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Domingo, 25 de Julho de 2010
PINHO DA SILVA - CASA ONDE VIVEU O Dr. PEDROSA, NA AV. DA RÉPUBLICA, EM VILA NOVA DE GAIA, PORTUGAL ( JÁ FOI DESTRUIDA)

                    



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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AVÓS, SÍMBOLOS DE EXPERIÊNCIA E SABEDORIA

 

                      

 

 

Embora pouco divulgada e felizmente distante dos apelos consumistas, comemora-se a  26 de julho, o DIA DOS AVÓS, em função da Igreja consagrar a data à Santa Ana e São Joaquim, pais de Nossa Senhora e, portanto, avós de Jesus. Trata-se de uma homenagem muito justa, já que as pessoas que alcançam tal condição, têm muita dedicação e amor pelos filhos de seus filhos e  asseguram aos netos a noção de desenvolvimento da vida humana em seus vários momentos e fases. Além do mais, mantém um contato rico, que ensina os jovens a respeitarem os mais velhos e às suas experiências, através do sentido histórico da existência e das próprias raízes

 

Comemora-se a 26 de julho o Dia dos Avós, instituído em função da Igreja consagrar esta data a Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
Trata-se de uma celebração quase desconhecida e que no passado chegou a receber, sem êxito, algumas investidas do comércio, logo ofuscadas pela proximidade do Dia dos Pais, alvo principal das atenções mercantis nesta época. Mas não deixa de ser importante, por destacar o papel que exercem na família, já que em muitas vezes, constituiem-se no suporte afetivo e financeiro de pais e filhos, estando à frente inclusive, da educação de seus netos, com  sabedoria, experiência e certeza de um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações. Por tais aspectos, diz-se “que os avós são pais duas vezes”.

Revela-se assim, num dia de reflexão e agradecimento àqueles que tanto contribuem para a formação dos netos, sendo sua companhia cada vez mais constante no cenário atual, visto que os pais precisam trabalhar fora. Festejar o Dia dos Avós significa reverenciar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza. Invoquemos aqui Dado Moura : “Nossos avós – e todos os idosos, de modo geral – são as pessoas que mais devem ser valorizadas como símbolos de experiência e sabedoria. Eles trazem consigo o testemunho de décadas, de gerações,  de avanços, de modernidade e de mudanças de comportamento. Hoje, muitos deles consideram que o tempo não tem a mesma importância de outrora. O relógio de pulso, por exemplo, é usado apenas como acessório.... Quem souber aproveitar o convívio com os avós, certamente terá muito a aprender com seus conselhos. Eles acumulam a sabedoria que não se aprende nos livros, e estão sempre dispostos a partilhar. São verdadeiros tesouros em nossa vida” (Correio Popular- 26/07/2009- A-3).

Um estudioso desta temática, James Hillman, escreve : “ Os avós mantêm rituais e tradições, possuem um tesouro de histórias, ensinam os jovens e nutrem a lembrança dos espíritos ancestrais que protegem a comunidade. Escutam os sonhos e dizem o que significa uma nova palavra”.

            Entretanto, mesmo diante de tais atributos, muitas deles precisam se socorrer do Poder Judiciário para garantir o direito de ver e visitar seus netos. Já abordamos aqui anteriormente, que não são poucos os casos na Justiça que vislumbram essas aspirações e que tendem a se tornar mais freqüentes face o crescente número de dissoluções matrimoniais. Inexiste no Brasil legislação específica sobre a questão, mas a doutrina e a jurisprudência têm sido sempre favoráveis aos avós, entendendo configurar um abuso do poder de família, quando os pais impedem que convivam com os netos.

Essa orientação dominante se fundamenta nas circunstâncias da solidariedade familiar e nas obrigações oriundas do parentesco. Normalmente eles são pessoas experientes e não raro, contam com idades avançadas. A primeira circunstância aparece como pressuposto preliminar do relacionamento entre familiares, constituindo-se, inclusive, como instrumento de preservação e respeito à dignidade do ser humano, devendo revelar propósitos como a estima pelos mais velhos e a conscientização de que qualquer idade é tão nobre quanto às outras.                               

