PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Cfd. ALUIZIO DA MATA - QUE CANÇÕES DE NINAR MARIA CANTAVA ?

  

                       

 

 

A figura de Maria, assim como a de Jesus, sempre me fascinou.

Não quero comparar Maria com Jesus, pois isto seria impossível, já que Jesus é Deus, já que é uma das três pessoas da Santíssima Trindade.

E fico pensando: No entanto, Ela tem uma relação direta com a Santíssima Trindade! Como pode isso? Ser Filha de Deus, Esposa do Espírito Santo e Mãe de Jesus! Mistério insondável e impressionantemente belo. Se pudéssemos explicar, como tentam algumas pessoas, Deus não seria Deus.

Mas hoje quero pensar em Maria como uma mãe como as outras mães.

A começar pelos momentos difíceis pelos quais passou, quando se viu grávida sem conhecer homem algum. Como explicar uma gravidez assim?

Mas Ela não teria que explicar nada. Teria apenas que viver o Plano e Deus, depois que resolveu, com coragem, dar o seu SIM.

“Enfrentar” José, cara a cara e se dizer grávida sem nunca ter tido relações com ele deve ter sido um momento sublime por parte dela e por parte dele. Depois, com certeza, viver as angústias e  expectativas que qualquer mãe sente quando está esperando um filho.

Quanto ao sexo, ela já sabia, pois o anjo já lhe tinha dito que Ela iria ter um filho que deveria se chamar Jesus. Mas como ele será? Como terá sido a preparação de um pequeno enxoval para ele? Sabemos que eram, Ela e José, pessoas simples, que viviam do trabalho. Não tinham riqueza e nem luxo. As roupinhas do Menino Jesus foram as mais simples possíveis, mas como Maria deve tê-las feito!... Com que carinho deve ter tecido panos, costurado peças, escolhido cores... Com que carinho José fez um bercinho para o menino que iria chegar!

Se uma mãe comum tem muitos cuidados sobre esses pontos, imagine Maria se sabendo Mãe do Filho de Deus!

Volto à questão das situações de mulheres grávidas, suas reações e suas preocupações. Teria Maria ficado com enjôos? Teria tido “desejos” de comer coisas e alimentos estranhos? Teria Ela pedido a José para conseguir uma fruta que não tinha naquela região? Teria ela se preocupado com o parto? Teria ela se preocupado em saber se Jesus seria perfeito no físico? Onde estaria José na hora do nascimento de Jesus? Penso que na aflição de ver Maria tendo os primeiros sinais do parto, José deve ter saído do estábulo para procurar um médico ou uma parteira para ajudar Maria. Se ele encontrou alguém, não sabemos. E nem sabemos se ele ao voltar, ainda teria tido a oportunidade de ajudar em alguma coisa. Teria Maria sofrido dores no parto? Se Ela não teve pode ter sido porque Deus não queria antecipar os sofrimentos que mais tarde teria. Se teve dores pode ser porque Deus já queria mostrar-lhe como teria de sofrer por Jesus, como sofrem todas as mães pelos seus filhos.

Mas uma coisa que me fascina é pensar quais canções Maria cantava para ninar Jesus. Já imaginaram com que amor, com que doçura, com que enlevo ela o fazia? Teria Ela inventado canções novas como Jesus merecia ou cantado simplesmente as músicas que Ana cantava para Ela?

De qualquer maneira, Jesus deve ter tido momentos em que gostaria de retornar ao colo de Maria e novamente escutar as canções de ninar...

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 13:15
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EUCLIDES CAVACO - ALCOCHETE PRINCESA DO TEJO

 

ALCOCHETE – PRINCESA DO TEJO

Veja e ouça aqui o poema declamado:

http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Princesa_do_Tejo/index.htm

 

Numa singela homenagem a ALCOCHETE

integrada na Celebração do Aniversário 2010 da CASA DA MALTA

no DIA DA CULTURA

 

Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:51
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - NÃO EXISTE JUSTIFICATIVA PARA A TORTURA OU QUALQUER OUTRO TRATAMENTO OU PENA CRUEL.

 

     

                          

  

 

      Apesar das proibições legais, vislumbram-se inúmeros casos de tortura em nosso país, num flagrante desrespeito à dignidade e à integridade dos  cidadãos. Celebra-se a 25 de junho, o Dia Internacional das Nações Unidas em Apoio às Vítimas da Tortura, que se constitui numa boa oportunidade para             refletirmos sobre os efeitos danosos de sua prática e para cobrarmos medidas    efetivas à sua total coibição, objetivando estabelecer à nossa convivência os verdadeiros valores democráticos, como liberdade, justiça social e respeito aos direitos humanos.

