PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 27 de Dezembro de 2009
ANTÔNIO J. C. DA CUNHA - HISTÓRIAS QUE ME TRAZEM EMOÇÃO

 

 

 

Hoje, 26 de dezembro, tenho coisas para lembrar.

 

São coisas que me trazem saudade, mas que acrescentam à minha existência.

 

Lembro-me de minha prima Regina Maria, que estaria Soprando velinhas ao som da música "Parabéns para você", pois hoje é o dia de seu aniversário. Deus limitou seu tempo de passagem por este mundo ea convocou com 60 anos de idade. Era alegre, extrovertida, apesar da dura-Existência nos anos criando Viveu que, sem o marido, seus dois filhos, Orlando e Maria Regina. Viuvara, aos 26 anos de idade. Através dela, lembrava-me de nossa avó Beatriz Ribeiro Valrego, de Trástola (Geraz) que, também jovem, ficara sem o seu marido, Antônio Joaquim Coelho (da Pena), que lhe deixou 5 filhos, ainda crianças: Maria, Lídia, Manuel Evaristo, Rosa e Silvina. Lídia (Lidinha da Pena), a minha mãe.

 

26 de Dezembro de 1954! Dia em que me tiraram do lugar de Guichomar (Geraz), onde nasci em (1940) e onde retornei para o reencontro, 30 anos depois. Tudo era igual, menos as pessoas. Como morreram mais antigas,; os jovens cresceram e muitas outras nasceram. Senti-me como que retornando tempo não. Um verdadeiro túnel do tempo conduzindo-me ao passado! As casas mesmas! Os mesmos campos. Muitas das minhas árvores Existiam ainda. Outras Porém, como algumas oliveiras, abriram espaço para novos Vinhedos nos campos REAL. Os mesmos montes! As fontes mesmas!

 

Os passarinhos! Esses igual cantavam ainda! Não evoluíram na música!

As estradas da minha aldeia, com algumas alterações conservavam as curvas mesmas. O Lugar das Alminhas, que antes era só de Campos, já me Apresentou uma nova casa, a do Manuelzinho de Fijo. Depois a Pena de Baixo, a Pena de Cima e Santa Tecla, onde ainda existem as ruínas de uma velha Igreja.

 

Naquele tempo, na casa de meus pais, minha casa, a figura do Natal era o menino Jesus. Diziam-me que ele entrava pela chaminé e trazia presentes para os meninos que se comportassem bem. Ele os deixaria sobre a mesinha de cabeceira. Algumas noites de Natal, fiquei acordado esperando por ele! Ficava intrigado com tal proeza: a chaminé de minha casa era alta e estreita. Tinha um ar sinistro quando se olhava para ela a partir da Pedra da lareira. Tudo negro. Um túnel sem fim. Difícil imaginar um menino um descer por ali, durante a noite, quase sempre chuvosa e de muito frio.

  

Esforçava-me pelo bom comportamento.

Queria muito alguns brinquedos.

Nunca os tive. Sempre os confeccionava com cascas de cortiça ou de pinheiro manso. O máximo que ganhava era uma roda nova, de madeira, que meu pai produzia, pois ele era carpinteiro, nascido em Águas Santas e criado em Moure. Com uma haste apoiada ao ombro, onde pendurava uma sacola de pano com os cadernos e livros, lá ia eu. Ela era a minha companhia nas minhas idas e vindas da Escola do Olival, onde aprendi a escrever e ler, sob os cuidados do Professor Joaquim Guimarães. Nas manhãs de Inverno, com as mãos geladas e os dedos duros, na parte da manhã era destinada à leitura e interpretação de textos.

  

Em um dos natais da minha infância decidi que estava na hora de ter uma caneta tinteiro. Eu só conhecia aquelas penas em Cabo de laranjeira eram Molhadas que não Tinteiro colocado nenhum canto da carteira escolar, que nós produzíamos com tinta com pó de permanganato adquirido na farmácia. Tínhamos uma farmácia entre o Largo de Monsul ea Igreja!

  

Então decidi, pedi-la nesse ano. Escolhi o papel mais bonito que tinha em casa e escrevi uma longa carta a explicar porque precisava tanto da caneta tinteiro e porque eu a merecia. Pousei a carta na lareira junto e deixei-lhe alguns "Pinhões" e "nozes", como que um presenteá-lo, e volta e meia ia espreitar para ver se ele já a tinha vindo buscar. A carta desapareceu de lá e fiquei radiante . Ele agora já sabia e iria atender ao meu pedido.

  

Esperei pela Grande de hora. A caneta não veio. Fiquei confuso. Afinal, o que eu teria feito eu de errado?

Passados uns tempos descobri uma carta guardada numa das gavetas da minha mãe.

 

Foi assim que descobri que não havia Menino Jesus nem Pai Natal. Que nunca ninguém me iria dar nada. E foi assim que comecei a grande luta com a vida. A Conquista da dos meus sonhos. Sonhos que vim realizar nesta terra chamada Brasil. Mas sem esquecer a terra onde nasci e os amigos e parentes que lá deixei e que agora aproveito para envolver num saudoso e apaixonado abraço. São muitos, e hoje estão espalhados pelo mundo: Estados Unidos da América, Canadá, Martinica, França, Suíça, Itália e em muitos pontos de Portugal.

 

Boas festas. Um Bom e Feliz Ano Novo.

 

ANTÔNIO JOAQUIM COELHO DA CUNHA        ajccunha@openlink.com.br

Do Rotary Club Duque de Caxias.

Da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes.

Vice-Presidente do Conselho Consultivo da CNEC/RJ

Campanha Nacional de Escolas da Comunidade

Residente no Brasil há 55 anos. Natural da freguesia de Geraz do Minho, – Lugar de Guichomar.

    

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:27
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