            Por outro lado, eles também têm  obrigações legais como eventual suprimento de pensão alimentar. Dispõe o Código Civil Brasileiro sobre o direito aos alimentos recíprocos entre pais e filhos e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação sobre os mais próximos em grau, uns em falta dos outros. Podem ser chamados a intervirem num eventual sustento dos netos, quando os pais destes estiverem na absoluta penúria, na ausência constante de emprego ou forem portadores de incapacidade física ou moléstia grave.  O vínculo de parentesco entre avós e netos, que se estabelece por linha reta em consonância com a legislação vigente, pode portanto, originar o dever de prestar alimentos. É por isso que a visita também lhes têm sido reconhecida como uma compensação a esse dever. Nesse sentido, o seguinte julgado:- “O direito de visita tem sido reconhecido aos parentes, não detentores do poder familiar, como uma compensação do dever de prestar alimentos decorrentes da relação de parentesco” (Ap. Civ. 223.361- TJSP).

            Conforme artigo publicado pela revista “Família Cristã”(07/93- pág. 23), “felizmente e apesar dos muitos processos que existem na Justiça sobre essas questões, não é apenas a necessidade de cumprir uma obrigação legal que move os parentes a cuidarem uns dos outros. O que acontece, na maioria das famílias, é que descendentes e ascendentes se acolhem mutuamente, movidos por sentimos de amor, de gratidão e de solidariedade”. A título de reflexão sobre a importância do relacionamento entre avós e netos, invocamos o neuropsiquiatra infantil Alfredo Castro Neto:- “...É um erro pensar que a proximidade dos avós ou a aceitação dos seus métodos de educação traz desvantagens. Ao contrário, as crianças sempre se beneficiam quando podem contar com parentes residindo perto e que possam visitar. Verifica-se com freqüência nas sessões de psicoterapia que as crianças gostam de falar sobre os avós e estão sempre querendo visitá-los quando não moram juntos” ( O Globo, pág. 07, 14.06.98).

 

                                   Comemoração nos EUA

 

Nos Estados Unidos também existe o Dia Nacional dos Avós que se originou de uma iniciativa de Marian McQuade, uma dona de casa, em Fayette County, West Virginia. Her primary motivation was to champion the cause of lonely elderly in nursing homes. Sua principal motivação foi  defender a causa dos idosos solitários em asilos e convencer os netos para aproveitar a sabedoria e a herança que eles pode proporcionar. President Jimmy Carter, in 1978, proclaimed that National Grandparents Day would be celebrated every year on the first Sunday after Labor Day. O presidente Jimmy Carter, em 1978, proclamou que a data deveria ser comemorada anualmente no primeiro domingo após o Dia do Trabalho, que neste ano, cai em doze de setembro naquele país.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI, advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 12:02
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HUMILDADE PARA APRENDER

                       

 

 

Ganhei um presente do amigo Lenarth em abril deste ano e praticamente nem o tinha aberto. Aconteceu que minha filha, Soraia, gostou das histórias que viu e pediu emprestado para contar aos seus alunos; assim, somente agora, nas férias, pude tê-lo de volta.

O título é ‘E, para o resto da vida... Contos que tocam o coração’, de Wallace Leal V. Rodrigues. Eis o que o Lenarth escreveu na primeira página: “Este é um livro simples, de histórias simples e para pessoas simples como você! Apesar de sua simplicidade, ele encerra ensinamentos profundos que merecem ser guardados em nossas mentes e corações para o resto da vida”.

De hoje em diante, com certeza, muitos contos desta coluna serão tirados do livro, começando por este:

Um menino ganhou uma medalha na escola por ser o aluno que melhor sabia ler. Sentiu-se feliz, orgulhoso e, assim que a aula terminou, voltou correndo para casa e entrou na cozinha como um furacão. Olhou para a velha empregada que estava no fogão e disse-lhe:

– Aposto que sei ler melhor do que você.

Vendo o livro de leitura colocado perto de si, a senhora o tomou nas mãos e tentou ler o que podia, gaguejando a toda hora. Terminou por dizer:

– Bem, meu filho, eu não sei ler.

