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Sábado, 17 de Junho de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - MILHARES DE PESSOAS BUSCAM NA JUSTIÇA BRASILEIRA INDENIZAÇÕES POR OFENSAS MORAIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitas pessoas buscam na Justiça receber em dinheiro, algo que não deveria ter preço: o respeito. Com efeito, são inúmeros os casos de indenização por danos morais que tramitam em nossos tribunais, visando reparar ofensas à parte mais sensível do ser humano, o seu espírito e que lhe pode provocar sérios prejuízos como ente social, ou seja, como indivíduo integrado à sociedade, propiciando-lhe dor, tristeza, humilhação e outras situações constrangedoras.

Com efeito, são constantes as agressões à honra, à imagem de um ser humano, ao seu pudor, às suas emoções, à sua autoestima, ao seu amor próprio estético, à integridade de sua inteligência, à suas afeições, aos seus gostos e a eventuais outras manifestações próprias, causando-lhe sofrimento, aflição física ou comportamental, tristes sensações, vergonha ou espanto e que não ensejam uma perda econômica, mas que prejudicam ou reduzem seu patrimônio ético-moral.

Alguns comentários indicam a existência nos dias atuais de uma “verdadeira indústria de indenizações” referente à grande procura do Poder Judiciário à satisfação de  prejuízos por ofensas aos bens de caráter imaterial - desprovidos de conteúdo econômico, insuscetíveis verdadeiramente de avaliação em dinheiro mas que trazem um reflexo subjetivo na vítima, traduzido no padecimento ou angústia. Registram-se inúmeras situações de “bullying”, discriminação, preconceito, prepotência, arrogância, desprezo e tantos outros que tentam diminuir de forma agressiva e injustificada, determinados indivíduos, afetando-lhes diretamente o caráter.  

No entanto, a situação é bastante plausível já que toda vez que o cidadão sofrer uma perda em seus valores pessoais e íntimos, o Poder Público deve lhe assegurar o direito à sua concreta restauração. A própria Constituição Federal do Brasil defende direitos do espírito humano e os valores que compõem a personalidade, estabelecendo expressamente que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

A Carta Magna enfatizou assim, o firme propósito de se alcançar o triunfo do acatamento entre os seres, como uma das bases do Estado de Direito que estamos paulatinamente construindo. Efetivamente, o convívio social, diversificado e complexo,  integrado por muitos indivíduos que desconhecem os limites de suas ações, acaba por afetar a moral dos seus semelhantes, tolhendo-lhes a aspiração ao recato e à identidade, lesões que acarretam perdas de natureza íntima nas vítimas, passíveis de reparação judicial, cujo objetivo maior é coibir abusos contra o ânimo psíquico, moral e intelectual, consolidando o respeito à dignidade da pessoa humana.

E já se disse que não existe pior agonia, que a chamada “dor da alma”, sendo a compensação financeira mais uma forma de intimidar seus agressores do que compensar as próprias vítimas, que muitas vezes carregam fortes traumas decorrentes dessas ofensas, as quais valor nenhum financeiro seria capaz de amenizá-las.

 

 

Festa de São João, uma bonita tradição.

 

 

Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Por isso, as festas que acontecem em todo o mês de junho são chamadas de "Festas Joaninas", especialmente em homenagem a São João. O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros.

O mais tradicional destes festejos é o de São João, que se comemora no dia 24 e surgiu porque diziam que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria nascer seu filho, que se chamaria João Batista. Nossa Senhora, então, perguntou-lhe: - Como poderei saber do nascimento do garoto? - Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe poderá vê-la e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei, também, erguer um mastro, com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa.  Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, uma “fumacinha” e depois umas chamas bem vermelhas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia vinte e quatro de junho. Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas como: foguetes, balões, danças, etc…

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE O ARCEBISPO D. DUARTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. Duarte Leopoldo e Silva, primeiro Arcebispo de São Paulo, nasceu em Taubaté, no dia 4 de abril de 1867, e faleceu na capital paulista, no dia 13 de novembro de 1938. Foram seus pais Bernardo Leopoldo e Silva, de nacionalidade portuguesa e D. Ana Rosa Marcondes, que se entroncava nos Marcondes do Vale do Paraíba, muito numerosos em Pindamonhangaba, Caçapava, Taubaté e outras cidades da região.

Iniciou seus estudos em Taubaté e depois parece ter hesitado um pouco quanto à carreira a seguir. Pensou inicialmente em ser advogado, depois em seguir o curso de Farmácia. Mas acabou sentindo-se vocacionado para a vida sacerdotal e ingressou no Seminário Diocesano de S. Paulo.

