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Domingo, 29 de Outubro de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PRESERVAR LAÇOS TRADICIONAIS DE NOSSAS CULTURAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algumas pessoas acabam curtindo costumes do povo norte-americano pelos mais diversos motivos, desde interesses econômicos até por puro modismo ou simples diversão. Um exemplo forte dessa constatação é a comemoração do “Dia das Bruxas”, o popular “Halloween” que ocorre no último dia desse mês.  Embora nada tenha a ver com as  culturas de diversas Nações, mesmo assim, de acordo com recentes pesquisas conduzidas pelo Ministério Público Federal do Brasil, quase metade das escolas públicas da capital de São Paulo o festeja. Em contrapartida, na mesma data, passa quase despercebido, o Dia do Saci-Pererê, consagrado personagem do folclore nacional.

A origem do primeiro remonta às festas pagãs da Idade Média, que celebravam a passagem do outono para o inverno, nas quais imensas fogueiras eram acesas no alto das colinas, para afugentar os maus espíritos. Acreditava-se que as almas dos mortos visitavam a Terra no dia 31 de outubro, razão pela qual as lanternas feitas com abóboras serviam, na verdade, para orientá-los neste retorno terreno durante o Dias das Feiticeiras. Elas foram levadas aos Estados Unidos por imigrantes, principalmente irlandeses e acabaram por influenciar, curiosamente, a solenidade cristã de “All Hallows’Eve” (Dia de Todos os Santos), celebrada em primeiro de novembro. Daí o nome “Halloween” (véspera do Dia de Todos os Santos) indicar a “festa das Bruxas”.

Nessa ocasião, crianças batem às portas das casas dos outros para pedir doces, dizendo “travessuras ou gostosuras?”. Se receberem o que solicitaram, agradecem, mas em caso contrário, jogam papéis ou sujam as frentes das residências. Em nosso país, elas tentam mostrar uma alegria que apesar de não espontânea pelo costume estar fora de nossa realidade, começa a ganhar terreno a cada ano. E está incorporando ao calendário de nossos festejos, o que traz também alegria e diversão.

 No entanto, apesar de aceitar essa situação até por entendê-la o seu caráter festivo e alegre,  surge a questão: por que também não vivenciar a música caipira, o forró, o catererê, o catira, a capoeira, o boi de mamão, a folia dos reis, os folguedos, os sambas de rodas, o pagode e tantas outras manifestações culturais da nossa bela pátria? Talvez este seja o único percurso para recuperarmos nossa nação, tanto econômica como socialmente. Seria interessante que muitos estabelecimentos de ensino, com o mesmo empenho que demonstram ao saudar o dia das bruxas, o façam com nossas tradições.

Nesse sentido, promover ações e iniciativas culturais deve ser uma constante, para de certa forma, combater o que se convencionou chamar, de forma depreciativa, de colonialismo cultural. Isso é atribuído à nossa vulnerabilidade em relação a produtos externos, destacando-se a forte presença cultural entre nós de “Tio Sam”, através de seus filmes, seriados de televisão, literatura, música e agora também de festas típicas. Tal argumento deve ser usado como um estímulo na luta para mudar radicalmente esta realidade, mesmo porque esta mania de copiar eventos estrangeiros às vezes chega a ser degradante e manifestamente absurda.

A cultura é um direito de todos e implantação de realizações na área levando em conta aspectos sociais, regionais, locais, econômicos e políticos, possibilitará atingir a desejada participação da sociedade, respeitando o pluralismo, a diversidade e a integração de todos. Necessitamos assim, manter nossas tradições para que não sejam influenciadas diretamente pelas de outros países, sem quaisquer referências com o nosso passado e o próprio futuro. A não ser que despreocupadamente estejamos perdendo definitivamente a nossa identidade cultural.

 

 

FINADOS

 

 

 

A morte realmente é uma circunstância normal do ciclo da vida, que não devemos temer, ao contrário, necessitamos acolhê-la com serenidade, requerendo para tanto, empenho no progresso de conversão pessoal e no testemunho de realizações fraternas e solidárias. E não adianta recusarmos a sua ocorrência, nem tentar desmistificá-la, pois a nossa passagem por este planeta é breve e exata.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - CRISE DA ADOLESCÊNCIA EM CRISE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O problema dos desvios comportamentais dos adolescentes é recorrente, em debates e fóruns de educadores. Inúmeras propostas são feitas, muitas teóricas e nefelibáticas, algumas poucas concretas e francamente dignas de serem postas em prática e estimuladas.

