PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O MATADOR

                      

 

            Eu até sei que ando me repetindo em alguns temas, mas hoje pela manhã, quando acordei e vi o que vi, não consegui pensar em outra coisa para escrever. Sexta-feira é um dos únicos dias em que não preciso sair da cama muito cedo e me dou ao luxo de descansar um pouco mais. Quando meu relógio tocou, entretanto, percebi que minha cabeça doía horrores. Assim, desliguei o despertador do celular e, como acontece com praticamente todo mundo que faz isso, acabei me perdendo nos braços de Morfeu.

            Quando acordei, uma hora depois do previsto, por conta dos latidos de um dos meus cachorros, Floquinho, constatei que minha ajudante semanal, Fátima, havia chegado para dar um jeito na sujeira que se acumulada. Em casa, cada vez que alguém mexe no portão, os cachorros dão o alarde, o que, em parte, é um dos benefícios de se ter cães quando se mora em uma casa na cidade de São Paulo.

            Estranhei, contudo, o fato do Peteco, normalmente escandaloso, não ter engrossado o coro dos latidos. Esperei alguns minutos, ainda com minha cabeça latejando e, como a Fátima não veio me dar nenhuma notícia de algo estava errado, relaxei e enrolei mais um tempinho. Como a dor não cedia e o estômago começou a roncar, eu me resignei a deixar o quentinho do quarto, causado por um aquecedor que virou a noite toda ligado, e desci para tomar café.

            Ainda da escada, eu olhei para baixo e vi que os dois, Peteco e Floquinho, estavam ali, nas caminhas que deixo na sala, para os dois lordes, no intuito de evitar que almejem o sofá. O único problema é que eles não estavam sozinhos: com a maior naturalidade do mundo, Peteco saboreava uma pobre rolinha que abatera. A cena, ao meu sentir, era um tanto grotesca, pois ele tinha penas na boca, havia penas por todo lado e o pobre pássaro se encontrava disposto tal qual uma codorna assada, enquanto meu cachorro a lambia de cima a baixo. Compreendi, naquele momento, porque ele estava tão quieto, silencioso.

            Passados dois primeiros minutos de terror, porque, de longe, com meus olhos ainda sonolentos e prejudicados pela cefaléia, eu fiquei em dúvida quanto à natureza do cadáver, sem saber se era um rato ou algum dos meus periquitos, eu passei ao sentimento de pena, da rolinha, é claro.

            Na verdade eu mal conseguia olhar para a pobrezinha. Se um dia as rolinhas entrarem em extinção, não tenho a menor dúvida de que o Peteco terá que responder pela parcela de culpa dele. Só nesse mês, foram três. Se ele fosse um cão de rua, sem comida disponível, eu até entenderia que seria por conta da fome, mas nem de longe essa é a razão.

            Além da vida ceifada inutilmente, ainda sobra para os humanos da casa, os servos, recolher um zilhão de penas que insistem em ficar pela casa, como vestígios de um crime que espera reparação. Às vezes eu me pergunto se um dia, em retaliação, as rolinhas e as pombas não vão se unir a fazer um ataque à casa do Cão Matador...

            Mesmo sendo advogada, tenho dificuldades em elaborar argumentos sólidos em defesa das atitudes do Peteco. Na realidade, eu vivo é um conflito ético: de um lado está ele, meu cãozinho urbano, de instintos de caçador e, de outro, toda potencial família de uma rolinha que não voltará para o ninho para alimentar suas crias.

            Hoje, olhando para trás, tenho saudades de quando Peteco era vegetariano, guardando sua ira para minhas plantas, indo de samambaias a orquídeas. Agora, quase uma cúmplice dele, vivo a esconder penas e a ocultar cadáveres, torcendo, contudo, para não encontrar penas verdes em qualquer manhã inocente...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 19:03
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
EUCLIDES CAVACO - PREITO A AVEIRO

  http://www.euclidescavaco.com/Terras_da_Minha_Terra/Preito_Aveiro/index.htm

 Euclides Cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 16:05
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JOÃO ALVES DAS NEVES - Peço a palavra: NO ANO DE 2009, OS PAÍSES DE IDIOMA PORTUGUÊS APROXIMAM-SE DOS 250 MILHÕES DE HABITANTES.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reúne quase 250 milhões de habitantes, cifra que não vai demorar a atingir, se considerarmos as estimativas do Almanaque Abril 2010, que é publicado anualmente em São Paulo desde 1974 pela Editora Abril.


