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Sábado, 13 de Janeiro de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A TRISTE SITUAÇÃO DOS APOSENTADOS NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 24 de janeiro, celebra-se no Brasil o Dia Nacional do Aposentado, porque nessa data,  em 1923, ocorreu a assinatura da Lei Eloy Chaves, criando a caixa de aposentadorias e pensões para os empregados de todas as empresas privadas das estradas de ferro. Esse diploma legal, cujo autor é de Jundiaí, Estado de São Paulo e dá nome a um dos mais importantes bairros dessa cidade, constitui-se no marco histórico da Previdência Social, que até então atendia apenas os funcionários do governo federal.

 

No entanto, não há o que comemorar atualmente. Ao contrário, tornou-se oportunidade para ressaltar os problemas que afligem os aposentados, que prestaram durante muitos anos os mais variados serviços em prol do engrandecimento da Pátria. Eles sofrem uma série de injustiças e seus rendimentos são constantemente reduzidos. Tanto que, os que recebem mais de um salário-mínimo de benefício são aumentados em índices bem inferiores ao do acréscimo real desse valor referencial, mostrando as pesquisas que está havendo um acelerado processo de pauperização da faixa intermediária deste grupo de pessoas. Enfrentam assim, não só o fator previdenciário, com a quebra da paridade, mas a ausência de reconhecimento a quem já entregou parte de sua vida ao trabalho. É por isso que um em cada três inativos do país, diante do achatamento de seus salários e pensões, continua trabalhando ou está em busca de uma posição de sobrevivência.

 

            Em meu livro “O Direito de Envelhecer num País ainda Jovem” (4ª. Edição, Ed. In House), destaco que o idoso não precisa de esmolas, mas de justiça e de direitos como o de viver, de envelhecer, de lazer e de ter uma medicina preventiva. Há, assim, necessidade urgente de reformulação da política que rege as aposentadorias, no sentido de evitar que se tornem fonte geradora de problemas sociais e preparar a infra-estrutura de instituições e empresas para que os pré-aposentados tenham condições de pensar, discutir e planejar a aposentadoria. Compete à Previdência Social propiciar dignidade àqueles que compõem a memória viva da humanidade. Eles não querem mais ser lembrados somente às vésperas de eleições, atuando indiretamente como simples trampolins políticos, para posteriormente serem relegados a um plano eminentemente secundário, com o adiantamento constante de possíveis soluções às suas questões.

 

            Por outro lado, invocamos a luta efetivada pelo ex-vereador jundiaiense Antonio Galdino, um dos fundadores da Associação dos Aposentados de Jundiaí, cujo trabalho alcançou repercussão nacional, a quem conheço e admiro desde criança quando ainda trabalhava numa sapataria no Largo São José, tendo exercido vereança junto com meu pai, saudoso Hermenegildo Martinelli. Inspirando-me nele, destaco que os próprios aposentados e pensionistas, não podem aceitar passivamente o desinteresse com que são recepcionados e o desrespeito com uma legislação que desconhece os anseios de uma parcela da sociedade já tão rejeitada e abandonada. A mobilização, a luta, a dedicação, a cobrança aos representantes populares eleitos e uma permanente participação demonstrando a força do movimento poderão promover as mudanças necessárias, alcançando-se a igualdade de direitos, tão distante deles e que muitas vezes são tratados como cidadãos de segunda categoria, dada à negligência do Poder Público para com suas justas solicitações.

 

 

                                               DIA DA RELIGIÃO

 

 

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial da Religião, com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as devoções, a crença num Ser superior e um sentido corporativo ou de comunidade. Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta com dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram na sua construção. Reitero, por ocasião dessa data comemorativa, que professar uma crença, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ajudar o próximo, ser solidário e generoso, perdoar e respeitar os outros. Mais do que nunca temos que nos conscientizar que a generosidade com as pessoas e o respeito à natureza, bem como a fé em Deus devem abalizar qualquer religião.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - O SONHO DA SRA. PILATOS

                      

 

 

 

 

 

 

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Um sonho registrado apenas de passagem, na Bíblia, foi muito discutido e até hoje não existe consenso sobre seu real significado. Refiro-me ao célebre sonho que teve a esposa do governador romano Pôncio Pilatos, que ficou muito preocupada com a prisão de Jesus Cristo, porque sabia ser ele justo e inocente e receava que seu marido o condenasse. Tal preocupação a atormentou nos sonhos e a levou a aconselhar o marido a que nada fizesse contra Jesus. A referência bíblica é, como disse, apenas de passagem: “Enquanto ele estava sentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Nada haja entre ti e esse justo, porque fui hoje muito atormentada em sonhos por causa dele” (Mateus, 27,19).

