Blogue luso-brasileiro
Sábado, 27 de Maio de 2017
MARIA HELENA PEIXOTO - PAIS E PROFESSORES: PARCEIROS OU RIVAIS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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"Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!"

Paulo Freire

 

 

 

 

 

       Não poderia estar mais de acordo com as sábias palavras de Paulo Freire, seja como mãe de duas meninas de 8 e 10 anos que frequentam o 1º e o 2º ciclo, seja como professora que quotidianamente luta por fazer da escola um local de sã aprendizagem. É fundamental o papel que os pais e encarregados de educação têm em todo este processo educativo.

       Muitas vezes escutamos relatos em que pais e professores parecem fazer parte de “barricadas” diferentes e se debatem como se de rivais se tratasse. Mas afinal não trabalham ambos para um bem comum? Na escola, como em casa os pais têm um lugar. No entanto, têm também um papel fundamental no âmbito das responsabilidades: criar, sociabilizar, estimular, apoiar, participar.

      A escola para todos é escola de todos, inclusiva, participativa, partilhada. Esta escola, que queremos democrática, faz-se com todos os participantes no processo educativo. Está consagrada na Constituição da República Portuguesa a responsabilidade dos pais na educação dos filhos. E o regime jurídico de gestão e autonomia das escolas reconhece aos pais o direito de participar na vida escolar dos filhos e consequentemente na vida das escolas.

      Está também na legislação o direito dos pais se associarem para objetivos comuns em tudo o que concerne à educação dos seus filhos.

     No entanto, a maioria dos pais apenas vai à escola para saber dos seus próprios filhos, sendo que um grande número se limita a escutar e outros (normalmente os que mais necessitariam de estar presentes) são continuamente convocados e nem sequer aparecem.

     O que motiva então aqueles que, prejudicando muitas vezes a sua vida familiar, fazem diferente? Não é um emprego ou part-time remunerado… não é sinónimo de “jobs” ou carreira politica… então o que motiva estes pais a “perderem” fins-de-semana inteiros a pintar muros, consertar janelas na escola, ou participar em reuniões, por vezes até noite dentro, com os órgãos de gestão das escolas? Serão membros de alguma espécie humana estranha? Como já ouvi questionar… Não são “egos” ou vontade de se destacarem no ambiente escolar… Esta forma de agir diferente é cidadania ativa, voluntariado parental.

      Numa sociedade cada vez mais egoísta e centrada no próprio umbigo, onde o individualismo, a competitividade e o efémero são os mestres, estes pais, exemplo de altruísmo, que assumem um dever de consciência cívica são um farol no processo educativo. Sendo que muitas vezes nem nos damos conta que com a nossa postura e o nosso exemplo estamos a educar. Já Esopo dizia “Não se podem censurar os jovens preguiçosos, quando a responsável por eles serem assim é a educação dos seus pais”.

       Serão as pessoas diferentes, possuindo umas o dom para a generosidade, enquanto outras se fecham em si próprias, acomodando-se, egoístas?

      Como dizia António Amaral, dirigente da Fersap, “Os valores da cidadania, da solidariedade, da partilha e da responsabilidade aprendem-se na família, como cultura geracional. Mas ninguém nasce educado e esta responsabilidade é de todos. A escola também tem o papel de incentivar estes valores, incluindo estas matérias nos currículos e nos projetos, promovendo iniciativas e atividades de modo a que as crianças aprendam a viver em sociedade.

      Há que, também, ter em conta que em Portugal há dois milhões de pessoas a viver com um rendimento inferior à média. Na população adulta 59% tem apenas a antiga 4.ª classe ou menos. É uma situação social confrangedora com reflexos na educação dos filhos e na participação na vida da escola e da sociedade.” É importante educar para os valores humanos, para a compreensão que dependemos todos uns dos outros, que, infelizmente, não nascemos todos iguais.

      Como docente é comum identificar, com relativa facilidade, os alunos cujos pais estão mais envolvidos no quotidiano escolar, apenas pela sua postura e atitude na sala de aula. E faz toda a diferença e nem nos damos conta que estamos a educar com isso para a cidadania.

     A escola pode e deve ser um espaço de exercício da cidadania, se promover a democracia participativa, construindo relações de interdependência geradoras de emancipação. É necessário: organização, descobrindo formas criativas e diversificadas de funcionamento que lhe confiram autonomia e identidade própria; metodologias, potenciando a diversidade; intenção estratégica.

     Assim sendo, dará a escola de hoje apenas formação ou também educação?

      Falar do papel das associações de pais hoje é falar de um elemento indispensável no processo educativo. Curiosamente, ainda escutamos muitas vezes comentários de crítica ao papel interventivo dos pais na educação. Como mãe, considero fundamental que os pais e encarregados de educação sejam ouvidos no processo ensino-aprendizagem. Quem melhor que nós deve saber o que quer para o futuro dos nossos filhos? Como educadora recordo que já Pitágoras dizia “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. É que transmitir um conjunto de conhecimentos não é o mesmo que educar para criar cidadãos interventivos na vida e na sociedade.

       O nível socioeconómico tem sido apontado na literatura em geral como um dos indicadores do envolvimento parental nas escolas. Na medida em que os alunos provenientes de famílias desfavorecidas têm mais risco de insucesso académico, o maior afastamento das famílias em relação à escola torna-se um fator perpetuador de desigualdades sociais.

        É pois necessário envolver as famílias no processo educativo e na relação destas com a escola. Envolvê-las significa ajudar a ultrapassar dificuldades e melhorar o sucesso educativo e escolar dos seus educandos. É com a escola e a família que a criança desperta a sua curiosidade e desejo de aprender, logo é impensável que ambas andem de costas voltadas.

      Muitos têm sido os exemplos de sucesso deste envolvimento. Desde pais que reparam necessidades físicas das escolas com vista a melhorar as condições e obter um maior conforto para os seus educandos, a pais que participam ativamente nas politicas educativas locais e nacionais alertando, muitas vezes quando ninguém o faz, para as dificuldades e problemas com que quotidianamente nos confrontamos.

      Se é sucesso escolar e educativo que pretendemos não podemos descurar esta relação fundamental. As Associações de Pais são muitas vezes o elemento unificador e mediador desta relação, na medida em que são elo de ligação entre a escola e os encarregados de educação.

      Por isso ao longo dos anos (como docente e como mãe) venho defendendo iniciativas como Escolas de Pais, voluntariado parental na escola, formação de pais, mas também uma responsabilização dos pais pelo não cumprimento da escolaridade dos filhos. Este deve ser um dos vetores de intervenção na prevenção do abandono escolar.

      Já Ramalho Ortigão dizia que O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho.

   As condições de vida atuais, com situações de pobreza crónicas, os exemplos familiares de subsidiodependência, o stress que está associado ao quotidiano citadino, os duros horários de trabalho, a ausência de rede de apoio na comunidade ou as ruturas familiares deixam claras consequências a longo prazo, não só para as crianças ou jovens e suas famílias mas na sociedade em geral.

     E se a família é o pilar fundamental para a educação duma criança, a escola é o seu “tubo de ensaio” das primeiras experiências. Se por um lado os professores se vêm diariamente confrontados com o nulo reconhecimento do seu direito de exercer a sua profissão em condições de dignidade, se confrontam com salas de aula repletas, problemas graves de indisciplina e agressões; por outro lado, os pais também se confrontam cada vez mais com problemas de divórcio, desemprego ou problemas de origens diversas com os filhos. Urge pois que se ajudem mutuamente e reforcem parcerias no sentido de criar indivíduos com valores, conscientes das realidades e capazes de pôr mãos á obra por um amanhã diferente. Porque, como dizia Nelson Mandela, recentemente parafraseado pela Nobel da Paz Malala “ a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”.

