido, é algo que ordinariamente vem em nosso favor. Vamos entendendo que tudo tem um tempo e que a cada dia basta o seu bem e também o seu mal. Aprendemos que o que tem que ser, será, mas o que não tiver que ser, não acontecerá, por mais que tentemos torcer as cordas da vida. E o mais importante é que chega um dia no qual a maioria de nós entende que o que não foi tinha uma razão para não ser...

            O fato é que passamos uma parte muito grande de nosso tempo nesse mundo preocupados com o que não está ao nosso alcance, eis que, em verdade, nada está sob controle. Cada dia é único em sua dor ou em sua alegria e vivê-lo é uma dádiva que não se repetirá. Mesmo o mal de alguns dias nos ensina algo, mostrando que o bem deve ser comemorado, deve ser cultivado e desejado e que é pelos dias de bem que tudo vale a pena.

            Se eu soubesse, no passado, que o futuro seria bom, mesmo que nem remotamente parecido com o que planejei ou imaginei, teria perdido menos tempo com aflições inúteis, com medos quase incapacitantes e com dores inexistentes. Eu sorveria cada dia, cada hora, na esperança serena daqueles que conhecem segredos escondidos nas dobras do mundo, certa de as melhores histórias e estórias são escritas por mãos bem criativas e são cheias de surpresas, reviravoltas e significados surpreendentes.

            Se eu tivesse a calma que os anos trazem consigo, eu teria vivido melhor e aproveitado mais o amor e a companhia daqueles que o tempo levou com ele. SE eu soubesse das coisas, eu não teria sido jovem e não saberia como é ter medo, ansiedade, receio de não ser feliz. Infelizmente, não se aprende pelo outro, mas é possível ajudar mesmo a quem não tem compreensão. Se para isso foi necessário que eu mesma me sentisse perdida em alguns pensamentos, em algumas encruzilhadas da minha vida, então, uma vez mais, compreendo que nada é por acaso e tudo vale a pena.

            Agora, ao menos, meu coração vive um dia de cada vez, batendo mais compassado, mais atento à beleza de todas as horas, na expectativa e na esperança dos mais estranhos finais felizes...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - " BELLE ÉPOQUE " - UM PERÍODO QUE DEIXOU SAUDADES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O fim da Belle Époque é consensualmente situado em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas seu começo é mais discutido. Alguns o colocam em 1870, com a Guerra Franco-Prussiana, seguida da queda de Napoleão III, da Comuna de Paris, do estabelecimento e consolidação da Terceira República francesa. Outros preferem situá-lo mais para o fim do século XIX, assinalando como marco a Exposição Universal de Paris, de 1889.

Seja como for, todos concordam que a Belle Époque constituiu um período histórico em que as ciências progrediram de modo muito rápido e acentuado, assim como as artes e a cultura em geral, acompanhando paralelo desenvolvimento econômico e dentro de um quadro de relativa tranquilidade política no continente europeu.

O período marcou uma fase de otimismo desenfreado e de orgulhosa autossuficiência, na certeza generalizada de que o mundo estava chegando à sua idade de ouro. O anseio que, desde os tempos do Iluminismo, começara a tomar conta da Europa inteira, parecia afinal em vias de se realizar: a técnica, a Ciência, acabaria por extinguir todos os males, todas as doenças. Realmente, na Belle Époque ocorreram progressos assinalados em muitas ciências. A Medicina, a Biologia, a Psicologia deram verdadeiros saltos. A Química, a Física, a Engenharia igualmente avançaram de modo notável.

Embora a primazia econômica, em nível internacional, já estivesse na posse da Inglaterra e em vias de passar para o âmbito dos Estados Unidos, culturalmente a França ainda permanecia a capital indiscutível do globo inteiro. Pode-se mesmo afirmar que a Belle Époque marcou o apogeu do predomínio cultural francês no mundo.

