PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 29 de Março de 2011
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - FOBIAS

 

 

                 Todo mundo, ou ao menos a maior parte das pessoas, tem alguns medos secretos ou algumas fobias. Eu, por óbvio, não sou diferente. Tenho medos que remontam a tempos nos quais ainda nem me conhecia, bem como outros que não sei sequer explicar, pois são irracionais.

                Agora, se tem uma coisa da qual não gosto e ponto final, é de ir ao dentista! Não se trata de nada pessoal contra a classe, longe disso. Tenho muitos amigos e parentes que exercem essa nobre profissão, mas eu simplesmente não consigo me animar com a perspectiva de ter que ir ao dentista. Ainda bem que eles existem e que não andamos por aí banguelas ou com os dentes pobres, mas se eu pudesse evitar, não iria nunca.

                Acho que esse verdadeiro pavor remonta à minha infância e adolescência. Com mais dentes do que minha boca podia suportar, tive que extrair milhões (assim me pareceram!) de dentes permanentes e usar, por um século e meio, aproximadamente, um aparelho odioso que não só me machucava, como me deixava como meio irmã do homem de ferro.

                O único argumento que me convenceu a suportar aquilo, no auge de todas as inseguranças da adolescência, foi a outra opção, que era ficar com uma boca de crocodilo. Em nome da vaidade, cedi diante do medo e da dor. Minha pobre mãe, contudo, era obrigada a me acompanhar e se sentar do meu lado, para que eu pudesse segurar a mão dela (na verdade eu mais que beliscava, não me perguntem a razão) enquanto me arrancavam um dente que parecia ter raízes nas profundezas da minha alma.

                O caso é que, além de não gostar daquele barulhinho insuportável, eu também odeio, com todas as minhas forças, tomar injeção. Acho que mais do que tudo. Tenho fobia de agulhas. Tomo qualquer remédio só para não ter que tomar uma maldita agulhada. Por causa disso (e eu culpo os pobres dentistas, injustamente), eu preferia obturar sem anestesia, sentindo todo o processo de desgaste do dente. Lógico que isso não poderia ter deixado qualquer boa lembrança.

                Outra causa possível é que, por conta do aparelho, eu tinha que praticamente ir toda semana ao dentista. Sinto como se tivesse feito isso por vezes suficientes por toda uma vida! Houve épocas nas quais eu tinha que ir para colocar uns elásticos que deviam fazer tração nos meus dentes, para que eles se apertassem e abrissem vagas para os outros que vinham. Eu me perguntava quantos dentes uma pessoa podia ter!!! Eu devia ser alguma espécie de tubarão, sei lá... O fato é que cada elástico mais apertado deixava minha boca toda dolorida, sem que sequer eu conseguisse mastigar, e tudo isso em uma época que meu estômago vivia roncando de fome...

                Esse tema me veio a mente hoje porque, por mais que eu escove e passe fio dental nos dentes, tive que consultar o dentista e iniciar um tratamento. Ele é ótimo, mas minhas lembranças não são  e isso sempre vai interferir. Depois de tomar uma anestesia, dividida entre chorar e dar um golpe de aikido nele, eu fiquei durante duas horas rezando para o tempo passar ou para eu entrar em um estado de inconsciência momentânea. Nessas horas, sempre parece que foi ontem mesmo que eu já tinha estado lá. Agora, escrevo sem sentir minha língua e meu queixo. Estou com fome e mal posso engolir. Estou num mal humor daqueles!!!

                De toda forma, olho no espelho, com um sorriso torto pela anestesia e vejo dentes bonitos, saudáveis e em uma quantidade normal. Que Deus abençoe os dentistas e me livre de todas as cáries, AMÉM!

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 14:26
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