O menino saiu satisfeito da cozinha e correu ao encontro do pai no escritório.

– Papai, a Maria não sabe ler! Eu, que ainda sou pequeno, já ganhei até medalha, olhe só! Imagine ela, já velha, não saber ler; deve ser horrível, né?

Com toda tranqüilidade, o pai ergueu-se da cadeira, foi até uma estante e voltou com um livro em mãos. Depois falou ao filho:

– Foi maravilhoso você ter ganho a medalha, mas, agora, leia este livro para eu ouvir.

O garoto o abriu depressa para iniciar a leitura e se surpreendeu ao ver que as páginas continham centenas de pequenos rabiscos. Chateado, exclamou:

– Nossa, eu não entendo nada disso que está escrito aqui!

– É um livro escrito em chinês, meu filho – disse o pai. – Assim como a Maria, você também não pode ler este livro, não é?

Envergonhado, o menino aprendeu a lição que serve a qualquer um de nós. Às vezes, precisamos lembrar que tudo o que não sabemos é muito mais do que aquilo que já aprendemos; ou, para quem conhece a história que contei, bastaria recordar que ‘não sabemos ler chinês’. Porém, só pensa assim quem tem humildade no coração.

Na semana passada, eu fui matar a saudade da minha netinha Luísa, que mora em Rio Negro. Ali perto, na cidade de Mafra, Santa Catarina, aconteceu um encontro de professores da Universidade do Contestado. Mesmo em férias, os docentes se reuniam às noites para discutir assuntos relacionados à formação dos alunos – conscientes que precisavam aprender para melhor ensinar.

O assunto no dia que participei foi ‘Planejamento Pedagógico’ e, após breve explanação da palestrante, iniciou-se a discussão. Eu era a única pessoa de fora da Instituição e procurei me comportar apenas como ouvinte, embora, por ter sido convidado, poderia também usar a palavra. E foi o que fiz no apagar das luzes, pedindo que os professores refletissem melhor sobre: formação permanente – para o resto da vida! – e educação à distância. Conclui dizendo que vivemos a ‘era da educação continuada’ e não podemos deixar de aprender e ensinar sempre.

Assim também pensam os participantes do 23º Laboratório Coral de Itajubá, que acontece nesta semana. Alunos e regentes, coralistas há anos, continuam com interesse no assunto para melhorarem os conhecimentos e habilidades. O resultado disso é sempre maravilhoso, podendo ser presenciado na apresentação de encerramento, que acontecerá sábado à noite, dia 24, no Anfiteatro da Medicina. Será um espetáculo para chinês ver!

E por falar em ver e aprender, você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio? Sabe como ele consegue ficar dormindo sem cair? O segredo está nos tendões de suas pernas: quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Assim, os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho para voar. Quanta sabedoria do Criador, hein?

Pensando na nossa caminhada, se tropeçamos, caímos e temos dificuldades para levantar, a maior segurança vem de um joelho dobrado em oração. Então, quando você estiver num emaranhado de problemas que o fazem perder a paz e a alegria, não se entregue ao desânimo. Lembre-se que, rezando com humildade no coração, aprenderá a solução para qualquer coisa que precisar. E como o passarinho, só desdobre o joelho quando tiver confiança para se levantar.

Se Deus cuida de um passarinho, abençoa todos os animais da Terra e a natureza que os cerca, imagina o que não fará por você, que é Seu filho amado! Basta pedir com confiança e a graça virá.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 11:53
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JOSÉ RENATO NALINI - E AGORA, JOSÉ ?

A morte de José Saramago causou universal consternação. Foi o primeiro e único autor em língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Láurea emblemática, a acalentar os sonhos de todos os amantes da palavra. Muitos os brasileiros que já foram cogitados: João Cabral de Mello Neto, Jorge Amado, Ferreira Gullar, Lygia Fagundes Telles. Mas foi ele quem conseguiu empolgar o imprevisível júri que atribui o mais ambicionado reconhecimento a quem elegeu por ofício a arte de escrever. Mereceu. Tem uma vida que, só por si, representaria tema de bom enredo.