Hoje, com a hegemonia maciça do norte-americanismo, do american way of life, é difícil, para as gerações mais novas, avaliar o que foi, no passado, a influência cultural da velha nação gaulesa. “Quando a França espirra, o resto do mundo assoa o nariz” – dizia-se correntemente. O francês era o segundo idioma de qualquer pessoa culta, em qualquer parte do mundo e era a língua internacional da diplomacia. Em francês se redigiam tratados internacionais e se apresentavam comunicações em congressos científicos.

Em 1910, visitou o Brasil o jornalista e político francês Georges Clemenceau (1841-1929). Nas suas anotações de viagem a respeito de São Paulo, comentou que todas as pessoas com quem se relacionou falavam o francês com perfeita correção e quase sem sotaque, de modo que ele às vezes tinha a impressão de não estar em viagem pelo estrangeiro, mas estar viajando dentro de seu próprio país... É claro que, em São Paulo, Clemenceau somente se relacionou com pessoas das elites culturais e políticas, não tendo acesso a outros segmentos sociais majoritários. Mas, mesmo assim, como indício da influência cultural francesa, o depoimento é deveras significativo. Registra-se, ainda, o caso pontual, mas muito digno de nota, de uma Câmara Municipal do interior do Maranhão cujos livros de atas eram lavrados, na segunda metade do século XIX, em idioma francês.

A Belle Époque foi um período prolongado de paz na Europa, pois eram jogados para outros continentes, menos felizes, os embates bélicos causados pelos diversos interesses europeus em oposição, como também de acentuado progresso econômico. Tais circunstâncias propiciaram um desenvolvimento extraordinário da cultura em geral. A literatura teve manifestações inovadoras, nas artes surgiram estilos novos, como o impressionismo e o art-nouveau, houve a chegada do cinema, a difusão do telefone, do telégrafo sem fio e da luz elétrica, das bicicletas, dos automóveis e dos aeroplanos. Tudo isso contribuiu para que se firmasse a crença inabalável no mito do progresso.

O período assinalou uma grande expansão imperialista das potências europeias, que literalmente repartiram entre si o mapa da África. Os europeus, inflados de orgulho pelo brilho da sua civilização, julgavam-se com a missão de verdadeiros apóstolos do progresso, junto aos povos considerados inferiores.

Também foi um período de intensa fermentação cultural e ideológica, com polêmicas de natureza política (monarquia x república e conservadores x radicais), social (com o aparecimento de várias correntes anarquistas ou de fundo socialista, contestando abusos do sistema capitalista), religiosa (laicistas x católicos) e até mesmo étnico-raciais (o famoso affaire Dreiyfus).

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - O ESTADO GARANTIRÁ A TODOS O PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS CULTURAIS

 

                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                           No dia 22 de agosto de 1846, o arqueólogo William John Thoms publicou em Londres um texto no qual propunha o estudo das lendas, tradições e manifestações artísticas populares, que chamou de “Folk-lore”, cujo significado em português é “sabedoria do povo” (povo –“folk” e sabedoria –“lore”). Sua sugestão, no entanto, só foi aceita mundialmente em 1878 e, no Brasil, a partir de 1965, que adaptada para o idioma, a palavra passou a ser escrita sem a letra k e sem o hífen, isto é, folclore, que se revela no conjunto de crenças, lendas, tradições, danças, mitos e costumes de um determinado povo ou de uma região.

                         Trata-se de um assunto de grande importância, já que através dele, mantém-se a identidade cultural de uma localidade, passada e vivenciada de geração a geração. E a cultura é base da consolidação dos povos, devendo o Estado assegurar a sua diversidade e a preservação de seus valores.  Tanto que o artigo 215 da Constituição Federal do Brasil estabelece que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

                             De acordo com Vidal Serrano Júnior, promotor público em São Paulo, “o conceito de cultura responde a duas realidades humanas distintas: uma interna e outra externa. Internamente, a cultura se refere ao desenvolvimento interior do indivíduo, que tem alicerce na arte, na ciência e nas expressões intelectual e corporal. Externamente, a cultura reflete o próprio conceito de civilização, entendido a partir das manifestações humanas dentro da vida em sociedade, gerando hábitos, costumes, tradições e instituições sociais” (Família Cristã, 08/1998- p.16).

