PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Cfd. ALUIZIO DA MATA - CAPELA DA MINHA INFÂNCIA

                         

 

 

Hoje, 27 de novembro, dia consagrado a Nossa Senhora das Graças me deu vontade de enviar uma mensagem que considero muito especial, já que a  Mãe de  Jesus é muito importante para os vicentinos. Para quem não sabe, estas foram as palavras de Maria numa aparição a Santa Catarina Labouré, irmã da Família Vicentina, em 27 de novembro de 1830, quando ela mandou cunhar uma medalha que passou a ser conhecida como Medalha Milagrosa:

"Todas as pessoas que usarem a Medalha receberão grandes graças, trazendo-a ao pescoço".  "As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança”. 

Tempos atrás tive a oportunidade de passar perto do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Sete Lagoas. Eram 5 horas da manhã e parei o carro em frente da capela. De onde estacionei, via o prédio ainda às escuras.

De repente, pelo vitral, percebi que alguém acendera a luz da capela. Pouco depois as portas se abriram e pude entrar.

A minha imaginação correu no tempo e me vi anos atrás, naquele mesmo lugar e lembrei-me de quando ainda era criança. Quantas missas  havia assistido no mesmo horário das 05h15min h da manhã, junto com a minha mãe. Morávamos a um quarteirão de distância.

Ao entrar na capela vi, com emoção, o mesmo crucifixo iluminado por trás, e do lado direito do altar  a mesma imagem de Nossa Senhora das Graças, com sua coroa e raios iluminados saindo de sua cabeça e de suas mãos, nos mostrando as bênçãos que ela derrama constantemente sobre nós.

Vi a mesma religiosa, irmã Lourdes, já bem velhinha, mas ainda a primeira a chegar à capela, a bater o sino chamando os fiéis vizinhos.

Outras das antigas irmãs, já não estavam mais presentes.

Aos poucos foram chegando as pessoas, muitas das quais eu conhecera na minha infância.

Das pessoas que assistiam as missas antigamente, muitas não mais se encontram neste mundo, inclusive a minha mãe.

Algumas pessoas que naquela época eram  mais jovens, agora já se apresentavam idosas.

Quanta saudade!

No passar dos anos, quantas pessoas por ali também passaram. O padre Agenor, capelão já não mais vivente, também veio à minha lembrança. Vivia para assistir aos doentes.

Posso testemunhar a dedicação de muitas e muitas irmãs de caridade, não só na capela, mas zelosas no hospital, onde eram um misto de tudo: Eram enfermeiras, conselheiras, amigas.

O progresso transformou o hospital, inclusive  no seu aspecto físico. Desmancharam uma bela construção antiga e ergueram um moderno edifício. O atendimento, que era quase pessoal (conhecia-se todo mundo, médicos, enfermeiros, pacientes); hoje se tornou impessoal. Quase ninguém conhece ninguém.

Somente as irmãs de caridade não mudaram. Continuam prestando um serviço que não encontramos igual em outro lugar.

A SSVP nunca teve seus assistidos recusados naquele hospital. Eram tratados como se clientes ricos fossem. Nos dias de visita os vicentinos, em grande número, lá estavam presentes. Nós alegrávamos os doentes e eles alegravam nossos corações.

Muita coisa mudou. Menos a caridade, e a Capela, que tiveram o bom senso de nela não tocar.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 11:56
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