Recebeu a ordenação sacerdotal em 1892. Depois de breve permanência em Jaú, como coadjutor, foi encarregado de assumir a nascente paróquia de Santa Cecília, na capital. Conseguiu levantar doações para construir a igreja de Santa Cecília e a ornou primorosamente, com os afrescos de Benedito Calixto ainda hoje bem conservados.

Uma curiosidade: o primeiro endereço oficial dessa igreja: Estrada de Campinas, número tanto. É incrível, mas naquele tempo ali já era zona rural, já se estava na estrada de Campinas... Na frente da matriz principiava a famosa alameda de palmeiras (atual Rua das Palmeiras) que conduzia ao Palacete de D. Angélica de Barros, situado na atual confluência da Av. Angélica com a Alameda Barros.

Respeitado como sacerdote culto e refinado, Pe. Duarte lecionou no Seminário e teve seu nome indicado para o Cabido diocesano. Entre outras obras, publicou em 1903 a “Concordância dos Santos Evangelhos ou os quatro Evangelhos reunidos num só”, obra muito bem articulada e que é considerada, internacionalmente, uma das melhores tentativas já feitas de unificação dos quatro Evangelhos.

Aos 37 anos foi nomeado Bispo de Curitiba, com jurisdição, nos Estados de Paraná e Santa Catarina. Lá esteve apenas dois anos, com muita atividade, sendo já no final de 1906 indicado para substituir, na Sé de São Paulo, o Bispo D. José de Camargo Barros, que falecera no naufrágio do navio Sírio, ocorrido a 4 de agosto de 1906 nas costas da Espanha. Uma gigantesca tela de Benedito Calixto, conservada no Museu de Arte Sacra de São Paulo registra o dramático naufrágio.

 

  1. Duarte assumiu a diocese de S. Paulo em abril de 1907. No ano seguinte, a 7 de junho de 1908, o Papa São Pio X, seguindo a política de ampliação do número de circunscrições eclesiásticas, publicou a bula ‘’Diocesium nimiam amplitudinem’’, criando a Província Eclesiástica de São Paulo. A diocese era elevada a Arquidiocese e dela eram desmembradas cinco novas dioceses: Campinas, São Carlos, Botucatu, Ribeirão Preto e Taubaté. Essas cinco dioceses passaram a ser sufragâneas, ou seja, dependentes, da Arquidiocese S. Paulo. Também era diocese sufragânea a de Curitiba. Outra curiosidade: o Santuário de Aparecida e a área adjacente (não verifiquei exatamente qual a extensão dessa área) não deixaram de fazer parte da Arquidiocese de São Paulo. Constituíam um enclave paulopolitano dentro do território taubateense... Só em 1958 esse enclave foi separado de S. Paulo e, acrescido de um território um pouco mais extenso desmembrado da diocese de Taubaté, foi elevado a Arquidiocese de Aparecida. Mas embora Arquidiocese e sede de uma nova província eclesiástica, continuou ligada a S. Paulo, pois o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, foi seu administrador apostólico por seis anos, até que, em 1964 deixou a Arquidiocese de São Paulo e assumiu plenamente a de Aparecida.

Ainda outra curiosidade: em 1924, quando foi criada a Diocese de Santos, desmembrada da Arquidiocese de S. Paulo, D. Duarte, já idoso e com problemas de saúde relacionados com a pressão arterial, conseguiu que o Vaticano instituísse um novo enclave da Arquidiocese de São Paulo dentro da nascente diocese de Santos: era uma chácara que possuía à beira-mar, onde lhe fazia bem passar longas temporadas. Chamava-se Vila Betânia. Era de lá que governava a Arquidiocese de São Paulo. O Direito Canônico exigia que o Bispo residisse dentro do território da sua circunscrição eclesiástica. Passando a maior parte do ano na Vila Betânia, D. Duarte não estava fora da Arquidiocese de São Paulo...

