PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - NÃO OLHAR PARA TRÁS

O alerta de Cristo deve ser sempre refletido: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o reino de Deus” ( Lc 9,62). A comparação de Jesus é tirada de um agricultor que está prestes a iniciar seu trabalho de arar a terra, mas se põe a olhar para trás. Uma curiosa maneira de iniciar o serviço. Passa nitidamente a impressão de que não está concentrado no que vai fazer. Esta proposição do Mestre divino mostra claramente que é possível para um cristão ser impróprio para o reino de Deus, mesmo que já tenha colocado a mão no arado. Segundo o contexto desta passagem, Cristo pronunciou estas palavras em reação a alguém que Ele convidou a segui-lo e tinha até boas intenções, mas primeiro queria se despedir dos seus familiares. Portanto, há duas condições para se estar capaz para o serviço do Reino de Deus: colocar a mão no arado e não olhar para trás. O discípulo de Cristo é um trabalhador, tem uma tarefa a cumprir: trabalhar a terra e a cultivar, ou seja, prepará-la para dar frutos. O batizado participa do múnus sacerdotal, régio e profético de Jesus e deve exercer esta ocupação no mundo, preparando o terreno dos corações para neles cultivar a mensagem do Evangelho. A preparação é a união com Deus, louvando-O, glorificando-O como participante do sacerdócio de Cristo, depois dilatando o Reino com palavras e ações, denunciando com coragem tudo que atropela os ensinamentos do Mestre divino. Colocar a mão no arado significa, assim, se colocar ao serviço dos interesses divinos. Lá onde se encontra, o cristão é um mensageiro das verdades reveladas jamais se acomodando numa vida frívola e sem rumo. Cumpre uma vida dinâmica com todas as atividades centradas em Deus. É preciso seguir as diretivas de Cristo como se acham no Evangelho. Colocar a mão no arado comporta todas as obrigações de quem recebeu o batismo e se tornou seguidor de Cristo. Para isto é preciso competência. Ninguém pode utilizar os instrumentos agrícolas sem estar preparado para tal. Deste modo o cristão deve estar instruído para cooperar na difusão das verdades reveladas por Deus. Para isto é preciso estudar, refletir acerca de tudo o que se acha na Bíblia e o praticar para dar testemunho onde quer que se esteja, mas confiando unicamente na graça do Ser Supremo. Lemos em São Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer” (1Cor 3,6). Quem dirige um arado se sacrifica. Isto, na metáfora usada por Jesus, denota que é mister para seu discípulo tomar a cruz de cada dia, pois somente assim estará contribuindo para a dilatação do bem. É o sacrifício de cada um a serviço do Reino.  O arado, além disto, revolve a terra para que nela seja lançada a boa semente. Quando alguém vive o Evangelho vai lançando sulcos que se tornam aptos para que a semente divina neles seja lançada. Vivendo à imagem de Jesus, influenciando a vida de todos que estão à sua volta, cada um faz com que a comunidade seja muito mais luminosa. Com um apostolado esclarecido o batizado revoluciona esta terra. No momento de deixar esta vida cada um deve poder dizer: “O mundo ficou melhor eu por ele passei”. Para isto, mister se faz um total engajamento em Deus, pois não se pode ser apenas chamado de cristão, mas reconhecido como tal de tal forma que a fé individual resplandeça. Então, quem trabalha no serviço do Reino percebe que este não é resultado de persuasão por palavras sem obras, mas resulta de sua magnitude que esplende na existência de cada batizado. Obtida a justificação,  cumpre uma conduta apropriada.  Comportamento do homem novo renascido com Cristo, inteiramente consagrado a Deus. Este não olhará nunca para trás e não se renderá jamais  às aliciações mundanas, mas estará decidido sempre a contribuir para a obra Da evangelização. Então, a colheita será deslumbrante porque houve operários dedicados à seara do Senhor.

