PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 6 de Junho de 2010
EUCLIDES CAVACO - TUDO ISTO É PÁTRIA
TUDO ISTO É PÁTRIA
É o poema seleccionado para esta semana já no âmbito das celebrações do dia
de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo.
Veja e ouça-o  aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Tudo_Isto_e_Patria/index.htm
 
As minhas saudações Lusíadas
Euclides Cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt


publicado por Luso-brasileiro às 19:46
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - MINHAS RECORDAÇÕES

 

                                           

 

 

A primeira vez que pisei em Itajubá foi para prestar vestibular em dezembro de 1973. Vindo de Monte Sião, lembro que o ônibus passou por lugares cheios d’água perto de Santa Rita e eu comentei com um amigo: ‘Choveu muito por aqui!’.

Passei a noite num quarto do ‘Prédio do Nagib’ no bairro da Varginha. O local, alugado para estudantes, às vezes virava uma bagunça à noite. Pude testemunhar isso porque, no ano seguinte, já cursando engenharia civil, morei no primeiro andar do pequeno edifício. E quando não agüentei mais a falta de sossego, fui para uma pensão na Rua Silvestre Ferraz, onde eu era muito querido pela D. Geralda.

E 1975 foi muito corrido! Eu dividia o tempo entre a faculdade e o Batalhão. O segundo ano de engenharia exigia dedicação nos estudos e o NPOR também não deixava por menos. Quantas vezes eu chegava de farda para assistir aula e, meio envergonhado, percebia olhares estranhos de toda parte. Ainda bem que os professores entendiam o meu esforço e, quando perdia provas, davam outros testes para eu fazer.

Nunca poderia imaginar que eu viria a ser colega de trabalho do Bonaldi, Chicão, Hermeto, Costanti, Ulderico, Márcio Tadeu, Fredmarck, Rocha, Djalma e tantos outros. O mundo é tão pequeno que, na EFEI, até chefe de alguns deles eu fui, mas sempre com humildade e muito respeito por grandes cabeças que eram. Desde 1979, quando ingressei na Escola Federal de Engenharia, aprendi bastante e fui ajudado por muita gente, como o Márcio Tadeu que me propôs escrevermos livros juntos e me orientou no mestrado.

Anos depois, recebi um certificado que muito me honrou: fui diplomado pela Associação dos Ex-alunos da EFEI. E parti para o doutorado na Poli da USP, que conclui em 1998. Até então, eu me dedicava às coisas do mundo – algumas fundamentais para a profissão, mas não tão importantes para a missão maior que me esperava.

Então, na mesma época, iniciei minha caminhada como agente de Pastorais da Igreja Católica. Fundei um ministério de música, fiz OVISA, Cusilho de Cristandade, tornei-me vicentino e passei a escrever para ‘O Sul de Minas’. Este texto é o artigo 634 em 13 anos de evangelização. Em decorrência disso tudo, há dois anos recebi uma homenagem da ‘Câmara dos Dirigentes Lojistas de Itajubá’ por serviços prestados à comunidade.

E na cidade de Nossa Senhora da Soledade nasceram meus três filhos, fiz amigos, rezei, sorri, chorei, apresentei programas de rádio e aprendi com a vida. Entre erros e acertos, acho que o balanço já é positivo. Orgulho-me de ser Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística e coordenar alguns grupos que desempenham trabalhos relevantes na cidade: Pastoral Familiar, Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, Natal no Campus; além de ser responsável pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI. Muita gente interage comigo para ajudar o próximo, principalmente minha esposa.

Também sinto saudades de algumas boas almas que estão junto de Deus. Na semana passada, fui ao velório do professor Álvaro Pereira Rizzi e percebi o quanto o admirava como mestre e ilustre cidadão. Rezei em nome dos alunos que ele tanto ajudou e lembrei que, cada vez que nos encontrávamos, ele elogiava algum artigo que eu escrevia.

Certo dia, na Avenida Paulo Chiaradia, eu estava com pressa e buzinei para alguém que dirigia à minha frente. Imediatamente o motorista deu-me passagem e, quando ultrapassei, vi que era o professor Rizzi. Virei o rosto para ele não me conhecer e fiquei com remorso, pensando: ‘Eu poderia ter buzinado para qualquer outra pessoa, menos para ele. Como fui malcriado!’.

Sempre quis me desculpar com o meu ex-professor, mas preferi compartilhar coisas melhores nas raras vezes que conversamos – para aprender um pouco mais com aquele homem exemplar.