Quando foram criadas as 5 dioceses novas, em 1908, D. Duarte tomou uma atitude que lhe pareceu correta e era, de fato, inteiramente razoável, mas que com o tempo se revelou prejudicial. Ele desmembrou os arquivos eclesiásticos históricos de São Paulo e mandou para cada novo bispo todos os arquivos paroquiais antigos, das respectivas áreas. Supunha que os demais bispos e os respectivos sucessores teriam, com esses arquivos, o mesmo cuidado que ele tinha em S. Paulo... Mas nem todos tiveram, e os genealogistas paulistas até hoje lamentam a decisão de D. Duarte, que teve como consequência a dispersão dos arquivos, e a deterioração de muitos deles.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS,  é jornalista profissional e historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - APENAS 15 MINUTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um dia, meio sem querer, acabei tendo um poodle comigo. Confesso que, amante dos vira-latas que sempre fui, seria muito pouco provável que fosse uma escolha. Comprado em uma loja de animais, outra situação para a qual tenho várias ressalvas, o poodle mini preto, batizado de Floquinho, era da minha irmã. Depois de uma curta temporada na casa da minha mãe, vendo que o cachorrinho de pouco mais de um ano estava triste sozinho, acabei levando-o comigo.

            Inicialmente era somente para que eu achasse um companheiro para ele. Após a adaptação, eu o devolveria para casa dos meus pais. E foi assim que o Peteco, um salsicha caramelo, com cerca de 5 meses, que foi abandonado pelos antigos donos, acabou indo parar lá em casa também. Logo de cara os dois se deram muito bem. Em verdade, muito mais porque o Floquinho, que era meio ranzinza com pessoas, era completamente tolerante com outros cães.

            Nem preciso dizer que a tal devolução jamais ocorreu. Em pouco tempo os dois se tornaram meus cachorros, donos da minha casa, parte da minha vida. Foram muitas as viagens de carro que fizemos, nós três, pelas estradas do interior de São Paulo. Era até engraçado: sempre que me viam fazer as malas, já condicionados, pulavam para dentro do carro, no banco traseiro e de lá não queriam mais sair. Mesmo que eu ainda fosse demorar algumas horas para sair. Assim, para evitar que os dois se antecipassem, certa vez fechei as portas do carro e apenas fui guardando as malas. Voltei para pegar algo dentro de casa e, quando voltei, encontrei os dois preparados, a postos dentro do porta-malas! O medo de ficar para traz foi capaz de torná-los cães saltadores.

            Quando me mudei para São Paulo, vinda do interior, os dois, por óbvio vieram junto. Aliás, sempre foi uma promessa que fiz a ambos, a de que estaríamos juntos até o fim, pouco importando quem de nós se fosse dessa vida primeiro. Não concebo que animais de estimação sejam repassados aos outros, até porque estima, segundo entendo, pode se traduzir, nesse caso, em um misto de amizade e amor. E amor que se preza, diga-se de passagem, traz consigo a lealdade.

            Depois de um tempo os meus dois amiguinhos adotaram uma dinâmica interessante. Quando saíamos para passear o Peteco ia sem coleira, puxando pela boca a coleira do Floquinho. Acabaram se tornando atração por onde passavam. Era comum as pessoas pararem para perguntar, para olhar os dois e nos perguntarem se havíamos ensinado o truque. O fato é que nunca ensinamos nada, ao menos nada que tenha dado certo. Tentamos que fizessem xixi nos lugares certos, mas a verdade é faziam onde bem quisessem e acabamos nos tornando especialistas em métodos de fazer o cheiro de xixi de cachorro desaparecer.

            Uma coisa engraçada é que os dois trocavam de personalidade. Dentro de casa o Floquinho sempre foi ranzinza e o Peteco a pura mansidão. Só com as pessoas, registre-se. Na rua, ao contrário, o Peteco se tornava um animal feroz, latindo para qualquer cachorro que estivesse em seu raio de visão, enquanto o Floquinho simplesmente confraternizava com todos, como se fosse um cãozinho de pelúcia.

            Dentro de casa, por outro lado, é preciso dizer que os dois nunca se comportaram de forma exemplar. Perdi as contas de quantas vezes chegamos em casa e encontramos cenas dignas de um furacão. Sacos de lixo rasgados, panos e roupas rasgadas já estavam na rotina da casa. Só quase não fui capaz de perdoar quando cheguei em casa e descobri minhas calopsitas covardemente assassinadas, mas tenho fortes motivos para crer que esse crime bárbaro foi obra exclusiva do Peteco, que até já tinha antecedentes desfavoráveis envolvendo ratos e pombas.

            E no meio de tudo isso, dessa loucura toda, fomos compondo uma família ao nosso jeito. Cada qual com seu gênio e comportamento característico. Um belo dia chegaram as gatas e quem as recebeu com amor foi o Floquinho, a quem apelidados de mini babá, já que cuidava delas enquanto eram bem pequenas. Embora fosse um cachorrinho capaz de morder o veterinário que o vacinava, o Floquinho era devotado ao Peteco. Brincávamos que tinham um relacionamento, um amor deles. Eram inseparáveis.

