PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 20 de Junho, DIA MUNDIAL DO REFUGIADO e DIA DO MIGRANTE

 

                        

 

 

No dia vinte de junto celebramos o Dia Mundial do Refugiado e o Dia do  Migrante, datas comemorativas que nos levam a refletir sobre estes fenômenos     (imigratório e migratório), que não podem ser vistos apenas como    deslocamentos geográficos de indivíduos, nem mero exercício do direito de ir e vir. Eles envolvem aspectos sociais, políticos e culturais, que suscitam proteção    jurídica especial. 

 

 

Para atender às necessidades das populações sofridas que acabam injustamente sendo perseguidas a ponto de abandonarem suas Nações, criou-se, em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). A iniciativa, que se destinava a proteger as vítimas da guerra, acabou por tornar-se um serviço permanente devido à dura realidade de conflitos e perseguições internacionais, sendo firmada a Declaração de Cartagena, estabelecendo a partir de 1964, os direitos e deveres dos refugiados.

            Segundo relatório dessa entidade, o número de refugiados no mundo passa de quatorze milhões. Trata-se de uma situação que contraria manifestamente os direitos fundamentais dos indivíduos, pois aqueles que deixam suas pátrias forçados por perseguições de raça, de religião, de nacionalidade, de grupo social e de opiniões políticas e que se sentem temerosos e excluídos, acabam por perder as próprias raízes e são obrigados a fugir e a buscar asilo em outros países. Esse quadro mostra a necessidade da solidariedade da sociedade organizada na tentativa de amenizar o problema, principalmente em nosso país que há décadas constata grandes migrações internas, sendo alvo de numerosos imigrantes de outras localidades, recebendo ainda, um considerável número de refugiados. De acordo com Luiz Paulo Teles Barreto e Luis Varese, “a lei brasileira sobre refúgio (nº 9.474, de 22/07/1997) é considerada pela ONU uma das mais modernas, abrangentes e generosas do mundo. Seu texto contempla todos os dispositivos da proteção internacional aos refugiados, incorpora as razões de refúgio consagradas universalmente e inova ao beneficiar também quem deixa seu país em busca de abrigo devido a graves e generalizadas violações de direitos humanos - muito comuns em casos de conflitos armados” (Folha de São Paulo, 22/06/2010- p. 03).

            Nesse contexto, conforme dados extraídos de matéria publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” (20/06/2007- p. A18), após manifestar o desejo de permanecer no Brasil como refugiado, o imigrante é encaminhado à Polícia Federal e depois à Cáritas Arquidiocesana de São Paulo ou do Rio de Janeiro, conveniadas com o Acnur e que dispõe de três programas principais de atendimento: proteção (cuidando dos aspectos jurídicos e regularização de documentação), integração (cursos de português e profissionalizante) e assistência social (moradia, alimentação e saúde). O processo de aprovação dura cerca de três meses e nesse período o imigrante passa por duas entrevistas, que depois são analisadas por representantes do Acnur, do Comitê Nacional dos Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça, e da sociedade civil (Cáritas). Nesse tempo, os solicitantes ficam em albergues determinados e fazem cursos de idiomas e profissionalizantes. Aprovados, recebem um Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), renovável a cada dois anos e passam a ter os mesmos direitos dos estrangeiros que residem legalmente em nosso país. Recebem ainda por seis meses uma ajuda de subsistência no importe de um salário mínimo.

Embora o ideal fosse o de um mundo sem perseguidos nem refugiados, é gratificante constatar que o Brasil está ciente de suas responsabilidades na proteção internacional às vítimas desta intolerância e de possuir uma política clara, honesta e generosa sobre o tema, embora às vezes cometa alguns deslizes, motivados mais por  paixões políticas de alguns agentes da Administração Pública do que por nossas orientações normativas, como ocorreu com os boxeadores cubanos nos Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro, sumariamente deportados, sem que seus pedidos de asilo  político fossem analisados. Esperamos que  essas condutas não se repitam, sob pena de prejudicarem os avanços obtidos e manifestamente adequados aos ideais democráticos e de defesa dos direitos humanos. Com efeito, os fenômenos imigratório e migratório não podem ser vistos como simples deslocamentos geográficos de indivíduos, nem como mero exercício do direito de ir e vir. Eles envolvem aspectos sociais, políticos e culturais, que suscitam proteção jurídica especial.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI, advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 17:08
link do post | comentar | favorito

RENATA IACOVINO - LIBERDADE DE ESCOLHA

                      

 

           

                  Já me preparando para uma maratona de justificativas que me serviriam para cancelar um determinado serviço, tomei fôlego e acessei, por telefone, o Serviço de Atendimento ao Cliente de uma empresa.

            Optei pelo telefone na expectativa do atendimento ser um pouco menos impessoal, sabendo que isto é uma ilusão.

            Todos que já tentaram cancelar algum tipo de serviço, sabem que isto é tarefa árdua, há que se ter convicção e argumentos para se enfrentar o outro lado, muito bem catequizado para não deixar que a empresa perca clientes, já que conquistá-los e mantê-los, é como matar um leão a cada dia.