A promoção e o respeito aos preceitos e sinais característicos de nossa sociedade, portanto, amparados constitucionalmente, devem ser efetivamente exercitados pelo Poder Público. O nosso país é extremamente rico no folclore já que é formado por grupos étnicos diversificados, originando diferentes manifestações culturais em cada Estado. O dia do folclore será excelente oportunidade para se refletir sobre a sua importância e o seu atual papel na sociedade brasileira, cada vez mais dinâmica e volátil. E conforme escreveu o jornalista José Pedro Martins, “... não se trata de ficar cultuando o passado, e nem de desprezar as conquistas extremamente positivas do mundo da mídia e de outros emblemas dos avanços da ciência e da técnica.                            O que se trata é de continuar valorizando a cultura feita pelo povo e para o povo, uma cultura então na essência muito democrática. E que pode muito bem dialogar com o novo” (“Correio Popular”- 15/08/2010- A16).

Nessa trilha, devemos abraçar as novas incursões, mas a todo custo precisamos manter permanentemente a cultura do povo, sempre harmonizando as recentes demonstrações com as passadas, nunca colocando-as em confronto, porque cada qual representa um momento histórico, uma tendência ou qualquer outro sintoma típico do nosso conjunto de valores, símbolos e expressões culturais que traduzem a alma da povo e os seus sentimentos mais profundos.

                     Invocamos novamente o jornalista José Pedro Martins: “Uma questão que deve ser pensada por ocasião do Dia do Folclore é exatamente o sentido da palavra folclore. A própria palavra passou por um processo de desprestígio. Quando se quer referir a alguém, digamos “diferente”, que foge ao perfil do considerado “normal”, diz-se que ele é “folclórico”, como se folclórico fosse sinônimo de estranho, de algo que não faz parte da sociedade. Pelo contrário, folclore é o que está mais dentro da sociedade, é a alma, o coração humano na brasa da cultura”.  

                         Reitere-se: mais do que nunca precisamos compreender e valorizar o nosso folclore, já que tem suas raízes no passado. Isto é, a continuação no tempo e no espaço da alma brasileira das nossas tradições, de perpetuação do que somos hoje.  E exigirmos de nossas autoridades, embasados nos preceitos constitucionais existentes, maior respeito por nosso patrimônio cultural, cobrando-lhes ações efetivas que promovam a sua manutenção e novas formas que possam desenvolvê-lo no sentido de alcançar um número sempre superior de pessoas envolvidas com seus efeitos e reflexos, pelo próprio bem do país.

                                              

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário (martinelliadv@hotmail.com).