 

 

 MARIA HELENA PEIXOTO   -   Mãe e Professora, Portugal

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - FESTAS DE JUNHO E A IMPORTÂNCIA DE PRESERVAR NOSSAS TRADIÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir de quinta-feira, entramos em junho com suas festas próprias, trazendo grande alegria e reunindo dança e comidas típicas para homenagear os três santos católicos, Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06). Nelas, a tradição é pular fogueira, dançar quadrilha, tomar quentão, vinho quente e canjica, comer bolo de fubá, pinhão assado, pé-de-moleque, curau, arroz doce, pipoca, milho cozido e tapioca.

Vieram ao Brasil com os portugueses no período colonial. Desde então, os casais fantasiados de caipiras, com chapéus de palhas, seguem a noiva, ao som de músicas características, acompanhadas normalmente de sanfonas, divertindo-se embaixo de bandeirinhas e balões coloridos que enfeitam o “arraiá”.

Embora escassas, as festas juninas, com maior ou menor destaque, ainda são realizadas em todas as regiões do Brasil e representam uma das manifestações culturais brasileiras mais expressivas. No nordeste brasileiro, só a perspectiva de suas realizações transforma as cidades e o espírito das pessoas, que parecem sentir uma irresistível atração e afinidade pelas celebrações.

Na realidade, reitere-se, infelizmente, o ciclo junino em outros locais como São Paulo vem se urbanizando, o que provoca grande perda de sua originalidade, embora ainda se vislumbrem alguns pequenos focos de resistência e nesta trilha, outras ricas manifestações populares também se reduziram de forma significativa, dependentes de poucos entusiastas ou idealistas que procuram mantê-las a qualquer custo.

São pessoas que lutam pela preservação de nosso patrimônio cultural, que não pode padecer pela negligência ou omissão dos próprios brasileiros. Uma situação de interesse por usos, costumes e folclore deveria ser mais desenvolvida nos jovens, que com isso preparariam melhor sua personalidade social já que  propiciam consciência de valores, cultivo da autonomia crítica e sentido de responsabilidade, condições indispensáveis para o exercício da liberdade e da democracia.

E o principal, conhecendo nossas raízes, a juventude encontraria mais qualidade nos aspectos em geral, tanto que nas artes em geral, principalmente nas músicas, parece prevalecer um manifesto péssimo gosto na atualidade. Enquanto não dermos muita importância às circunstâncias de nossa cultura popular, não teremos esperança de que brevemente prevalecerá mais humanismo em nossas relações.

Assim fica a saudade das quermesses nas praças, das festas nas chácaras e sítios, dos ensaios de quadrilhas, dos terços conduzidos por rezadeiras, das fogueiras, das guloseimas típicas e do quentão e principalmente do quanto eram bons tais festejos.

Que tal recuperarmos esse clima, fazendo celebrações para os santos de junho reunindo quem a gente gosta? Dá muito tempo ainda...


 

CONTRA O TABACO

 

O Dia Mundial Sem Tabaco, criado pela Organização Mundial de Saúde é celebrado a 31 de maio e objetiva  alertar a população para os malefícios do tabaco e sensibilizar para a necessidade de proteger as pessoas para que não fumem por tabagismo passivo. O seu consumo  é uma das principais causas de doença e de mortalidade prematura em todo o mundo.

 

MOMENTO POÉTICO

 

“Senti, ao ver-te passar,/ qual noite de São João./
Foguetes no teu olhar,/ fogueira em meu coração” (Serra)

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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             A despeito das críticas de alguns mais conservadores, por vezes avessos à tecnologia,  gosto das redes sociais. Acredito, contudo, que devam ser usadas com moderação, tal como  deveria ser com todas as coisas, aliás.

            Ainda que eu não tenha nascido na era das inovações tecnológicas, ao menos aquelas de uso pessoal, tão logo conheci os videogames fui arrebatada e, de lá para cá, tenho usado todas as novidades que estão ao meu alcance. Gosto de celulares, tablets, computadores pessoais, leitores de livros e de grande parte dos aplicativos disponíveis, sejam úteis ou para recreação. A grande questão é que não sou escrava disso. Minha vida fora das máquinas  não perde espaço para o que não é real. Complementam-se, assim, o real e o virtual e a oportunidade de poder ver tudo isso, para mim, é algo incrível.

            Por conta disso, por considerar que o virtual não pode ser dissociado completamente do real, busco que, nas redes sociais, eu seja coerente com o que sou de verdade. Não tenho fotos corrigidas, até porque nem sei como se faz, bem como manifesto-me com o mesmo senso de comprometimento que tenho em relação ao que sai diretamente dos meus lábios. Assim, sei que minhas palavras podem ofender, magoar terceiros que, por detrás dos computadores, são pessoas de carne e osso. Sem dizer que não posso desconsiderar os riscos de responsabilidades jurídicas imputáveis nos casos de excesso.

            Não são raras as vezes nas quais eu discordo do que alguém posta no facebook por exemplo. Só que se a pessoa o faz na página, no espaço dela, qual direito me assiste de ficar impondo minha opinião? Nenhum, por óbvio. Qual direito eu tenho de atacar a opinião alheia e de rotular a pessoa de ser isso ou aquilo? Absolutamente não tenho! Então, claramente não o faço. Não é, entretanto, o que acontece no meu espaço, ironicamente.

            Sabendo que muitos acreditam que o fato de estarem supostamente ocultos pelo teclado o transforma em inatingíveis, já evito postar assuntos polêmicos como política e religião, por exemplo. Vez ou outra, entretanto, aventuro opinar sobre algo assim, mas logo me arredondei de fazê-lo. Registro que não se trata da intolerância de receber posicionamentos contrários, desde que isso seja feito com respeito, é claro. Considero que os espaços virtuais que possuo são democráticos, inclusive. Gosto de conhecer pontos de vista diferentes e os respeito, sempre parando para pensar se posso aceita-los como razoáveis, se podem abalar minhas convicções.

            Penso que é importante expandir os horizontes, estar atenta os fato de que posso estar muito errada e mesmo que eu não concorde com alguns comentários, deixo que lá fiquem, como mostra da diversidade de pensamentos. O que não posso admitir é a agressão, quase sempre gratuita, através de comentários que beiram o fanatismo, de gente que defende um ponto de vista de forma cega, radical, sem sequer considerar remotamente a chance de as coisas não serem exatamente daquela forma.

            O pior, segundo me parece, é que se esquecem de que, enquanto debatem questões políticas, acertos e erros de figuras nacionais, vão quebrando os delicados vínculos da amizade, do coleguismo. Tudo se torna pessoal na internet, mas nada parece levar em conta, paradoxalmente, as pessoas envolvidas. Tenho resistido ao máximo excluir pessoas que um dia adicionei ao meu perfil como amigos, até porque não aceito quem não me seja familiar de algum modo, mas tenho considerado fazer isso em alguns casos, tamanha a veemência, a ironia e a falta de educação que alguns tem empregado.

            Um exemplo recente disso foi quando comentei que não aceito protestos, manifestações públicas que se tornam simples vandalismo. Só faltou me chamarem de idiota, de vendida, de ingênua e alienada. Parece que ou se aceita tudo ou se é alguém indigno. Desculpem-me os defensores da violência gratuita, mas sou uma pacifista, não uma alienada. São coisas diferentes, assim como há diferentes formas de reagir ao mal.