            O irônico é que, mesmo robotizados e quase sem nenhuma justificativa que, na prática, beneficie o consumidor, em sua maioria, a estratégia de marketing (e não de qualidade de atendimento) é o que impera, deixando o consumidor render-se pelo cansaço, não entendendo claramente quais as vantagens, afinal, ele terá, permanecendo com aquilo que, inicialmente, estava convicto de desistir.

            Em inúmeros casos, contatamos os SACs para tirar dúvidas e fazer opções mais favoráveis ao nosso bolso e não ao lucro da empresa, no entanto, nós é que somos bombardeados com perguntas e, ao final, nem lembramos qual a finalidade de nossa ligação.

            Isto sem considerar que grande parte dos usuários podem ser considerados hipossuficientes. Quem detém o conhecimento técnico é a empresa e não o consumidor, que é peça vulnerável na relação e fica à mercê da “boa” vontade de quem está do outro lado. E como empresários não vivem de boa vontade, mas de lucros... a coisa complica.

            É fato que não se pode generalizar, mas desde que as empresas tiraram os atendimentos pessoais de sua linha de frente, a qualidade no atendimento deixou de ser prioridade. Como se isto não fosse fundamental para uma escolha, na hora da contratação de um serviço ou aquisição de um produto. E quando não há concorrência no segmento, a situação se agrava.

            Se necessitamos contratar algo, o atendimento é pronto e infalível, não dando margens a questionarmos possíveis falhas futuras ou comportamentos omissos para resolver eventuais pendências que venham a ocorrer. Entretanto, se precisamos da mesma empresa para cancelar o tal serviço, ah, quanta dificuldade! Com menos de três ligações não se resolve o problema. Isto sem contar o tanto que se esperamos em cada uma delas, e o tanto que apertamos teclas de nosso aparelho telefônico, tentando descobrir se o que precisamos está no número dois, três, quatro ou nove. Até descobrirmos que... nenhuma das anteriores. Não é prioridade um pedido de cancelamento. Sendo assim, o atendente redireciona sua ligação. Até que ela cai. E você liga de novo e é obrigado a começar do zero. Ou do um, dois, três, quatro, cinco, sabe-se lá.

            Numa tentativa desesperada e ilusoriamente vitoriosa, após atingirmos nosso objetivo, pedimos o nome do atendente e o número do protocolo, para uma garantia, caso o solicitado não venha a se concretizar. Ocorre que os nomes dos atendentes são fictícios e os protocolos... bem, ao tentar utilizá-los em razão de um pedido não efetivado por parte da empresa, somos surpreendidos, após novas tentativas de contatos: eles inexistem.

            Quebrando a regra, já me preparando para um embate, tendo em vista o objeto de meu telefonema junto a uma empresa, ser o cancelamento de um serviço, fui surpreendida com um atendimento eficiente. E a linha não caiu. O consumidor gosta de ser bem tratado, de ter liberdade de escolha e de não ser coagido.

            Não me foi questionada a razão do cancelamento do serviço, não me pediram dados cadastrais, apenas para ganhar tempo e me dissuadir da idéia inicial. E este comportamento da atendente é que me fez ter interesse em saber se havia um plano, mais barato, que pudesse me servir do mesmo jeito. A solução veio, mesmo a atendente já se preparando para efetivar o pedido de cancelamento. Fiquei satisfeita com o que decidi e a empresa não perdeu o cliente. Que alívio!

            Mas isto tudo me faz refletir naquela máxima que percorre o senso comum de que os serviços públicos são ruins. Acho que esta é uma consideração que deve ser relativizada. Tanto na esfera pública quanto na privada há falhas; mas em ambas também existem fatores positivos.

 

Renata Iacovino, cantora, escritora e poetisa. reiacovino.blog.uol.com.br / http://reval.nafoto.net

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:02
link do post | comentar | favorito

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CASA CLARA

                      

 

 

A menina veio com a mãe. Estava, na época, com quatro anos. A mãe, logicamente, já foi criança e carrega, dos acontecimentos, muitos sustos. A vida da mãe da menina, desde que estragaram a boneca de pano, foi de impactos, imprevistos e receios.

A menina também tem boneca que, apesar das manchas, continua inteira. Os sobressaltos dela eram – ou são – os da mãe. Assim como as dores, os medos, o não saber se posicionar diante do melhor caminho. “Ou isto ou aquilo”, diria Cecília Meireles: “Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo.../ e vivo escolhendo o dia inteiro!/ Não sei se brinco, não sei se estudo,/ se saio correndo ou fico tranquilo./ Mas não consegui entender ainda/ qual é melhor: se é isto ou aquilo”. Triste, contudo, é saber que há muita gente, de miúda a grande, que não tem escolha entre o isto e o aquilo, até que possa se fortalecer, tardiamente, e decidir.

A mãe leva a filha na reunião de evangelização da Pastoral da Mulher, embora ela entenda pouquíssimas coisas do que é falado. É para protegê-la de menores e maiores que rondam sua casa.

Antigamente, a menina nos pedia lápis de cor e papel. Separava os de tom escuro - marrom, preto, cinza -, falava que faria uma casa e acalcava riscos perpendiculares. Não havia desenho com formas definidas.  Era a moradia de sua imaginação e sentimentos. Traçados como relâmpagos, porém sem luminosidade alguma. Provavelmente, nas noites de tempestade, ela não via os raios, percebia somente os estrondos.