Tal episódio foi objeto de interpretações conflitantes e bastante curiosas, por parte dos exegetas e comentaristas da Escritura. Há autores que consideram o sonho da esposa de Pilatos como tipicamente natural, sem nenhuma intervenção de natureza sobrenatural, tendo sido produzido tão-só pela grande preocupação que a prisão de Jesus Cristo tinha causado na mulher. Essa é a posição do erudito Pe. Henri Lesêtre, autor do verbete “Songe” do clássico “Dictionnaire de la Bible”, de Fulcran  Vigouroux (Paris, 1911).

 

O exegeta Cornélio a Lapide cita, nos Commentaria in Matthaeum, cap. XXVII, 18, alguns autores que atribuem a inspiração dos sonhos da mulher de Pilatos a Deus, pelo ministério de algum santo anjo. Entre esses autores, elenca Orígenes, S. Hilário, S. Jerônimo, S. João Crisóstomo, Eutímio, Teofilato, Jansênio, Maldonado, S. Agostinho e S. Ambrósio. As razões dessa posição: 1) era conveniente que a inocência de Cristo, que já tinha sido declarada de público por Pilatos, também o fosse por alguém do sexo feminino, de modo que todos os elementos da humanidade estivessem representados nessa declaração; 2) convinha, como expôs S. João Crisóstomo, que sonhasse a mulher e não o marido, porque se Pilatos tivesse recebido o sonho tê-lo-ia guardado para si, em segredo, e não o teria tornado público, diante dos príncipes e dos judeus, como fez a mulher: 3) convinha que a mulher de Pilatos (que se chamava, segundo a tradição, Cláudia Prócula, e parecia ser pessoa honesta, piedosa e inclinada à misericórdia), viesse a conhecer, por meio desses sonhos, que Jesus era o Messias Salvador do mundo, nele cresse e, assim, se salvasse. A Lapide cita ainda o Evangelho de Nicodemos “que, apesar de apócrifo, contém muitas coisas verdadeiras e dignas de respeito”, segundo o qual, quando a mensagem de Prócula foi transmitida em voz alta a Pilatos, os judeus que acusavam a Jesus interpelaram o governador, dizendo: “Porventura não te dissemos que esse homem faz malefícios? Eis que ele mandou um sonho à tua mulher”.

A Lapide também registra que alguns autores, entre os quais São Bernardo, São Cipriano (ou quem quer que tenha escrito o Sermão da Paixão atribuído a São Cipriano), Caietano, Lirano, Cartusiano,  Barônio e Barrádio consideram que os sonhos da mulher de Pilatos lhe foram enviados pelo demônio, porque este já estava convencido, àquela altura da Paixão, de que Jesus era o Messias Salvador, e queria impedir que por sua morte fosse salva a humanidade.  

 

 

 Na iconografia cristã, há exemplos de representações nestes dois últimos sentidos, pois ora aparece a mulher dormindo e tendo ao seu lado um anjo inspirador, ora ela aparece com um demônio que lhe incute o sonho.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 

 

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - ÉRAMOS SEIS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Ao contrário do clássico romance da escritora Maria José Dupré, esse não é um texto sobre perdas, mas sobre ganhos ou acréscimos, como se preferir. Lembro, inclusive, de que quando eu era uma aluna do hoje nomeado ensino médio, o livro figurava entre os de leitura obrigatória e embora eu sempre tenha gostado muito de ler, não gostei da tristeza que a história carregava, da dor das perdas que nos diminuem com o passar dos anos.

            Retomando o mote desse texto de hoje, o caso é totalmente outro. Pois bem, como já relatei aqui, no final do ano, enquanto eu passava as festas com meus pais e irmãs, achei pela rua dois filhotinhos de gatos, ambos pretinhos e machos. Muito dóceis, foi extremamente fácil fazer com que viessem até mim. Constatado que não tinham dono e que corriam risco sozinhos pelas ruas, resolvi resgatá-los, nomeando-os provisoriamente de Benedito e Bento.

            Rapidamente, com uma única mensagem de whatszapp e o Benedito já tinha um lar esperando por ele na cidade de Taboão da Serra. O destino era a caso do meu tio José e de sua esposa Junia, para fazer companhia a uma gatinha que já tinham resgatado anteriormente. Sem fazer ideia de para onde eu mandaria o Bento, segui acreditando que conseguiria um lar para ele também com alguns conhecidos.

