Blogue luso-brasileiro
Domingo, 26 de Março de 2017
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - AS CINCO CASAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foram cinco as casas em que morei, contando com a de agora. A primeira em São Paulo, onde nasci. Residi apenas cinco anos nela e tenho imagens vagas, como as das cortinas rubras que permitiam brincar de esconde-esconde. Em seguida, viemos para Jundiaí por três anos. Habitávamos um sobrado com escada de inúmeros degraus na Atílio Vianelo. O bairro, com ruas de terra, possuía poucas moradias, terrenos com vegetação, a Ponte Torta... Naquele local, vivi meu primeiro ano de escola - alfabetizada pela Dona Dini - e me deslumbrei com os pirilampos. Do córrego, trazia guarús com a pretensão de criá-los em uma lata d’água. O mercadão da Vila Arens, que acabara de ser inaugurado, também me encantava: alguns comerciantes me recebiam com guloseimas. Em 1962, mudamos para um apartamento em Poços de Caldas, no Edifício Bauxita. Próximo, além das termas e do parquinho, um jardim com inúmeras flores e, em destaque, brincos-de-princesa. Contemplando-as, misturava as pétalas com os contos de fada que povoavam minha imaginação. Foi um ano muito feliz e que me fez compreender sobre Minas Gerais: “Tuas terras que são altaneiras,/ O teu céu é do mais puro anil. (...) És formosa, oh terra encantada! (...) Oh! Minas Gerais! (...) Quem te conhece/ Não esquece jamais”.
Voltando a Jundiaí, permanecemos, dos meus 9 aos 34 anos, na mesma casa antiga, de quintal com árvores frutíferas, na Rua Rangel Pestana. E, desde 1988, moramos na atual residência.
A casa, com que mais sonho – embora pouco me lembre deles – é a da Rua Rangel Pestana. Talvez porque lá experimentei momentos intensos: a despedida dolorida de meu pai em março de 1987, minha mãe cuidando sozinha, com desvelo, quase duas décadas, de minha avó materna inválida, numa época em que nem fralda descartável existia; o meu irmão iniciando sua carreira jornalística em outra cidade; o final de meus estudos acadêmicos e a escolha da profissão; o engajamento no movimento de jovens da Igreja; o chamado do Senhor para anunciá-Lo às mulheres excluídas e para me melhorar... São tantas coisas! No quintal, havia os canteiros com flores e verduras que a mamãe mantinha. A última árvore foi uma laranjeira, plantada por meu pai. Acenou com flores brancas para o Céu, poucos dias depois de seu adeus.
O essencial nas casas, creio eu, são as janelas pelas quais o coração enxerga.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PRIMEIRO DE ABRIL. CHEGA DE MENTIRAS NO BRASIL !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           No próximo sábado, primeiro de abril, celebra-se o Dia Internacional da Mentira e das Brincadeiras. Após um período de ostracismo, lembrado apenas por crianças, a data voltou a atrair a atenção dos brasileiros, servindo como justificativa para muitas pessoas pregarem peças divertidas em outras.

         Essa comemoração teve origem na França, em 1564, quando a data era festejada como Ano-Novo, posteriormente substituída pelo Primeiro de Janeiro, por determinação do rei Carlos IX. Por isso, os franceses denominaram o primeiro de abril como o “dia falso”, passando a oferecer aos amigos presentes fictícios ou dissimulados e a contar piadas, costumes que persistem até hoje em muitos países.

         É por isso que no dia da brincadeira deverei receber alguns e-mails afirmando:

         -  que a Empresa de Correios e Telégrafos voltou a ter a eficiência de que era dotada nos anos 70;

         - que a maioria dos políticos brasileiros é absolutamente honesta;

         - que a violência está se extinguindo no Brasil;

         - que os bancos passaram a cobrar de seus clientes juros de 0,5% ao mês, conforme a Constituição Federal previa;

         - que a solidariedade está reinando nas relações entre as pessoas e que o egoísmo é coisa do passado;

         - que todos os parentes se gostam de forma autêntica e real;

         - que o Brasil está se tornando um país sério;

         - que os Direitos Fundamentais passaram a ser respeitados em todas as suas dimensões;

         - que a miséria está sendo erradicada no Brasil;

         - que ninguém mais viverá triste;

         - que a Saúde e a Educação viraram metas prioritárias de nossos governantes;

         - que a amizade e a fraternidade estão unindo as pessoas;

         - que ninguém mais fará fofocas e invadirá a privacidade alheia;

         - que o mundo finalmente vive em plena paz.