 

O Dia Internacional das Nações Unidas em Apoio às Vítimas da Tortura é celebrado em várias partes do mundo no dia 25 de junho, em comemoração à adoção pela ONU – Organização das Nações Unidas da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes. Desta forma, por toda Nação ocorreram durante a semana atos políticos, sessões legislativas e manifestações públicas que lembraram vítimas da tortura e da repressão. Trata-se de uma data de suma importância e que nos convida a sérias reflexões. Com efeito, tratamentos e penas cruéis constituem ofensa à dignidade humana e violação das liberdades fundamentais. Pelo direito internacional, “tortura é qualquer ato de dor violenta e sofrimento, físico ou mental infligido por um funcionário público para obter informações ou confissão. O Estado deve tomar todas as medidas para impedir sua prática”.

            Em nosso país, a Lei 9.455, de 7 de abril de 1997, afirma que “tortura é constranger alguém com uso de violência ou ameaça grave, causando-lhe dano físico ou mental para obter declaração ou confissão, provocar ação ou omissão de crime ou discriminar por raça ou credo. Também a caracteriza, a submissão de alguém sob a guarda de outrem ou autoridade, a intenso sofrimento físico ou mental, para aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo”. É um crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Sua pena é de reclusão, em regime fechado, de dois a oito anos. Se houver morte, a pena é dobrada para até 16 anos. Aquele que se omite em face dessas condutas, quando  tinha o dever de evitá-las, deve ser condenado de um a quatro anos de prisão.

            Ressalte-se que o Brasil é signatário da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de 1969 (pacto de São José da Costa Rica), a qual aderiu em 1992, e da Convenção Interamericana Para Prevenir e Punir a Tortura, de 1985, ratificada em 1989.

Além disso, e acima de tudo, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso III, determina que “ninguém será submetido a tortura  nem a tratamento desumano ou degradante”. A Carta considera ainda inafiançáveis, insuscetíveis de graça ou indulto, os crimes denominados hediondos, dentre os quais se inclui a prática de tortura (artigo 5º, XLII). Nos ternos do artigo 2º da Convenção supramencionada, “entender-se á por tortura, todo ato pelo qual são infligidos intencionalmente a uma pessoa, penas ou sofrimentos físicos ou mentais, com fins de investigação criminal, como meio de intimidação, como castigo pessoal, como medida preventiva, como pena ou como qualquer fim. Entender-se-á, também, como tortura a aplicação, sobre uma pessoa, de métodos tendentes a anular a personalidade da vítima, ou a eliminar sua capacidade física ou mental, embora não causem dor física ou angústia psíquica”.

            Apesar dessas disposições legais, é notório o fato de que ela permanece em território brasileiro, utilizada por alguns, até mesmo como método de investigação policial. Tanto que o sistema de Justiça, desde abril de 1997, quando foi promulgada a lei criminalizando a tortura, tem se mostrado incapaz, como aponta relatório do governo federal, de processar e condenar os funcionários do Estado torturadores. Quando à repressão no sistema prisional, a dificuldade maior reside na diluição de responsabilidade de controle entre a Justiça, a polícia e a administração penitenciária, que infelizmente, não tem sido satisfatório.

Resultados preliminares de uma pesquisa que vem sendo realizado pela Comissão Teotônio Vilela (CTV) e pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV/USP), sobre processos referentes a crimes de tortura nas varas criminais da Capital de São Paulo, entre 2000 a 2005, indicam que, do total de casos  denunciados perante o Poder Judiciário, os agressores são agentes do estado em 68% dos casos e agentes privados em 32%. Dos processos em que já houve uma decisão, em menos de 50% deles ocorreu algum tipo de punição. Conforme os dados, dos casos em que se registraram condenações, 1/3 deles envolveu agentes do Estado e 2/3 envolveram agentes privados, na maioria das vezes, relacionados com violência doméstica ou vingança.

Outro problema grave, de acordo com o Centro de Informação das Nações Unidas em Bruxelas, diz respeito à prática sistemática de denúncia do crime de tortura, já que, em alguns casos, eles são legalmente tidos como “abuso de poder” e/ou “lesão corporal”, que apresentam penas mais brandas do que a de crime de tortura.