            Chegou o dia de voltar para São Paulo e segui viagem com os dois pequenos na caixa de transportes, já devidamente vacinados e asseados. Por sinal, gostaria de agradecer ao Dr. Roberto Camargo, veterinário, e à esposa Roseli, que não apenas hospedaram os bichanos lá, mas que também abriram as portas da clínica em pleno dia 31/12, perto das 19h, para que o Bento, encontrado nesse dia, pudesse ter onde passar a noite e aguardar meu retorno à capital paulista.

            O fato é que um dia após chegar em casa o Benedito seguiu para sua nova casa e horas depois recebi fotos dele de coleirinha vermelha, com pose de rei. Tarefa cumprida. Mas e o Bento? Coloquei foto dele em todas as redes sociais e fiz o texto mais fofo que pude, rogando por um lar. Enquanto isso, coloquei nele também uma coleirinha vermelha, até para ver se ele ficava mais atraente nas fotos.

            Foram várias as curtidas e os comentários, mas ninguém nem remotamente se interessou. Tirando o fato de que muita gente, quem gosta de animais e se importa, já terem muitos animais consigo, a real é que quase ninguém quer um animal sem raça aparente, dessas de vitrine. O Bento, por exemplo, tem a ponta do rabo torta e está tão magrelo que dá dó. Na mesma semana vi um aviso de uma pessoa doando um gatinho persa e faltou gato para tanta gente.

            Acredito que todos tem seu destino nesse mundo. Nada é por acaso. Já mandei fazer a coleira de identificação do Bento. Arrumei um lar legal para ele. Já tem outras três gatas lá e um cachorro rabugento de quinze anos, mas é um lugar bacana de ser viver. Éramos seis, mas agora, porque assim quis o destino, somos sete!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo-



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS E CONVIVÊNCIAS LITERÁRIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vivências e convivências literárias acontecem, mesmo que não se conheça pessoalmente o escritor. Habitam-me diversos deles e delas. Algumas vezes, ressurgem em um fato novo ou em uma lembrança. É assim faz anos, como com Clarice Lispector, por exemplo, sobre a qual fiz meu TCC na faculdade, em especial a respeito do livro “Água Viva”. Foi ela que destacou: “Abro a janela e me sinto responsável pelo mundo”. Traduz-me em tantas coisas! Bem antes de Clarice, passei a me relacionar com Machado de Assis, por influência de meu pai e de um amigo dele, Sr. Hermelindo Scavone. Isso sem dizer das personagens infantis das histórias lidas e contadas por minha mãe. Meu pai e Sr. Hermelindo carregavam Machado de Assis em diferentes conversas e recordações de locais no Rio Janeiro. Como apreciava ouvi-los. No momento, Machado de Assis tem me retornado através de mensagens que recebo de meu amigo de alma com poesia e música: Fernando Diniz Marcondes, jundiaiense que reside em Salvador. 
Senti muito a morte do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Gostava demais, há décadas, de lê-lo. Era a primeira crônica que eu buscava, aos domingos, na Folha de São Paulo. Mesmo que a opinião dele sobre um determinado assunto não fosse a minha, lia até o fim. É preciso conviver com conceitos diversos. Sua escrita era perfeita, sua inteligência brilhante e sua memória surpreendente. Incrível como ele costurava, em seus textos, filosofia, história, mitologia, passado, presente... E comunicava-se, igualmente, muito bem com crianças e adolescentes. “O Mistério das Aranhas Verdes”, li mais de uma vez.
Existia, também, o Cony do lirismo e do amor à Mila, uma de suas Setters, a cachorrinha que fez ninho em seu coração. Escreveu inúmeras vezes sobre ela na “Gazeta do Povo”. Fantástica a colocação dele sobre a cachorrinha, no dia em que ele perdeu o pai: “Naquela noite não pulou, nem olhou meus olhos. Cabeça baixa, rabo entre as pernas, ela sabia. Não avisara a ninguém, mas a ela precisava dizer. Encostou-se aos meus joelhos, cúmplice e solidária. E ela, que do mundo lá fora esperava um pai, do mundo lá fora recolheu um órfão”. E sua crônica, na morte de Mila, encerra-se dessa forma: “Até o último momento, olhou para mim, me escolhendo e me aceitando. Levei-a, em meus braços, apoiada em meu peito. Apertei-a com força, sabendo que ela seria maior do que a saudade”.
Cony permanecerá como lição de coerência e saber literário na releitura de seus textos.
 