            Ademais, não espero estar certa. Somente exijo o respeito de ser quem eu sou, de defender meus pontos de vista sem ofender ninguém, ainda mais na casa (perfil) dos outros. Tanto se reclama de violação de direitos, mas pouco se respeita a liberdade de expressão alheia...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DA RUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Faz tempo, mas muito tempo mesmo, que converso com gente que perambula pelas ruas; gente que nasceu e cresceu nas beiradas do mundo. Muitos deles vieram de margens distantes, à procura da atmosfera ilusória dos grandes centros urbanos, movidos pela expectativa de uma vida melhor e se desencontraram em periferias que estrangulam a dignidade.
Recordo-me de um marinheiro, que por aqui passou no início da década de 80, carregando somente uma garrafa com um barco dentro, feito por ele em período de cárcere. Abordou-me para solicitar um copo de água e foi desenrolando a carta de sua história, escrita no vai e vem das ondas do mar. Seguia a rota de sua cidade de origem, a pé ou de carona, na esperança de encontrar o filho que deixara menino no colo da mãe, a fim de pedir que os dois lhe concedessem o perdão pela ausência – diante do Céu já se dobrara. Aos dois, como lembrança de suas viagens, a garrafa desguarnecida de aguardente.  Em seguida, prosseguiria em direção à torre abandonada do farol de um porto, para ali acender uma lamparina. Lá, de onde partira outrora, aguardaria o apito final, talvez muito próximo, pois a doença, que carregava, não tinha cura. Seu olhar era um misto de oceano, grades, melancolia, de aves oceânicas em migração. Chorei com ele.
Há poucas semanas, um moço, de fisionomia distante, com um cabo de vassoura no ombro, em cuja ponta havia uma trouxinha, me pediu uns trocados. Perguntei-lhe sobre o seu destino. Com o queixo, apontou-me o horizonte. Em seguida, murmurou que buscava o túmulo do pai, para acender uma vela e enfeitá-lo com conchinhas brilhantes que recolhera nas praias pelas quais passara. Murmurou e se fez distância.
Juntei os dois, embora creia que nada possuam em comum, a não ser referências marítimas. Uma pequena chama para acender no anseio  de cada um deles.
 Prosseguir na luz e não se acovardar com a escuridão dos trajetos, eis o essencial.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



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SONIA CINTRA - QUANTOS ANOS TENHO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Outro dia recebi pelo WhatsApp de uma jovem professora do Ensino Médio, participante do Clube de Leitura-CJ, o texto de José Saramago, transcrito a seguir.

“Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo. Tenho os anos em que os sonhos começam a trocar carinhos com os dedos e as ilusões se transformam em esperança. Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia. Quantos anos eu tenho? Não preciso de números para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho, ao ver meus sonhos destruídos…Valem muito mais que isso. Não importa se faço vinte, quarenta ou sessenta! O que importa é a idade que eu sinto. Tenho os anos de que preciso para viver livre e sem medos. Para seguir sem medo pelo caminho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios. Quantos anos tenho?  Isso não importa a ninguém! Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto”.

O texto do Nobel de Literatura me faz refletir sobre várias questões, dentre elas sobre o tempo que passa, sobre a idade que avança e sobre os receios que ela traz a reboque, sobretudo a solidão, a doença e a morte. Diria, sobre o tempo que passa deixando marcas, pedrinhas coloridas, que podem apontar caminhos para outros na senda da vida; sobre a solidão, às vezes, tão desejado momento de estar a sós consigo para reviver lembranças e descartar desilusões; sobre a doença, a dor causada e o transtorno alheio; sobre a morte, o preparo consciente para a despedida dessa jornada, e quiçá, ingresso na próxima, tendo em vista a espiral ascendente da evolução moral. No mais, os valores adquiridos na convivência e aprendizado com pessoas de bom senso, bom coração, boas intenções e boa vontade tornam-se parâmetros do amor que a tudo ilumina.

Se o tempo pudesse realmente ser medido por presente, passado e futuro, diria que somos nós quem por ele passamos, carregando a bagagem dessa humanidade de que somos constituídos e com os olhos voltados para o além que move nossos passos, ergue nossa cabeça e expande nossa chama interior até as raias do atemporal. Saramago, com sua sinceridade transcendente, não só decreta sua liberdade para fazer o que sente e quer, como nos estende a mão, através da escrita, para a viagem no tempo.

 

 

 

SONIA CINTRA    -    É doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental, ensaísta e articulista de jornais, revistas e blogs nacionais e internacionais. Tem 13 livros publicados com tradução para o italiano, francês e espanhol.

 



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JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - A IGREJA E O EXORCISMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Na Instrução sobre o exorcismo, datada de 24 de setembro de 1985, assinada pelo Cardeal Joseph  Ratzinger, o qual seria sucessor do Papa São João Paulo II, está clara a posição da Igreja. Esta Instrução lembra o cânon 1172 do Código de Direito Canônico  que declara que a ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas, a não ser que o Ordinário do lugar tenha concedido peculiar e explícita licença para tanto. Determina também que esta licença só pode ser concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria, prudência e integridade de vida.  Conclui então a Instrução que “destas prescrições, segue-se que não é lícito aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão XIII; muito menos lhes é lícito aplicar o texto inteiro deste exorcismo” Pede então que. “os  Bispos tratem de admoestar os fiéis a propósito, desde que haja necessidade”. Acrescenta a referida Instrução  que “pelas mesmas razões, os srs. Bispos são solicitados a que vigiem para que - mesmo nos casos que pareçam revelar algum influxo do diabo, com exclusão da autêntica possessão diabólica - pessoas não devidamente autorizadas não orientem reuniões nas quais se façam orações para obter a expulsão do demônio, orações que diretamente interpelem os demônios ou manifestem o anseio de conhecer a identidade dos mesmos” Entretanto conclui a Instrução que a.” formulação destas normas de modo nenhum deve dissuadir os fiéis de rezar para que, como Jesus nos ensinou, sejam livres do mal (cf. Mt 6,13)” . Na verdade  o  cristão deve sempre se lembrar de que para trunfar do demônio nada melhor do que a frequência aos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia e a invocação de Nossa Senhora, dos Anjos e dos Santos, Estas são as armas da luz no combate ao espírito das trevas. Nuca se medita demais sobre as palavras de São Pedro> “Sede sóbrios e vigiai! O vosso adversário o diabo, rodeia-vos como leão que ruge à procura de que devorar. Resisti-lhe firmes na fé” (! Pd 5,8-10). Trata-se de uma fera açulada que é vencida pela mortificação e pelas preces confiantes. Nos momentos de tentação é dizer a Cristo: “Senhor, eu confio em vós”. * Professor no Seminário de Mariana durame 40 anos.

 

 

 

JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -   Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 



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FELIPE AQUINO - A IMPORTÂNCIA DA MATERNIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Papa Paulo VI disse a um grupo de casais que: “A dualidade de sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem a imagem de Deus, e, como Ele, nascente da vida”. Isto é, doando a vida, o casal humano se torna “semelhante” a Deus Criador. Pode haver missão mais nobre e digna do que esta na face da terra? Ensina a Igreja que “o homem é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS,24). Tudo o mais foi criado para nós.

O Catecismo da Igreja ensina que: “A fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende a ser fecundo. O filho não vem de fora acrescentar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização.” (§ 2366).

 

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 “Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder criador e da paternidade de Deus. Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e de educar – o qual deve ser considerado como missão própria deles – são cooperadores do amor de Deus criador“ (§ 2367).

“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC, 2373; GS, 50,2). “Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (§ 2378).

Será que acreditamos de fato nessas palavras da Igreja? Lamentavelmente estabeleceu-se entre nós, também católicos, uma cultura “anti-natalista”. O Salmo 126 diz com todas as letras: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu sua aljava…” (Sl 126, 3-5).

 

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Leia também: Mãe, consolo de Deus

O papel da mãe na criação dos filhos

A Importância da mulher na família

O poder da oração de uma mãe

Não é fácil ser Mãe!

 

 

Jamais a mulher poderá se realizar mais em outra vocação do que na maternidade. É aí que ela coopera de maneira mais extraordinária com Deus na obra da criação e, consequentemente, é aí que ela encontra a sua maior realização. São Paulo afirma a Timóteo que: “A mulher será salva pela maternidade” (1 Tm 2,15). Isto não quer dizer que a mulher que não é mãe não se salva; mas o Apóstolo quer mostrar a força santificadora da maternidade. E há também as mães do “coração”.