Pois é, o tempo é impiedoso! Mesmo sabendo aproveitá-lo, alguns momentos não voltam mais. A única coisa que fica é a Palavra de Deus, que também falou alto em meu coração nesta cidade que aprendi a amar. São Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja que viveu no século VI, ao comentar o capítulo 10 do Evangelho de São Marcos – onde o cego Bartimeu gritou para Jesus em Jericó e foi curado –, disse:

“Com razão, a Escritura nos apresenta este cego sentado à beira do caminho e pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma: ‘Eu sou o caminho’. Assim, todo aquele que ignora a claridade da luz eterna é cego.

Se cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho; mas se desprezamos pedir que nos seja dada a luz eterna e a oração, ainda não pedimos esmola. Porém, se conhecemos a cegueira do nosso coração e oramos a fim de recebermos a luz da verdade, então somos efetivamente este cego sentado à beira do caminho que pede esmola.

Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação da luz eterna, grite com toda a sua alma: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!”

 Portanto, enquanto Deus permitir, continuarei gritando para Itajubá ouvir.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 19:31
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TEREZA DE MELLO - CONCEIÇÃO

 

                        

 

 

De todas as crianças que vinham antigamente cá lanchar, todos os dias, com a ajuda da Caritas, lembro-me mais vezes da Conceição,--não , não é a do morro que vivia a pensar com coisas que o morro não tem. Esta era apenas uma pequena difícil, que taquinava as outras com as suas atitudes, o palavreado e as queixas eram seguidas.

Sempre zangada com todos, todos zangados com ela. Tinha atitudes de gente grande mal comportada. Penso que nem sabia o que fazia. Os rapazes, como eram muito novos, nem se apercebiam bem, felizmente.

Depois de várias conversas, que não levavam a nada, resolvi ir à casa dela, que não conhecia ainda. Fui, meus Deus, que miséria, os pais alcoólicos, a casa mais parecia um barracão e térreo.

Também de nada serviria falar com eles do assunto que tanto me preocupava. E voltei para casa desanimada.

No dia seguinte reuni todas as pequenas numa grande conversa. Expliquei-lhes que a Conceição era doente, não sabia o que fazia e precisava da ajuda delas e que fossem todas muito suas amigas. E como estávamos nas véspera do Natal, seriam mais umas pedrinhas para as ruas do presépio. Começávamos a fazer o presépio logo no princípio de Dezembro e todos os dias acrescentávamos mais qualquer coisa que iam trazendo, como musgo, gogos, que seriam os pedregulhos, às vezes um espelho partido um dos lagos, e por ai fora. As ruas eram os seus sacrifícios. Cada sacrifício, uma pedrinha.

Gostava de juntar á festa um sentimento religioso, como gostava de durante o ano lhes contar sempre alguma passagem do antigo ou novo testamento, numa linguagem acessível, e pô-las depois a desenhar e pintar as figuras da história que tinham ouvido. Ainda tenho os seus desenhos guardados. Fazem-me saudades e ternura agora passados tantos anos, já no fim da vida. E lá estão também guardados os da Conceição

Pois as minhas pequenas, como lhes chamava, ouviam atentas o que lhes tentava incutir. Paciência, amor, carinho pela Conceição, que era infeliz, doente e não sabia o que fazia.

Quase as tornei responsáveis por ela.

E elas levaram a peito o seu papel. Não deixavam a Conceição levantar a saia, umas das suas manias, nem fazer outras coisas, que não interessam agora. E começaram também a brincar mais com ela. A Conceição foi-se tornando mais dócil, menos implicativa e elas deixaram de fazer queixinhas.

E passaram também a chegar com as mãos cheias de pedrinhas para o presépio.

 

 

TEREZA DE MELLO - Escritora,Abrantes, Portugal. ( Faleceu em Outubro de 2009)



publicado por Luso-brasileiro às 19:23
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - POR UM POUCO MAIS DE AMOR

                      

 

               

                 Mais um dia dos namorados chegando e Ângela não tinha, novamente, com quem comemorar. No ano passado, após várias doses de vinho, sozinha no sofá da sala, ela se jurara que seria diferente no ano seguinte. Naquele dia, rejeitara o convite de umas amigas, todas solteiras, para uma noite regada a filmes, alguma bebida, risadas e esquecimento. Ah, teria pizza também! Bendito carboidrato de todas as horas de desespero...

                As amigas juraram que seria uma noite divertida, que seria totalmente diferente do que ocorreu na casa da Juliana, em 2007. Dessa vez ninguém iria poder misturar fermentados e destilados. Ninguém iria vomitar pelo banheiro, como se fosse a personagem central do filme “O Exorcista”. Também iriam retirar a chave da porta, para que a Maíra não se trancasse lá dentro, com uma crise de choro, com as eternas saudades do Gustavo, o ex que a deixara plantada, por três horas, na porta da igreja, enquanto ela, de noiva, jurava para todos os duzentos e trinta e dois convidados que ele já estava chegando.  A pobre só se convenceu de que algo dera errado quando as damas de honra foram as últimas a ir embora, um pouco depois do padre...

