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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - BRASIL. GRAVES CRISES QUE PRECISAM SER SUPERADAS, REDUZINDO A DESESPERANÇA NO FUTURO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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São tão sérias e graves as crises de ordem moral e ética no Brasil, com profundos reflexos na economia e na vida em geral dos cidadãos que se mostram absolutamente apáticos com quaisquer ocorrências política, jurídicas e até econômicas.  Com efeito, a constante instabilidade  política, os escândalos de corrupção, a deficiente fiscalização e regulação por órgãos e autarquias governamentais e mesmo boa parte dos problemas sociais, inclusive a violência, têm um componente que continua impenetrável: o poder econômico. Na verdade, o resultado mais latente de sua influência é que relações de dominação e força, em vez de regras jurídicas fundadas na moral e na ética, passam a ditar os relacionamentos entre as pessoas.

         Tais aspectos são evidentes no nosso cotidiano e infelizmente vêm de cima para baixo, ou seja, muitas autoridades e setores administrativos do país sucumbiram aos resultados financeiros próprios e ao invés de combatê-las, acabaram por aderir a corrente dos seus interesses acima dos anseios da população.

     O povo está descrente dos atos que confrontam com o direito crescendo a censura social que decorre da capacidade de indignação e da não aceitação de condutas reprováveis que prejudica o segmento mais fraco, ou seja, o próprio povo que se vê privado do atendimento de suas necessidades básicas que são direitos fundamentais garantidos por nossa Constituição. Um quadro insólito criado pela ganância e falta de escrúpulos da maioria de nossos políticos.

          Realmente é preciso que todos se levantem e repudiem energicamente situações em que recursos públicos sejam desviados, e utilizados para atender interesses particulares e tantas outras que sobreponham a própria dignidade dos indivíduos,  que precisam estabelecer através de protestos, fiscalizações e cobranças uma linha de controle rigoroso e eficaz. Já se disse que o Estado brasileiro tem ainda um enorme papel a desempenhar, especialmente para cumprimento das determinações constitucionais.                 

Infelizmente, continuamos assediados em  todos os lados por problemas que nos impedem de desfrutar plenamente da própria cidadania. Precisamos, por isso, insistir para que a população não aceite os tenebrosos quadros impostos pelo egoísmo de grande parte de nossos representantes, incitando-a a buscar uma consciência participativa. Para tanto, o brasileiro deve ser orientado desde muito cedo a viver e a conviver com os demais indivíduos e ter as mesmas possibilidades de atuação.

Nesta trilha, não há espaços para o comodismo, o conformismo e principalmente a aceitação pura e simples das investidas contra o patrimônio público que precisa de melhor utilização na edificação de uma Nação mais justa, com o desenvolvimento dos seus cidadãos na procura da plenitude da vida.

Se quisermos uma sociedade onde os valores máximos se embasem no caráter, na formação crítica, na educação, na saúde de seus pares, faz-se necessário um esforço maior em fiscalizar, cobrar e participar da vida pública. Quem sabe assim, poderíamos reduzir e até eliminar da vida brasileira uma de suas manifestas angústias, a desesperança no futuro.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI   -    é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:18
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - GAFES E MAIS GAFES... E UM DESAFIO AO LEITOR !

 

 

 

 

 

 

 

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No convívio social humano, são inevitáveis as gafes. Qualquer pessoa, por mais educada e autocontrolada que seja, que de vez em quando comete alguma. Uma vez cometida, que fazer? Desculpar-se e mostrar arrependimento geralmente não resolve, pois acaba a emenda saindo pior do que o soneto. Quase sempre o melhor é fingir que não percebeu o mau passo e tocar adiante.

Recordo ter lido, num livro do grande psicólogo francês Pe. Raymond de Thomas de Saint-Laurent, que certo pregador foi convidado a fazer o elogio fúnebre de um senhor muito distinto e considerado, durante a Missa de corpo presente. Coletou às pressas alguns rápidos dados biográficos do falecido e se julgou em condições de falar ao púlpito.

Entretanto, aconteceu que, à medida ia falando, se foi entusiasmando com o que dizia e foi ampliando insensivelmente o âmbito da pauta que fixara. A certa altura, ocorreu-lhe louvar o morto como excelente esposo e pai de família. Ora, esse era precisamente o ponto fraco do falecido: toda a cidade conhecia suas aventuras extraconjugais...

Muitos ouvintes se entreolharam, se puseram a sorrir e a cochichar comentários. Só então, percebendo o procedimento da plateia, o fogoso orador se deu conta de que pisara em falso. Que fez ele? Fingiu que nada se passara e se pôs a discorrer sobre outro aspecto do falecido. E tudo prosseguiu com normalidade. Saiu-se bem. Não poderia ter feito outra coisa.

