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Sábado, 21 de Abril de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DOMÉSTICOS AINDA LUTAM POR UM JUSTO RECONHECIMENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O trabalho doméstico, infelizmente, sempre foi desprestigiado no Brasil, inexistindo por muitos anos, inclusive, qualquer regulamentação específica no sistema jurídico. Com o transcurso do tempo e após muitas lutas, passou da completa marginalização ao reconhecimento de alguns direitos aos seus executores. Nesta trilha, louve-se a Constituição de 1988 que além de indicá-los, representou um grande avanço, impondo definitivamente sua inclusão na abrangência do Direito do Trabalho.

Na realidade, os que atuam nesta área são profissionais diferenciados quanto à diversificação de tarefas (a babá, a faxineira, a cozinheira, a enfermeira que cuida da avó doente etc.) e identificados quanto ao local do desempenho das mesmas, normalmente a residência de seus patrões, ainda que no âmbito externo (o motorista que leva os filhos à escola, o jardineiro habitual etc). Modernamente, podemos conceitua-los como aqueles que, sem finalidade lucrativa para os empregadores, mas mediante remuneração mensal, prestam serviços de natureza contínua a pessoas ou famílias, no reduto habitacional destas.

Tais profissionais, em face da intensa convivência diária nos lares onde trabalham e da confiança que transmitem, estabelecem vínculos pessoais fortes e de amizade com as patroas, seus familiares e parentes próximos. Essas breves observações objetivaram ilustrar a grandeza do ofício, os inúmeros problemas que ainda os aflige e embasar nossa homenagem a uma enorme parcela da categoria, as EMPREGADAS DOMÉSTICAS, cuja data comemorativa é 27 de abril, por ser o dia de Santa Zita. Ela nasceu em 1218 na Itália e devido a sua origem humilde e camponesa, aos 12 anos começou a atuar como empregada doméstica, trabalhando para a mesma família por várias décadas. Generosa com as esmolas aos pobres que batiam à casa dos Fatinelli, nome da família de seus patrões, tirava do seu próprio salário para ajudar aos necessitados. O Papa Pio XII proclamou-a padroeira da categoria.

Atualmente e diante dos avanços sociais esse tratamento amistoso, carregado de uma carga de afetividade, vem tomando contornos profissionais e em algumas circunstâncias, gerando conflitos e litígios, geralmente provocados pela falta de conhecimento sobre os direitos e deveres de cada parte, apontando-se como motivo de maior discórdia, a ausência de registro dos contratos de trabalho. Por outro lado, elas continuam vítimas de violência e preconceito, sendo anotadas nos seus sindicatos e delegacias de Polícia, inúmeras ocorrências de agressões e de situações as mais constrangedoras, desde ofensas e humilhações, até denunciações caluniosas.

Evidentemente, apesar da crise financeira que atinge o país, prejudicando diretamente a classe média e refletindo nas relações entre empregadores e empregadas, precisamos consolidar um país sem exclusões, onde apesar dos problemas financeiros, prevaleça o princípio da isonomia, no qual todos possam se sentir igualmente protegidos pela lei. Por isso, desejamos que anseios prioritários da categoria sejam prontamente atendidos para que se alcance a tão almejada paridade com as outras atividades. E mesmo com a Emenda Constitucional 72 de abril de 2013, que lhes estendeu direitos assegurados aos demais trabalhadores, muitos deles ainda estão à espera da regulamentação para começar a valer.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é brasileiro, advogado, jornalista e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - A GRANDE SURPRESA DE RÓNAI AO CHEGAR AO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Continuemos a falar da aproximação do húngaro Paulo Rónai com a língua portuguesa.

Camões, que para nós apresenta não pequenas dificuldades, curiosamente foi fácil para Rónai, porque auxiliado por uma boa tradução húngara e, sobretudo, porque conhecia bem Virgílio e Torquato Tasso, estando ainda familiarizado com a mitologia grega.

Pôs-se, a certa altura, a traduzir para o húngaro, poesias brasileiras. E então os problemas ficaram ainda mais aflitivos, porque os brasileirismos não constavam do dicionário Português-Alemão, nem de um velho dicionário Português-Francês que, àquela altura, já tinha conseguido. O resultado é que o mesmo Rónai que lia sem dificuldade Os Lusíadas, penava para decifrar, e muitas vezes não conseguia, poetas como Vicente de Carvalho e Mário de Andrade.

Um exemplo, entre muitos outros: certa vez teve que traduzir para o húngaro a palavra dezembro, dentro de um poema. Em magiar, a palavra equivalente, de mesma raiz (december) evoca, de imediato, ideia de frio intenso, de gelo, fome e miséria. Nada mais estranho à ideia que, no poema brasileiro, esse vocábulo queria significar, aludindo a um escaldante Natal carioca. Como traduzir sem trair a forma ou o fundo do poema?

