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Sábado, 12 de Janeiro de 2013
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - COR DO ESQUELETO

 

 

 

 

 

O menino tem apenas seis anos e já questiona algumas coisas ao seu redor. A mãe biológica, ao constatar que não conseguiria criar mais um filho, o embalou nas entranhas e nos primeiros dias de hospital. Depois, partiu, com certeza em prantos, sem indicar o seu rumo. Voltou, talvez, para a terra de origem, de onde veio a fim de tentar dignidade na capital. Se o seu sonho acontecesse, traria mais tarde os outros, que ficaram sob a tutela de alguém próximo, e lhes ofereceria condições melhores do que a dela de sobrevivência.  O bebê, cuja relação era apenas de pele até aquele momento, ficou, no abrigo, no aguardo de um colo somente dele, com cheiro de mãe e de pai, que aconteceu alguns meses após. Para o casal de coração fértil, o menino foi a resposta da decisão pela maternidade e paternidade responsáveis.  Três anos mais tarde, aportou a menina. Agora são quatro: os dois, a mãe e o pai com laços que não vieram pelo sangue, mas por uma ternura grande, que engravida de esperança o convívio.

 

O menino está, apesar de idade pouca, em fase de percepção. A irmã e ele possuem um tom forte de pele, diferenciado da maioria das pessoas que lhes são familiares.  Na escola particular, são raros os que têm a mesma ascendência que eles. Um dia desses, o pequeno perguntou aos pais se o seu esqueleto era branco como o dos demais, ou seria da cor da pele. Preocupação dolorosa para a sua idade. Existem garotos nascidos na mesma época  ou um pouco maiores que o irritam com apelidos e comparações de que não gosta. Quando ele reage, a escola chama os pais e diz que o pequeno necessita de profissional especializado para tratar suas emoções.  Não sou contra, mas gostaria de saber o que a direção da escola diz aos pais de filhos que se acham no direito de segregar, de alguma forma, aqueles que são de raça diferente e em minoria nas salas de aula. Sem dúvida, crianças brancas de seis e sete anos, que se sentem superiores às negras, trouxeram de casa essa deformação do caráter.  Como disse, certa vez, Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Discriminar ou conviver em igualdade é uma aprendizagem da mesma forma.

 

O racismo é filho da arrogância e em nosso país temos uma história de desrespeito com a raça negra, que persiste de alguma forma, por mais que existam leis que o considerem crime ou negros que se destaquem no cenário nacional, bem como no cotidiano das pessoas. O racismo perdura nos brancos com raciocínio, sentimentos e posturas medíocres e, insolentes,  insistem em pisar naqueles que, sugados por uma raça que se considerava no topo, carregam em seu sangue coágulos das dores da escravidão.

 

Ainda de Nelson Mandela: “A educação é a mais poderosa arma pela qual se pode mudar o mundo”. Escolas comprometidas com o desenvolvimento pessoal e a paz assumem também o papel de mostrar aos pais e aos alunos que o racismo é infame, próprio dos bárbaros.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.

 



publicado por solpaz às 11:11
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