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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
JOSÉ CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 22 de outubro. DIA DAS PRAÇAS.- As praças humanizam as cidades e as relações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As praças humanizam as cidades e as relações entre as pessoas. São centros de lazer democráticos e gratuitos; abertas a pobres e ricos, crianças e idosos. Sem preconceitos, nela brincam as crianças, os idosos jogam cartas, os namorados se beijam, os cachorros passeiam e fazem xixi nos postes, todos batem papo e se encontram para fazer o que tiver vontade.

Há muita poesia e música falando de seus encantos e da sua concepção democrática. No final dos anos 60, Ronnie Von no Brasil cantava as lembranças de “um banco da pracinha onde um amor nasceu”.  O compositor Caetano Veloso a celebrizou indicando que  “a praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião”.   Na TV,  há trinta anos no Brasil,  “A Praça É Nossa” traz ao SBT muita diversão  com personagens autênticos e universais.

As praças são carregadas de gente de fé. Muitas delas abrigam igrejas que promovem atos litúrgicos prestigiados por fiéis que acabam passando por elas. São tão simpáticas as nossas recordações, que até uma pessoa quando é boa, recebe carinhosamente a indicação “boa praça”.

            Falamos tudo isso, porque 22 de outubro, é o Dia da Praça no Brasil. Momento de celebrarmos esse centro- um pouco limitado durante a pandemia - que, como propósito urbano que vincula o indivíduo à sociedade, faz com que  partilhe construtivamente da vida do seu semelhante, encerrando vários aspectos que nos levam a solidariedade.

                 As ágoras, na Grécia, podem ter sido as primeiras praças na história, já que era um ambiente público aberto para os cidadãos discutirem política. Historicamente se formaram nas cidades europeias,  normalmente  relacionadas com a configuração natural de um espaço livre a partir dos planos de edifícios que foram sendo construídos ao redor de construções importantes, como mercados centrais, igrejas, catedrais e prédios públicos, conforme publicações sobre o assunto.

               No entanto, para nós, constitui-se ainda em espaços ao ar livre, importantes à convivência social,  principalmente à consolidação de relações amistosas, local de encontros e até de reflexões e reinvindicações.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 20:30
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - A ELEGANTÍSSIMA DONA FEDÚNCIA

 

 

 

 

 

 

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No século XIX e em princípios do século XX, era frequente o recurso à poesia na propaganda comercial. Os modernos jingles eleitorais ou comerciais não dão sequer ideia do que era a penetração dos versinhos antigos! Esse poderoso recurso, que o moderno Marketing desprezou completamente, tinha, entretanto, grandíssima valia.

Para ouvidos habituados à rima, à métrica e ao ritmo, como eram habitualmente os de nossos avós, uns versinhos bem torneados se gravavam na memória de modo assombroso.

Infelizmente, hoje nem versejadores que se autoatribuem o título de poetas são capazes de pegar, de ouvido, o ritmo de uma composição poética digna desse nome, com os acentos tônicos devidamente marcados. Quando muito conseguem produzir versinhos de pé quebrado com algumas rimas forçadas de permeio... e já acreditam estar produzindo poemas clássicos!

Aconteceu com a poesia o que aconteceu com muitas outras manifestações artísticas que, facilitadas pelos recursos tecnológicos modernos, vulgarizaram-se em demasia e, por isso mesmo, perderam a qualidade. Tal se deu com a pintura, a escultura, a fotografia,

Os leitores brasileiros que tenham mais de 60 anos com certeza se lembrarão dos velhos e saudosos bondes, nos quais, indefectivelmente, a par do anúncio da Pomada São Sebastião, vinha a figura de um rapaz forte e bem apessoado, com os seguintes versinhos: “ Veja, ilustre passageiro, /  O belo tipo faceiro /  Que o Sr. tem ao seu lado; /  E no entanto, acredite, /  Quase morreu de bronquite, /  Salvou-o o Rum Creosotado.”

Graças a Deus, não sofro de bronquite... Mas se algum dia tiver a infelicidade de apanhar essa doença, com toda a certeza imediatamente procurarei saber, em alguma farmácia, se ainda existe esse miraculoso "Rum Creosotado", de tal maneira me ficou ele na memória desde a primeira infância.

Lembrei-me mais uma vez do Rum Creosotado em minha penúltima viagem a Portugal, quando tive ocasião de rever ─ e quantas saudades tinha disso! ─ o tradicional bar A GINJINHA, bem no centro lisboeta. Fica ele na Travessa de São Domingos, n° 8, a dois passos do Rossio, em direção a quem vai à Rua das Portas de Santo Antão, ou à Igreja de São Domingos (igreja que há mais de 40 anos incendiou-se e até hoje conserva as terríveis marcas do incêndio).

Minúsculo, terá, no máximo, uns 10 ou 12 metros quadrados, e está quase sempre cheio. Nele se consome exclusivamente a ginjinha, aquele delicioso licor popular tipicamente luso, obtido por maceração das ginjas - espécie de cereja muito comum na Extremadura portuguesa -em bagaceira e açúcar. Atribuem-se (ignoro se com razão)─ excepcionais qualidades reconfortantes à ginjinha. Ela é servida, habitualmente, num copo pequeno, no fundo do qual se deposita uma das frutinhas, que é comida após o último trago.