         E tantos outros. Pena que todos vieram com um alerta embaixo: é primeiro de abril!... Agora, falando um pouco sério: “a mentira tem pernas curtas”, apregoa o ditado popular. Apesar das brincadeiras típicas da data, a questão da mentira não pode ser tratada com simplicidade em nenhuma área humana, pois qualquer postura baseada em inverdades é sempre muito difícil de prosperar.

Tratemos, pois, de ser verdadeiros e honestos em todas as nossas relações, principalmente os políticos e autoridades. Só assim o mundo melhorará e o Brasil deixará de ser o “país das mentiras”, título que ostenta graças às promessas de campanhas eleitorais quase nunca cumpridas pela maioria de nossos representantes ou de suas justificativas para atos de corrupção, malversação do dinheiro público e principalmente por maquiarem seus verdadeiros interesses, particulares em detrimento dos anseios coletivos. Chega de inverdades!

 

                            Dia Mundial da Saúde

 

Celebra-se a 07 de abril, desde 1948, o Dia Mundial da Saúde promovido pela OMS – Organização Mundial da Saúde. No decorrer de todos esses anos, a comemoração se transformou, em escala mundial, numa excelente oportunidade de conscientização e realização de promoções que enfatizam a importância do cuidado com a saúde humana. Tanto que a cada ano, um tema específico é escolhido no contexto dos desafios e problemas da área e que destacam a necessidade urgente de ação integrada de toda a sociedade. Em 2016, estará centrado na diabetes. Entre outros objetivos  desta campanha será lançado o primeiro relatório mundial sobre a doença, que irá "descrever o peso e as consequências da diabetes e defender a existência de sistemas de saúde mais sólidos, que assegurem uma melhor vigilância, prevenção e uma gestão mais efetiva da diabetes".

 

         Combate ao Câncer

 

Celebra-se a 08 de abril o DIA INTERNACIONAL DE COMBATE AO CANCER, ocasião para refletirmos sobre a importância de compreendermos a situação dos pacientes de doenças graves e principalmente, respeitar seus posicionamentos, procurando em todos os setores, outorgar-lhes melhor qualidade de vida. Com efeito, são notórias as graves consequências advindas de um diagnóstico de câncer, cujo resultado por si só, já provoca um grande impacto.   Por isso, quem cuida do sofrimento humano e se deixa tocar por ele se torna um radar de alta sensibilidade, se humaniza no processo e, para além do conhecimento científico, tem a preciosa chance e o privilégio de crescer em sabedoria.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - A PERGUNTA QUE VENCESLAU NÃO ESPERAVA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                

"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba", escreveu o Padre António Vieira. Qualquer celebridade humana, por grande que seja, o tempo inexorável a vai solapando, carcomendo, desfazendo em pó...

Venceslau Brás foi presidente da república do Brasil de 1914 a 1918. Quando assumiu a suprema magistratura, era relativamente moço: tinha 46 anos, pois havia nascido em 1868. Deixou o governo aos 50 anos, e só foi falecer em 1966, com 98 anos de idade.

Viveu, portanto, como ex–presidente, uma longa vida cômoda, prestigiosa, sem sobressaltos, no sul do Estado de Minas, na cidade de Itajubá. Toda a glória que um político brasileiro poderia desejar, ele a tinha alcançado. Sua terra natal chegara a adotar o nome de Brasópolis, para homenageá–lo. Em Itajubá, transformara–se em celebridade viva. Todos os governadores de Minas, todos os políticos de expressão nacional que iam a Minas, não deixavam de visitar o velho Venceslau para, como se dizia, "tomar a bênção" do velho cacique político e assegurar seu apoio em qualquer combinação política nova.

Ele assistiu à decadência da Primeira República, à revolução de 1930, à ascensão e queda do ditador Getúlio Vargas, à chamada redemocratização do País, aos governos que se lhe seguiram, à Revolução de 1964, ao início do regime militar.

Tudo se abalava no Brasil, menos o prestígio intocado e intocável de Venceslau Brás, que na simpática cidade de Itajubá permanecia numa espécie de Panteão da Pátria. Naquela cidade, ainda hoje existe, pela memória de Venceslau, um verdadeiro culto, sobretudo em torno do Museu Venceslau Brás, instalado na casa em que ele residiu.