Por outro lado, a CF ainda dispõe no § 5º do art. 109: - “Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal”. Doutrinariamente, são considerados crimes contra os direitos humanos os seguintes delitos: tortura; homicídio doloso praticado por agente de quaisquer dos entes federados no exercício de suas funções ou por grupo de extermínio; crimes praticados contra as comunidades indígenas ou seus integrantes; homicídio doloso, quando motivado por preconceito de origem, raça, sexo, opção sexual, cor, religião política, idade ou quaisquer outras formas de discriminação, ou quando decorrente de conflitos fundiários de natureza coletiva e uso, intermediação e exploração de trabalho escravo ou de crianças e adolescentes, em quaisquer das formas previstas em tratados internacionais. Como se vê, ela aparece em primeiro lugar na escala de gravidade de tais práticas criminosas.

            Espera-se que a tortura, bastante utilizada pelo regime de exceção que imperou no Brasil após o golpe de 1964, e também hoje abusivamente usada como meio de investigação policial ou de intimidação por bandidos, seja totalmente banido de nossa convivência e quando comprovada a sua prática, os autores sejam rigorosamente punidos. Essas medidas são fundamentais para que valores democráticos como liberdade, justiça social e direitos  humanos, sejam efetivamente conquistados por nossa sociedade.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 12:41
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JOSÉ RENATO NALINI - O HOMEM PÕE...

“…e Deus dispõe!” O provérbio é mais do que um truísmo. É uma verdade. Por mais que possamos nos portar como verdadeiros donos de nossa existência, ela é cada vez mais condicionada a fatores inteiramente alheios à nossa petulância. Ninguém é dono de nada. Ninguém pode garantir nada. Somos caniços frágeis. “Caniços pensantes”, como dizia Montaigne, mas toscos e quebradiços caniços. Quem diria que um avião ocupado por todas as mais altas autoridades da Polônia fosse cair exatamente no momento da aterrissagem? Quantas pessoas saem de suas casas tranquilas para um dia normal e não conseguem voltar? Vítimas de acidentes, de violência, de balas perdidas. Daquilo que a ignorância humana chama de “acaso”, mas que para o crente está inserto nos insondáveis desígnios de Deus. Quem esperava a erupção de vulcão na Islândia e o comprometimento do tráfego aéreo planetário? Tivéssemos consciência de nossa pequenez e talvez teríamos uma postura mais compatível com uma espécie que ainda faz questão de se considerar a única provida de razão. Primícia entre as demais espécies, a humanidade se caracteriza mais pela arrogância, pela irresponsabilidade, pelo total desconhecimento do que deva ser o comportamento de seres finitos e de curtíssima duração no lapso temporal. Verdade que alguns, por alcançarem glórias humanas, por conquistarem poder e dinheiro, pensam estar a salvo das contingências que só atormentam os outros infelizes. Estes, os pretensos “poderosos”, são os que oferecem o espetáculo mais deprimente na aventura humana sobre o Planeta. Orgulhosos, pretensiosos, insensíveis. Caracterizam-se pela sanha destrutiva. Destroem a natureza, fazem sucumbir a dignidade dos outros seres, nunca por eles considerados “semelhantes”. Menos ainda, passíveis de serem chamados “próximos”. Entretanto, são falíveis, vulneráveis e mortais como todos os outros. A morte, a democrática ceifadeira, é aquela que a ninguém poupa. Fuja-se dela com todas as forças, com todo o empenho e ela estará ali: quando menos se espera. Multiforme em suas exteriorizações. Pronta a sepultar o arrogante, assim como o simples e humilde de coração. Pensar mais na morte é fator de correção de rumos. Afinal, para que orgulho, se vamos apodrecer ou virar cinza mediante combustão?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 12:36
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DESCENDÊNCIA DE DEUS

                      

 

 

Deus abriu a vida, para descendência, na família humana da qual faço parte, em junho de 2007. Concedeu uma linhagem que não passou pelo sangue, mas veio através do coração dEle. Creio demais nisso! A descendência que o Senhor nos ofereceu, e que poderia ser ou não aceita pela minha cunhada e pelo meu irmão, nasceu da inspiração do Criador na alma dos dois.