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ALGUNS VERMES


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A jovem chegou com olhar e sorriso cautelosos, empurrando a cadeira de rodas do “Tiozinho”. Pressenti que algo me sacudiria. Conhecemo-nos quando entrou na adolescência. Sempre em busca de um sentido para os acontecimentos de sua história e para acertar os passos.
Abracei-a. Contou-me que o senhor, de quase 60 anos, reside nas proximidades de sua casa. Nasceu com rebaixamento mental. Se pudesse, o pegaria para cuidar dele. Ao cumprimentá-lo, segurou minha mão direita com as duas mãos. Explicou, a mocinha, que estava me abençoando. Que forte é a bênção dos que nada possuem e mesmo assim desejam o bem! Antes das pernas atrofiarem, se locomovia sozinho. É possível, no momento, segurando seus braços, ajudá-lo a andar. É o que ela faz. Trata-o com preocupação e carinho imenso. Ao perceber que era possível se “desarmar”, me disse: “Sabe, Cris, eu sou nervosa, agressiva, mas não tenho coração ruim”. Acabou comigo.
Há duas semanas, reprovei veementemente uma atitude sua em relação à família. Reprovei sem caridade, porque a caridade aponta o que é verdadeiro, corrige, aconselha, mas sem cólera e sem condenar. Deus já me havia “amansado”, porém não tomei a atitude de ir ao encontro dela.
Na véspera de sua visita, refletira sobre uma colocação de Santa Teresa de Ávila, a respeito de alguns vermes - iguais aos que roeram a mamoneira do profeta Jonas (4,1-11) - que nem se deixam perceber e acabam destruindo as virtudes. Cita como esses vermes: o amor próprio, a estima de si mesmo e o hábito de julgar os outros, ainda que em pequenas coisas. Deus pediu a Jonas que anunciasse, em Nínive, que a cidade seria destruída por seus caminhos perversos. Contudo, como o povo se arrependeu, Deus o perdoou. Jonas ficou irado por anunciar uma coisa e Deus, rico em misericórdia e bondade, ter feito diferente do que prometera. O Senhor fez crescer uma mamoneira. No dia seguinte, um verme a atacou e ela secou. Jonas irritou-se e Deus lhe disse: “Estás com pena de uma mamoneira (...). Pois eu não terei pena de Nínive, esta enorme cidade onde moram mais de 120 mil pessoas que não sabem distinguir entre a direita e a esquerda, além de tantos animais?”
Gosto quando Deus me corrige, conserta, endireita. Amor dEle, reconhecimento do que sou e convite a me tornar melhor, vencendo, com Sua graça, os vermes que moram em mim.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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RENATA IACOVINO - MANHÃ DE DOMINGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Não era manhã de carnaval, tampouco uma manhã feliz, mas era uma manhã que renascia. E embora possa haver redundância em tal assertiva, concretamente não havia, pois ainda que o dia surja após a noite, ele pode ser triste.

            Manhã de carnaval, de Antônio Maria e Luiz Bonfá, era a música que eu ouvia, instrumental, sem canto, sem letra. E a ausência da letra tornou aquela canção triste, mas de uma tristeza que eu estava me despedindo, após uma noite de cinzas metafóricas.

            E nem era quarta-feira de cinzas.

            Ao longo da caminhada eu cruzava com rostos diferentes, porém, de expressões semelhantes. A mim parecia que somente eu destoava daquele cenário de aparente normalidade, em que tudo parece engrenar no ritmo necessário para dar continuidade à vida.

            Entrei no tal clima, mesmo com Manhã de carnaval ainda ecoando pelas minhas retinas.

            E aos poucos conseguia enxergar a simplicidade de andar sem conseguir tropeçar em obstáculos. Talvez porque à noite eles são, de fato, mais difíceis de serem identificados.

            Mas numa manhã clara, que exalava o frescor da quase tempestade recente pelo chão por onde passavam jovens, crianças e adultos, era impossível não olhar para o azul certeiro do céu, sereno em sua intenção. E o sol aos poucos ajudando a evaporar o que restou de gris em algum momento.

            Aquela paisagem tão comum e tão cotidiana me parecia essencial. Repentinamente essencial.

            É como se ela varresse de mim o que em mim eu não mais suportasse.

            E não é assim que algumas vezes nos encontramos? Insuportáveis em nós mesmos? Como imensos nós que se multiplicam e não se desatam. E de repente, atendo-me ao ciclo que nos reserva o banal, pude visualizar cada um dos nós sendo destrinchado.

            Música, movimento, ritmo, cores, seres vivos, natureza, a partida, a chegada, a recorrência, a intermitência, tudo vai me trazendo de volta, num resgate involuntário.

            Ora piso em terra firme, ora em nuvens, numa oscilação impossível de escapar. Ora a chuva é escassa, ora o céu impiedoso faz-se cinza e despeja a tormenta engasgada em seu âmago plúmbeo.

            Não... a culpa não é do céu!

            Nós é que pintamos as cores da madrugada ou da manhã, assim como fazemos com a condução deste planeta que, refém, caminha (também) sob nossa responsabilidade.

            É hora de voltar. Novas reflexões me encharcam...

