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Sexta-feira, 5 de Março de 2021
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - EUTANASISMO ( UO EUTANAZISMO ? ) EM PORTUGAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em Portugal, trava-se no momento presente grande polêmica sobre a introdução da eutanásia na legislação do país. A maioria esmagadora da população, conservadora e de princípios cristãos, é contrária à medida, que o parlamento, por imitação servil da vizinha Espanha, aprovou há poucos dias. Agora a lei está na mesa do presidente da República que pode vetá-la. Ele não somente pode, mas deve vetá-la, se for fiel à sua convicção pessoal de católico e às esperanças que despertou durante recente campanha eleitoral em que, precisamente por suas posições conservadoras e cristãs, foi reeleito.

Não é lá muito democrático impor leis sabidamente antipopulares por mera votação parlamentar, menos ainda por decisões do STF, como se tem feito aqui no Brasil no tocante à ampliação dos casos permitidos de aborto.

O correto, de acordo com os postulados democráticos, seria consultar diretamente o eleitorado, mas os próprios defensores da eutanásia, em Portugal, e os do aborto, no Brasil, não querem saber de plebiscitos ou referendos nessas matérias. Por quê? Porque sabem muito bem que se for consultado o eleitorado, que na sua maioria esmagadora é conservador e de princípios cristãos tanto no Brasil como na mãe-Pátria lusa, a eutanásia jamais seria aceita em Portugal e o aborto jamais encontraria acolhida no Brasil. Daí preferirem fazer a introdução apenas pela via parlamentar ou pela do assim chamado “ativismo judicial”.

Os partidários da eutanásia, em Portugal, se indignam quando designados como “eutanasistas”, porque, dizem eles, tal designação é pejorativa e insultante, uma vez que remete os espíritos ao Nazismo – regime odioso e odiento que, entre outras muitas barbaridades, também defendia e praticava a eutanásia.

Será realmente inadequada a designação de eutanasista, para quem defende a eutanásia? Não me parece. Em bom português, pode-se perfeitamente usar a palavra eutanasista – formada pela aposição, ao radical eutanas-, do sufixo ista, herdado remotamente do grego pela via latina, que exprime a ideia de adesão, concordância, filiação ou entusiasmo por algo ou alguém (por exemplo, marxista, ecologista, abortista, bolsonarista, grevista, anarquista, budista), como também pode exprimir uma situação ou profissão (quartanista, finalista, jornalista, jurista, lojista, copista), uma área de conhecimento, estudo ou especialização (medievalista, camonista, brasilianista, otorrinonaringologista), uma proveniência geográfica (nortista, sulista, paulista), uma tendência (otimista, pessimista, trocista, altruísta) etc.

Eutanasista e eutanazista são palavras homófonas, ou seja, se pronunciam da mesma forma. O S e o Z, aliás, são duas letras muitas vezes intercambiáveis em numerosas situações, na prática diária do nosso idioma. Como regra geral, o S no meio de uma palavra tem som de Z quando precedido de uma vogal e seguido de outra vogal, como em casa, riso, piso. E tem som de S sibilante quando precedido de consoante e seguido de vogal, como em cansar, persa, mansidão. Mas são numerosas as exceções a essa regra, sedimentadas e consolidadas pela prática. Por exemplo, transe, transição e transeunte têm pronúncia de tranze, tranzição e tranzeunte; subsídio cada vez mais se pronuncia subzídio (apesar de os puristas ainda preferirem a forma subcídio), rapsódia, obséquio e subsistência soam como rapzódia, obzéquio, subzistência.

Compreende-se que os eutanasistas tenham muito boas razões para não quererem ser confundidos com os nazistas... Mas, se fazem tanta questão de evitarem essa confusão, melhor seria não defenderem ideias nazistas. Não é só a homofonia que produz confusão. É também a ideologia.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

                                                                                                                           



publicado por Luso-brasileiro às 14:31
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A LUTA DA MULHER CONTRA A DISCRIMINAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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           Faz-se necessária a construção de uma sociedade nova alicerçada na fraternidade e no princípio de isonomia entre as pessoas. Essas aspirações fundamentam a Teoria Geral dos Direitos Humanos que apregoa o respeito irrestrito à dignidade humana. Entretanto, apesar de alguns esforços nesse sentido, diversas realidades ainda carecem de atenção e reclamam soluções urgentes. Entre elas, evidencia-se a luta da mulher contra a discriminação.

         Por isso, é imprenscíndivel que ela se engaje e reflita sobre o que lhe diz respeito, pois já não se pode permitir que continue sendo objeto de manipulação e exploração de uma sociedade machista, que lhe impõe uma desigualdade sem quaisquer bases legais ou morais. Não são raros, por exemplo, os casos em que, exercendo as mesmas funções, têm remuneração inferior aos homens.

         Hoje existem inúmeras leis que, enfocadas nas constituições em inúmeros países, garantem direitos idênticos para sexos opostos. No entanto, na prática, persiste um perigoso quadro de marginalização e constante violação de suas aspirações legais. Para que ocorra uma profunda e concreta transformação, a principal medida é desenvolver um processo de educação que realmente conduza a uma mudança de mentalidade.

         Com efeito, nos últimos tempos a mulher obteve inúmeras conquistas no campo sócio-político-econômico. Não obstante isso, ela não deixou de sofrer restrições dentro da concepção machista, predominante em países latinos como o Brasil e constantemente apuradas em pesquisas e apontadas em trabalhos sociológicos ou de outras ciências humanas, inclusive, a jurídica. A dependência emocional, financeira e o vínculo afetivo ainda são entraves à falta de coragem às mulheres agredidas em denunciarem seus agressores, mesmo com a vigência da Lei Maria da Penha.

         Sua igualdade de condições com o homem, na construção da história, também não pode mais ser esquecida ou anulada. Deve-se buscar uma relação abrangente que não se limite aos aspectos social e psicológico, mas enraizada no completo atendimento de suas reivindicações e absoluto respeito à sua figura, aos seus valores e as suas capacidades. Enfim, plena reverência à condição feminina.