A propaganda dessa taberna é feita exclusivamente por meio de versinhos, sem falar, é claro, da difusão de boca a ouvido dos incontáveis apreciadores. Na parede externa, figura uma imensa estampa, com o desenho de um velho saboreando aprazivelmente a bebida, e o seguinte sexteto: “É mais fácil com uma mão / Dez estrelas agarrar / Fazer o sol esfriar / Reduzir o mundo a grude / Mas ginja com tal virtude / É difícil de encontrar.”

Nas duas folhas da porta de vidro, vêm outros desenhos e mais versinhos. Do lado esquerdo, dois homens, um deles magro, feio, doentio, faz o gesto de quem recusa uma bebida; o outro, forte, vendendo saúde, está precisamente tomando a bebida. Os versos explicam as imagens: “O Matheus é um chochinha / Mais feio que um camafeu / Magro, tísico, um fuinha / Nunca na vida bebeu / Nem um copo de ginjinha. / O irmão, que sabe a virtude / Desta divina ambrosia / É gordo como um almude / Bebe seis copos por dia / Por isso goza saúde.”

Bons tempos aqueles em que não havia a mania dos regimes de emagrecimento, nem a ditadura da dietética!

Na folha direita da porta, figuram duas mulheres, igualmente de aspectos bem diversos. A da esquerda é magra, feia, com ares pouco sadios, a da direita é gorda, forte, saudável, vistosa. Por baixo, os seguintes versos: “Dona Fedúncia da Costa / Delambida e magrizela /   Fez de ser tola uma aposta /   Diz que ginjinha, nem vê-la, / Porque, coitada, não gosta. / E a ama de um reverendo / Que é das bandas da barquinha / Tem um aspecto tremendo / Bebe aos litros de ginjinha / E é isto que se está vendo.”

A pobre Dona Fedúncia da Costa, assim ridicularizada, por certo nasceu em época errada. Em nossos dias, talvez sua magreza lhe valesse o título tão ambicionado de top-model. Seria considerada maravilhosamente elegante...

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



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CINTHYA NUNES - PARADOXOS

 

 

 

 

 

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            A quantidade de lixo pelas ruas das cidades, sobretudo em uma cidade grande como São Paulo. Pelas ruas se encontra todo tipo de descarte. Parece-me que grande parte das pessoas simplesmente não se importa. Jogam lixo pela rua como se as coisas fossem ser absorvidas pelo concreto ou pudessem desaparecer como mágica.

            Sempre que posso, ao menos na rua onde vivo, recolho uma infinidade de coisas que as pessoas descartam. Tampinhas, copos, garrafas, papel, anúncios de propaganda e restos de comida. Sei de algumas pessoas no bairro que fazem o mesmo. O restante fica para a Prefeitura recolher, mas é como enxugar gelo, já que todos os dias há mais e mais.

            O curioso é que noto muito mais gente reclamando das folhas e flores que caem de algumas árvores do que da imundície deixada pelos seres humanos. Assim, há sempre pedidos para que árvores sejam cortadas, além das muitas que, criminosamente, são arrancadas pelos moradores incomodados com a “sujeira” que elas produzem. Acho difícil de entender, admito.

            Pelas ruas do bairro, fazendo uma caminhada com minhas cachorrinhas, notei duas esquinas que, frente a frente, exibiam situações muito distintas. Em uma delas o lixo colocado pelos moradores, que na origem estava acondicionado de forma correta, encontrava-se revidado e espalhado para toda parte. Na outra, o chão estava amarelo, coberta das inúmeras florezinhas que a chuva da noite anterior fizera cair da imensa árvore. Era como céu e inferno. Só não sei como muitos invertem essa percepção.

            Saindo da cidade de São Paulo, de carro, pelas marginais, uns dias depois, vi que os muitos Ipês estavam em flor. Flores roxas e rosas coloriam o gris habitual. Circundavam o rio quase morto e fétido. Impossível abrir a janela do carro, pois o cheiro, insuportável, atingia não apenas meu olfato. Houve um momento, há décadas, no qual acreditei que veria os rios Tietê e Pinheiros despoluídos. Hoje já não acredito mais, restando apenas imaginar a vida que um dia neles foi abundante.

            Sou incapaz de jogar qualquer coisa que seja na rua. Procuro um lixo para fazer o descarte correto, seja lá do que for. Primeiro porque me ensinaram desde criança a agir desse modo e depois pelo que acredito e quero para o mundo. Ainda assim sei que indiretamente contribuo para o lixo no mundo apenas por existir e consumir. Tenho consciência da minha participação no caos, portanto.