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora, poetisa e cantora /reiacovino.blog.uol.com.br /reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



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JOSÉ RENATO NALINI - DEPENDE DO USO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tudo tem ao menos dois lados. Para nós, do universo jurídico, é fácil raciocinar em termos de contraditório. À primeira vista a versão do autor convence. Mas depois de ouvir o réu, ela já não se sustenta. E assim é a vida. Precisamos sempre considerar o outro lado. Ou mesmo “os outros lados”, pois a verdade é poliédrica. Pode ter muitas faces. Lembra a estória dos cinco cegos apalpando o elefante e descrevendo sua sensação tátil.

Estas reflexões vêm a propósito da evidente dependência de quase todos os jovens das bugigangas eletrônicas à disposição. Tablets, i-Phones, celulares de múltiplas funcionalidades, computadores cada vez mais reduzidos em sua dimensão e de crescente serventia, tornaram-se a mania deste início de século. Como vivíamos sem o whatsapp, sem o instagram, sem as mensagens, sem os torpedos e os vídeos encaminhados continuamente e a qualquer hora?

Há quem critique esse apego e comente a servidão incrível de quem não consegue ficar longe de seus aparelhinhos. Há casais jovens ocupando uma mesa e cada qual absorto no seu celular. Crianças se recusam a comer, mas cedem ao apelo das músicas e das estorinhas infantis. O “dia sem celular” não entra na cogitação de grande parte dos viciados. E não há idade para se entregar à eletrônica. Ela ceifa desde os bebês até os da quarta idade…

A facilidade da comunicação on line tem servido para o recrutamento de manifestantes para esse fenômeno que precisa ser redimensionado. Tudo bem que as pessoas devam participar. Mas até que ponto a participação pode interferir na vida da cidade, prejudicar outras pessoas e dilapidar patrimônio público e privado?

Nesse sentido é importante exortar os ajuizados a se servirem dessa tecnologia agnóstica. Pode ser usada em defesa da liberdade e pode ser usada para promover o mal. É importante o seu uso para inibir o extremismo violento. Quais os fatores que fazem alguns jovens a se identificar com grupos violentos? Como afastá-los dessas influências?

Comecemos com mensagens simples: “É errado ser violento! É errado odiar! É errado violar direitos alheios!”. Talvez dê certo.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



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FELIPE AQUINO - TODA PESSOA QUE SE SUICIDA ESTÁ CONDENADA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antigamente se pensava que sim, embora a Igreja nunca tenha ensinado isso oficialmente; pois ela nunca disse o nome de um condenado. Hoje, com a ajuda da psicologia e psiquiatria, sabemos que a culpa do suicida pode ser muito diminuída devido a seu estado de alma.

Evidentemente que o suicídio é, objetivamente falando, um pecado muito grave, pois atenta contra a vida, o maior dom de Deus para nós. Infelizmente há países que chegam a facilitar e até mesmo estimular esta prática para pacientes que sofrem ou para doentes mentais. Na Suíça, por exemplo, uma decisão da Suprema Corte abriu o caminho para a legalização da assistência ao suicídio de pacientes mentalmente doentes. O país já permite legalmente o suicido assistido para outros tipos de pacientes com uma ampla faixa de doenças e incapacidades físicas. É o império da “cultura da morte” através da eutanásia.

 

O Catecismo da Igreja ensina que:

 

§2280 – “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus que lha deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para sua honra e a salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.

§2281 – “O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo”.

 

 

suicidio-estatisticas-mundias-metodos

 

 

Mas o Catecismo lembra também que a culpa da pessoa suicida pode ser muito diminuída:

 

§2282 – “Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, principalmente para os jovens, o suicídio adquire ainda a gravidade de um escândalo. A cooperação voluntária ao suicídio é contrário à lei moral. Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida”.

Portanto, ninguém deve pensar que a pessoa que se suicidou esteja condenada por Deus; os caminhos de Sua misericórdia são desconhecidos de nós. O Catecismo manda rezar por aqueles que se suicidaram:

§2283 – “Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida”.