         Assim, superando-se a forte ideologia patriarcal e a equivocada concepção de superioridade em relação às mulheres e que ainda dominam nossa convivência social,  concretamente alcançarão uma igualdade efetiva na relação com os homens, seja na área trabalhista, no setor de representação política, seja na divisão de responsabilidades no âmbito doméstico. Com a edificação de vários fatores, entre os quais, o da orientação   às crianças, a realidade poderá ser bem melhor num futuro bem próximo. Reitere-se que é preciso educá-las no sentido de que cresçam como seres humanos, não como fêmeas obedientes e dóceis, nem machos dominadores, mas futuros parceiros e companheiros na vida, valorizando o instituto de família e o princípio da integração humana.

O Dia Internacional da Mulher é comemorado desde 1910, por iniciativa da Internacional Socialista. A data foi escolhida por causa de um protesto realizado em 8 de março de 1957, nos Estados Unidos, em razão do qual operárias das indústrias têxtil e de confecção, que pediam isonomia de  salário, foram trancadas e mortas, queimadas dentro de uma fábrica, por um grupo de industriais. Ele continua sendo uma forte bandeira de lutas em defesa da autonomia e dignidade femininas, e assim o será, até que se forme uma sociedade verdadeiramente democrática e igualitária.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:20
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CINTHYA NUNES - HÁ UM ANO ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            De início acreditávamos que seria passageiro. Teríamos que ficar por um ou dois meses recolhidos em casa, evitando contato com os amigos, tudo para que o vírus, cujo nome ainda poucos sabiam, não se alastrasse pelo território nacional. Respiramos fundo e, passado o choque inicial, fomos ajustando nossa rotina, na certeza de que as coisas se ajeitariam.

            Os meses, no entanto, foram se passando e mais do que mudar a rotina, tivemos que alterar nosso modo de viver, de estudar, de nos relacionarmos com os outros. Durante um bom tempo a maior parte das pessoas respeitou as limitações e, seja para se autopreservar  ou para salvaguardar seus familiares, a cautela, inicialmente, falou mais alto.

            Um dia, no entanto, a população se deu conta de que o vírus não estava de brincadeira, e depois de muitas lágrimas derramadas e ausências irremediáveis sentidas, constatou-se que o mundo nunca mais seria o mesmo. Diante dessa realidade, alguns se recolheram ainda mais, outros mantiveram os cuidados básicos. Infelizmente, porém, houve quem achasse melhor debochar do vírus, desafiando-o de cara limpa, sem máscara ou qualquer outra proteção.

            Vivendo em sociedade, no entanto, as escolhas individuais impactaram na dinâmica de todos. Depois de um pequeno hiato, um breve respiro, quando as esperanças abriram a golpes de facão um espaço ao sol, as pessoas relaxaram e, equivocadamente, acharam que a normalidade estava de malas prontas para voltar e foi aí que tudo começou a desabar novamente.

            Infelizmente, esquecidos do bem maior, a briga de egos e de poder retardou a chegada da tão sonhada vacina. Enquanto em vários outros países muitos já foram imunizados, ainda caminhamos a passos lentos, na incerteza da vinda de doses na quantidade necessária e em tempo hábil para evitar mais baixas e o colapso da economia.

            De repente abrimos os olhos e lá se vai um ano de pandemia. Ganhamos algumas coisas, mas nada que se compare ou que justifique as perdas sofridas. Adaptáveis que somos, demos um jeito e adequamos algumas atividades, mas não conseguimos nem chegar perto de resolver os problemas causados pelo coronavírus. Para muitos brasileiros a palavra de ordem é sobreviver.

            Quando deveríamos estar nos despedindo desse pesadelo, na tentativa de remendarmos o que sobrou, a situação se encontra pior do que já esteve. Sonhamos com uma redenção que 2021 poderia nos trazer e agora, novamente em lockdown na imensa maioria dos estados brasileiros, já nem ousamos prever nada. Ousamos sonhar, mas em silêncio, com medo de que o vírus, em revanche, sabote nossos planos de uma normal.

            Particularmente, para preservar minha saúde mental, para estar íntegra na esfera que posso controlar ainda, optei por me alienar e não acompanhar religiosamente as notícias e previsões dos 1001 especialistas que habitam as mídias. Sigo vivendo um dia de cada vez, sem grandes planos.

            Depois de mais de um ano afastada da docência, retornei há duas semanas, agora online. Assumi o compromisso de direcionar aos meus quase 800 alunos apenas palavras de esperança. Os jornais já se desincumbem do restante. Sugiro que sonhem com a formatura e com os abraços que os esperam lá, ansiosos, cheios de saudades.