            Por mais que eu saiba que poluição, pobreza e ignorância seja uma tríade que anda de mãos dadas, é inegável que o descarte de lixo pelas ruas é feito por pessoas de todos os níveis sociais, o que é ainda mais lamentável, pois reflete somente descaso, desrespeito. Além disso, temos o despejo de esgoto clandestino, não tratado, feito por muitas empresas que apenas se preocupam com o lucro, como se fosse possível comer dinheiro e se não precisássemos de água limpa para viver.

            Por outro lado, admiro o trabalho de formiga de algumas pessoas que, reunidas, tentam fazer algo para que tudo não fique pior. Recolhem lixo de manguezais, de rios, de praias, das ruas, das matas, cientes que os recursos não são infinitos, de que, se nada for feito, um dia seremos soterrados em meio a tanta sujeira, tanto daquela que conseguimos ver, como daquela invisível aos olhos.

 

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada, professora universitária e queria que todo lixo jogado na rua e nos rios aparecesse, num repente, na casa de quem jogou – cinthyanvs@gmail.com/www.escriturices.com.br

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - A RESPEITO DA DELICADEZA

 

 

 

 

 

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Esta crônica nasceu de um gesto de ternura dos primos Ana Clara Bispo de Souza (oito anos) e Gabriel Bispo Xavier da Silva (doze anos). São alunos da Casa da Fonte, projeto socioeducacional mantido pela Companhia Saneamento de Jundiaí – CSJ. Junto com outras crianças, sob a supervisão dos professores, colhiam grumixama (também conhecida como cereja silvestre) para consumo no espaço. Na administração, estávamos em três pessoas. Encheram três copinhos descartáveis, colocaram em cima um jasmim e nos ofertaram. Considerei de uma doçura incrível! Sopro com leveza em um mundo áspero e repleto de desatenção.
Um ponto de meiguice no coração puxa outro.
Recordei-me de uma colocação de Clarice Lispector (1920-1977), uma de nossas escritoras maiores: “Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza” e da música “Luz do Sol” de Caetano Veloso: “Que a folha traga e traduz/ Em verde novo/ Em folha, em graça/ Em vida, em força, em luz. / Céu azul/ Que venha até/ Onde os pés/ Tocam na terra/ E a terra inspira/ E exala seus azuis. / (...) Marcha um homem/ Sobe o chão/ Leva no coração/ Uma ferida acesa/ Dono do sim e do não/ Diante da visão/ Da infinita beleza. (...) Finda por ferir com a mão/ Essa delicadeza/ A coisa mais querida/ A glória, da vida...”
Jesus transbordava compaixão no olhar com delicadeza e paciência, que acalmava, curava e ressuscitava. Foram testemunhas Suas os leprosos, o centurião, os paralíticos, Jairo, os cegos, os apóstolos que se encontravam em mar revolto, o povo que se encontrava com fome, os possuídos pelo demônio, o homem de mão ressequida, os endemoninhados, a mulher cananeia, o surdo-mudo, a sogra de Pedro, os irmãos Marta, Maria e Lázaro, a viúva de Naim, o bom ladrão, Nicodemos, a mulher adúltera, a mulher que lavou Seus pés com lágrimas e os enxugou com os cabelos, Verônica ao ter o rosto do Senhor, a caminho do Calvário, gravado no linho que possuía nas mãos... Lavou os pés dos discípulos, deu-nos um Mandamento novo e falava em parábolas com o propósito de um entendimento maior para a comunhão com o Pai. Deixou-nos a parábola do Bom Samaritano: olhar, comover-se, cuidar das feridas e retornar a fim de conferir se a vida foi salva.
Os olhos de Jesus também Se estendiam às obras da criação para tocar com afeto a alma das pessoas. Disse Ele: “Considerai os lírios, como crescem; não fiam, nem tecem. Contudo, digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles. Se Deus, portanto, veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se lança ao fogo, quanto mais a vós, homens de fé pequenina! (...)Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino” (cf. Lucas 12, 27-28.32).
Pensei ainda na canção “Leve e Suave” de Lenine: “Há de ser leve/ Um levar suave/ Nada que entrave/ Nossa vida breve/ Tudo que me atreve. / A seguir de fato/ O caminho exato/ Da delicadeza/ E ter a certeza/ De viver no afeto/ Só viver no afeto”.
Assim mesmo para dar um novo tom a cada dia.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:08
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PÉRICLES CAPANAMA - IMPERIALISMO CHINÊS MUNDIAL

 

 

 

 

 

 

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Imperialismo e colonialismo. Característica importante das potências colonizadoras e ainda das imperialistas, tantas vezes decisiva, têm créditos enormes a receber dos países sob seu domínio. Melhorando, créditos a receber de empréstimos normais ou subsidiados, bem como a agradecer donativos; são várias as formas de retribuição. Essa teia amarra e subjuga. Quem pede dinheiro emprestado e tem dificuldades de pagar, torna-se facilmente vítima de chantagem, perde pelo menos parte da liberdade. Devedor acaba ficando na mão do credor. É real entre indivíduos, é real entre países. Uns, os credores, tendem a agir como potências colonizadoras (ou imperialistas); os mutuários, os devedores, sobretudo quando não estão conseguindo pagar, como colônias, protetorados, satélites, estados clientes, confessados ou não, pouco importa, a realidade é o que conta. De alguma maneira, a situação se repete e até se agrava com créditos subsidiados e doações.