            Mas um dia, como acontece com tudo que vive nesse mundo, o Floquinho, que costuma nos puxar enquanto passeávamos, começou a não conseguir andar mais do que um quarteirão e a passos muito lentos. Dois meses depois, sofrendo do coração, passou a usar fraldas e emagreceu muito. Tornou-se, por outro lado, um paciente exemplar, incapaz de morder mesmo quando eu era obrigada a dar-lhe remédio à força, goela abaixo.

            Foram dois meses assim, enquanto alternávamos o sentimento de esperança de uma melhora e o medo de que ele sofresse. Até que em um momento, após tomar banho, ele morreu assim que chegou na porta de casa. Seu coração, depois de quinze anos e meio, resolveu por bem parar. Até hoje eu o procuro pela casa ou mesmo chamo pelo seu nome para que vá comer. Sei que é o curso da vida, mas é exatamente isso que me assusta. Olhando para traz, o sentimento que tenho agora é que não se passaram quinze anos desde o dia em que resolvi trazê-lo comigo, mas apenas e tão somente 15 minutos, um ligeiro sopro no tempo.

            Se fosse preciso, se me fosse dada a chance, faria tudo de novo.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DO CIRCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quando vejo uma lona de circo estendida, há um ângulo em meu coração que faz festa, mesmo que não vá ao espetáculo. Parece que estendo a corda de um lado e prendo a estaca no céu.
O primeiro circo no qual estive foi em 1961. Encontrava-se na Rua Atílio Vianelo, onde residíamos. Rua de terra e, pelo mato, pirilampos. Tudo era motivo de alegria. E o circo?! Que coisa boa sair na calçada e verificar que ele permanecia lá. Dentro de mim misturavam-se: palhaços, maçã de amor, trapezistas, perna de pau, pipoca, algodão doce, atirador de facas, contorcionistas, mágicos... Havia animais também e desejava, de todas as maneiras, afagá-los. Não imaginava, na época, o que sofriam para serem treinados. Quanta crueldade! 
Mais tarde, em Poços de Caldas, em 1962, instalaram, na praça central,  uma espécie de barraca e um homem ficava dentro de uma caixa de vidro, deitado em cacos, e com uma serpente. A propaganda, que convidava para visitação, dizia que ele passaria quarenta dias no pequeno espaço, alimentando-se somente de líquidos. Despertava o interesse, mas não me enternecia. O cidadão se chamava Ben-Hur. Nos altos falantes se ouvia: “Ben-Hur passará quarenta dias sem ver a luz do sol; Ben-Hur passará quarenta dias sem se alimentar...”
Em um terreno, próximo ao local em que moro, na década de 90, por duas vezes, foi armado o Circo do Tareco. Achava o máximo aquela lona colorida perto de casa, a simplicidade dos atores, a propaganda, a cabra e os cachorros que integravam o show.
O circo é, para mim, mesmo que o veja apenas por fora, um momento de magia. Nele se encontra o picadeiro de minha infância com contos de fada, bonecas, fantasias, aquarelas, massinha, lig-lig; com o boizinho rosado de pelúcia que me acompanhou por muitos anos... O circo vai e vem, como o pêndulo do relógio que canta as horas. E como diz a música: “Vai, vai, vai terminar a brincadeira, /Que a charanga tocou a noite inteira, /Morre o circo e nasce na lembrança,/ Foi-se embora eu ainda era criança”.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 
 



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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - FENÓMENO ABSTRATO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em composição de Alzira Espíndola e Itamar Assumpção, quem tem ouvidos ouve: “Pra que rancor, tanto tédio/ Pra que terror, tanta mágoa/ A vaca já foi pro brejo/ Os burros já deram n'água/ Pra que rogar tanta praga/ Pra que, se não tem remédio/ Pra que abrir outra chaga/ Por que não dormir sem medo/ Pra que ferir, ser ferido/ Pra que somente repúdio/ Pra que achar tudo errado/ Se o tal telhado é de vidro.”.

Entretanto, quem é que, hoje em dia, tem ouvidos para isso ou aquilo? Quem, se em tempos de célebres futilidades, bem faz quem os preserva quase sempre moucos, sabido é que os espera isto, traduzido por Mario Quintana: “Frases felizes...Frases encantadas... Ó festa para os ouvidos! Sempre há tolices muito bem ornadas... Como há pacóvios bem vestidos.”.

