PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO BRASIL - A uniformização do estatuto jurídico para todos os homens se constitui no princípio constitucional básico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

73006349_2448637445385150_3785251181584973824_n.jp

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                

         Celebra-se a 20 de novembro no Brasil, o Dia da Consciência Negra, por ser a data da morte do grande líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi. Na realidade, foi ele quem deu o primeiro grito de liberdade ecoado neste lado do mundo, pagando com a própria vida por ter construído na Serra da Barriga, Alagoas uma verdadeira república, onde conviviam em independência e harmonia, não apenas negros fugidos do escravismo e índios, mas também brancos perseguidos pelo esquema de Poder então vigente.

          Segundo o sociólogo Clóvis Moura, a República dos Palmares se constituiu em embrião de uma nova nação, “surpreendentemente progressista para a economia e os sistemas de ordenações social da época”.

Por isso, o Dia da Consciência Negra, instituído em homenagem à Zumbi, o líder do Quilombo, reveste-se de manifesta importância e os seus significados históricos e reflexivos nos estimulam ao debate sobre a situação não só do racismo, mas também das variadas manifestações discriminatórias que ainda proliferam em muitos setores da sociedade. Tais aspectos impedem a completa viabilização da cidadania, já que é imprescindível proscrever o arbítrio para se garantir a liberdade. Com efeito, a Justiça exige a igualdade, um de seus elementos intrínsecos.

            A uniformização do estatuto jurídico para todos os homens se constitui no princípio constitucional básico e na aspiração máxima ao possível exercício pleno da democracia nos Estados de Direito. É da paridade perante o Direito em geral e dele como sistema, que resulta a proibição de que, em razão do nascimento, raça, credo religioso ou de convicção política, se estabeleçam distinções quanto ao ordenamento legal ou se criem privilégios, de qualquer espécie.

         Mesmo a Carta Magna sublinhando a relevância da isonomia, registram-se constantes atitudes preconceituosas e que na maioria das vezes são hipocritamente negadas por seus agentes. Essa dissimulação não só dificulta a análise mais acurada das causas estruturais desse estado de coisas, como acoberta certas normas sociais e práticas intoleráveis que bem camufladas, passam impunes e acabam incorporadas virtualmente aos usos e costumes. Tal quadro incute, muitas vezes, até que implicitamente, a idéia de superioridade de uns sobre os outros, contrariando princípios naturais, morais e legais. De fato, o Direito procura a igualdade de todos perante a lei, a obrigatória uniformidade de tratamento dos casos iguais e a proibição dos preconceitos de quaisquer espécies.

         Os movimentos em defesa das minorias, dos oprimidos e dos discriminados, coesos e conseqüentes, resultam em novas concepções restauradoras do ideal de Justiça, impedindo que suas regras se perpetuem num ostracismo alienante, regressivo e prepotente, tratando desigualmente pessoas ou situações iguais entre si. Afinal, os direitos e garantias fundamentais se revelam na base do Estado Democrático de Direito que o Brasil está tentando construir e as discriminações, sem exceções, precisam se banidas.

         O Dia da Consciência Negra nos faz despertar contra as atitudes separatistas, indignas e injustas, pois pertencemos à espécie humana e, portanto todos somos irmãos. Como exprime Carl Schmitt, “a lei no sentido do Estado de Direito significa uma regulação normativa, dominada pela idéia de Justiça e cuja igualdade significa Justiça” (Teoria da Constituição, México, Ed. Nacional, 1.966, pág. 179).

     Por outro lado, entendemos que a igualdade de direitos e deveres não é por vezes fácil, mas é sempre justa e necessária.  O racismo não tem fundamento histórico, é simples questão de orgulho e ignorância dos autênticos valores do ser humano.  O homem não se mede pela cor da pele, mas pela riqueza que encerra em sua pessoa. A Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas assim reza em seu artigo primeiro: “a discriminação entre seres humanos, por motivos de raça, cor ou origem étnica, é uma ofensa à dignidade humana e deve ser condenada como negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, como violação dos direitos do homem (...) como obstáculo às relações amigáveis e pacíficas entre as nações, e como fato capaz de perturbar a paz e a segurança entre os povos”.

    Assim, atitudes racistas são mesquinhas e contrariam os direitos inalienáveis de cada homem. E, sob outro prisma, somente demonstram que alguns indivíduos não estão vivendo dentro dos justos limites do plano criador de Deus. É necessário coibir certos absurdos anti-humanos enquanto é tempo, para que os reais princípios se sobreponham a supostas potencialidades biológicas, propiciando um nível normal de convivência, sem diferenças entre as relações das diversas pessoas. Que o Direito e a Justiça assim intercedam!

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 14:22
link do post | comentar | favorito

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - CULTURA OU FALTA DE CULTURA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Armando Alexandre dos Santos.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                

 

Na Antiguidade não havia complacência com os que nasciam com defeitos físicos e mesmo em relação aos doentes. Em muitas culturas - se é que se pode usar adequadamente a palavra cultura para tão triste realidade - os que nasciam com defeitos físicos eram sumariamente eliminados. Em Esparta, por exemplo, os recém-nascidos que não parecessem aptos a serem futuros guerreiros eram lançados do alto de um penhasco; entre índios de algumas tribos brasileiras, eram mortos pelas próprias mães, e às vezes devorados por elas; na Roma Antiga, os doentes cujas enfermidades pareciam conduzir à morte nem sequer recebiam tratamento, mas eram abandonados à própria sorte.