 

Créditos para 165 países. Grupo internacional de pesquisadores, (AidData), mais de 135 pessoas altamente qualificadas, ligado ao Global Research Institute (William & Mary’s), antiga e prestigiada instituição dos Estados Unidos, publicou em setembro último pesquisa iniciada “grosso modo” em 2013 sobre o intenso financiamento de projetos de várias naturezas realizado nos últimos anos pelo governo chinês, em especial por meio de bancos estatais e de empresas estatais do país. Em resumo, assevera a pesquisa, até o presente momento foram ou estão sendo financiados 13.427 projetos em 165 países, em especial de baixa e média renda per capita. No Brasil, apenas como exemplo, estão em curso vários projetos bancados com dinheiro chinês, de modo particular destaco por sua influência na cultura a instalação de numerosos “Instituto Confúcio” em universidades e grandes cidades. A instituição estatal chinesa oferece de modo sobressalente cursos de chinês e intercâmbios. Por exemplo, em São Paulo, o mencionado instituto está presente em 13 cidades. É trabalho contínuo, anos e décadas a fio, de derrubada de barreiras ideológicas. No Brasil, no conjunto, estão financiados pelos chineses 134 projetos, totalizando 39 bilhões de dólares ▬ empréstimos normais e empréstimos subsidiados. O total de financiamento chineses hoje no mundo está por volta de 843 bilhões de dólares (os dados estão na rede, relatório de 166 páginas, arquivo PDF, título “Banking on the Belt and Road: insight from a new global dataset of 13,427 Chinese development projects”). Desses 165 países, 42 têm dívidas com a China que excedem 10% de seu Produto Nacional Bruto. 334 instituições chinesas estão envolvidas na concessão dos empréstimos, dentre as quais se sobressaem ministérios, gigantes estatais e dois bancos estatais: CDB (China Development Bank) e China Eximbank, o banco destinado ao financiamento das exportações. De outra fonte (Refinitiv) vem a informação, existem 2.600 projetos vinculados à iniciativa Belt and Road, para os quais seriam necessários 3,7 trilhões de dólares em financiamentos.

 

US$385 bilhões de dívidas com a China desconhecidas de organismos internacionais. Do total das dívidas, cerca de US$385 bilhões de dólares não estão sendo contabilizados ou aparecem subcontabilizados nos órgãos de controle internacionais. A maior parte dos financiamentos envolve países que estão incluídos na implantação da chamada BRI (The Belt and Road Initiative – um cinturão, uma rota, em tradução livre), política do governo chinês iniciada em 2013, comportando gigantescas aplicações de capital para construção em particular de obras de infraestrutura (estradas, portos, hidrelétricas, aeroportos), com término previsto para 2049. Estabelecerá mastodôntica malha comercial centrada na China. Oficialmente, envolve 142 países, aqui incluídos países da América Latina e do Caribe. A China, concluída a presente iniciativa em curso, passará a ter papel semelhante à Inglaterra no século XIX e aos Estados Unidos no século XX. Seria uma nova Rota da Seda, malha comercial de intenso comércio entre 206 a. C e 220 d. C. De outro modo, tendo a China como centro, uma nova era de imperialismo comercial.

 

Contra-ataque ocidental. De momento, a China está aplicando aproximadamente 85 bilhões de dólares por ano em tais projetos, mais que o dobro das verbas destinadas a iniciativas semelhantes pelos Estados Unidos, por volta de 37 bilhões de dólares anuais. Contudo, com estímulo bipartidário e ainda apoio dos aliados mais importantes (Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França e Japão), a Casa Branca começou a pôr em prática o programa “Build Back Better World - B3W” (Construa de volta (ou de novo) um mundo melhor, em tradução livre), anunciado em junho de 2021 na reunião do G-7. O presidente Biden colocou como meta, até 2035, aplicar até 40 trilhões de dólares em tal iniciativa, de modo geral, obras de infraestrutura em países pobres ou de renda média. Óbvio, a execução ainda depende de numerosos fatores. Alternativa ao BRI chinês, será antídoto poderoso contra o retrocesso representado pelo expansionismo comunista, veneno mortal. Poderá significar a permanência da liberdade e da prosperidade para dezenas de países, talvez mais de cem. Esperemos que a recente decisão política, ainda sujeita a muitas chuvas e trovoadas, tenha eficácia, de outro modo, que barre o neocolonialismo chinês. Seria grande avanço civilizatório. Todas essas iniciativas de contenção do expansionismo chinês dependerão da vivacidade da reação do público. Reatividade popular, aqui deve estar nossa maior atenção.

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



publicado por Luso-brasileiro às 20:02
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 58 - AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 5ªSÉRIE 8ª. A ESPONTANEIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A espontaneidade  é uma palavra que vem do latim”sponte”, que significa livre,de boa vontade, voluntário..É a  condição de algo ou alguém que é espontâneo, ou seja, que age de modo natural, verdadeiro e simples. É uma resposta imediata a uma situação, a  um desafio, mostrando a nossa atitude perante um problema.

