Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - INOS, O MARINHEIRINHO

                       

 

 

Estive, na semana passada, no Centro das Artes, para ver Inos Corradin em obras e fotos. O Inos e eu temos uma amizade bonita, sem cobranças, com carinho de alma.  Serei sempre grata a ele, dentre outras coisas, pela capa de meu primeiro livro, cujo quadro enobrece a parede de casa. Enquanto percorria a exposição, que também celebra os 80 anos do artista, veio-me a saudade de algumas pessoas queridas, que ali estavam perpetuadas, e com quem me encontro, atualmente, poucas vezes, como Da. Fernanda Milani. O Inos, Da. Fernanda, João Borin e Renato Bezzan, no início da Casa da Cultura, na década de oitenta, partilharam comigo experiências extraordinárias de Artes Plásticas, por eles organizadas com assessoria de Sandra Cárnio. E a saudade, igualmente, do José Roque Cerezer, escultor com muitos aplausos, amigo fiel, de ternura e respeito. Faltando menos de um dia para ele partir, pelas palavras de Dom Joaquim Justino Carreira, e a bênção, reencontrou-se com a coragem e a misericórdia de Deus, que o acompanhou, mesmo que ele não percebesse, através dos caminhos sombrios ou mais claros.

Além das fotos, encontrei-me em plenitude com Inos na escultura Marinheirinho. A alma de Inos no Marinheiro. Suas tintas, pincéis, telas, imaginação, conhecimentos técnicos, sua bagagem de vida no barquinho de papel, ao lado do Marinheirinho. Que delicadeza, meiguice, simplicidade, perfeição e força.

O barquinho segue pela enxurrada das sarjetas, pelos córregos, pelos rios e chega ao mar. O barquinho mantém a mesma dignidade nas sarjetas e no oceano. Ah, o oceano do Inos! Tem a lua, uma ilha, aves, pensadores. O Marinheirinho não se perde de seu barco, na sarjeta e no oceano. E o barco, na correnteza da sensibilidade do Inos, navega pelo coração das pessoas. O barco segue Inos e ele o conduz sem remos, pelo fio invisível de sua alma grande. Guiam-se assim na maré alta, na maré baixa, nas ondas brancas e cinzas, nas tempestades e calmarias em direção ao alaranjado do horizonte.

Inos chega aos quadros e às esculturas, que mais tarde se vão para outros portos no barquinho de papel. O barquinho vai e volta com a plenitude de Inos, sem reviravoltas e mudanças. O barquinho, com Inos e seu fio de alma grande, passa pelo casal de enamorados e deles carrega amor inocente, amor em essência, amor puro. Passa pelo malabarista e transporta habilidades e tons de alegria circense.

Quando o barquinho de papel retorna de suas viagens, o Inos desembarca sem ter perdido, apesar do que se foi, o seu universo e a poesia. E seguimos num detalhe, numa imagem, numa cor com Inos que tem olhar que filtra a escuridão e desperta encantos.

Saúde, Inos! Deus o proteja sempre! São Francisco o conserve com a simplicidade dos sábios!

 

 MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola



publicado por solpaz às 15:23
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