            Há um ano éramos inocentes e em maior número. Jamais supomos que viveríamos dependentes  de álcool em gel e mascarados. Há um ano sonhávamos com lugares diferentes e hoje só queremos poder voltar aos conhecidos. Pagamos pela negligência, ignorância e egoísmo de alguns. Novamente somos prisioneiros, acuados pelo fantasma do vírus. Nessas horas, sem esforço, lembro-me de relatos cinematográfico de pessoas que, durante os primeiros dias das grandes guerras mundiais, acreditavam que tudo seria passageiro, que a vida daria um jeito de ficar boa novamente...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada, professora universitária e só espera que daí a um ano tudo isso seja apenas uma lembrança de tempos difíceis – cinthyanvs@gmai.comwww.escriturices.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 14:15
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - JARDINS NO CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Observo os desenhos que o mocinho enviou do sistema carcerário à mãe. Desenhar era uma vocação dele desde menino. Vi diversos. Traços firmes e determinados. Na hora em que passou para a adolescência, o traçado de seus caminhos se tornou tortuoso. Encobriram-se as imagens de beleza das esperanças que carregava.
Das lembranças mais fortes que tenho dele, no início da adolescência: o irmão pequenino, que não queria comer, ao colo. Dava-lhe sopa, com a maior paciência e carinho, em colheradas diminutas. Procurava ser para ele dos cuidados do pai que não possuíra.
A ausência da figura paterna, embora com residência nas proximidades, doeu muito mais que os tombos, cortes, arranhões... Hematoma sem massagem.  Talvez fosse por isso que, em locais estranhos, em lugar de sentar na cadeira, ficava de cócoras em um canto sem maior visibilidade. Não conseguiu se equilibrar nas ondas revoltas de sua história e tropeçou no uso das drogas para se confortar por dentro, sem a consciência das feridas causadas pelas substâncias tóxicas. Havia algo que gritava dentre dele, que não conseguia discernir. As primeiras vieram como presente do “generoso indivíduo que torcia por ele”. É tão comum... Para as demais, quando o corpo pedia, exigiram um valor. Biqueiras se sustentavam com o seu “trabalho” e de outros menores e ele assoprava, por instantes, seu desespero com o produto que o aprisionava.  O tráfico se fez a possibilidade mais próxima para o garoto que passou pouco pela escola que não o compreendia e nem o encaminhou para o tratamento adequado.
No primeiro dos desenhos – os dois sob um pequeno jardim -, acima um rosto de Cristo com coroa de espinhos e asa no lugar dos olhos. Abaixo, um menino em tempo de inverno, cabelos bem cortados, sorriso anêmico, vestido com jaqueta grossa. O texto, além do “Te amo” para a mãe, baseado no Evangelho de São Marcos (9, 37): “Aquele que por ser meu seguidor, receber uma criança como esta, estará também me recebendo. E quem me recebe, não recebe somente a mim, mas também Àquele que me enviou”.
Conheci-o por volta dos 10 anos. Seu olhar de busca de colo e agasalho me comovia. Jamais o vi do riso aberto, mesmo que por momentos. Permanece, pelo jeito do desenho, como criança, à procura da infância que lhe foi negada. Como não possui nada para retribuir, apresenta o Senhor com asas nos olhos que levam ao Céu. Tão doloroso e profundo! No segundo, em formato de pergaminho, uma menina de cabelos com fitas, sorriso recolhido, blusa de babadinhos em meio às flores e outra citação bíblica: “Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Agora, que sou adulto, paro de agir como criança” (1 Cor. 13, 11).
Uma fase com pensamento dos primórdios que não conseguiu viver. Ficou com a burquinha, a bola de capotão, a bicicleta, o carrinho de rolimã entalados na garganta em meio a lágrimas. Agora, como jovem, não age mais como criança, entrou para um mundo paralelo de adultos, onde há gente das margens, mas do centro também... Os das margens o aceitaram para ser um fora da lei, embora existam tantos foras da lei, em setores diversos, com possibilidades raras de grades.
Na penitenciária em que se encontra, comercializa os desenhos para se manter.
Observava os seus desenhos, quando uma pessoa conhecida me contou, feliz, que o genro completara um ano sem o uso de drogas e no serviço de jardineiro na empresa. Alegrei-me com ela. O moço pensou melhor ao saber que a filha morava no ventre da jovem que lhe arrancava suspiros. Que bonito reconstruir-se a partir da jardinagem.  Recordei-me de um texto de Rubem Alves (1933-2014): “Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles”.
Desejo, para o moço dos desenhos, que consiga retirar, de suas entranhas, os entulhos que lhe foram impostos e fazer florescer jardins em sua alma.

 

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:10
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - JANELA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ficaria eu todo dia

espreitando da janela,

como uma ansiosa donzela

antigamente fazia

para ver o seu amado;

e o faria sem enfado.

 

– Os gaviões e os pardais!

Posso vê-los, cá, de dentro,

e os  insetos, lá, no coentro,

recostada nos umbrais.

Ai, que odor vem lá de fora?

– Misto de orvalho e de amora...

 

Sem que o saibam as abelhas

carregam tranquilamente

a esperança da semente,

sobrevoando essas telhas.

Vai, só, minh’alma alcançá-las,

logo adiante dessas salas.

 

Quando, à tarde, sem alarme,

o sol deita ao pé da serra,

e o orgulho põe por terra,

vem a lua provocar-me:

“além dessa porta o que há?”;

no eucalipto, o sabiá!...

 

Toda noite... até outro dia...

na macieza de uma paina,

meu olhar duro se amaina.

Se eu pudesse, eu ficaria

bem aqui, nessa janela,

onde é boa a vida... e é bela!

 

 

In Testamento (2005)

Livro disponível para download – gratuito – em www.valquiriamalagoli.com.br

 

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoliescritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:02
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JOSÉ RENATO NALINI - A DESIMPORTÂNCIA DA ÉTICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Ética, reitero como voz a clamar no deserto, é a única matéria-prima em falta neste Brasil onde tudo sobra. A ciência do comportamento moral do homem na sociedade é a baliza segura para que o convívio deixe de ser a luta livre em que todos se devoram.

            Lamentavelmente, o estudo da ética foi praticamente abandonado. É pouco dizer que foi apenas negligenciado. Os poucos adeptos a essa religião moral falam para si mesmos. Ou têm de formular artifícios para serem ouvidos, pois a menção ao verbete “ética” afugenta raros ouvintes.

            O universo em que ela deveria estar mais entranhada, é aquele que reflete, emblematicamente, a falta que ela faz. O Brasil em que proliferaram as Faculdades de Direito, a ponto de possuir – sozinho – mais unidades do que a soma de todas as outras existentes no restante do planeta, ainda tem a ética no discurso, mas a despreza na prática.

            Os recorrentes exemplos de conduta bizarra no âmbito dos Tribunais são consequência direta e imediata da falta de noção do que seja a ética. Já houve tempos mais favoráveis à consideração que tal ciência deve merecer.      Recordo-me da atuação do saudoso Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, fervoroso líder na implementação da grande ideia das Escolas da Magistratura, ao inserir o tema ética em todos os incontáveis eventos que promoveu.

            Insistia na urgência de um Código de Ética da Magistratura Nacional, que foi editado pelo Conselho Nacional de Justiça em 2008 e que prevê a entrega de um exemplar de seu conteúdo a cada novo juiz. Prática de cuja efetividade não tenho notícias.