Outro exemplo: como traduzir “morros cariocas” ou “gente do morro”? Morros, qualquer dicionário explicava, eram elevações de terreno, colinas, outeiros. Até aí, tudo bem. Cariocas, também ficava claro, era a designação dada às pessoas e, por extensão, às regiões do Rio de Janeiro. Mas o que queria dizer o poeta com aquela reiterada referência aos morros cariocas? Só depois de muito penar é que o tradutor conseguiu compreender a conotação sociológica e econômica da expressão. “Gente do morro” era a gente pobre, favelada, sem eira nem beira. Como ele poderia adivinhar isso, se em Budapeste as famílias mais ricas moravam exatamente nos morros, ficando as regiões mais baixas da cidade reservadas para as pessoas menos endinheiradas?

Outra expressão difícil: rede. Traduzindo certo poeta que divagava em sonhos deitado numa rede, Rónai, que nunca vira uma rede brasileira, não foi capaz de perceber a conotação de placidez e preguiça que o poeta queria transmitir com seus versos. Mas entendeu tratar-se, metaforicamente de uma rede de sonhos em que o poeta se enredava e na qual se perdia, à maneira do inseto aprisionado na teia de uma aranha... e traduziu assim, erradamente. Somente muitos anos depois se deu conta do engano.

As poesias brasileiras, traduzidas por Rónai, foram publicadas no final de agosto de 1939, num volume, sob o título “Mensagens do Brasil”. Durante três dias, o audaz e pioneiro tradutor gozou dos louros de seu feito, celebrado e bem acolhido pela crítica. No quarto dia, porém, tinha início a Segunda Guerra Mundial, com a invasão da Polônia pelas tropas nazistas, apoiadas pelos russos, com os quais Hitler acabava de firmar tratado de amizade e cooperação, o famoso tratado Ribentrop-Molotov.

Seguiram-se quinze meses de sofrimento e aflições, que pareciam ter sepultado, para todo o sempre, o hospitaleiro, mas distante Brasil, com sua hermética poesia cheia de mistérios. Mas, afinal, Rónai conseguiu escapar com vida. Chegando a Portugal, uma decepção: entendia tudo o que lia, sem problemas, mas não entendia absolutamente nada do que ouvia.  Ele, que julgava já conhecer o idioma português razoavelmente, deu-se conta de que sua prosódia lhe era completamente desconhecida! O sistema luso de “comer” as vogais subtônicas na pronúncia deixou-o sem referenciais. Começou a duvidar do idioma português que julgava já conhecer.

Embarcou, então, para o Brasil. Quando desembarcou, no Rio de Janeiro, desde o primeiro momento estava entendendo tudo o que todos falavam. Era o português do Brasil, com todas as suas vogais bem pronunciadinhas, e não o de Portugal, que ele, sem jamais ter ouvido som algum, aprendera nas suas incursões linguísticas realizadas, autodidaticamente, em Budapeste!

Tinha início, então, a vida de Rónai em sua terra de adoção.

Fico por aqui, que já escrevi demais. Fica, mais uma vez, feito o convite para o paciente leitor e a amável leitor: que, vão, diretamente, ao velho Rónai. Repito o nome do livro: “Como aprendi o português e outras aventuras”.

Garanto que não se arrependerão.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOSé historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por Luso-brasileiro às 15:12
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O LIVRO NOSSO DE CASA DIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                Mesmo antes de aprender a ler eu já era fissurada por livros e pela mágica que são capazes de produzir assim que suas páginas são abertas. Tão logo aprendi a ler, nunca mais consegui me manter longe de um livro.  Não se passa um único dia no qual eu não tenha lido algo, sem que eu tenha me aventurado para dentro de alguma outra realidade, outro mundo ou simplesmente para vida de outras pessoas.

            Acredito até que quando o assunto é livro eu tenho praticamente uma compulsão. O detalhe é que não tenho o mesmo ímpeto consumista para praticamente nada. Sou uma pessoa de gastos ponderados, que planeja e gasta de acordo com os recursos disponíveis. Contudo, perco a cabeça quando entro em alguma livraria ou mesmo banca de jornal. Ainda que eu não faça loucuras, sempre saio carregada de livros. Na pior das hipóteses (ou na melhor?) saio de lá com ao menos um exemplar.

            Não adquiro livros, porém, para que se tornem acessórios em uma estante. Compro para consumi-los, devorá-los, em uma fome que me ultrapassa. Não estou aqui querendo me qualificar como intelectual ou coisa do gênero. Tampouco é falsa modéstia. Até mesmo porque meu gosto para leitura é muito variado, indo desde gibis, fontes das minhas primeiras leituras, passando pelos policiais e ficções das mais diversas, para somente depois encontrar os livros técnicos, relacionados às áreas nas quais milito.