A misericórdia, a compaixão, a caridade, eram coisas desconhecidas entre os pagãos. Até mesmo os filósofos estoicos, que apresentam tantos aspectos de elevação moral, professavam ideias que, aos nossos olhos, não podem deixar de parecer uma profunda crueldade.

"Marco Aurélio, imperador filósofo, que passa por um dos mais atilados do paganismo, afirma com sinceridade que o apiedar-se dos desgraçados e o chorar com os que choram, é um sinal de fraqueza. E Sêneca diz que a misericórdia é um vício do coração; e as pessoas honradas devem evitá-la: `Misericordia animi vitium est; boni misericordiam vitabunt. O homem prudente não tem misericórdia, diz ele ainda: `homo sapiens non miseretur. Eis, segundo Cícero, alguns preceitos do estoicismo: só os tontos ou os néscios é que são compassivos; o homem verdadeiramente homem nunca se deixa comover nem dobrar; dar ouvidos à compaixão, é um crime e uma maldade. (...) Numa sociedade, em que universalmente se ensinavam tais máximas, está claro que os miseráveis e os desgraçados não só não excitavam a comiseração pública, senão que, pelo contrário, só causavam desprezo, aversão e horror. `Dar de comer e de beber a um pobre, diz Plauto, é uma dupla loucura: para si, porque é perder o que se tem; e para ele, porque é prolongar a sua miséria. `O pobre, afirma Epiteto, está abandonado como um poço inútil, vazio, infecto, que a vista contempla com nojo. Em Atenas e no Egito um homem que não tinha pão e que o ia pedir, era pela lei condenado à morte.". (DEVIVIER S.J., W. Apologetica Christã. São Paulo: Companhia Melhoramentos de S. Paulo, 3a. edição, 1925, p. 454).

No mundo pagão, era completamente desconhecida a instituição do hospital, ou seja, um local para serem recolhidos e tratados os doentes, a fim de serem curados, se a recuperação fosse possível, e de sofrerem o menos possível, caso sua enfermidade fosse incurável. Havia médicos, que eram consultados para alívio e cura dos doentes, mas quando uma doença se reputava incurável, o doente, mesmo sendo rico, era abandonado para morrer depressa. O primeiro hospital, propriamente dito, de que se tem conhecimento em todo o Ocidente, foi fundado por volta do ano 390 por Santa Fabíola, dama nobre romana que doou boa parte de seu patrimônio para que na praia de Ostia, perto de Roma, fosse fundado um grande estabelecimento, em que pudessem ser acolhidos gratuitamente pobres enfermos. Mais ou menos simultaneamente outros dois hospitais foram fundados por cristãos no Oriente, um na Capadócia, por sugestão de São Basílio de Cesareia, e outro em Edessa, fundado por Santo Efrém.

Na Europa Cristã, os deficientes físicos eram tratados em estabelecimentos religiosos apropriados que, com os limitados recursos da época, ministravam os cuidados aos que deles necessitavam. Atualmente, com recursos muito mais fáceis e acessíveis, a tendência é incorporá-los à vida normal, aparelhando as instituições com todo o necessário para que possam comodamente exercer as mesmas atividades que as demais pessoas.

Cada vez mais as legislações dos diversos países estabelecem normas no sentido de considerar dever do Estado assegurar, a esses deficientes, as mesmas prerrogativas de que gozam os outros cidadãos.

Infelizmente, ainda está profundamente entranhada, na nossa cultura - ou melhor, na nossa falta de cultura... - a ideia de que os deficientes são criaturas irremediavelmente inferiores e, para o bem delas mesmas, mais vale a pena serem afastadas do convívio comum dos seres humanos. Na verdade, os deficientes devem se valorizar, devem desenvolver sua autoestima e se conscientizarem que não são inferiores, mas são apenas diferentes e podem desenvolver plenamente suas potencialidades.

Em países que tiveram guerras prolongadas, geralmente morreu muita gente e muita gente ficou aleijada. Nesses países, mais facilmente se admitia que postos de trabalho fossem ocupados por mutilados de guerra. Vi em Portugal muitos mutilados da guerra na África - negros e brancos - trabalhando normalmente em repartições públicas, movendo-se com naturalidade em cadeiras de rodas ou apoiados em muletas. Alguns não tinham um braço, outros haviam perdido uma perna ou até mesmo as duas. E trabalhavam. Lá, toda a gente achava isso normal. Aqui no Brasil, porém, há casos de aposentados "por invalidez" porque perderam o dedo menor de uma das mãos!

 

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:16
link do post | comentar | favorito

CINTHYA NUNES - NO MERCADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

            Dizem por aí que o mundo, de uma forma geral, nunca mais será o mesmo lugar depois do Corona vírus. Eu penso que o mundo muda é o tempo todo e a cada dia que se passa, habitamos em um lugar diferente, em muitos sentidos. Não acredito, infelizmente, que estejamos caminhando para um lugar melhor, mas isso é tema para outra conversa.

            O que me parece certo, mais previsível, ao menos no meu caso, é que jamais voltarei a fazer compras da mesma forma. Ir ao mercado se transformou em uma experiência bem peculiar. Mesmo superada a primeira sensação de pavor que tomou conta das pessoas no começo da pandemia, há práticas que já se encontram inseridas no cotidiano e as quais dificilmente, a médio prazo, serão abandonadas.

            Aqui em casa, por exemplo,  ir ao supermercado demanda a reserva de meio período para isso, tamanha a trabalheira. Tudo começa com a separação de sacolas retornáveis, que são previamente borrifadas com álcool 70°. Chegando ao estabelecimento de nossa escolha e preferência, normalmente um que concilie bom preço e variedade de produtos, temos o carrinho e as mãos devidamente esterilizados também com álcool, agora em gel.