            A Escola Paulista da Magistratura, criada no mesmo ano da Constituição Cidadã, contava em seus primórdios com um núcleo deontológico. O primeiro curso promovido para os magistrados resultou em livro com textos de vários dos expositores e que, durante alguns anos, foi referência para os candidatos a concursos de Ingresso à carreira.

            Com o passar dos anos, a ética saiu de moda. Justamente quando ela se mostra mais necessária. A tônica é a técnica. Prodigalizam-se estudos sobre o direito instrumental. Todas as novas leis são objeto de detida análise e variegada leitura. A ética foi para os subterrâneos do interesse institucional.

            Contudo, dir-se-á que o Brasil é hoje mais ético? O direito tem sido aplicado de forma ética? Ainda se pode falar em “mínimo ético” no espaço jurídico?

            Haverá condição para a reabilitação do refletir moral, para recuperar a ideia de que o direito, se não for conforme com a busca do bem, não é senão uma técnica sofisticada, capaz até de perpetrar injustiças?

            A ética integra a Filosofia, que não pode percorrer, errática, as sendas de um racionalismo neutral, suscetível de radicalizar o subjetivismo e o empirismo cético, quando abandona as incontestáveis certezas da natureza humana.

            No presente estágio da vida social, em que a verdade é vilipendiada e reveste as mais inesperadas formas, a ética seria o antídoto à disseminação da mentira. Não a mentira caridosa, de quem pretende esconder ao enfermo terminal sua real condição. Mas a inverdade interesseira, com vistas à obtenção ou perpetuação de vantagens as menos decorosas.

            Paradoxal o curso da humanidade, a desvendar mistérios, a aprimorar a ciência e a extrair dela tecnologias que produziram profunda mutação na sociedade, mas em acelerado retrocesso ético. No estudo da ética e na prática ética.

            Os antigos – ou nem tão antigos assim – podem nos inspirar. Em sua clássica obra “A Verdade na Moral e no Direito”, Giorgio Del Vecchio assinala: “Conhecer significa tender para a verdade e compreendê-la. E o que é a verdade? Reside em nós, fora de nós, ou nos dois lugares a um tempo?”.

            Responder a essa indagação nos poderá fazer enxergar o quão nociva é para a humanidade, perdida em egoísmo e alheia ao que se passa fora de sua órbita estrita de interesses individualistas, a expulsão da ética das cogitações dos que têm a obrigação de estudar a cada dia, para minorar a aflição dos injustiçados.

            Alguém vislumbra a recuperação do interesse pelas supremas verdades éticas, que deveriam residir em nossa mente em caráter de necessidade, eternidade e universalidade? Ou continuaremos atentos às aparências efêmeras, vítimas das mutáveis impressões fabricadas por não se sabe quem, nem com que interesse?

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO  NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020

 

 

 

Mãos, Terra, Próxima Geração, Proteção Do Clima, Espaço



publicado por Luso-brasileiro às 12:24
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - . AFRONTOSO(A) (Completo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A palavra “afrontoso” é um adjectivo  que deriva do substantivo  “afronta” com o sufixo “oso”. Aquilo que  se aplica  ao masculino afrontoso, também se aplica no feminino “afrontosa”.

Esta palavra  aplica-se tanto no campo positivo, como no campo negativo, e indica   uma situação   que lhe é habitual.

A  palavra “afrontoso”  é um  adjectivo que  expressa  diversas situações:

-“Que  provoca afronta; que ofende, que ultraja, que é injurioso e ignominioso.

-Que expressa ou está relacionado com afronta; asfixiante e sufocante.

“Afrontoso” tem diversos sinónimos :aviltante, fatigante, humilhante,  incomodativo, indecoroso, vergonhoso,  infamante, injurioso, insultuoso, asfixiante, provocador, sufocante, ultrajante, ofensivo e   ignominioso.

 

Por vezes, aplica-se  no capo da justiça:

“Uma situação que sempre motivou críticas, em especial, do  poder legislativo, refere-se a invasão de competências pelo Tribunal Superior Eleitoral, que impõe regras eleitorais através de resoluções, que não se limitam a simples regulamentação e leis, mas, as normas costumeiramente vão muito além, em  afronta à competência do legislador. Agora, O Supremo Tribunal, antes considerado, interfere na Administração Pública, notadamente em matéria de competência do poder executivo e também legista, afrontando, entretanto, este cede espaço, ante a sua reconhecida inércia”..

 

A unidade condominial, qualquer que seja o proprietário, isto é, que tenha relação jurídica vinculada ao imóvel, responde pelo débito do condomínio, mesmo que numa acção de execução o actual proprietário não tenha participado do processo, considerando que a obrigação é de natureza” propter rem”, explicando que o imóvel gerador da despesa constitui garantia do pagamento da dívida.

Ao analisarmos  as diversas etapas da história humana, deparamo-nos    com situações  das quais  surgem  afrontações, sobretudo entre a vida e a morte.

Por exemplo, antes e depois da vinda de Cristo sempre houve momentos de crises mundiais e pandemias, semelhantes à  pandemia  actual. Quando Cristo exerceu o seu ministério na terra não foi diferente..Pandemias como a lepra e outras crises  assolavam a  sociedade. Jesus  venceu  a morte e o pecado, curando os enfermos e   deu-nos a salvação. Por ter a  consciência dessas coisas, a Igreja tem  um papel importante: ser luz no meio da escuridão. Não é momento da Igreja se dispersar, mas  de se  encorajar em Cristo e de afrontar o mal e a doença.

 É o momento de ser forte. As pessoas  precisam de uma palavra de fé e  de encorajamento para afrontar a doença e a morte. A Igreja deve estar presente nestes momentos, agindo onde o poder político  não pode alcançar.