Pobre, filho de rurícolas analfabetos, exerceu atividades consideradas desprezíveis. Antes de surpreender o mundo com seus romances, sua coerência política, sua coragem cívica e sua teimosia em negar a existência de Deus. Escreveu “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, que lhe valeu a antipatia do Portugal conservador. Todavia, conforme a própria Igreja Católica lusa, em respeitável manifestação ao ensejo de sua morte, sua obra fez com que a Bíblia viesse a ser tema candente em toda a comunidade lusófona. Ainda que por vias transversas, a pessoa e a divindade de Jesus de Nazaré foram alvo de discussões, debates, artigos e teses.

O ateu Saramago ajudou a propagar o cristianismo. A análise crítica sobre a obra de Saramago merecerá comentários os mais consistentes e categorizados. Embora apreciando seus romances, notadamente “O ensaio sobre a cegueira” e “A Jangada de Pedra”, me encontrei mais nos “Diários de Lanzarote”. Eram anotações ligeiras, a contemplar assuntos do cotidiano, mas também as grandes questões existenciais. O que me levou a render a minha homenagem ao mais ilustre morador da ilha de Lanzarote, foi imaginar o seu diálogo com o autor do design inteligente.

O que terá acontecido quando chegou à eternidade e defrontou-se com o Criador? Em sua infinita bondade, o Pai terá indagado: – “E então, José? Não é você quem diz que Eu não existo?”. E ele, entre contido e acabrunhado: “Era brincadeira, Senhor!”. “Não se apoquente, xará de meu Pai adotivo! Venha cá para o meu abraço!”. E foi recebido com todas as honras na glória eterna!

 

 José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - BRUNOS E ELIZAS

                      

 

 

A postura de Bruno, ex-goleiro do Flamengo, em relação às mulheres, me deixa indignada. Em uma matéria, no site do Terra, em cinco de julho, li ter ele revelado, em entrevista à revista Veja, que participar de orgias é muito comum em meio aos jogadores de futebol e que foi em uma dessas festas que ele conheceu a estudante Eliza Samudio. “Era uma orgia só. Tinha mulher, homem, amigas dela, outros jogadores. Essas festas são comuns no nosso meio”.

“Era uma orgia só”. Mocinhas e mulheres mais velhas colocam-se à disposição em bacanais, para que homens saciem instintos animalescos. E o que elas procuram? Fama, dinheiro, um príncipe encantado? Mocinhos e homens adultos aguardam, em festim dissoluto, corpos femininos que lhes aplaquem apetites obscenos. E o que eles buscam? Autoafirmar-se em seu poder de macho? Iludir-se com bajulação e idolatria? Exibir a sua masculinidade? Tentar preencher um vazio que ocultam? Ou teriam, mulheres e homens, mais novos ou não, desaprendido ou não se instruído, pelo coração, a respeito de um sentido maior para suas vidas?

Qualquer que seja o motivo ou mesmo a coexistência de vários deles, usar um ser humano é sempre perverso e descartá-lo, próprio dos incivilizados.

Existe uma cultura antiga vigente que, de acordo com a condição socioeconômica ou com seu procedimento, a mulher pode ser usada, reutilizada e jogada fora. A exploração sexual chega ao absurdo do tráfico de adolescentes e mulheres jovens, vendidas, enganadas ou raptadas para uso sexual.

Siddharth Kara, membro da direção da ONG Free the Slaves, criada em 2000 nos Estados Unidos, em matéria no site da ONG “Serviço à Mulher Marginalizada”, afirma que, no mundo inteiro, entre 6% e 9% dos homens maiores de 18 anos compram sexo  pelo menos uma vez por ano. “Seja por entretenimento, por impulsos violentos ou por qualquer outro propósito” – comenta Kara. A jornalista Priscila Siqueira, no mesmo site, relata que, na BR – 116, na região de Barra do Turvo, do Vale da Ribeira, é possível encontrar crianças de dez anos fazendo programas. Em Boiçucanga, meninas dormem durante as aulas nas escolas pelo “desempenho sexual” à noite em bordéis.

