PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
JOÃO PAULO PUTINI - NO OLHO DO FURACÃO

 

            Uma das cenas mais repercutidas no país, recentemente, não foi manchete de jornal nem notícia das grandes redes de TV. Ainda assim, foram poucos os deslocados que não a viram, seres alheios ao avanço das mídias! É assim que são taxados, grosso modo, os que não acompanharam a deliciosa trapalhada da cantora Vanusa, ao cantar o Hino Nacional num evento ocorrido na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Como explicar tamanha divulgação de uma ocasião tão restrita? A resposta é o popular acervo de vídeos da web, o Youtube. Seus maiores sucessos não são exemplos de produção e planejamento sofisticados, como é o padrão das mídias tradicionais. Ao contrário: proliferam gravações caseiras, distorcidas, de má qualidade e curta duração. O importante é captar o momento decisivo: a gafe, a fatalidade, o erro. São cenas que elegem e dão visibilidade ao cotidiano das pessoas comuns, imagens ocasionais, não planejadas, mas que atravessam furiosamente o mundo.

            Dessa forma, os famosos não têm mais como fugir de seus deslizes. Prováveis descartes de alguma ilha de edição têm potencial para se tornar um “hit”. “Ruído” se torna matéria-prima. Assim, o Youtube, por meio dos usuários que o alimentam, promove um escrutínio da fama, cumprindo a vocação social de trazer à luz aquilo que deveria permanecer oculto. Vanusa não foi a primeira vítima a entrar no olho do furacão midiático, tampouco será a última.  

            Configuram-se novas modalidades de tratamento com o público. A audiência passa a ter poder de escolha sobre o que e quando quer ver. Não é mais suficiente imaginar o espectador como um ser passivo, em meio à massa, que recebe conteúdos sem qualquer tipo de resistência.

            O Youtube, portanto, propõe novas formas de conduta e participação nas comunicações, onde todos tenham a liberdade de receber, produzir, interagir e compartilhar. É uma alternativa desafiadora e autêntica de autorepresentação, sobretudo para aqueles que estão marginalizados dos grandes circuitos.

 

 

JOÃO PAULO PUTINI   -  graduando em Comunicação Social - Hab. em Midialogia pela UNICAMP

jputini@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:58
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MARCAS DE 2009

 

 

 

 

 

 

                   

 

 

 

            Quando eu era mais jovem, adolescente mesmo, do alto da petulância dos meus 15 anos, costumava achar que as pessoas mais velhas viviam se repetindo. Vira e mexia e eu encontrava aquela tia que contava sempre a mesma história de quando me deu o primeiro banho ou de como era a cidade no tempo dela e assim por diante. Como se diz por aí, ninguém aprende com a experiência do outro e eu precisei mesmo ver o tempo passar para entender que vamos, sim, nos tornando repetitivos, mas que isso está mais ligado ao amor do que a qualquer outra coisa.

            Eu mesma, escrevendo, creio que já voltei a alguns temas como muita freqüência. É comum se falar do que se gosta, da mesma forma que é mais simples criticar aquilo que não se gosta ou não se entende. Assim, meus cachorros, minha sobrinha, flores, amigos e situações inusitadas costumam ser algo constante dos meus textos.  A saudade, igualmente, também o é.  Esse sentimento que me invade quando estou desprevenida, assalta minha mente e se apodera de meu coração de tal forma, com tal intensidade que logo sou sua refém.

            Na minha já habitual repetição de temas, o passar ligeiro que o tempo parece ter desenvolvido é assunto recorrente. Eu tenho simplesmente a sensação de que os dias me atropelam, como se eu estivesse em meio a uma roleta doida, lutando somente para não ficar tonta, mas vendo os números que passam e que eu mal consigo assimilar.  A sorte pode até fazer a roleta pausar em pontos estratégicos, mas quando ela para, ao contrário, é sinal de que nossa jogada acabou.