Mesmo porque, pensando bem, como bem antes de nós já pensou e disse Fernando Pessoa (que, aliás, de tanto pensar e dizer, apessoou-se em outros de si mesmo): “Não há sossego de pensar nas propriedades das coisas,/ Nos destinos que não desvendo,/ Na minha própria metafísica, que tenho porque penso e sinto./ Não há sossego,/ e os grandes montes ao sol têm-o tão nitidamente!/ Têm-o? Os montes ao sol não têm coisa nenhuma do espírito. Não seriam montes, não estariam ao sol, se o tivessem. (...) tudo é cansaço neste mundo subjetivado,/ Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,/ Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas/ Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente. (...) Ah, o existir o fenômeno abstrato – existir.” (Álvaro de Campos)

Não há, porém, saída a contento, considerando-se que o que faria uma criatura pensante, se não... vocês sabem – se não pensasse?

Desisto. Não encontro resposta.

Ou é essa a resposta própria: desiste-se.

E, penso eu, desistir não é uma opção. Não uma das boas, pelo menos.

Fazer arte, artesanato, terapia? Oras, tudo exige raciocínio.

Ninguém está livre do pensar, nem os tolos. Senão não se diria nem ouviria tanta bobagem.

Mesmo a fé, abstrata, quem diria?, do pensar não se abstrai...

“A criança olha/ Para o céu azul./ Levanta a mãozinha,/ Quer tocar o céu./ Não sente a criança/ Que o céu é ilusão:/ Crê que o não alcança,/ Quando o tem na mão.” (Manuel Bandeira).

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



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JOSÉ RENATO NALINI - VIRTUDES PARA O MAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para Aristóteles, “in medio virtus”. Ou seja, a virtude está no meio termo. Demorei para aceitar a ideia. O “meio termo” sempre me parecia a mediocridade, o morno, o incompleto. Mas o raciocínio aristotélico é interessante. Entre dois polos, o melhor é a moderação. Assim, entre a absoluta avareza e a desenfreada prodigalidade, a temperança é a virtude. Entre a preguiça e a hiperatividade, a postura adequada é ter tempo para a ociosidade e tempo para o trabalho. Entre a gula e o regime famélico, nutrir-se do necessário é virtuoso.

Agora vem outra ideia a me angustiar. Tenho visto que algumas virtudes estão sendo relegadas pelos que se dizem virtuosos e cultivadas pelos malfeitores. É o que leva o Brasil a reconhecer o malefício causado pelas facções criminosas. Ali, a infância é treinada a sobreviver, a despeito de toda a adversidade. O mal recruta a criança a partir dos seis ou sete anos de idade para servir de “aviãozinho” para transportar droga. E cobra dele um espírito de sacrifício inexigível para a criança da classe média.

O trabalho é diuturno, devotado e sem erro. Imagine alguém a pedir certa quantidade de maconha e receber como resposta que o funcionário encarregado de fornecê-la faltou. Ou que está doente, apresentou atestado médico. Ou que o produto está em falta.

Isso não ocorre. Entretanto, quando se necessita do serviço público, tais desculpas são rotineiras. Quem está mais preparado para sobreviver? O treinado pelo marginal ou o educado pela nossa escola do “mais ou menos”, do “da vida nada se leva”, do “é assim mesmo”?

O Brasil do bem é covarde, nessa fase melancólica em que nada parece funcionar, enquanto o Brasil do mal se organiza e faz a corrente demoníaca se desenvolver, crescer e recrutar a cada dia mais braços e inteligências.

Uma sociedade só dará realmente certo se os bons tiverem a coragem de ser audazes assim como os maus o são. Não se pode negar eficiência às facções criminosas. Enquanto é preso um jovem por causa das drogas, há uma fila de dez outros à espera de ocupar seu lugar. A cada prisão por tráfico de entorpecentes, o Brasil legal propicia o cárcere para mais várias outras pessoas. Pois o primeiro compromisso daquele que é preso pela vez primeira, junto à organização criminosa que cuidará de seu futuro e de sua família, é abastecer de droga o sistema. Aí vêm as irmãs, namoradas, mães, primas e companheiras, que se tornam outros alvos para o aprisionamento. Mas a Rede continua eficiente. E eficiência é virtude. Ou não é?

O que estamos fazendo para acabar com isso?

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.