 Trata-se de estimativas, pois não há recenseamento oficial da população dos 8 países de idioma oficial comum. Quanto às fontes utilizadas, são várias, porém selecionadas com o maior rigor possível. E não havendo outras, devemos considerá-las úteis, visto que importa conhecê-las e avaliá-las, já que são baseadas no crescimento demográfico de cada um dos 8 países, o qual atinge 2,7% ao ano em Angola, 1% no Brasil, enquanto em Portugal se limita aos 0,3% e na Guiné (Bissau) sobe para 2,2%, embora o crescimento populacional de Moçambique seja de 2,3%, assim se explicando que este país africano seja agora o 2º mais habitado, logo seguido por Angola. Quanto a Portugal, é o 4º.


 Não pode esquecer-se que os 8 países assumiram oficialmente o idioma português, mas não deve esquecer-se que em vários deles nem todos os habitantes falam o nosso idioma.

Enfim, o que mais nos interessa saber, nesta circunstância, é que em qualquer órgão internacional os representantes dos 8 se exprimem em português e, nestas condições, somos já uma das maiores comunidades lingüísticas do mundo. E faremos, por acréscimo, mais duas anotações: o total das exportações de 7 deles (não dispomos das cifras de Timor-Leste) ascende a 254.821 milhões de dólares enquanto as importações dos mesmos 7 chegam aos 220.379 milhões. Trata-se de somas muito importantes, pois traduzem a realidade econômico-financeira da nossa Comunidade, ficando claro que o comércio internacional dos 8 não pode ser ignorado dos maiores compradores e vendedores mundiais.

Ponto de relevo é igualmente a comparação da “renda per capita”, segundo os números divulgados pelo Almanaque Abril 2010: a distribuição por pessoa, em Angola, seria de US$ 2.590 por ano, a do Brasil estaria nos US$ 6.060, cabendo US$ 2.680 a Cabo Verde, US$ 220 à Guiné (Bissau), US$ 340 a Moçambique, U$ 18.960 a Portugal e US$ 920 a São Tomé e Príncipe. E por estas cifras se pode observar que todos os 8 países comunitários continuam relativamente pobres, se compararmos as rendas “per capita” com as dos paises ricos!

 

Finalmente, damos aos leitores que nos acompanham o quadro que resumimos do Almanaque Abril 2010 relativamente às populações, exportações e importações de cada um dos 8 Países de Língua Portuguesa:

 

 

 

JOÃO ALVES DAS NEVES-- Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos Quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.



publicado por Luso-brasileiro às 15:44
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 19 DE MAIO. DIA DE SANTO IVO, PATRONO DOS ADVOGADOS

                       

 

 

          Santo  Ivo, francês, empregou a sua mocidade no estudo das letras. E, crescido nos anos,dedicou com particular desvelo (sem  esperança alguma de interesse humano) o seu ofício de advogado à proteção dos miseráveis, órfãos e viúvos, por onde veio a merecer o título de "Advogado dos Pobres”, sendo posteriormente considerado o PADROEIRO DOS PROFISSIONAIS DO DIREITO. Celebra-se a dezenove de maio o DIA DE SANTO IVO, que faleceu nesta data,  a mesma em que foi canonizado em 1390. Trata-se de um momento manifestamente oportuno para se meditar sobre os seus ensinamentos e sua obra, voltados ao desempenho no amor ao próximo e no cumprimento de suas missão de fé.