Detém-se, nos encontros da Pastoral, apenas em dois momentos, para o sinal da cruz cantado e para arriscar, em meio às adultas, os seus pedidos pequeninos, mas de intenção grande.

Neste ano, a mãe conseguiu, para os seus seis anos, uma vaga na Casa da Criança Nossa Senhora do Desterro. Conheço faz muito as religiosas de lá, da Congregação das Irmãs Missionárias de Cristo, que são alegres e preparadas para investir em um futuro melhor para as crianças. Eram elas que cuidavam, com carinho extremo de Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, nosso primeiro Bispo Diocesano. Pouco tempo depois, ela me contou que sabia rezar sozinha uma oração e a repetiu com fé: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, governe, ilumine, amém”. Encantou-me. Aprendi essa oração antes de saber ler e não deixo, um dia, de rezá-la. Sou de conversa franca com meu Anjo da Guarda, digo-lhe sobre minhas emoções bonitas e sobre a braveza com alguns fatos também. Desabafo com ele os meus resmungos. Dom Hélder Câmara, em um de seus livros, conta que até deu um nome ao Anjo da Guarda dele, de quem ele considerava que recebia o sopro de Deus. Para estreitarem o relacionamento, chamava-o de José.  Percebo, nitidamente, que o meu me protege. Tenho a impressão, ainda, de que o Anjo, a quem Deus me confiou, é muito bem humorado, dá muitas risadas e, em certas situações, relata, a meu respeito: “Como ela é doidinha, Senhor! Tenho um trabalho com ela...” Ótimo ter consciência de que o Anjo da Guarda segue conosco e nos protege. Suponho que o meu  ri de mim e comigo e eu considero divertido ele me achar engraçada.

Um dia desses, a menina identificou, de imediato, dentro da Catedral, uma das Irmãs da Casa da Criança. Correu até ela. Referência de amizade que fala de Deus e ninguém como Deus para amparar e defender dos pavores. A mãe demonstra contentamento com as novas amizades da filha e com aquilo que ela aprende sobre o Céu..

Há poucos dias, a menina nos pediu os mesmos lápis de cor e uma folha de papel. Escolheu os de colorido que acendem os olhos. Construiu uma casa com o telhado repleto de estrelas. Na parede, duas outras estrelas  – uma maior e outra menor - e um rosto com olhos bem abertos e sorriso largo. Na cabeça, um fio apontado para as estrelas. Imagino que o rosto seja o da mãe e as estrelas a irmã e ela. A casa do coração da menina fez-se clara e, nas sombras, ela semeou estrelas. Sinal de salvação.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:59
link do post | comentar | favorito

Cfd. ALUIZIO DA MATA - ASSISTIDO : UM APAIXONADO POR FUTEBOL

                       

 

 

Sou, como a maioria dos brasileiros, um apaixonado por futebol. Ele nos deixa alegres muitas vezes e em algumas outras nos deixa triste, mas isso não importa muito. Ficamos tristes em uma semana por ver nosso time perder uma partida, no outro fim de semana estamos torcendo como se nada de ruim tivesse acontecido. E o futebol tem uma característica: independe da idade da pessoa para se torcer.

Eu confesso: já sofri algumas vezes por ver o Atlético Mineiro ser derrotado, mas a paixão pelo time me faz lembrar muito mais das inúmeras vitórias que o time conquistou. Não deixo de ver um jogo do meu time quando ele é passado na televisão. Se o jogo não for transmitido, escuto a narração pelo rádio.

Alguém deve estar perguntando: e o que tem isso com a Sociedade de São Vicente de Paulo? Eu mesmo respondo: tem muito. Nossa Sociedade tem muitas crianças e muitos assistidos já bem idosos. Será que eles não gostariam de assistir um jogo de futebol, de vez em quando?

Sei que muitos dos administradores dos asilos e lares dos idosos e creches pensaram nisso e colocaram uma TV em um salão para que seus internos possam assistir aos jogos da Copa do Mundo.  Muitos assistidos até poderão não entender o porquê de o salão estar todo decorado de verde-amarelo, mas sentirão o ambiente mais alegre, mais vibrante. Já pensaram se as pessoas que trabalham nesses abrigos pararem por alguns momentos os seus afazeres e ficarem com eles vendo o Brasil jogar? No mínimo todos eles sairão da rotina: assistidos, empregados e voluntários. Seria muito bom se as conferências resolvessem ir assistir os jogos nas casas dos assistidos, nos abrigos ou nas creches.

Tenho receio de que a idéia não seja muito bem aceita, pois somos comodistas. Gostamos de assistir tais eventos esparramados nos sofás de nossas salas, com alguns até tomando uma cerveja.

Vou ser sincero: é duro ser idoso, é duro ser criança. Já não falo pelo que ele precisa enfrentar de abandono dos familiares, das doenças que normalmente chegam com a idade, das carências afetivas que a infância exige, mas muito mais por serem considerados apenas pessoas que devemos visitar de vez em quando porque manda o Regulamento.

Gostaria de saber se as Conferências comemoram os aniversários de seus assistidos, levando um bolo e guaraná para comer e tomar junto com eles. Tem Conferência que nem sabe as datas dos aniversários dos adultos e suas crianças. Se alguma faz essas comemorações, parabéns. Se não fazem, que pena!

