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Domingo, 24 de Setembro de 2017
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estou de partida para Portugal, onde terei a honra de ingressar na condição de Acadêmico Correspondente Brasileiro, na Academia Portuguesa da História, fundada em 1720, com o nome de Academia Real da História Portuguesa, pelo Rei D. João V. Em 1910, a recém-proclamada República Portuguesa considerou-a abolida, julgando-a resquício do Antigo Regime que acabava de ser deposto e porque pretendia recomeçar a trajetória de Portugal a partir da estaca zero... como se fosse possível ignorar sete séculos de História! 26 anos depois, entretanto, a própria República decidiu restaurar a venerável instituição, com o nome atual de Academia Portuguesa da História.

Sem embargo da ligeira modificação na sua denominação, a atual APH mantém a continuidade histórica com a primitiva fundação joanina, da qual se afirma explicitamente herdeira e continuadora. Os estatutos de 1937, estabelecidos no contexto do Estado Novo, foram reformados e atualizados nas últimas décadas do século XX.

A APH se insere no aparelhamento oficial do Estado português, subordinada ao Ministério da Cultura, e tem sede num lindo edifício, o Palácio dos Lilases, situado na Alameda das Linhas de Torres, em Lisboa. Conserva a mesma divisa latina desde a sua primitiva fundação, de 1720: “Restituet omnia”, que em sentido literal significa “que sejam restabelecidas (ou restituídas) todas as coisas”. Trata-se de alusão aos feitos gloriosos da História lusa; é missão acadêmica restabelecer a verdade histórica sobre eles, elaborando uma história científica e isenta, mas que valorize o passado glorioso da nação lusa. Como registra o site da Academia, esta “desenvolve a sua atividade visando a permanente valorização e conhecimento do passado histórico português, com critério de isenção, mas sempre cultivando a importância da identificação de um povo com a gesta dos seus antepassados”.

A Academia congrega, ainda de acordo com o site institucional, “especialistas em várias áreas do saber, cuja obra seja um contributo decisivo para a História de Portugal, nos mais diversos âmbitos (linguística, militar, religiosa, regional e local etc.” É composta por 40 Acadêmicos de Número, sendo 30 portugueses e 10 brasileiros. Somente esses 40, bem como um número ainda mais reduzido de Acadêmicos de Mérito têm direito de voto. A Academia conta ainda com um número máximo de 190 Acadêmicos Correspondentes, eleitos entre “pessoas que tenham demonstrado a sua competência pela publicação de importantes estudos de investigação e crítica” sobre a História lusa. Desses 190, até 80 são portugueses, até 20 brasileiros, até 10 cidadãos dos demais países de língua portuguesa e até 80 provêm de outras nacionalidades.

A atual Presidente da Academia, Profa. Dra. Manuela Mendonça, da Universidade de Lisboa e da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais, é uma historiadora com importantes trabalhos desenvolvidos sobre o Medievo português e com uma linha de pesquisa que estuda, no Brasil, as raízes medievais da cultura brasileira. 

Tive a honra de ter meu nome proposto por três ilustres acadêmicos de número, sendo dois brasileiros e um português. Pelo Brasil indicaram-me a arqueóloga Dra. Maria da Conceição de Moraes Coutinho Beltrão, da UFRJ, e o Prof. Dr. Edivaldo Machado Boaventura, da Universidade do Estado da Bahia. Por Portugal, fui indicado pelo Dr. Miguel Corrêa Monteiro, da Universidade de Lisboa.

A cerimônia de tomada de posse será na sede da APH, na tarde do próximo dia 22 de fevereiro, seguindo o ritual próprio, consagrado pela tradição. Deverei ser saudado por um antigo membro da Academia, e responder em seguida com um discurso de agradecimento, o qual deverá necessariamente desenvolver algum tema histórico. Motivo de particular alegria para mim é que o discurso de saudação será proferido por um grande e dileto amigo de quase quatro décadas – o Acadêmico Dr. D. Marcus de Noronha da Costa, Conde de Subserra, que conhece em profundidade a História do Brasil, como bem poucos brasileiros. No meu discurso de agradecimento, falarei sobre a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial. Neste ano, celebra-se precisamente o centenário da entrada do Brasil, e também de Portugal, no conflito.

 

 

(Esta crónica, do eminente historiador brasileiro, e nosso colaborador, ficou esquecida. Pelo facto de a considerarmos importante, e de interesse, publicámo-la hoje, pedindo desculpe, ao autor, pelo atraso.)

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por solpaz às 16:57
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