 

Cancelar  parte do culto a Deus será falta de fé? A Igreja deve ser prudente e prezar pela integridade dos irmãos  na fé. Como disse S. Paulo aos Hebreus:”Todos os pastores devem conduzir a suas ovelhas com zelo pois cada um   prestará contas a Deus segundo as suas responsabilidades.(Heb 13,17), Sabemos que a  Igreja rompe as barreiras do Templo e o culto pode ser realizado até mesmo em casa. Apesar disso, a comunhão é um elemento vital para o corpo de Cristo. Um cristão tem a necessidade de congregar  a comunhão. O culto em colectivo é um elemento básico para nutrir a nossa fé. Aquele que se sente bem na exclusão não está espiritualmente saudável.

 

“Diz o livro dos Provérbios:”O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências”.

A Bíblia aconselha todo o cristão a exercer a sua fé de maneira responsável, isto não quer dizer que a nossa fé esteja limitada. A fé é  sobrenatural, ultrapassa a razão,. A fé não pode ser fundamentada na desobediência, pois a fé verdadeira espelha o Reino de Deus.

Saber resguardar-se diante do perigo é um dom da sabedoria e da maturidade espiritual.

Jesus Cristo afrontou o Diabo com a sua resposta  sábia e divina:

“Então o Diabo  levou-o à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse:”Se és  o Filho de Deus, joga-te  daqui para baixo. Pois está escrito: “Ele dará ordens a seus anjos  a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra”. Jesus respondeu-lhe:”Também está escrito: Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus”. Mateus 4, 5-7. O próprio Diabo utilizou-se das Escrituras para afrontar a Cristo. A nossa fé não foi feita para colocarmos Deus à prova, mas sim, para nos tornarmos aprovados diante de Deus. 2Coríntios 13,5-9.

 

Qual o papel da Igreja durante a pandemia? Haverão consequências  económicas e políticas para todas as nações, mas a Igreja deve preocupar conviver com as vidas. Com a quarentena e o crescimento dos casos de covid-19, as vidas precisarão de ajuda espiritual e  a Igreja deve estar presente neste momento de aflição.

“A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades  não se deixar corromper pelo mundo” São Tiago 1,27

“Curem os enfermos, purifiquem os leprosos, expulsem os  demónios. Vocês  receberam de graça, dêem  também de graça”. S. Mateus 10,8

 

A Quarentena não pode parar o mover de Deus! Procura ser um canal de graça onde estiveres, seja em comunhão ou em casa. Exerce o teu papel, orando, dando o testemunho de Cristo, cuidando da família e  declarando uma palavra de ânimo no meio da tribulação. O Apóstolo S. Paulo esteve encarcerado por um bom período da sua vida missionária, mas o cárcere não foi capaz de conter a sua fé. Mesmo preso, o Apóstolo escreveu 4 epístolas do Novo Testamento:  a Filémon, aos Filipenses, aos Colocenses e aos Efésios.

Diz S. Paulo aos Coríntios:”Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas  necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte”. 2 Coríntios 12,10

Num momento de aparente fraqueza, S. Paulo fortaleceu-se em Cristo para levar adiante a palavra do Evangelho”.As provações nos amadurecem, espiritualmente,, isso deve ser o motivo de alegria e não de tristeza. Coragem, ser forte e corajoso.

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o facto de passarem por diversas provações, pois  sabeis que a  prova da fé produz perseverança”. Tiago, 1,.2-3.

Os familiares poderão ser alcançados nesses dias através do nosso  testemunho,. A Igreja é o sal da terra, é nosso papel temperar este mundo através da Palavra de Cristo.

Disse S. Mateus:”Vocês são  a luz do mundo. Não de pode esconder uma cidade construída sobre um monte.. E também, ninguém  acende uma candeia  e  a coloca debaixo e uma  vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão em casa. Assim, brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas obras e glorifiquem ao Pai . que está nos céus. Mat.5,14-16

 

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



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PÉRICLES CAPANEMA - OLHARES QUE ENXERGAM LONGE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Bênçãos desprezadas. São uma bênção, para si e para os próximos, os olhares que divisam o remoto na neblina do futuro. Desvelam a via e assim preparam os caminhantes contra adversidades. Contudo, é a realidade, em geral, são menosprezados. Pois cansam, podem parecer falta de senso prático. Espiar dez, vinte anos à frente? Para quê? A percepção voltada ao imediato, pelo contrário, distrai, às vezes reflete senso do real. Como não se fatigar da vista fixada longamente no horizonte, e então procurar o necessário repouso nas coisas próximas? O remanso também é necessário. Pode restaurar forças, pode dispersar. O gracioso é nutrimento da vigilância varonil; o vulgar é seu tóxico. Quem se enchafurda no vulgar, criará anticorpos recusará espiar o horizonte carregado.

 

Advertência histórica. Com a competência a ele própria, o prof. Roberto de Mattei escreveu erudito e esclarecedor artigo sobre o conde Joseph de Maistre (1753-1821), dos maiores pensadores contrarrevolucionários do século XIX ▬ está na rede o trabalho. Não pretendo aqui glosar aspectos levantados pelo mencionado estudo. De fato, tudo no texto me chamou a atenção, mas quero destacar ponto crucial, em geral subestimado, vale para todas as épocas.

 

Joseph de Maistre foi enviado em 1802 pelo rei da Sardenha, Vitor Emanuel I, como embaixador junto ao czar Alexandre I. Na Rússia viveu 14 anos, deixou-a em 27 de março de 1817, lá concebeu boa parte de sua grande obra intelectual. Consciencioso, além de avançar nas tarefas de pensador, enviava informações pormenorizadas e análises agudas a seu soberano, que entretanto, misérias da vida, irritava-se com elas. Não pelo conteúdo que certamente reconhecia denso, mas pelo esforço intelectual que dele solicitava. Grandes demais, graves demais, profundas demais; não lhe caíam bem, queria coisa mais leve, tangível, vida mansa, enfim. Aristocrata da alta nobreza, família real antiga, aparentava-se em espírito com o Jeca da conhecida canção:”Êh vida marcada, num dianta fazê nada, e pruquê si esforçá, se não paga a pena trabaiá”. E aí, fugindo do esforço, seus frutos seriam também os que amealhava o desidioso Jeca: “De manhã cedo eu óio pra rocinha; Pra ver se as veiz nasceu quarqué coisinha; Mas qual o quê, num nasceu nada não; Prantando nasce, mas num pranto não”

 

O amigo angustiado. Certamente, de todos os embaixadores da Sardenha, era o mais amigo do rei; aquele que não pretendia distrai-lo, mas se esforçava em contribuir para sua formação e governo. Que enxergasse longe, avistasse através da bruma as sombras ameaçadoras do porvir. Enfim, era quem cujos conselhos poderia salvar o trono, manter a honra da dinastia, evitar desvios nos quais se meteu. Poderia ainda influir de forma favorável no Congresso de Viena. Vitor Emanuel I não o escolheu, todavia, como representante.