            Nesse suceder maluco do tempo, lá já se vai o ano de 2009. Dia desses falavam que o mundo acabaria no ano de 2000... Embora agora se fale no término em 2012, para muita gente o mundo, ao menos o terreno, realmente acabou. Em 2009 mesmo, perdi amigos, vi idosos queridos se despedirem lentamente, bem como outros, mais novos, que foram levados de forma abrupta, sem avisos ou sinais. Infelizmente, tantos outros passaram pelas mesmas experiências, por dores de despedidas sem sentido.

            Tenho saudades daqueles que perdi, daqueles que deixaram no mundo um espaço que jamais será preenchido. Entendo, hoje, não sem certa dor, as sem razões das pessoas se tornarem, com o passar dos anos, repetitivas. Falar sobre o que foi, sobre como as pessoas, as coisas e os lugares eram, dá a sensação de que o tempo retrocede, ao menos nas sensações que as lembranças provocam nos corações.

            Em 2009, por outro lado, também vi nascerem sonhos, personificados em novas amizades, em crianças que chegaram ao mundo, em gestos que se transformaram em esperanças.  Repetitiva, com saudades, deixo 2009 partir. Não porque me fosse possível outra opção, mas porque em meu íntimo, eu preciso deixar que ele se vá...

            Desejo a todos que em 2010 as chegadas suplantem as partidas e que sejamos perdoados por nossos defeitos, sobretudo aqueles que nascem dos velhos hábitos, das saudades do que não podemos mudar...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA --Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



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EUCLIDES CAVACO - MENSAGEM DE NATAL

 

Com calorosa amizade para todos vós

 

MENSAGEM DE NATAL  é hoje o poema declamado com o qual
em jeito de cartão de Boas-Festas apresento a todos os meus amigos
espalhados pelo mundo desejos de um... FELIZ NATAL...
Ouça e veja Mensagem de Natal aqui neste link:

 

http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Mensagem_de_Natal/index.htm

 

 

Boas Festas
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - NÃO PRECISO DELE PARA NADA !

 

                    

 

 

 

A cada passo ouve-se esta afirmação proferida com protérvia, por néscios. Digo néscios, porque todos precisamos uns dos outros, e mal aviado vai quem pensa o invés.

Minha boa amiga D. Maria Cândida, conta sempre que escuta essa frase e outras semelhantes, o que ouviu ao avô, importante alquilador, a respeito daqueles que desprezam o humilde trabalhador e veneram senhores doutores e empresários abastados.

Dizia o avozinho da minha querida amiga: - “ Escuta: nunca deixes de respeitar todos, por mais simples que sejam; porque se um dia caíres na via publica ou te sentires desfalecer, não penses que são os que viajam de landó e sege, que se apeiam para te auxiliar, e menos ainda o “ importante ” que transita no passeio. Estes encontram-se muito atarefados para perderem minutos.”

- “Não te esqueças” – prosseguiu o sisudo avô, – “é o pobre artificie e a mulher de chinela, que se avizinham e amparam. O pobre, o que vive do seu trabalho e conhece o que custa a vida, é que costuma socorrer os necessitados “.

Há excepções - creio, e tenho provas, - mas, o que disse o prudente avozinho, em meados do século transacto, continua verdadeiro.

Em regra precisamos de todos, mormente dos que ocupam a base da pirâmide social. Muitos, erradamente, apartam-se de familiares e amigos que, por revés da vida, desceram na escala da sociedade, convencidos que não precisam deles para nada, e reverenciam os ricos e os que exercem cargos de relevo.

Enganam-se os que assim pensam ou desconhecem o revelho apólogo das panelas de barro e ferro, magistralmente narrado pelo genial Padre Manuel Bernardes, parafraseando a fábula de Esopo e inspirando-se no Eclesiástico. - 23:3

É que nas contendas da vida, sempre é a panela de barro que se quebra. Basta ir às portas dos tribunais para contestar essa verdade.

Bem assisado foi o famoso alquilador gaiense ao aconselhar, desse jeito, a neta querida.