            Enquanto luto para respirar sob a máscara, o que me é particularmente difícil, já que minha respiração nasal não é das melhores, tento não colocar as mãos em muitos produtos, senão apenas para coloca-los dentro do carrinho. Se o celular tocar enquanto  faço compras, tenho que escolher se deixo que toque ou se terei tempo de higienizar as mãos antes de tocá-lo.

            Além disso, ironicamente, olhos, nariz e tudo o mais coçam enlouquecida e inversamente proporcional à possibilidade de se dar a esse deleite. Basta reparar que, estando em casa, com as mãos limpas, não há coceira que se achegue com o mesmo afeto. E se a gente se esquece e coça, fica o tempo todo pensando se não cometeu a maior besteira da vida, dando brechas ao vírus. Se  por outro lado conseguimos resistir ao impulso inicial, a coceira só faz aumentar, transformando-se em compulsão.

            Compras feitas, é preciso se lembrar de desinfetar o cartão usado para pagá-las. Tudo posto na sacola, mãos limpas de novo para voltarmos ao carro e poder, por fim, verificar quem estava ligando tanto, só para descobrir que era telemarketing. Nessas horas é comum que eu me esqueça de fato se tinha limpado a mão ou se peguei no telefone antes disso. Por via das dúvidas, meto álcool gel no telefone também.

            Chegando em casa começa a segunda parte do martírio. É preciso limpar tudo antes de guardar, providência que se estende às sacolas retornáveis, que são borrifadas com álcool para poderem voltar ao armário, descansando até a próxima aventura ao mercado.

            Verdade seja dita, agora até está um pouco mais fácil, já que superamos a neura de lavar, enxugar e guardar. Passamos apenas a borrifar álcool em tudo, secar e guardar. Seria o fim se não fosse necessário ainda limpar a pia, trocar de roupa e/ou tomar banho, conforme o que for necessário fazer depois em casa.

            E o mais louco de tudo é que não consigo considerar deixar esse ritual de lado, já que mesmo sem corona, quando isso for possível, ainda restarão xixi de rato, baratas e meleca de nariz para tornar impensável simplesmente colocar as compras na geladeira e no armário. Espero apenas, em breve, que ir ao mercado não seja mais uma operação de guerra, permeadas por coceiras impossíveis...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada e não tem mais certeza se passou álcool nas mãos antes de digitar esse texto e coçar o nariz cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 14:11
link do post | comentar | favorito

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SÌNDROME DE TOURETTE E O SEU OLHAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRIS.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 


​​​​​​​

Síndrome de Tourette: o seu olhar o que acrescenta em bem ou em mal? De causa pouco compreendida – provavelmente um distúrbio genético de natureza neuropsiquiátrica -, provoca no paciente, em princípio antes dos 18 anos, uma série de tiques motores e vocais, incontroláveis. Essa situação gera constrangimentos emocionas e sociais dos portadores, sendo muitas vezes julgados como desobedientes, indisciplinados, estranhos, mal educados... Os tiques podem variar de simples movimentos de torção de boca e piscar os olhos até imitação e gestos obscenos. As situações de estresse potencializam os tiques.
Brad Cohen é um palestrante motivacional americano, professor, administrador escolar e autor que possui síndrome de Tourette. Durante sua infância, foi acusado de ser um causador de problemas e punido por seus professores pelos tiques e ruídos causados pelo TS. Chegaram a sugerir à sua mãe um exorcista. Sua professora da quinta série o obrigou a pedir desculpas pelos ruídos que fez e prometer que nunca iria fazê-los novamente. Aos 12 anos, após muita pesquisa, foi sua mãe que diagnosticou seu comportamento.  Brad decidiu “tornar-se o professor que ele nunca teve”. No início da faculdade, foi expulso de um restaurante de fast food, quando um funcionário considerou que pudesse estar bêbado e ameaçou chamar a polícia, mesmo quando ele e seus amigos tentavam explicar sobre TS.  Antes de ser contratado em uma escola da Georgia, foi rejeitado em 24 escolas. Sobre sua batalha, desde a infância, há o filme “O Primeiro da Classe”. Vale a pena ver

Necessário refletir, com compaixão, sobre o olhar do paciente a respeito de si mesmo: frustrado, autoestima reduzida, medo da falta de aceitação social, resignado, às vezes, a uma vida de derrotas e sofrimento. Necessário refletir sobre diversos olhares do entorno, de curiosidade, sem tolerância, com brincadeiras de mau gosto, risos debochados, desprezo, humilhações, intensificando a ansiedade, a irritabilidade e, em consequência, o acréscimo dos tiques. Compaixão vai além de sentir pena, ajuda o outro a se levantar.
Vem-me uma colocação da Madre Maria Madalena de Jesus Crucificado do Carmelo São José, ao fazer uma comparação do humano com o beija-flor: “Sejamos como ele: tocando nas coisas criadas sem machucá-las e sem ficar com pedaços delas grudados em nós!” Se assim for, os olhares perversos se transformarão em néctar do Céu.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:06
link do post | comentar | favorito

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 23– AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DOS SÉCULO XX1 - 2ª. Série - 11.A MORALIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Moralidade é a qualidade do que é moral. Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade.

Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim “morales”, cujo significado é “relativo aos costumes”.As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas, sendo uma palavra relacionada com a moralidade e com os bons costumes.

 

Está associada aos  valores e convenções colectivamente por cada cultura por cada sociedade a partir da consciência individual, que distingue o bem do mal, ou a violência dos actos de paz e harmonia.Os princípios morais como a honestidade, a bondade, o respeito e a virtude determinam o sentido moral de cada indivíduo. São valores universais que regem a conduta humana e as relações saudáveis e harmoniosas.