 

Transcrevo parte do artigo: “A observação de Alphonse de Lamartine, segundo a qual ‘teria sido impossível encontrar o conde Joseph de Maistre sem imaginar que se estava a passar diante de algo grande’, entende-se bem folheando os despachos que o representante do Rei da Sardenha na corte dos Czares enviou a seu soberano (cf. Joseph de Maistre, Napoleone, la Russia, l’Europa, Donzelli, Roma 1994). Pelos despachos de Petersburgo, acompanhamos, passo a passo, o avanço de Napoleão, num jogo em que ‘está em aposta o mundo’. Mais que despachos, trata-se de amplos relatórios, ricos em observações eruditas e profundos aforismos, não compreendidos por Vítor Emanuel I, honesto mas de medíocre inteligência, que, por meio do seu primeiro escudeiro, fez chegar esta mensagem a seu ministro em Petersburgo: ‘Pelo amor de Deus, diga ao conde de Maistre para escrever despachos e não dissertações!’” Amolação.

 

Da Sardenha para o Brasil. Agripino Grieco (1888-1973), crítico ferino, mas certeiro; certa vez observou: “O pior dos erros é acertar sozinho contra muita gente”. Tem razão, divisar o ruim que irromperá a bem dizer necessariamente, destrói amizades, possibilidades de carreira e de convívio. E é sina corriqueira de quem tem o que às vezes foi chamado de olhar de lince; e, impulsionado pela lógica, não foge das conclusões, mesmo das mais duras.

 

Por que comento tudo isso? Não parece distante? Não é. Em retrospectiva. A Casa de Savoia teve percurso conturbado, em especial no século XIX, liderou o movimento de unificação da Itália, colocou-se contra os Papas. Manchou-se, com a invasão de Roma o rei foi excomungado por Pio IX, situação que se manteve por sessenta anos. Acabou despojada de todos os seus domínios. É conjeturável, outra teria sido sua história, da Itália e até mesmo da Europa, se Vitor Emanuel I tivesse dado ouvidos aos despachos que recebeu de Joseph de Maistre, utilizasse-os para formação do espírito e valioso subsídio político. Constituiu fato aparentemente pequeno e desimportante (não era), despercebido por quase todos, mas exigia esforço e ajuste de vistas. O soberano preferiu a maciota, apoiar-se molemente em opiniões cômodas, a tragédia engoliu seus descendentes. Em prospectiva. Brasileiros de espírito objetivo estão advertindo sobre a gravíssima situação do país, sobre necessidade de medidas duras; enfim, sobre ser imperativa a seriedade na percepção dos horizontes. Em resumo, fuga da mentira, da conduta cafajeste, da inconsequência e da irresponsabilidade. O preço a ser pago será alto, se a superficialidade agora impedir rumo certo. As advertências poderão cair no vácuo. Mas ainda há tempo, não repitamos Vitor Emanuel I. E tantos outros. Mais proximamente, escapemos de hábito generalizado em Pindorama: “Se o sór tá quente a gente arruma a rede; Garra a viola presa na parede; Acende o pito, cospe e passa o pé; E deixa a vida como Deus quisé”. Deus não quer.

 

 

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 

 

 

 

 



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FELIPE AQUINO - 7 ERROS SOBRE MORTE, INFERNO E DEMÔNIO QUE NÃO DEVEMOS COMETER

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dada a complexidade da teologia católica sobre a natureza da morte, o inferno e o demônio, a lista a seguir, com base nas Sagradas Escrituras e no Magistério da Igreja, contém respostas para 7 erros recorrentes que os católicos devem evitar.

 

 

  1. O demônio é um mero símbolo

 

Se isso fosse verdade, então Jesus deve ter se equivocado cada vez que falou do demônio em diferentes partes das Sagradas Escrituras. O diabo é real e anda ao redor, como leão que ruge procurando almas para devorar (1Pd 5,8). E, francamente, se é possível para um ser humano rejeitar Deus, por que é tão inconcebível que um anjo possa fazer o mesmo? Nessa existência, como na outra, os anjos e os seres humanos podem se alienar com Deus ou não (Dt 30,19).

 

 

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  1. Ao morrer, tornamo-nos anjos

 

Não, absolutamente não. O ser humano é diferente de um anjo e não pode se tornar um ser que não é.

O Catecismo da Igreja Católica assinala no parágrafo 328 que existem anjos. No parágrafo 330, afirma que são seres puramente espirituais com inteligência e vontade. Também indica que são servidores e mensageiros de Deus.

Ao contrário de anjos, os seres humanos têm um corpo. O Catecismo assinala, no parágrafo 366, que a alma espiritual do homem foi criada por Deus e “não morre quando, na morte, se separa do corpo; e que se unirá de novo ao corpo na ressurreição final”.

 

 

  1. É fácil determinar quem irá para o inferno

 

A competência da Igreja está em determinar quem está no céu, entretanto, ninguém sabe quem se encontra no inferno. Aqueles que morrem em estado de pecado mortal tem muito poucas opções disponíveis, no entanto, esta não é uma razão pela qual devemos ser ultrajantes ou triunfalistas em relação a eles. Pelo contrário, é importante orar por todos os pecadores, até mesmo os nossos piores inimigos para que se arrependam e voltem (Sab 1,13-15). Perdoem e serão perdoados (Mt 6,14, Lc 6,37). O juízo só pertence a Deus e a ninguém mais. Simplesmente não podemos conhecer o interior de outra alma e a verdadeira natureza de seu relacionamento com Deus.