Se o leitor permite conselho de quem tem vida longa e foi magoado por muitos, digo-lhe que não tenha pejo ao acamaradar-se com gente humilde, porque os ricos - e muitos, Deus sabe como alcançaram fortuna, - quando nos encontram na posição de Jó, olvidam que fomos companheiros de folguedo e nos banqueamos na mesma mesa.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

humbertopinhosilva@sapo.pt

 



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MUSEU DAS 'PALHACINHAS' NO ESPAÇO RENOVADO DA JUNTA DE SANTA MARINHA - VILA NOVA DE GAIA - PORTUGAL

Foi escola primária e deu lugar à sede da Junta de Freguesia de Santa Marinha. Hoje, depois das obras de requalificação no rés-do-chão, o edifício alberga também uma sala de professores, multimédia, bibliotecas, auditório multiusos e o museu da Escola das ‘Palhacinhas’. Este último consegue transportar o imaginário dos visitantes para uma experiência vivida há muitos anos atrás.

Além da sala de aula, equipada com material que pertencera ao velho estabelecimento de ensino, onde se pode observar antigas carteiras, mapa-mundo de Portugal sobre tela e livros escolares em uso nas escolas primárias dos anos quarenta e cinquenta, há junto ao museu, salas de convívio, biblioteca, sala de retratos dos antigos Presidentes da República e beneméritos da extinta escola das "Palhacinhas".

Relativamente ao auditório, com capacidade para 120 pessoas, neste está exposto um retrato de Caetano de Pinho, que instituiu, em 1908, um prémio a ser atribuído ao melhor aluno das " Palhacinhas ".

Deve-se realçar a prestigiosa colaboração de Isaura Ramos, coadjuvado por José Costa, que não pouparam esforços para que o museu fosse aberto na data prevista.

"Tudo o que está nas salas, excepto na de professores, são peças restauradas", salientou Joaquim Leite, visivelmente satisfeito com a renovação do equipamento.

Na cerimónia, para além do anfitrião santamarinhense, estiveram presentes o presidente da câmara, Luís Filipe Menezes, bem como o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente.


Do "Notícias de Gaia" de 17/12/2009

 

 

 



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ANTÓNIO CARNEIRO - FRANCISCO DA SILVA GOUVEIA

 

 

                   



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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
PAULO ROBERTO LABEGALINI - O NATAL CONTINUA

 

 

 

 

                  

 

 

 

 

Recebi centenas de opiniões a respeito do ‘Natal no Campus UNIFEI 2009’ em sua 5ª edição. Graças a Deus correu tudo bem e o resultado foi maravilhoso, muito abençoado, mas, mesmo assim, não agradamos a todos. Quando lidamos com muita gente e precisamos ter critérios bem definidos na organização, alguns se chateiam com detalhes que não pensamos ou não pudemos cuidar.

O trabalho para realizar sete shows e um almoço para centenas de pessoas, recebendo mais de 20 mil visitantes numa semana é monstruoso. Soma-se a isso a necessidade de manter o Campus aceso todas as noites e executar o trabalho de rotina na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. Já sabíamos que o cansaço viria e não nos deixamos abater pelas dificuldades, afinal, a cidade de Itajubá precisava continuar festejando o aniversário de Jesus Cristo na sua Universidade Federal.

Aprendi que calar sobre sua própria pessoa é humildade, calar sobre os defeitos dos outros é caridade, calar quando a gente está sofrendo é heroísmo, mas calar diante do sofrimento alheio se torna covardia. Calar diante da injustiça é fraqueza, calar quando o outro espera uma palavra é omissão, mas calar e não falar palavras inúteis é penitência.

Calar quando não há necessidade de falar é prudência, calar quando Deus nos fala é silêncio, e calar diante do mistério que não entendemos é sabedoria. Quando na escuridão da noite chamamos pelo Senhor e não O encontramos é porque não O procuramos em nossos corações. Ele jamais abandona seus filhos e não me abandonou durante meses de trabalho no Natal no Campus.