                A Carlinha até prometeu que dessa vez só alugariam terror ou comédia. Nada de filmes de amor, daquele tipo “água com açúcar” que todas as mulheres sabem, racionalmente, que não existe, mas que, no íntimo, ficam rezando para acontecer na vida real. Ângela sabia bem como acabavam esses filmes. Todas iam rindo, fazendo de conta que era só diversão, ficção, mas ela bem que notava que, conforme a mocinha do filme ia se dando bem, as amigas iam consumindo mais bebida e se entupindo de pizza. Daquela vez, se não lhe falhava a memória, foram quatro pizzas para cinco mulheres. Ela mesma nem se lembrava de quando comera... Acabava o filme e todas estavam com os olhos cheios d’água, frustradas pelas promessas que a vida fez e não cumpriu. O banheiro acabava sendo disputado a tapas: quem não ia vomitar, no desejo inconsciente de trocar de entranhas, ia dar uma ajeitada na cara inchada de chorar. Dificilmente alguma não dedicava alguns minutos se olhando no espelho, comparando, mentalmente, os cabelos e a silhueta da mocinha do filme, com a própria.

                Ela já estava era cansada disso tudo. Assim, no ano passado, preferira passar sozinha. Descobriu, no dia seguinte, que elas haviam mudado de planos e tinham ido jogar boliche. Para o espanto das amigas, tinha muito mais gente sem namorado do que elas pensavam, porque o lugar estava cheio. Quase na hora de irem embora, a Maíra avistou ninguém mais, ninguém menos do que o Gustavo. Ele estava com uns amigos, abraçado com uma morena baixinha que ela logo reconheceu como sendo a Jaqueline, a secretária dele. Não era que eles faziam até um casal bonito, os descarados? A Maíra resolveu recuperar a dignidade perdida e se fazer de superior. Encheu os pulmões de ar, empinou os peitos (o quanto foi capaz de fazer) e foi na direção dos dois. Quando as outras viram, já era tarde demais para impedi-la. Ângela desconfiava que, no fundo, ninguém nem é tentara. Todas deviam estar curiosas para saber no que aquilo iria dar.

                A Maíra chegou até os dois e não se fez de rogada. Olhou bem nos olhos dele e viu tudo o que precisara. Ele era mesmo um canalha. Ponto. Não tinha nada que ela pudesse fazer. Nada a resgatar. Nada, exceto, como ela de fato fez, jogar nele, com toda a força de que foi capaz, a bola de boliche que, sem perceber, levava nas mãos. Por sorte, a bola não acertou a cabeça dele, mas “somente” caiu no pé esquerdo, quebrando-lhe todos os dedos. Segundo a Carlinha, a Maíra disse que nunca sentiu um alívio tão grande. Era como se aquela bola tivesse saído de dentro dela. Claro que deu polícia e tudo o mais, mas o irmão da Juliana, que é advogado, deu um jeito na coisa e, no fim, parece, o juiz até entendeu a situação dela, porque teve uma prima que passou pelo mesmo. A Maíra teve que pagar umas cestas básicas, mas disse que nunca deu nada com tanto gosto! De quebra, nesse ano, não iria passar o dia dos namorados sozinha. Ia sair com o irmão da Juliana, um gordinho, careca, ao qual ela passou a chamar de “meu herói”...

                Fosse como fosse, Ângela duvidava que nesse ano a noite do dia 12 de junho iria ser tão agitada novamente. Além do fato de que estariam em menor número, porque a Juliana tinha ido, no mês passado, a trabalho, para a Austrália, ninguém ligara, estranhamente, para combinar nada. Ela desconfiava de que não era a única cansada dessas datas em que você tem que ser ou ter alguma coisa ou alguém, sob pena de entrar para a categoria dos excluídos.

                Resolveu dar uma ligada para a Carlinha, só para conferir. A empregada é que atendeu o telefone e falou que a Dona Carlinha tinha mandado dizer que tinha ido fazer uma inseminação artificial e que já que não tinha homem que valesse a pena no mundo, ela ia ter um filho. Ângela achou um pouco estranho e perguntou para empregada da Carlinha se o recado era esse mesmo, se ela não tinha entendido errado, mas a pobre da mulher disse que estava até com vergonha de falar essas coisas, mas eram ordens da dona Carlinha e ela não podia se dar ao luxo de ser demitida, não com três filhos e quatro netos para sustentar. Jurou até que tentou convencer a Dona Carlinha que o negócio não era tão simples como parecia, ainda mais para ela que nunca na vida tinha trocado uma fralda, mas como a Dona Carlinha respondeu dizendo que quem ia ter que trocar era ela, a empregada, ela achou melhor ficar quieta. Perguntou também se a Ângela, que era sozinha na vida, tava pensando em arrumar filho ou uma empregada e a Ângela ficou se perguntando se merecia, nessas alturas, ainda ter que ouvir isso...