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FELIPE AQUINO - EXISTE SANTO CASAMENTEIRO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde a Idade Média criou-se uma tradição de que Santo Antônio, um frade franciscano, nascido em 1195, em Portugal e que viveu em Pádua, na Itália, era promotor de casamentos. Ele foi um santo doutor da Igreja, e que pregou até para o Papa Gregório XI (1227-1241).

 

 

 

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Na verdade, em seus sermões ele não pregava nada específico sobre casamentos, mas ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido por conta da ajuda que dava a moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento, como era a exigência da época.

Segundo a lenda, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem pediu a ajuda do Santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar certo comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. O homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que um dia havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. A moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.

Há outras histórias, como a de que uma moça muito bonita, que não arranjava um marido, apegou-se a Santo Antônio. Adquiriu uma imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que este lhe trouxesse um marido. Mas, passaram-se semanas, meses, anos… e nada do noivo aparecer.

 

 

Leia também: Por que Santo Antônio é considerado casamenteiro?

10 Ensinamentos de Santo Antônio de Pádua, doutor da Igreja

13/06 – Santo Antonio de Pádua

 

 

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Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atirou a imagem pela janela. Neste momento, passava um jovem cavalheiro que foi atingido pela imagem do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona por ele, e se casam.

Na verdade Santo Antônio, e os demais santos, “intercedem por nós diante de Deus sem cessar”, diz uma das orações eucarísticas. Mas a Igreja não declarou nenhum santo como “casamenteiro”; há santos protetores do casamento. No entanto, como Santo Antônio é grande intercessor diante de Deus, as moças solteiras podem pedir a ele a graça de encontrar um bom marido.

Mas não apenas a Santo Antônio. Conheço uma moça que certa vez, fez uma novena a Santa Rita de Cássia para encontrar um bom namorado cristão, e o encontrou num Acampamento da Canção Nova; hoje está casada com ele e tem dois belos filhos. E este é apenas um de muitos casos de graças como estas alcançadas pela intercessão dos santos.

Portanto, cuidado com as simpatias para conseguir um bom namoro ou casamento. Nada de virar a imagem de santo Antônio de cabeça para baixo, afoga-lo num copo de água, ou de tirar o Menino Jesus de seus braços e virá-lo de frente para a parede. Esses hábitos não se coadunam com a fé católica.

Os santos estão pertinho de Deus e não cessam de interceder por nós. Se hoje você está a procura de um bom marido ou de uma boa esposa, peça com a fé a intercessão dos santos por sua vida.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



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PAULO R. LABEGALINI - ENTRE O CÉU E O INFERNO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um rapaz vinha dirigindo sua pequena caminhonete numa estrada e logo avistou uma tempestade. Resolveu, então, encostar num posto de gasolina e lá encontrou três pessoas precisando de carona: uma senhora gravemente doente, uma bela jovem que lhe sorriu docemente, e um médico indo para o trabalho. Na caminhonete só dava para levar um deles. Se fosse você, quem levaria?

Numa atitude cristã e com muita sabedoria, ele ficou no posto com a jovem e entregou a chave do carro para o médico levar a senhora ao hospital. Nada mais justo e conveniente, não acha?

Da mesma forma, quantas decisões poderiam ser tomadas com amor ao próximo, colocando em primeiro lugar o sofrimento daqueles que precisam de ajuda! Por exemplo, quando passamos pela rua e vemos um pobre caído, um amigo se aproximando pela calçada e um filho passando de carro, o que fazemos?

Mesmo sabendo que a caridade sempre deve prevalecer, talvez o mais provável seria saudarmos o filho com uma das mãos e estendermos a outra para cumprimentar o amigo. E qual a consequência disso, já pensou? Futuramente, o filho tenderia a seguir a mesma atitude do pai, o amigo ouviria uma série de assuntos meio sem importância naquele momento e o pobre continuaria jogado na calçada.

Que tal seria se os três colocassem o homem caído no carro e o levassem a um abrigo ou ao hospital? Não seria o que Jesus faria? Seria também uma atitude digna de merecer o Céu, concorda? Mas há quem faça isso, sim, e eu conheço vários irmãos da Pastoral da Sobriedade que cumprem fielmente a missão que Deus lhes deu.

E o valor da caridade ainda é maior porque servem com amor e no anonimato. Sabem que existe um lugar maravilhoso na eternidade lhes esperando e não são egoístas de buscarem chegar lá sozinhos. Compreendem, também, a diferença entre o Céu e o Inferno, como nesta história:

Um samurai, alto e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.

– Monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno.