 Algumas pessoas têm dúvidas sobre a grafia correcta desta palavra: espontaneidade ou espontaniedade. A forma correcta é espontaneidade. Quando se diz que determinada pessoa age com espontaneidade significa que o seu comportamento é original, simples e verdadeiro.

Sinónimos da espontaneidade:- aquiescência, naturalidade, fluência e  voluntariedade.

 

Espontaneidade das reações. Em química, são conhecidas como reações espontâneas aquelas que são iniciadas sem a necessidade d uma influência externa. Por outro lado, as substâncias(químicas ou físicas) que necessitam de uma influência externa para que possam originar uma transformação são conhecidas como não espontâneas.

 

Ser espontâneo. Não é este um os valores que o homem e a mulher actuais mais apreciam? Para muitos, ser espontâneo é a única maneira de ser autêntico. Perdida a espontaneidade, perdida a autenticidade. Espontaneidade e autenticidade s

Ao duas atitudes que não se identificam, ainda que muitos pensem o contrário. Para esclarecer esse equívoco, é preciso afirmar que a espontaneidade, em si mesma, Não é nem boa nem má, pela simples razão de que a  espontaneidade é apenas uma constatação; a única coisa que fazem o pensamento espontâneo, a palavra espontânea, o gesto espontâneo  é abrir uma janela na alma,. mostrar como que através  de um vidro o que no interior. O que temos dentro vê-se pelo que sai espontaneamente  para fora.

Se alguém tem preguiça, vai sair preguiça,  se guarda rancor., vai sair rancor; se cultiva amor, vai sair amor. Como uma chapa do pulmão, que revela, mas não melhora nem piora a saúde Então por que chamamos “autenticidade” a uma coisa  como a espontaneidade  que, em termos de valor, é perfeitamente neutra? No caso, a confusão não é só de palavras, mas de ideias. ; e isso é muito perigoso, porque as ideias determinam a conduta. Nada há, talvez, mais espontâneo do que os nossos desejos, «bons ou ruins. Pois bem, se confundirmos a autenticidade com a  espontaneidade, será  lógico pensarmos – como muitos fazem – que a atitude mais “autêntica” é a de seguir os nossos desejos sejam ele quais forem, deixar-nos levar pelas nossas apetências e “vontades”.

Quando perdeu a sua espontaneidade?

Imagine-se a entrar numa sala com uma palavra com 500 pessoas desconhecidas, e  um senhor no palco o chama para falar durante 30 minutos. Foi apanhado se surpresa, sem aviso prévio,  nos dois minutos que  caminha até ao palco, sabe que terá que ter um discurso de improviso.  Um discurso de improviso  é um bom exemplo de espontaneidade. Quantos de nós iríamos caminhar até ao palco de ânimo leve e descontraído?.

 

Quando crianças somos espontâneos .Falamos o que penamos sem medo, sem o autojulgamento se a palavra está certa ou errada, bem pronunciada ou não .Resolvemos ir ter com alguém à rua, mesmo que nos seja totalmente desconhecido, sorrir, abraçar, sem o filtro de devemos ou não fazê-lo Fazemos pelo acto em si. Contudo, também em criança, aprendemos regras d convívio social, regras morais, valores,os comportamentos certos e os errados, que nos irão moldando. E .essas regras nos vão castrando, pouco a pouco, a espontaneidade. Na educação, nos ensinam a desenvolver o intelecto, a coordenação motora, mas não nos ensinam ou incentivam a manutenção da espontaneidade. Na educação, nos ensinam a desenvolver o intelecto, a coordenação motora, mas não nos ensinam ou incentivam a manutenção da  espontaneidade. A espontaneidade é o que permite mostrar-se, sem se reprimir, sem ultrapassar  limites, com bondade no coração, para com o outro, para consigo mesmo, e por isso flui, como o fluir da água nas curvas e contracurvas de um rio. A espontaneidade permite-nos entrar em contacto com a liberdade, de fazer a coisa de uma nova forma, sem medo, actuando no agora, no presente, com as circunstâncias que nos encontramos e da maneira mais adequada. Para isso a espontaneidade é a  manifestação do seu ser, da entrega, que abandonou a censura dos pensamentos – certo  ou errado, devo ou não devo. É o momento da expressão do seu ser.

 

Para reconquistar a espontaneidade que foi assaltada pelo medo, e refém das convenções morais e sociais a que fomos formatados, e que continuamos a sê-lo na sociedade que vivemos, temos de vencer os medos – medo de rejeição, da exclusão, de errar, de se expor, de não ser bom o suficiente, de como o outro irá reagir, de dizer amo-te sem pensar que é fraco. É no medo. Nas regras e limitações que deixa de ser expontâneo. Passa a ser rígido, a viver no mundo do preto e branco, deixa de responder criativamente a realidade, deixa de passar os momentos de alegria, as oportunidades, deixa adormecida uma grande riqueza interna, que o permite ser mais quem, é, deixa de expressar mais a sua alma, e ser mais feliz. A espontaneidade permite-o libertar-se das amarras, de deixar partir a paralisia, de fazer realmente o que gostaria e não o que a convenção social dita como certo, de respirar vida, de amar livremente, de expressar a sua alma, de viver o momento que em criança a espontaneidade permitia-o ser feliz no momento, naquele instante.