                Depois de pensar por mais um dia, Ângela resolveu que passaria o dia dos namorados repleta de carinho e amor. Vestiu uma roupa confortável, passou em uma loja especializada, comprou tudo de que precisava, os mais variados acessórios e foi escolher o principal, aquele que lhe daria prazer. Escolheu um pequeno, fofinho, todo preto. Perguntou o preço e a vendedora disse que aquele era doação. Alguém não o quisera mais. A senhora vai dar que nome para ele? – indagou a moça da loja.

                Com ele nas mãos, passou a acariciá-lo, sentindo o calor que dele emanava. Estava apaixonada, definitivamente. Deu ao cachorrinho o nome de Alegria. Naquele dia dos namorados, tudo seria diferente, afinal de contas, era amor, do tipo que se dá e se recebe de volta... Não era uma desistência, só uma trégua, uma pausa. No ano seguinte, quem sabe, poderia ser diferente, mas ao lado de Alegria, ela já estava feliz...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 19:15
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Sábado, 5 de Junho de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CERCO DE JERICÓ

                       

 

 

Fui ao Cerco de Jericó, em 15 de maio, a convite do Pe. Wilson Vitoriano e da Fátima-Diácono Alcemir Parisi– uns amores de pessoas -, na Paróquia Cristo Redentor. Fui para falar sobre os danos da promiscuidade sexual e a importância da fidelidade a um amor; para refletir sobre a falta, também, de pudor nos trajes, que pode passar a idéia de que o corpo está exposto para ser compartilhado com quem o desejar e para testemunhar que é possível trazer na alma o andor de Nossa Senhora. A silhueta da Mãe de Deus foi destruída por parte da sociedade que caminha nas trevas, mas pode ser restaurada, pois como o Anjo disse a ela: “... da parte de Deus, nada é impossível”. Voltei encantada com: o poder de comunhão do Pe. Wilson, a piedade do povo e  a generosidade das pessoas que atuam na paróquia.

A Leitura de São Paulo aos Efésios (1, 17-23) da Festa da Ascensão já me comovera, pela manhã, enquanto a preparava para anunciá-la na cadeia: “...o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-LO revele e façaJERICÓ verdadeiramente conhecer. Que Ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá...” Espírito de sabedoria, de conhecimento de Deus. Abrir-se para receber a luz do Altíssimo, o chamado para sermos santos. Exatamente o que vivenciei naquela noite de Cerco de Jericó. O tema do Cerco: “Senhor Jesus, transforma a água da derrota no vinho da vitória!!!”

As pessoas foram chegando com vontade de permanecer, mas sem atropelos.  A observação do que havia em volta e que poderia lhes dizer do Céu. O terço. O coração em procissão de velas, trazendo a imagem de Nossa Senhora de todos os povos, de todas as raças, a Mãe do Salvador. A Missa, a nossa Missa, como se canta no Movimento dos Focolares: “o mundo não saberá, como é difícil entender o Amor que jorra do sofrer”. A certeza de que nascemos para louvar o Senhor.

O povo da paróquia e de outras regiões em busca do vinho da vitória pela Palavra e a Eucaristia. O povo da resistência, sem rumo definido ou com rumo, empunhando a bandeira da espera em Jesus Cristo. Que bela a fisionomia do povo!

O Sacerdote, Pe. Wilson, que se aproxima com a bênção, amplia a voz do Bom Pastor, acolhe nos ombros as destruídas, machucadas. OERCO DE  Sacerdote que canta, louva e espalha a alegria verdadeira, alegria que não é deste mundo. Festiva a Celebração porque Jesus Cristo vence todas as mortes.

E Deus? Ah, e Deus tão presente, ao encontro de seus filhos com Sua forma de abraçar, diz de Seu Amor, dos caminhos que fortalecem e iluminam, das dores que podem ser acalmadas. Deus que torna a impossibilidade dos acontecimentos na possibilidade dos milagres.

Água estagnada e vinho da vitória. Vitória do louvor. Maria, bendita entre todas as mulheres, e seu filho Jesus. O Cerco de Jericó Mariano.CERCO Amém.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:46
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A MAIOR CRISE DE NOSSOS DIAS: INTERESSES MATERIAIS SE SOBREPÕEM À PALAVRA DE DEUS NA CONVIVÊNCIA HUMANA

                      

 

                      

                          A festa de CORPUS CHRISTI, expressão latina que significa CORPO DE CRISTO, é uma das mais importantes do calendário católico e visa reverenciar a EUCARISTIA, na qual, segundo a crença, Cristo se encontra presente, sob as aparências do pão e do vinho, alma e divindade. Efetivada anualmente na quinta-feira após o domingo que sucede o Dia de Pentecostes, outra solenidade litúrgica, a sua principal cerimônia consiste numa tradicional procissão. Esse cortejo, em muitas localidades, segue por ruas enfeitadas com trabalhos artesanais, cujos temas são predominantemente religiosos e geralmente elaborados pelos próprios membros das comunidades, que, entre outros materiais, utilizam-se de pétalas de rosas e resquícios de madeira. Em Jundiaí, já há alguns anos observa-se tal manifestação no bairro Parque Eloy Chaves e na região, a cidade de Itu se destaca pela beleza e harmonia da decoração de suas vias centrais, atraindo turistas de todo o Estado.