Aprendi também o valor de algumas amizades. Não falo somente do meu fiel amigo na coordenação dos eventos, Amaury Vieira, mas de muitas outras pessoas. Tentarei explicar meu sentimento de gratidão nesta história contada por um advogado:

“Um dia me fizeram uma pergunta: ‘O que você já fez de mais importante na sua vida?’. A resposta surgiu das profundezas das minhas recordações, assim:

O mais importante que já fiz na vida ocorreu em 8 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um amigo e, entre uma jogada e outra, ele me contou que sua esposa acabava de ter um bebê.

Logo chegou seu pai e, consternado, lhe disse que seu bebê foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro do pai e se foi. Por um momento fiquei parado, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer.

Seguir meu amigo ao hospital? Minha presença não serviria de nada, pois a criança certamente estava sob cuidados médicos. Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas, sem dúvida, estariam rodeados de amigos que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários. A única coisa que eu faria indo até lá seria atrapalhar, pensei.

Decidi ir para casa, mas quando fui dar a partida no carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro aberto e com as chaves na ignição. Resolvi, então, fechá-lo e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebê.

Durante os instantes seguintes, todos ficaram naquele silêncio de dor. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: ‘Muito obrigado, querido companheiro, por estar aqui’.

Passei o resto da manhã sentado na sala do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços o bebê, despedindo-se dele. Isso foi a coisa mais importante que já fiz na vida, sem precisar dizer uma só palavra! E aquela experiência me deixou duas lições:

Primeira: a coisa mais importante que fiz ocorreu quando não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exerci a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que deveria fazer me serviu para aquela circunstância. A única coisa que eu poderia ter feito era estar lá.

Segunda: aprendi que a vida pode mudar num instante. Fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas podem alterar esse futuro num piscar de olhos.”

Pois é, minha gente, para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em ordem. No Natal no Campus, busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder amigos. Também aprendi que o mais importante da vida não é ascender socialmente, nem receber honras, mas caminhar com Deus no coração. A todos que participaram, obrigado por estarem ao meu lado.

E quem viu o almoço solidário na UNIFEI, dia 20, sabe que Natal é todo dia! Na semana que vem comentarei mais sobre essa grande partilha.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI- Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

E-mail: labega@unifei.edu.br

 

 

 



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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
PAULO JORGE SOUSA - QUEREM COMPRAR O S. JOÃO ?

 

 

Está feito. Já é público o que há muito (quase) todos sabiam: Lisboa quer "roubar" o Red Bull às margens do Douro. Três anos de sucesso do Air Race serviram para colocar em funcionamento mais um lóbi da capital (leia-se regional), onde o Estado aparece novamente como o palanque certo para tal acontecer. Directamente a partir dele, pelo Turismo de Portugal, ou por entrepostas empresas com capitais públicos, como EDP ou Galp, o que importa é centralizar o investimento e a notoriedade.

Tome-se como exemplo o último Tratado de Lisboa: nova oportunidade perdida para divulgar internacionalmente outra cidade nacional, como o fez a Holanda (Maastricht) ou a França (Nice). E este é nada mais que o terceiro tratado com o nome desta cidade associado: assim aconteceu em 1668 (acordo assinado entre o príncipe D. Pedro e Mariana de Áustria, que pôs termo à guerra da Restauração - 1640-1668) e assim se passou em 1864 (pacto firmado para delimitar as fronteiras entre Portugal e Espanha). São estes os regozijos regionais que carecem de um fim, pelo menos quando em causa está o nome de todos os portugueses, pois sempre surgem como timbre nacional.

Mas a capital não tem culpa disto. Não tem culpa deste centralismo. Não tem culpa que as personagens que representam o Estado só vejam Portugal quando olham para Lisboa. Não tem culpa dos "provincianos" que para lá se transferem e que tudo fazem para mostrar que sempre foram de lá, agradando ao colectivo associativo - mais ou menos secreto - que por lá vai habitando e gerindo os destinos do país.