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho  -    Membro da Academia Mineira de Letras.



publicado por Luso-brasileiro às 16:30
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VAMOS VISITAR O CONVENTO DE CRISTO - TOMAR - PORTUGAL


http://3d.culturaonline.pt/Content/Common/VirtualTour/Index.htm?id=82e66d80-439e-4f29-bc9b-576e98efee57



publicado por Luso-brasileiro às 16:07
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EUCLIDES CAVACO - AZINHAGA DA SAUDADE
AZINHAGA DA SAUDADE
 
É o tema feito fado que embora já antigo ocupa hoje o espaço de poema da semana
que dedico a todos vós mas muito especialmente a dois grandes amigos que o tema
inspirou: Ao talentoso intérprete João Balças e ao meu peculiar amigo Manuel Janicas,
em jeito de gratidão pela sua incondicional dedicação à propalação da minha obra.
Ouça e veja este fado  aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Fados_E_Musicas/Azinhaga_da_Saudade/index.htm
Euclides Cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt


publicado por Luso-brasileiro às 16:03
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - A PESSOA POR DENTRO

                      

 

 

Fico encantada com o jeito de Deus comigo. Se eu estiver atenta às coisas do Céu – nem sempre me encontro assim -, noto, de imediato, o quanto Ele me toca, molda meu espírito e desperta meu coração para valores que engrandecem. Encontro no livro “Imitação de Cristo” (3, 1,1): “Bem-aventurados os ouvidos que percebem os sussurros das divinas inspirações e nenhuma atenção prestam aos ruídos do mundo”. Deus conhece minhas dificuldades, misérias, limites e “respeito” a alguns ruídos terrenos. Ninguém como Ele para assoprar ressurreição em meus ouvidos e me educar no bem.

Minha amiga, no consultório em que faz quimioterapia, deparou-se com o livro “O DIREITO DE OLHAR – Publicar para Replicar”, trabalho bonito do Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD –, instituição idealizada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos e fundada, em 2000, por um grupo de advogados. Dentre outras atividades, desenvolveram, junto a detentas de São Paulo (adultas e adolescentes da Fundação Casa), oficinas de fazeres artístico (literatura, artes plásticas e fotografia). Os trabalhos selecionados foram para exposição, primeiramente no Instituto Tomie Ohtake, depois em outros lugares, como na seção da OAB de Jundiaí e, com apoio da Petrobrás e do Ministério da Cultura, compuseram o livro citado.

Ao terminar a químio, daquele dia, minha amiga tinha duas opções: fazer a tomografia indicada pelo oncologista ou ir buscar o livro que desejava me ofertar. Deixou a tomografia para a manhã seguinte. Chamo a isso, comigo e com os olhos para as excluídas, de generosidade. Deixar-se pelos outros é de Deus.

O médico e escritor, Dráuzio Varella, que fez parte do júri em literatura, coloca aquilo que transparece e é fortíssimo na vida da mulher presidiária, nos presídios e nos trabalhos apresentados: a solidão. São mulheres que convivem, cotidianamente, com a tristeza e o abandono.

Uma das obras destacada, que me emociona, é o desenho de Maria Isabel Castillo da Penitenciária Feminina de Tatuapé. Uma mulher dando à luz com as mãos algemadas. Já ouvi esse relato, que aperta a alma, mais do que os pulsos. Pintura em tons de sangue e trevas. Ao redor dela, dez mãos distantes, que não a tocam, com o mesmo tom de chumbo. Isolamento total. Apesar desse despovoado onde elas habitam, conseguem concluir: “As tripulantes adoecem de saudade, mas não morrem. Considero morta aquela que não sonha, aquela que não deseja chegar a lugar algum (...) e não tem Deus no coração”. E ainda: “O que não faz refletir, infantiliza. Porque não basta só cumprir a pena, você tem que cumprir com certa qualidade. E essa qualidade é o seu crescimento”.

Para a funcionária do sistema prisional, Jupira Oliveira, o projeto mostrou o que existe dentro da presa. Mostra o humano muito claro. O escritor de cordel e articulador social, Hermes de Sousa, afirma: “A arte é esse instrumento que dá possibilidade do indivíduo cavar e sair em algum lugar. É a seta que indica o retorno. Porque mexe com o profundo do ser, transforma de dentro para fora”.