                        Por seu próprio significado e por  ressaltar uma das partes centrais de todo o culto da Igreja - a instituição da COMUNHÃO, talvez o maior dos sacramentos cristãos -, a comemoração de hoje se revela de suma relevância, trazendo-nos à memória, o dia que antecedeu a morte de Jesus no Calvário, quando Ele se despediu dos  apóstolos e transformou o pão em seu corpo, pedindo aos seus seguidores que continuadamente repetissem o ato, propagando assim, a lembrança da Sua presença entre os homens. Historicamente, a celebração surgiu na Bélgica para saudar o início da prática eucarística, sendo posteriormente institucionalizada pelo Papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264. Preliminarmente deveria ocorrer na Quinta-Feira Santa, coincidindo com a última ceia, mas foi transferida para outra data, entendendo-se que a anterior seria sensivelmente prejudicada pelas liturgias em torno da cruz e  da morte do Senhor, na Sexta-Feira Santa.

            Para o inspirado e competente escritor Frei BetoCORPUS CHRISTI  “resgata a sacralidade do corpo e a unidade do espírito humano. A proclamação do Credo tem caráter dogmático: ‘Cremos na ressurreição da carne’. É sintomático que não se fale ‘na ressurreição da alma’. Para o Evangelho, o ser humano não admite divisões. Fomos, como todo o universo, redimidos por Cristo. E somos energia condensada em matéria. À luz da fé, imagem e semelhança de Deus, que faz em nós sua morada” ( “Folha de São Paulo”, A-3, 22.06.2000) (os grifos são nossos).

            Solenizar portanto, esta data santificada, significa abrir corações e mentes aos nossos semelhantes, principalmente os injustiçados e oprimidos. É compreender que a palavra de Deus é a que ensina, reconforta e traz esperança, revelando-se nas mais diversas formas, tais como um sorriso infantil, a emoção de uma descoberta, um instante de reflexão, os gestos solidariedade, a liberdade, a luta por igualdade, a fraternidade, o respeito ao próximo e principalmente, a partilha. A maioria das pessoas tem consciência desses atributos, mas por comodidade e apego material, adapta os ensinamentos divinos aos próprios interesses. Interpretam-nos de acordo com tudo que lhes convém, modificando a essência clara e extremamente nítida dos princípios e pregações cristãs. Cria normas de conduta específicas, justificando isoladamente o egoísmo de que é dotada, permanecendo  inaudita aos verdadeiros valores. Pratica uma auto-religião, simula atos caridosos e tenta enigmaticamente esconder-se do remorso que a  persegue.

            É por isso que o mundo se encontra moralmente tão  instável e frágil, no qual o predomínio de uma cultura consumista, obediente a ditames exclusivamente  econômicos, vem sufocando a espiritualidade e esfriando a convivência humana. Não é só a crise energética, advinda da imprevidade e da falta de planejamento de nossos administradores que nos afeta diretamente. As graves alterações que estão sobrevindo e afetando o curso de nossas vidas, acarretando um estado crônico de desequilíbrio, de preconceitos, de reações violentas ou agressivas,  de retrocesso das coisas,  fatos e  idéias,  de dúvidas, incertezas, conflitos e tensão, de desesperança, de alienação e de  massificação, na realidade, assentam-se num generalizado afastamento da humanidade de Deus ou até de uma  aproximação, que não se concretiza pela ausência de autenticidade no cumprimento de Sua palavra.

            Aproveitemos assim o feriado desta quinta-feira, para meditarmos sobre o grau de  participação que estamos desenvolvendo na busca de um universo melhor para todos, procurando desvencilharmos da pesada carga de negligências, incompreensões, defeitos e individualismo que vêm assenhorando nossas mentes, impedindo-nos de contemplar a Verdade em razão da névoa de interesses materiais que tem cegado o entendimento quase geral das pessoas.

