PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - "ARRULHOS DA MADRUGADA"

          

 

 

Arrulhos da Madrugada”, de autoria da escritora Aparecida Mariano de Barros, livro publicado pela Literarte em 2010, traz flores de pessegueiro ao coração. Impossível não misturar os versos de Da. Aparecida com situações próprias.

Em “Quando o sono não vem”, a autora escreve que a poesia passeia por lugares que nem nos lembraríamos mais. E é verdade. Seus poemas nos levam a lembranças remotas.

“Cochilo na cadeira”. O silêncio que se preenche com a valsa “Ave-Maria”: Cai a tarde tristonha e serena... O poente é mesmo um pouco melancólico. Parece-me que possui recordações imensas e intensas, fatos que nos fugiram das mãos ao entardecer. No pôr-do-sol, tenho saudade de alguns momentos meus, de canções, de olhares, do coração batendo forte...

“O Patriarca Monteiro”: Nas horas de descanso/ tocava bandolim/ e cantava fados, soluçando saudade. Diz do avô, que partiu um ano antes da chegada dela. Relataram-lhe posicionamentos e hábitos dele. Embora não se tenham visto, beija-lhe a mão e lhe pede a bênção. Que interessante, eu também me sinto de conhecimento grande com pessoas que se foram antes ou logo depois que nasci. Disseram-me sobre elas com sentimento bonito e eu as quis para meu convívio no coração. Talvez, quem sabe, uma questão atávica.

Da. Aparecida é muito especial. É feita de doces e ternura, goiabada caseira e abraço. Contou-me, recentemente, uma lenda que me acariciou. Nossa Senhora, após a fuga para o Egito, colocou o Menino em uma sombra e, enquanto São José procurava construir-lhes um abrigo, buscava Maria um rio ou um lago para lavar as fraldas do seu Bebê. O Menino, que a observava, raspou os pezinhos no chão e da terra começou a brotar água.

Encantam-me as imagens do sertão, as reminiscências da infância da autora. No poema “Raízes”: Quando anoitece, com lamparina/ Não posso ler nem posso trabalhar,/ Então eu saio para o terraço,/ No céu eu vejo nuvem passear/ Eu leio histórias no firmamento,/ Faço poesia em renda de luar... Em outro livro seu, “Sol no Poente” – Editora In House -, comenta sobre a fogueira que ainda crepita dentro dela e pede a Deus que permita a Santo Antônio lhe dar o braço, todas as vezes que ela mudar o passo. E há, entre os Haicais, um que guardo na alma: Quis nos redimir/ Ele orou sangue suou/ Pôs luz no porvir.

Da. Aparecida é pessoa que se maravilha com o barulho dos passarinhos, os eucaliptos, a carregadeira de bois, o curió, a lua, o campanário, as charretes, troles, carraças, cavalos ajaezados, ingazeiros floridos, canecas de ágata, os trens, o matagal com seus ruídos misteriosos na outra margem do rio, o entrelaçamento das famílias. É da beleza, da harmonia nos versos e ensina, em “Horas Mortas”: Fechar as pálpebras/ aplacar o íntimo./ Jogar estrelas/ num firmamento/ nublado...

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala  - Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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