Certa vez o santo Cura D´Ars, São João Maria Vianney, ao celebrar a santa Missa notou que uma mulher vestida de luto estava no final da igreja chorando, seu marido havia suicidado na véspera, saltando da ponte de um rio. O santo foi até ela no final da Missa e lhe disse: “pode parar de chorar, seu marido foi salvo, está no Purgatório; reze por sua alma”. E explicou à pobre viúva: “Por causa daquelas vezes que ele rezou o Terço com você, no mês de maio, Nossa Senhora obteve de Deus para ele a graça do arrependimento antes de morrer”. Não devemos duvidar dessas palavras.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



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Domingo, 26 de Abril de 2015
PAULO ROBERTO LABEGALINI - FÉ E OBEDIÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O capítulo 6 do Evangelho de São Marcos descreve o envio dos apóstolos dois a dois para sua primeira experiência missionária. Jesus pediu que não levassem dinheiro, nem pão, nem duas túnicas, mas falassem em seu nome contra os espíritos impuros. Sábio conselho!

E o resultado foi o melhor possível: converteram muitos corações, expulsaram demônios, curaram doentes e pregaram a paz. Isso tudo só foi possível por dois motivos principais: fé e obediência à Palavra de Deus. Como eles tinham convivido um longo tempo com o Senhor, parece ter sido mais fácil cumprir a missão; porém, hoje, o que nos torna diferentes dos doze apóstolos?

Pense: podemos ficar demoradamente com Jesus próximos ao sacrário e também podemos agir na vida das pessoas em nossas comunidades. Portanto, fazer uma experiência com Cristo é perfeitamente possível a qualquer pessoa. Basta querer!

Às vezes, a situação se complica na vida de algumas pessoas porque depositam fé e prestam obediência indevidamente. Aceitam conselhos que contradizem aos ensinamentos bíblicos e dão com os burros n’água, como nesta história:

Um casal humilde precisou viajar com o filho e resolveu transportar a carga no lombo de um burro. Como o animal era forte, colocaram também o menino em cima dele e partiram. No primeiro povoado que atravessaram, bateram à porta de uma casa pedindo comida, não foram atendidos e ouviram este argumento:

– Vocês deixam o garoto descansando e caminham a pé? O chefe da família, mais velho e suado, é que deveria estar em cima do burro!

Imediatamente fizeram a mudança, bateram n’outra casa e receberam mais um ‘não’.

– Como pode um senhor forte deixar a esposa caminhando enquanto viaja confortavelmente?

E com a mulher no lombo do animal, veio outra crítica:

– Coitado do burro! Esta senhora é muito pesada para ele. Já não chega a carga que carrega?

Finalmente, retiraram os fardos do seu lombo, cada um assumiu parte do peso e viajaram puxando o animal. Isso serve para lembrar que não podemos aceitar todos os tipos de orientações, principalmente vindas de pessoas que desconhecem ou não praticam a fé cristã. Temos que valorizar as nossas vocações!

E não só os sacerdotes são vocacionados – como muitos pensam –, mas todos nós! Quando alguém tem talento para determinado trabalho, dizemos que a pessoa tem vocação para aquela atividade; portanto, uns são mais inclinados para algumas aptidões do que outros. Mas, e quem não sabe nada?

Eu diria que Deus não criou ninguém assim porque a vocação mais sublime possível é o amor, que sempre está ao alcance de todos. E como o nosso grande objetivo na vida é chegarmos à santidade, quanto mais amarmos, mais estaremos atendendo ao chamado de Deus para exercitar a maior vocação que Ele nos deu.

Todavia, como nossa liberdade é praticamente ilimitada, não podemos sempre pensar que tudo o que fazemos advém de predisposição para os atos praticados. Por exemplo, qual era a vocação de Santa Maria Madalena? Sabemos que ela foi uma pecadora pública e depois se tornou anunciadora da palavra de Jesus – por ter sido curada por Ele. Então, tinha dupla vocação: prostituição e santidade?