 

 

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI, advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - SOMOS TÍMIDOS NO PEDIR


                       

 

Uma pessoa me procurou um dia e disse que queria doar uma cesta básica
para uma família que tivesse muitas crianças. Disse que me procurou
por saber que eu participava da Sociedade de São Vicente de Paulo.
Arranjar uma família como ela queria não seria problema, pois temos
muitas assim. Tratamos o dia e lá fomos nós. Visitar uma família onde
a mulher trabalhava no campo, sem o marido que a abandonara com sete
filhos. Eram de idades variadas. Tinha filha casada, já com filhos
também, tinha rapaz com quatorze anos e descendo a escadinha, tinha
filhos de cinco, quatro, três, dois e um de colo.
Para a mãe trabalhar os meninos ficavam na creche, menos o menor que
ficava com a filha casada. O de quatorze anos pegava biscates e
ganhava R$ 250,00 por mês. No intuito de ajudar a mãe foi a uma loja e
comprou um tanquinho a prestação, prestação essa que consumia grande
parte do que ele recebia. A mãe, para dar uma distração aos filhos
durante a noite e nos fins de semana, comprou uma televisão também a
prestações, mas não conseguiu pagar e teve que devolvê-la sob pressão
de cartas de advogados.
Bem, depois da visita a pessoa que havia me procurado estava chocada
com tanta pobreza e tantos problemas. Como eu moro em outra cidade
onde tais fatos aconteceram, não fiquei sabendo se ela tinha voltado
lá.
No meu retorno àquela cidade notei que haviam derrubado o barracão
onde a família morava de favor e não sei o que aconteceu com seus
integrantes.
Bem, tudo isto eu narro para dizer que somos tímidos em pedir.
Encontrando novamente com a doadora, não tive a coragem de perguntar a
ela se tinha voltado lá, levado mais cestas básicas ou roupas para as
crianças. Fiquei com receio de importuná-la. Não agi certo, pois quem
sabe se tivesse perguntado teria conseguido com ela mais cestas
básicas para outras famílias?
É assim também em nossas campanhas de arrecadação. Enquanto outras
entidades não católicas são persistentes no pedir, e pontuais na
procura do que conseguem arrecadar, somos muito tímidos nesse mister.
Às vezes temos até vergonha de pedir. Tememos ser chatos, insistentes.
As outras entidades, não. Elas pedem mesmo. Não deixam de procurar. E
olha que elas pedem na maioria das vezes em casas de famílias
católicas. E a maioria dá o donativo para outras entidades porque não
são procuradas por nós. Nestes dias mesmo, entrando em uma loja o dono
me falou que tinha já dois meses que a SSVP não procurava o donativo
que ele dá todos os meses.
É, acho que temos que repensar a nossa maneira de agir. Para o bem de
quem necessita precisamos entender que não podemos ter vergonha de
pedir nem de agir. Há muitas pessoas que não dão porque não são
solicitadas. Outras dão uma vez e não dão mais porque não voltamos a
pedir-lhe.
Façamos uma experiência de pedir e os donativos com certeza virão e
não sejamos omissos na procura mensal. Em tempo: claro que existem
exceções, mas este recado é um alerta para quem não age como deveria,
inclusive eu.

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O DISCO ENCARNADO

                      

 

  

No final dos anos setenta estava em Madrid, assistindo a importante congresso. Aproveitei a viagem e fui à rua Ibañez de Ibero visitar o Prof. António Perpiña e sua filha Margarita, hoje advogada madrilena e também o poeta Gerardo Diego, que me acolheu cordialmente na sua residência.

Na curta estadia, na capital de Espanha, fiquei instalado num hotel da Gran Via. Visitei armazéns, o Prado, o Palácio Real e a livraria Paulista, onde adquiri discos de tunas académicas, e um de cor encarnado, com harmoniosas melodias. Confesso que o comprei mais pela cor, do que pela música.

Concluído o congresso, após visitar a sede do Movimento Ecuménico, que ficava na vizinhança da Praça Cibeles, rumei à terra de Unamuno, onde abracei amigos e visitei a Universidade.

Não me detive. Apertava-me saudades de Bragança. Tomei o comboio e abalei para Portugal.

Nesse tempo ainda se podia chegar a essa cidade pela via-férrea, serpenteando o Tua.

Hospedei-me no “ Transmontano” e visitei, no mesmo dia, a menina que conhecera de Totós.

Verifiquei, agradavelmente, que transformara-se numa graciosa adolescente, de meigos olhos castanhos que rebrilhavam em rostozinho cor de areia.

Desfeito o natural acanhamento do primeiro encontro, acarinhou-me, demonstrando contentamento e afecto.

Tirei da mala as significantes lembranças que trazia e, entre elas, o disco vermelho, que reservara para mim.

A jovem encontrou graça na cor, demonstrando interesse; e, cativando-me, não consegui forças para o negar.

Desconheço o destino que levou. Certamente já não existe; mas a alegria que senti ao oferece-lo, ainda vibra dentro de mim.