Habituado a toda essa celebridade estava o velho Venceslau, mas...

... mas o tempo correu algumas décadas e na própria Itajubá, para as novas gerações, ele já começava a ser um nome do passado, numa confusa vizinhança com Tiradentes, Mem de Sá ou Pero Vaz de Caminha.

Venceslau só se deu conta dessa mudança profunda e inexorável certo dia em que a realidade o agrediu.

O fato se passou em meados da década de 50. Já quase nonagenário, o antigo presidente ainda dirigia seu automóvel. De todas as partes era saudado pelos moradores mais antigos, todos eles lhe tiravam o chapéu. E, sem descer de seu pedestal de glória, o ancião ia retribuindo as saudações que de todos os lados lhe faziam. De repente, num momento de distração, abalroa outro carro, felizmente sem gravidade! O veículo em que Venceslau batera era dirigido por uma jovem, que levava uma companheira ao lado.

Ainda cavalheiro dos velhos tempos, Venceslau se aproximou das assustadas senhoritas, de chapéu na mão, saudando–as galantemente. Certificou–se de que nada haviam sofrido, pediu desculpas pelo susto que lhes tinha dado e logo as foi tranquilizando pelos aspectos econômicos do acidente.

– Não se preocupem, senhoritas, a culpa foi minha, faço questão de pagar todas as despesas. Estejam tranquilas. Podem procurar Venceslau Brás, e tudo se resolverá.

Ainda atordoada pela batida, a jovem motorista ingenuamente – e cruelmente! – perguntou:

– Venceslau Brás, que número?

Venceslau poderia esperar qualquer reação das jovens... menos que lhe fizessem essa pergunta!

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SARJETAS DA VIDA

           

 

 

 

 

 

 

 

 

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             Há algumas semanas saímos com um casal de amigos para comermos algo e também para prestigiarmos uma amiga que se apresentava cantando no mesmo local. Depois de comermos petiscos, bebericarmos um pouco, rirmos bastante e ouvirmos um suave som de barzinho entoado por uma voz delicada, saímos para pegar um táxi e voltarmos para casa. Na calçada, sentando, havia um senhor de idade que, ao nos ver passar, pediu uma ajuda para ir até o ponto de ônibus méis que não estava se sentindo bem.

            Indagamos o que ele sentia e ele nos contou que estava sentindo tonturas e um mal-estar que não sabia identificar. De início achei que ele estava bêbado, mas depois não tive mais tanta certeza, exceto a de que ele não era um mendigo, embora uma pessoa simples. Tirando do bolso um maço de papéis amassados, ele nos mostrou seus documentos e constatei que tinha o mesmo nome do meu pai. Foi inevitável sentir um aperto no coração, ainda mais depois que ele nos disse que morava sozinho, que não tinha quem olhasse por ele e que tomava vários remédios diariamente,

            Não dava para ouvir tudo isso e irmos embora, indiferentes. Ligamos para o SAMU e fizemos um pedido para que fossem até ele e prestassem socorro, mas depois de vinte minutos começamos a crer que talvez não aparecessem. Ligamos para polícia militar e depois de alguns minutos passou por nós uma viatura. Sinalizamos para que parassem e após explicarmos os fatos, os policiais nos informaram de que o levariam para ser atendido em um dos hospitais públicos da região.

            Enquanto a polícia fazia a checagem padrão dos documentos dele, senti um leve cheiro de bebida no ar e pensei que era mesmo bem provável que ele tivesse bebido algo e, se de fato tomava remédios, a mistura deveria ser uma das responsáveis pelo estado de saúde em que se encontrava. Em poucos minutos os policiais o convenceram a acompanhá-los para receber cuidados. Tão logo a viatura se afastou, rumo ao hospital, vimos que o SAMU se aproximava, lamentavelmente cerca de quase uma hora depois de ter sido acionado.

            Entendo que em uma cidade como São Paulo não devam faltar ocorrências a serem atendidas, inclusive muito mais sérias do que socorrer alguém que possa ter buscado na bebida a companhia para um fim de vida solitário, mas isso não muda a sensação de desalento que tivemos diante de um idoso pedindo por socorro, sentado na calçada, com ar de desamparo, tarde da noite em um fim de semana. Pensando agora, creio que talvez nos tenha faltado o entendimento de que ele buscava por outro tipo de socorro.