Não é possível deixar de relacionar o problema com a crise de valores vivida pela instituição familiar. De fato, quase sempre desvios sérios de conduta de adolescentes têm origem em problemas familiares mal resolvidos. A crise da família, que afeta gravemente nossa sociedade já há algumas décadas, repercute de modo muito negativo no processo de maturação dos adolescentes. A falta de carinho e proteção maternais, a carência do apoio psicológico inseparável da figura paterna, famílias desunidas e desestruturadas, a ausência de um convívio pacífico e colaborativo no ambiente doméstico, tudo isso se reflete na conduta muitas vezes desgarrada dos adolescentes e jovens.

Há também que considerar o que é, propriamente, o chamado “fenômeno da adolescência”. Esse fenômeno era praticamente desconhecido no passado. Apenas muito de passagem encontramos, nos registros antigos, referências vagas à irreflexão dos jovens, à sua falta de prudência e tino etc. Mas o fenômeno se acentuou em meados do século XX, ou pelo menos passou a ser mais percebido, a partir da mudança do modelo familiar patriarcal para o nuclear. Enquanto as famílias de todos os níveis sociais mantiveram o modelo patriarcal, com muitos filhos, muitos irmãos, convivência entre irmãos, primos, entre tios e sobrinhos, todos crescendo e vivendo juntos, muitos conflitos e desarranjos se acomodavam internamente, no âmbito da própria família. Era comum tios e sobrinhos serem criados juntos. Dou o exemplo da família dos meus avós maternos. Eles tiveram 19 filhos, sendo que apenas 8 vingaram. Nos tempos antigos, muita criança morria no parto ou logo depois. Entre os filhos que vingaram, havia uma diferença de idades enorme. Minha mãe, que era a 18ª. filha, tinha um irmão 26 anos mais velho que ela e vários sobrinhos que eram mais velhos do que ela... Naqueles tempos, o convívio intergeracional e o convívio intrageracional eram muito intensos. Sempre havia alguém mais ou menos da mesma idade para se apoiar, um ombro para se encostar, um consolo para se obter, alguém para desabafar etc.

Depois que as circunstâncias da vida moderna mudaram radicalmente, em meados do século XX, e as famílias tenderam a se estruturar segundo o modelo nuclear (pai, mãe e um, dois, ou no máximo três filhos), os conflitos se acentuaram, e os adolescentes passaram a tomar como modelos de referência e pontos de apoio não mais pessoas da mesma família, mas colegas e líderes de turma, ou, ainda mais, “heróis” da mídia, personagens de videogames etc. Nesse contexto, acentuou-se a tendência para o chamado “conflito de gerações”, em que a geração de pais e a de filhos se opõem, conflitivamente, quase dialeticamente.

É claro que, nas atuais circunstâncias, é impensável retornar sem mais ao modelo patriarcal de sociedade... Mas seria preciso estudar formas de revalorizar a família, instituição indispensável para a formação e, ademais, célula básica, como sempre lembrava Ruy Barbosa, da sociedade humana.

Gostaria de chamar a atenção dos leitores para um outro aspecto da questão. Comumente nos referimos à adolescência (ou, como se costuma dizer, “aborrescência”) como sendo problemática devido “aos hormônios”... Os hormônios, os famosos hormônios é que levam a culpa de tudo...

É claro que os hormônios possuem, nessa fase da vida, uma força indômita e facilmente se descontrolam. Todos nós já sentimos isso em nós mesmos. Mas, além dos hormônios, há outra causa natural para esse descontrole. Recomendo aos leitores que procurem, na revista “Veja” de 20/11/2016, a interessante matéria que saiu, escrita por duas jornalistas do Rio de Janeiro, sobre um livro lançado nos Estados Unidos, acerca do cérebro do adolescente. Não vou repetir tudo quanto elas expuseram, mas apenas adianto que recentes estudos sobre o cérebro humano demonstram que ele não completa sua formação no final da infância, como se supunha, mas continua em formação até o final da adolescência. Ele vai se fixando de trás para a frente, e a última parte que se fixa, concluindo o seu processo formativo, é a frontal, mais perto do alto da garganta e das amígdalas. É precisamente nesse local que se situam os controles racionais do cérebro sobre certo tipo de emoções, o senso do risco, o das consequências dos atos, o do “juízo”. Um conhecimento mais detalhado desse mecanismo pode ajudar muito os educadores a entenderem e avaliarem corretamente o fenômeno.  Aqui vai a referência, para os leitores interessados: http://veja.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-desvenda-a-cabeca-do-adolescente/