                   "Ó Deus de Misericórdia, dignai-vos a conceder-me a graça de desejar com ardor o que é de Vosso agrado, procurá-lo com prudência, reconhecê-lo com sinceridade e cumpri-lo com perfeita fidelidade para honra e glória de Vosso Nome. Amém". Assim rezava, no início de cada estudo ou trabalho, o santo padroeiro que hoje reverenciamos, recordando no aniversário de sua morte, há setecentos e um anos, o seu insuperável ensinamento duma vida inteira dedicada a fazer  o bem  e amar ao próximo.

                   Nascido na Bretanha América em 1253, pertencente à alta pobreza da França, ele foi advogado, juiz e sacerdote da ordem franciscana. Durante toda a sua vida, lutou pelos direitos dos pobres, principalmente contra os senhores feudais e demais poderosos da época, tendo como magistrado, criado a isenção de custas para os necessitados.

                   O seu juramento, prestado na Catedral de Tregular, aos quatorze anos de idade, quando sagrado Cavaleiro do Santo Sepulcro, constitui-se num verdadeiro símbolo do Cristianismo:- "Juro pela pureza das minhas intenções. Quero ser a fortaleza dos fracos, dos humildes dos pobres e dos necessitados."

                   Sua atuação se pactuou no entendimento de que as virtudes do homem de Justiça são a probidade e a competência, comuns e naturais à atividade honesta e, principalmente, o amor à verdade, que desvenda e impõe a causa justa. Por isso, o seu primeiro mandamento recomenda aos advogados que recusem o patrocínio de causas contrárias à Justiça, ao decoro ou a própria consciência.

                   Homenageando o patrono dos advogados, invocamos Dr. Ruy Homem de Melo Lacerda, ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo.

                            "Nesta época de transformações sociais em todo o mundo, quando se procura assegurar, também nas nações menos desenvolvidas, o desfrute pleno da vivência democrática, valorizando o ser humano, mais se acentua em nós, homens dedicados à defesa do Direito e à  realização da Justiça, o dever de contribuir, na luta cotidiana, como Santo Ivo, para a elevação dos costumes e a garantia de vida digna, notadamente aos mais humildes e desassistidos, que hoje abrangem   grande porção da coletividade brasileira.

                            Que o seu exemplo nos inspire, na certeza de atender com essa conduta, ao mandamento maior da nossa fé, deixado pelo Divino Mestre. E que saibamos, como nos orienta o Decálogo herdado de Santo Ivo, pedir ajuda de Deus nas nossas demandas, pois Ele é o primeiro protetor da Justiça."  (ASSP nº 1692 - Suplemento).

 

                          ADVOCACIA

 

                        Um povo só pode ser tido como civilizado quando crê na Justiça e quando ela efetivamente se realiza. A cidadania só se exerce por meio da certeza  do respeito que cada um tem do direito alheio. Violado esse direito, a sua reparação deve se tornar efetiva, perante um Judiciário célere, imparcial e eficiente. Nesse sentido, há muito a comemorar no Dia de Santo Ivo,  considerado até o ano de 2000, o Dia do Advogado, quando o Conselho Federal da  OAB, transferiu esta data comemorativa para 11 de agosto, dia da criação dos Cursos Jurídicos no Brasil. Enquanto instituição, a advocacia tem sido líder da cidadania. Através dela, os princípios fundamentais insculpidos na Carta Magna são cumpridos e respeitados. O advogado, no seu ministério privado, presta um serviço público essencial e as entidades representativas dos profissionais do Direito não se omitem nas questões institucionais. Sempre estarão presentes, onde houver ofensa à dignidade e aos direitos humanos.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI, advogado, jornalista, escritor e professor universitário

 

 

 

 



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Cfd. ALUIZIO DA MATA - QUANTAS VEZES PECAMOS POR DIA ?

 
                              

 

 

Sabemos que podemos pecar mental ou fisicamente. Podemos cometer pecados maiores ou menores.

Apenas lembrando, pecados Mortais são aquelas ações ou omissões que cometemos deliberadamente ou com consciência de que poderemos prejudicar uma pessoa.

Pecados Veniais são aquelas faltas leves, que cometemos por ações ou omissões, mas que não foram feitas de propósito, ou que aconteceram em situações extra-normais.

