PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - A MARCHA DA MACONHA

                      

 

 

            Confesso-lhes que não encontro, na “Marcha da Maconha”, um ponto qualquer que beneficie a sociedade. As consequências do uso de drogas lícitas e ilícitas  destacam-se na mídia em geral e não apenas nas páginas policiais. Há esforços hercúleos de educadores, entidades, profissionais da área de saúde, pastorais, com o propósito de fortalecer pessoas, de todas as faixas etárias, para que digam “não” às drogas e  para que as pessoas se reconstruam na verdade. Sabe-se, também, que tanto o álcool como a maconha são nocivos e abrem as portas para a cocaína, o crack, o oxi etc., e não há dúvida de que todos eles provocam dependência.

            O reconhecimento de uma marcha reivindicatória somente tem sentido se for para o bem. Caso contrário, cabe às autoridades impedir, não por censura e poder, mas sim para proteger especialmente os mais vulneráveis, pois uma manifestação, como essa, mesmo que não seja apologia, pode dar a idéia de que existe algum aspecto positivo para quem utiliza a droga, sem destacar os danos, tantas vezes irreversíveis.

            Do suplemento “Folhateen” da Folha de São Paulo, de 23/05/2011, pág. 07, destaco: “MACONHA E CHÁ DE COGUMELO OFERECEM RISCOS. Do enviado a Iacanga – SP – Chá de cogumelo pode gerar psicose, alerta Ana Luiza Simões, médica do Hospital Albert Einstein. ‘O chá causa alucinações e tem efeitos colaterais’. A mesma atenção deve ser tomada com a maconha, que pode causar perda de memória e alienação. Não há dose segura: ‘A maconha está ligada ao início do uso de cocaína e outras drogas pesadas’”.

            A justificativa de que inibiria a ação dos traficantes é inconsistente. E o tráfico de tantas outras drogas? Pelos lucros do tráfico, se encontraria uma forma de comercializar “drogas piratas”. Concordo com uma marcha que vise mecanismos mais eficientes para inibir o tráfico e investimento na formação de agentes da comunidade com o propósito de que enfrentem a drogadição de maneira saudável, formando e informando as pessoas. Concordo com uma marcha pela transparência das ações das autoridades competentes no sentido de combate ao narcotráfico. Concordo com uma marcha contra os que, em todas as classes sociais, favorecem o uso de drogas.

            Recordo-me da letra do rap “Mágico de Oz” do conjunto “Os Racionais”: “Comecei a usar pra esquecer dos problemas. (...)Viciar deve ser para adormecer,/ Pra sonhar, viajar na paranóia, nas escuridão,/ Um poço fundo de lama.(...) Dizem que quem quer, segue o / Caminho certo,/ Ele se espelha em quem está mais perto. (...) Queria que Deus ouvisse a minha voz/ E transformasse aqui num mundo/ Mágico de Oz. Desejar que o mundo se converta no do “Mágico de Oz”: o homem de lata passou a amar, o espantalho conquistou o discernimento e o leão medroso a coragem.

.           Em 39 anos de trabalho como educadora, em 29 anos junto às mulheres em risco, em situação ou que passaram pela prostituição, em 19 anos de visita a  encarcerados, não vi situação alguma de equilíbrio e felicidade dos dependentes de drogas lícitas e ilícitas, acabando, também, por atingir, negativamente, o seu entorno. Vi: cadáveres, enfermos, criminosos, infelizes, filhas e filhos da dependência química, que trocaram a vida por uma porção, uma pedra ou uma dose que mata aos poucos.

            Meus aplausos ao Dr. FRANCISCO CARLOS CARDOSO BASTOS e aos demais PROMOTORES DE JUSTIÇA CRIMINAL DE JUNDIAÍ  por impedirem que a marcha acontecesse em nosso município.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 20:21
link do post | favorito

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links