Deus quis que cada filho fosse gerado no ventre de sua mãe; até mesmo o Verbo encarnado. A missão da mãe está ligada diretamente à vida. Ela gera e educa o filho para a sociedade e para Deus. Por isso, a maior contradição é uma mãe abortar seu filho.

A mãe é a primeira educadora do homem; ela o molda para viver as virtudes, o amor ao próximo, a civilidade, e desenvolver todos os seus talentos para o bem próprio e dos outros.

 

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“Educar é uma obra do coração”, dizia Dom Bosco, por isso a mãe tem o primado do amor. Com paciência e perícia ela vai tirando os maus hábitos do filho e fomentando as virtudes dele. Michel Quoist afirmava “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus”. É na educação dos filhos que se revelam as virtudes da mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida. Sem experimentar o amor materno o homem futuro será triste. É no colo da mãe que a criança aprende o que é a fé, aprende a rezar e a amar a Deus e as pessoas. É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo materno que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e a não desprezar ninguém.

A maternidade é o amor de Deus encarnado na mulher.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O VELHO DO RESTELO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diz Camões, nos Lusíadas - C. IV. Est. 94 - 104 - que, quando as naus partiam para os descobrimentos de novas terras, havia um velho, respeitado, que falava em alta voz.

Essa voz, personalizada no “ Velho do Restelo”, era a dos imensos portugueses, que consideravam as aventuras desastrosas para Portugal e para o povo.

Eram desastrosas, porque levavam do reino: dinheiro e vidas; e o proveito era apenas: fama e vaidade, daqueles que se meteram a tão” desvairada” empresa.

O “ Velho do Restelo” personifica, hoje, tudo que é contrário ao progresso. Apesar de retrógrado, é, também, a voz daquele que se baseia na experiência, acumulada ao longo de gerações e gerações.

Decorridos centenas de anos, os que não se encontram enfezados a ideologias, e se orgulham de pensarem pela sua cabeça, concluem, por certo: que o “ Velho do Restelo” tinha razão.

O que ganhou Portugal com os descobrimentos? Pouco, muito pouco. Para além de cobiça e inveja, de outros povos, guerras e perdas de vidas.

Morreram em naufrágios e contendas com indígenas; e, foi também, com perdas de sangue, que se perdeu o Império, deixando ao abandono, milhares de portugueses inocentes…

Depois de David Livingston haver percorrido, para evangelizar, os africanos, e ter verificado as enormes riquezas, que possuíam, a cobiça, iniciou-se. Tanto mais, que o jornalista americano Stamley, não se cansava de as divulgar.

O “ Direito Histórico”, ou seja: os territórios descobertos e reconhecidos pertença a uma nação, deixaram de ser válidos - segundo a Conferencia de Berlim. Apenas seriam, se fossem efetivamente ocupados.

Isso permitiu, às nações poderosas, assenhorearem-se das terras mais ricas, argumentando que não estavam efetivamente ocupadas.

Depois… Depois, é o que se sabe: revoltas de indígenas, instigados por países “ amigos”, que levaram vidas e dinheiro…acabadas por exigências diplomáticas.

Por fim, as novas potências, reconhecendo o valor do petróleo e dos diamantes, além de outras riquezas, deram o “ assalto” final….

Eram os “ Ventos da História”; eu diria: “ Ventos da Cobiça”. Portugal tentou resistir, aguentar, mas nada Lhe valeu.

Mesmo que ganhasse no campo de batalha, perderia na diplomacia…Eram os “ Ventos da História”; e contra ventos e tempestades, nada há a fazer…

Afinal o “ Velho do Restelo”, tinha razão: Perdeu-se o Império; perderam-se vidas e dinheiro; e ficamos tão pobres - ou ainda mais, - como éramos ao iniciar as aventuras dos descobrimentos…

Ficou o orgulho e a fama, como dizia o “ Velho do Restelo”.

A voz do povo tem sempre razão.

Como seria Portugal e o Mundo, se tivessem ouvido esse “ Velho”?

Seriam, certamente, outros povos, outras gentes, a realizarem as aventuras…

Mas o Mundo seria o mesmo?

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto. Portugal



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PAULO R. LABEGALINI - EM BUSCA DO TESOURO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Você se lembra quando a maioria das famílias tinha em casa um quadro do Sagrado Coração de Jesus? Quanta gente passou a infância sob as bênçãos do Sagrado Coração! E você sabe por que as famílias costumavam ter esse quadro? Por causa da promessa que Jesus fez no século XVII,  numa aparição a Santa Margarida Maria Alacoque, dizendo: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem do meu Coração”.

Portanto, num lugar que tem a bênção do Coração Divino, as provações são mais suportáveis e as soluções mais visíveis. Ele prometeu também: ser o próprio consolador de seus fiéis nas aflições; abençoar nossas empresas; nos conceder graças particulares nas necessidades maiores; restabelecer a paz nas famílias; e gravar no Coração o nome de quem propagar sua devoção.

Eu tento fazer a minha parte para que o meu nome permaneça gravado para sempre. Além de receber a sagrada comunhão, exercito a mais eficaz forma de mostrar o meu amor pelo Senhor: rezando o terço. Contemplando os mistérios, vejo que o amor do Sagrado Coração predomina em todos. Por isso, tenho recomendado que nos aproximemos de Deus pela Eucaristia e pelo Rosário.

Quando Nossa Senhora é invocada sob vários títulos, recorremos ao amor daquela que resume todo o bem e todo o encanto das perfeições criadas no mundo. Ninguém melhor do que a Virgem Maria para interceder por nós e conseguir do Filho graças abundantes de conversão, de perseverança e de paz a cada dia. Se a imitássemos um pouco mais, conseguiríamos não recusar o serviço gratuito e sempre dizer não ao pecado.

Infelizmente, existem pessoas do tipo ‘mais ou menos’. São: mais ou menos boas, mais ou menos caridosas, mais ou menos sinceras, mais ou menos comprometidas com os deveres cristãos, observam mais ou menos os mandamentos de Deus etc. Agindo assim, será que após a morte conseguirão viver num lugar mais ou menos igual ao Céu? É bom lembrar que o nosso Criador não é mais ou menos justo!

Agora, se você não veste a carapuça do ‘mais ou menos’, espero que esteja mais para ‘mais’ do que para ‘menos’, no seguinte sentido: perdoar a todos, não levantar falso testemunho, praticar caridade sem exclusões, dar prioridades às coisas espirituais, evangelizar com compromisso assumido em pastorais e ser fiel aos ensinamentos da fé católica. A pessoa que for promotora da paz, também a terá em abundância porque estará nos caminhos de Jesus em busca do tesouro eterno.

Mas, apesar desta minha convicção, sei que muitos duvidam que Cristo se dá a todos ao mesmo tempo. Pois é, se não procurarem crescer na fé, sempre irão estranhar os mistérios de Deus. O engraçado é acreditarem que há um mesmo sol que entra em todas as casas, mas duvidam que Jesus possa entrar em todas as almas! A esses incrédulos, seria necessária uma bandeira vermelha, como nesta história:

Martinho, maquinista de uma estrada de ferro, tinha explicado à filhinha que, no seu trabalho, a bandeira vermelha significava sinal de perigo, e completou:

– Quando vejo a bandeira levantada, paro a locomotiva para não acontecer um grande desastre.

No dia seguinte, a criança viu sua mãe chorando porque o marido voltara a beber e poderia perder o emprego. Então, a menina correu no quarto, pegou a bandeira vermelha e, quando o pai chegou em casa, ela levantou o sinal de perigo quando o viu abrindo uma cerveja. Comovido, Martinho a abraçou e prometeu não mais exagerar na bebida.