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História

 

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - POR UM MUNDO MAIS BONITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Há algum tempo uma ideia tem me ocupado minha mente e provocado em mim algumas reflexões. Tenho pensado muito sobre o conceito de beleza, sobre padrões do que se convencionou chamar de feio e de bonito. Quando olhamos para as pessoas como elas realmente são, sem filtros de fotos, sem recursos como maquiagem, cintas modeladoras, perucas, cílios postiços e outros, o que resta, com pouquíssimas exceções, é muito diferente do que nos é apresentado como modelo pela sociedade moderna.

            Ainda que tenhamos variações sobre as preferências pessoais, no geral as pessoas adotaram um padrão de beleza imposto, quase invariável e muitas vezes inatingível para a esmagadora maioria das pessoas. Por essa ótica, as pessoas, no mais das vezes, são "feias” e por conta disso passam a vida sofrendo para moldar seus corpos freneticamente, num desperdício de tempo, de saúde e de emoções.

            Pelo pouco que já ouvi sobre o assunto, em termos científicos, sei que há algumas evidências científicas de que certos padrões de beleza estariam intrínsecos, arraigados no cérebro humano que, por isso, reconheceria em algumas pessoas a beleza, os atrativos para uma reprodução bem sucedida. Não sei se acredito ou concordo com isso, mas também não tenho conhecimentos para refutar cientificamente tais argumentos.

            Seja como for, temos uma tendência a rotular pessoas de acordo com classificações de bonitos e feitos, seja por critérios pessoais, culturais ou uma mistura dos dois. Até o ponto de que alguém goste mais de uma característica física do que de outra, não vejo problemas, pois a isso se chama diversidade, o que é saudável, desejável e evolutivamente necessário. O que me incomoda é exatamente o contrário: é o estabelecimento de padrões, não raras vezes cruéis, sobre o que é digno de ser chamado de belo e o que não é.

            Nesses tempos de fast food, com uma variedade de alimentos processados como nunca dantes se viu, fica difícil alimentar-se de forma adequada quando mal se tem tempo para sentir o gosto da comida, quando se é obrigado a fazer reuniões enquanto se almoça ou a conferir emails e o celular durante o ato automático de se engolir um lanche. 

            Igualmente complicado é ter fôlego para prática de exercícios após um dia de 12 extenuantes horas de trabalho, ainda mais quando se tem entes queridos, como filhos ou animais de estimação esperando para receber a cota de atenção que lhe cabem. E tudo isso não apenas porque se almeja uma saúde melhor, mas porque é preciso perder aquela barriga que insiste em preencher cada espaço vazio nas roupas, sobretudo nas calças.

            A seguirmos o que a sociedade moderna espera de nós, é necessário termos ânimo para toda e qualquer atividade, mas, para além disso, devemos ser bonitos e fiscamente definidos, sob pena de sermos taxados de preguiçosos ou relapsos. Temos nos transformado em uma sociedade que se preocupa em demasia com o visual, mas quase nada com o essencial. A felicidade, parece-me, está sendo relegada à esfera idílica da poesia, sem pressa de acontecer de verdade.