A alegria que notamos no semblante dos assistidos que participam trajados a caráter de uma festa junina nos dá uma emoção muito grande. Será que para assistir os jogos também não seria a mesma coisa?

Assistido também tem sentimentos... 

 

 ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 16:53
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 10 de Junho de 2010
HUMBERTO PINHO DA SILVA - SOMOS O QUE SOMOS PELA GRAÇA DE DEUS E DOS IRMÃOS

                       

 

 

       S. Filipe de Nery ao caminhar pelas ruas de Paris, avistou condenado ladeado de polícia e exclamou com gratidão: “ Este que vai ai podia ser eu, se não fosse a graça de Deus.”

Somos o que somos pela graça de Deus e dos irmãos.

Os pais que tivemos, os professores que nos orientaram, os amigos que possuímos, as oportunidades que surgiram, moldaram-nos no que somos.

Por certo podemos procurar as veredas que nos levam à meta, mas os caminhos não se abrem por acaso.

Se escrevo esta crónica devo a meu pai, que era jornalista, e igualmente a tantos escritores, ensaístas e filósofos, cujas obras li e reli desde a meninice.

Somos eternos plagiadores. Nascemos demasiadamente tarde para sermos originais. Tudo que pensamos, escrevemos e opinamos, ainda que nos pareça original, já outros escreveram e pensaram antes de nós.

Diz, com razão o Eclesiástico: “ Nada de novo há debaixo do Sol.”

Somos devedores aos que nos antecederam. As grandes descobertas que alteraram o destino do mundo não teriam surgido senão houvesse infindável cadeia de cientistas que ao longo de séculos foram transmitindo, uns aos outros, o conhecimento.

Naturalmente pode-se escolher os amigos, local onde vivemos e o curso que concluímos, mas a escolha resulta da educação que recebemos, dos livros que lemos, dos amigos que temos e dos familiares que vivem connosco.

Somos o que somos devido à sociedade que integramos, às obras que lemos, aos jornais e revistas que compramos, aos amigos que possuímos, aos filmes que assistimos e aos comentaristas que ouvimos na rádio e TV.

Pensar o contrário é não entender a influência que a sociedade exerce no nosso modo de pensar. É não perceber o poder da mass-media.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:16
link do post | comentar | favorito

PINHO DA SILVA - CAPELA DE Nª Sª DA PIEDADE, VILA NOVA DE GAIA, PORTUGAL

                      



publicado por Luso-brasileiro às 12:13
link do post | comentar | favorito

Domingo, 6 de Junho de 2010
EUCLIDES CAVACO - TUDO ISTO É PÁTRIA
TUDO ISTO É PÁTRIA
É o poema seleccionado para esta semana já no âmbito das celebrações do dia
de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo.
Veja e ouça-o  aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Tudo_Isto_e_Patria/index.htm
 
As minhas saudações Lusíadas
Euclides Cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt


publicado por Luso-brasileiro às 19:46
link do post | comentar | favorito

PAULO ROBERTO LABEGALINI - MINHAS RECORDAÇÕES

 

                                           

 

 

A primeira vez que pisei em Itajubá foi para prestar vestibular em dezembro de 1973. Vindo de Monte Sião, lembro que o ônibus passou por lugares cheios d’água perto de Santa Rita e eu comentei com um amigo: ‘Choveu muito por aqui!’.

Passei a noite num quarto do ‘Prédio do Nagib’ no bairro da Varginha. O local, alugado para estudantes, às vezes virava uma bagunça à noite. Pude testemunhar isso porque, no ano seguinte, já cursando engenharia civil, morei no primeiro andar do pequeno edifício. E quando não agüentei mais a falta de sossego, fui para uma pensão na Rua Silvestre Ferraz, onde eu era muito querido pela D. Geralda.

E 1975 foi muito corrido! Eu dividia o tempo entre a faculdade e o Batalhão. O segundo ano de engenharia exigia dedicação nos estudos e o NPOR também não deixava por menos. Quantas vezes eu chegava de farda para assistir aula e, meio envergonhado, percebia olhares estranhos de toda parte. Ainda bem que os professores entendiam o meu esforço e, quando perdia provas, davam outros testes para eu fazer.

Nunca poderia imaginar que eu viria a ser colega de trabalho do Bonaldi, Chicão, Hermeto, Costanti, Ulderico, Márcio Tadeu, Fredmarck, Rocha, Djalma e tantos outros. O mundo é tão pequeno que, na EFEI, até chefe de alguns deles eu fui, mas sempre com humildade e muito respeito por grandes cabeças que eram. Desde 1979, quando ingressei na Escola Federal de Engenharia, aprendi bastante e fui ajudado por muita gente, como o Márcio Tadeu que me propôs escrevermos livros juntos e me orientou no mestrado.

Anos depois, recebi um certificado que muito me honrou: fui diplomado pela Associação dos Ex-alunos da EFEI. E parti para o doutorado na Poli da USP, que conclui em 1998. Até então, eu me dedicava às coisas do mundo – algumas fundamentais para a profissão, mas não tão importantes para a missão maior que me esperava.