Moralidade é sinónimo de: pudor, decência, honestidade e conceito.

 

Ética e moral. A moral orienta o comportamento do homem e da mulher  diante  das normas instituídas pela sociedade ou por determinado grupo social. Diferencia-se da ética no sentido de que esta tende a julgar o comportamento moral de cada indivíduo no seu meio. No entanto, ambas buscam o bem-estar social.

 

Assédio moral. De acordo com o artigo 483 da CLR(Consolidação das Leis do Trabalho), o  assédio moral acontece quando o comportamento de um indivíduo foge às regras estabelecidas socialmente ou no contrato de  trabalho. Ser submetido a situações vexatórias, críticas não-construtivas constantes e a humilhação são características do assédio moral.

 

Moral da história. Esta expressão normalmente é utilizada depois de uma história que indica a lição que se é possível aprender com esta palavra. É uma expressão bastante comum nas fábulas e contos populares.

 

Moral na Filosofia. Na filosofia, moral tem uma significação mais abrangente que ética, e que define as “ciências do espírito”, que contemplam todas as manifestações que não são da sua própria vontade.

Na literatura, particularmente  na literatura infantil, a moral resume-se a uma conclusão da história narrada cujo objectivo é transmitir valores morais(certo ou  errado, bom ou mau, bem ou mal) que possam ser aplicados nas relações sociais.

 

Moral, amoral e imoral. As definições de amoral e imoral estão relacionadas  com a moral, no entanto expressam significados diferentes. A imoral é  todo o tipo de  comportamento ou situação que contraria os princípios estabelecidos pela moral. Por exemplo, a falta de pudor e a indecência. A  situação amoral  é a ausência do conhecimento ou noção do que  seja a  moral. As pessoas com comportamentos amorais não sabem quais os princípios morais de determinada sociedade, por isso não os segue.

 

Ética e moralidade. A ética é um discurso filosófico sobre o  bem. Melhor dizendo: ela é uma rede de discursos entrecruzados que tratam das várias questões envolvidas na compreensão do que é “Bem”. E variadas são essas questões, cada qual com a sua história, seus momentos de grandeza e declínio.

Cada época desenvolve os conceitos que pautam a sua reflexão ética acerca do campo da moral.  Inclusive, cada época traça as suas próprias distinções ente a ética e a moral, que são termos originalmente sinónimos, pois representam os termos grego e latino utilizados para se referir aos costumes do povo.

Porém, no discurso teórico actual, moralidade tipicamente indica um fenómeno social, e ética uma disciplina filosófica. Neste sentido, a ética apresenta-se como uma reflexão sobre a moralidade, o que faz com que ela também receba o nome de  filosofia moral.

 

Tal diferenciação não corresponde ao sentido comum desses termos no português contemporâneo, em que elas possuem um sentido muito próximo, embora não sejam intercambiáveis.

Por exemplo, falamos de ética profissional, e nunca de moral profissional, para nos referirmos aos códigos de conduta de cada profissão. Por outro lado, não usamos a expressão ética sexual, embora por vezes falemos de uma moral sexual, que atribui o rótulo de imoral a uma série de condutas no campo da sexualidade.

 

Cada cultura tem uma moralidade. Pois todas elas envolvem uma série de padrões morais, que são um dos principais elementos integradores da vida social. Esses padrões formam uma complexa rede que envolve formas de  sociabilidade tipicamente reveladas mediante referências a normas(como as que proíbem a traição e a mentira), virtudes (como a  coragem e a prudência) e valores( como a liberdade e a igualdade) que se entrelaçam. Estes elementos são criados dentro da história e, portanto, não existe no mundo um, único modelo abstracto   de moralidade, mas uma série de padrões de moralidade socialmente definidos. O Bem, a Virtude e a Moral não existem em absoluto, mas apenas como elementos de realidades culturais concretas.

Falamos da Virtude, da Moral e do Bem, como se  eles  tivessem uma existência em si, como se eles fossem algo além de conceitos abstractos que inventamos para dar sentido às nossas próprias experiências..

Tendo procurado qual  a relação da  “Moralidade  e a Bíblia” encontrei a passagem de S. Mateus  5, 4-11: que  nos transmite a verdadeira conduta  do homem e da mulher .

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

- Felizes os que choram porque serão consolados.

. Felizes os mansos, porque possuirão a terra.

- Felizes  os que têm fome e sede de justiça porque serão

saciados.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

- Felizes os misericordiosos, porque alcançarão  misericórdia.  

- Felizes os puros de coração porque verão  a Deus.

- Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de  Deus.

-Felizes os que padecem perseguição por amor da justiça  porque  deles é o reino dos

 Céus.      

 

Todos nós devemos  praticar esta virtude da moralidade para contribuirmos que haja neste mundo, e sobretudo  no nosso meio, mais  justiça, mais  paz e mais  felicidade.

 

 

(continua no próximo número)        

 

      

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

 

 

 

 

Acaba de sair o novo livro de António Francisco Gonçalves Simões,colaborador deste blogue.   -  Coronel Capelão da Forças Armadas Portuguesas

 

 

 

 

unnamed.jpg

Pedidos à Livraria Paulinas

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:56
link do post | comentar | favorito

ALEXANDRE ZABOT - LIVE COM O PROF. FELIPE AQUINO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia 2/07/2020 gravei uma live com o Prof. Felipe Aquino sobre diversos temas de Ciência e Fé ligados à Física em geral.