No entanto, todos os pecados ferem o coração de Jesus. Uns mais, outros menos.

Como apenas uma pessoa, Maria, não pecou, pois era Plena de Graça, todos os demais viventes pecaram. Aliás, foi por causa disso que Deus nos mandou Seu Filho único. Para Salvar a humanidade. Sem Ele seria impossível a salvação, a não ser que Deus quisesse fazer de maneira diferente.

Quantas vezes cada um de nós peca por dia? Certamente, mais de uma vez, pois deixamos de amar o nosso próximo por qualquer coisinha. 

Mas fico pensando: já imaginaram, e olhando aapenas o número dos cristãos que soma 2,1 bilhão de pessoas, quantos pecados são cometidos por dia? Se levarmos em consideração a possibilidade média de 2 pecados por dia, numa estimativa bondosa, o número de pecados seria de  4,2 bilhões em 24 horas.

Imaginemos, agora, o coração de Jesus ferido diariamente. Se multiplicamos o número de pessoas que já viveram desde a criação do ser humano, o número de pecados fica inimaginável.

Por fim,  imaginemos que cada pecado seja um espinho, maior ou menor, cravado no coração de Jesus! Serão bilhões de feridas já feitas naquele coração que só tem amor.

Como pode Deus ter tanta paciência conosco? Só pode ser pelo tanto que ele nos ama.

 Mas não nos desesperemos pois é inesgotável a misericórdia de Deus, já que Ele perdoa todos os pecadores que se arrependem de fato!

Num último questionamento, pergunto: quantos espinhos estão no coração de Jesus que foram cravados por mim? E quantos estão lá que foram cravados por você?

Temos razão de temer o encontro final com Deus.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 15:18
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VINICIUS AZZOLIN LENA - POR QUE ESTADOS TÃO GRANDES ?

                       

 

 

 Quem olha com um pouco de atenção ao atual mapa do Brasil nota as enormes diferenças que existem entre um Estado de Sergipe, por exemplo, com um Estado do Amazonas. Ou de uma Paraíba com um Estado do Tocantins – só para citar o último território a ganhar emancipação do antigo mapa originado logo após a independência de 1822. E há de notar também que de lá até hoje muito pouca coisa mudou.

Acontecera que, ao se tornar independente da Coroa Portuguesa, este país continental chamado Brasil, embora muito rico, era vazio de instituições e escasso de população. E a não ser numa estreita faixa litorânea que ia do Nordeste e ao extremo Sul, e alguns bolsões de população indígena remanescentes do massacre proporcionado pelo avanço da “civilização”, o imenso interland era praticamente vazio.

Daí que, na época da independência de nada teria adiantado retalhar o mapa, subdividindo aqueles espaços em províncias menores. Por isso temos e o que são hoje estados como Pará, Amazonas, Mato Grosso (já subdividido uma vez) Minas Gerais, Maranhão e Bahia, que, além de as distâncias entre as comunidades mais afastadas e o centro de decisões e poder, serem enormes (mais de mil quilômetros), torna impossível administrar com equidade estes grandes estados.

Entretanto, os tempos são outros. Em 188 anos de crescimento vegetativo da população, somado ao considerável contingente de imigrantes que este país recebeu nos séculos XIX e XX, mais as correntes migratórias internas que proporcionaram a ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia – que elevaram o número de modestos 10 milhões em 1822 aos cerca de 200 milhões de habitantes atualmente – estão a exigir um novo redimensionamento no mapa do Brasil.

Eis que, queiram ou não, as forças que detém o poder terão que acatar os anseios das populações destes territórios que sonham com emancipação. Inclusive deste aqui que é e conhecido, historicamente, como “Além São Francisco”. Mesmo por que, quando este território foi anexado ao mapa da Bahia em 1824, por decreto imperial, moravam do lado de cá do Rio São Francisco, na parte que toca ao Estado da Bahia, cerca de 20 mil descendentes de europeus e africanos e, talvez, outro tanto de índios. E hoje, em consequência dos fatores supracitados, vivem e trabalham neste que será, num futuro não muito distante, o Estado do Rio São Francisco, mais de um milhão de habitantes.