Então, na mesma época, iniciei minha caminhada como agente de Pastorais da Igreja Católica. Fundei um ministério de música, fiz OVISA, Cusilho de Cristandade, tornei-me vicentino e passei a escrever para ‘O Sul de Minas’. Este texto é o artigo 634 em 13 anos de evangelização. Em decorrência disso tudo, há dois anos recebi uma homenagem da ‘Câmara dos Dirigentes Lojistas de Itajubá’ por serviços prestados à comunidade.

E na cidade de Nossa Senhora da Soledade nasceram meus três filhos, fiz amigos, rezei, sorri, chorei, apresentei programas de rádio e aprendi com a vida. Entre erros e acertos, acho que o balanço já é positivo. Orgulho-me de ser Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística e coordenar alguns grupos que desempenham trabalhos relevantes na cidade: Pastoral Familiar, Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, Natal no Campus; além de ser responsável pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI. Muita gente interage comigo para ajudar o próximo, principalmente minha esposa.

Também sinto saudades de algumas boas almas que estão junto de Deus. Na semana passada, fui ao velório do professor Álvaro Pereira Rizzi e percebi o quanto o admirava como mestre e ilustre cidadão. Rezei em nome dos alunos que ele tanto ajudou e lembrei que, cada vez que nos encontrávamos, ele elogiava algum artigo que eu escrevia.

Certo dia, na Avenida Paulo Chiaradia, eu estava com pressa e buzinei para alguém que dirigia à minha frente. Imediatamente o motorista deu-me passagem e, quando ultrapassei, vi que era o professor Rizzi. Virei o rosto para ele não me conhecer e fiquei com remorso, pensando: ‘Eu poderia ter buzinado para qualquer outra pessoa, menos para ele. Como fui malcriado!’.

Sempre quis me desculpar com o meu ex-professor, mas preferi compartilhar coisas melhores nas raras vezes que conversamos – para aprender um pouco mais com aquele homem exemplar.

Pois é, o tempo é impiedoso! Mesmo sabendo aproveitá-lo, alguns momentos não voltam mais. A única coisa que fica é a Palavra de Deus, que também falou alto em meu coração nesta cidade que aprendi a amar. São Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja que viveu no século VI, ao comentar o capítulo 10 do Evangelho de São Marcos – onde o cego Bartimeu gritou para Jesus em Jericó e foi curado –, disse:

“Com razão, a Escritura nos apresenta este cego sentado à beira do caminho e pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma: ‘Eu sou o caminho’. Assim, todo aquele que ignora a claridade da luz eterna é cego.

Se cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho; mas se desprezamos pedir que nos seja dada a luz eterna e a oração, ainda não pedimos esmola. Porém, se conhecemos a cegueira do nosso coração e oramos a fim de recebermos a luz da verdade, então somos efetivamente este cego sentado à beira do caminho que pede esmola.

Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação da luz eterna, grite com toda a sua alma: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!”

 Portanto, enquanto Deus permitir, continuarei gritando para Itajubá ouvir.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 19:31
link do post | comentar | favorito

TEREZA DE MELLO - CONCEIÇÃO

 

                        

 

 

De todas as crianças que vinham antigamente cá lanchar, todos os dias, com a ajuda da Caritas, lembro-me mais vezes da Conceição,--não , não é a do morro que vivia a pensar com coisas que o morro não tem. Esta era apenas uma pequena difícil, que taquinava as outras com as suas atitudes, o palavreado e as queixas eram seguidas.

Sempre zangada com todos, todos zangados com ela. Tinha atitudes de gente grande mal comportada. Penso que nem sabia o que fazia. Os rapazes, como eram muito novos, nem se apercebiam bem, felizmente.

Depois de várias conversas, que não levavam a nada, resolvi ir à casa dela, que não conhecia ainda. Fui, meus Deus, que miséria, os pais alcoólicos, a casa mais parecia um barracão e térreo.

Também de nada serviria falar com eles do assunto que tanto me preocupava. E voltei para casa desanimada.

No dia seguinte reuni todas as pequenas numa grande conversa. Expliquei-lhes que a Conceição era doente, não sabia o que fazia e precisava da ajuda delas e que fossem todas muito suas amigas. E como estávamos nas véspera do Natal, seriam mais umas pedrinhas para as ruas do presépio. Começávamos a fazer o presépio logo no princípio de Dezembro e todos os dias acrescentávamos mais qualquer coisa que iam trazendo, como musgo, gogos, que seriam os pedregulhos, às vezes um espelho partido um dos lagos, e por ai fora. As ruas eram os seus sacrifícios. Cada sacrifício, uma pedrinha.

Gostava de juntar á festa um sentimento religioso, como gostava de durante o ano lhes contar sempre alguma passagem do antigo ou novo testamento, numa linguagem acessível, e pô-las depois a desenhar e pintar as figuras da história que tinham ouvido. Ainda tenho os seus desenhos guardados. Fazem-me saudades e ternura agora passados tantos anos, já no fim da vida. E lá estão também guardados os da Conceição

Pois as minhas pequenas, como lhes chamava, ouviam atentas o que lhes tentava incutir. Paciência, amor, carinho pela Conceição, que era infeliz, doente e não sabia o que fazia.

Quase as tornei responsáveis por ela.