Este conto serve também para refletirmos o poder de uma criança. Assim como ela pode colocar fogo num edifício, é igualmente capaz de amolecer os corações endurecidos pelo pecado. Sua inocência possibilita conduzir muita gente aos caminhos do amor, não é verdade?

Quem vive a pureza de uma criança, sem destaque e egoísmo, serve a Deus construindo uma catedral ou varrendo o chão. Com amor no coração, as duas coisas têm o mesmo valor no serviço missionário – teremos esta certeza iniciando uma nova vida no Paraíso após a morte!

E concluo com mais esta história:

Um senhor muito ambicioso sonhou que encontrara no campo um grande pote de ferro. Olhando dentro, viu que tinha uma moeda de ouro e, ao pegá-la, imediatamente surgia outra no fundo do pote! Isso o deixou maravilhado e começou a retirar moedas e mais moedas até se cansar. Parou por um momento e percebeu que o pote ficou mais fundo.

Rapidamente voltou a retirar outras moedas, parou mais um pouco... e o pote cresceu! Então, parando outras vezes, permitiu que o pote se tornasse tão grande que não mais conseguia alcançar no fundo. Inconformado por deixar tanto tesouro para trás, passou sua vida ali, apenas vigiando o tesouro.

Da mesma forma, se não aproveitarmos as bênçãos da Sagrada Família, perderemos a oportunidade de usufruir um grande tesouro e estaremos entre os que assumem ser mais ou menos católicos. Olhe para dentro de si e veja se não há uma bandeira vermelha de alerta.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



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JORGE VICENTE - MAIS CONFIANÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                   As saudades que eu sinto,

                   De quando eu era criança,

                   Podem querer, não minto,

                   Foram de muita esperança.

 

                  Os dias eram bem passados,

                  Tudo batia muito certo.

                  Nunca fomos ignorados,

                  Livravam-nos do deserto.

 

                  Hoje, adultos ignorados,

                  Nem tudo é um mar de rosas.

                  Estamos ultrapassados,

                 Transformados mariposas.

 

                 Assim passam as gerações,

                 Confiantes na esperança...

                 De um dia verem as atenções,

                 Viverem com mais confiança.

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

***

 

FALANDO DA HISTÓRIA DO ROTARY NO BRASIL

ROTARY CLUB RIO DE JANEIRO

 

 

Matéria selecionada pelo Companheiro Boaventura Nogueira – Torres Vedras/Lisboa

 

 

 

 

História

 

Em 29 de janeiro de 1921, um grupo de homens de negócios e profissionais liberais fundou, na cidade do Rio de Janeiro, o que pretendia que fosse o primeiro Rotary Club do Brasil. Rotary International, entretanto, ao receber o pedido de filiação do novo clube e verificando a predominância de nacionais de outros países entre aqueles dezessete membros fundadores, desaprovou a sua constituição e sugeriu que viessem a ser convidados mais brasileiros.

Os signatários daquela primeira ata logo se dispersaram e, somente em 15 de dezembro de 1922, quase dois anos depois, veio o Rotary Club do Rio de Janeiro a ser, efetivamente, criado, mediante notável trabalho realizado por Heriberto Percival Coates, então membro do Rotary Club de Montevidéu e representante do Rotary International para a fundação do primeiro clube em país de língua portuguesa. Dentre os seus fundadores, apenas Herbert Moses havia assinado a ata de 29 de janeiro de 1921: Richard P. Momsen, ausente do país, somente ingressou no clube onze meses mais tarde.

Cumpre destacar a atuação de Robert Shalders, secretário geral do clube durante os cinco primeiros anos. Shalders, por seu entusiasmo e persistência, foi, certamente, o grande responsável pela consolidação da nova unidade rotária e o seu grande arquiteto.

A Década de Vinte
Como disse Alberto Amarante em seu precioso livro Contribuição à História do Rotary no Brasil, editado em 1973 ao ensejo do aniversário de cinquenta anos do Rotary Club do Rio de Janeiro, pouco se sabe das atividades do clube durante os dois anos iniciais de sua vida, pois os seus anais somente começaram a ser escritos em 14 de novembro de 1924, com a publicação do primeiro boletim de suas reuniões, na época chamado Notícias Rolarias. A partir de então e até hoje, as atas dos trabalhos do clube vêm registrando, cuidadosamente, os fatos mais notáveis ocorridos em nossa cidade e no próprio país. A constatação de haver o clube preservado esse acervo já evidencia um relevante serviço prestado à cultura brasileira, pois os acontecimentos ali relatados, muitos dos quais não perpetuados alhures, demonstram que os primeiros rotarianos, e os que os seguiram, além de vivenciarem episódios históricos importantes, sobre eles exerceram, algumas vezes, fundamental influência, estimulando-os, motivando-os e, até mesmo, provocando-os.

Na verdade, o Clube do Rio foi criado em época de grandes transformações.

Na velha Europa, o espetro da guerra parecia estar definitivamente afastado e os estadistas, debruçados sobre as mesas de negociações, teciam acordos e tratados, com os quais acreditavam assegurar a paz por que ansiava uma humanidade tão sofrida.

Erasmo Braga, em nosso clube, acompanhava de perto todas essas tratativas, apoiando-as ou criticando-as, mantendo os seus companheiros sempre bem informados.

O ano de 1922, que viu surgir o rotarismo no Brasil, foi particularmente significativo. Em São Paulo, na Semana de Arte Moderna, os artistas e intelectuais brasileiros rompiam com os estilos tradicionais, numa demonstração da maturidade da cultura de vanguarda em nosso país. A preocupação com a arte, no terreno da música, da pintura, da caricatura, da literatura, da poesia e do teatro, foi sempre uma constante entre os rotarianos. Todas as nossas grandes festas, como se verá adiante, foram sempre emolduradas com representações artísticas dos maiores nomes da cultura brasileira, como Coelho Netto, Eleazar de Carvalho, Villa-Lobos, Bensazoni Lages, Stella Leonardos e tantos e tantos outros.

Mas tínhamos também nossos próprios artistas: Lucílio de Albuquerquer e sua esposa Georgina, cujos quadros acham-se ainda expostos no Museu de Arte Moderna, como obras características da pintura brasileira do século XX; Mattos Pimenta, o reformador da cidade; José Marianno Filho, que cuidava da preservação de nosso patrimônio histórico, opondo-se a todos que o quisessem ameaçar, inclusive a Lúcio Costa, que, no seu entender, estava trazendo para o Brasil uma arquitetura inadequada ao nosso clima; Rodrigo Octavio Filho, o grande acadêmico e orador; Raul Pederneiras, o mestre da caricatura no Rio de Janeiro; Bastos Tigre, o poeta, somente para citar os primeiros.

Em nossa cidade, um novo Rio surgia em contraposição ao velho Rio das epidemias, que, antes, até mesmo, lhe valera o apelido de "cidade necrópole." A obra de Pereira Passos e de Oswaldo Cruz havia resultado numa metrópole saneada, com seus jardins, praças e boulevards clamando para serem exibidos a quem aqui chegasse.

Para tal, um singular evento havia sido concebido, uma grande festa internacional, destinada a congregar gentes de toda a parte, a pretexto de se celebrar o aniversário de cem anos do Grito de Ipiranga. E foi certamente durante a grande Exposição do Centenário, em 1922, que os rotarianos fundadores, percorrendo encantados os imponentes pavilhões de cada nação, construídos especialmente na área que se tornou disponível com o desmonte parcial do morro do Castelo, encontraram inspiração para convencer empresários e governo a organizar, anos depois, um novo evento internacional, este já voltado, então, para- a divulgação de nossos produtos e de nossa potencialidade econômica. A Eeira de Amostras do Rio de Janeiro, a primeira que se realizou no Brasil, perseguida que foi pêlos rotarianos durante alguns anos, insere-se no rol das grandes realizações do Rotary do Rio de Janeiro em prol do desenvolvimento do Brasil. E quando a idéia finalmente se concretizou, foi no Pavilhão da Argentina que se fez realizar, no dia da inauguração, a reunião semanal do Conselho Diretor de nosso clube.