 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - CONSTRUINDO MEMÓRIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            “Anjo todo beleza, conheceis estas rugas/ Do horror de envelhecer como tormento infausto/ De ler o obscuro horror de penoso holocausto/ Nestes olhos que sempre subjugas?/ Anjo todo beleza, conheceis estas rugas?/ Anjo todo ventura, alegria e clarões,/ Davi a agonizar teria retornado/ Só às emanações de teu corpo encantado./ Mas de ti só imploro as tuas orações,/ Anjo todo ventura, alegria e clarões!”.

            Charles Baudelaire sempre me emociona.

            Tendo-se firmado “o poeta maldito” por excelência, mescla inigualável e veementemente o grotesco e o sublime do ser humano, como no fundo ele é, muito embora não o saiba ou fuja de sabê-lo.

            Tão delicados, apesar da crueza, os versos acima!

            – Pudera tê-lo, meu anjo, comigo em todo tempo e lugar.

            Quem, tenha a fé que tenha ou nenhuma, não conversa com seu anjo?

            Mas, o que nos traz aqui, hoje, não são anjos, demônios, nem a forma ou o talento do controverso poeta e crítico francês. Eu apenas passei pela estante, esbarrei os olhos no livro, abracei-o e, nisso, quis esticar até você que lê o abraço.

            Adoro abraços. Caso me faltem palavras, seja por bem seja por mal – corro abraçar.

            Foi o que fiz, dia desses, com meus gatos.

É que, por falar em esbarrões, imaginem que eu estava literalmente às voltas com a feitura das panquecas, quando tudo no cômodo contíguo veio abaixo...

Dois dos meus companheirinhos escalaram o móvel e, ao descer, um fugindo do outro, esbarrou no objeto decorativo com que eu fora carinhosamente presenteada.

Caído este se quebrou aquele. Por aquele se entenda o vidro que cobre o nível debaixo do tal móvel a quem, imóvel, sem defesa, só coube sofrer os danos.

Fiquei tão triste à vista do enfeite esfacelado. Tão triste...

Todavia, quanto pode durar uma tristeza nascida de alegria assim inocente e contagiante?

Ficou para depois o lamentoso cálculo com os gastos do vidro substituto. Cuidei somente de juntar os cacos esparramados.

Aos poucos a gente vai entendendo que viver é construir memórias. E que momentos memoráveis dispensam quaisquer objetos que os eternizem.

“Meu gato, vem, ao meu peito amoroso;/ Encolhe as garras dessa pata,/ E que eu mergulhe em teu olhar formoso/ Que é feito de metal e ágata.”.

 

 

 

 

 Valquíria Gesqui Malagoli  -   escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



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PÉRICLES CAPANEMA - JUÍZES FEDERAIS ENODOADOS COMO FACÍNORAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O PT lançou a campanha “Cadê a prova?”. Que prove do próprio veneno, faço a mesma pergunta tendo como objeto o manifesto “Eleição sem Lula é fraude” lançado em 19 de dezembro último, que está sendo largamente difundido ▬ adesões, nem tanto, até agora menos de 200 mil, apesar da propaganda maciça e facilidade de firmá-lo. Conta com assinaturas de políticos, celebridades, empresários, entre eles, José Mujica, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Chico Buarque, Celso Amorim, Fábio Konder Comparato, Noam Chomsky, Luís Carlos Bresser Pereira e vai por aí afora. Em resumo, o texto é uma vergonha de português, lógica e probidade.

 

A frase inicial é uma tolice palmar: “A tentativa de marcar em tempo recorde”. Ninguém tentou nada. Houve, isso sim, decisão pública, o julgamento está marcado para 24 de janeiro, começará às 8h30 na sala de sessão da 8ª Turma, na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre.

 

Logo a seguir, mentira deslavada, “em tempo recorde”. Vai contra os fatos. A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao TRF-4 levantando a suspeita de que era inusitada a pressa com que foi marcado o julgamento do recurso. A resposta da Corte, pelo seu presidente, 113 páginas, esfarinha a alegação de pressa indevida (está na rede). O manifesto das esquerdas mundiais (vamos batizá-lo assim) por probidade deveria quando menos aludir ao mencionado texto. Nem uma palavra. Et pour cause.