Pior foi o caso ocorrido com o Embaixador Manoel Pio Corrêa, conforme ele mesmo conta em suas interessantes memórias ─ que se leem com prazer e proveito, do início ao fim.

Quando jovem, ele participara de um curso nos Estados Unidos, proporcionado pelo Governo norte-americano a jovens diplomatas de vários países latino-americanos. Travou, durante o curso, amizade muito estreita com um colega oriundo de uma nação da América espanhola.

Os dois tinham quase tudo em comum: a mesma idade, a mesma profissão, as mesmas ambições, os mesmos gostos. Ficaram, realmente, grandes amigos. Mas, ao término do curso, separaram-se e depois de algum tempo perderam completamente o contato.

Trinta anos depois, já em fim de carreira, o brasileiro foi nomeado embaixador junto a um governo "X". Ao assumir o novo posto, consultou, como de hábito, a lista do corpo diplomático acreditado no local, e teve a alegria de nela encontrar o nome do antigo amigo, agora embaixador do seu país.

Na mesma hora, telefonou-lhe e imediatamente, como num passe de mágica, se reconstituiu a velha amizade. Sentiram-se, desde o primeiro momento, com a mesma intimidade de trinta anos antes. Emocionados, os dois combinaram um encontro, que se realizou logo depois na residência do hispano-americano.

Grandes abraços, grande confraternização, recordação de fatos de há muito tempo sepultados na memória...

De repente, entre outras lembranças do tempo de rapazes, ocorreu ao brasileiro perguntar:

- Ainda te lembras de uma porto-riquenha dentuça e horrorosa que queria a todo custo casar contigo?

Antes que qualquer resposta fosse dada, abriu-se a porta do salão e entrou, sorridente e comprazida, a embaixatriz.

Era precisamente a porto-riquenha dentuça e horrorosa...

 

                                                    *       *       *

 

Concluo com um desafio ao leitor: você seria capaz de imaginar uma saída para essa “saia justa” em que se meteu o nosso embaixador? Pense bem. Procure uma saída. Se lhe ocorrer alguma, me escreva (e-mail aasantos@uol.com.br ). Eu ainda estou procurando...

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -    É licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:13
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CINTHYA NUNES - O SONO

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Normalmente tenho ao menos dois assuntos para escrever meu texto semanal, mas hoje eu preciso confessar que só um tema domina meu cérebro e corpo. Estou com tanto sono, tão cansada, que já perdi as contas de qualquer vez dei aquelas famosas “pescadas” sobre o computador. Sinto-me praticamente bêbada de sono.

                Normalmente durmo tarde, mas para além de estar com muito trabalho atrasado, mal tenho conseguido, nos últimos dias, permanecer acordada e produzindo algo depois das 23h. Até chegar a essa linha já escrevi e apaguei várias palavras sem sentido, tudo porque esqueci minhas mãos sobre o teclado, adormecidas como todo o restante de mim.

                O mais curioso é que, assim como nos demais dias, sou invadida por essa onde de sono incontrolável duas vezes ao dia: no fim do dia e após o almoço. E nem sei dizer qual deles é o momento mais intenso de sonolência. Depois do almoço, mesmo que eu tenha comido uma singela salada, sinto os olhos ficando tão pesados que chegam a arder. Tem sido bem difícil sentar-me à frente de um computador para trabalhar quando somente a ideia de dormir povoa meus pensamentos.

                Agora à noite, já bem tarde, momento que consegui reservar para escrever, entre um bocejo e outro fogem-me as ideias e novamente eu sinto minhas pálpebras se fecharem, escurecendo meu campo de visão. Tenho até medo de como devo estar escrevendo e antes de enviar o resultado dessa tentativa de produção textual por certo farei ao menos um revisão. Se estiver acordada para tanto, é claro.

                Como narrei há alguns dias, adotamos uma cachorrinha recentemente. O bichinho, que tem pouco mais de quatro meses, ainda choraminga quando se sente sozinha no meio da noite. De manhã bem cedo, em um horário que ainda considero madrugada, ou seja, às 5h, ela começa a chorar e é preciso que alguém levante para lhe dar o que comer ou para uma pequena bronca. Some-se ao meu ritmo já corrido mais essa maratona da madrugada e o resultado é um sono quase incapacitante.

                O mais louco de tudo é que na hora em que vou para o quarto para dormir até a abrição de boca cessa e eu desperto, para somente pegar no sono mesmo cerca de uma hora depois. Sinto como se meu sensor de sono estivesse desregulado e eu nunca conseguisse alcançar o botão de ajustes. Misteriosamente meu sono se vai e algumas vezes eu acordo de madrugada desperta, tudo para lutar para dormir mais duas horas e acordar com o dia já claro.