            Acredito que de fato estejamos precisando de um mundo mais bonito, mas no verdadeiro contexto da beleza, daquela beleza que enche o coração e, se tiver espaço, alegra os olhos. É preciso ser belo no agir, no lidar com o outro, mas consigo mesmo. É preciso não apequenar nossa aparência, aquilo que trouxemos conosco para esse mundo, mas sim termos a consciência de que somos mais do que isso, de que transcendemos ao físico, pois somos essência, feitos de carne, mas sobretudo de alma.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada na Silva Nunes Advogados Associados, professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e cronista.       São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS E CONVIVÊNCIAS COM ABUSADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vivências e convivências, com abusados na infância ou na adolescência, me deixam sempre indignada. São traumas e mais traumas e certa inadequação, no local onde se encontram, que carregam para sempre. Fica uma nódoa de culpa na vítima provocada pelo próprio abusador. Gente do mal mesmo, uma espécie de tarântula, que inocula o veneno e reage como se fosse provocado a corromper a pureza e os sonhos de gente miúda ou um pouco maior. São “como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de cadáveres e de toda podridão” (Mateus 23, 27), como diz Jesus Cristo ao se referir aos escribas e fariseus. Não procuram ajuda para vencer seus impulsos sórdidos.
Aplaudi, portanto, a operação contra pedofilia, denominada “Luz na Infância”, que o Ministério da Justiça realizou em 24 Estados e no Distrito Federal, na semana que passou, prendendo 108 em flagrante. É um começo para romper essa teia de maldade.  Foram aprendidos ao menos 151 mil arquivos digitais compartilhados entre os suspeitos. Que horror saber quantos indivíduos buscam prazer na desgraça de menores de idade. 
Participaram da operação 1.100 policiais, e contou, ainda, com aparato internacional de inteligência dos Estados Unidos e União Europeia. Desenrolou-se na chamada “deep web” (camada da internet que não aparece nos resultados de buscas). As investigações começaram há seis meses. 
Para o Ministério, “‘Luz na Infância’ significa propiciar às crianças e adolescentes vítimas de abuso e violência sexual o resgate da dignidade, bem como tirar esses criminosos da escuridão, para que sejam julgados à luz da Justiça”.
E nesse “puxar” os criminosos da escuridão, uma pessoa de nossa cidade. Não é, portanto, um assunto distante. Há que se encontrar, também, um caminho para trazer à claridade outros criminosos, com laços de sangue ou não, que dispensam a internet, mas, dentro ou no entorno da casa de crianças, destroem a infância. 
Louvo todos aqueles que denunciam ou retiram do convívio na sociedade os pedófilos e quem estimula a pedofilia. Omissão e silêncio também são encorajamento para os pedófilos.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 
 



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SONIA CINTRA - UMA CIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Nesses dias, o vento forte que varre Jundiaí trouxe de volta o tempo em que ele levantava a saia rodada das moças, ao passarem pela esquina do Credicity, no centro da cidade. Eram saias franzidas, pregueadas ou plissadas, hoje tão em moda. Saias listadas, lisas e floridas, de algodão, linho ou seda, que cobriam as delicadas anáguas de cetim, jérsei ou morim, com barra debruada de renda, fita ou sinhaninha. Os moços, à porta da Pauliceia, pigarreando com o primeiro cigarro, enquanto aguardavam a saída da Missa das 11, apostavam qual das saias iria se levantar mais alto naquele domingo. Cientes disso, as moças as seguravam junto ao corpo e passavam por eles de nariz empinado, até a quadra seguinte, onde desatavam-se em risos.

            Jundiaí era, então, uma cidade em que amizades e relações de vizinhança não permitiam solidão ou violências. Não raro, a vizinha de casa retribuía os ovos caipiras trazidos do sítio com aquela polenta especial que se cortava com linha. Um milagre, dizia minha mãe. Meu irmão e colegas apanhavam jabuticabas maduras no pé e as lavavam no balde de flandres, para serem chupadas ali no quintal, ainda amornadas de sol, à sombra da frondosa árvore. Que delícias a fruta, a companhia, os segredos e os planos. A escola era o grande tema e os professores estavam sempre em pauta. Quanta curiosidade e gratidão. Quanto respeito e desordem. No Bolão, praticávamos esporte, sob o olhar atento do Maffia, do Nelsão e da Serra do Japi. Aos torneios e campeonatos íamos de trem: todos por um e um por todos, tais e quais os Mosqueteiros.

            Em tempos de aula, os horários dedicados aos estudos eram rígidos e, nas férias, praças e clubes da cidade alegravam nossas brincadeiras. O Jardim das Rosas era o lugar para torneios de bola de gude; o Largo São Bento, para ouvir o cântico em latim dos frades e admirar as noivas; a Praça da Cadeia (atual do Fórum), para ouvir a passarada cantar nas seculares figueiras; a das Bandeiras, para troca de figurinhas; a Ruy Barbosa, para leitura de gibis; da Matriz, para observar passantes e pessoas que se sentavam nos bancos para conversar, entre canteiros de arbustos e flores. No Escadão, namorados se beijavam. Do Coreto, a banda nos encantava. Sabíamos de cor o Hino de Jundiaí, composto por D. Haydée Dumangin Mojola, e assistíamos ao poente entre as pipas coloridas da Chácara Urbana. Havia feiras no Parque da Uva, festas de imigrantes e procissões nas ruas centrais e nos bairros, como hoje, e muito mais. A cidade era um lugar bonito e acolhedor de convivência com o outro, e a Cidadania era um Bem natural, a ser ampliado “pela tecnologia doce” do futuro, previa o saudoso geógrafo Milton Santos.