 



https://www.facebook.com/PFelipeAquino/videos/566216917587653/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 12:56
link do post | comentar | favorito

JOSÉ RENATO NALINI - A FEIÇÃO LÚDUCA DA JUSTIÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Nalini.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            O ser humano já foi considerado homo sapiens e também homo faber. Mas não deixa de ser um homo ludens. O jogo como elemento da cultura foi objeto de um livro de Johan Huizinga, cujo título é exatamente “Homo Ludens” (Ed.Perspectiva). O autor sustenta que a noção de jogo é um fator distinto e fundamental, presente em tudo o que ocorre no mundo.

            Ele se convenceu de que é no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve. Para demonstrá-lo, aborda tópicos quais a natureza e significado do jogo como fenômeno cultural, sua expressão na linguagem, o jogo e a competição como funções culturais e o papel do jogo na guerra, no conhecimento, na poesia, na filosofia, na arte, para culminar com o elemento lúdico na cultura contemporânea.

            Aborda, também, o aspecto lúdico no direito, no qual vou me deter brevemente.

            Para a visão clássica, nada menos semelhante do que os territórios reservados ao jogo e à ciência jurídica. A concepção clássica exibe o direito, a justiça e a jurisprudência como esfera em que prepondera uma implacável seriedade, característica ausente do espaço lúdico. Apesar dessa primeira impressão, observa Huizinga, “o caráter sagrado e sério de uma ação de maneira alguma impede que nela se encontrem qualidades lúdicas”.

            Alguém provido de singular perspicácia logo concluirá: é claro que existe jogo no direito. Não são sorteados os sete jurados, os cidadãos que julgarão seu par acusado de atentar contra a vida e submetido ao Tribunal do Júri?

            Esta obviedade seria insuficiente para exaurir a presença do jogo no aparato do Judiciário. É mais significativa a influência lúdica na operacionalidade do equipamento estatal encarregado de solucionar controvérsias. A expressão mais trivial do funcionamento do sistema Justiça é o processo. Esta modalidade de resolução de conflitos considerada o ápice da escalada civilizatória e que sucedeu à vingança privada e à lei de talião, guarda todas as características de uma competição. “Quem diz competição, diz jogo”, diz Huizinga. O lúdico e o competitivo estão no DNA do processo judicial. Este instrumento se converteu na primeira opção de qualquer pessoa que se sinta lesada ou meramente ameaçada em seus direitos.    

            Aquilo que a teoria propõe seja uma estrutura cooperatória, em que todos os envolvidos procuram a mais adequada concretização do justo, não é senão uma pugna apenas formalmente civilizada. O processo se transfigura numa arena de astúcias, onde a esperteza, a sagacidade, a diligência em encontrar desvios ou atalhos valem muito mais do que a qualidade do direito envolvido.

            O fenômeno é universal. No livro, menciona-se o testemunho de um antigo juiz: “O estilo e o conteúdo das intervenções nos tribunais revelam o ardor esportivo com que nossos advogados se atacam uns aos outros por meio de argumentos e contra-argumentos (alguns dos quais são razoavelmente sofisticados)”. A perda de polidez registrada na sociedade chega também ao foro. O protocolo delicado de um Piero Calamandrei, no seu clássico “Elogio aos Juízes” foi relegado à arqueologia. Os Códigos de Ética propõem cordialidade e lhaneza. Nem sempre são observados.

            Para acrescentar condimento à situação brasileira, aqui uma Constituição analítica e fluida permite leituras as mais diversas de um único e mesmo dispositivo. A linguagem vaga e imprecisa, fruto do compromisso possível entre os integrantes do neo-feudalismo que é o Parlamento contemporâneo, autoriza – ou melhor, obriga – o juiz a um permanente exercício de hermenêutica.

            Há tribunais em que a jurisprudência é tão vasta, tão multifária, tão diversa, que o trabalho dos advogados é selecionar aquelas invocáveis, pois há respostas para múltiplas definições do que venha a ser o direito. É a jurisprudência à la carte, que torna aleatória a solução.

            Tudo ainda mais complicado quando a República Federativa do Brasil adotou a estrutura ramificada do Judiciário, com duas Justiças igualmente chamadas comuns, e que fazem proliferar os conflitos de competência e que elegeu o quádruplo grau de jurisdição como substituto do apregoado duplo grau. Uma decisão definitiva, para percorrer esse calvário, pode levar vinte anos até o trânsito em julgado.

            A teoria dos jogos é bem conhecida dos clientes do sistema Justiça, quando torcem para que a distribuição eletrônica – solução evidentemente lúdica – destine seu processo, ou seu recurso, para um órgão julgador que perfilhe determinada orientação. Caso contrário, a mesma tese poderá merecer julgamento completamente inverso ao do paradigma utilizado.

            O legislador ofereceu algumas respostas para a decantada imprevisibilidade do Judiciário. Súmulas, cultura do precedente, uniformização de jurisprudência. Mas tudo isso também depende de uma apreciação lúdica de tais ferramentas. Existem, estão formalmente consagradas. Já a sua utilização efetiva é aleatória. Depende das diretrizes adotadas pelos transitórios ocupantes dos cargos de mando, a cada biênio substituídos nos quase cem tribunais brasileiros.

            Até que o instituto da reeleição, que tão excelentes frutos tem ofertado à República, venha a ser também adotado para as Cortes Judiciárias. Não é vaticínio, nem profecia. Mero exercício lúdico de um observador do panorama tupiniquim.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS-2019-2020.