            Fico imaginando em todas as pessoas que estão pelas sarjetas da vida, perdidas, seja em seus pensamentos, seja nas ondas das drogas, as lícitas e as ilícitas. Embora seja razoável que se tenha receio diante de pessoas que pedem ajuda pelas ruas, até porque as estatísticas da violência legitimam tal sentimento, também é fato que são seres humanos, repletos eles também de toda gama de sentimentos e fragilidades que marcam a travessia humana por esse plano.

            Não sei o que se passou com o idoso depois que ele foi para o hospital. Não sei se de fato estava doente de corpo ou de alma, ou quiçá de ambos. Tudo o que sei é que naquele momento ele estava frágil e perdido, como, aliás, qualquer um de nós poderia estar. Sei ainda que, se fosse algo mais sério, pela demora do atendimento, ele poderia ter morrido à míngua, assim como também poderia ter ocorrido com qualquer outra pessoa que tivesse um mal súbito pelas ruas de São Paulo.

            Triste constatar que nesse país pagamos por tudo e para tudo, que aqueles homens e mulheres nos quais confiávamos (ou nos quais alguém confiou) se apropriaram do dinheiro público de forma deslavada, pornográfica e que ainda enchem a boca e estufam o peito para se dizerem inocentes ou para darem justificativas de suas vilanias. Difícil viver sem se dar conta da desigualdade que espanca os brasileiros, que nos torna, a todos, de algum modo, vitimas de um sistema cruel e vicioso que parece não ter solução.

            Ao menos a Polícia Militar, tão criticada por muitos, naquele dia apareceu e tratou o pobre senhor de forma digna, respeitosa, sem fazer diferença alguma. Talvez fosse disso que ele precisasse no fim das contas, mas, de toda forma, se o Estado padrasto não nos socorre adequadamente, ainda temos esperança, derradeira, de que algumas pessoas possam fazer diferença entre tanta indiferença.

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - BONINAS E AÇUCENAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Hilda Hilst disse certa vez lembrar-se de ter lido num poema aos oito anos de idade: “boninas” e “açucenas”. E embora lhes desconhecesse o significado, encantou-se: “achei tão bonito!”.

Eu, por minha vez, encantei-me pelo deslumbramento daquela mulher resgatando a menina à altura da infantil surpresa.

Como soa-nos imenso na infância o que não conhecemos de todo ou em parte! Lembram-se disso também?

            Depois a gente vai crescendo, e, não obstante persevere alguma substância intocável de saberes-não-saberes, é como se uma insossa sensação diminuísse um doce ou salgado intenso aqui, um agridoce paladar ali...

            Corre-se o risco de olhar daí por diante com a perspectiva do costume.

            Fosse só pelo costume, dir-se-ia que “boninas” são as tão simples “maravilhas”, flores de perfume adocicado, comuns em nossos jardins, conhecidas também por “boas-noites” já que se abrem por volta das quatro da tarde a saudar os ares noturnos.

            Comumente, outrossim, chamamos de “amarílis” as “açucenas”, cujas lendas, entre outras, jogam sobre elas o encargo de representar a angústia pela perda do ser amado. Elas florescem uma vez ao ano, entrando a seguir num estado de dormência. Minha mãe, julgando morta aquela com que a presenteei, vupt, arrancou-a durante o seu sono de beleza.

            Lembranças... nem sempre saborosas lembranças...

            Hilda, invariavelmente singular e tantas vezes incompreendida, à diferença do desejo da mãe, que era que a menina dançasse, desejava, à semelhança do pai, escrever.

            Escrever era o seu jeito próprio de mover-se – e mui sensualmente – à melodia ritmada da natureza e do sobrenatural.

            “Que essa garra de ferro/ Imensa/ Que apunhala a palavra/ Se afaste/ Da boca dos poetas./ PÁSSARO-PALAVRA/ LIVRE/ VOLÚPIA DE SER ASA/ NA MINHA BOCA./

Que essa garra de ferro/ Imensa/ Que me dilacera/ Desapareça/ Do ensolarado roteiro/ Do poeta./ PÁSSARO-PALAVRA/ LIVRE/ VOLÚPIA DE SER ASA/ NA MINHA BOCA./ Que essa garra de ferro/ Calcinada/ Se desfaça/ Diante da luz/ Intensa da palavra./ PALAVRA-LIVRE/ Volúpia de ser pássaro/ Amada vertiginosa./Asa.”.