            A coisa toda é que gosto mesmo de ler, compulsivamente. Assino revistas, jornais e boletins, físicos ou eletrônicos. Faço parte de dois clubes de livros e todos os meses fico alucinada quando vejo o correio trazer minhas caixinhas. Tenho ainda um kindle, dispositivo para leitura de livros digitais, capaz de armazenar milhares de livros e que, tendo iluminação própria, permite que eu leia em qualquer ambiente, mesmo onde não há luz ou no qual a luz poderia incomodar a quem está dormindo. Aliás, preciso ler para dormir, nem que sejam poucas páginas. É mais como o passaporte que adquiro como ingresso aos sonhos que se seguirão.

            Tenho o sincero propósito de ler todos os livros que tenho comigo. O grande problema é que enquanto leio uns 4 por mês, compro uns 5 e assim estou sempre um passo atrás de mim mesma. Além disso, sabendo desse meu hábito, sempre há quem me presentei com algum exemplar ou, tendo lido um bom livro, ofereça para me emprestar, o que prontamente aceito.

            Embora não empreste meus livros para qualquer pessoa, gosto de fazê-lo para aqueles que sei que os lerão e, sobretudo, devolverão. Tenho ciúme deles, confesso. São meus como são de alguém as suas memórias. São memórias alheias, dos autores ou dos personagens, das quais me aproprio despudora e eternamente.

            Não sou pessoa de dar conselhos, até porque apreendi que isso quase sempre é inútil, mas a quem deseja ampliar seus horizontes, viver várias vidas em uma, recomendo doses maciças de livros, até porque eles existem para todos os gostos, de todos os sabores. Livro é tão bom que deveria ser adjetivo, segundo li certa feita. Gosto tanto disso que, quando eu morrer, quero ser enterrada dentro de um...

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 15:07
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DESABAFO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Machucou-me a situação experimentada pela mamãe na tentativa de um golpe, via ligação telefônica. Segundo o autor, eu seria vítima de assalto, por ele detida e com a proposta de que transferisse para a conta do mesmo o valor de cinco mil reais. Para ela, a voz que pedia socorro era minha. Dobrada, sob os seus noventa e quatro anos, ficou, por meia hora, tentando negociar com o golpista, justificando que não sabia fazer transferência de valores via internet e que não teria, também, condições de ir sozinha ao banco para o depósito, já que suas pernas não possuem a mesma firmeza, devido à idade. E a criatura, que me representava, dizia em voz de súplica: “É a minha vida, mãe!” E o indivíduo insistia que não iria me devolver.
Ao chegar em casa, observei-a ao telefone, em conversa que me pareceu equilibrada. Somente quando a chamei, porque o diálogo se alongava, entrou em pânico. Em um primeiro momento, acreditou que eu era uma alucinação produzida por seu desespero, pois me encontrava prisioneira. Que crueldade! E seguiram horas de lágrimas, medo, angústia e, de certa forma, de luto, pois esses “mestres em extorsão” possuem a habilidade malévola de entrar na mente das pessoas mais frágeis e fazerem-nas sentir a perda.
Dolorosa demais a tortura psicológica a que foi submetida e que se acentuou pela idade cronológica.
Considero que esse golpe continua acontecendo pela indiferença das redes de telefonia e de quem possui poder sobre elas em exigir formas de coibi-lo. E, também, pela perversidade que se espalha em diferentes segmentos da sociedade. Essa escassez de coração que bate e se comove com o próximo.
Assim que aconteceu, como desabafo, relatei os fatos, indignada, no Facebook e no Whatsapp, e usei termos de condenação extrema ao executor. Expressei-me com o sangue fervendo. São três situações do sangue que tenho: de “barata” em alguns momentos, de fervura em outros e equilibrado. Mas o Mestre, que me foi apresentado, a partir do ventre materno, e pelo qual me apaixonei desde minha infância, Jesus Cristo, me convida, todos os dias, a permitir que o sangue dEle, derramado na Cruz, circule em minhas veias. Compreendo que o agente da maldade com minha mãe também é filho de Deus, mas, por razões que desconheço, aprendiz do mal. Rezo para ela e ele, com o propósito de que elevem os olhos para o Céu.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 15:01
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FAUSTINO VICENTE - A BÍBLIA E O CLIMA ORGANIZACIONAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Solicitados, numa de nossas palestras, a sugerir a leitura de um livro especial na abordagem de conceitos e práticas sobre clima organizacional, indicamos a Bíblia - o que causou uma certa estranheza - pela equivocada percepção da abrangência, e da profundidade, desse best-seller cristão - um legitimo manual de qualidade da vida.