No campo da política, nesse mesmo ano, era fundado o Partido Comunista Brasileiro, cuja ideologia, por abrigar a privação da liberdade e a supremacia do Estado sobre os direitos dos cidadãos, esfacelou-se antes mesmo do final do século, em decorrência da explosão do império soviético. E, certamente, as gerações futuras irão aprender, no grande livro da História, que o ideal rotário de "Servir, Antes de Pensar em Si" maiores benefícios vem trazendo para a humanidade do que as convicções políticas radicais e o fanatismo religioso, advindos eles da direita ou da esquerda.

A década de vinte foi, também, a época das grandes aventuras aéreas, em que os heróis alados, "por ares nunca dantes navegados", ousaram rasgar céus e nuvens, mostrando aos pobres mortais que, maravilhados, os contemplavam, que o homem se tornara em um novo pássaro a voar, mas, nas palavras do poeta, num "pássaro com alma." Gago Coutinho, que naquele mesmo memorável ano de 1922 realizara a primeira travessia aérea sobre o Atlântico Sul, unindo o Tejo à Guanabara, para glória da brava gente lusitana, sempre que esteve no Brasil, freqüentou as reuniões de nosso clube. Seus relatos entusiasmavam a todos e, saciando a sede dos rotarianos com relação às novas aventuras aéreas, permitia que se acompanhasse, mais de perto, os reides de Ramon Franco, Pinedo, Del Prete, Lindenberg e tantos outros. Na década seguinte iria Gago Coutinho trazer-nos o Dr. Ugo Eckner, que, comandando o Graff Zeppelin, chegava ao Rio navegando com o sextante inventado por seu amigo almirante português e, podemos dizer, seu anfitrião em nosso clube. O interesse pelo dirigível foi tanto, que alguns rotarianos e jornalistas brasileiros logo se propuseram a viajar pelo mundo naquela aeronave sem asas, entre eles Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, a Rainha dos Estudantes, esposa de nosso companheiro Marco Carneiro de Mendonça. Mais tarde, ainda com a lembrança viva das imagens deslumbrantes que, lá dos céus, pôde ver, escreveu um livro chamado Quatro Pedaços do Planeta no Tempo do Zepelim, em que divide com quem quer que o leia aquela bela e singular experiência.

O amor pela aviação não durou apenas uns poucos momentos. Logo os rotarianos perceberam que estavam no limiar de um novo tempo e para que não se sentissem ultrapassados, logo propõem como sócios do clube dois grandes aviadores do Brasil: Godofredo Vidal que, poucos anos antes, participara do histórico reide sobre os Andes, e António Guedes Muniz, hoje considerado o Patrono da Indústria Aeronáutica Brasileira. Quantas e quantas reuniões plenárias de nosso clube foram enriquecidas com palestras sobre aviação. 

 

 

 

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https://sol.sapo.pt/noticia/564979/brasilia-protestos-terminam-com-exercito-nas-ruas-49-feridos-e-oito-detidos-

 

 25 de maio 2017

 

Brasília. Protestos terminam com exército nas ruas, 49 feridos e oito detidos

 

Manifestação contra Temer na capital brasileira desencadeou confrontos violentos e atos de vandalismo nas ruas e em edifícios de alguns ministérios. Presidente convocou Forças Armadas para conter a violência

 

 

António Saraiva Lima
antonio.lima@newsplex.pt

 

Convocada pelas centrais sindicais brasileiras para reivindicar a demissão de Michel Temer e protestar contra reformas da Previdência social, a manifestação que teve lugar ontem em Brasília deveria ter ocorrido de forma pacífica. Mas passada apenas uma hora do início dos protestos – que duraram quatro horas, entre as 13h30 e as 17h30 locais (mais quatro horas em Portugal continental) – a zona da Esplanada dos Ministérios já estava transformada num verdadeiro palco de guerra, que apenas voltou à normalidade quando o presidente autorizou o destacamento das Forças Armadas para o local.

De acordo com a organização dos protestos, participaram na manifestação mais de 100 mil pessoas, embora as autoridades brasileiras falem em cerca de 35 mil. O início da violência terá começado quando um grupo de manifestantes começou a lançar garrafas contra a polícia que bloqueava o acesso à área mais próxima do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. O “Estado de São Paulo” refere que os agentes responderam com gás e spray pimenta e instaram os protestantes a dispersar. A decisão não foi acatada e a situação descontrolou-se rapidamente, pese os pedidos incansáveis de calma dos responsáveis máximos dos sindicatos, através dos megafones trazidos para o protesto.

Os manifestantes atearam fogo às casas de banho públicas e às paragens de autocarro daquela área e conseguiram invadir as zonas de acesso aos edifícios dos ministérios da Agricultura, do Planeamento, dos Transportes e da Fazenda, que tiveram de ser evacuados. No primeiro ministério também foi ateado fogo, que resultou num incêndio de largas proporções. O balanço final aponta para 49 feridos, oito detenções e incontáveis estragos materiais. 

O descontrolo em Brasília e o receio de que aquele clima de violência se pudesse estender a outras cidades levou o governo a tomar medidas drásticas. Cerca de 1500 soldados do exército foi destacados para as ruas para conter a violência e por lá se manterão nas próximas horas. “O presidente entende que é inaceitável a baderna e o descontrolo, e não permitirá que atos como este venham a perturbar um processo que se desenvolve de maneira democrática e em respeito com as manifestações”, explicava ontem o ministro da Defesa, Raul Jungman, citado pela “Folha de São Paulo”, na hora de justificar a decisão de chamar as Forças Armadas.

No Brasil especula-se cada vez mais sobre a hipótese da abertura de um novo processo de “impeachment”a um presidente – Dilma Rousseff foi afastada do cargo em agosto de 2016, de acordo com essa mesma moldura constitucional –, muito por culpa da revelação das gravações, levadas a cabo por dois administradores da empresa JBS, e nas quais se sugere que Temer terá tentado comprar o silêncio do ex-líder líder da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, detido no âmbito da Operação Lava Jato. O presidente do Brasil garante que não se vai demitir.

 

Semanário “SOL” - 25 de maio 2017 - Lisboa

 

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http://issuu.com/itaqueraemnoticias/docs/ed663jornalin

 

PONTO DE VISTA

 

A MEMÓRIA DO BOLSO

 

*Almir Pazzianotto Pinto

 

 