Após nossa alma dançar nas voluptuosas asas da liberdade, puxada pela mão da poeta, penso que a mãe de Hilda não foi contrariada.

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa,  vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



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JOSÉ RENATO NALINI - GERAÇÃO DE PROSUMIDORES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Na presente fase de pessimismo e de visão ca­tastrófica do futuro, é interessante ler livros como “So­ciedade com Custo Marginal Zero”, de Jeremy Rifkin, publicado pela editora M.Books. Ele é um professor da Universidade da Pensilvânia, onde ensina execu­tivos a tornarem suas empresas sustentáveis, projeto da Escola de Negócios Wharton. Observa que o dina­mismo e a eficiência produtiva, alvo de todos os em­presários, tangidos pela onda empreendedorista, além da rápida mutação tecnológica, farão com que o capi­talismo perca sua dominância e ceda espaço para uma economia solidária, colaborativa e compartilhada.

O avanço da ciência e da tecnologia acelera o ritmo de produção e faz com que o custo marginal, o preço para produzir uma unidade a mais de um determinado produto, chegue bem próximo a zero. Amplia-se o acesso a todos os bens de consumo. Por consequência, os lucros das corporações se reduzem, a ideia de propriedade abandona o seu caráter abso­luto – o que já ocorre com a implementação da ideia de “função social” – e a economia da escassez é subs­tituída pela abundância.

Na visão idílica de Jeremy Rifkin, o ser huma­no passará, naturalmente, a compartilhar seus bens, a desfrutar de produtos e de serviços independentemen­te da necessidade de comprá-los.

Hoje a concepção capitalista prestigia o inte­resse próprio, é motivada pelo ganho material, pelo egoísmo e pelo exacerbado individualismo narcisista. Passar-se-á a vivenciar uma era de fruição de bens co­muns sociais, motivados por interesses colaborativos e impulsionados por um profundo desejo de se conec­tar com os outros, de dialogar e de compartilhar.

Para o autor, sinais dessa mutação tornam-se perceptíveis quando a volúpia do automóvel, ícone do consumismo e símbolo da propriedade privada, perde força perante uma geração que já não se entusiasma com a posse exclusiva do automotor. Além do com­partilhamento, animam-se os jovens com a ideia de fruir de carros autônomos, aqueles que não precisam de condutor. Eles atendem a uma outra tendência con­temporânea, ao menos perante os mais sensíveis: a tu­tela responsável do ambiente.

Assim também, casas, roupas, objetos, poderão ser compartilhados, na visão consciente de que “do mundo nada se leva’ e que a sabença popular eterni­zou no dístico “caixão de defunto não tem gaveta”.

A facilidade de acesso a bens da vida que se­rão cada vez mais baratos e mais disponíveis torna­rá os jovens libertos das amarras materiais. Em lugar da acumulação de bens, do enriquecimento pessoal, o mais cobiçado será o prazer de cultivar interesses colaborativos. Em lugar de “ter”, tornar concreto o so­nho de uma qualidade de vida sustentável.

Tudo isso afetará, é natural, o mercado de traba­lho. O mundo já está diferente e ficará ainda melhor. Os desafios são imensos. Basta dizer que mais da me­tade das profissões ainda indicadas como o futuro das crianças de hoje deixará de existir dentro de duas dé­cadas. A educação tem o compromisso aparentemente utópico de formar profissionais para misteres que se­quer têm denominação.

Mas a internet das coisas, que propicia a conec­tividade entre objetos e pessoas, facilitando as tare­fas e rotinas, o big data e o infinito acervo de dados e suas potencialidades, os algoritmos, a inteligência artificial, cada vez mais surpreendente, a robótica, a cibernética, vão eliminar postos de trabalho, mas vão permitir o desenvolvimento da sensibilidade. Tempo e espaço para as artes, para a poesia, para o cultivo da natureza, para oferecer talento para a beleza.

A impressora 3 D converterá o hoje consumidor em “prosumidor”. Ou seja, será ao mesmo tempo um produtor e um consumidor. Fará aquilo que desejar, desde uma caneta a um móvel, uma obra de arte e um chocolate, uma prótese e uma colher.

Há, portanto, quem acredite que Rousseau tinha razão e que a índole humana é direcionada à bondade. Que estejam certos e que Hobbes tenha se equivocado ao edificar o seu “Leviatã”.