E se isso não for o bastante, temos a considerar que estamos como um apêndice, ou um anexo provisório, no mapa da Bahia – conforme rezou o decreto assinado por Dom Pedro I, em 1824: “Até que seja realizado um novo ordenamento  territorial das províncias da Nação Brasileira.”

 

VINICIUS AZZOLIN LENA   -  Jornalista - Editor do jornal "Nova Fronteira" de Barreiras BA. Membro efetivo da Academia Barreirense de Letras. Livros publicados: "Traçando Barreiras" Histórica (). No prelo: "Pequenas Histórias" - Contos, e "Reflexos" (Poesias)

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:11
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O PERIGO DE ESCREVER

                      

 

Andava El-Rei D. Manuel a redigir minuta para esclarecer certa matéria a Sua Santidade e, não conhecendo melhor modo, rogou ao Conde de Sortilha D. Luís da Silveira, que elaborasse outra; lendo-se ambas, escolher-se-ia a melhor.

Acordou o Conde e elaborou texto com arte e boa diplomacia.

O Rei ao conhecer a missiva de D. Luís escusou-se a mostrar a Sua, pois a considerava inferior.

Apressou-se D. Luís da Silveira levar a nova aos filhos, aconselhando-os que buscassem trem de vida e não aguardassem mercês reais, já que Sua Majestade acabara de reconhecer que era menos capaz do que ele.

Esta curiosa historieta, narrada por D. Francisco Rodrigues Lobo, na “ Corte na Aldeia”, adverte-nos para o perigo de escrever, principalmente quando se exprime opinião.

Se o articulista difere do parecer do leitor, é imediatamente etiquetado de estúpido, faccioso e retrógrado e mimoseado de verrinas do mesmo quilate.

Os que trabalham num jornal local sabem que expressar opinião acarreta, muitas vezes, dissabores incontornáveis, e raro é não se perder assinantes e anunciantes.

Por sua vez o jornalista de periódico nacional, conhece o colete-de-forças que o coagide a dizer, livremente o que pensa. As pressões chegam de dentro e fora da redacção.

Conheci cronista de certa gazeta que, alcançando prestigio viu-se zombeteado pelo chefe da repartição onde trabalhava. Sempre que se enganava nas contas, ouvia o remoque: “ A única coisa que sabe fazer é escrever na folha de couve! …”

Também eu fui vitima por ser colunista do jornal da minha cidade. No local de trabalho era abordado por colegas e até gestores que reprovavam pareceres que defendia nas crónicas.

Deus sabe se não foram esses comentários que me apartaram definitivamente de grupos de influência, que facilitariam oportunidades de ascensão na carreira.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  -  Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 15:06
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PINHO DA SILVA - BRASÃO DE VILA NOVA DE GAIA, PORTUGAL

                     



publicado por Luso-brasileiro às 15:04
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - TRABALHO DE FORMIGUINHA

 

                        

 

 

Era uma vez uma formiguinha asseada, que se vestia diferente das outras e se considerava a mais bonita. Sonhava em viajar pelo mundo e adorava passear no bosque.

A rainha Paciência  ficava de olho nela, pois a formiguinha vivia nas nuvens e, com o inverno chegando, tinham que encher a despensa com bastante alimento. A formiguinha trabalhava sozinha, pois detestava as longas filas das formigas.

Um dia ela resolveu se libertar:

– Não agüento mais essa vida de andar umas atrás da outras. Quero ser independente, conhecer o mundo! Trabalha-se demais aqui e ninguém curte a vida. Vivemos todos num formigueiro super-apertado!

Então, quando todas dormiam, ela arrumou a trouxinha e saiu atrás de aventuras. Andando, prestava atenção em tudo: cada árvore diferente, cada pedra, cada flor. Mas, onde ela iria passar a noite?