E elas levaram a peito o seu papel. Não deixavam a Conceição levantar a saia, umas das suas manias, nem fazer outras coisas, que não interessam agora. E começaram também a brincar mais com ela. A Conceição foi-se tornando mais dócil, menos implicativa e elas deixaram de fazer queixinhas.

E passaram também a chegar com as mãos cheias de pedrinhas para o presépio.

 

 

TEREZA DE MELLO - Escritora,Abrantes, Portugal. ( Faleceu em Outubro de 2009)



publicado por Luso-brasileiro às 19:23
link do post | comentar | favorito

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - POR UM POUCO MAIS DE AMOR

                      

 

               

                 Mais um dia dos namorados chegando e Ângela não tinha, novamente, com quem comemorar. No ano passado, após várias doses de vinho, sozinha no sofá da sala, ela se jurara que seria diferente no ano seguinte. Naquele dia, rejeitara o convite de umas amigas, todas solteiras, para uma noite regada a filmes, alguma bebida, risadas e esquecimento. Ah, teria pizza também! Bendito carboidrato de todas as horas de desespero...

                As amigas juraram que seria uma noite divertida, que seria totalmente diferente do que ocorreu na casa da Juliana, em 2007. Dessa vez ninguém iria poder misturar fermentados e destilados. Ninguém iria vomitar pelo banheiro, como se fosse a personagem central do filme “O Exorcista”. Também iriam retirar a chave da porta, para que a Maíra não se trancasse lá dentro, com uma crise de choro, com as eternas saudades do Gustavo, o ex que a deixara plantada, por três horas, na porta da igreja, enquanto ela, de noiva, jurava para todos os duzentos e trinta e dois convidados que ele já estava chegando.  A pobre só se convenceu de que algo dera errado quando as damas de honra foram as últimas a ir embora, um pouco depois do padre...

                A Carlinha até prometeu que dessa vez só alugariam terror ou comédia. Nada de filmes de amor, daquele tipo “água com açúcar” que todas as mulheres sabem, racionalmente, que não existe, mas que, no íntimo, ficam rezando para acontecer na vida real. Ângela sabia bem como acabavam esses filmes. Todas iam rindo, fazendo de conta que era só diversão, ficção, mas ela bem que notava que, conforme a mocinha do filme ia se dando bem, as amigas iam consumindo mais bebida e se entupindo de pizza. Daquela vez, se não lhe falhava a memória, foram quatro pizzas para cinco mulheres. Ela mesma nem se lembrava de quando comera... Acabava o filme e todas estavam com os olhos cheios d’água, frustradas pelas promessas que a vida fez e não cumpriu. O banheiro acabava sendo disputado a tapas: quem não ia vomitar, no desejo inconsciente de trocar de entranhas, ia dar uma ajeitada na cara inchada de chorar. Dificilmente alguma não dedicava alguns minutos se olhando no espelho, comparando, mentalmente, os cabelos e a silhueta da mocinha do filme, com a própria.

                Ela já estava era cansada disso tudo. Assim, no ano passado, preferira passar sozinha. Descobriu, no dia seguinte, que elas haviam mudado de planos e tinham ido jogar boliche. Para o espanto das amigas, tinha muito mais gente sem namorado do que elas pensavam, porque o lugar estava cheio. Quase na hora de irem embora, a Maíra avistou ninguém mais, ninguém menos do que o Gustavo. Ele estava com uns amigos, abraçado com uma morena baixinha que ela logo reconheceu como sendo a Jaqueline, a secretária dele. Não era que eles faziam até um casal bonito, os descarados? A Maíra resolveu recuperar a dignidade perdida e se fazer de superior. Encheu os pulmões de ar, empinou os peitos (o quanto foi capaz de fazer) e foi na direção dos dois. Quando as outras viram, já era tarde demais para impedi-la. Ângela desconfiava que, no fundo, ninguém nem é tentara. Todas deviam estar curiosas para saber no que aquilo iria dar.

                A Maíra chegou até os dois e não se fez de rogada. Olhou bem nos olhos dele e viu tudo o que precisara. Ele era mesmo um canalha. Ponto. Não tinha nada que ela pudesse fazer. Nada a resgatar. Nada, exceto, como ela de fato fez, jogar nele, com toda a força de que foi capaz, a bola de boliche que, sem perceber, levava nas mãos. Por sorte, a bola não acertou a cabeça dele, mas “somente” caiu no pé esquerdo, quebrando-lhe todos os dedos. Segundo a Carlinha, a Maíra disse que nunca sentiu um alívio tão grande. Era como se aquela bola tivesse saído de dentro dela. Claro que deu polícia e tudo o mais, mas o irmão da Juliana, que é advogado, deu um jeito na coisa e, no fim, parece, o juiz até entendeu a situação dela, porque teve uma prima que passou pelo mesmo. A Maíra teve que pagar umas cestas básicas, mas disse que nunca deu nada com tanto gosto! De quebra, nesse ano, não iria passar o dia dos namorados sozinha. Ia sair com o irmão da Juliana, um gordinho, careca, ao qual ela passou a chamar de “meu herói”...

                Fosse como fosse, Ângela duvidava que nesse ano a noite do dia 12 de junho iria ser tão agitada novamente. Além do fato de que estariam em menor número, porque a Juliana tinha ido, no mês passado, a trabalho, para a Austrália, ninguém ligara, estranhamente, para combinar nada. Ela desconfiava de que não era a única cansada dessas datas em que você tem que ser ou ter alguma coisa ou alguém, sob pena de entrar para a categoria dos excluídos.

