Blogue luso-brasileiro
Sábado, 29 de Julho de 2017
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MINHA PEQUENA GIGANTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               Desde que um gatinho, na verdade uma gatinha, adentrou a minha casa, simplesmente me encantei com o mundo dos felinos. Certo que já tinha contato anterior com eles, eis que, quando criança, os gatos, cinzentos e tricolores, eram figuras constantes no quintal dos meus avós paternos.

            Naquela época, contudo, não apenas por mim, mas por grande parte da família, eram vistos como as pombas que ficavam por ali. Não havia uma aproximação maior, muito embora eu sempre ficasse enlouquecida quando descobria o esconderijo de alguma mãezinha e seus filhotes.

            O fato é que somente agora, algumas décadas passadas, descobri o quão incríveis, amorosos e fascinantes esses animais podem ser. Ainda que eu sinta pelo tempo perdido, tenho alívio em saber que não deixei esse mundo sem conhecer essa forma de amor incondicional. E por mais que eu escreva ou fale, se você não teve um gato seu, jamais será capaz de entender.

            Atualmente tenho duas gatinhas, ambas resgatadas das ruas, ainda filhotes. Sem raça definida, são lindas como a diversidade é.  Belinha e Chica Maria se dão muito bem, apesar de terem comportamentos distintos. A primeira é mais corajosa e vive rodeando meus pés, sempre carregando um brinquedo na boca para que eu jogue longe e ela possa buscar. Já a segunda é meio desconfiada, mas adora um colo.

            Sabendo o quanto eu gosto, ofereceram-me um filhote de um gato gigante, o maine coon. Retirados de um criador ilegal, desses que exploram as matrizes até que morram exauridas, os filhotes foram desmamados cedo demais e estavam frágeis. Eu, que esperava receber uma gigante, recebi uma bebê raquítica, doentinha e linda, apesar dos pesares.

            De início constatei que ela não sofria dos pulmões, eis que miava muito sempre que ficava momentaneamente sozinha. Só sossegava se estivesse no colo ou perto das outras gatas que, ainda não ambientadas, representavam um risco passageiro ao animal que mais poderia ser confundido com um pequeno hamister.

            Eu havia escolhido para ela o nome de Mani, uma brincadeira com a ração a qual pertencia. Os animais adultos podem, nesse caso, pesar até 14 quilos. Diante do minúsculo animal que veio parar nas mãos, tratei de batizá-la de Mini. Uma amiga, inclusive, que veio até em casa, ao vê-la, encantada com a doçura do bichinho, apelidou-a de Dona Xícara.

            Foram apenas quatro dias de convívio com ela, mas o suficiente para que eu me apaixonasse e rogasse a Deus, que é Pai de toda Criação, para que ela pudesse sarar, pudesse ganhar peso. Pouco me importava se ela se tornaria ou não uma gigante. Ela poderia, inclusive, ser a primeira gata gigante anã que eu não me importaria.

            Viajei em férias e a deixei internada, aos cuidados do “veterinário da família”, responsável por acompanhar e tratar a bicharada há quase dez anos. Com uma infecção viral que se apossou do corpo mínimo da minha bebezinha, eles, ela e o veterinário, fizeram o que foi possível, mas a natureza seguiu seu curso e levou para o Infinito aquela que eu sonhava reinar faceira pela minha casa.

            Como um pequeno vagalume, cheia de luz e fragilidade, ela não conheceu, ao menos, só o pior das pessoas e apenas isso me serve de algum consolo. Sei que para muitos tudo isso pode parecer um exagero, mas para mim teve outro significado.

            Resta uma tristeza imensa pelo fato de que a morte dela não fez cessar a exploração e o sofrimento ao qual são submetidos milhares de animais criados em condições indignas e cruéis. Fica ainda a dor de não vê-la crescer, exceto nas projeções do meu coração.

            Acredito, contudo, que, em algum lugar, o qual meus olhos não são capazes de alcançar, o Bem sobrepuje o Mal e minha pequena gigante esteja correndo aos pés de alguém, livre, linda e feliz.

            Valeu Mini, a gente se encontra por aí...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA Advogada na Silva Nunes Advogados Associados, professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e cronista.       São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por solpaz às 16:26
link do post | comentar | favorito
|

Europa
mais sobre mim
Brasil
arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
Foz Coa
links