 

Já referia Jacob Moreno:”Se a espontaneidade é o factor para o mundo do Homem, porque é tão pouco desenvolvida? A resposta é: o Homem tem medo da espontaneidade, como seu ancestral tinha medo do fogo; teve medo do fogo até que aprendeu a fazê-lo. O Homem terá medo da espontaneidade até que aprendeu a treiná-la. Eu diria, vença o  medo, use o momento, expresse a sua alma que emergirá a sua espontaneidade.  Recorde que de momento em momento, o caminho da sua vida é  construído, de forma mais leve, original, livre ou de forma mais limitada, repressiva e  pesada.

 

A espontaneidade e a Bíblia.

*S. Mateus 6,7 : “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos”.

*Carta de S. Paulo a Filemon: 1,14 “Todavia, não quis fazer nada sem o teu consentimento, para que qualquer favor que venhas a fazer seja fruto da tua espontaneidade e não por constrangimento”.

 

Procuremos fazer as coisas  com espontaneidade.  

 

  

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 19:53
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JORGE VICENTE - OUTONO FRIO...

 

 

 

 

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Pode ser uma imagem de árvore e texto que diz "Outono Outono frio de Outubró, Já com folhas mortas caídas. Que pela manhã descubro, Muitas delas amontoadas! São como muitas das vidas, Com faces desfalecidas. Durante anos bem vividas, Agora, sempre esquecidas! Lembrando o fim duma vida, Arrastando-se pelo chão. Esperando a despedida, Com lágrimas no coração! É como todo Outono frio... Mostrando as folhas mortas E lembrando um cemitério, Onde acabam as derrotas! Jorge/Vicente Vicente"

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



publicado por Luso-brasileiro às 19:12
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FELIPE AQUINO - HÁ UM SABIÁ QUE CANTA NA CATEDRAL...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegou a Primavera, a estação mais bonita do ano; as árvores estão floridas, as cigarras e os pássaros cantando, as flores nos saúdam por toda parte revelando no espelho da Criação o Rosto belo e perfeito de Deus. Podemos exclamar: “O Céu e a Terra proclamam a Vossa Glória!”; “Tudo o que criastes proclama o Vosso louvor!”, assim reza a Liturgia com ainda mais convicção.

 

 

 

SABIA

 

 

 

No meio de toda esta maravilha que mostra a beleza da vida, neste verdadeiro show da natureza, há coisas impressionantes: uma abelha que capta o néctar de cada flor para fazer o mel; o beija flor que paira no ar para sugar a doçura da flor; as borboletas que esbanjam suas cores ao voar por entre as rosas, violetas, azaleias, crisântemos… É o show da vida! É a época em que o Criador mais nos revela a Sua grandeza, beleza, amor e transcendência a nós. Se a Terra já é tão linda, fico imaginando o Céu!

Eu gosto de ir à santa Missa todos os dias na belíssima Catedral de Lorena, que já tem mais de cem anos, maravilhosamente projetada e construída com muita beleza e carinho. Seus arcos góticos são maravilhosos e harmoniosos; sua majestade é digna da Majestade de Deus. Não me canso de agradecer a Deus pelos que a construíram em 1890. Nela eu fui batizado. Ali está aquela pia sagrada que eu beijo todos os dias, que foi “o túmulo do meu homem velho e o berço do meu homem novo”, regenerado pelas águas do santo batismo. Ali eu fiz a Primeira Comunhão e fui crismado e me casei; ali meus filhos foram batizados, crismados e casados…

Quando nela eu entro, sinto a alegria do salmista que canta: “Que alegria quando me disseram, vamos à Casa do Senhor…” (Sl 121,1); ou como disse o Cronista da Bíblia: “Escolhi e santifiquei esta Casa para que o meu nome esteja sempre neste lugar. Os meus olhos e o meu coração estarão fixos nela para sempre” (2 Cron. 7,16).

 

 

 

 

 

 

Leia também: Deus quer falar com você!

Olhe para as montanhas e eleve sua alma

As Suaves Lições da Minha Horta

Como Deus se revela a nós?