O excelente artigo “Páscoa eleitoral de Lula”, do jornalista José Roberto de Toledo (O Estado, 20/4/2017, A6), analisa as razões de o petista apresentar o maior eleitorado cativo entre possíveis candidatos à presidente em 2018. O jornalista apoia-se em recentes pesquisas de opinião pública para demonstrar a dianteira do ex-presidente nesta fase de estudos e preparação, contra pré-candidatos como Marina Silva, José Serra, Joaquim Barbosa, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, João Dória. Mais do que as pesquisas mencionadas, sujeitas a erros e flutuações, impressionou- -me o argumento segundo o qual o “ex-presidente renasceu por três motivos: governo Temer, a memória de bolso e, paradoxalmente, a Lava Jato”. “Quanto pior a avaliação do governo Michel Temer, maior fica o capital político acumulado de Lula”, escreve José Roberto de Toledo. A comparação parece-me inevitável. O eleitorado popular, avesso à política e enojado diante do que vê e ouve, antes de decidir em quem votar consultará o bolso, olhará para o desemprego e levará em conta o aumento do custo de vida. Quem argumenta coloca- -se em posição de inferioridade, disse alguém. Argumentar com quem se encontra desempregado, ganha minguada aposentadoria ou pensão, perdeu o convênio médico, tem o aluguel e as prestações atrasadas ou quitadas com pesados sacrifícios, mais do que inútil será ridículo. “A Lava Jato acabou por nivelar o campo da corrup- ção”, adverte o articulista. “A elite política do País sob investigação”, é o título da matéria de O Estado, na edição de 12 de abril, página A10. Basta olhar as fotografias e os nomes de ministros, senadores, governadores, deputados federais, prefeitos, para nos darmos conta de que poucos entre aspirantes á presidência da República escaparam à peneira das delações. Luís Inácio Lula da Silva está mais enredado do que os demais acusados. Nos depoimentos é repetidamente citado como cérebro e comandante da maior rede de corrupção da História brasileira. Chegará ileso ao ano que vem? É a dúvida que aflige possí- veis adversários. Se chegar e disputar, o povo decidirá de maneira pragmática. Entre os candidatos escolherá aquele que lhe é mais familiar ou em quem ainda acredita. Vejam o exemplo de Getúlio Vargas. Despojado pelos militares da presidência da República no golpe de 29 de outubro de 1945 e confinado em São Borja, no distante interior do Rio Grande do Sul, com uma carta aos trabalhadores elegeu presidente da República o general Eurico Dutra. Numa época em que as comunicações eram precárias, sem deixar a fazenda elegeu- -se senador pelo Rio Grande do Sul e São Paulo, e deputado federal pelo Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná, como permitia a legislação da época (Dicionário Histórico- -Biográfico, Ed. FGV, RJ, 2ª Ed., 2001, vol. V, pág. 5944). Autor da Consolidação das Leis do Trabalho, com a qual resgatou os trabalhadores da exploração a que eram submetidos no inicio da industrialização, Vargas voltou à presidência aos 67 anos em janeiro de 1951. Na iminência de ser mais uma vez deposto, suicidou-se em 24/8/1954. Deixou carta-testamento que reverteu a crise política e assegurou a eleição de Juscelino Kubitscheck e João Goulart. Os latino-americanos adoram cultuar os mortos. Vejam- -se os casos de Juan Domingo Perón (1895-1974) e Carlos Gardel (1890-1935). O peronismo segue sendo o grande eleitor argentino e Gardel canta cada vez melhor, segundo os admiradores do tango. Longe estou de comparar o gênio de Vargas com o oportunismo de Lula. São personalidades e caracteres radicalmente opostos. Nenhuma vaga semelhança há entre ambos. Não se lhes pode negar, entretanto, que nas duas vezes em que se elegeram contaram com o decisivo apoio das camadas populares. O regime democrático tem por fundamento a soberania popular, “exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos”, prescreve a Constituição no art. 14. Valessem os votos do Jardim América mais do que os sufrágios da favela de Paraisópolis não haveria democracia, mas regime aristocrático. As eleições presidenciais continuarão sendo decididas pela economia e pelas esperanças. Dos 13,5 milhões de desempregados e 12 milhões de subocupados, quantos terão recuperado o emprego perdido na crise dos últimos 4 anos? É impossível responder. O Partido dos Trabalhadores está em frangalhos, mas os demais partidos, como o PSDB, o PMDB, o DEM, vivem igual situação. Como observa José Roberto de Toledo, “A Lava Jato acabou por nivelar o campo da corrupção. Se todos são moralmente iguais, o custo- -benefício favorece Lula.” A situação é desconfortá- vel. Sob a pressão de monumental dívida pública, Michel Temer sente-se obrigado a adotar medidas impopulares como a Reforma da Previdência. A maioria dos políticos conhecidos foi remetida à vala-comum. São apenas 16 meses até as eleições. Lá pelo mês de maio as campanhas ganharão as ruas. Muitas surpresas nos aguardam. Se Lula puder ser candidato, surgirá alguém capaz de derrotá-lo? É a pergunta que paira no ar.

 

*Advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho

 

Trancrito do:Jornal Itaquera em Notícias Ed. 663 – 26 de Maio a 2 de Junho de 2017

 

 

 

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https://sol.sapo.pt/noticia/565126/ex-presidentes-lideram-dialogo-com-vista-ao-pos-temer

 

 

NTERNACIONAL 26 de maio 2017

 

Ex-presidentes lideram diálogo com vista ao pós-Temer

 

 

Lula da Silva, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso têm conversado sobre solução para o futuro.

 

 

 

Michel Temer agarra-se como pode à presidência do Brasil e por lá se mantém. Mas já estão em marcha planos para o futuro do país sem o atual presidente, concebidos por três das maiores forças políticas do país.

Segundo a “Folha de São Paulo”, os antigos presidentes Lula da Silva (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (PMDB) têm liderado, nos últimos dias, as conversas informais entre os partidos com vista à procura de um consenso para a formação de um novo governo, no caso de Temer cair.

Lula e o seu partido defendem a realização de eleições diretas – que facilitariam o seu regresso à presidência –, ao passo que os outros dois ex-chefes de Estados se mantêm favoráveis às eleições indiretas, tal como previsto na Constituição brasileira, em caso de renúncia ou perda de mandato do presidente. Este modelo eleitoral pressupõe que, se Temer for afastado do cargo, serão os 513 deputados e os 81 senadores do Congresso a escolher o seu sucessor, passados 30 dias.

Face a este cenário, PMDB e PSDB sugerem Nelson Jobim para o cargo de presidente e Tasaso Jereissati para a vice-
-presidência, mas estes nomes continuam a merecer oposição do PT, mesmo tendo em conta que Jobim foi ministro de Dilma Rousseff e de Lula da Silva. De qualquer forma, o ex-presidente petista não fecha portas ao diálogo e continua empenhado em participar na procura de uma solução. Henrique Meirelles, Rodrigo Maia e Cármen Lúcia são outros nomes apontados pela comunicação social brasileira como estando no centro do debate interpartidário liderado pelos três ex-presidentes.

As probabilidades da abertura de um processo de impeachment a Michel Temer, tendo em conta a abertura das investigações sobre a alegada prática de três crimes, no âmbito das revelações trazidas pelo acordo entre o empresário Joesley Batista e a justiça, são cada vez maiores. Ontem à tarde foi a vez de a Ordem dos Advogados do Brasil entregar à Câmara dos Deputados um parecer jurídico favorável ao pedido de destituição do presidente.

 

Transcrito do Semanário "SOL"

 

 

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http://visao.sapo.pt/visaomais/2017-05-25-Privacao-de-sono-leva-cerebro-a-comer-se-a-si-proprio-1

 

 

Falta de sono crónica pode aumentar o risco de demência

 

SARA SÁ

Jornalista

 

 

Já se sabe que o sono afeta o funcionamento do cérebro. Depois de uma noite mal dormida, faltam-nos as palavras, temos dificuldade em recordar acontecimentos, ficamos irritadiços. Mas, à partida, depois de uma noite boa de sono volta tudo ao normal.

Quanto à falta de sono crónica, esta pode ter efeitos mais graves e definitivos. Já se tinha percebido, em estudos com ratinhos, que a privação de sono aumenta o risco de aparecimento de Alzheimer, ao promover a formação de placas da proteína beta-amilóide, que estão na origem desta grave forma de demência.

Agora, outro estudo, também em ratinhos, veio tornar mais clara a relação entre o tempo de descanso e os neurónios. Um grupo de investigadores da Universidade Politécnica delle Marche, em Itália, percebeu que, nos animais obrigados a ficarem acordados, a taxa de "limpeza" é maior, pondo em risco estruturas cerebrais importantes para a memória - afetada na doença de Alzheimer.

Em todos os órgãos, há células especializadas em eliminar detritos - operação essencial para manter tudo a funcionar em pleno. No cérebro, esta função é desempenhada pelas células da microglia, que digerem as células que já estão muito gastas e que por isso precisam de ser eliminadas.

Em ratinhos privados de dormir, verificou-se um excesso de atividade destas células, o que está relacionado com uma série de problemas cerebrais. "Já sabíamos que em doentes de Alzheimer e com outras formas de doenças neurodegenerativas se observa uma atividade sustentada da microglia", explicou o investigador responsável pelo estudo, Michele Bellesi, à revista New Scientist.