                Minha avó Nena, que Deus a tenha, tinha uma técnica muito boa, a qual eu invejo. Tinha a habilidade de dormir com um olho só, enquanto com o outro, que permanecia aberto, explorando tudo ao redor. Dera eu pudesse ou soubesse fazer isso para ter reforços para terminar esse texto que já escrevi e reescrevi. Se eu demorar um pouco mais para dormir estou certa de que vou me perder nas curvas de alguns esses ou ainda, o que é pior, ficarei presa nas linhas de um Z qualquer.

                E foi o que acabou de acontecer, por acaso. Cochilei no meio da frase e acordei com uma voz me chamando repetidas vezes. Eu poderia dizer que eram anjos ou vozes do além, mas era apenas para que eu não caísse de cabeça sobre o computador. Resolvo que cheguei no meu limite e subo para me deitar. Está chegando o fim de semana, penso. Tudo para que eu me esqueça do sono de agora e fique desperta, sem um pingo da vontade de dormir.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 19:09
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - RISCOS DA VELHICE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há poucos dias, li a frase: “Não penso na velhice, tenho medo que a velhice pense em mim”, do escritor moçambicano Mia Couto, cujos textos me agradam demais. Couto costuma afirmar que as idades devem ser encaradas como travessias.
Nos meus 65 anos, que completei há pouco, concordo com ele que é perigoso permitir que a velhice pense através de mim. No caso, pelos conceitos culturais, me permitiria entregar à inatividade, alinhavar dissabores e considerar que os sonhos são limitados a um determinado período de vida. Nosso pai repetia: “Ah, se a juventude soubesse e a velhice pudesse...” Mas há algumas coisas que são próprias da sabedoria que se pode adquirir com o passar das décadas, dentre elas a compreensão de que cada indivíduo possui o direito em ser ele mesmo, com suas descobertas e escolhas. Inúmeros eventos perdem a importância à proporção que nos desapegamos dos aplausos de uma plateia que nada acrescentou ou acrescenta aos nossos dias. Embora os ossos e os músculos não respondam aos estímulos de antes, as asas me parecem mais leves e o exercício da tolerância também. Cultivar a paciência proporciona canteiros de girassóis na alma.
É uma questão de escolha os caminhos da travessia. Há dias que desperto com os olhos para me encantar e, em outros, para refletir sem magia. Para mim, é um acordo comigo mesma, com o meu entorno e, em especial, com Deus. Ah, quanto o Céu dá sentido às minhas encruzilhadas e às minhas idas e voltas!
Em entrevista na Mínima FM de Porto Alegre, Mia Couto diz que se sente velho às vezes. Palavras dele: “Em geral, é uma coisa quase irresponsável. Eu olho (...) como se houvesse uma vida inteira à frente. Tenho uma grande dificuldade de chegar em casa em me olhar no espelho ou sentir dor nas costas... Eu acho que prefiro não pensar nisso. Eu quero atravessar isso com uma grande distração. Eu tenho medo é que a velhice pense em mim”. Os versos finais de seu poema “Espelho”: “A idade é isto: o peso da luz / com que nos vemos”.
Verdadeiras as colocações e somente se revelam no embranquecer.
Ao observar a velhice, incomoda-me é o desrespeito com as bengalas por aqueles que buscam, com pressa, os seus intentos, sem considerar os direitos de pegadas de rugas e o empurrar os idosos para um canto que não é deles, desfeito de suas paisagens, cheiros, lembranças...

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 19:06
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PÉRICLES CAPANEMA - IDENTIDADE, NACIONALISMO E OCIDENTE

 

 

 

 

 

 

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Três temas do noticiário cotidiano, identidade, nacionalismo e Ocidente, circunstancialmente pularam para a mais ardente atualidade por causa do choque entre Donald Trump e Emmanuel Macron na manhã de 11 de novembro nas comemorações dos cem anos do fim da 1ª guerra mundial. Convém ter em mente, Estados Unidos e França, aliados históricos, valorizam a proximidade especial já mais que bissecular, que começou com a participação relevante do marquês de Lafayette na guerra de independência.

 

Nas mencionadas comemorações, presentes quase 80 chefes de Estado e de governo das mais importantes nações do mundo, o presidente francês no discurso oficial, abriu fogo com alvo certo: “O patriotismo é o oposto exato do nacionalismo, este é uma traição daquele. Ao afirmar ‘nossos interesses primeiro e não me importo com os outros’ apagamos o que uma nação tem de mais precioso, seus valores morais”.

 

“Nossos interesses primeiro” em francês soou em inglês como “America first”. E quem apaga os valores morais é o cínico ou o hipócrita; vale para pessoas, vale para Estados.