A lição de um girassol

A parábola da rosa

 

 

 

 

 

 

A Casa de Deus deve ser sempre bela. Quando o povo voltou do exílio da Babilônia, depois de 70 anos sem o Templo, destruído por Nabucodonosor, Deus falou ao povo pelo profeta Ageu:

“Eis o que diz o Senhor dos exércitos: este povo diz: não é ainda chegado o momento de reconstruir a casa do Senhor. E a palavra do Senhor foi transmitida pelo profeta Ageu: É então o momento de habitardes em casas confortáveis, estando esta casa em ruínas? Eis o que declara o Senhor dos exércitos: considerai o que fazeis! Semeais muito e recolheis pouco; comeis e não vos saciais; bebeis e não chegais a apagar a vossa sede; vestis, mas não vos aqueceis; e o operário guarda o seu salário em saco roto! Assim fala o Senhor dos exércitos: refleti no que fazeis! Subi a montanha, trazei madeira e reconstruí a minha casa; ela me será agradável e nela serei glorificado, – oráculo do Senhor. Esperastes uma abundante colheita e esta foi magra; dissipei com um sopro o que queríeis armazenar. Por quê? – oráculo do Senhor. Porque minha casa está em ruínas, enquanto cada um de vós só tem cuidado da sua. Por isso o céu negou o seu orvalho e a terra, os seus frutos. Sequei terras e colinas, trigo, mosto e óleo, todo o fruto da terra, homens e animais, tudo o que produz o trabalho de vossas mãos” (Ageu 1,1-8).

Algo simples e bonito tem acontecido em nossa Catedral neste mês de setembro, mês em que se inícia a primavera e dedicado a Bíblia. Há um sabiá que voa e canta no seu interior durante a Missa. Quando o salmista começa a entoar o Salmo Responsorial, aquele simples animalzinho o acompanha com seu canto metálico. É o louvor da criação! Não sei se ele sabe porquê canta assim, mas sei que Deus acolhe este canto de louvor, certamente para suprir aqueles que não o fazem, embora tenham uso da razão. Jesus disse que se os homens não o louvarem as pedras o fariam. Mas os pássaros e as flores se antecipam às pedras, Senhor!

É um canto divino que alegra até os ouvidos tristes e os corações amargurados. É a voz de Deus expressa no canto de um passarinho e que louva o Criador. Ele voa livremente pela imensa nave da Igreja, e de vez em quando pousa no presbitério, sobre o lustre que ilumina o altar; ali ele parece querer assistir mais de perto a cerimônia que presentifica o Calvário.

Certo dia não houve Missa na Catedral, não tinha padre, houve apenas uma celebração da Palavra. Notei que o sabiá não cantou neste dia. No final da Missa um amigo veio até mim para dizer: “Notou professor, hoje o sabiá não cantou, não teve Missa!”. Tive de concordar. Mas ele estava lá assistindo a paraliturgia.

Também é preciso aprender a ler os sinais do amor de Deus que estão espalhados por toda parte. Este simples sabiá que adorna a Liturgia com seu canto na Catedral é um deles.E se você parar um pouquinho para pensar, perceberá tantas outras demonstrações do amor de Deus por você.

Que neste dia possamos louvar a Deus por toda a criação. Por este mundo belo, colorido, dinâmico e cheio de vida que Ele criou carinhosamente para que cada um de nós pudéssemos passar os nossos dias nesta Terra. Laudato Si, Louvado sejas!

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



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PAULO R. LABEGALINI - ERRANDO E APRENDENDO

 

 

 

 

 

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Alguns anos atrás, um grupo veio ao meu apartamento fazer a Novena de Natal e, a cada mistério do terço, alguém puxava as jaculatórias. E chegou a vez de um amigo dizer o nome de algum santo de sua devoção. Como não lhe veio nada na memória, falou:

– Santa Lurdinha...

Respondemos sem muita convicção:

– Rogai por nós!

Antes de prosseguirmos a oração, uma senhora perguntou a ele:

– Existe essa santa?

– Sei lá, acho que sim – falou meio envergonhado, provocando muitas risadas.

Como sua intenção não foi brincar ou desprezar a seriedade daquele momento de fé, todos entenderam a infelicidade que o levou a quebrar a corrente de intercessão à Santa Mãe de Deus. Porém, há pessoas que articulam gracinhas para tirar a atenção de quem está rezando.

Quando eu era jovem, sempre convidava um outro amigo para ir à missa e ele desconversava. Num domingo ele concordou e, durante a celebração, puxava conversa a toda hora. No ofertório, quando a sacola de coleta chegou até nós, ele colocou a mão no bolso esquerdo da calça, depois no direito... e começou a procurar nos bolsos da blusa enquanto a pessoa que segurava a sacola continuava esperando. Aquilo foi causando certo constrangimento, até que ele pegou o lenço no bolso de trás e, rindo, começou a limpar o nariz!

Alguns diriam que ‘jovem é assim mesmo’, outros poderiam pensar: ‘é melhor estar na igreja distraído do que pecando na rua’, mas, sem dúvida, o certo é aproveitar ao máximo cada momento de comunicação com Deus. Se já são tão poucos, não podemos desperdiçá-los e jogar as graças fora. Hoje, eu também me divirto contando isso às pessoas, mas não posso concordar com qualquer falta de respeito durante a Eucaristia.

Outro fato parecido aconteceu na década de 70 na igreja de Monte Sião – atual Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Na missa de quinta-feira santa – Santa Ceia –, eu era um dos 12 apóstolos sentados atrás do altar. Meu pai sempre assava e doava um pão grande e redondo para aquela celebração. Quando o alimento começou a passar de mão em mão entre nós, ao invés de ‘um dos apóstolos’ tirar o seu pedaço e entregá-lo ao próximo, começou a comê-lo sozinho!

