PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CORAGEM PARA A RENÚNCIA

                       

 

 

Querida leitora, querido leitor, desejo a você e a mim, para 2011, coragem para a renúncia ao que impede o bem, a fim de que experimentemos amor pleno, sonhos maiores, paz sem poderio bélico e liberdade real.

Em princípio, a palavra renúncia parece de tom fúnebre. Mas quantas vidas foram salvas a partir de um não a nós mesmos e aos outros. Renunciar, pela virtude, é repelir o que nos algema e prende à terra. Renunciar machuca, em maior ou menor intensidade, porém é dor, mesmo que sangre, com vitória, pois dignifica a vida. 

Na manhã de Natal, deparei-me com o jovem que conheci menino. Encontrava-se em pranto na rua deserta. Cresceu em terreno frágil, no qual era preciso pisar com cuidado para não afundar. A mãe, de história de desencontros, buscou para ele um rumo que não era o dela. Pouco estável, ele não recusou o crack. O crack é do pântano e com ele vêm inúmeros outros delitos, assombrações e cova profunda. De uma hora para outra, o jovem desapareceu. A mãe o buscou em hospitais e cadeias durante dois anos. Para se conformar, acreditava, em seus desvarios, que ele se acertara, em cidade longínqua, com uma companheira que cuidasse dele. No enterro da mãe, há alguns meses, assassinada brutalmente, as pessoas comentavam sobre ele. Onde encontrá-lo para se despedir dela? Ou ele partira antes e se encontrava enterrado como indigente?  Cumprindo pena, em cidade distante, um erro de digitação no nome dele impediu que a mãe o encontrasse e ele, até a “saidinha” da penitenciária, imaginava-se esquecido por ela. Ao aqui chegar, foi informado sobre seu sepulcro. Contou-me que, na prisão, rejeitara a outros erros. Fez por merecer a “saidinha” do final do ano. Ao cumprir a pena, contudo, como sobreviver, aqui fora, sem o apoio dela? Lamentou-se, em soluços, não ter ouvido os conselhos maternos, não ter, como os irmãos, renunciado ao mal.

Aniquilar-se, despojando-se do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da pretensão de nos fazer valer, faz com que, conforme escreveu o padre Gabriel de Santa Maria Madalena O.C.D. (1893-1953), cheguemos rapidamente a Belém, onde Jesus Cristo uniu-se á humanidade de modo mais íntimo e pessoal, lá onde Deus espera os seres humanos para uni-los a Si.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face recebeu de sua irmã Maria uma folha com um verdadeiro caminho da renúncia para viver em comunhão com Deus.  Dentre eles, destaco dois itens: “Tem gana de seguir seus sentimentos, de falar, de agir em uma forte emoção. – Espere, deixe passar a tempestade”. E o outro: “É levado a lamentar-se, quando sofre. – É por amor e para seu bem, que Jesus lhe dá um pedaço de sua cruz. – Bendiga-O. – Silêncio, pelo menos.”

Feliz Ano Novo, querida leitora, querido leitor, com muita coragem para a sabedoria e a força que a renúncia traz.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:20
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