Enquanto os seres humanos forem vistos pelos que visam lucro, pelos que têm algum tipo de poder nas mãos, como passíveis de uso em orgias e extermínio, continuarão existindo Elizas iludidas e vítimas, Brunos com uma aparente ausência de sentimentos e “parceiros macabros”, capazes de estrangular, esquartejar, queimar e alimentar animais com carne humana. Enquanto os seres humanos forem vistos como passíveis de uso, continuarão “brotando” facínoras, destinados a viver das mortes, pelos becos da humanidade. Que pena!

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola



publicado por Luso-brasileiro às 11:35
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SOLIDÃO GELADA

                     

           

Sempre que esfria demais, não consigo simplesmente andar pelas ruas tranquilamente. Não sou capaz de circular como quem não vê a imensa quantidade de pessoas, que estimo em milhares, por toda a cidade, praticamente congelando nas calçadas.

            Nesses dias chuvosos, sobretudo, a situação é mais triste do que nunca. Enquanto eu ajusto dentro de algum casaco que retirei do meu armário, vejo homens, mulheres, idosos e crianças, encolhidos, sentados ou deitados nas praças e calçadas, enrolados em cobertores puídos e mal cheirosos.

            Muitos deles estão descalços e eu mal posso suportar a gota d’água que acabou entrando por alguma fresta do meu sapato. Por mais que eu veja, todos os anos, todos os dias, as mesmas cenas, não sei como lidar com isso. Não posso dar dinheiro a cada um que me estender a mão, mesmo que acabe dando para alguns. Em um mundo tão violento, em que pais matam ou estupram filhos e filhas, em que um namoro rompido é mote para as mais variadas covardias, não é prudente dar um abrigo a ninguém que não se conheça.

            Contribuo com algumas entidades, faço alguma coisa, mas ainda assim acho que é muito pouco, porque não sou capaz de mudar, de fato, a vida de ninguém. Vejo que muitos se valem das bebidas e das drogas para poder suportar o frio, o abandono, a desesperança. Sem dúvida, a lucidez não consegue morada nas ruas... Para que se possa sobreviver nessas condições, a loucura é melhor companheira.

            Às vezes eu noto que para parte das pessoas, a coisa toda já se tornou normal, contingencial, parte da paisagem urbana. Parece não mais comover, importar. Quiçá seja uma forma de auto preservação, como se fosse possível não sofrer pelo que não se enxerga, pelo que não se dá conta. 

            Dia desses, enquanto eu almoçava, a campainha de casa tocou. Esperando uma correspondência, fui abrir a porta, mas descobri que não se tratava do carteiro, mas, sim, de um homem que logo que me viu já foi desfiando um rosário de dores, pedindo comida ou dinheiro. Por conta de tantas vezes em que fui passada para trás, tracei uma regra particular de não dar dinheiro na porta de casa, mas quando me pedem comida, a coisa muda de figura. Além de tudo eu estava almoçando e, provavelmente, eu nem conseguiria continuar a comer, não pensando que eu negara comida a alguém que se dissera morto de fome.

            Assim, subi para meu quarto, tirei uma moeda da bolsa e, da sacada, para não correr o risco de chegar até o portão e acabar sendo assaltada, eu delicadamente joguei a moeda para ele. Por azar, nem eu e nem vimos para onde a bendita moeda foi, já que ele não conseguiu pegá-la. Olhou para mim, em pânico e me disse: “Ai Meu Deus, e agora, eu estou desesperado para comer?!?” Em seguida, ficou olhando para chão, com olhar aflito. Pode ser que eu tenha somado mais uma às vezes que fui ludibriada, mas eu precisava fazer alguma coisa. Como não tinha comida pronta, além daquela no meu prato, corri para minha bolsa e peguei algumas notas, as quais dei um jeito de dar na mão dele.

            Notei, nessa hora, que ele tinha uma espécie de tumor no rosto e pude sentir ainda um inconfundível cheiro de bebida. Não sei se ele foi comer, se ele foi beber. Nem quis julgar. Não consegui. Olhei para baixo e vi os pés sujos, mal enfiados em chinelos velhos e tive certeza de que eu, na situação dele, buscaria um consolo para o frio que quase cortava os ossos. Voltei meus pensamentos para os tantos outros que, como ele, sobram pelas calçadas, tal qual pertencessem a uma espécie desconhecida, oscilando entre o gênero humano e o animal.