Essa é uma história que se entrelaça com a minha e me emociona, pois os filhos de meu irmão são meus sobrinhos. Os rebentos de meu irmão e minha cunhada, unidos a mim por laços próximos, um é filho da exclusão e a outra, quando dava os primeiros passos, teve seus direitos desrespeitados e se tornou excluída. Não julgo os pais de nenhum deles, lamento, porém, por não conviverem com os filhos que geraram por situação de pobreza material, moral, emocional ou espiritual. E quantos pais se fazem somente fantasmas na vida de seus filhos, acompanhando-os como espectros. E quantos pais, de poder aquisitivo maior ou menor, fazem de sua maternidade e paternidade pantomima. Sabemos pouco sobre como nossas crianças foram concebidas. Do primeiro, disseram que a mãe era migrante em busca da realização da esperança em São Paulo. Dias melhores para ela e para os filhos que devem ter ficado com parentes próximos. Não deu certo. Respeitou, contudo, a vida do pequenino que a acompanhara em suas entranhas na viagem ou se fizera presença em território estranho. Deu-lhe um nome, nome de apóstolo. Esteve com ele poucos dias e o deixou no hospital para ser embalado em outros colos. Deve ser de resistente nos sofrimentos, mas tenho certeza de que chorou interiormente. O menino que confiou a Deus e Ele à minha cunhada e meu irmão, como também ao nosso coração, é de contentamento e sentimentos bons. Um dia desses, minha amiga Miralice Maria Moreira comentou, quando lhe falava sobre a felicidade que o menino demonstra ter, que, por certo, a mãe não o rejeitou e pôs, no coração dele, a alegria de viver. Achei tão bonito o que ela concluiu e penso que seja exatamente assim. A menina chegou faz menos de um mês. Três meses apenas de diferença de idade do nosso menino. Percebe-se que ela carrega, ainda, dos desencontros da família natural, que lhe marcaram o corpo com hematomas, e do estado de transição no abrigo, onde deve ter ficado por uns dois anos, algumas dores que o amor curará.

Essa história, que Deus faz conosco, por razões que não compreendemos, mas que sem dúvida são para o nosso bem, pois pertencem à Sabedoria dEle, fazem-me recordar a esterilidade de Sara, de Isabel de Zacarias, até que lhes chegou, através do Anjo, a boa notícia. Deduzo que nenhuma pessoa é infecunda se abrir os ouvidos para o anúncio dos enviados de Deus. Somos todos capazes, pela misericórdia do Senhor, de uma geração iluminada e mais numerosa que as estrelas do céu.

Não foi possível ao nosso menino e à nossa menina um berço do próprio sangue, por isso os acalentamos, por um desígnio amoroso do Pai, no côncavo de nossa alma.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola



publicado por Luso-brasileiro às 12:22
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RENATA IACOVINO - PESSOAS DISPENSÁVEIS

                      

 

 

            Há muito ouço dizer que o Homem, futuramente, será dominado pela máquina. Afirmação desgastada e fato constatado. Damo-nos conta?

            Marx dedicou parte de O Capital para falar a respeito do fetichismo, da coisificação do ser humano em oposição à humanização da mercadoria. Coisa mais do que sabida, hoje, e bem (ou mal) vivida.

            Inúmeros poetas nos alertam sobre a grave questão do consumismo e a alienação contida em seu bojo. Drummond foi um deles, traduzindo tal faceta no poema Eu, etiqueta: “Agora sou anúncio/Ora vulgar ora bizarro./Em língua nacional ou em qualquer língua/(Qualquer, principalmente.)/E nisto me comprazo, tiro glória/De minha anulação.”.

            Um acontecimento recente, em especial, fez-me refletir, de novo, sobre assunto tão urgente.

            Um casal sul-coreano, ele 41 anos e ela 25, deixou sua bebê prematura, de três meses, morrer de inanição, pois a alimentava uma vez por dia, em virtude de estar viciado num jogo eletrônico em que criava uma menina virtual. Enquanto dava “vida” ao inanimado, cometia homicídio contra a filha humana.

            Esta é apenas uma das formas de violência praticada na modernidade, época que aponta um futuro temeroso às gerações vindouras.

            Como transmitir afetividade o bastante para combater publicidades abusivas que vemos circular em meios de comunicação cujo alvo são pessoas hipossuficientes ou de personalidade ou opinião ainda não formadas? Como tornar a humanizar o que está desprovido de poesia, no seu aspecto mais elementar? Como convencer com palavras os que estão surdos a elas, enquanto se sustentam numa ilusória felicidade calcada em aquisições materiais e virtuais? Como resgatar um abraço em meio a braços fortemente cruzados face a uma realidade massificada?

            Uma coletânea literária de teor deveras lúcido, intitulada Vidas à Venda, organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP, diz-nos a certa altura que a leitura é dispensável num mundo de pessoas dispensáveis.

            Concluo: a ausência de leitura é ausência de palavra, de comunicação, de expressão, de humanismo, de toque, de calor, de olhar profundo... de poesia!

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:14
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O COMPANHEIRO DA JORNADA

                      

 

 

Ao longo da vida, todos nós, tomamos decisões que podem ter graves consequências. Tenho para mim que a atitude mais difícil e quantas vezes levada levianamente, é a escolha do companheiro/a.