 

Macron reforçou ali os disparos na mesma direção: “A partir de 1918, nossos antecessores tentaram construir a paz. Mas a humilhação, o espírito de vingança, a crise econômica e moral nutriram a ascensão dos nacionalismos e dos totalitarismos. Vinte anos depois, a guerra veio de novo devastar os caminhos da paz. Vejo os velhos demônios ressurgirem, prontos a realizar sua obra e caos e de morte. Ideologias novas manipulam religiões, preconizam um obscurantismo contagioso. Por vezes a história ameaça retomar seu rumo trágico”.

 

O líder gaulês foi além, fustigou o que julga uma nova traição das classes letradas [trahison des clercs, expressão cunhada por Julien Benda]: “Juntos, poderemos vencer a nova traição dos letrados em curso que [...] nutre os extremos e o obscurantismo contemporâneo”

 

O mandatário norte-americano, que em várias ocasiões já se declarou nacionalista, em resposta silenciosa, na tarde do mesmo dia não participou do Fórum sobre a Paz, que reuniu os líderes políticos presentes em Paris. Foi visitar um cemitério de soldados dos Estados Unidos. Logo tuitou: “Não existe país mais nacionalista que a França”. E logo depois do referido discurso de 11 de novembro, de novo pelo tuíte, seu meio de comunicação habitual, em várias oportunidades manifestou desacordo. Em sentido contrário, o presidente francês reiterou suas convicções em entrevista bombástica a Fareed Zakaria da CNN.

 

Macron, com o pronunciamento de 11 de novembro e outras tomadas de posição de mesmo rumo está se colocando como o novo líder da Europa. Tem um discurso contrário a numerosos interesses dos Estados Unidos e lembra a política de tous azimuts do general Charles de Gaulle. Nesse sentido, apela ao sentimento nacionalista de parte do povo francês. De fato, a liderança, antes de Angela Merkel, está vaga. A chanceler alemã, no ocaso político, já não tem expressão para falar pelo Velho Continente. Deixo de lado essa questão; dela, futuramente, pretendo me ocupar.

 

Volto aos temas do título. Aos três conceitos, nacionalismo, identidade e Ocidente se opõem globalismo (ou mundialismo), multiculturalismo e diversidade. Diversidade, se conceituada à moda antiga, poderia ficar no primeiro bloco. Hoje, seu lugar é no segundo.

 

O que é ser partidário da identidade? O que é ser nacionalista hoje? O que significa agora defender o Ocidente? Se fizéssemos tais perguntas a vinte pessoas, provavelmente ouviríamos vinte respostas diferentes.

 

Importa deixar claros alguns aspectos dos três temas, em geral na sombra (de outro modo, pôr pingos em alguns is). Defender a identidade entende-se, via de regra, defender não apenas os interesses do próprio país, mas suas características, leis, costumes e demais qualidades que a História lhe imprimiu. De forma congruente, ser cioso de sua soberania e, de momento ponto candente, estabelecer limites, às vezes rígidos, à imigração.

 

Em 2006 no livro “Horizontes de Minas” escrevi o seguinte: “Quem abandona suas origens, entra sem norte no porvir. Caminhante sem farol na noite escura, assim é o povo quando levado apenas pelo interesse imediato. De fato, não mais poderá ser chamado autenticamente de povo. Formará um imenso agregado humano, deambulando sem rumo. Despencará para a condição de massa. Seus integrantes serão apenas átomos perdidos e isolados no turbilhão estonteante da civilização contemporânea.” Exprime o que penso.

 

A fidelidade às raízes caracteriza o amor à própria identidade. Daí nasce a fidelidade ao tronco, aos galhos, às flores e frutos. De outro modo, à sociedade inteira, desde seu primeiro núcleo, a família, que a todos os órgãos superiores comunica sua seiva. O Estado, entidade suprema, terá papel suplementar em relação aos inferiores, que pulsam de vida própria. Tal realidade se expressa no princípio de subsidiariedade e é vacina eficaz contra os delírios do gigantismo estatal, expressos por exemplo em tantos totalitarismos que infelicitaram os homens ao longo do século 20, desde o nazifascista até o comunista. Não é saudável um nacionalismo centralizador, intervencionista, contrário aos regionalismos e desrespeitador de direitos mais naturais e anteriores aos do Estado. Enfim, que inflama doentiamente a função estatal, indispensável e benéfica.

 

Agora, o Ocidente. É fundamental defender o Ocidente; é o que longinquamente ainda hoje lembra a ordem temporal cristã. O conceito de Ocidente aqui vai além das realidades geográficas, claro, inclui o Japão, Cingapura e outras nações asiáticas de orientação semelhante ▬ regime de liberdade na vida privada e pública, bem como economia de mercado. A realidade aparece funestamente amputada quando parte dos defensores do Ocidente coloca suas raízes em Atenas e Grécia (compreensível), mas se cala sobre a ação da Igreja, em especial seu papel essencial na formação da Cristandade. O Ocidente, um eco atual da Cristandade, só existe porque existiu a Cristandade como ideal nas almas e como começo de realização.