 

 

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  1. Todos vão para o céu

 

O inferno existe e Jesus assegura várias vezes ao longo dos Evangelhos (Mt 7,13-14, Mt 8,12, Mc 9,43, Mt 13,41-42, 49-50, 48-49, Mt 22,13, Mt 25,46, Lc 12, 5, Jo 3,18). João também dedica uma longa passagem em Apocalipse (Ap 14,19-11; 19,3). Se todos vão para o céu, isso significa que Jesus estava errado ou era ignorante, o que é inaceitável.

 

 

Leia também: O que a Igreja ensina sobre a morte?

O demônio pode ler nossos pensamentos? Como pode nos tentar?

Qual é o destino do espírito daquele que é condenado ao inferno?

Por que Deus não impediu a morte?

O Papa confirma: o demônio existe

 

 

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  1. Quem morre em estado de graça vai direto para o céu

 

Deixemos nas mãos de Deus, que tudo pode. É possível que alguns duvidem do Purgatório, mas as Sagradas Escrituras são muito claras acerca disso (2Mac 12,39-46, Mt 5,24-25., Hab 1,13, 1Co 3,11-15, Ap 21,27). O Purgatório existe como parte da economia salvífica. Além da Virgem Maria, há alguém entre nós puro o suficiente para estar diante de Deus? (Rom 3,10, 14,4, Dt 7,24, Js 23,9: 1Sam 6,20 Esd 10,13, Pr 27,4, Sl 76,7, 130,3, Na 1,6). Até mesmo os santos têm pecados que precisam ser expiados e o Purgatório é parte da infinita misericórdia de Deus, porque Ele não quer que qualquer um de nós morra, mas viva e se arrependa (2Pd 3,9).

 

 

  1. As coisas ruins só acontecem com pessoas más

 

Cristo nos assegura pessoalmente que isso não faz sentido (Lc 13,1-5). Aos que chegaram com a notícia dos galileus que foram assassinados por Pilatos quando ofereciam sacrifícios a Deus, Ele respondeu: “Pensais vós que estes galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo? Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo”.

Jesus também nos recorda que as melhores pessoas sofrem muito, no entanto, dá-nos ânimo ante as tribulações (Jo 16,33). Ele mesmo sofreu uma morte ignóbil depois de ser torturado. Sua Mãe, Maria, mulher concebida sem pecado, teve provações ao longo de sua vida que lhe causaram grande dor. Por que o resto de nós, pecadores, seremos poupados do sofrimento que Paulo nos diz em Colossenses 1,24?. “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja”.

 

 

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  1. Podemos escolher que regras queremos obedecer

 

Temos o direito de questionar tudo, mas devemos aceitar o ensinamento da Igreja por completo. Se não, colocamo-nos acima da Igreja e da vontade de Deus. Jesus estabeleceu a Igreja, São Pedro como seu Vigário na terra e seus sucessores. Quem somos nós para acreditar que Deus se equivocou em suas decisões? (Jó 15,8) Como se pode contar com incrível autoridade para julgar a lei de Deus?

BÔNUS: O Concílio Vaticano II pode se desfazer ou ser ignorado

Impossível. Os 21 concílios ecumênico no transcorrer de 1700 anos são importantes, irrevogáveis e irrefutáveis porque o Espírito Santo dirigiu todos eles. Cabe assinalar que a doutrina pode ter gerado divergências, mas isso significa menos do que nada. Do mesmo modo que um católico não pode escolher quais as regras deseja seguir, também não estão autorizados a escolher o seu concílio favorito e excluir os demais.

 

 

Originalmente publicado em National Catholic Register (https://www.ncregister.com/).

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/7-erros-sobre-morte-inferno-e-demonio-que-nao-devemos-cometer-96599/

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



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PAULO R. LABEGALINI - CANAIS DE COMUNICAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Recebi um texto pela internet onde um cliente comenta o serviço de uma operadora de telefonia celular. Vou omitir o nome da empresa porque o meu objetivo não é acusar, muito pelo contrário, procuro dar testemunhos e mostrar os caminhos de Deus. Diz assim:

“Sempre lembro carinhosamente dessa grande companhia de relógios digitais da qual sou cliente. Ela é tão humana que não valoriza o material, o equipamento, a tecnologia! Faz questão de emudecer seus aparelhos, estimulando cada vez mais o contato pessoal, as caminhadas, o consumo de combustível, enfim, a aproximação entre os homens.

Quero agradecer as chamadas que a minha operadora evitou que eu atendesse. Essas pessoas inconvenientes que, em pleno dia de semana, me procuraram para fechar negócios! Elas que busquem meus concorrentes!

Não posso me esquecer das mulheres. Ah, essas mulheres que nos telefonam! Foi muito melhor passar noites e noites meditando, lendo livros do Paulo Coelho e assistindo TV. As mulheres que distraiam outros, porque eu quero é cultura, é vida, é lucidez!

No capítulo da caixa postal, uma atenção especial a essa grande operadora de calculadoras eletrônicas: agradeço os momentos de ternura e humor que passei resgatando recados guardados nos seus modernos e valvulados equipamentos. Recados que recebi e ninguém me informou; mensagens que me informaram e nunca recebi; convite para o churrasco de domingo, avisado na terça-feira; aviso de vencimento de conta do dia 20, recebido no dia 30; o recado urgente da namorada que ficou esperando na chuva; o filho que eu não peguei na escola; o meu pai que perdeu o avião; os desaforos que ouvi sem saber o porquê.

Finalmente, agradeço as utilíssimas mensagens que recebi pontualmente às três ou quatro da madrugada, avisando que eu ganhara sensacionais torpedos a serem utilizados entre clientes. Quantos momentos felizes! Quanta alegria!