Visão, missão, valores, princípios, normas de procedimento e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras de forma explícita. Uma das primeiras referências encontra-se na construção da Arca de Noé. A ordem de serviço veio com todas as especificações técnicas: "Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, largura; e a altura, de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca:um em baixo, um segundo e um terceiro" (Gênesis 6: 14 a 16).

Hoje, produtos e serviços são desenvolvidos obedecendo normas técnicas internacionais, cujos certificados são verdadeiros passaportes para a inserção das empresas nos negócios globalizados. Entre as habilidades gerenciais de Noé destaca-se a sua capacidade de planejamento organizacional, disciplina tática no cumprimento do cronograma, "ouvido de mercador" frente as provocações dos incrédulos de plantão e a aguçada percepção no aproveitamento das características individuais de cada um de seus colaboradores. Formou uma equipe, motivou-a, alocou recursos,estabeleceu processos operacionais, distribuiu tarefas, informou o prazo e gerenciou o andamento do projeto. Noé não foi apóstolo da burocracia.

Outro personagem histórico da Bíblia é José do Egito - administrador admirável, (Gênesis 41: 37 a 45)que pode ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) Presidente Executivo, de hoje. Notabilizou-se, principalmente, pela administração do país nos períodos "das sete vacas gordas e das sete vacas magras" - interpretados como anos de fartura e de escassez. Em termos de relacionamento interpessoal, a vida de José é uma das mais comoventes e atraentes da história.

As vagarosas e silenciosas passadas de Moisés pelo deserto o colocaram na galeria dos protagonistas que agregam valores à gestão de recursos humanos. Dentre os seus desafios destaca-se a complexidade no atendimento das necessidades dos milhares de judeus que liderava à caminho da Terra Prometida. A solução do problema partiu de seu sogro, Jetro, quando lhe disse: "E tu, dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem,maiorais de cinquenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo" (Êxodo, 18: 13 a 26). Nascia, assim, uma metodologia de descentralização do poder - o "calcanhar-de-aquiles" das atividades humanas. Reagimos como democratas, mas agimos como autocratas.

Esta é a mais devastadora das causas de desmotivação de funcionários e do desaparecimento prematuro de promissoras lideranças. O clima organizacional das empresas depende, essencialmente, de uma política de recursos humanos que consolide a seguinte prática: dar oportunidades (iguais) para que os funcionários possam revelar e/ou desenvolver o seu potencial. Questionar as ideias, não as pessoas é a mais eficaz das estratégias para manter a indispensável "oxigenação" do processo gerencial.

Entendemos que, se lêssemos, refletíssemos e vivenciássemos, com maior freqüência, os ensinamentos contidos na Bíblia seríamos muito mais felizes e, de quebra, muito mais prósperos. É crer para ver.

 

 

 

FAUSTINO VICENTE –   Advogado, Professor, Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos -  e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo - Brasil

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:54
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PÉRICLES CAPANEMA - JABURU OU SABIÁ ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O sabiá-laranjeira, ave-símbolo de São Paulo, por decreto de 3 de outubro de 2002 foi declarado ave-símbolo do Brasil. Satisfaz-nos a representação, está presente em todos os lugares, é vivaz, enérgica, alerta, simpática. Para João Capistrano de Abreu (1853-1927), em carta a João Lúcio d’Azevedo, quem bem representava o brasileiro era outra ave, o jaburu: “O jaburu, a ave que para mim simboliza a nossa terra. Tem estatura avantajada, pernas grossas, asas fornidas e passa os dias com uma perna cruzada na outra, triste, triste, d'aquela ‘austera e vil tristeza’”. Aqui, o historiador faz alusão à crítica de Camões à pátria, “metida no gosto da cobiça e na rudeza duma austera, apagada e vil tristeza”. Para o severo cearense, o brasileiro era um povo triste, parecia o jaburu.

 

A respeito, a conventional wisdom é esmagadora. Somos tidos por alegres, extrovertidos, gozadores da vida, até patuscos. No Nordeste, mais, no Sul, menos. Carnaval no Rio, Carnaval na Bahia, frevo no Recife, esticados, festanças e pândegas de rua em tantos outros lugares. Quase virou marca do País lá fora: Brasil, carnaval, futebol. E ele sai com essa de povo triste?

 

Capistrano de Abreu não está só. Vou pisar o estradão do politicamente incorreto, avançar veloz na contramão e pelo caminho esbarrar em ídolos cultuados na superficialidade.

 

Coloco ao lado do historiador outro homem de pensamento, desempoeirando livro de Paulo Prado “Retrato do Brasil – ensaio sobre a tristeza brasileira”, publicado em 1928, reeditado continuamente, mas pouco comentado. À vera, muitos o leem, com facilidade percebem a seriedade esclarecedora do texto, mas quase ninguém sente ambiente para sobre ele discorrer. Não dá ibope.