Ouviu um barulho que vinha debaixo da mangueira elegante. Teve a ousadia de entrar no formigueiro e o que viu a deixou chocada: um monte de formigas trabalhando com  correntes amarradas nas pernas! Formigas velhas, crianças, doentes; que loucura era aquilo?

Logo soube que estava no buraco-prisão, pertencente ao formigueiro da rainha Ditadura. Lá, ninguém fugia porque temiam maldades maiores por parte da rainha. Imediatamente, a formiguinha resolveu soltá-las e promover uma revolução.

Depois que todas estavam soltas e os vigias presos, as mais fortes carregaram nas costas as fraquinhas e saíram correndo mais rápido que coelho assustado com bomba de São João. Quando o dia amanheceu, elas já estavam bem longe da prisão. Daí, a formiguinha Aventureira reuniu todas numa pedra e fez uma reunião.

– Amigas, vocês agora são livres. Podem fazer com as suas vidas o que quiserem. Ficarei aqui uns dias até ver que se organizaram e a primeira coisa que faremos é um formigueiro bem bonito.

Ela logo lhes ensinou a dividir tarefas de forma que tivessem tempo livre para se divertirem, sem fila, cada uma fazendo sua parte. Era tanta competência que tentaram eleger a formiguinha Aventureira como rainha oficial do grupo, mas a saudade bateu no coração e ela resolveu voltar às origens. Fez sua trouxinha e...

E o que? Como termino a história? A rainha Paciência a recebe feliz ou a expulsa por tê-la abandonado? Será que existe perdão no coração de uma formiga?

Pois é, herdamos dons maravilhosos e não os valorizamos como Jesus nos ensinou. Às vezes, até numa simples história torcemos por um final feliz e nos sentimos recompensados por isso, mas fazemos tudo ao contrário em nossa própria vida. Os anos passam, as oportunidades de felicidade não se renovam e a Palavra de Deus fica em segundo plano – segundo ou último, quem sabe!

Eu nunca ouvi alguém dizer que se arrependeu de perdoar, exceto quando o perdão não foi concedido com amor. Quem ama de coração tem compaixão do próximo e perdoa principalmente os mais próximos, tipo: parentes de sangue, cônjuges, colegas de trabalho, vizinhos. Depois da reconciliação, uma carga enorme de rancor sai do coração e abre espaço para sentimentos mais nobres – que agradam a Deus.

Sempre prego isto e pode parecer que vivo sem problemas com meus irmãos, o que não é verdade. Mesmo nas comunidades religiosas, existem fatos que nos magoam imensamente e poderiam ser motivos para distanciamento entre as pessoas, porém, precisa prevalecer a correção cristã acima de tudo. Jesus perdoava e dizia: “Vá e não volte a pecar”.

Imagine você, leitor, mais de 350 pessoas trabalhando numa festa por vários dias, se ‘esbarrando’ a toda hora, sem se conhecerem direito. E mais: servindo milhares de pessoas por dia que vêm de lugares e culturas diferentes. Dá para responder por que não acontecem brigas feias na prestação do serviço? Não seria comum existirem conflitos sem soluções em curto prazo?

A resposta é simples: se estão servindo a Deus sob a proteção de Maria Santíssima, tudo se resolve com relativa tranqüilidade. Foi assim na Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde provações aconteceram e graças também. Com orações e a liderança do Padre Maristelo, alcançamos o nosso objetivo: homenagear nossa Padroeira com alegria e muita paz.

E se alguém me perguntasse o motivo que nos leva a largar todos os afazeres pessoais, profissionais e familiares para trabalhar na festa, eu perguntaria aos coordenadores da parte social deste ano – Claudinho, Inez, João Carlos e Suely. Perguntei e os festeiros me responderam:

– Formamos uma igreja viva unida em Jesus Cristo. Assim como Maria, poderíamos nos acomodar e não aceitar o chamado de Deus, mas imitamos nossa querida Mãe e dissemos ‘sim’. Cristão comprometido é isso: disponibilidade para construir o Reino de Amor aqui na Terra.