            Dentro de casa, protegida do frio, da fome, da indiferença e de tantos outros males do mundo, sequer me entendo no direito de reclamar de qualquer coisa. Tenho muito e, como tal, no mínimo, não posso olvidar de que há tantos sem coisa alguma, nem mesmo esperança...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - ESTAMOS AGINDO COMO AGIU OZANAM ?

                       

 

 

Recebi uma tarefa que considerei difícil de ser executada. Um confrade da SSVP me propôs que escrevesse sobre a falta de compromisso de alguns confrades e consócias, trazendo conseqüência que afetam a vida vicentina. O pedido dele veio da seguinte forma: - “Por este Brasil afora, às vezes deparamos com confrades e consócias que não são compromissados com o que o Bem aventurado Antônio Frederico Ozanam ensinou e praticou. Alguns fingem que são vicentinos e os pobres fingem que são assistidos".

É uma afirmativa preocupante. Pensei, inicialmente, que ela poderia não espelhar uma realidade geral, mas resolvi analisar o que já presenciei dentro da SSVP e cheguei à conclusão que ela é bem possível. A principal meta do vicentino é a de se santificar através da santificação do seu assistido. Dois pontos nos quais apenas sobre um cada um de nós tem plena condição de conseguir: a nossa santificação. Mesmo assim poderemos ajudar o assistido a se santificar. Mas, é o que fazemos?

Claro que existem exceções com muitos vicentinos e com muitos assistidos, mas o que acontece realmente nas visitas que muitos de nós fazemos? Simplesmente cumprimos o “dever” semanal ou vamos lá evangelizar com a Palavra de Deus e com o nosso exemplo? Tenho questionado muito sobre isso. Nossa visita costuma ser rotineira, sem sabor, sem atrativo. Quem de nós lê em toda visita a Bíblia para o assistido? Quem de nós reza com ele na chegada e na saída? Quem leva as crianças para a catequese? Olhando para o plano material, quem de nós se esforça realmente para arranjar trabalho para os jovens filhos dos assistidos? Quem se preocupa com seus estudos? Quem de nós é realmente amigo do assistido?

Ozanam, com muito menos recurso, procurou viver de verdade tudo que questionei acima. Ele não olhou as dificuldades, as distâncias, a falta de empregos. Ele fez tudo que estava ao seu alcance. Teria ele conseguido atingir cem por cento suas metas? Quase podemos afirmar que não, mas não foi por falta de esforço, por falta de confiança em Deus. Ele não se conformava com a miséria que existia naquela época, com a desesperança dos mais pobres, com os ataques que a Igreja sofria! Ele lutou. E como lutou!

E nós, o que fazemos?

Hoje, com muito mais recursos, com muito mais gente, com muito mais facilidade de transporte, de meios de comunicação falamos que não temos muito como ajudar. Será verdade ou apenas desculpa?

Por outro lado, os assistidos vão aprendendo a receber sem dar nada em troca. Não se esforçam, pois sabem que não vamos deixar de ajudá-los. Ainda mais agora, com os programas assistenciais que existem por aí, parece que o vicentino perdeu a obrigação de ir a fundo nos problemas do assistido. Como estamos acostumados apenas a levar o vale semanal, e agora ele já não é tão mais necessário, estamos fingindo que somos vicentinos e os pobres fingindo que são necessitados.

O que fazer então? Voltar às origens. Ler as cartas, as circulares, os livros de orientação que nos foram legados por Ozanam e todos os verdadeiros vicentinos que vieram com ele e depois dele. E praticar os seus ensinamentos. 

Antigamente a proclamação era esperada com ânsia. Hoje não sei se ainda é assim. Preocupa-me ver que cada dia se torna mais difícil arregimentar pessoas para a SSVP. Muitos dos que recentemente aceitaram participar de uma Conferência não querem ser proclamados e os que aceitaram não querem assumir cargos. Muitos deles nunca tiveram a Regra nas mãos.