Como diz José Saramago: “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória”. Ser cidadão também é isso.

 

 

 

SONIA CINTRA  - É doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental.



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PÉRICLES CAPANEMA - RETRATOS DO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A menos de ano da eleição presidencial, não só dela, Câmara, Senado, governadores, na bica, desembocamos na reta de chegada. Como? Deixo alguns vislumbres abaixo. Entre 12 e 16 de outubro o Instituto Paraná Pesquisas executou a especialidade, pesquisou em 64 cidades de Santa Catarina, entrevistando 1.554 eleitores.

 

Antes dos números alguns lembretes. Em renda per capita o catarinense é o brasileiro mais rico ou quase tanto. Estado ordeiro, boa qualidade de vida, gente acostumada ao trabalho, em média seu habitante é mais escolarizado e informado que no resto do Brasil. Tal perfil sociológico se repete em enormes bolsões de Pindorama. E então, os resultados em Santa Catarina são importantes, mais valem, todavia, como indicativos nacionais. Feitas as adaptações, a pesquisa revela propensões País afora em gente de aspirações, nível de informação e renda, semelhantes às dos catarinenses.

 

Na corrida presidencial, Bolsonaro lidera (24,6%), seguido por Lula (18,0%), Marina (9,3%), Alkmin (8,2%), Álvaro Dias (7,0%), Joaquim Barbos (5,8%).

 

Por idade. Entre 16 e 24 anos, Bolsonaro (32,7%), Lula (17,6%); entre 24 e 34 anos, Bolsonaro (34,3%), Lula (15,0%); entre 35 e 44 anos, Bolsonaro (30,6%), Lula (15,6). De outro jeito, a aprovação a Bolsonaro sobe acima da média do Estado e a de Lula cai para abaixo da média na juventude e nos anos em que a pessoa é mais produtiva. Entre os idosos, a tendência se inverte, sobe Lula e cai Bolsonaro. Para os de 60 ou mais, Jair Bolsonaro (11,6%), Lula (21,6%). Aqui pode entrar o receio da mexida nas aposentadorias, que o petista supostamente não faria. Agora, escolaridade. Aumenta a escolaridade, cresce o voto Bolsonaro. Entre os de nível superior, Bolsonaro (31,1%), Lula (10,6%). Finalmente, sexo. O apoio a Bolsonaro é maior entre homens que entre mulheres; homens (32,8%), mulheres (20,1%).

 

Sob um aspecto, o levantamento mostra, sobe o voto Bolsonaro entre as pessoas que estão pela idade com mais gana de ir para frente e crescer na vida. Buscam ordem, segurança, correção na vida pública. Têm horror de incompetência, bagunça, roubalheira e retrocesso, marcas do PT. Apoiariam incondicionalmente Bolsonaro? Não. De momento simpatizam com uma imagem militar de determinação, um comportamento, algumas convicções. Tanto mais que o deputado ainda não apresentou programa. A maioria desse eleitorado quer privatizações e menor presença do Estado na economia. E não são bem conhecidas as posições atuais de Bolsonaro relativas ao estatismo e ao intervencionismo estatal.

 

Continuo com pesquisas, agora mais amplas e trabalhadas. Passo a um estudo, cuja matéria-prima são investigações (entrevistadas 1.568 pessoas no Brasil inteiro), realizado e publicado pela Fundação Getúlio Vargas. Título: “O dilema do brasileiro: entre a descrença no presente e a esperança no futuro”.

 

Algumas de suas constatações: o que mais preocupa 62,3% dos brasileiros é a corrupção (62,3%). Supera saúde pública (49,7%), segurança pública (44,1%), desemprego (39,4%). Para apenas 12,2% o principal problema é a perda de valores morais. E apenas 24,8% julgam que é a educação pública. Outras averiguações do estudo da FGV. 68,4% dos brasileiros são contra qualquer liberalização do aborto, 10,0% a desejam. 39,2% dos brasileiros concordam que os casais homossexuais devem ter os mesmos direitos que os heterossexuais, 31,0% são contra tal possibilidade.