 

Em resumo, no mundo inteiro pululam reações sadias contra a uniformização e universalização das pessoas e sociedades. Se quisermos, são reações antiglobalistas, Merecem todo apoio, evitando no que for possível que se exprimam mediante ideologias totalitárias, preconizadoras de tolas superioridades, que lhe desnaturariam o conteúdo purificador. Pontos a colocar em relevo já de início ao considerar identidade, nacionalismo e Ocidente: defesa da família, do princípio de subsidiariedade e, fundada no testemunho real da História, visão objetiva do papel da Igreja Católica e sua doutrina em todo esse processo.

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



publicado por Luso-brasileiro às 18:55
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JOSÉ RENATO NALINI - O QUE É UMA CONSTITUIÇÃO?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Todos têm uma noção do que seja uma Constituição. Um pacto fundante de um Estado de Direito. Um texto escrito que serve de parâmetro para a vida nacional. Um conjunto de normas que estabelece a divisão do poder, as atribuições de cada função estatal e declaram os direitos e garantias fundamentais.

Mas isso é insuficiente para exprimir o que é uma Constituição. No caso brasileiro, tivemos constituições escritas desde 1824. Depois a Carta Republicana, de 1891. Em 1926, uma reforma constitucional praticamente instaurou nova ordem. Em 1934, uma Constituição Democrática. Substituída em 1937 pela “Polaca”, do Estado Novo getulista. Nova Constituição Democrática em 1946, a Carta de 1967, emendada em 1969 e, finalmente, sucedida pela “Carta Cidadã”, de 5.10.1988. A nossa “balzaquiana”, que chega aos 30 anos com cem emendas, afora as de revisão.

Mas a Constituição de 1988, por pretender restaurar a Democracia, o Estado de Direito, abjurar o autoritarismo, é um texto analítico e complexo. Trata de tudo. Como diz o Ministro Ayres Brito, “da tanga à toga”. E, para ser aplicada, depende da interpretação. No nosso País, missão de juízes – no chamado controle “difuso” – e do STF, no controle concentrado.

Interpretar não é missão singela. Por sinal, muito controvertida. Beccaria, no “Tratado dos Delitos e das Penas”, dizia que “interpretação não é tarefa que caiba como tal aos juízes”. Para Voltaire, “interpretar a lei seria o mesmo que corrompe-la”. Houve um tempo em que vigia a filosofia das leis uniformes, claras, simples, abstratas e precisas. Não é mais assim, hoje. A Constituição de 1988 é prenhe de generalizações, de textos vagos, ambíguos, contraditórios, suscetíveis de várias leituras. O próprio STF não chega a um acordo sobre o que significa um dispositivo.

Isso porque o direito não é mais a suprema encarnação da realidade empírica do poder, mas fruto de uma realidade histórica e cambiante, cuja evolução pode resistir a uma compreensão de pura lógica jurídica. O juiz não é um órgão puramente apolítico, executor lógico de normas dadas, um ser sem poder nem vontade, cujas virtudes principais consistiam em sua invisibilidade funcional. Não: o juiz é o leitor categorizado da realidade. E procurará tornar a Constituição algo vivo, dinâmico, ajustado aos tempos.

Nem sempre – ou quase nunca – agradará a todos. Mas é isso o que temos. A jurisdição não tem caráter simplesmente declarativo. Possui caráter constitutivo. Constitui um ato criador de direito. O juiz é quem dá vida à norma, produto cada vez mais ambíguo, fluido e incompleto de um Parlamento que não quer e nem sabe enfrentar os grandes temas contemporâneos.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI    -   é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson.

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 18:44
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FELIPE AQUINO - A CATEDRAL DE NOTRE DAME E A IDADE MÉDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O incêndio que atingiu a Catedral de Notre Dame de Paris, teve um lado positivo, mostrou ao mundo a beleza e a grandeza da Idade Média cristã, que foi desde a queda do Império Romano do Ocidente (476) até a queda do Império Romano do Oriente (1453) nas mãos dos turcos otomanos, muçulmanos, por Maomé II.

 

 

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Nesses mil anos de civilização cristã, segundo do Dr. Thomas Woods, da universidade de Harvard, em seu livro “Como a Igreja construiu a Civilização Ocidental” (Ed. Quadrante, SP), a Igreja Católica salvou a nossa Civilização. Ele disse:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”.