Concordo com quem asseverou: “Há sempre testo que serve à panela”, mas sei, infelizmente, que nem sempre o “príncipe” consegue acordar a Bela Adormecida: porque chega demasiado tarde ou porque não a descobre; e o mesmo acontece, e quiçá mais frequentemente, à “princezinha”.

O facto da busca do companheiro/a iniciar-se, em norma, em verdes anos, em nada favorece.

Pais, avós, educadores, em regra, aconselham e orientam; e moralistas recomendam atitudes e predicados, que os jovens cristãos devem tomar, mas raramente são escutados pelos apaixonados.

O amor não é como se pensa, só amizade e torna sempre quem ama feliz: felicidade que se estampa no rosto, que é, como se sabe, o espelho da alma.

Namorar devia ser a preparação para o casamento, mas nem sempre é. Escolhe-se olhando ao vencimento, grau académico e bens de família, e por isso os vejo tão mal casados.

Uma vez matrimoniados, os conjugues devem tudo fazer para manter a chama do amor. Não basta amar, é preciso saber amar.

Saber amar é respeitar, interessar-se pela vida cultural e espiritual do outro. Contribui para o bem-estar, terem actividades conjuntas, rezarem em comum e entusiasmarem-se pelos ideais do companheiro/a.

É necessário saber transformar o ardor da paixão dos primeiros encontros, em ternura, cuidados e afectos.

Importante, também, é não se esquecerem de cumprirem, religiosamente, os deveres que lhes compete no casamento.

Vários são os modos de amar, e ama-se em todas as idades:

Ama-se em criança e na velhice. Paixões há que nascem na puerícia e perduram uma vida, como a de D. João da Câmara; por vezes são platónicas, mas arrebatadoras. Outras despertam em idade avançada, em regra mais espirituais, onde o desejo se confunde com amizade.

Uma coisa é certa: quem não ama, quem não se dedica ao pai, mãe, irmão, marido, filho ou a um ideal, é infeliz e torna infelizes os que com ele convivem.

Mas, só ama quem respeita:

 Ama a namorada, o que descobre a nudez após o casamento; ama quem se entrega incondicionalmente a causa nobre.

No entanto sendo a escolha do conjugue o acto mais importante da vida, é, em norma, tomado impensadamente. Seria interessante que os movimentos juvenis através de dirigentes, facilitassem encontros e encaminhassem, de jeito subtil, os que mostram semelhanças, mormente os mais tímidos.

Tarefa árdua e ingrata, mas necessária, em muitos casos, a meu ver.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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PINHO DA SILVA - CALÇADINHA DE LINDA-A-PASTORA, PORTUGAL

               



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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - NOSSAS PROMESSAS

                       

 

 

O rei de um povo sofrido era conhecido pela sua valentia nas batalhas. Quando o país entrava em guerra, ele era o primeiro que montava em seu belo cavalo e saia à frente para a luta. Com isso, ganhava fama e respeito.

Um dia, porém, o cavalo preto adoeceu e passou a preocupar o rei. Sem aquele fiel aliado, o monarca sentia-se inseguro para enfrentar os inimigos. O cavalo não melhorava e o rei deixou de ficar à frente nas batalhas. Então, disseram a ele que havia um homem que poderia aconselhá-lo a sair daquela situação; e o rei foi procurar o sábio que lhe indicaram.

Viajou dois dias no lombo de outro cavalo e chegou à humilde casa de um homem muito velho que mal podia andar. Contando sua angústia ao sábio, ouviu este conselho:

– Não deixe para depois o que é mais importante em sua vida. Se o cavalo preto está doente há tanto tempo, vossa majestade já deveria ter adestrado outro animal. Faça-o imediatamente ou perderá o seu reino.

Revoltado com o conselho que recebeu, o rei mandou prender o velho sábio e retornou a galope para o palácio. Continuou tentando recuperar a saúde do cavalo de estimação e perdendo guerras. Mais algum tempo se passou e os invasores tomaram o trono do monarca.

Colocado na mesma cela em que estava o sábio que prendeu, o rei ouvia sempre estas palavras: ‘Nada é tão bom que nunca se acabe ou tão ruim que perdure para sempre. Precisamos cuidar do presente para plantarmos um futuro melhor’.