 

Enorme descrença com a política. Rejeição de 83% ao presidente Temer (apoio de 7,7%), rejeição de 78% aos políticos (apoio de 8,9%), rejeição de 76% aos partidos (apoio de 7,3%). 55% não pretendem votar no candidato presidencial em que votaram na última eleição. No Nordeste, entretanto, 58,7% repetiriam o voto. Três entidades gozam de boa credibilidade: Igreja, apoio de 61% e rejeição de 19,5%; militares, apoio de 45,9% e rejeição de 29,6%; juízes, apoio de 42,2% e rejeição de 32,8%.

 

Claro, tais fatos se refletem no apreço à democracia entre os brasileiros. Para 44,2% deles não existe democracia no Brasil. Para 20,7%, de alguma maneira, existe.

 

Volto a números coletados pela Paraná Pesquisas (agora nacionais), relacionados com o tema em análise. Para 70,1% da população brasileira não há diferença entre PT e PSDB. Para 26,9%, existem. Nas eleições para deputado federal em que partido votariam? 18,2% votariam em tucanos. 14,5% votariam em petistas. 63,7% em nenhum dos dois. Perguntados se “o sr(a) seria a favor ou contra uma intervenção militar provisória no Brasil?”, 51,6% se manifestaram contra, 43,1% se manifestaram a favor. Modificada a pergunta: “Caso a justiça não puna os corruptos, o sr(a) seria a favor ou contra a volta dos militares ao comando no Brasil?”, 50,6% se manifestaram a favor, 43,4% contra.

 

Sei, pesquisas são retratos momentâneos, imprecisas, têm erros de avaliação. Sua importância precisa ser relativizada, em especial no Brasil de divisões ideológicas fluídas, primitivismo, ignorância, desorientação dos espíritos. Informa o site “O Antagonista”, 13% dos eleitores de Bolsonaro têm Lula como segundo candidato; 6% dos eleitores de Lula têm Bolsonaro como segundo candidato. De qualquer maneira, os números representam alertas importantes, mostram quadro, ainda que esboçado, de luzes esperançosas e sombras importantes.

 

Somos passageiros do ônibus Brasil, trafegamos em velocidade alta em estrada lotada de avisos de curva perigosa, animais na pista, buracos, queda de barreira, cerração. Lá em baixo, na pirambeira, avistamos arrebentada a jardineira Venezuela. Olho aberto, dentro de menos de ano o ônibus poderá sair fora da estrada ou chegar a bom destino. Depende de nós.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA   -    é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas”.

 

 



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Sábado, 28 de Outubro de 2017
FELIPE AQUINO - EXISTE SANTO CASAMENTEIRO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde a Idade Média criou-se uma tradição de que Santo Antônio, um frade franciscano, nascido em 1195, em Portugal e que viveu em Pádua, na Itália, era promotor de casamentos. Ele foi um santo doutor da Igreja, e que pregou até para o Papa Gregório XI (1227-1241).

 

 

Na verdade, em seus sermões ele não pregava nada específico sobre casamentos, mas ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido por conta da ajuda que dava a moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento, como era a exigência da época.

Segundo a lenda, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem pediu a ajuda do Santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar certo comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. O homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que um dia havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. A moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.

Há outras histórias, como a de que uma moça muito bonita, que não arranjava um marido, apegou-se a Santo Antônio. Adquiriu uma imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que este lhe trouxesse um marido. Mas, passaram-se semanas, meses, anos… e nada do noivo aparecer.

 

 

 

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Leia também: Por que Santo Antônio é considerado casamenteiro?

10 Ensinamentos de Santo Antônio de Pádua, doutor da Igreja

O verdadeiro sentido do casamento

 

 

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Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atirou a imagem pela janela. Neste momento, passava um jovem cavalheiro que foi atingido pela imagem do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona por ele, e se casam.

Na verdade Santo Antônio, e os demais santos, “intercedem por nós diante de Deus sem cessar”, diz uma das orações eucarísticas. Mas a Igreja não declarou nenhum santo como “casamenteiro”; há santos protetores do casamento. No entanto, como Santo Antônio é grande intercessor diante de Deus, as moças solteiras podem pedir a ele a graça de encontrar um bom marido.