Em nome de todos os agentes da nossa Comunidade, agradeço demais as formiguinhas que nos ajudaram. Que a Rainha desse ‘imenso formigueiro’ as recompense eternamente. Amém!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 23:49
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PRESENÇA NO CÉU

                       

 

 

Sempre estranho quando alguém, que faz parte de meu cotidiano, seja uma vez por ano ou todas as semanas, sai de cena. Fica um espaço neutro, sobra um vazio, mesmo se a pessoa trouxesse, pelos dias, em seus braços, um buquê de rosas brancas, do qual fica uma imagem duradoura. Há gente mais próxima e há gente distante, porém sinto falta dos que passaram por um caminho ou jardim pelo qual andei, independentemente da distância. E sendo alguém que vive em plenitude os dons que Deus lhe deu, ao deixar o palco de seus enredos e dos enredos de quem amava e por quem era amada, outra pessoa ou uma multidão não preenchem jamais a pegada que era dela.

A Fernanda, conheci há anos, sem proximidade e sem intervalos. Trilhávamos os caminhos da Catedral Nossa Senhora do Desterro para as celebrações e festas. Mais tarde, casada com o Risvaldo F. Martins, os dois se tornaram Ministros da Eucaristia.

Achava bonita a comunhão dos dois no Cristo Eucarístico. Eram presença, além da Catedral, na Igreja do Rosário e São Benedito, Santuário Eucarístico Diocesano.

No ano passado, soube da enfermidade dela. Pálida ainda, retornou à Igreja. Os passos firmes, sem titubear na e com a Igreja. A expressão de planar pelo infinito.

Admirava sua modéstia e serenidade. Dava-me a impressão de que permanecia em conversa com o Infinito. Um jeito de louvor e entendimento. Uma maneira de ser Salmo. Claridade do amanhecer da Primavera.

De repente, para nós que não a acompanhamos passo a passo, como o Risvaldo, ela saiu de cena. Não me despedi porque fui informada depois. Surpreendi-me. Somente no domingo passado pude dizer, ao Risvaldo, de meu lamento e preces. E ele me contou um pouco sobre a dor que carrega com o silêncio dela. A casa vazia. O eco sem música. Os aromas sem ternura. Falou-me que ela lhe dizia que não alterasse nunca o tom da voz, para não perder a razão. Verdade mesmo. Eu que sou de temperamento forte, sei o quanto perco de sabedoria enquanto não me calo ou abaixo o tom ou reflito. O Risvaldo afirmou, extremamente comovido, que prossegue porque Deus existe. E repetiu: “DEUS EXISTE”.  Repetiu e chorou. O Deus de: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Isaías, Nossa Senhora, José, Pedro, Mateus, Marcos, Lucas, João, Maria Madalena, Paulo de Damasco, Fernanda, Risvaldo...

Não tenho dúvida, pela fisionomia habitual da Fernanda e pelo testemunho do Risvaldo, de que ela saiu de cena daqui para se tornar existência no Céu. Encontra-se agora, por inteiro, no coração de Deus.

 

 MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola



publicado por Luso-brasileiro às 23:05
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JORGE VICENTE - AO MEU PAI *

 

 

     

Quiseram meus olhos ver,

O teu corpo já sem vida.

Viam-te sem poder ler,

A mensagem da  partida!

 

Partiste para bem alto,

Para onde sempre olhavas,

Vivias em sobressalto,

Nem sempre desabafavas.

 

 

Haveria um só caminho,

Aquele que tu traçaste,

Conseguindo pró teu ninho,

Tudo que esmiuçaste!

 

Tens na tua Vida Eterna,

Um prémio bem merecido.

Guia-me a tua lanterna,

Se caminho sem sentido.

 

Jorge Vicente

* António Joaquim Vicente. Faleceu a 19 de Maio de 2009



publicado por Luso-brasileiro às 22:30
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Domingo, 16 de Maio de 2010
Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - EUCARISTIA, GLÓRIA SUPREMA DA IGREJA

A Eucaristia é a gloria suprema da Igreja. O que antes era um pão e um vinho comuns, se torna, no momento da transubstanciação, o próprio Cristo. Eucaristia que possibilita ao homem comer e beber a carne e o sangue do Logos, do Verbo Eterno de Deus. A Igreja que enlutada desceu as escarpas do Gólgota, envolta no sudário do divino Salvador, que possuía ela como sinal poderoso de sua vitória em dias de mágoas tais e tristezas tantas? - A Eucaristia que lhe fora dada na véspera.