O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e lhe disse:

– Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo! Seu cheiro é insuportável! Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.

O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva. Então, empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.

– Aí começa o Inferno – disse-lhe o sábio, mansamente.

O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara, afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o Inferno. E o bravo guerreiro abaixou lentamente a espada.

Passado algum tempo, já com a intimidade pacificada, o samurai pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse pelo gesto infeliz. Percebendo que seu pedido era sincero, o monge disse:

– Aí começa o Céu.

Portanto, tanto o Céu quanto o Inferno, são estados de espírito que escolhemos no nosso dia-a-dia e começam dentro de nós. A cada instante, somos convidados a tomar decisões que definirão o início do Céu ou o começo do Inferno. Quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância. A escolha é livre!

Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou o óleo do perdão. Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança. Ante a partida de um ente querido, podemos optar pelo punhal do desespero ou pelo livro de oração.

Enfim, surpreendidos pelas mais infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz. A decisão depende sempre de nós mesmos.

Portanto, criar céus ou infernos dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós. A porta que nos separa do Paraíso não poderá abrir-se enquanto esteja fechada a que fica entre nós e o próximo.

E você, que certamente quer morar no Céu e se livrar do fogo do Inferno, está fazendo a sua parte? Se ainda não pensou nisso, sabe ao menos por onde começar o seu gesto concreto? São dezenas de opções, mas eis algumas: doar alimentos aos vicentinos ou à Pastoral da Sobriedade, ajudar uma creche ou um asilo, visitar um doente e rezar com ele, procurar um padre e se confessar, entrar num movimento ou pastoral da Igreja e perseverar com o grupo etc.

Melhor do que qualquer explicação é ver de perto. Então, convido você a participar efetivamente da Igreja e testemunhar um pedacinho do Céu. Verá que vale a pena chegar lá!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



publicado por solpaz às 13:32
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - CONHECER A NOSSA GENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estava num estabelecimento, da Avenida José Peixinho, em Aveiro, a tomar o cafezinho matinal, quando escutei dois sujeitos: um, de cabelos brancos e rosto sulcado pela goiva do tempo; outro, ainda jovem, com pouco mais de vinte anos, de calças de ganga azul, e tsirt da mesma cor, ostentando frase, em língua desconhecida - para mim.

Gosto de ouvir o povo: as conversas nos transportes publicos; os motoristas de táxi; os operários; as vendedeiras de feira…Gosto, porque só, por eles,  se pode compreender a sociedade em que se está inserido.

A mass-media pode ser o reflexo, o espelho da colectividade. Mas, quantas vezes, não é a voz das elites?…

Quem quer conhecer a verdade, ouça o povo simples: o pai e a mãe de família.

Dizia o mais idoso para o jovem:

- "Ouvi comentarista, na TV, dizer que o acordo da Europa com o Canadá, é benéfico para nós, já que os canadianos ganham, em média, o dobro dos portugueses…"  -  Lembrei-me de Salazar e dos seus discursos…”

Nesse momento o jovem interrompeu, para recordar os vencimentos dos gestores.

- “É uma pouca vergonha!” - Continuou o velho. - “ Dizem: se não forem bem pagos, emigram. Pensando assim, os trabalhadores deviam ganhar bem, para que os melhores não fujam…Chego a pensar, que a elite, que nos governa, julga: que quem não se expatria, é burro…”

Como o jovem argumentasse que devia haver patriotismo, o senhor de cabelos brancos, retorquiu:

- “ Isso de patriotismo, só se encontra no povo humilde, agarrado à sua terra e à sua gente. Os outros... só pensam na carreira e no dinheiro. Sempre foi assim, e assim será. No meu tempo, quando era moço, como tu, havia muitos que iam a salto para França. Uns, procuravam vida melhor; outros, para não irem para a guerra. Nunca quis ser desertor… Parecia-me atitude indigna e vergonhosa. Fui. Alguns ficaram por lá…; outros, vieram doentes e mutilados. A guerra acabou. Os que cumpriram o dever, nada ganharam...; dos que fugiram, houve quem fosse considerado herói… Ser herói ou traidor, depende do tempo em que se vive. O herói, pode ser traidor, e o traidor herói, de harmonia com a época,  local e  sociedade que se insere.”

A conversa estava interessante. Apurei o ouvido, para melhor entender, já que começaram a falar a meia-voz.

Comentaram as pensões; o aumento dos produtos agrícolas; o facto do IVA descer para a restauração; o desemprego, que desce, porque todos os dias se emigra; a necessidade de braços para a lavoura; e despediram-se, afectuosamente, apertando as mãos com um “ até amanhã”.