Pois é, que esta lição sirva também para a nossa vida. Vivendo agora a Copa do Mundo de Futebol, lembro-me que há oito anos eu estendi uma bandeira do Brasil no terraço do meu apartamento. Quando saía gol da nossa seleção, eu e meus filhos balançávamos a bandeira para fora do prédio. Depois disso, o pano estragou e eu prometi que compraria outra bandeira, mas ficou só na promessa.

Há três anos, perto do Natal, eu enfeitei a grade da frente do apartamento com lâmpadas coloridas. A decoração ficou bonita, mas estragou já no ano seguinte e prometi que faria algo melhor. O tempo passou, eu estive ainda mais ocupado e hoje não há luzes para acender.

Ah, outra promessa que deixei de cumprir foi me exercitar diariamente na bicicleta ergométrica que comprei. Naquela época, disseram-me que iria virar cabide, e foi o que aconteceu. Então, no mês passado, adquiri uma esteira eletrônica e prometi à família que iria caminhar nela todos os dias. Já está difícil manter esse ritmo, mas tentarei não decepcionar.

Ainda preciso ver se cumpro outras promessas que fiz há anos: ler alguns bons livros guardados, visitar amigos em São Paulo, arrumar as gavetas que guardo meus pertences, estudar o manual do teclado... Acho que preciso parar de prometer!

Contudo, nada disso é mais importante em minha vida do que a missão na evangelização. Isto eu não posso deixar de cumprir porque comprometeria o plano de salvação que Deus tem para algumas pessoas, inclusive eu! Não deixarei para depois as tarefas que Jesus confiou a mim.

Precisei trocar alguns ‘cavalos pretos’ e substituí-los por outros para transpor obstáculos, mas a caminhada não parou. Quantas vezes tive vontade de dizer: ‘hoje não’ ou ‘estou com preguiça’; porém, eu lembrava que o Pai me dava saúde, paz e fé no coração para servi-Lo. Da mesma forma que aprendi a perdoar, eu precisava passar esse amor às pessoas que ainda sentiam ódio dos irmãos. E da mesma forma que fui curado, eu precisava testemunhar a confiança que devemos ter na oração.

Assim, valorizando cada vez mais o sagrado, fui deixando de cumprir algumas promessas menos importantes. Quem sabe um dia, a minha bicicleta voltará a funcionar, as luzes e a bandeira do terraço voltarão a existir, alguns livros sairão da gaveta... Enquanto isso não acontece, cabe a mim: continuar servindo os pobres como vicentino, coordenar um grupo de agentes da Pastoral Familiar, cantar nas missas com minha filha, estar presente a cada quinze dias na Escola Vivencial do Cursilho, participar mensalmente do nosso Ovisinha, além das Celebrações da Eucaristia sempre, sempre, sempre.

E você, leitor, tem deixado para depois os compromissos missionários de cristão batizado na Igreja Católica? Se ainda nem começou a cumprir essas ‘promessas’, imagine quantas pessoas já poderiam ter se convertido por seu intermédio!

Domingo passado, numa palestra que ouvi do religioso Mauro – Missionário do Sagrado Coração que se tornará diácono dia 4 de julho –, ficou claro o amor de Deus por nós. Ele citou as promessas que Jesus fez à humanidade no século XVII por meio de Santa Margarida Maria Alacoque. Eis a primeira e a última promessas:

“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”; “A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Diferente de mim, Ele sempre cumpre suas promessas.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:02
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MATRIMÔNIO, MATRIMÔNIO, ISSO É LÁ COM SANTO ANTÔNIO

                      

           

 

             Já tinha quase passado um ano desde que Ângela trouxera o Alegria para casa. Era incrível como o tempo passava rápido. Fora no dia dos namorados do ano passado. Ela o escolhera entre vários outros deixados para adoção. Assim, não era um cachorro de raça. Na loja, no Pet Shop no qual ela o pegou, disseram que atualmente se chama esse tipo de cachorro de SRD, ou seja, Sem Raça Definida.

            Ângela, contudo, era uma mulher prática. Não gostava de “dourar a pílula”, como se diz por aí. O Alegria era inegavelmente um Vira-Latas. Preferia essa denominação que, além de mais simples, dava ao cachorrinho um ar de boêmio, de malandro. Combinava com ele, combinava com ela, que não tinha nenhum sobrenome famoso, em era “quatrocentona” ou “trezentona”, “duzentona” ou qualquer outra “ona” da nona...

            O Alegria, embora fosse uma graça de cachorrinho, deu o trabalho que todo filhote dá. Roeu parte do pé da mesa da cozinha, fazendo com que, todas as manhãs, ao tomar seu café, Ângela se lembrasse de que, o amor, algumas vezes, é feito de desequilíbrios. Perdeu um pé de seu sapato favorito e aproveitou o “momento saci” para se livrar da horrorosa pantufa em formato de pepino que ganhara de sua prima Roberta.