 

Paulo Prado (1869-1943) foi e representou um tipo humano que começou a ter destaque na vida brasileira ´pela amplitude e finura de apreciação. Teria sido vantajoso pessoas assim se se firmarem na arena púbica e assim influir mais, mas vêm perdendo importância e desaparecendo para desgraça nossa. Com muita simplificação, o velho paulista foi intelectual e homem de ação. Esmiuçando, pensador, comerciante, fazendeiro, aristocrata, homem que sabia viajar. Como muitos de seu tempo de forte nacionalismo, refletiu sobre quais seriam as características autênticas do Brasil, suas lacunas e possibilidades, e como poderia, desabrochando potencialidades, fulgurar no futuro.

 

Por que lamentei o desaparecimento de tal tipo humano? Por que sua falta empobrece e deforma a vida pública do Brasil e até a formação do povo. São padrões humanos educativos, quando nada pela vista e exemplo, em certo sentido “role models”, agora virtualmente eliminados do horizonte das novas gerações.

 

Esse tipo de homem de pensamento vivia imerso em muitos ambientes e a reflexão em seus espíritos borbotava embebida de premissas pujantes, às vezes com uma agradável nota de verdor caseiro ▬ conversa brilhante em ambiente informal ▬, inexistente até mesmo em grandes pensadores. Trabalhavam material de primeira, filtrado por olhos que tinham aprendido a ver. Assim, não pulava diante de nós o raciocínio simplificador, ossos e esgares à vista, ao qual infelizmente vamos nos acostumando. Vinha educado, bem expresso, matizado, sentia-se ali riqueza na conjugação de várias realidades. Brotava de camadas mais fundas, fluía mais límpido.

 

Vamos a Paulo Prado: “Numa terra radiosa vive um povo triste. Legaram-lhe essa melancolia os descobridores que a revelaram ao mundo e a povoaram. O esplêndido dinamismo dessa gente obedecia a dois grandes impulsos que dominam toda a psicologia da descoberta e nunca foram geradores de alegria: a ambição do ouro e a sensualidade livre e infrene que, como culto, a Renascença fizera ressuscitar”.

 

Garante exatamente o contrário a sabedoria convencional entre nós: a luxúria é fonte de alegria, a bem dizer condição indispensável e insubstituível para manter o ambiente alegre. Paulo Prado, com coragem intelectual, abrindo caminhos, avança no rumo contrário, a luxúria infrene está na raiz da tristeza do brasileiro. Para ser alegre de fato, precisaria correr para o rumo oposto, cultivar a pureza.

 

Co segurança, vai adiante o intelectual paulista, menos difícil em homens de sua posição, no topo da inteligência, da vida social e, em algum sentido, dos negócios: “A volta do paganismo, se teve um efeito desastroso para a evolução artística da humanidade, que viu estancada a fonte viva da imaginação criadora da Idade Média, [...] teve como melhor resultado o alargamento das ambições humanas de poderio, de saber e de gozo”. Lembra Nietzsche e sua idealização do super-homem, oposto à mansidão de Nosso Senhor: “Era preciso alterar o sinal negativo que o cristianismo inscrevera diante do que exprimia fortaleza e audácia. Guerra aos fracos, guerra aos pobres, guerra aos doentes”.

 

Continua: “A era dos descobrimentos exaltava a vida física, como mais tarde a Revolução Francesa foi a exaltação da vida intelectual, arrogante e independente”.

 

Outro ponto que não mudou desde os Descobrimentos e até hoje gera tristeza, a cobiça, a busca desbragada da riqueza. A alegria está na temperança, na despretensão, na conformidade sensata com os bens que a vida nos oferece.

 

Enquanto perdurar tal situação, Paulo Prado tem razão, será mentirosa a fama de alegre do brasileiro. Estaremos mais para jaburu que para sabiá.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:50
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FELIPE AQUINO - QUAIS OS PROBLEMAS QUE GERARAM A INQUISIÇÃO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é fácil, mas todos precisamos entender o que foi e porquê aconteceu a Inquisição, para que possamos explicar as pessoas essa história que não é contada nas escolas…

 

 

 

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Os pecados dos filhos da Igreja nos séculos IX a XIII, foram um “meio de cultura” para o crescimento da fortíssima heresia dos cátaros, que acabou dando início à Inquisição. Isso os ajudou a fazer muitos adeptos entre o povo e o clero, como também aconteceu com o protestantismo cerca de três séculos depois. Uma heresia nunca surge sem motivo.

A história universal e a da Igreja mostram que os grandes erros foram precedidos por outros, assim como foi o comunismo, o nazismo, e também com a grande heresia cátara.

