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Sábado, 17 de Junho de 2017
PAULO R. LABEGALINI - ENTRE O CÉU E O INFERNO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um rapaz vinha dirigindo sua pequena caminhonete numa estrada e logo avistou uma tempestade. Resolveu, então, encostar num posto de gasolina e lá encontrou três pessoas precisando de carona: uma senhora gravemente doente, uma bela jovem que lhe sorriu docemente, e um médico indo para o trabalho. Na caminhonete só dava para levar um deles. Se fosse você, quem levaria?

Numa atitude cristã e com muita sabedoria, ele ficou no posto com a jovem e entregou a chave do carro para o médico levar a senhora ao hospital. Nada mais justo e conveniente, não acha?

Da mesma forma, quantas decisões poderiam ser tomadas com amor ao próximo, colocando em primeiro lugar o sofrimento daqueles que precisam de ajuda! Por exemplo, quando passamos pela rua e vemos um pobre caído, um amigo se aproximando pela calçada e um filho passando de carro, o que fazemos?

Mesmo sabendo que a caridade sempre deve prevalecer, talvez o mais provável seria saudarmos o filho com uma das mãos e estendermos a outra para cumprimentar o amigo. E qual a consequência disso, já pensou? Futuramente, o filho tenderia a seguir a mesma atitude do pai, o amigo ouviria uma série de assuntos meio sem importância naquele momento e o pobre continuaria jogado na calçada.

Que tal seria se os três colocassem o homem caído no carro e o levassem a um abrigo ou ao hospital? Não seria o que Jesus faria? Seria também uma atitude digna de merecer o Céu, concorda? Mas há quem faça isso, sim, e eu conheço vários irmãos da Pastoral da Sobriedade que cumprem fielmente a missão que Deus lhes deu.

E o valor da caridade ainda é maior porque servem com amor e no anonimato. Sabem que existe um lugar maravilhoso na eternidade lhes esperando e não são egoístas de buscarem chegar lá sozinhos. Compreendem, também, a diferença entre o Céu e o Inferno, como nesta história:

Um samurai, alto e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.

– Monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno.

O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e lhe disse:

– Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo! Seu cheiro é insuportável! Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.

O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva. Então, empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.

– Aí começa o Inferno – disse-lhe o sábio, mansamente.

O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara, afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o Inferno. E o bravo guerreiro abaixou lentamente a espada.

Passado algum tempo, já com a intimidade pacificada, o samurai pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse pelo gesto infeliz. Percebendo que seu pedido era sincero, o monge disse:

– Aí começa o Céu.

Portanto, tanto o Céu quanto o Inferno, são estados de espírito que escolhemos no nosso dia-a-dia e começam dentro de nós. A cada instante, somos convidados a tomar decisões que definirão o início do Céu ou o começo do Inferno. Quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância. A escolha é livre!

Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou o óleo do perdão. Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança. Ante a partida de um ente querido, podemos optar pelo punhal do desespero ou pelo livro de oração.

Enfim, surpreendidos pelas mais infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz. A decisão depende sempre de nós mesmos.

Portanto, criar céus ou infernos dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós. A porta que nos separa do Paraíso não poderá abrir-se enquanto esteja fechada a que fica entre nós e o próximo.

E você, que certamente quer morar no Céu e se livrar do fogo do Inferno, está fazendo a sua parte? Se ainda não pensou nisso, sabe ao menos por onde começar o seu gesto concreto? São dezenas de opções, mas eis algumas: doar alimentos aos vicentinos ou à Pastoral da Sobriedade, ajudar uma creche ou um asilo, visitar um doente e rezar com ele, procurar um padre e se confessar, entrar num movimento ou pastoral da Igreja e perseverar com o grupo etc.

Melhor do que qualquer explicação é ver de perto. Então, convido você a participar efetivamente da Igreja e testemunhar um pedacinho do Céu. Verá que vale a pena chegar lá!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



publicado por solpaz às 13:32
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