Nessa recuada época era um rapaz sem meios de fortuna, carente de afectos. O futuro, ainda incerto, atemorizava-me, tolhendo projectos e desejos.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:37
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Quarta-feira, 2 de Junho de 2010
JOÃO ALVES DAS NEVES - Crônica do Brasil: SANTO ANTÓNIO NA CIDADE DE SÃO PAULO

Ao mesmo tempo que é a maior cidade de Língua Portuguesa, a cidade de São Paulo deve ser também a metrópole com mais paróquias e instituições antonianas do mundo, pois reúne 10 paróquias e outras 10 entidades consagradas ao padroeiro de Lisboa.

 


O que é surpreendente mas nem sempre reconhecido pelos seus quase 11 milhões de habitantes – quer dizer, mais pessoas que Portugal inteiro. Fundada oficialmente em 25 de Janeiro de 1554 pelo Padre Manuel da Nóbrega, que veio a ser o primeiro Superior da Companhia de Jesus no Brasil (recorda-se que no mesmo ano nasceu igualmente a povoação de São Paulo de Assunção de Luanda), São Paulo começou a crescer vigorosamente em meados do século XIX, graças a chegada dos emigrantes lusos, espanhóis, italianos e de outros países europeus, que escolhiam a região por ter um dos melhores climas do País – a terra é boa e favorável à agricultura, ao ponto de o Estado dos Paulistas ser hoje não só o mais populoso mas igualmente o que mais produz na agro-pecuária e na indústria do País.

 


Deste modo, explica-se a devoção a Santo António, de acordo com o Guia da Arquidiocese de São Paulo: a vintena de instituições antonianas das entidades eclesiásticas que já homenagearam o popular santo português estão dispersas por 10 bairros (ou sectores religiosos) e em 2 deles são invocados o lugar onde nasceu Fernando Martim de Bulhões (que depois assumiu a denominação religiosa de António), 1 menciona a terra onde ele morreu (Pádua) e as outras paróquias citam apenas o nome conhecido de Santo António. Aliás, devem ser apontadas também uma igreja não-matriz (todas as paróquias têm o seu templo votivo), além de uma capela, um colégio, uma casa e mais 4 sedes comunitárias.


 

Diz o historiador Luís da Câmara Cascudo (o mais importante folclorista brasileiro, com mais de uma centena de livros), no seu Dicionário do Folclore Brasileiro (2 volumes) que o milagreiro ulissiponense é o santo mais popular do Brasil. E entre as inúmeras obras sobre o grande e culto santo português merece destaque o livro Santo António de Lisboa militar no Brasil, da autoria do historiador José de Macedo Soares - a edição de 1942 é belíssima e a mais ampla que conhecemos, dando inúmeras informações acerca do santo que nunca veio ao Brasil, mas que continua influenciando milhões de brasileiros.


 

A notícia que damos sobre a existência de 10 paróquias e outras 10 instituições na Arquidiocese de São Paulo são mais do que suficientes para testemunhar a devoção pelo santo que nasceu em Lisboa e morreu em Pádua. E é claro que não são referidos os outros lugares do Estado de São Paulo, onde há talvez milhões de devotos de Santo António, entre os quase 40 milhões de habitantes paulistas (paulistanos são os que nascem na cidade homônima). Quer dizer, Santo António continua vivo em São Paulo e, por extensão, no Brasil).

 

JOÃO ALVES DAS NEVES-- Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.



publicado por Luso-brasileiro às 17:03
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RENATA IACOVINO, COLABORADORA DO NOSSO BLOGUE, FOI ENTREVISTADA POR SELMO VASCONCELLOS

 

                                                                 RENATA IACOVINO - ENTREVISTA

 

BIOGRAFIA

Natural de Jundiaí/SP, nascida em 16/03/68, é escritora, poetisa, compositora e cantora.
Cinco livros de poesias editados: Ilusões Amanhecidas (Literarte Editora), 1996; Poemas de Entressafra, 2003; Missivas (Editora In House), 2006, com Valquíria Gesqui Malagoli, com quem também lançou em 2007 o livro/CD infantil uniVerso enCantado; e Ouvindo o silêncio, 2009; ainda em 2009, com Valquíria, lançou o CD infantil De grão em grão e o livrObjeto OLHAR DIverso (haicais e fotos).

Lançou dois CDs solo: 1 Rumo e Igualdiferente.

É articulista do Jornal de Jundiaí Regional. Colabora com variados veículos de comunicação e obteve premiações em concursos literários.

Participa de Antologias e é jurada de concursos literários.