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:12
link do post | comentar | favorito

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - COM A LICENÇA DOS MESTRES ( VINICIUS, BANDEIRA, CAMÕES, FLORBELA , BOCAGE, NERUDA, ÁLVARES DE AZEVEDO e CASTRO ALVES)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valquiria Malagoli.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu te peço perdão por te amar de repente

com este intenso amor, tão febril e confuso,

grave ilusão que sua o corpo e sobe à mente.

O que sinto assim se espalha... e se esvai... difuso!

 

 

Amor - chama, e, depois, fumaça...

bênção incensada, mui clara,

névoa que à solidão embaça;

e cobre a ofensa vil e avara.

 

 

Quem diz que Amor é falso ou enganoso

não experimentou a liberdade

de viajar sem ter peso – um ser gasoso!,

fluindo até tornar-se imensidade...

 

 

Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera

ter sido desde sempre outra pessoa:

esta que, hoje, madura, a primavera

da vida com piedade, enfim, coroa.

 

 

Meu ser evaporei na lida insana

de fingir ser feliz estando só;

se havia, antes, doçura, só a da cana;

quem, outrora, abraçava-me era a mó.

 

 

Antes de amar-te, amor, nada era meu

antes de tua imagem cega eu era!

O “antes”, aliás, não houve. Havia o breu

a plasmar aqui dentro uma quimera.

 

 

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

este vapor tocar meu coração

com seus dedos sutis, leves, amenos...

inda que eu estivesse num caixão.

 

 

E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito

pulsa, agora, a saudade de outro mar...

De outras plagas além do vau estreito

que a fortuna me obriga a, então, singrar.

 

 

Enfim, venho pedir-te, o teu perdão.

E este meu pedido é minha oferenda,

pois não juntei, em vida, ouro nem pão.

Permita Deus que o espólio não te ofenda.

 

 

In Testamento (2005)

Livro disponível para download – gratuito – em www.valquiriamalagoli.com.br

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoliescritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:27
link do post | comentar | favorito

FELIPE AQUINO - GOMO FAZER UM BOM EXAME DE CONSCIÊNCIA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Para estar com Deus” é preciso caminhar na sua graça. Isso exige de nós paciência, confiança e perseverança.
Confira alguma dicas para repensar sua vida todos os dias:

 

Vigiar e orar

 

Você se lembra de que, no Horto das Oliveiras, Jesus fez um intervalo na sua oração, foi ver se os Apóstolos o acompanhavam e os achou dormindo. Com pena, disse a Pedro: Não pudeste vigiar uma hora comigo? E a todos: Vigiai e orai, para não entrardes em tentação (Mt 26,40-41)?

Uma das melhores maneiras de “vigiar”, como Jesus nos pede, é fazer todos os dias o exame de consciência: um balanço do nosso dia diante de Deus, cheio de sinceridade, que se pode resumir nas três perguntas que São Josemaria às vezes aconselhava: “O que fiz bem? O que fiz mal? O que poderia fazer melhor amanhã?”

Talvez você me diga: “Eu já tentei fazer esse exame, mas é complicado. Não sei por onde começar e, além disso, à noite estou cansado e não consigo pensar”.

Tem razão. Não é fácil. Por isso, talvez possam ajuda-lo algumas sugestões práticas. Vamos ver.

Para começar, três ideias claras:

Primeira: o exame deve ser simples e breve (podem bastar três ou quatro minutos), nunca complicado.

Segunda: o exame será bom se nos ajudar a enxergar algumas falhas daquele dia e a pedir perdão a Deus por elas, e a ver também como perseveramos nas resoluções boas.

Terceira: o exame será completo se terminar com alguma resolução, muito prática, de melhorarmos em algum ponto no dia seguinte (por exemplo, sermos mais pontuais no trabalho, ou falar mais com a família).

É importante ter em conta que – embora seja aconselhável – não é “obrigatório” fazer o exame à noite, à última hora do dia, se estamos caindo de sono. Convém fazê-lo num momento em que a cabeça esteja ainda lúcida: por exemplo, antes do jantar, em lugar isolado (e antes de mergulhar na tv!); ou antes de nos deitarmos, mas estando ainda em pé, sentados numa poltrona; ou no local de trabalho, concentrando-nos um momento antes de encerrar o expediente; ou até mesmo no início do dia seguinte, fazendo – junto com as orações da manhã -, um breve balanço do dia anterior. Cada qual tem que achar o seu “bom momento” para o exame.

Deve-se evitar fazer o exame na cama, já deitado. Esse mesmo conselho – lembra? – dávamos ao falar da oração mental. Quem tiver suficiente autocontrole da sonolência ou padecer de falta de sono, pode-se arriscar a ler, a orar mentalmente, a rezar o terço, a fazer o exame na cama… Mas não se engane. Você já se conhece. Se tiver o cochilo fácil, sabe muito bem o que acontecerá: vai adormecer sem fazer nada.

Ainda uma sugestão dirigida às pessoas que quiserem fazer o exame com o máximo proveito: não faça o exame sem ter à mão uma agenda (ou um caderninho) e a caneta. Daqui a pouco veremos o que é bom anotar (e desculpe as repetidas recomendações que faço sobre a agenda; não é mania, é experiência).

 

 

 

homem-sentado-na-praia

 

 

 

Leia também: 
Exame de Consciência
Sacramentos: Exame de Consciência – Parte 1
Sacramentos: Exame de Consciência – Parte 2
O que é consciência?

 

 

 

 

 

Em que assuntos nos convém pensar?