 

Segundo o desembargado Thompson Flores, “o requerente, em síntese, questiona a celeridade impingida ao processamento”. Destaco alguns trechos da peça: “Destarte, o tempo de processamento da Apelação Criminal nº 5046512-94.2016.4.04.7000 perante esta Corte não fere o princípio da isonomia. Como já referido, 1.326 apelações criminais foram julgadas por este tribunal no ano de 2017 em tempo inferior àquele em que se realizará o julgamento da Apelação Criminal”. Afirma ainda que se, por acaso, tivesse havido celeridade inusual, atenderia a diretriz do Conselho Nacional de Justiça. Seria portanto ato de obediência e disciplina: “A Meta 4 do CNJ diz in verbis: Priorizar o julgamento dos processos relativos à corrupção e à improbidade administrativa”.

 

Ainda a respeito, a resposta transcreve parte da situação atestada em inspeção recente do Conselho Nacional de Justiça no gabinete do desembargador João Pedro Gebran Neto: “Observa-se que tanto os processos antigos quanto os mais recentes estão sendo devida e diligentemente julgados”. De outro modo, a celeridade, comprovada em inspeção oficial, é característica do gabinete que vai julgar a apelação apresentada pelos advogados de Lula. E conclui o desembargador: “A celeridade no processamento dos recursos criminais neste Tribunal Regional Federal constitui a regra e não a exceção”.

 

Retorno ao manifesto de português primário, lógica estropiada, carente de escrúpulos: “A tentativa de marcar em tempo recorde para o dia 24 se janeiro a data [quis dizer, para 24 de janeiro o julgamento] em segunda instância do processo de Lula nada tem de legalidade [quis dizer, nada tem de legal]. Ou seja, o documento garante sem nenhuma prova, sequer o mais tênue indício, que o TRF-4 agiu fora da lei.

 

Continua o tal manifesto: “Trata-se de um puro ato de perseguição da liderança política mais popular do país”. Puro ato de perseguição, a saber, sem nenhuma base jurídica. Retorna a acusação gravíssima, o juiz Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4 são marionetes a serviço de uma força aqui inominada que persegue Lula. De novo, cadê a prova? Cadê o mais tênue indício?

 

O texto continua desembestado em português pavoroso e na mesma falta de escrúpulos: “O recurso de recorrer ao expediente espúrio de intervir no processo eleitoral sucede porque o golpe do Impeachment de Dilma não gerou um regime político de estabilidade conservadora por longos anos”. Vejam bem, lançar mão de expediente espúrio no caso equivale a determinar a condenação no julgamento do recurso. Onde fica a probidade dos magistrados, pintados aqui como paus-mandados para qualquer tarefa suja? Cadê a prova?

 

Agora, olhar rápido na redação, deixo de lado muita coisa, o português está no mesmo nível da decência do texto. “O recurso sucede”; “a trama de impedir a candidatura de Lula vale tudo”. “A trama vale tudo”, vale até redação de chorar. E nessa trama, o manifesto não diz desse modo por não conseguir exprimir com clareza ▬ atrapalhado pelo primarismo boçal da redação ▬ mas quis dizer, “[vale a] condenação no tribunal de Porto Alegre”. De novo, o insulto, o TRF-4 retratado como marionete de trama ignóbil. Quem maneja a trama tem os juízes na mão. Eles fariam, por dinheiro, ou pelo que seja, o que lhes for ordenado.

 

Para vergonha dos brasileiros que prestam, acusação desse naipe, infelizmente avaliada por figuras em destaque no Brasil e no Exterior, reverbera com maior facilidade nas redes sociais, nas conversas, na imprensa tradicional, enfim em todos os lugares. Trabalha a favor de generalizado enxovalhamento do Judiciário.

 

O mesmo: “Mais que um problema tático ou eleitoral, vitória ou derrota, nossa luta terá consequências estratégicas e de longo prazo”. “Mais que um problema nossa luta terá consequências”. Entendeu alguma coisa? Nada, claro. Não é para entender, a redação é disparatada de alto a baixo.

 

A peça demagógica e delirantemente acusatória só não tem provas e português minimamente apresentável. Aliás, vou ser modesto. Já me contentaria com indícios, mesmo os mais tênues. Cadê o mais tênue dos indícios do que acusa copiosamente?

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA   -    é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas".

 

 



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FELIPE AQUINO - A DIMENSÃO INTERIOR DO APOSTOLADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tem o desejo de levar as pessoas para Deus? Este é um caminho…

 

 

O apostolado significa tudo que nós podemos fazer, em união com Cristo, para levar as pessoas a uma vida de intimidade com Deus; é uma colaboração com Jesus para fazer crescer a graça de Deus nas almas.