É a falta de compromisso com os ideais de Ozanam questionado acima. Não me admiro agora da segunda parte do questionamento: E os pobres fingem que são assistidos. Não nos esforçamos para estarmos preparados para enfrentar a nova situação.

Sinceramente eu gostaria de ter o otimismo de alguns amigos meus que escrevem sobre a SSVP, mas não consigo. Talvez seja eu que esteja fora da realidade, mas em um Brasil tão grande e cheio de tantas diversidades e dificuldades creio que a minha preocupação e a de quem propôs o tema tem certa razão de ser.

Sei que o Conselho Nacional tem tentado fazer muita coisa, mas nem todos colaboram.

Precisamos todos nós, urgentemente, analisar alguns pontos e ações, mudar de fato e não ficar apenas vendo o tempo passar e pouca coisa acontecer.  

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil   



publicado por Luso-brasileiro às 11:20
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - A BELEZA DA AMIZADE CRISTÃ

 No conturbado mundo de hoje a ausência da verdadeira amizade é uma das causas de inúmeros males.

 É este laço sagrado que une os corações.

 Quirógrafo das almas nobres, é a afeição que fundamenta o lídimo amor, sendo este a própria amizade em maior intensidade.

 Desde a mais remota antigüidade o homem se interrogou sobre a essência da amizade. Filosofou sobre este aspecto da interação humana. Podemos dizer que a amizade é uma certa comunidade ou participação solidária de várias pessoas em atitudes, valores ou bens determinados. É uma disposição ativa e empenhadora da pessoa.

O valor da amizade foi revelado pela Bíblia: “O amigo fiel não tem preço” (Sl 6,15), pois “ele ama em todo o tempo”(Pv 17,17. “O amigo fiel é uma forte proteção; quem o encontrou, deparou um tesouro” (Ecl 6,14). “O amigo fiel é um bálsamo de vida e de imortalidade, e os que temem o Senhor acharão um tal amigo” (Ec 6,16). A função psicossocial da amizade é, assim, de rara repercussão. Ela é fator de progresso, pois o amigo autêntico aperfeiçoa e educa pela palavra e pelo exemplo;  é penhor de segurança, uma vez que o amigo leal é remédio para todas as angústias, dado que a amizade é força espiritual.

Entretanto, há condições para que floresça a amizade. Pode-se dizer que são seus ingredientes: a sinceridade, a confiança, a disponibilidade, a tolerância, a compreensão e a fidelidade. Saint-Exupéry afirmou: “És eternamente responsável por aquilo que cativas”.  

Na plenitude dos tempos Jesus apresentou-se como legítimo amigo. Ele declarou: “Já não vos chamo servos, mas amigos” ( Jo 15,15) e havia dito: “Ninguém dá maior prova de amor do que aquele que entrega a vida pelos amigos” (Jo 15,13).. Rodeou-se de pessoas, às quais se repletaram dos eflúvios de sua bondade. Felizes os que O conheceram, como Lázaro, Marta, Maria, seus amigos de Betânia; os doze apóstolos; Nicodemos; Zaqueu; Dimas, o bom ladrão; e tantos outros. É, porém,  preciso levar a amizade a sério. A Bíblia assegura que “O amigo fiel é medicina da vida e da imortalidade” (Ecl 6,16).

Disse, porém, Santo Agostinho: “A suspeita é o veneno da amizade”. Bem pensou, porque a amizade finda onde a desconfiança começa. O amigo é luz que guia, é âncora em mar revolto, é arrimo a toda hora. Esparge raios de sol de alegria, derramando torrentes de clarões divinos. Dulcifica o pesar.

Tudo isto merece ser pensado e repensado.

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho  -    Membro da Academia Mineira de Letras,  Diretor Espiritual do JSC



publicado por Luso-brasileiro às 20:12
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D. LUIZ GONZAGA BERGONZINI - DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A DEUS O QUE É DE DEUS

  http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=690&gid=950

                                                       01-07-2010



                          
             


Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.


Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.


Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.


Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.


Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).


Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.
 

Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.


                    D. Luiz Gonzaga Bergonzini
                         Bispo de Guarulhos



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