Mas não apenas a Santo Antônio. Conheço uma moça que certa vez, fez uma novena a Santa Rita de Cássia para encontrar um bom namorado cristão, e o encontrou num Acampamento da Canção Nova; hoje está casada com ele e tem dois belos filhos. E este é apenas um de muitos casos de graças como estas alcançadas pela intercessão dos santos.

 

 

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Portanto, cuidado com as simpatias para conseguir um bom namoro ou casamento. Nada de virar a imagem de santo Antônio de cabeça para baixo, afoga-lo num copo de água, ou de tirar o Menino Jesus de seus braços e virá-lo de frente para a parede. Esses hábitos não se coadunam com a fé católica.

Os santos estão pertinho de Deus e não cessam de interceder por nós. Se hoje você está a procura de um bom marido ou de uma boa esposa, peça com a fé a intercessão dos santos por sua vida.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



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PAULO R. LABEGALINI - O SANTO DIA DE DOMINGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Muita gente aguarda o domingo para descansar. Longe do trabalho, aproveita para dormir até mais tarde, ler o jornal, assistir televisão, ir ao clube se encontrar com os amigos, comer um pouco melhor e ir à missa.

Se você, caro(a) leitor(a), concorda que essas atividades são praticadas pela sua família aos domingos, ótimo. Parabéns por saberem conciliar o lazer com a obrigação cristã no dia dedicado ao Senhor. Continuem assim que, certamente, não se arrependerão.

Nos finais de semana, ao chegar na igreja, é gratificante ver todo o seu espaço interno tomado pelos filhos de Maria, que buscam a Deus em agradecimento às graças recebidas a cada dia. Quanto mais gente, mais bonita é a missa: o coral canta mais alegre, o hino de louvor ressoa mais alto, a fila da comunhão parece não acabar; enfim, tudo contribui para aumentarmos a nossa fé.

Eu não consigo entender a razão daqueles que ficam fora desse banquete do Pai. Dá para acreditar na falta de tempo? Os programas de televisão, as matérias do jornal, as mensagens no whatsapp e os passeios também são adiados no domingo? Por que então, em alguns casos, só não sobra tempo para se dedicar à religião?

A culpa não é do tempo, muito pelo contrário - geralmente o temos de sobra nos finais de semana. O problema está na fé. Se o nosso amor a Deus fosse correspondido em tudo aquilo que Ele nos abençoa, teríamos tempo para estar com Ele, na sua casa, todos os dias da semana. Só a graça de termos saúde para isso já deveria ser o suficiente. Não é maravilhoso poder caminhar, enxergar, se comunicar, sorrir ... chorar?

Ainda pior do que não ir à missa aos domingos e dias santos, é não colaborar para que a família o faça. Quem não tem esse ‘hábito’ de participar da missa, pode acabar convidando outras pessoas para atividades de lazer nos horários que poderiam estar na igreja, desencorajando-as de rezar.

Mas, é preciso ter coragem para participar da Celebração Eucarística? Em muitos casos, infelizmente, sim! Se não pensassem assim, hoje o mundo estaria melhor, porque é na homilia do sacerdote que mais ouço falar de fraternidade, de justiça social, de paz e, principalmente, de salvação eterna.

É por isso que peço a Jesus que continue abençoando todo o seu povo e, cada vez mais, conduzindo-o à sua Igreja, onde maravilhas acontecem - é bênção sobre bênção em cada palavra que Deus coloca em nossos corações.

Por exemplo, veja estas lindas palavras: “O Senhor falou a Moisés, dizendo: ‘Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz! Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei’.” (Nm 6, 22-27). Existem palavras mais santas para abençoarmos os nossos filhos?

Também São Paulo (Gl 4, 4-7) nos coloca que Deus, ao enviar seu Filho ao mundo por meio de Maria, nos concedeu a graça de sermos seus filhos também. Deus assumiu a natureza humana! Foi de carne e osso aqui na terra como qualquer um de nós!

E o Evangelho de São Lucas (2, 16-21) se refere ao encontro dos pastores com Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, ficou maravilhada com o que lhe fora dito a respeito do menino e, até hoje, nossa Mãe continua a nos apresentar a vida divina.

Portanto, feliz de quem ouve esses ensinamentos de Deus e ainda pode se aprofundar na homilia do padre. Esses – posso afirmar sem medo de errar –, começam ou terminam o dia muito abençoados.

Nada deve impedir de assistirmos missa aos domingos, recebermos as bênçãos de Jesus, de Maria, e sermos sempre um canal de graças para toda a nossa família. Até os enfermos podem fazê-lo pela televisão!