Neste tempo a Igreja educou e evangelizou os bárbaros construindo a grande civilização Ocidental cristã. Thomas Woods diz que:

“É difícil encontrar algum grupo em algum lugar do mundo cuja contribuição foi tão variada, tão significativa, e tão indispensável como aquelas dos monges da Igreja Católica no Ocidente durante um tempo de perturbações e desespero generalizado” (pg. 32).

O sistema universitário que temos hoje com cursos de graduação, pós-graduação, faculdades, exames e graus veio diretamente do mundo medieval. “Na universidade e em outras partes, nenhuma outra instituição fez mais para promover o saber do que a Igreja Católica”, garante Thomas Woods (pg. 51). “Se alguma época na História da nossa cultura merece ser glorificada como uma era de regeneração e restauração é esta”.

A catedral de Notre Dame é um ícone que mostra a grandeza da Idade Média. Construída no estilo gótico, no século XII (1163-1250), quando não havia estrutura de ferro e cimento armado, nem eletricidade e guindastes, etc., tem 128 metros de comprimento e 48 metros de largura, com um telhado de 43 metros de altura e uma abóboda de 33 metros de altura, com duas torres de 69 metros, sendo que o Pináculo atinge 96 metros. Seu interior abriga 5 naves, 37 capelas, 113 janelas, com vitrôs maravilhosos, portais belamente decorados com as imagens de 28 reis de Israel e de Judá. Para chegar à sua torre temos de subir 386 degraus! O sino principal da catedral tem 13 toneladas e seu badalo tem 500 KGs.

 

 

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Leia também: As grandes e numerosas Catedrais da Idade Média

Por que há demônios esculpidos nas catedrais de Notre Dame e Sevilha?

Catedrais góticas: mistério mais grandioso que o das pirâmides do Egito

Dez destinos imperdíveis para todo peregrino católico

 

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Nas janelas há cerca de 200 vitrais coloridos, alguns deles os maiores da história. A catedral possui três grandes órgãos musicais (o maior com 7.800 tubos sonoros!), e muitas esculturas maravilhosas.

Durante a Revolução Francesa (1789) ela foi terrivelmente profanada, quando os iluministas e racionalistas, inimigos da Igreja, entronizaram sobre o seu altar a “deusa da razão”, destruindo parte de seus monumentos.

A Notre Dame é a obra de arte mais visitada em toda a França, o que mostra o apogeu da Idade Média. Isto acontece porque é maravilhosa, fantástica, impressionante. Como então, os inimigos da Igreja católica tem a coragem de dizer que a Idade Média foi um tempo obscuro, onde não se cultivou a arte, a ciência, etc.. Somente uma mente má ou desinformada pode afirmar isso. Infelizmente maus professores de História, e outros, mentem descaradamente a seus alunos sobre isso.

A Idade Média foi o tempo das grandes sumas teológicas e filosóficas de São Tomás de Aquino, Santo Alberto Magno, Santo Anselmo, etc. Foi o tempo das construções das grandes e belas catedrais em toda a Europa; só na França, mais de 500. Foi a época em que a Igreja criou as primeiras universidades no Ocidente: Sorbonne, Bolonha, Montpellier, Coimbra, Valladolid, Oxford, Cambridge, La Sapienza, etc…

A Igreja foi a matriz das universidades; como, então, dizer que a Idade Média foi um tempo obscuro? Só um grande preconceito contra a Igreja pode explicar isso. Por que os turistas gastam rios de dinheiro para ver as obras de arte da Igreja, construídas na Idade Média?

A Catedral, por exemplo, é a “suma” das artes deste tempo, que concretiza um tempo disposto a “construir para Deus” com uma fé e uma coragem inigualáveis.

Nesta época por Providência Divina, como em todos os tempos, tivemos os grandes santos, que deram nova vida e abriram caminhos espirituais aos cristãos: São Bernardo (1090-1153), São Francisco de Assis (1182-1226) e São Domingos de Gusmão (1170-1221), figuras que marcaram toda a sociedade. Temos aí grandes gênios doutores da Igreja: São Pedro Damião (1007-1072), Santo Anselmo (1033-1109), São Bernardo (1090-1153), Santa Hildegarda de Büngen (1098-1179), Santo Antônio de Pádua (1195-1231), Santo Alberto Magno (1206-1280), São Boaventura (1218-1274), o gigante Santo Tomás de Aquino (1225-1274), Santa Catarina de Sena (1347-1380).

A Idade Média não foi um período de desorganização política, econômica e cultural. Não foi um período de desprezo da razão e da morte do saber e da ciência, nem tampouco um período obscurantista, como estão mostrando os historiadores modernos.