            Com quase um ano de idade, o Alegria já estava mais sossegado e Ângela agora se via às voltas com outro dia dos namorados chegando. Andava meio cansada das perguntas da família, muitas irônicas, indagando sobre a data de casamento dela e de Alegria. A prima Roberta, inclusive, já até oferecera a cadela dela, Pituca, para servir de dama de honra. Esse ano teria que ser diferente ou ela iria largar mão dessa história de ter uma companhia para vida ou para uma parte dela que fosse.

            Chegara o dia 12 de junho e ela, um tanto desequilibrada em sua mesa capenga, tinha Alegria deitado aos pés dela, dormindo o sono dos inocentes. Era bom sentir o calor que emanava do corpo dele, mas ela pensava em como seria bom ter alguém para aquecê-la para além dos pés. O telefone tocou e ela, vendo no identificador de chamadas, que se tratava de sua mãe, Deolinda, sentiu os olhos marejarem. Ela sempre ligava no dia dos namorados, perguntando com quem ela passaria o dia, na esperança de ouvir da filha alguma novidade.

            Deolinda, casada há quarenta anos, era daquelas mulheres para quem a vida parecia ter sido feita sob medida. Aos 23 anos se casara com o homem dos sonhos. Casara-se de branco, repleta de sonhos. Tivera duas filhas saudáveis, trabalhava em um bom emprego e, quando descobriu que o marido estava de olho na vizinha, deu-lhe uma surra daquelas. Depois disso, tudo caminhara bem. Assim, não se conformava com a filha só viver com um cachorro, ainda que já estivesse até tricotando para ele umas roupinhas de frio e adorasse chamá-lo de Alegria da vovó...

            Nesse ano, contudo, Deolinda não fez pergunta nenhuma. Apenas lembrou a filha de que no dia 13 de junho era dia de Santo Antônio e que o Santo costumava ajudar quem queria realizar desejos do coração. Mandou um cheiro para o Alegria e disse que, no dia 13, mandaria entregar no apartamento dela uma casinha de madeira que um rapaz da vizinhança fazia e que ela comprara para dar uma força aos negócios dele.

            Ângela não era muito religiosa, mas, pensou, que mal faria rezar ao Santo? Ademais, ninguém ia saber mesmo.... Tentou lembrar de alguma oração específica, mas optou por fazer um pedido mais simples: _ Fala aí Santo Antônio, me dá uma força vai! Tô cansada de conhecer cafajeste e vagabundo. Para variar, manda alguém que valha a pena...

            No dia 12, logo pela manhã, o interfone tocou e ela, ainda com sono, falou ao porteiro para mandar o rapaz subir. Assim que abriu a porta, lamentou estar de pijamas e descabelada. Era o tal moço do qual a mãe falara. Viera entregar a casinha para o Alegria. Ele pediu desculpas por vir um dia antes, mas estava ansioso para entregar sua primeira encomenda, ainda mais para a filha da Dona Deolinda, de quem tanto ouvira falar bem. Chamava-se Antônio e, sim, adoraria entrar para tomar um café...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 11:56
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
EUCLIDES CAVACO - SANTO ANTÓNIO É MUITO NOSSO
SANTO ANTÓNIO É MUITO NOSSO
É  já  depois de amanhã que Lisboa e outras localidades se vestem de gala
para celebrar os festejos populares  em honra de Santo António.
Aqui vos deixo este tema  formatado dedicado ao nosso Santo mais popular
que poderá ler e ver aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Santo_Antonio/index.htm
 
Desejos dum divertido Santo António.
Euclides Cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt


publicado por Luso-brasileiro às 17:37
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JOÃO ALVES DAS NEVES - AS RAÍZES PORTUGUESAS NA ARTE COLONIAL BRASILEIRA

Recentemente, foi divulgada a inesperada controvérsia sobre um retábulo sacro pintado sobre madeira que está sendo disputado entre as igrejas matriz da cidade paulista de Mogi das Cruzes e a igreja de Nossa Senhora do Brasil, na capital paulistana. Não foram revelados informes sobre o valor artístico do retábulo, nem tão pouco o que representa a imagem, mas tão somente que a peça religiosa datará de 1749. Quer dizer, a pintura é do tempo em que o Brasil era uma colônia portuguesa.