Como o conhecíamos bem e sabíamos que iria ‘aprontar’ mais cedo ou mais tarde, quase choramos de tanto rir. No dia seguinte, eu soube que, cobertos de razão, muitos criticaram a nossa má conduta naquela hora santa. Portanto, eu também já compactuei com esse tipo de brincadeira indevida quanto estava à frente de Jesus Cristo.

O importante é não continuar com os erros do passado. Atualmente, participo da missa prestando máxima atenção o tempo todo. Não me atraso, não converso, fico atento às palavras do sacerdote, canto, louvo a Deus nas orações, comungo sempre, ajudo naquilo que posso, enfim, aceito os chamados para estar próximo do meu Salvador. E como não cabe a mim julgar algum tipo de conduta pecadora do próximo, naquilo que não posso interferir, rezo e entrego nas mãos de Deus.

Certa vez, fui à Igreja Matriz de São Benedito em Itajubá e, ao meu lado, alguns convidados riam e conversavam em voz alta, tirando a minha concentração. Então, pedi a Nossa Senhora que tomasse conta deles por mim. Imediatamente se afastaram e saíram pela porta ao lado.

Quem já rogou à Mãezinha com fé sabe que a providência da Virgem Maria não tarda. Isso prova que não devemos nos exaltar e xingar os irmãos que ainda não têm a nossa espiritualidade. Tudo se resolve com paciência, perdão, amor e fé – como Jesus e seus pais nos ensinaram. Quem pratica a verdadeira caridade sabe bem como agir em todos os momentos.

Quando rezamos o Pai-nosso, pedimos: ‘Venha a nós o Vosso reino’; na oração do Creio, professamos a fé na comunhão dos santos; na linda e santa recitação da Ave-Maria, o nosso coração se exalta confiante nas palavras: ‘rogai por nós pecadores agora’; portanto, somos muito protegidos e nada devemos temer.

Ninguém é mais ou menos amado por Deus, apenas recebemos o que plantamos – de bom e de ruim. Se estivermos em estado de graça – sem maldades e pecados mortais –, tudo o que acontece contribui para um bem maior.

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI   -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:46
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - UM HOMEM DE PESO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando as ruas das nossas cidades eram rigorosamente vigiadas, sacudir, para a via publica: tapetes, carpetes... e até simples pano de pó,  era expressamente proibido.

Quem não cumprisse a Lei, sofria pesada multa.

Meu pai, devido à doença, que vitimou minha mãe, contratou criadita, para realizar  o meneio da casa  - casarão de alforge com dez quartos! - Reservou, porém, à esposa, a alegre tarefa de confeccionar as refeições.

Apesar de avisada, esta,  habituada a lidar em moradias da província, sacudia descuidadamente, tudo ou quase tudo, à janela, sem se preocupar com quem passasse no passeio.

Certa ocasião, ao sacudir o pano de pó, não reparou, que bem defronte ao prédio, estava, parado um policia dos antigos, daqueles que não perdoava a multazinha...

O guarda logo interrogou a vizinhança, com o fim de se inteirar da atrevida. Disseram-lhe que a casa era do Senhor Máriozinho...

- Máriozinho quê?! "- interrogou o janizairo.

- Não sabemos - responderam as mulheres.

Mas, a mais expedita informou: que o Senhor Manuel, dono da mercearia devia saber.

Todo lampeiro, o policia entrou na loja, de nariz empinado.

O senhor Manuel ouviu-o atentamente e nformou-o:

- É o senhor Mário Pinho. Homem de peso; e muito considerado...

- " É homem de peso ?! - Interrogou o agente de autoridade, estampando no rosto, expressão de receio.

- Sim: e até escreve nos jornais!...

- "Ah!; muito obrigado...Muito obrigado. Se é homem de peso e escreve, é melhor esquecer a multazinha...

Mais tarde, meu pai, ao conhecer o dialogo travado com o merceeiro, comentava, sentado à mesa oval, de mogno polido, onde tomávamos as refeições:

- " Realmente sou homem de peso... Peso oitenta e dois quilos..."

Assim se livrou da multa.

Somos todos  iguais - dizem os entendidos, - mas há uns, mais iguais, do que  outros...

A lei é para todos. A justiça é cega... Mas, já dizia o nosso clássico Padre Manuel Bernardes:

" As leis são como as teias de aranha. Se cai nela uma pedra, rompe-a, e fica ilesa; se cai nela a mosca, fica presa, e paga o seu descuido ou atrevimento. Assim os grandes zombam das leis, e o  castigo de se quebrarem, fica só para os pequenos."

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 17:41
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EUCLIDES CAVACO - AGUARELA DE LISBOA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu fraterno abraço de sincera amizade.
 
 
 

  EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

***

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

Leitura Recomendada:

 

 

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Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

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***

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL


https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confissões.

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:28
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