Empenhar-se em um empreendimento como esse é oferecer uma oportunidade de escolha e o livre arbítrio é de Deus.

Releio a cartas que uma presidiária me envia. Vive de tristeza em tristeza. Sofre com o desamparo e a distância dos seus. Doeu demais a criança que veio antes do tempo, devido à malformação. De imediato, carregou culpas e questionamentos. Consolou-se no anúncio de que a alma de seu bebê era inteira e Deus o viu e o carregou, como anjo, para o paraíso. Um dia se abraçarão. Ao voltar do hospital, entregou o enxovalzinho de seu bebê à outra detenta, pobre como ela. Partilha para alegrar o coração de quem recebe, sem esperar nada em troca, enobrece e é da caridade de Deus.

Entendo que possibilitar às pessoas que se mostrem naquilo que possuem de mais bonito por dentro e acreditar na beleza é permitir o cuidado com as sementes de esperança de Deus e essa esperança faz com que todos nós, aquém ou além das grades, sejamos melhores.

 

 MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola



publicado por Luso-brasileiro às 15:54
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

                        

 

 

Jesus nunca condenou a riqueza.

Em algumas ocasiões Ele se referiu a ela e a tônica de suas observações foram que a posse de muitos bens torna o homem egoísta e dificulta a salvação. Ele mesmo se serviu da riqueza de alguns dos seus amigos para poder viabilizar Sua missão. Algumas pessoas convertidas financiaram Sua caminhada. A riqueza desses seus amigos foi utilizada para o bem.

O problema é que à medida que ficamos mais ricos, mais nos esquecemos de Deus. A riqueza impõe uma série de procedimentos que nos afastam d'Ele. Para exemplificar, o rico tem tempo para festas, para passeios, para ter tudo o que quiser, mas não tem tempo, sequer, para ir a uma igreja agradecer o que conseguiu ou para visitar e ajudar quem é pobre.

Jesus avisou que o caminho para o Reino é estreito, é difícil, e por isso o rico tem dificuldade de ir por ele. E acrescentou que o caminho do Céu leva a pessoa ao sofrimento, mas que a recompensa vale à pena.

Para exemplificar as suas situações Ele contou a historia do rico e do lázaro. Jesus não deixa dúvida quanto ao resultado das ações que acontecem no mundo. Quem muito sofreu recebe o prêmio da salvação, quem não sofreu e foi desumano vai para o lugar dos tormentos.

Hoje existem igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade, dizendo que Deus não quer que ninguém seja pobre. Elas vão de encontro a um ensinamento de Jesus que disse: “Pobres sempre tereis convosco”.

A exigência de doação do dízimo, que até é um dever do fiel quando ofertado dentro de suas possibilidades, nem sempre é caridosa. Exigem dos seus seguidores, até, que façam o impossível para doar o dízimo, que às vezes é maior que o que o nome indica.   Existem pessoas que contraem dívidas e dispõem de seus pertences para satisfazê-las. Muitas pessoas esquecem que Jesus ensinou que não é o valor que conta na doação e sim a disposição de coração com que ela é ofertada.

É certo que a oferta dada com sacrifício tem valor maior junto de Deus, mas Ele não quer que a pessoa se sacrifique ao ponto de prejudicar a si próprio e à sua família. Não pode haver egoísmo de quem pede e nem de quem oferece.

Tomemos, como exemplo, a vida de qualquer verdadeiro Apóstolo, seja ele um que tenha vivido com Jesus ou os que vieram depois dele. A vida desses seguidores de Jesus foi só sofrimentos terrenos, mas com recompensas celestes. Como pode, então, se divulgar que Jesus não quer o sofrimento, se ele redime? Como se pode apenas pensar em riquezas e alegrias, se não é isso que Jesus ensinou?

Sei que esses ensinamentos da Teologia da Prosperidade são convidativos e são o que muitas pessoas querem, mas não é o que Deus deseja, pois o nosso sofrimento pelos outro oferecido a Ele é sublime e agradável.

Não é de se admirar que as igrejas que pregam essa teologia cresçam. As pessoas pensam muito no aqui e agora, mas se esquecem do depois.