Integrante das entidades: Academia Jundiaiense de Letras, Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí, Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística, Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro e Grupo Arte em Ação. Autora do Hino da Academia Jundiaiense de Letras. Organizou o livro 1ª Olimpíada de Redação – Ano 2005/Os 35 anos da Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot Jundiaí-SP (Editora In House). Em 2009 organizou a Antologia – Encontros de Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo – 25 anos, lançado pela Fundação Procon/SP. Participou do livro Meu pai foi ferroviário, juntamente com outros quatro escritores, a partir de entrevistas e textos sobre famílias ferroviárias jundiaienses.

Desenvolveu, juntamente com Valquíria as “Oficinas Pedagógicas de Educação Ambiental uniVerso enCantado” para educadores e alunos, no Estado do Amapá, com o patrocínio do Ministério Público e da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Conflitos Agrários daquele Estado.

uniVerso enCantado – o Musical, estreou na Sala Glória Rocha (Jundiaí/SP), encenado pelo Coral Estúdio Jovem, em setembro de 2009.

Em parceria com Valquíria idealizou a CircuitoTeca, uma biblioteca itinerante e gratuita, projeto que levam a públicos e locais distintos.

Com as escritoras Josyanne e Valquíria publica, mensalmente, o Jornal Literário CAJU – saboroso e independente, o qual divulga escritos e eventos do trio.

Vem, continuamente, ministrando oficinas, cursos, realizando saraus, cAntações de estória e atividades afins em vários espaços e localidades, para os públicos adulto e infantil.

reiacovino.blog.uol.com.br
reval.nafoto.net
caju.valquiriamalagoli.com.br
reiacovino@yahoo.com.br

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

RENATA IACOVINO - Sou cantora, compositora e violonista. Faço apresentações musicais, realizo oficinas e saraus lítero-musicais e integro várias entidades culturais em minha cidade, Jundiaí/SP. E trabalho com “Defesa do Consumidor”.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

RENATA IACOVINO - Desde muito menina, minhas primeiras redações eu já pedia para a professora se podia fazê-las em forma de “poesia”. E neste momento eu já começava e me interessar por escritores e poetas, como Clarice Lispector, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Netto, Fernando Pessoa e outros. Mas meu interesse foi se ampliando graças ao contato que tinha com a MPB e seus grandes compositores e intérpretes, pois sempre havia neles, referências à literatura, e eu acabava indo buscar nomes e textos literários.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

RENATA IACOVINO - Todos dentro do país.
Individuais: Ilusões Amanhecidas (poesias, 1996), Poemas de Entressafra (poesias, 2003) e Ouvindo o silêncio (poesias, 2009).
Parceria com a poetisa Valquíria Gesqui Malagoli: Missivas (poesias, 2006), uniVerso enCantado (livro/CD infantil, 2007), OLHAR DIverso (livrObjeto, com fotos e poemas, 2009).

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?

RENATA IACOVINO - Qualquer tipo de contato, tudo que propicie vida. O contato com o ar, com o cotidiano, com o ser humano, com a natureza, com a beleza, com a dor, com a nostalgia, com a guerra, com o silêncio, com os conflitos, com o vazio, com a plenitude, com outras poesias, com a arte em geral, com a ignorância, enfim, tudo pode ser mote, e o fato de sentirmos cada contato como algo impactante e individualizado, ou seja, desvestido de banalidade, é o grande fator gerador de poesia, é o diferencial, é o “olhar por outro ou outros prismas”.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

RENATA IACOVINO - São muitos, mas posso afirmar que depois que conheci uma, em especial, e vi que tudo e mais um pouco estavam ali, creio que não exista alguém com maior talento e versatilidade. Para meu privilégio Valquíria Gesqui Malagoli, minha conterrânea, é parceira em tantos projetos culturais.
Dos conhecidos, gosto de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos e muitos outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

RENATA IACOVINO - Primeiro, que nunca desanimem, pois infelizmente a poesia é lida e compreendida por poucos, por falta de oportunidade, interesse, incentivo, enfim, ausência do hábito de manter contato com essa linguagem. Um problema cultural e educacional, como já sabido. Com isto, ela acaba ficando com uma aura mítica de inacessibilidade, de algo impossível de se entender e de pouca utilidade, já que as pessoas quase sempre querem achar uma “utilidade” para tudo, incorrendo no erro, muitas vezes, da utilidade ser equivalente à futilidade.
Munido do espírito de perseverança, é continuar explorando os caminhos inesgotáveis dessa grande companheira, que é a poesia, e não deixar de estudar e adquirir novos conhecimentos.
A poesia é adequada e pode ser instrumento para qualquer tipo de debate, seja na sala de aula, num grupo de amigos, na mesa de um bar, num encontro social, numa entrevista... Dela é possível tudo extrairmos, basta nos permitirmos o contato.
Transcrito do blogue: 1ª Antologia Poética Momento Literário Cultural
                                   RENATA IACOVINO - ENTREVISTA


publicado por Luso-brasileiro às 11:41
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