                Resolveu dar uma ligada para a Carlinha, só para conferir. A empregada é que atendeu o telefone e falou que a Dona Carlinha tinha mandado dizer que tinha ido fazer uma inseminação artificial e que já que não tinha homem que valesse a pena no mundo, ela ia ter um filho. Ângela achou um pouco estranho e perguntou para empregada da Carlinha se o recado era esse mesmo, se ela não tinha entendido errado, mas a pobre da mulher disse que estava até com vergonha de falar essas coisas, mas eram ordens da dona Carlinha e ela não podia se dar ao luxo de ser demitida, não com três filhos e quatro netos para sustentar. Jurou até que tentou convencer a Dona Carlinha que o negócio não era tão simples como parecia, ainda mais para ela que nunca na vida tinha trocado uma fralda, mas como a Dona Carlinha respondeu dizendo que quem ia ter que trocar era ela, a empregada, ela achou melhor ficar quieta. Perguntou também se a Ângela, que era sozinha na vida, tava pensando em arrumar filho ou uma empregada e a Ângela ficou se perguntando se merecia, nessas alturas, ainda ter que ouvir isso...

                Depois de pensar por mais um dia, Ângela resolveu que passaria o dia dos namorados repleta de carinho e amor. Vestiu uma roupa confortável, passou em uma loja especializada, comprou tudo de que precisava, os mais variados acessórios e foi escolher o principal, aquele que lhe daria prazer. Escolheu um pequeno, fofinho, todo preto. Perguntou o preço e a vendedora disse que aquele era doação. Alguém não o quisera mais. A senhora vai dar que nome para ele? – indagou a moça da loja.

                Com ele nas mãos, passou a acariciá-lo, sentindo o calor que dele emanava. Estava apaixonada, definitivamente. Deu ao cachorrinho o nome de Alegria. Naquele dia dos namorados, tudo seria diferente, afinal de contas, era amor, do tipo que se dá e se recebe de volta... Não era uma desistência, só uma trégua, uma pausa. No ano seguinte, quem sabe, poderia ser diferente, mas ao lado de Alegria, ela já estava feliz...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 19:15
link do post | comentar | favorito

Sábado, 5 de Junho de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CERCO DE JERICÓ

                       

 

 

Fui ao Cerco de Jericó, em 15 de maio, a convite do Pe. Wilson Vitoriano e da Fátima-Diácono Alcemir Parisi– uns amores de pessoas -, na Paróquia Cristo Redentor. Fui para falar sobre os danos da promiscuidade sexual e a importância da fidelidade a um amor; para refletir sobre a falta, também, de pudor nos trajes, que pode passar a idéia de que o corpo está exposto para ser compartilhado com quem o desejar e para testemunhar que é possível trazer na alma o andor de Nossa Senhora. A silhueta da Mãe de Deus foi destruída por parte da sociedade que caminha nas trevas, mas pode ser restaurada, pois como o Anjo disse a ela: “... da parte de Deus, nada é impossível”. Voltei encantada com: o poder de comunhão do Pe. Wilson, a piedade do povo e  a generosidade das pessoas que atuam na paróquia.

A Leitura de São Paulo aos Efésios (1, 17-23) da Festa da Ascensão já me comovera, pela manhã, enquanto a preparava para anunciá-la na cadeia: “...o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-LO revele e façaJERICÓ verdadeiramente conhecer. Que Ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá...” Espírito de sabedoria, de conhecimento de Deus. Abrir-se para receber a luz do Altíssimo, o chamado para sermos santos. Exatamente o que vivenciei naquela noite de Cerco de Jericó. O tema do Cerco: “Senhor Jesus, transforma a água da derrota no vinho da vitória!!!”

As pessoas foram chegando com vontade de permanecer, mas sem atropelos.  A observação do que havia em volta e que poderia lhes dizer do Céu. O terço. O coração em procissão de velas, trazendo a imagem de Nossa Senhora de todos os povos, de todas as raças, a Mãe do Salvador. A Missa, a nossa Missa, como se canta no Movimento dos Focolares: “o mundo não saberá, como é difícil entender o Amor que jorra do sofrer”. A certeza de que nascemos para louvar o Senhor.

O povo da paróquia e de outras regiões em busca do vinho da vitória pela Palavra e a Eucaristia. O povo da resistência, sem rumo definido ou com rumo, empunhando a bandeira da espera em Jesus Cristo. Que bela a fisionomia do povo!

O Sacerdote, Pe. Wilson, que se aproxima com a bênção, amplia a voz do Bom Pastor, acolhe nos ombros as destruídas, machucadas. OERCO DE  Sacerdote que canta, louva e espalha a alegria verdadeira, alegria que não é deste mundo. Festiva a Celebração porque Jesus Cristo vence todas as mortes.

E Deus? Ah, e Deus tão presente, ao encontro de seus filhos com Sua forma de abraçar, diz de Seu Amor, dos caminhos que fortalecem e iluminam, das dores que podem ser acalmadas. Deus que torna a impossibilidade dos acontecimentos na possibilidade dos milagres.