A Igreja nos ensina que esta colaboração com Cristo, deve ser feita em primeiro lugar pela oração e pelo sacrifício oferecido a Deus; é o apostolado interior.

O Papa Pio XII, na Encíclica “Mystici Corporis Christi” recomenda primeiro as “orações e mortificações voluntárias”, e depois a atividade externa dos pastores e dos fiéis. Foram estes os dois meios principais com que Jesus salvou o mundo. Não só Ele nos salvou com a pregação, o ensino e a instituição da Igreja e dos Sacramentos, mas também com a Sua obediência e silêncio numa vida oculta, e com a oração nas muitas noites. Sobretudo, Jesus nos redimiu com o sacrifício da cruz, no qual culminou toda a Sua obra redentora. S. João da Cruz disse que “foi esta a Sua maior obra, mas do que tinha feito com milagres e obras” (Subida II 7, 11).

São Paulo deixou isto claro aos colossenses: “Completo na minha carne o que falta á paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24).

Portanto, é sobre o apostolado interior, da oração e da imolação, que se funda e se torna fértil o apostolado exterior da ação, tirando dele a sua força e eficácia. É assim que podemos “tomar parte” na obra de Jesus, abraçando o sacrifício com generosidade e constância, pela salvação das almas, em união com o Seu sacrifício. É por isso que a Igreja insiste na importância na forma de vida contemplativa, almas que se imolam a Deus na oração e no sacrifício pela salvação das almas.

Na Missa, uma das Orações Eucarísticas, nos leva a pedir a Deus que “faça de nós uma perfeita oferenda”. Esta é a disposição que devemos ter na Santa Missa.

Santa Teresa insistia com suas irmãs sobre este ponto: “Quando as vossas orações, desejos, disciplinas e jejuns não se empregarem nisto que digo [a salvação das almas], pensai que não fazeis nem cumpris o fim para que vos juntou aqui o Senhor” (Caminho 3, 10).

 

 

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Leia também: A importância da vida em Deus

Pequenas ideias de como Evangelizar

A responsabilidade dos pregadores

 

O Concílio Vaticano II disse que:

 

“Os Institutos que se ordenam exclusivamente à contemplação, de tal modo que os seus membros se ocupam só de Deus no silêncio e na solidão, em oração contínua e alegre penitência, dentro do Corpo Místico de Cristo, em que todos os membros… não têm a mesma função (Rom. 12, 4) embora seja urgente a necessidade do apostolado, conservam sempre a parte mais excelente”(Decreto Perfectae Caritatis).

Portanto, quem deseja viver o ideal apostólico deve desejar, abraçar com generosidade, uma vida de contínua imolação escondida, que será um meio poderoso de salvação para os irmãos, e também de santificação para si mesmo. Esta é uma vida digna de alcançar de Deus as graças que deseja para a Igreja. E quanto mais santa é uma alma tanto maior é a influência que exerce na Igreja.

 

 

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Assim rezava Santa Teresinha:

 

 “Ser Vossa esposa, ó Jesus… ser, pela união convosco a mãe das almas, já me devia bastar… Contudo sinto em mim outras vocações, sinto a vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor, de mártir; enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por Vós, Jesus, todas as obras mais heroicas… Sinto na alma a coragem de um Cruzado, quereria morrer num campo de batalha em defesa da Igreja… Quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores… Quereria percorrer a terra, pregar o Vosso nome e plantar no solo infiel a Vossa cruz gloriosa… Mas acima de tudo quereria, ó meu Bem Amado Salvador, quereria derramar o sangue por Vós até à última gota… O martírio, eis o sonho da minha juventude! Mais uma vez, sinto que o sonho é irrealizável, pois não poderia limitar-me a desejar um só gênero de martírio… Para me satisfazer precisaria de todos… Ó meu Jesus! que respondereis a todas as minhas loucuras?… Existirá acaso alma mais pequenina, mais impotente do que a minha?! Contudo exatamente por causa da minha fraqueza, tivestes por bem, Senhor, satisfazer as minhas aspiraçõezinhas infantis, e quereis agora, satisfazer outras aspirações mais vastas do que o universo… Compreendo que só Amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os Apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares… numa palavra, que era Eterno!… Ó Jesus, meu Amor… a minha Vocação… encontrei-a finalmente, a minha vocação é o Amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu… no coração da Igreja, minha mãe, serei o Amor… Assim serei tudo, assim será realizado o meu sonho”.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por solpaz às 17:47
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PAULO R. LABEGALINI - TENTAÇÕES PARA MATAR A ALMA

 

 

 

 

 

 

 

 

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Da morte de Jesus até os Evangelhos escritos, muito tempo se passou. Iluminados pelo Espírito Santo, os evangelistas descreveram fatos baseados em documentos que reproduziram histórias daqueles que viveram com Cristo. As Escrituras Sagradas, portanto, não contam tudo o que aconteceu, mas servem para confirmar a nossa fé nos ensinamentos mais importantes da Lei de Deus.