Sabemos que a Igreja sofreu muito por causa dos maus exemplos de muitos dos seus filhos (luxo,corrupção, simonia, investidura leiga, vida devassa de alguns clérigos, nicolaísmo (padres vivendo no concubinato); isso deu alimento aos hereges. O poder temporal da Igreja com o advento do Estado Pontifício a partir do século VIII, bem como a difícil situação do feudalismo, prejudicou muito a vida e a conduta do clero. Ainda hoje os maus exemplos continuam sendo o pior inimigo da fé católica.

Os grandes papas, bispos e monges reformadores, sentiram o risco que a Igreja corria; entre eles o Papa Gregório VII (1073-1085), São Bernardo, São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão, que com uma firme decisão trabalharam para a salvação da Igreja, sem sair do seu coração, e sem deixarem de lhes ser fiel apesar dos pecados dos seus filhos.

 

 

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No entanto, outros espíritos fracos e exaltados, até mesmo com fama de santidade, rejeitaram a disciplina e a obediência à Igreja, e quiseram reformá-la sem o devido respeito, caindo nas heresias. Esses não souberam separar a Igreja, santa, de seus filhos pecadores, e acabaram rejeitando-a, com outros erros.

Por causa do mau comportamento e luxo por parte do clero, uma intensa onda de contestação surgiu dentro e fora da Igreja; tanto assim que os melhores papas e santos buscaram fazer a “reforma” que a Igreja precisava. Cristo prometeu que o Espírito Santo ensinaria à Igreja toda a verdade (cf. Jo 16,13), isto é, ela é infalível quando ensina a “sã doutrina” (cf. Tt 1,9; 2,1; 1Tm 1,10); mas não prometeu à Igreja impecabilidade para seus filhos, nem mesmo para o Papa. Infalibilidade não quer dizer impecabilidade. E a Igreja sentiu o peso da fraqueza humana de seus filhos nos difíceis séculos.

A riqueza e o poder da Igreja e de muitos leigos nos séculos XII e XIII eram motivos para que os hereges a acusassem, o que despertou em almas santas, como São Francisco, São Domingos, Joaquim de Fiori, Norberto de Xanten, Roberto de Arbissel e muitos outros, o desejo de viver mais plenamente a pobreza evangélica e a pregação ambulante.

 

Leia também: Inquisição: uma breve história

História da Igreja: A Inquisição (Parte 1)

História da Igreja: A Inquisição (Parte 2)

A origem da Inquisição

 

Por outro lado, a Igreja, tendo o imenso Estado Pontifício reconhecido por Carlos Magno (†814), com cerca de 40.000 km2, cobrava taxas e impostos pesados nas suas cidades. Tudo isso deu margem ao aparecimento de muitos pregadores itinerantes, espalhando ideias revolucionárias contra a Igreja, contra o Papa, contra os dogmas, contra a hierarquia e contra os sacramentos. Foi um movimento herético que atingiu clérigos e leigos e teve apoio de nobres e de governantes. Foram os gnósticos cátaros que se espalharam por quase toda a Europa. Chegaram a constituir uma “anti-igreja” que ameaçava a Igreja verdadeira.

O concílio regional de Trosly disse com toda razão: “Os maus padres, que apodrecem na esterqueira da luxúria, contaminam com a sua conduta todos aqueles que são castos, pois os fiéis sentem-se inclinados a dizer: ‘são assim os padres da Igreja!’” (Rops, Vol. II, p. 553).

Nos séculos X e XI houve papas despreparados, impostos pelos nobres ou pelos imperadores. De 896 a 960 o papado esteve nas mãos dos Teofilactos, rica e ambiciosa família toscana. Depois disso o trono de São Pedro passou a ser disputado entre a nobreza romana e o imperador germânico. Diz Daniel Rops que “reapareceram os conflitos sangrentos, em que papas sobre papas desaparecem misteriosamente, e que surgem antipapas – a certa altura a Igreja chegou a ter três papas eleitos ao mesmo tempo” (Roma, Pisa e Avinhão) e as famílias poderosas digladiavam-se para fazer o papa. O último papa dessa série foi “Bento IX (1033-1045), que, sagrado aos doze anos e já cheio de vícios, acumulou tantos escândalos que o povo romano acabou por revoltar-se contra ele e o pôs a correr” (Rops, Vol. II, p. 545). Se a Igreja não fosse divina teria naufragado.

 

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Os historiadores cristãos são unânimes em afirmar que a maior prova de que a Igreja Católica é divina, é o fato de não ter sucumbido nesta época, mais do que no período da perseguição romana. A Barca de Pedro estava à deriva; não fosse a Promessa do Senhor – as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela (Mt 16,18) – teria sucumbido.