 

Fonte: "Correio Popular de Campinas",  Data: 24/03/2017

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 



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FELIPE AQUINO - DEUS NOS QUER POR INTEIROS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deus é ciumento!

 

Ele disse a seu povo no deserto: “Não te prostrarás diante desses deuses nem lhes prestarás culto, pois Eu Sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento” (Ex 20,25).

O que Deus quer é o nosso coração, nada mais. Ele não quer nos dividir com ninguém e com nenhuma coisa. Ele nos dá tudo: a vida, a saúde, o alimento, os bens, esposa, filhos, casa, carro… mas quer que só nos apeguemos a Ele; porque Ele nos fez para Ele, por amor, para ser feliz Nele, pois só Ele pode satisfazer os anseios infinitos de nosso coração inquieto.

“Não é Ele o teu Pai que te gerou, o Criador que te formou e te sustenta?” (Dt 32,6).

Santo Agostinho entendeu isso melhor do que ninguém, depois de procurar a felicidade em muitas coisas vazias:

“Tu nós criastes para Ti, e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti” (Confissões, 1,1).

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É por isso que Deus vai tirando aos poucos, às vezes delicadamente, e às vezes com mão pesada, o que ocupa o espaço em nosso coração que é Dele. Isso pode doer em nós, mas Deus o faz por amor, como um pai que às vezes tem de levar seu filhinho para tomar uma injeção doida, para não morrer de pneumonia.

Imagine um vaso que você queira encher de água totalmente. Mas se ele estiver com pedras e outras coisas dentro, ele não poderá ser totalmente cheio de água.

Deus tira de nós, com a sua graça, aquilo que nós mesmos não temos força ou coragem para tirar de nossa alma, e que não são Dele; é o que a teologia chama de “ascese passiva”, Ele age por nós. Por isso, precisamos pedir: “Ensinai-nos, Senhor, a receber com um coração agradecido os bens que vós nos dais, e a aceitar com paciência os sofrimentos que pesam sobre nós”.

Da mesma forma é o nosso coração como um vaso a ser preenchido; se ele estiver com entulhos, coisas que não são de Deus, ainda que sejam boas, Deus não poderá encher plenamente a nossa alma. Santo Agostinho disse que “a intensidade da santidade de uma pessoa depende de quanto ela permite que Deus ocupe seu coração”.

 

Leia também: Deus quer falar com você!

Como fazer a vontade de Deus?

Ajuda-me, Senhor, a dizer sim

Deus e a liberdade humana

É Deus quem nos santifica!

 

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu entendimento e com todas as forças da alma. É este o maior mandamento” (Mt 22,37-38).

“O que o Senhor teu Deus te pede? Apenas que o temas e andes em seus caminhos; que ames e guardes os mandamentos do Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que sejas feliz (Dt 10,12-13).

Deus tem o direito de exigir que o amemos acima de tudo e de todos, porque Ele nos ama acima de tudo e de todos. Cristo deu a Sua vida por nós:

“Vivo agora esta vida na fé no Filho de Deus, Jesus Cristo, que me amou e, por mim, se entregou” (Gal 2,20).

“Carregou sobre si nossas culpas em seu corpo, no lenho da cruz, para que, mortos aos nossos pecados, na justiça de Deus nós vivamos. Por suas chagas nós fomos curados.” (1 Pe 2,24).

 

Ouça também: Querigma: Como podemos perceber o amor de Deus por nós?

 

“Amor só se paga com amor” (São João da Cruz). E o amor a Deus deve ser absoluto. Deus não nos ama parcialmente.

Isto nos leva a desejar Deus com sede e fome: “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus!” (Sl 41,2).

São Paulo explicou bem como deve ser a nossa retribuição ao amor de Deus por nós:

 “Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (Cor 10,31).

“Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Col 3,17).

Jesus viveu para fazer o que Deus queria Dele: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4,34).

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Mas é preciso dizer que, embora Deus seja ciumento, Ele não nos agride e não nos obriga a amá-Lo. Ele nos acompanha, sonda-nos, chama-nos sem cessar, e espera que abramos o coração a Ele. Jesus disse que está à porta e bate; quem abrir ceiará com Ele. Tem ceia melhor?

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



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Sábado, 25 de Março de 2017
PAULO R. LABEGALINI - DÊ CARINHO A QUEM VOCÊ AMA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um senhor idoso entrou apressado num táxi e foi dizendo ao motorista:

– Leve-me rápido à Clínica de Repouso Bom Jesus, por favor.