E fiquei a pensar: quem quer conhecer verdadeiramente a necessidade do povo: seus problemas, suas ambições, tem que viver no meio dele e escutá-lo

Como se pode conhecer a nossa colectividade, quando se frequenta restaurantes elegantes; e se convive com gente da elite, que aufere bons vencimentos e se passa o tempo em bons hotéis, a viajar pelo mundo?

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por solpaz às 12:14
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CLARISSE BARATA SANCHES - TODA ESTA NOITE UM ROUXINOL CHOROU

 

 

 

                    

 

 

 

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                  QUADRA DE FLOBELA ESPANCA

 

 

 

 

 Toda esta noite um rouxinol chorou!

 Gemeu, rezou, gritou perdidamente!

 Alma de rouxinol, alma de gente,

 Tu és, talvez, alguém se que se finou!

 

                             

                FLORBELA ESPANCA

 

 

                        GLOSA

 

 

“Toda esta noite um rouxinol chorou”

 Chorou e não deixou dormir a gente,

 E só de madrugada se calou;

 Mas porque estava ele descontente?!

 

                                                                                 

 Abri uma janela, ele cantou,

 “Gemeu, rezou, gritou perdidamente!”

 Mas, num momento, alegre, se calou

 Ao ver a companheira à sua frente!

 

 Sem ela, numa noite, impaciente,

 Apeteceu-lhe logo ir voar,

 “Alma do rouxinol, alma de gente,”

 E abala de manhã com o seu par…

 

Andava arreliado o rouxinol

E nesse voo, lindo, ele escutou:

 Deixa te de lamúrias, olha o Sol!...

"Tu és, talvez, alguém que se finou!" 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

  

CLARISSE BARATA SANCHES   -   Góis, Portugal

 

 

 

***

 

 

 

RESPIGANDO NA NET

 

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Incrível animação para fazer as crianças se encantarem com o mundo dos livros - NotaTerapia

Curta-Metragem vencedor do Oscar mostra o poder que os livros podem ter nas crianças Uma história bem contada pode mudar a vida de uma criança. Ainda mais se for uma incrível



http://notaterapia.com.br/2017/06/08/uma-incrivel-animacao-para-fazer-as-criancas-se-encantarem-com-o-mundo-dos-livros/

 

 

 

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Saiba o que nunca deve fazer a um gato

 

Ter um gato não é o mesmo que ter um cão ou um bebé humano. Aqui ficam dez atos que estão proibidos a quem cuida de um gato



http://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2017-03-08-Saiba-o-que-nunca-deve-fazer-a-um-gato

 

 

 

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10 razões pelas quais seu filho deve fazer teatro | Viver Bem

 

Seu filho é tímido? Precisa ampliar seu repertório cultural? O teatro pode ser uma excelente forma de abrir seus horizontes.



http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/filhos/10-razoes-pelas-quais-seu-filho-deve-fazer-teatro/

 

 

 

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Educadora no berçário pode "fazer a diferença na adaptação dos bebés à creche"

 

Logo no primeiro mês de um bebé na creche, este passa cerca de sete horas por dia na instituição, indica um estudo do Politécnico do Porto (IPP) e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUP). Neste contexto, "ter uma educadora de infância na sala de berçário e promover uma boa comunicação entre a creche e a família podem fazer a diferença para a adaptação dos bebés à creche".



http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-01-11-Educadora-no-bercario-pode-fazer-a-diferenca-na-adaptacao-dos-bebes-a-creche

 

 

 

 

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O Jardim de infância não é para aprender a ler nem a escrever – Eduardo Sá

 

“Devia ser proibido ensinar a ler e a escrever no jardim de infância”. A ideia foi defendida por Eduardo Sá no encontro “Vale a Pena ir à Pré”, uma iniciativa conjunta da Carlucci American…



http://jottaclub.com/2017/03/o-jardim-de-infancia-nao-e-para-aprender-a-ler-nem-a-escrever-eduardo-sa/

 

 

 

 

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Estudo comprova que prática religiosa na infância afasta jovens do alcoolismo e drogas - Sempre Família

 

Uma infância religiosa contribui para que o futuro jovem não tenha comportamentos de risco



http://www.semprefamilia.com.br/estudo-comprova-que-pratica-religiosa-na-infancia-afasta-jovens-do-alcoolismo-e-drogas/

 

 

 

***

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

*** 



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