 

Antes de responder a essa pergunta, quero deixar muito clara uma ideia: não pretendo aconselhar nenhum “método rígido” de exame. É uma matéria em que deve haver muita liberdade e cada qual tem que achar o seu modo de fazer um bom exame. Portanto, tudo o que disser a seguir são apenas sugestões, meras sugestões que têm sido úteis para outras pessoas. Vamos a elas.

Comece pedindo luz ao Espírito Santo, para fazer um bom exame: “Vinde, Espírito Santo!”, “Que eu veja!”.

Pode ser útil, inicialmente, dar uma olhada rápida ao dia, procurando lembrar alguma coisa negativa que cutuque na consciência: “Tive uma briga feia em casa”, “Tive preguiça de cumprir tal dever”, “Deixei-me dominar pela ira naquele momento”, “Abusei da comida ao jantar”, “Falei palavras ofensivas a tal colega”, “Cedi à imoralidade na Internet”… São faltas fáceis de lembrar, sem necessidade de uma análise demorada. Uma vez recordadas, peça sinceramente perdão a Deus: “Senhor Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador”. E proponha-se lutar.

Mas é bom não reduzirmos o exame diário a uma espécie de preparação para uma confissão (ainda que o exame diário facilite preparar boas confissões). Muitas vezes, além de nos determos brevemente nas “faltas”, será bom determo-nos um pouco mais nas “coisas boas”.

 

 

 

para_estar_com_deus

 

 

 

Escada do amor e da perfeição cristã

 

 

Concretamente, todos deveríamos ter um pequeno programa das melhoras que desejaríamos alcançar (de preferência listadas na agenda). Por exemplo:

– um plano de vida diário de orações, de recitação do terço, de leituras espirituais, com seus horários previstos;

– duas ou três mortificações (sacrifícios), que nos ajudem a ter, por exemplo, mais ordem, ou a segurar a língua, ou a controlar a gula de chocolate ou de cerveja, etc.

– um pequeno programa de ajuda aos outros, também de ajuda espiritual e apoio moral: “Vou conversar mais com Fulano”, “Procurarei ajudar essa outra pessoa nisso ou naquilo”…

Se revisarmos diariamente essas listas, veremos os pontos positivos que houve e aqueles em que estivemos mais falhos, e poderemos então fazer um ou dois propósitos de luta para o dia seguinte. O ideal seria abrir uma folha na agenda, ou uma página no computador, para nela ir listando esses propósitos. Por exemplo:

3 de maio: amanhã, ser mais otimista nos comentários quando estiver à mesa lá em casa, no jantar;

– 4 de maio: amanhã, levantar na hora certa, sem ceder nem cinco minutos à preguiça, e fazer com calma e oração;

– 5 de maio: amanhã, não deixar de dedicar, a tal hora, pelo menos 10 minutos à leitura do Evangelho ou de outro bom livro;

– 6 de maio: amanhã, ligar para esse parente que tem a esposa doente, e marcar uma visita ou, pelo menos, mostrar-lhe que estou interessado e rezando.

Como dizia acima, são apenas algumas sugestões. Veja você qual seria, no seu caso, a melhor maneira de fazer esse breve exame, de modo que o ajude a retificar as falhas e a ir subindo, dia após dia, pela escada do amor e da perfeição cristã.

 

 

Retirado do livro: “Para estar com Deus”. Padre Francisco Faus. Ed. Cléofas.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



publicado por Luso-brasileiro às 11:14
link do post | comentar | favorito

PAULO R. LABEGALINI - UM PROGRAMA DIFERENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Labegalini.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Certa noite, assisti um programa de TV com um entrevistado famoso, meu ídolo de criança. Conversa vai, conversa vem e, atento a tudo, eu me encantava cada vez mais com as respostas inteligentes do artista, até que lhe perguntaram: ‘Se você soubesse que teria apenas mais um mês de vida, o que faria?’. Como sempre antecipo as respostas com uma pronta opinião, esperava que ele dissesse algo parecido com aquilo que eu diria, mas, para minha decepção, o homem mostrou um total despreparo espiritual naquele momento.

Eis a resposta que deu: ‘Se tivesse certeza disso, antes do derradeiro dia chegar, eu daria um tiro no ouvido’. Ouvindo isto, vi um dos meus ídolos se desmoronando e fiquei pensando: ‘De que adianta tanta cultura e tamanha inteligência se a pessoa não as usa na hora da morte? Será possível que alguém nunca lhe tenha mostrado o caminho do céu?’

Lembrando de entrevistas anteriores, confesso que muitos convidados já me fizeram tremer na cadeira por darem opiniões contrárias à fé católica, mas esse exagerou. Qualquer coisa que dissesse seria melhor do que cometer suicídio! E devido aos demais participantes do programa não poderem contradizer o entrevistado, o assunto ficou por isso mesmo.

Senti pela impossibilidade de colocar as minhas palavras na boca do sabatinado e fazê-lo professar a maravilhosa fé que trago no peito, mas, como também não sou o melhor modelo a ser seguido e nem o dono da verdade, acabei me conformando com aquilo que jamais desejava ouvir de alguém.

Ah, deixe-me dizer a resposta que daria no lugar dele: ‘Se eu tivesse apenas mais um mês de vida, procuraria um padre para mais uma boa confissão, passaria a participar de missa, ler a Bíblia e rezar o terço todos os dias, e praticaria muitas obras de caridade – para chegar mais depressa ao céu’. Desculpe-me a falta de modéstia, mas não seria o melhor a fazer? Alguém reprovaria essas atitudes no final da vida de um cristão? Ajudaria em alguma coisa ficar chorando ou morrer alcoolizado, por exemplo? Muito menos pegar numa arma!