No estudo, publicado no Journal of Neuroscience, também se dá conta do impacto do sono na atividade dos astrócitos, que são responsáveis pela limpeza das ligações sinápticas desnecessárias. Depois de uma normal noite de sono, 6% dos astrócitos estavam ativos. Nos ratinhos que foram obrigados a ficar acordados durante mais oito horas, esta taxa de atividade foi de 8 por cento. Em ratinhos que estiveram acordados cinco dias seguidos, 13,5% dos astrócitos andavam a destruir as ligações cerebrais.

O próximo passo, avança a equipa, é tentar perceber se uma terapia de sono pode reverter os eventuais danos causados por noites em claro.

 

 Transcrito da: VISÃO MAIS

 25.05.2017 às 12h10

 

 

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http://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2017-05-13-Para-alem-da-Baleia-Azul-o-mal-estar-de-adolescentes-e-jovens

 

 

PARA ALÉM DA BALEIA AZUL, O MAL-ESTAR DE ADOLESCENTES E JOVENS

 

 

13.05.2017 às 8h30

 

José Morgado

 

É essencial reflectir sobre o conjunto de razões pelas quais adolescentes e jovens se envolvem em situações desta natureza com riscos graves

Agora trata-se de algo que é conhecido por Baleia Azul e que recuso firmemente designar por jogo. Logo depois, já se conhecem outras referências, surgirá outro fenómeno da mesma natureza.

Muita coisa já foi divulgada a este propósito, sobre a forma como se desenrola, sobre os riscos das redes sociais e cuidados a ter por pais e educadores, sobre a intervenção das autoridades que já transformou o episódio também num caso de polícia, etc.

Assim e neste contexto, não me parece necessário insistir na referência ao episódio Baleia Azul, parece-me essencial, isso sim, reflectir sobre o conjunto de razões pelas quais adolescentes e jovens se envolvem em situações desta natureza com riscos graves, incluindo automutilação e suicídio e que atingem dimensões verdadeiramente preocupantes.

Segundo os últimos dados do estudo “A Saúde dos adolescentes Portugueses”, divulgado no ano passado e que integra o estudo internacional Health Behaviour in School-aged Children, da responsabilidade da OMS, um em cada cinco alunos (20,3%), entre os 13 e os 15 anos já se magoou a si próprio, de propósito, nos últimos 12 meses, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga... Referiram que se sentiam “tristes”, “fartos”, “desiludidos” quando o fizeram.

Este indicador, preocupante como é evidente, é-o tanto mais quando representa um aumento de quase cinco pontos percentuais do grupo dos que fazem mal a si próprios considerando o Relatório anterior.

Na verdade, os comportamentos de automutilação em adolescentes são mais frequentes e graves do que muitas vezes pensamos e devem ser encarados com preocupação. E os casos que vão sendo conhecidos são apenas isso, os conhecidos, a ponta do iceberg.

É justamente por esta dimensão e as suas potenciais consequências que me parece fundamental entender tudo isto como um sinal muito forte do mal-estar que muitos adolescentes e jovens sentem e a verdade é que em muitas situações não conseguimos estar suficientemente atentos. Este mal-estar e o que daí pode emergir decorre de situações de sofrimento com as mais diversas origens, relações entre colegas, bullying por exemplo nas suas diferentes formas ou relações degradadas na família que facilitam a instalação de sentimentos de rejeição, ausência de suporte social que serão indutoras de comportamentos autodestrutivos.

Começa também a surgir como causa deste mal-estar a dificuldade que algumas crianças e adolescentes sentem em lidar com situações de insucesso escolar. Estas dificuldades são frequentemente potenciadas pela pressão das famílias e pelo nível de competição que por vezes se instala.

Os tempos estão difíceis e crispados para muitos adultos e também para os miúdos a estrada não está fácil de percorrer.

Como disse, alguns vivem, sobrevivem, em ambientes familiares disfuncionais que comprometem o aconchego do porto de abrigo, afinal o que se espera de uma família.

Alguns percebem, sentem, que o mundo deles não parece deste reino, o mundo deles é um espaço, nem sempre um espaço físico, insustentável que, conforme as circunstâncias, é o inferno onde vivem ou o paraíso onde se acolhem e se sentem protegidos mas perdidos.

Alguns sentem que o amanhã está longe de mais e que um projecto para a vida é apenas mantê-la ou que nem isso vale a pena.

Alguns convencem-se ou sentem que a escola não está feita para que nela caibam e onde podem ser vitimizados.

Alguns sentem que podem fazer o que quiserem porque não têm nada a perder e muito menos acreditam no que têm a ganhar fazendo diferente.

Alguns transportam diariamente um fardo excessivamente pesado e que os torna vulneráveis.

Depois das ocorrências torna-se sempre mais fácil dizer qualquer coisa mas é necessário pois muitos destes adolescentes e jovens terão evidenciado no seu dia-a-dia sinais de mal-estar a que, por vezes, não damos atenção, seja em casa ou na escola, espaço onde passam boa parte do seu tempo. Aliás, alguns testemunhos ouvidos no âmbito dos recentes e mediatizados casos mostram isso mesmo.

De facto, em muitos casos, designadamente, em comportamentos de automutilação ou estados mais persistentes de tristeza e isolamento, pode ser possível perceber sinais e comportamentos indiciadores de mal-estar. Estes sinais não podem, não devem, ser ignorados ou desvalorizados. É também importante que pais e professores atentos não hesitem nos pedidos de ajuda ou apoio para lidar com este tipo de situações.

O sofrimento e mal-estar induzem uma espiral de comportamentos em que os adolescentes causam sofrimento a si próprios o que promove mais sofrimento num ciclo insuportável e com níveis de perplexidade, impotência e sofrimento para as famílias também extraordinariamente significativos.

Não, não tenho nenhuma visão idealizada dos mais novos nem acho que tudo lhes deve ser permitido ou desculpado. Também sei que alguns fazem coisas inaceitáveis e, portanto, não toleráveis. Só estou a dizer que muitas vezes a alma dói tanto que a cabeça e o corpo se perdem e fogem para a frente atrás do nada que se esconde na adrenalina dos limites.

Alguns destes miúdos carregam diariamente uma dor de alma que sentem mas nem sempre entendem ou têm medo de entender.

Espreitem a alma dos miúdos, sem medo, com vontade de perceber porque dói e surpreender-se-ão com a fragilidade e vulnerabilidade de alguns que se mascaram de heróis para uns ou bandidos para outros, procurando todos os dias enganar a dor da alma.

Eles não sabem, eu também não, o que é a alma. Um adolescente dizia-me uma vez, “dói-me aqui dentro, não sei onde”.

Muitos pais, mostra-me a experiência, sentem-se de tal forma assustados que inibem um pedido de ajuda por se sentirem impotentes e perplexos.

O resultado de tudo isto pode ser trágico e obriga-nos a uma atenção redobrada aos discursos e comportamentos dos adolescentes e dos jovens.

(Texto escrito de acordo com a antiga ortografia)

 

 Transcrito da Revista "VISÃO "

 

JOSÉ MORGADO

EDUCAÇÃO

 

Doutorado em Estudos da Criança. Professor no Departamento de Psicologia da Educação do ISPA - Instituto Universitário. Membro do Centro de Investigação em Educação do ISPA - Instituto Universitário. Colaborador e consultor regular de Programas de Formação de Professores e de Projectos de Investigação e Intervenção. Colaborador regular em Programas de Orientação Educativa para Pais. Autor de diversas publicações nas áreas da qualidade e educação inclusiva, diferenciação pedagógica, etc.

Blogue – http://atentainquietude.blogspot.com

 

 

 

 



publicado por solpaz às 15:53
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