Água estagnada e vinho da vitória. Vitória do louvor. Maria, bendita entre todas as mulheres, e seu filho Jesus. O Cerco de Jericó Mariano.CERCO Amém.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:46
link do post | comentar | favorito

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A MAIOR CRISE DE NOSSOS DIAS: INTERESSES MATERIAIS SE SOBREPÕEM À PALAVRA DE DEUS NA CONVIVÊNCIA HUMANA

                      

 

                      

                          A festa de CORPUS CHRISTI, expressão latina que significa CORPO DE CRISTO, é uma das mais importantes do calendário católico e visa reverenciar a EUCARISTIA, na qual, segundo a crença, Cristo se encontra presente, sob as aparências do pão e do vinho, alma e divindade. Efetivada anualmente na quinta-feira após o domingo que sucede o Dia de Pentecostes, outra solenidade litúrgica, a sua principal cerimônia consiste numa tradicional procissão. Esse cortejo, em muitas localidades, segue por ruas enfeitadas com trabalhos artesanais, cujos temas são predominantemente religiosos e geralmente elaborados pelos próprios membros das comunidades, que, entre outros materiais, utilizam-se de pétalas de rosas e resquícios de madeira. Em Jundiaí, já há alguns anos observa-se tal manifestação no bairro Parque Eloy Chaves e na região, a cidade de Itu se destaca pela beleza e harmonia da decoração de suas vias centrais, atraindo turistas de todo o Estado.

                        Por seu próprio significado e por  ressaltar uma das partes centrais de todo o culto da Igreja - a instituição da COMUNHÃO, talvez o maior dos sacramentos cristãos -, a comemoração de hoje se revela de suma relevância, trazendo-nos à memória, o dia que antecedeu a morte de Jesus no Calvário, quando Ele se despediu dos  apóstolos e transformou o pão em seu corpo, pedindo aos seus seguidores que continuadamente repetissem o ato, propagando assim, a lembrança da Sua presença entre os homens. Historicamente, a celebração surgiu na Bélgica para saudar o início da prática eucarística, sendo posteriormente institucionalizada pelo Papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264. Preliminarmente deveria ocorrer na Quinta-Feira Santa, coincidindo com a última ceia, mas foi transferida para outra data, entendendo-se que a anterior seria sensivelmente prejudicada pelas liturgias em torno da cruz e  da morte do Senhor, na Sexta-Feira Santa.

            Para o inspirado e competente escritor Frei BetoCORPUS CHRISTI  “resgata a sacralidade do corpo e a unidade do espírito humano. A proclamação do Credo tem caráter dogmático: ‘Cremos na ressurreição da carne’. É sintomático que não se fale ‘na ressurreição da alma’. Para o Evangelho, o ser humano não admite divisões. Fomos, como todo o universo, redimidos por Cristo. E somos energia condensada em matéria. À luz da fé, imagem e semelhança de Deus, que faz em nós sua morada” ( “Folha de São Paulo”, A-3, 22.06.2000) (os grifos são nossos).

            Solenizar portanto, esta data santificada, significa abrir corações e mentes aos nossos semelhantes, principalmente os injustiçados e oprimidos. É compreender que a palavra de Deus é a que ensina, reconforta e traz esperança, revelando-se nas mais diversas formas, tais como um sorriso infantil, a emoção de uma descoberta, um instante de reflexão, os gestos solidariedade, a liberdade, a luta por igualdade, a fraternidade, o respeito ao próximo e principalmente, a partilha. A maioria das pessoas tem consciência desses atributos, mas por comodidade e apego material, adapta os ensinamentos divinos aos próprios interesses. Interpretam-nos de acordo com tudo que lhes convém, modificando a essência clara e extremamente nítida dos princípios e pregações cristãs. Cria normas de conduta específicas, justificando isoladamente o egoísmo de que é dotada, permanecendo  inaudita aos verdadeiros valores. Pratica uma auto-religião, simula atos caridosos e tenta enigmaticamente esconder-se do remorso que a  persegue.

            É por isso que o mundo se encontra moralmente tão  instável e frágil, no qual o predomínio de uma cultura consumista, obediente a ditames exclusivamente  econômicos, vem sufocando a espiritualidade e esfriando a convivência humana. Não é só a crise energética, advinda da imprevidade e da falta de planejamento de nossos administradores que nos afeta diretamente. As graves alterações que estão sobrevindo e afetando o curso de nossas vidas, acarretando um estado crônico de desequilíbrio, de preconceitos, de reações violentas ou agressivas,  de retrocesso das coisas,  fatos e  idéias,  de dúvidas, incertezas, conflitos e tensão, de desesperança, de alienação e de  massificação, na realidade, assentam-se num generalizado afastamento da humanidade de Deus ou até de uma  aproximação, que não se concretiza pela ausência de autenticidade no cumprimento de Sua palavra.

            Aproveitemos assim o feriado desta quinta-feira, para meditarmos sobre o grau de  participação que estamos desenvolvendo na busca de um universo melhor para todos, procurando desvencilharmos da pesada carga de negligências, incompreensões, defeitos e individualismo que vêm assenhorando nossas mentes, impedindo-nos de contemplar a Verdade em razão da névoa de interesses materiais que tem cegado o entendimento quase geral das pessoas.

 

 

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI, advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links