Pode organizar-se o que se quiser, pode baptizar-se o que se entender, pode comprar-se o que se deseja, mas há uma coisa que não está à venda: o sonho. E enquanto assisto a esta realidade, tenho tido alguns… Para não falar de outros, talvez mais radicais, coloco apenas no mercado e à consideração apenas um: a regionalização.

Se não seguirmos este caminho, qualquer dia (todas as madrugadas de 24 de Junho) vemos Lisboa com uma réplica da ponte D. Luiz I, vendedores de martelos e alho-porro pelas ruas, espectáculo pirotécnico anexo, manjeri-cos com quadras sanjoaninas nas janelas das habitações e barcos rabelos com vivas ao S. João.

 

 

PAULO JORGE SOUSA   -  Director do jornal "Notícias de Gaia ". Portugal

 

 



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Domingo, 20 de Dezembro de 2009
EUCLIDES CAVACO - SEMPRE NATAL
Olá amigos
 
Com as minhas saudações Natalícias aqui vos deixo mais este poema
SEMPRE NATAL , para relembrar que o Natal pode mesmo ser todos os
dias que o queiramos acender nas nossas vidas.
Disponível em poema da semana ou aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Sempre_Natal/index.htm
 
Boas Festas para si e quantos têm morada no seu coração.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MILAGRES DE NATAL

                   

 

 

            Infelizmente muita gente deixa para o Natal as reflexões sobre seus erros e acertos, sobre aquilo que poderia ter sido e não foi, sobre o carinho que não se deu, sobre o amor que não se achou tempo para ser. A maior parte de nós, entre os quais não tenho sequer a audácia de me excluir, vive ocupada com os assuntos corriqueiros, com os problemas que afetam nosso modo de viver, sobre as dores tão humanas das quais padecemos. Assim, vamos negligenciando outros tantos sentimentos, reféns do tempo que parece nos arrastar e nos alienar.

            Devo confessar, como, aliás, já o fiz tantas outras vezes, que não sou lá uma pessoa extremamente religiosa. Tenho várias dificuldades nessa área, tais como perguntas as quais não encontro respostas, sentimentos que não posso evitar e outras tantas coisas nas quais não consigo crer. Por outro lado, instituições religiosas à parte, sempre acreditei no Deus Criador de todas as coisas e de todos os seres. Talvez porque eu também seja pequena demais, costumo vislumbrá-Lo muito mais nas pequenas coisas desse mundo. Ainda que eu me esqueça de rezar, não consigo deixar de me maravilhar, todos os dias, quando olho meus animais de estimação, quando descubro uma flor que desabrochou sem que eu a conhecesse botão, como se estivesse brincando de esconde-esconde.

            Na proximidade das festas de fim de ano, quando, no fim das contas, damos graças por estarmos ainda do lado de cá, é compreensível que também façamos uma análise de mais um período que se vai findando. Muitas vezes eu penso que somos como uma casa. Na correria das horas, ficamos sempre adiando o momento de ajeitar um armário, separar o que não mais nos serve, até que um dia as coisas começam a cair sobre nós assim que tentamos abrir uma porta ou as gavetas começam a não mais se fechar, entulhadas que estão.

            Dia desses passei por uma situação bem desagradável, relativa a questões profissionais. Cansada, não fui forte o suficiente para não desanimar. Ainda que eu me considere uma pessoa forte, batalhadora, minha vontade era de baixar minhas armas, de entregar os meus pontos.  Seguia eu com meus demônios pessoais quando ao passar pela cozinha olhei para um dos quatro aquários que mantenho e notei Netuno, meu peixinho Beta, movimentando-se freneticamente, esperando por comida. Menos de um mês atrás, eu estava prestes a dá-lo como morto.  Acometido de uma síndrome que já levara seu antecessor, Nemo, ele estava com sua habitual cor azul se transformando em marrom opaco, inchado, com as escamas eriçadas e, segundo minhas pesquisas, com os órgãos internos em processo de paralisação. Seu sofrimento era visível e eu me peguei pensando se não deveria poupá-lo de uma morte lenta e triste.