Ansioso por chegar logo, após cinco minutos de corrida, ele novamente falou:

– Não há outro caminho onde o trânsito esteja melhor?

– Vou sair desta avenida em breve, mas, diga-me, sua visita à clínica é urgente?

– Sim, e hoje estou atrasado.

– Desculpe-me perguntar, mas é algum parente seu que está internado?

– Minha esposa. Ela tem Mal de Alzheimer há cinco anos e eu nunca deixei de ir vê-la um só dia no horário certo. A doença já avançou muito e ela não me reconhece mais.

– Não estou entendendo! Se ela não sabe quem o senhor é, por que a pressa?

– Porque eu sei quem ela é.

Leitor, não dá vontade de conhecer o tal velhinho para lhe dar um abraço? Quantas pessoas com esse espírito de amor ao próximo existem no mundo? Bem, se todos os vicentinos corresponderem à causa que abraçaram, só aí já são mais de quinhentos mil! Isso é muito pouco comparado aos bilhões de habitantes do planeta, não? E se juntássemos nessa conta todos os cristãos? Infelizmente, isso é uma utopia.

Eu sempre digo que não é fácil fazer caridade, porque, se fosse, todos fariam! Veja o que o patrono dos cursilhos de cristandade, São Paulo Apóstolo, disse aos fiéis de Corinto (I Cor 13), indicando o caminho mais excelente de todos:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento aos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!

A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa, não é arrogante, nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará... Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade, porém, a maior delas é a caridade”.

Você pratica essa caridade perfeita? Eu pretendo chegar a isso, mas ainda falta muito; só que, a cada dia, tento melhorar um pouco mais e, com a ajuda dos anjos e santos de Deus, vou chegar lá! Se não rezarmos, nos esforçarmos e confiarmos, nunca chegaremos.

O amor é o dom maior que o Criador nos deu e quem o coloca a serviço do bem, será muito recompensado. E embora o prêmio final seja uma morada no Céu, Deus nos dá sinais, mostrando que estamos no caminho certo. Vejo isso através do carinho que tenho recebido por onde passo.

Quem é humilde de coração e age com simplicidade para promover a vida, só tem a ganhar. Eu até acho que aprendi isso um pouco tarde, mas, como dizem, antes tarde do que nunca! Hoje, vejo que meu pai era assim, minha mãe é assim, e eu acabei precisando errar muito para aprender. Digo a todos que o exemplo de Nossa Senhora precisa ser seguido para permitirmos que a caridade frutifique.

Há uma historinha que contamos às crianças, relatando um caso atípico no Céu. Aconteceu, certa vez, que São José ficou preocupado ao ver pessoas estranhas no Paraíso e resolveu checar. Então, descobriu que todos os dias havia gente saindo do purgatório antes da hora e, sem a sua permissão, entravam felizes no Céu; mas, por onde passavam se ele próprio tomava conta do portão? Depois de muito andar, constatou que sua esposa ajudava os devotos a pularem o muro lateral!

Bem, logicamente é só um conto, mas, de fato, se não fosse a Virgem Maria, quantos cristãos nem mais teriam amor pra dar! O carinho que ela nos trata contagia a todos! Experimente um pouco mais disso rezando o terço e dando mais atenção a quem você ama. A pessoa pode nem saber disso, mas você demonstrando o seu amor, já será suficiente para um lindo e eterno relacionamento.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 



publicado por solpaz às 19:46
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - OS MEUS MORTOS...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se me ponho a pensar no tempo que passou, salta-me, com imensa saudade, à memória, infindável rosário de mortos.

Tantos, que fico pensativo, a refletir:

Como é possível, Deus meu, ter desaparecido os que partilharam comigo: momentos felizes e infelizes da minha existência?! … Como é possível, que familiares e amigos, que me acompanharam em êxitos e fracassos, tenham-me deixado para sempre?!

Mas é verdade! …

Onde estará, agora, o meu companheiro, inseparável amigo, que calcorreava, quase como peregrino, velhas e típicas ruas da Invicta Cidade do Porto?

Sim; onde estará o fiel confidente, que sem pejo, revelava-me, cenas, episódios, preocupações, enquanto deambulávamos, em sérias e eruditas visitas de estudo, e pesquisávamos as genealogias de nobres e ilustres famílias portuenses?!