E se você concorda com a resposta que dei, pergunto-lhe: ‘Por que apenas na hora da morte algumas pessoas melhoram de conduta? É necessário estar condenado para levar uma vida santa?’ Por outro lado, acredito que, mesmo morrendo, muitos iriam pecar ainda mais para aproveitar o restinho dos pecados. Que pena que nem todos sigam Jesus Cristo no dia-a-dia. É, acho melhor nem pensar no que aconteceria se anunciassem que o mundo iria acabar!

Eu tenho que expressar pessimismo nesse sentido porque passo os olhos por outros programas de televisão e assusto com as baixarias que apresentam – exceto canais religiosos, esportivos e poucos outros mais. Há dias que, enquanto o sono não vem, fico espiando um pouco de tudo que está no ar e sempre concluo que as madrugadas foram feitas mesmo para dormir. Aliás, em matéria de televisão, estamos de mal a pior! Ouço falar coisas horríveis apresentadas na ‘novela das nove’... e muita gente gosta!

Repito que precisamos viver com dignidade cristã; para isso, basta nos afastarmos dos maus caminhos e seguirmos os ensinamentos de Deus! Há na Bíblia uma bela página que apresenta os conselhos de Tobit a Tobias, seu jovem filho. Talvez estas sejam as palavras mais sábias que um pai pode dizer e é um grande exemplo para todos nós, noveleiros ou não:

"Ouve, meu filho, as palavras que te vou dizer e faze que elas sejam, em teu coração, um sólido fundamento. Quando Deus tiver recebido a minha alma, darás sepultura ao meu corpo. Honrarás tua mãe todos os dias da tua vida, porque deves lembrar de quantos perigos ela passou por tua causa – quando te trazia em seu seio. Quando ela, por sua vez, tiver cessado de viver, tu a enterrará junto de mim.

Quanto a ti, conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus; guarda-te de consentir jamais no pecado e de negligenciar os preceitos do Senhor, nosso Deus. Pratica a justiça em todos os dias da tua vida e nunca andes pelos caminhos da maldade, porque os homens retos triunfam em todos os seus trabalhos, assim como as pessoas honestas.

Dá esmola dos teus bens e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti. Sê misericordioso segundo as tuas posses. Se tiveres muito, dá abundantemente; se tiveres pouco, dá desse pouco de bom coração. Nunca permita que o orgulho domine o teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo o mal.

A todo o que fizer para ti um trabalho, paga o seu salário na mesma hora: que a paga do teu operário não fique um instante em teu poder. Guarda-te de jamais fazer a outrem o que não quererias que te fosse feito. Bendize a Deus em todo o tempo e pede-lhe que dirija os teus passos, de modo que os teus planos estejam sempre de acordo com a sua vontade, porque não há homem que seja perspicaz. É só Deus quem lhe dá uma boa decisão." (Tobias 4, 1-23)

Palavra do Senhor. Graças a Deus!

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:06
link do post | comentar | favorito

HUMBERTO PINHO DA SILVA - COMO LER O ARTICULISTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Humberto Pinho da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Teixeira de Pascoais, grande poeta de Amarante, que faleceu em 1952, dizia: Escrevendo, cedo apenas a uma necessidade espiritual de revelação ou confissão.” - “S. Jerónimo”

É a “necessidade”, da maioria dos que escrevem, em prosa ou verso.

Escrever é comunicar; conversar com o leitor. Várias vezes ouvi, o grande jornalista Costa Barreto, de: “ O Comércio do Porto”, afirmar: “ O jornal não tem leitores, mas sim os colaboradores”.

Também Lopez-Pedraz, disse: “ As razões convencem o homem, mas é o homem que escolhe as razões, que o convencem. E, naturalmente as escolhe de acordo com aquilo que quer convencer-se.”

Eu sei, ao emitir opiniões posso influenciar os que possuem sensibilidade igual ou semelhante à minha.

São os cronistas, muitas vezes, a voz, dos que não têm ou não querem ter voz.

Não é fácil escrever, para o público. Havia, no tempo de meus avós, velho adágio, que rezava, mais ou menos, assim: Quem edificou na praça, a muito se aventurou: uns dizem, que alta é; outros, de baixa não passou”.

Nem tudo que escrevo, agradará ao leitor. Mas também não escrevo para agradar ou convencer, seja quem for. Cada qual, ao ler-me, deve pensar assim: concordo ou não, com o que diz, e reflectir.

Certa ocasião, jovem estudante, referindo-se às minhas crónicas, publicadas in: “O Correio do Ribatejo”, enviou-me carta aberta, dizendo assim:

“ Quando o leio, nem sempre concordo com o que diz; mas faz-me pensar.

“ Confronto, então, com o meu parecer. Isso torna-me mais madura, e faz-me crescer e reflectir.

“ Quantas vezes, concluo: estava equivocada! Nunca analisei, o tema, por essa faceta…”

É o jeito inteligente, como se deve ler os meus textos, e dos outros cronistas; com espírito critico: “ Está certo ou errado?”

Este modo de ler, chamo: ler com inteligência, e ajuda a melhor compreender a colectividade.

 

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:53
link do post | comentar | favorito

EUCLIDES CAVACO - SER FADISTA - Poema e voz de Euclides Cavaco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Hoje partilho esta récita dedicada ao nosso FADO,
que poderá ouvir e ver neste elaborado video do talentoso amigo Afonso Brandão:

 



https://www.youtube.com/watch?v=sQqO5n1HqHY&feature=youtu.be

 

 

 
Desejos dum tranquilo fim de semana
 
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confissões.



publicado por Luso-brasileiro às 10:45
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links