Raymond Bloch (†1997), historiador francês, disse que: “A civilização medieval surge-nos hoje espantosamente enriquecida – talvez mais que nenhuma outra – pela expansão do campo da pesquisa” (Le Goff, A Civilização do Ocidente, 1983, pg. 14).

A Idade Média foi chamada, maldosamente, pelos autores da Revolução Francesa (1789) de “idade das trevas”, mas isso está mudando. O famoso Le Goff (†2014), historiador francês da Idade Média, não católico, disse que: “O século XX enriqueceu a paixão pela Idade Média com novas aquisições no domínio da sensibilidade, da técnica e do pensamento”.

 

 

Assista também: Dom Henrique responde: Idade Média x Notre Dame

 

 

 “Somos frequentemente medievais quando nos vangloriamos de sermos modernos; e frequentemente não passamos de “apreciadores da Idade Média” quando cremos nos enraizar no tempo das catedrais, dos cavaleiros, dos trovadores e dos comerciantes. Os códigos e os valores desse longínquo passado-próximo são bem mais estranhos a nós do que habitualmente pensamos. Mas lhe devemos bem mais do que queremos admitir”. Para ele, nós “projetamos sobre a Idade Média as nossas sombras, sem lhe ver as luzes” (Le Goff, 2005, p. 12-16).

As terríveis mentiras contra a Idade Média, foram inventadas pelos filósofos iluministas, que, acreditando serem eles os “iluminados” pela “Deusa da Razão” – odiavam a Idade Média por ser este o período em que a Igreja Católica mais exerceu a sua boa influência no mundo.

Foi preciso que o fogo destruísse uma parte da Catedral de Notre Dame para que aflorasse a grandeza da Idade Média cristã.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 18:25
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PAULO R. LABEGALINI - UM BALANÇO DE VIDA E SALVAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O ano está passando e muitos ainda não prestaram atenção nas graças que continuam recebendo na vida. Esses, deixam de agradecer a Deus a cada amanhecer e querem que os seus projetos pessoais aconteçam o mais depressa possível, mas, e o plano de salvação que o Senhor traçou para o mundo, quando merecerá atenção? Enquanto não concluírem o planejamento de acumular bens materiais na Terra, os valores espirituais continuarão em segundo plano?

Chega até a ser engraçado como a maioria das pessoas leva a vida: reza só quando ‘dá tempo’; não perde uma única oportunidade de se divertir com os amigos; dificilmente lê o Evangelho; prefere se omitir dos trabalhos pastorais da Igreja; não se confessa; enfim, não se encontra com Jesus Cristo e ainda reclama quando alguma coisa dá errado!

Eu também já fiz tudo isso, mas, por deixar Deus agir em minha vida, hoje sou outra pessoa. Embora ainda pecador e, portanto, longe do Céu, eu simplesmente abracei a missão de ajudar a construir o verdadeiro Reino aqui na Terra e procuro fazer a minha parte.

E para que você também possa fazer um balanço de salvação em sua vida, leia primeiro esta história:

Uma pobre mulher morava numa humilde casinha e estava com a neta muito doente. Como não tinha dinheiro para levá-la ao médico e percebendo que a criança piorava a cada dia, resolveu ir a uma Igreja distante para pedir ajuda a Nossa Senhora.

Ao entrar, encontrou algumas mulheres rezando e, quando iam se levantando, a vovó lhes disse: ‘Eu também gostaria de fazer uma oração.’ Vendo que se tratava de uma pessoa de idade, as senhoras concordaram e a velhinha começou: ‘Nossa Senhora, sou eu. Olha, a minha neta está muito doente e eu gostaria que a Senhora fosse lá cuidar dela. Pega uma caneta que eu vou dizer aonde fica.’

As mulheres estranharam, mas continuaram ouvindo: ‘Já está com a caneta? A Senhora vai seguindo o caminho daqui de volta pra casa e, quando passar a ponte, entra na segunda estradinha de barro, entendeu?’

A essa altura, as senhoras já estavam se esforçando para não rir, mas a vovó continuou: ‘Seguindo mais uns 20 minutinhos, tem uma vendinha. Vai pela rua depois da mangueira que o meu barraquinho é o último. Pode ir entrando que não tem cachorro e, olha, Nossa Senhora, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho. Pega ela, entra e cura a minha netinha, mas, por favor, não esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho, senão eu não consigo entrar quando chegar em casa.’

As mulheres, indignadas, a interromperam, dizendo que não era assim que se rezava, mas que ela poderia ir pra casa sossegada, pois, com certeza, a Mãezinha do Céu iria ouvir as suas preces e curar a menina.

A velhinha pegou o caminho um pouco desolada, mas, ao entrar em sua casinha, a neta veio correndo lhe contar: ‘Vó, eu ouvi um barulho na porta e pensei que fosse a senhora voltando, mas entrou uma mulher de vestido branco em meu quarto e me mandou levantar. Não sei como, mas eu simplesmente levantei e fiquei boa!’