Na companhia amiga de Manuel Maria Magalhães (Alpendurada), palmilhei antigas ruas e ruelas da Cidade da Virgem; vielas e becos bafientos, evocativos de personagens camilianas, como Augusta, moradora na rua Arménia.

Onde estará, igualmente, a boa brigantina, que quase diariamente recebia-me na acolhedora salinha, de aconchegante luminosidade, onde, nas tardes frias de Inverno, ardiam brasas enrubescidas, na antiga braseira de cobre?

Era elegante, meiga, sempre com o acalentador sorriso bailando nos bem delineados lábios, cor de morango.

Acolhia-me, carinhosamente, de coração aberto; eu, rapaz despedaçado pelo turbilhão da vida, e receoso de incerto futuro.

Tinha a bondosa senhora, três filhos; cada qual o mais encantador; todos, me transmitiam, animo, frescura e alegria de uma infância feliz.

Amavam-me – disso estou certo, – com a intensidade e ternura das crianças, de coração e alma pura.

Por que têm os jovens de crescerem?

Não seriam mais felizes, mais graciosos, e até, para eles, melhor, ficarem eternamente crianças?

Aos poucos, lentamente, muito lentamente – quase sem se sentir, – tornam-se adultos. Perdem a formosura, as linhas juvenis, a espontaneidade, amolgados pela turbulência da vida e pela sociedade hipócrita e injusta…

Onde estará, agora, também, a boa madrinha Baptista, que tanto gostava de mim; e eu tanto gostava dela?

Visitava-a todos os sábados.

Foi no quintal, da sua casa, onde havia: pessegueiro, que todos os anos se toucava de lindas e graciosas flores cor-de-rosa; glicínia, de cachos roxos, que tudo perfumava; e maciço de roseirinhas-de-toucar, abraçadas a grade de cor parda, que na Primavera desabrochavam em pequeninas flores, aveludadas, brancas como cal, que oloravam, em ondas de perfume, todo o quintal, que passei parte da minha infância… Esse quintalzito era o meu mundo…

Foi com a semanada da madrinha Baptista – chamava-a assim, mas não o era, – que comprei os meus primeiros livros e os meus primeiros chocolates.

Era padre o meu padrinho. Um dia, inesperadamente, recebi um telefonema, convidando-me para passar o mês de Agosto, na sua companhia.

Radiante, aceitei. Sempre desejei viver no campo, entre flores silvestres e animais; entre árvores seculares e searas maduras, prontas para a ceifa.

Nessa encantadora aldeia transmontana, reconheci sobrinho seu. Esbelto rapagão, simpático e delicado.

Com ele, cavalguei entre muros xistosos, por estreitos e agrestes caminhos, que nos levavam a verde prado, que marginava singelo e plácido arroio.

Nele, havia uma vaquinha mansa, de olhos meigos, frondosa figueira, que nos abrigava do sol ardente, e podia-se ver, entre a folhagem, o azul transparente do céu transmontano.

Foram dias de descanso e fraternal convívio.

Meu padrinho faleceu; e o jovem, também. Morreu de morte trágica.

Ambos permanecem no meu coração; sepultados dentro de mim.

Conto, ainda, no imenso rol dos meus mortos, a Maria:

Conheci-a desde a puberdade. Passei, talvez, os melhores momentos da infância, na sua companhia.

Certa manhã abalou para Africa. Carteamo-nos durante meses. Depois casou, e a correspondência extinguiu-se.

Soube da sua morte pelo telefone. Teve prolongada agonia, batalhando com doença, que não perdoa.

Muitas mais figuras partilharam comigo, alegrias e tristezas, ao longo da minha longa existência; mas, as mencionadas, foram as que mais me marcaram, deixando-me na alma, dolorosas cicatrizes, que não desapareceram, porque as gravei dentro de mim.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 19:33
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EUCLIDES CAVACO - ALMA DE POETA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Na celebração de mais um dia internacional da poesia aqui partilho este meu poema que poderão ver e ouvir formatado ou em video , nos seguintes links:
 

https://www.youtube.com/watch?v=78tm82F0RMQ&feature=youtu.be

http://www.euclidescavaco.info/Poemas_Ilustrados/Alma_de_Poeta/index.htm


Desejos dum iluminado dia internacional da poesia.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

***

 

 

 

 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

***

 



publicado por solpaz às 19:27
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