            Para transpor triunfante as fronteiras dos reinos terrestres e penetrar em todas as regiões não trazia armas, mas possuía o Deus dos Altares!  Com a Hóstia eucarística os apóstolos anunciaram ao mundo de então a Boa Nova e, depois, a obra missionária seria uma constante na Igreja, titãs da fé alimentados com a força deste pão iam convertendo os povos. Os novos fiéis buscavam na Eucaristia, mistério sublime de sua fé, a razão de ser de sua existência cristã. Vícios foram vencidos, a virtude floriu e os santos se multiplicaram já no início da caminhada cristã. Os falsos deuses tremeram em seus tronos, os oráculos se contradisseram e Roma que se alteava sobre o mundo como monumento de poder, cujo carro de guerra levava de vencida todos os reinos, cujo gládio invencível relampejava por toda parte e abatia os capitães mais valorosos, prostrando-se rendidos ante ele Antíoco e Mitridades, Viriato e Sertório, Amilcar e Anibal, Breno e Armínio, Roma que tinha dominado Cartago, subjugado Siracusa, arruinado Cirene e incinerado Numância, Roma que tinha arrebatado a lira de Atenas, a espada de Esparta, o cinzel de Corinto, o farol de Alexandria, a chave de Tebas, a púrpura de Tiro, o templo de Persépolis, Roma que tinha no fundo de seus ergástulos escravos de todas as gentes, no seu senado representantes de todos os povos e no seu Panteon deuses de todas as crenças, Roma a princesa do mundo antigo se rendeu ante a Hóstia sacrossanta. O mundo pagão ruiu. A Eucaristia triunfou sobre todas as conquistas do povo rei. Sobre os escombros do Capitólio da Roma Imperial drapejou solene, majestosa, vitoriosa, a flâmula do Deus Eucarístico.

            Admirável a união dos que comiam o mesmo pão celeste. “Vede como eles se amam”, diziam estupefactos os pagãos.  Por força desta comunhão com Jesus a exemplo de Paulo todos se faziam tudo para todos para salvar a todos (1 Cor 9,23).

            A caridade, o interesse mútuo, a ajuda aos excluídos da sociedade eram a tônica da postura cristã, alimentada pela Eucaristia.

            Surgiram as perseguições. A Eucaristia foi a força dos cristãos.

            Estes se escondiam nas catacumbas e lá hauriam forças sobre-humanas. Depois aqueles que ainda não tinham sido identificados como discípulos de Cristo penetravam nas prisões e davam àqueles que iam ser martirizados o pão dos fortes.

            Findas as perseguições, a Igreja se viu frente a frente com os povos que invadiram a Europa vindos das longínquas estepes asiáticas. Transformou-os. Aqueles guerreiros altivos se ajoelhavam reverentes ante o Deus do Altar. Costumes bárbaros iam desaparecendo e uma Europa cristã foi surgindo em torno do mistério eucarístico.

            Depois o Novo Mundo foi atingido pelos europeus e entre eles estavam os missionários trazendo aos povos indígenas Jesus Sacramentado. Por toda parte altares foram erguidos e o Santo Sacrifício Eucarístico comunicava às almas dos nativos novas esperanças e um novo modo de ser e de viver.

            Para honra e glória de nossa pátria, como muito bem se expressou Mons. Pereira Alves, foi “sob as umbelas verdes de nossas florestas, entre as matinas de nossas belas alvoradas, que Frei Henrique ergueu a hóstia divina sobre a terra virgem descoberta por Cabral, consagrando-a, de maneira definitiva, ao Coração Eucarístico de nosso divino Redentor”.

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho  -  Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos. ( Brasil)

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:24
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