A essa gigantesca multinacional da agenda eletrônica, o meu muito obrigado! Obrigado pela cultura que tive que adquirir ao buscar entender o que é sombra, pane temporária, manutenção preventiva, interrupção de serviços para a melhoria da qualidade; ora, sejamos modestos, é impossível melhorar o que já é perfeito! O silêncio é a virtude das virtudes! Penso, logo existo! Vivo, logo emudeço!

Aos atendentes, meu muitíssimo obrigado! Obrigado por pedir o número do meu registro de nascimento no Cartório de Registro Civil. Vocês têm razão: quem garante que eu sou eu? E se outra pessoa quisesse pagar a conta no meu lugar? Obrigado por me fazerem pensar na minha reclamação, insistindo que todos os clientes estão satisfeitos e só eu reclamo o tempo todo. Isso é que é atendimento personalizado!

Como sou proprietário de um aparelho chamado pré-pago, tenho alguns agradecimentos adicionais. Reconheço: sou pré-pago. Sou praticamente um marginal. Eu não presto! Mereço todo tipo de castigo, de constrangimento. Agradeço enquanto levo as chibatadas. E, se no meio de uma ligação com um cliente, eu for surpreendido com uma mensagem de que meus créditos terminaram, sei que isso é para o meu bem. Apesar de anunciar que eu ainda tenho cento e três reais e oitenta centavos de crédito, eu deveria saber que são créditos de ouro, que servem somente para eu conversar com outros gênios da operadora, ou seja, eu que arranje clientes entre a minha comunidade! Quem mandou eu querer falar com um estranho? Ele que busque os seus iguais!

E eis outra prova de respeito ao consumidor: quando me tiraram da concorrente, prometeram que minha conta iria diminuir. É verdade, eu pago menos, pois nada falo! Os aparelhos têm agenda, calculadora, relógio e joguinhos; e ainda quero um telefone? Isso é exigir demais!

Escrevo porque tenho ‘celular’. Não o fosse, telefonaria!”

Bem, o texto é longo e divertido. Quanto à sinceridade das palavras, isso eu não posso garantir, mas pode servir para outras reflexões:

Como anda o nosso canal de comunicação com Deus? Se não estiver funcionando cem por cento, de quem é a culpa? Crédito, temos à vontade! E nós, damos atenção quando Ele nos fala? Acho que não preciso lembrar que suas Palavras de vida e salvação estão ecoando em bom som todos os dias nas missas, certo?

Jesus Cristo conhece cada um de nós, sabe de todos os nossos problemas e sempre nos chama para restabelecermos uma comunicação permanente entre o Céu e a Terra. Quem já aceitou o convite, sabe que a linha nunca emudece e todos são considerados clientes preferenciais – porque os recados chegam na hora certa!

Quer testar e fazer uma ligação a Ele agora para ouvir uma bela mensagem? Ótimo! Então, peque a sua Bíblia, abra o seu coração e disque: Marcos, Lucas, Mateus, João, Paulo, Tiago, Pedro...

 

 

 

 

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI    -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O QUE FAZ O HOMEM ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Dizia o nosso Aquilino Ribeiro – que por sinal anda muito esquecido, – “Quem faz o homem é o céu, é a natureza, é o solo.”

Disse a verdade, esqueceu-se, porém, que também são, os professores, que teve, a sociedade em que vive, e principalmente, os amigos e o meio em que habita.

Dizem, que Sartre, em 1941, fazia parte de grupo de intelectuais, que abordavam: o socialismo e liberdade.

Sartre, como Simone de Beauvoir, lia muito, e lia-lhes o que escrevia. Estes teciam-lhe crudelíssimas críticas. Sartre rasgava, e de novo escrevia… rasgava e rescrevia…

Há quem afirme, que ele não passava de reflexo do grupo, que o rodeava, de tanto reformar os textos.

Não sei se assim é. É porem certo, que somos, em parte, um pouco daqueles que connosco convivem.

Daqui se conclui: devemos escolher os nossos amigos, com o mesmo cuidado como se escolhem livros.

Se os livros são amigos mudos, como dizia Padre Manuel Bernardes; amigos, são livros falantes, que nos ensinam, moldam-nos e levam-nos, pelas veredas do bem ou do mal.

As ideias, os pareceres, as ideologias, são sempre criadas pela leitura e pelo convívio.

Eu sei, que tudo é fruto de épocas. O que agora é certo, amanhã será errado.

O grande Unamuno, em: “ Amor y Pedagogia”, disse: “ Las ideas duram como las corbatas; basta que se gastam o pasam de moda.”

Sim: ideias e ideologias, sofrem o mesmo que as palavras: gastam-se e morrem.

Houve épocas em que se usava, como bordão, a palavra: “pois”; agora emprega-se: “alavancar”. Amanhã, essa forma de expressão, cairá em desuso; outras, surgiram, e será, então bonito, elegante, chique, usá-las.

Tudo passa, tudo tem épocas, tudo tem modas.

Recordo, que certos presos nos Estados Unidos usavam calças a cair. Foi bastante, para que meninos, quisessem usa-las, na escola.

Quem no meu tempo de colegial, teria coragem de andar de calças rotas? Agora é moda, porque todos ou quase todos, usam; até meninas “ pudicas” fazem buracos até às nádegas…E ninguém leva a mal…

Na política, também é assim. A História confirma, que tudo que foi passado, volta. Não há regime ou ideologia, que sempre dure.

O homem deveria ser ele próprio: único; mas não é; É o resultado do meio em que vive, e pensa, como pensa a coletividade.

Há exceções, mas são poucas, muito poucas. E quantas vezes, esses poucos, são os que mudam o mundo…

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   PORTO, PORTUGAL



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EUCLIDES CAVACO - COIMBRA E MONDEGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Com desejos dum magnifico fim de semana, partilho aqui nest link o meu programa de ontem
 
 
 
 
 

https://www.facebook.com/euclides.cavaco/videos/10157499688706557
 
 
 
 
 
 
O meu fraterno abraço de sincera amizade.
 
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confissões

 


publicado por Luso-brasileiro às 10:16
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