Se prevalecesse a vontade de Deus, é claro que o pecado não faria parte de sua vida, mas, como qualquer um de nós, ela enfrentou o lado sujo da existência humana enquanto não teve uma verdadeira experiência com Cristo. Porém, percebeu o melhor sentido da vida quando atendeu ao chamado do Senhor: acompanhou-o até sua crucifixão, sepultamento e foi a primeira a reconhecer o Ressuscitado.

Depois que encontrou Jesus, ela tanto amou que acabou se santificando! Isso deixa claro que tinha uma forte vocação para servir a Deus. Então, não tenha dúvidas: se você amar a Santíssima Trindade sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo, parabéns, porque também estará sendo homenageado neste mês vocacional.

Bem, enviados já fomos desde o Batismo, agora é preciso ter consciência de que ser cristão é seguir Jesus Cristo com obediência e fé. E tudo de melhor nos será acrescentado!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil.Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - AVALIAR TODOS POR UM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Irmão de amigo de meu pai, estava casado com madrilena, que era pouco cuidadosa no maneio da casa. Por isso dizia, a quem o queria ouvir, que as espanholas eram desfrutáveis e péssimas donas de casa.

Servia-se do antiquíssimo anexim para confirmar o parecer: “De Espanha nem bom vento nem bom casamento”.

Nos anos setenta fui convidado a participar num congresso que se realizou na cidade de Porto Alegre.

Ao passar por São Paulo, visitei parente que convidou-me a permanecer alguns dias, em sua casa, para conhecer a cidade. Nesse entanto apresentaram-me moça paulistana, que veio a ser minha mulher.

De regresso, contei a velha tia, o meu namoro. Ficou surpresa e logo preveniu-me, numa expressão de censura:

- ”Menino: cuidado com as brasileiras! São todas levianas. Só querem luxos!

Os dois episódios servem perfeitamente para ilustrar o que pretendo expor: tomamos um caso singular e pensamos que todos são iguais.

O amigo de meu pai, por ter cunhada descuidada, considerava que as espanholas eram todas levianas.

Minha velha tia julgava que todas as brasileiras eram iguais às que conhecera em sua casa.

Nesse erro caiem muitos políticos. Conhecem o meio ou sociedade em que vivem. Sabem o modo de pensar da sua classe, e erradamente julgam que na nação, todos são iguais aos do seu meio.

Tão convencidos andam, que afirmam, categoricamente, conhecer as necessidades do povo, após percorrerem o país, e terem almoçado com os correligionários.

Numa nação não há só uma sociedade, mas várias, e quase sempre nunca se cruzam, nem se conhecem.

As famílias, as pessoas, agrupam-se, convivem, consoante a educação que possuem, crença que professam e valores que acreditam.

Dizem que a juventude leva vida solta, seguindo o mau comportamento das personagens de novelas televisivas. Mas não é bem assim. Há adolescentes de boa formação moral.

Li desabafo, de mocinho – já lá vão muitos meses, – no jornal “ O Globo” que se declarava católico. Pretendia vir a conhecer jovem, que fosse virgem. Sabia que era difícil. Ele próprio é arrastado pela tentação, porque ao seu redor, tudo está impregnado de erotismo e incitamento à perversão.

Considerar que um povo tem este ou aquele comportamento, leva-nos sempre a erros imperdoáveis; é esquecer que na mesma cidade, no mesmo bairro, há pessoas, famílias, de conceitos e pareceres, completamente diversos.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal



publicado por solpaz às 20:01
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EUCLIDES CAVACO - O NOSSO ANIVERSÁRIO - FADO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O NOSSO ANIVERSÁRIO - Fado

Um tema romântico e sempre actual hoje aqui feito fado,
interpretado pelo nosso talentoso amigo João Balças.
Aqui deixo a sugestão aos maridos para guardarem este poema
e o oferecerem às suas esposas no data do tão ditoso aniversário.
Veja e ouça este poema e FADO aqui neste link:


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/O_Nosso_Aniversario_Fado/index.htm
 
 
 
EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
 
 
 
 


publicado por solpaz às 19:53
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