É claro que uma situação assim abre as portas para todo tipo de revoltas contra a Igreja. Foi num quadro deste que surgiu a pior heresia como uma reação contra a Igreja e o clero decadente. O fato mais grave se deu em Orleans, na França, em 1022, na qual a heresia cátara maniqueísta se organizou em seita; padres, cônegos, professores e até o confessor da rainha lhe deram a sua adesão. Passou-se então a ensinar uma fé que continha uma rebelião contra a Igreja estabelecida, com a recusa dos dogmas e dos mistérios cristãos, especialmente a negação da Encarnação, da Paixão, da Ressurreição, abandono do culto, da hierarquia, das imagens. Foi uma subversão contra a ordem e a doutrina estabelecidas há séculos.

Naturalmente isso provocou uma forte reação dos imperadores cristãos e da Igreja. Mas é importante dizer que os grandes homens e mulheres da Igreja souberam reconduzi-la aos poucos ao bom caminho. Houve grandes homens e mulheres que levantaram a Igreja. Nunca faltaram monges, bispos e papas santos que a restauraram.

Foi exatamente nesses tempos difíceis de Inocêncio III (1198-1216), onde a heresia cátara se espalhou violentamente no sul da França, e que surgiram os gigantes São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão, Santo Antônio, e tanto outros santos.

Infelizmente muitos de fé imatura não conseguem separar a “Pessoa” Santa da Igreja, das “pessoas” pecadoras, que também pertencem à Igreja, e acabam rejeitando a santa Mãe. É como aquela estória de alguém que encontra uma criança em uma água suja dentro de uma bacia e, querendo se livrar da água suja acaba jogando fora a água com a criança! Isso aconteceu muito na história da Igreja.

Lutero revoltou-se contra a Igreja também por causa dos pecados dos seus filhos; e o mesmo se deu com muitos outros. Ao contrário, por exemplo, de uma Santa Catarina de Sena (1347-1380), que nunca deixou de se submeter à Igreja e ao Papa, mas soube dizer ao Papa Gregório XI (1370-1378), em Avinhão, na França que voltasse a Roma, porque “sentia o cheiro fétido do inferno em sua corte”.

Por isso João Paulo II afirmou um dia: “A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos”; eles foram os verdadeiros reformadores da Igreja, sem a desprezar. Os outros a apedrejaram. O Papa Bento XVI em um artigo contra a Teologia da Libertação [marxista], deixou claro que toda heresia traz dentro de si um “núcleo de verdade”, envolvida por uma camada espessa de mentira, e quanto mais forte é este “núcleo de verdade”, tanto mais difícil será vencê-la.

 

 

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Assista também: O que foi o Tribunal da santa inquisição?

 

No caso da Teologia da Libertação, este núcleo de verdade é a importância de defender o pobre e o oprimido, mas a espessa camada de mentira é realizar essa obra por meio do marxismo ateu, da luta de classes, da violência, do maquiavelismo e do ódio entre os irmãos de classes diferentes. É o desprezo da vida espiritual em face da luta social. Os meios não justificam os fins e a moral católica não admite que se faça o bem por meios maus.

As pessoas que não possuem uma formação religiosa adequada, ou que se acham mais “doutas” que o Sagrado Magistério da Igreja acabam “encantados” com o “núcleo de verdade” das heresias – e que se torna o seu motor propulsor – e não veem a mentira e a falsidade que a envolve. Desta forma agem segundo o perigoso princípio de que “os fins justificam os meios”, o que a Igreja sempre condenou. No fundo é o pecado do orgulho espiritual que se sobrepõe à Igreja.

 

Para compreender melhor este assunto sugerimos a leitura:

De maneira simples e objetiva: Você sabe o que foi a Inquisição?

Um estudo mais aprofundado: Para Entender a Inquisição

 

 

 

Retirado do livro: “Você sabe o que foi a Inquisição?”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:35
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PAULO R. LABEGALINI - HISTÓRIAS DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Alguns relatos nos fazem lembrar do amor de Deus por nós. Mesmo não sendo reais, é gostoso ouvir e aprender contos que trazem mensagens bonitas aos nossos corações. Vamos a eles.

O primeiro que me recordo relata o naufrágio de um cidadão muito rico. Após sobreviver de um acidente no seu iate, ficou sozinho numa ilha por vários meses. Devagar, foi juntando alguns materiais na mata para construir um abrigo e ter como se proteger à noite.

Com muito esforço, conseguiu levantar a sua morada e passou a rezar, pedindo que Deus tivesse piedade e o tirasse daquele lugar. Eis que durante uma madrugada, enquanto dormia, o seu barraco pegou fogo e veio a perder tudo o que havia juntado.

Ele então ficou furioso e passou a blasfemar, descarregando no Criador a sua revolta. Ao amanhecer, um pesqueiro chegou na ilha e o tirou de lá. Durante a viagem de volta, o náufrago soube que os pescadores somente o acharam porque viram, ao longe, um sinal produzido pelo incêndio do seu barraco.

A partir daquele dia, além de agradecer a Deus pela sua vida, aprendeu que alguns sofrimentos só serão compreendidos com o tempo e à luz da fé.