Contudo, procurando ‘completar’ as informações do passado, muita gente se aventura a escrever o que lhe vem à cabeça, como se fosse possível contradizer a Bíblia por vontade própria e sem a ajuda do Pai. Mas, como a Rede Globo produz e divulga muita coisa que não presta, colocaram no Fantástico alguém dizendo que Jesus teve irmãos e outras besteiras mais.

Mesmo com todas as religiões cristãs sérias afirmando o contrário há centenas de anos – após estudarem exaustivamente a vida do Filho de Deus –, um ‘pesquisador’ fez algumas viagens à terra santa e disse que descobriu a verdade! Só rindo, não é mesmo?

Passatempo muito melhor que esse foi ler um livro que me emprestaram: As Testemunhas da Paixão, de Giovanni Papini. Serviu para refletir um pouco mais a respeito da força do mal no mundo. A história começa lembrando que Jesus foi tentado e resistiu, mas, na mesma época, Judas cedeu.

Embora não querendo provar nada por ter sido escrito como lenda, o livro narra como o apóstolo de Cristo foi convencido por Satanás a trair o Mestre. Eis alguns argumentos que o diabo usou:

1 – A prisão de Jesus provocará uma revolta, que fará de ti e dos teus os chefes da cidade. E quando a plebe se rebelar e o libertar, ele será proclamado Messias e Rei!

2 – Se ele é Deus, mesmo preso, será imortal e ninguém poderá atingi-lo. Se morrer, é porque não é Deus e você não terá traído aquele que o teria criado. Faça isso por amor a ele!

3 – Peça a Caifás apenas 30 moedas de prata e não mais – este é o preço justo por um escravo. Mostre a ele que você está entregando um rei pelo preço de um servo!

4 – E para não desobedecer teu mestre, ele próprio lhe dirá a hora de entregá-lo. Falará assim na presença dos outros: ‘Vai e faz depressa o que deves fazer’.

5 – Tens coragem e estarei contigo até o fim.

Repito que tudo isso é lenda, mas coisas desse tipo podem ter passado pela cabeça de Judas Iscariotes, não é mesmo? Quando caímos em tentação, não nos apegamos a ‘bons argumentos’ naquele momento? Somente o firme propósito de manter a dignidade cristã e honrar a nossa família pode nos livrar dos pecados mortais.

E, no mesmo livro que citei, o autor conta que, após a morte de Jesus, sabendo que João e Pedro pregavam em seu nome, Caifás os deteve e tentou convencê-los a desistir da missão, justificando a crucificação do Mestre:

– Eu tinha obrigação de proteger a Lei de Deus e Jesus veio mudá-la! Além do mais, ele respeitava César, que oprimia o povo, e ao invés de se juntar a mim que represento a fé, preferiu ficar com a plebe. Disse que iria destruir o Templo do qual sou o chefe! E se sou homem e ele era Deus, como explicam eu ter conseguido levá-lo à morte?

E continuou:

– Se foi ele mesmo que disse que veio para morrer, eu apenas o obedeci de bom grado! Não disse ainda que será salvo quem obedecer a vontade do Pai e, também, que perdoava os seus matadores? Então, estou perdoado por eles, concordam? Peço que deixemos o passado e ordeno que parem de pregar falando em nome de Jesus Cristo.

Foi quando Pedro se levantou furioso e gritou com o sumo sacerdote:

– Para trás, Satanás! Para trás! Queres tentar os servos como tentaste o teu Senhor? Jesus foi vendido por um traidor, mas nós não estamos à venda. Podes nos matar, mas não poderás, com todo o teu ouro, comprar nossa fé no Messias crucificado. Cristo era verdadeiro Deus e tu não és senão um mal-aventurado filho de Satã.

