Blogue luso-brasileiro
Domingo, 14 de Maio de 2017
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DEFESA DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2vl2knt.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
A menina está com oito anos. Participa das reuniões da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena desde o ventre materno. A mãe, quando se integrou ao grupo, estava desassossegada com as dificuldades tantas de seu caminho desde a infância. Quem vive nas proximidades de São Paulo nem sempre tem consciência da miséria que assola as regiões Norte, Nordeste... Mas por aqui também: há gente, na periferia e no centro, que sobrevive em espaços diminutos, chão sem piso, fome, falta de medicamentos... E ainda que a cidade natal dela é a segunda mais populosa de seu Estado, contudo, nos últimos 30 anos, houve um crescimento desordenado da periferia com aumento de núcleos de submoradia.
A miséria a obrigou a percorrer mais de dois mil quilômetros, chegando a Jundiaí. Foi aqui que nos avistamos e ela se fez da Pastoral, como colo para suas inquietações. De espiritualidade, atenta à Palavra de Deus. Desde que passamos a, anualmente, visitar o Carmelo São José, recuperou lembranças da festa de Santa Teresa D’Ávila, do hino “Teresa bendita”, padroeira do município de sua origem. Dela trouxe a força da oração e o Amor do Altíssimo.
Voltemos à menina que cresce observando a luta da mãe e a distância perversa do pai. A reunião da Pastoral é composta por três partes: cânticos – que elas definem -, reflexão à luz da Palavra de Deus e preces espontâneas. Ao final da primeira parte, solicitou que acrescentássemos mais uma música: “Cura, Senhor”: “Vamos Jesus passear, na minha vida,/ Quero voltar aos lugares em que fiquei só, Quero voltar lá contigo, vendo que estavas comigo,/ Quero sentir Teu amor a me embalar./ Cura, senhor, onde dói,/ Cura, Senhor, bem aqui (...) onde não posso ir...” Cantou em prantos. Chorava dolorido; chorava a mãe e outras integrantes do grupo. Incrível a sua expressão de angústia e fé enquanto cantava.
Ao final da reunião, a mãe nos explicou: na escola, naquela tarde, uma coleguinha começou a falar mal de Deus e ela saiu em defesa do Senhor. De imediato, foi agredida verbalmente. Chorava não pela violência da amiga, mas indignada por alguém dizer mal de Deus. É  Ele que segue com ela e a mãe: o Amigo que cuida, consola e é fiel. Pequena ainda, mas com a lucidez sobre onde se encontra o sentido da vida.
Lembrei-me das bem-aventuranças: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por solpaz às 15:43
link do post | comentar | favorito
|

Europa
mais sobre mim
Brasil
arquivos

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
Foz Coa
links