E, em prantos, a menina continuou: ‘Depois, ela sorriu, beijou a minha testa e pediu que eu avisasse a senhora que ela deixaria a chave debaixo do tapetinho vermelho.’

Pois é, o nosso orgulho e a nossa escolaridade não nos levam ao Céu. Leia os ensinamentos de Jesus sobre as ‘bem-aventuranças’ – Mateus 5, 1-12 – e saiba como chegar lá.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 16:08
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - POR QUE NÃO PASSAMOS DA CEPA-TORTA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há duas importantes razões, porque não conseguimos abandonar a “cauda” da Europa:

A primeira: - Deve-se ao facto de nunca se ter estabelecido plano de desenvolvimento. Cada partido, que conquista o poder, é rápido a alterar o que seu antecessor estabeleceu: seja no campo da: saúde, ensino, justiça, e até na economia.

Seria assim tão difícil, traçar linhas mestras de governação, aceites pelos partidos, com assento na Assembleia da Republica?

A segunda: - Talvez tão importante como a primeira –: é diferenciar, de uma vez para sempre, os cargos técnicos, dos políticos; para que, mudando o governo, não mudem as pessoas. Como  a competência dependesse da cor partidária! …

Conheci  homem, que trabalhou numa empresa pública. Era: pontual, dedicado, obediente e zeloso.

Ao verificar, que não havia, na empresa, área comercial, que contactasse os clientes, sugeriu o serviço; e com apoio superior, iniciou a tarefa.

Ia a pé ou de autocarro, a casa de grandes e pequenos cientes; muitas vezes fora da hora de trabalho. Chegou a ser louvado, por essa iniciativa, na imprensa da sua cidade.

Um dia, a Administração, resolveu criar, oficialmente, o serviço. Pensou que seria incorporado ou pelo menos contactado. Nada disso, aconteceu! …Era apartidário…

Para executar melhor as funções, chegou a estagiar no estrangeiro, com o apoio do C.A.

Mais tarde, verificando que havia fugas de receitas, enviou exposição aos superiores.

Após várias alertas infrutíferas, foi chamado pelo chefe imediato, que acumulou, às suas habituais funções, a de fiscalizador.

Nada lucrou, a não ser mais trabalho. Os colegas, diziam, de troça, ao vê-lo atarefado e zeloso : que ainda iria receber uma medalha… de cortiça!...

Todavia, a empresa, embolsou, com esse serviço, largas centenas de contos! … e nunca lhe disse: obrigado.

Entretanto foi envelhecendo… Certa tarde de Inverno, surpreendeu-se: o C.A. louvara-lhe a dedicação, premiando.

Era pelo Natal. Sentiu-se feliz. Finalmente, a empresa, reconhecera o trabalho, de anos de dedicação, e pensou para consigo: sempre valeram os trinta e tal anos de zelo! …

Mas… decorrido três meses, o mesmo C.A., que o louvara, afastava-o de todas as funções! …

Admirado, indagou as razões; responderam-lhe: que não as havia.

Houve necessidade de fazer reestruturação do serviço; e como o lugar, que ocupava, iria usufruir maior salário, passou a ser cobiçado… pelas hostes partidárias! …

Em suma: terminou a carreira profissional, com reforma inferior aos colegas.

Nada vale: competência, dedicação, pontualidade, espírito de sacrifício e zelo. O que importa: é agradar ao chefe imediato, e receber apoio do partido!...

O resto: são cantigas para enganar ingénuos!

Se ao designado falta-lhe competência – mas é da nossa ideologia, – busca-se adjunto, para executar as tarefas…É assim que se costuma fazer, na nossa terra.

E enquanto assim se pensar, seremos eternamente, os coitadinhos da Europa; e a juventude, apartidária, não terá outro remédio, se não ir em demanda de outras pátrias e outros povos, onde haja mais justiça; e em que cada um, valha pelo valor e dedicação, e não, pelas ideias políticas, que diz perfilhar.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 15:59
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EUCLIDES CAVACO - PERFUME DA AMIZADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poema dedicado a todos os amigos pelo mundo dispersos. Veja e ouça o poema neste video elaborado pelo amigo Afonso Brandão e, partilhe-o com os seus amigos também.

 

 



https://www.youtube.com/watch?v=YBjIBVW3pqE&feature=youtu.be

 

 

 

 

Desejos duma semana com espírito primaveril.



 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

 

***

 

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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

Bispo diocesano de Jundiaí

 

5º Domingo de Páscoa

 

https://youtu.be/nHgMQtxjRvA

 

 

 

 

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

 ***

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:38
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