Com a graça de Deus, só depende de cada um de nós.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas



publicado por solpaz às 19:50
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - PENSAMENTOS DE MARCO AURÉLIO PARA LER NO DIA DE FIEIS DEFUNTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em meados de Outubro, costumo receber, via Internet, mensagem, solicitando texto sobre o Dia dos Finados.

Sempre fico embaraçado. Não gosto de “encomendas”. Por mais que rebusque, no armazém da memória, encontro-a sempre vazia.

Assentei, este ano, não escarafunchar o bestunto, e apresentar o que escreveu Marco Aurélio, Imperador de Roma (161-180) nos cadernos –    “Pensamentos Para Mim Próprio”.

Marco Aurélio não era cristão, chegou até a persegui-los.

Li algures, não sei onde, que assimilara o cristianismo, mas, como politico, que era, sentia-se na obrigação de ser politicamente correto.

Se assim é, não era diferente de certos políticos, do nosso tempo, que metem a religião, que professam, na gaveta, para não colocarem em risco, ascensão social, que tanto ambicionam.

Com frequência ouço dizer: é preciso cristãos na política. Concordo, mas Homens que não sejam duplos: crentes no templo; agnósticos na sociedade e na política.

Voltemos a Marco Aurélio:

Verdade é, que na guerra com os Quadros, havia, entre os romanos, cristãos, que pediram a Deus, a vitória do Imperador.

Os Quadros eram mais numerosos, e haviam cortado o fornecimento de água, ao exército romano. Devido à oração dos cristãos, – ou não, – choveu, e os soldados puderam aparar a água, e beber.

Seguiu-se, depois, tremenda trovoada, e raios provocaram incêndios no arraial dos Quadros

Os romanos saíram vencedores da batalha, que não houve, e ninguém morreu.

Disseram, então, que fora milagre do Deus dos cristãos. O Imperador, que era estoico, deve ter-se tornado, em segredo, cristão (penso eu) – embora nunca aceitasse, publicamente, a intervenção divina, na batalha.

Dito isto, que nada tem com o Dia dos Finados, translado alguns dos célebres pensamentos de Marco Aurélio, que julgo enquadrarem-se com esta data:

 

“ A morte é um mistério da Natureza, tal qual como o nascimento– Livro IV.

“ Em breve nada restará de vós, nem sequer o nome” – Livro IV

“ Alexandre da Macedónia e o seu almocreve, uma vez mortos, foram reduzidos ao mesmo” – Livro VI

“Em breve a terra nos cobrirá a todos.” - Livro VIII

“ Onde estão eles (os grandes, que morreram)? Em parte nenhuma ou algures. Desse modo verás constantemente como as coisas humanas não passam de fumo e de nada.” - Livro X

“ Sou composto duma alma e dum corpo” – Livro VI

“ A perfeição moral consiste em passar cada, como se fosse o último dia.” - Livro VIII

“ Tal como aguardar o dia em que a criança está no sei da tua mulher nasça, assim deves aguardar com compreensão, a hora em que a tua alma abandonar o invólucro que habita, e nasça a luz.” - Livro IX

“ O homem a quem encanta uma glória póstuma, não se lembra que aqueles que o recordarão, também, em breve, deixarão de existir, assim como aqueles que ficarão em seu lugar, até que a sua memória se apagar por completo.” - Livro IV

“ Recorda, pois sempre destas duas coisas: primeiro, que desde a eternidade, tudo tem especto idêntico e passa pelos mesmos ciclos, portanto que tanto vale assistir ao mesmo espetáculo, durante cem, duzentos anos ou eternamente; segundo, que o homem que morre mais velho ou o homem que morra mais novo, perdem o mesmo, porque só perdem o presente, que é o que nos é dado possuir. Ninguém perde o que ainda não possui.” - Livro II

 

Estes são alguns pensamentos de Marco Aurélia, colhidos ao acaso, mas significativos para este dia de Fieis Defuntos.

Se me permitem – e os pensamentos apresentados despertem a curiosidade, – recomendo-lhes a leitura e a meditação da célebre obra de Marco Aurélio.

Creio que não se vão arrepender…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por solpaz às 18:53
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JORGE VICENTE - PÁRA- QUEDISTAS DE PORTUGAL

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

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Foto de Artur Villares.

 

 

 

 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

 ***



publicado por solpaz às 18:44
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