Gostou dessa primeira história? Já aconteceu algo assim com você? Se ainda não lhe veio a explicação, aguarde e um dia saberá.

A segunda que conheço conta que um rei sempre ouvia do seu ministro: “Tudo o que Deus faz é bom!” Um dia, após perder um dos dedos das mãos na serra elétrica, o rei chorava de dor e o ministro lhe repetiu: “Tudo o que Deus faz é bom!” Irritado, o rei mandou prender o súdito para nunca mais ter que ouvir aquilo novamente.

Após algum tempo, o rei foi caçar e acabou sendo capturado por canibais. Como era costume na tribo, resolveram oferecê-lo em sacrifício, mas, ao perceberem que ele não tinha um dedo, acharam-no indigno da oferenda e resolveram soltá-lo.

Voltando ao palácio, o rei correu soltar o seu ministro e repetiu a ele: “Tudo o que Deus faz é bom! Se eu não tivesse perdido o dedo, estaria morto!” E o fiel ministro lhe respondeu: “Deus é realmente muito melhor do que vossa majestade imagina! Se eu não estivesse preso e tivesse ido caçar com o senhor, eu agora é que estaria morto, pois, com a graça de Deus, tenho o meu corpo perfeito, sem faltar nenhum dedo!”

Outro belo exemplo da Providência de Deus, não? Fatos parecidos já aconteceram muitas vezes comigo e com pessoas que conheço. Um dia eu os contarei pra você.

Por enquanto, reflita nisso tudo que acabou de ler e amoleça o seu coração para voltar à casa do Pai neste ano que estamos vivendo. Deus espera que saibamos perdoar sem restrições para que, através da reconciliação com os irmãos, recebamos muito mais graças em nossas vidas.

            Tudo que Deus pede é bom!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:28
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - QUEM ENVELHECE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minha trisavó Florinda viu partir para o Brasil todos os filhos, excepto o primogénito. A maioria ficou por lá, outros regressaram. Entre eles, meu bisavô.

Abalou menino e veio homem feito.

Escrevia à mãe que havia de a visitar quando tivesse vinte e um anos. Assim aconteceu…

Uma manhã, sem ela contar, bateu-lhe à porta. Quase morria de alegria…

Abraçaram-se e choraram durante muito tempo. Por fim disse-lhe a mãe:

- " José: não precisas de voltar ao Brasil. Sou de idade e preciso de quem cuide de mim e dos negócios. Tenho mercearia afreguesada e açougue de carnes verdes. Ficas com o negócio. Possuo economias que bastam e loja de retalhos, fitas e miudezas, para entreter e comprar alfinetes…"

Meu bisavô ficou e expandiu o negócio.

Ajoelhada defronte do velho santuário de pau-preto, com o terço pendente das mãos encarquilhadas, a trisavó Florinda, todos os dias orava pelos ausentes. Via-os meninos. Para ela os filhos não cresceram…

Fui forçado, durante anos, a viver no interior. Conheci, nessa cidade, perdida entre serras, formosa cachopinha, terna, de ingenuidade amorosa, de belos e luminosos olhos castanhos, irradiantes de ternura e magia, que tiveram o condão de suavizar as longas e sombrias horas de solidão e tristeza Regressei, saudoso, à minha cidade. Nunca mais a vi.

Soube que se tornou mulher. Casou. Teve filhos…envelheceu.

Quando do armário da memória, ressuscitam velhas e gratas recordações, vejo-a menininha, muito trigueira, doirada pelo sol, brincando e conversando com toscos bonecos de celuloide, na varanda de sua casa.

O delírio embriagante que nos retira da realidade, só se esbate ao confrontar fotografias de diferentes épocas.

Com amargura verificamos que vivíamos dentro de um sonho. Sonho encantado que é saudade. Sonho que não queríamos nem queremos que se desvaneça no despertar…

O tempo passa, mas a melancolia do que passou, do que foi, e já não é, revive e reveste a alma de soledade.

A vida passa, transforma-se, e no rodopio do tempo só envelhece quem está longe do coração…

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 14:22
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EUCLIDES CAVACO - VIVE CADA DIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poema e voz de Euclides Cavaco.
Video elaborado pela amiga Gracinda Coelho.
Um poema para reflectir sobre a forma como aproveitamos os nossos dias nesta tão breve passagem. Veja neste link:

 



https://www.youtube.com/watch?v=QxGjeGTYVqA&feature=youtu.be

 

 

 

 

Desejos duma magnífica semana.

 

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***
 
 
 
 
 
 
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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

bispo diocesano de Jundiaí

 

4º Domingo de Páscoa

 
 
 
 
https://youtu.be/jMGg2lkKcUQ
 
 
 
 
 
 
***
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:06
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