Pois é, este apóstolo não se deixou levar pela tentação e preservou seu espírito puro. Como disse Confúcio: “Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Ninguém se torna amigo fiel ou traidor de Cristo de uma hora para a outra. A queda de Judas representa para nós uma permanente reflexão: ‘Como pode um homem que tinha todas as condições para ser fiel até o fim, escolhido e preparado por Deus para realizar uma grande missão, ter caído tão fundo? E por que não se redimiu em tempo de salvar sua alma?’.

Um dia, o professor Plínio Corrêa de Oliveira fez esta colocação: “Se o traidor, após toda sua ignomínia, tivesse procurado Nossa Senhora para sinceramente pedir perdão, ele o teria obtido por meio dela. São Pedro, pelo contrário, pediu perdão até o fim de seus dias por ter negado Jesus três vezes e, por isso, tornou-se um grande santo. Mas exatamente o que Judas não quis foi humilhar-se e pedir perdão”.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 

 



publicado por solpaz às 17:40
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - É MUITO TRISTE SER IDOSO...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando vivi em Bragança, frequentava cafetaria, que ficava na Praça da Sé, mesmo no centro da cidade.

Após o jantar, vinha tomar cafezinho, e permanecia até às vinte e três horas, a ver televisão, ou a conversar com habituais fregueses do estabelecimento.

Por vezes ficava a cavaquear com o Primeiro-Sargento Mário – homem natural de Vinhais, – que primava pela bondade e vivia em modesta pensão.

Nessas amenas conversas, em que quase todos os temas eram abordados, muitas vezes ouvia-o dizer: “ Ninguém devia ganhar menos que a mensalidade de pensão de terceira.

E eu logo acrescentava, conhecendo as miseráveis pensões, que se recebia: - “Que nenhum reformado devia auferir menos, que a mensalidade de lar modesto.”

 

 

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 ( 1º Sargento Mário, na sua mesa de trabalho)

 

Lembrei-me dessas agradáveis conversas, ao ouvir amiga minha, senhora idosa, que ficando viúva, resolveu recolher-se num lar.

Como estes, para além da mensalidade, exigem “joia”, a senhora vendeu o apartamento, onde vivia, para pagar a entrada.

Decorrido escassos meses, verificou que fora enganada: o tratamento prestado era inferior ao prometido, e a delicadeza do pessoal, não era recomendável.

Aflita, depois de muito matutar, resolveu abandonar a casa de repouso; e com a magra pensão, que deixara o marido, alugou casa.

É o drama da maioria dos idosos que vivem em Portugal, já que, agora, as reformas que usufruem, mal paga a estadia de lar modestíssimo.

O drama agudizou-se, nos últimos anos, ao se saber que reformados, de países europeus - e não só, - com melhores aposentações, procuram passar o fim de vida em Portugal, onde podem levar vida  principesca, em lares de luxo.

Estando a conversar num clube portuense, sobre a triste situação de alguns idosos, da classe média, num grupo de amigos, levantou-se uma voz, para dizer que a Igreja poderia ajudar, ganhando. Como?

- ” Bem fácil. - Continuou. - Há conventos que se encontram quase vazios. Se os transformassem em lares, recebendo parte das reformas dos utentes, ganhariam por certo, e estavam a ser úteis à sociedade.”

A ideia foi aplaudida, tanto mais, que acrescentou:

-” Cabe ao Estado, a obrigação, de cobrir a mensalidade daqueles cujas pensões sejam diminutas. Ser português e ter vivido sempre em  Portugal, deveria servir para alguma coisa! …”

Claro que referia-se a residências, onde o idoso não se sentisse prisioneiro: obrigado a dormir com desconhecidos,  onde se passa, o dia, diante de aparelho de TV, com mantinha nas pernas, e as noites, tomando sedativos, para não incomodar…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   - Porto, Portugal



publicado por solpaz às 17:20
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EUCLIDES CAVACO - AMIZADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


No seguimento das manifestações de amizade expressas nesta época festiva, partilho convosco este poema, um dos muitos sobre a amizade que fazem parte do meu espólio poético. Veja aqui o video executado pela talentosa amiga Gracinda Coelho:

 

 



https://www.youtube.com/watch?v=TzkGFgPdyXI&feature=youtu.be

 

 

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
 
 
 
 
 
 
***

 

 

 

 

 

logotipo_dj_dvc[1].png

 

 

 

 

2º Domingo do Tempo Comum - Dom Vicente Costa

 
 
https://youtu.be/kxGDMNfo0oo
 
 
 
 
***
 
 
 
 


publicado por solpaz às 16:59
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