            Como não costumo desistir de tudo que amo, sejam pessoas, animais, plantas ou ideais, fui até uma loja especializada e ouvi que não havia o que fazer. Com certeza, nesse estágio, em pouco tempo ele morreria.  Desolada, lancei-me a buscar na internet e vi algumas dicas. Resolvi tentar. Fosse como fosse, estaríamos juntos até o final. Para minha alegria, em uma semana ele já era o Netuno de antigamente. Comilão, reluzindo de tão azul, ele estava inesperadamente curado. Para mim, ele simboliza um milagre. O milagre da esperança. 

             Em meio a tristeza que se instalara em mim, ao olhar para aquele aquário, ao ver meu pequeno milagre, eu fui obrigada a desentulhar minhas gavetas. Havia coisa demais sobrando, coisas sem importância. Talvez eu precise rever as minhas prioridades, ajustar meus espaços. Ter mais esperança e, assim como fiz com o Netuno, também não desistir e não me esquecer do que realmente faz a vida valer a pena.  Estou certa, agora, que, em pouco tempo, também estarei azul novamente. Feliz Natal a todos! Que a Esperança possa visitar os espíritos de todos, renovando as forças para os dias que virão...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA --Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:11
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JOSÉ RENATO NALINI - QUANTA INDECÊNCIA

 

Haverá outra palavra para rotular a conduta dos que são filmados, fotografados e gravados em práticas ilícitas e teimam na recusa à evidência? Onde foi parar o mínimo de compostura que legitima o mandato popular? Instaurou-se a mais absoluta falta de vergonha nesta terra onde ela nem sempre foi prestigiada, mas que ainda mantinha um pouco de pudor?

Fica difícil ensinar às crianças que elas não devem mentir, quando a mentira é prestigiada e fortalecida por aparato oficial. Torna-se ridículo falar em ética, no momento em que se bajula o poder, sob qualquer de suas formas e ninguém se constrange em adular para obter vantagens. Até mesmo a oração é utilizada para agradecer fruto de crime. Não estará o Criador com nojo de Sua criação?

O desserviço que essa ralé imoral presta ao desenvolvimento do Brasil é imensurável. O único patrimônio que merece zelo permanente – a honra, a hombridade, o caráter retilíneo e inquebrantável – foi jogado ao lixo. Não se vislumbra perspectiva de correção de rumos. O mal prevalece, o bem é ridicularizado. A esperteza ganha projeção e medalhas, enquanto a seriedade é confundida com imbecilidade. Como pretender que a infância e a juventude se disponham ao sacrifício, se preponderam os atalhos, os jeitinhos, os apadrinhamentos e a lei do mínimo esforço? Parece não haver restado território incólume à podridão.

Às vezes ela está disfarçada em aparência de higidez. Mas, no fundo, lá está o verme corruptor a impregnar as condutas e a sugerir que interessa é vencer. O sucesso a qualquer preço. Nunca houve tamanha liquidação de almas  e por tão pouco se conseguiu jogar à lama o que um dia teve algum valor e se chamou reputação.

Desapareceu a distinção entre a honra subjetiva e a honra objetiva. É óbvio que a autoescusa encontra respostas para o que um dia foi chamado de falta de caráter. O pior é que a assistência vibra com essa vitória da perversão e ridiculariza quem ouse divergir dos novos critérios de sobrevivência na selva obscura do “vale tudo”.

Triste humanidade, em derrocada paralela à destruição do Planeta, igualmente cansado da insensatez desta espécie que ainda pretende ser a única provida de outro bem de evidente raridade: a ora extinta e outrora chamada razão.

JOSÉ RENATO NALINI -   é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:06
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