 

 

Curiosamente fala-se com freqüência da arte colonial mas somente os especialistas costumam identificar, o riquíssimo acervo das cidades históricas de Minas Gerais que valoriza singularmente o barroco colonial, embora esse patrimônio assuma outras variações em Portugal e em alguns países ocidentais. Os estudos comuns da arte colonial pouco informam e a maioria dos dicionários quase nada esclarecem, mas o que tem de ser admitido é que a arte colonial, religiosa ou não, no caso do Brasil, revela com certeza o espírito lusíada, isto é, tem raízes lusitanas, apesar de realizada na terra brasileira.

 

 

O Atlas Cultural do Brasil do Conselho Federal da Cultura do Brasil, coordenado por mais de uma dezena de especialistas de diversas áreas certifica: “As Artes Plásticas no Brasil da era colonial se distinguem em dois períodos de autoria distinta. O primeiro se manifesta com maior relevância no século XVII, e seus principais autores são religiosos, monges e irmãos, europeus e nativos. Desses, mencionam-se com destaque os beneditinos Agostinho da Piedade, escultor, português de origem, que faleceu na Bahia em 1661; seu discípulo, Agostinho de Jesus, fluminense;o pintor Frei Ricardo do Pilar, originário de Colônia, Alemanha, falecido no Rio, em 1700, contemporâneo e companheiro de trabalho do toreuta entalhador Frei Domingos da Conceição da Silva. Entre os jesuítas, citam-se diversos que aqui viveram e produziram, sendo difícil a identificação de cada autoria no acervo restante. Por pesquisa histórica sabe-se da presença, entre Olinda e Bahia, dos pintores jesuítas quinhentistas Belchior Prado, Lagott, Baptista e Mendonça, porém sem obra remanescente. Na centúria seguinte através de um depoimento do Padre Antônio Vieira, sabe-se que Eusébio de Matos fora dotado de todas as artes, pintura inclusive, e que diversos outros jesuítas continuaram produzindo até o meados Setecentos, para o fausto da Igreja de Jesus (atual Catedral, de Salvador) entre eles, Domingos Rodrigues, Carlos Belleville e Francisco Coelho”.

 

 

“As tentativas de identificação de autoria tem falhado diante do enorme acervo jesuíta. Uma obra de notável destaque é o forro da primitiva sala da congregação e biblioteca do Colégio, executado na primeira metade dos Setecentos e único, em todo o País, de perspectiva aerial corrigida em relação a cada uma das figuras representadas e a cada elemento arquitetural figurado” (...)(1)

 

O esclarecimento é válido e poderemos estabelecer o paralelo recorrente das igrejas de Minas Gerais, entre outras do Brasil, mas principalmente pode relacionar-se com as informações do Atlas Cultural do Brasil e com os elementos reunidos nos milhares de verbetes do Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais (2), que documenta a conjugação de esforços de portugueses e lusos-descendentes (do Brasil) – talvez a maior parte de quantos trabalharam em terras mineiras não foram identificados, mas conseguimos referenciar cerca de uma centena de portugueses que trabalharam nos projetos e na construção dos inúmeros templos e de alguns palácios, espalhados pelo território mineiro, onde atuaram, no total, milhares de pedreiros, carpinteiros, ferreiros e toda a sorte de artífices, ao lado de centenas de artistas dos mais variados ramos, incluindo perto de uma boa centena de pintores, escultores e outros portugueses.

 

 

O patrimônio histórico e artístico de Minas Gerais é tão vasto e rico que ainda não foi inventariado no seu conjunto. E se há outros núcleos em diferentes lugares do Brasil eles se conjugam para testemunhar o engenho e arte dos que viveram na colônia que chegou a ser a sede do Reino Unido de Portugal e Brasil em condições que não sofrem comparações no mundo de ontem e de hoje.

 

 

O inventário da participação portuguesa no Brasil continua incompleto: faltam milhares de igrejas construídas no tempo da colônia, assim como certos museus, com destaque para o de Arte Sacra de São Paulo, que soube reunir uma grande série de peças religiosas de origem lusa, bem como várias instituições culturais dispersas pelo vasto território brasileiro.

 

 

(1) Os estudos reunidos no Atlas Cultural do Brasil foram editados em 1972 pelo Conselho Federal de Cultura (MEC/FENAME), então presidido pelo Prof. e Escritor Arthur Cézar Ferreira Reis.

 

(2) Publicado sob a direção de Judith Martins, com o apoio de numerosos colaboradores – o 1º. vol. tem 406 págs, e o 2º. conta 396 págs. (Publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1974).

 

JOÃO ALVES DAS NEVES-- Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.



publicado por Luso-brasileiro às 17:29
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