Também não é difícil de entender porque nossos assistidos passam tão facilmente para outra religião, mesmo tendo que dar o dízimo do pouquíssimo que têm ou recebem. Ilusoriamente eles também querem ficar “ricos”.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 13:23
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - A SAGA DE ÂNGELA - PARTE FINAL

                      

           

 

 É claro que há muito a Ângela deixara de acreditar naquela baboseira de príncipe encantado. Ela pensava que parte da culpa pelo fato das mulheres ficarem pelos cantos chorando as decepções amorosas, era das estórias infantis, que colocavam um tal de Felizes para Sempre, mas se esqueciam de colocar um ponto final. O problema era que essa frase quase sempre terminava em reticências... Ou seja, não era um fim! Será que ninguém ainda atentara para isso?

            Ângela era prática. Já tivera seus dias de ilusão amorosa, tão própria dos anos de ingenuidade, mas hoje via as coisas de forma diferente. Acreditava sim em relações amorosas recompensadoras, em companheirismo, mas sabia que tudo isso era só parte de um pacote bem mais complexo. Ela, que passara uma parte da vida lutando contra a balança, na esperança de que seria mais feliz se suas calças ficassem caindo de seus quadris, acabara fazendo uma comparação no mínimo curiosa. Amava chocolates, mas entendera que o prazer de comê-lo vinha acompanhado de outros efeitos colaterais. Assim, comia-os com moderação. Agia da mesma forma no quesito amor. Até dava para se empanturrar de chocolate, mas não para sempre, não toda hora, não sem sofrer as conseqüências. Às vezes, chocolate e amor até valiam ser consumidos em excesso, mas, no mais das vezes, era preciso sabedoria para impedir que as coisas desandassem.

            Se príncipe encantado não existia, quanto mais princesa. Tava aí outra razão do sofrimento feminino. Ela há muito desistira de ter um peso pena, mas se descobrira em um corpo adequado, proporcional e bem cuidado. Tinha vaidade, é claro, mas do mesmo jeito que não criava grandes expectativas em relação aos outros, não escondia a pessoa que era, com defeitos e qualidades. Óbvio que nem sempre a equação era tão simples, mas ela fazia o que podia. Felizes das garotas que hoje tem a Princesa Fiona como opção...

            O fato é que Ângela tinha aceitado o convite do Antônio para ir assistir ao jogo do Brasil lá no condomínio dele. Respondera meio se pensar, mas depois ficara refletindo se fora uma boa coisa, afinal de contas eles mal se conheciam e ela nem sabia que tipo de pessoa ele era. Até pensou em ligar para mãe, pedindo referências, mas concluiu que isso daria a ela pretexto para se intrometer. Pegou o papel onde ele anotara o endereço e o telefone, mas antes que pusesse as mãos no telefone, esse tocou. Era o Antônio, ligando só para confirmar com ela. O fato é que na hora ela não conseguiu repetir a desculpa que inventara e acabou confirmando.

            No dia do jogo, depois de escolher uma roupa que vestisse bem, que fosse compatível com um churrasco, bem informal. Acabou optando por uma calça jeans, camiseta pólo preta e tênis. Quando chegou lá e viu todos vestidos de verde e amarelo, amarelou. Como não se lembrara disso? Já chegou dando mancada, mas agora era tarde. De longe viu o Antônio, vestido de amarelo. Pensou que “relação” deles com certeza era bem verde, porque ele tinha uma Lolita, vestida com um mini vestido de bandeira, grudada nele. Ângela sentiu um aperto na garganta e constatou que tinha sido mesmo um erro ir até ali. Ela nem conhecia ninguém. “Meu Deus, o que ela estava pensando?” Foi quando ele a viu e seguiu na direção dela, com a menina ao lado. “E ele ainda é descarado!!! Nem disfarça?!? Ainda por cima é pedófilo?? Essa menina deve ter uns 16 anos, no máximo!”

            Vendo a expressão nos olhos de Ângela, ele se apressou em dizer: _ Oi! Acho que você não conhece a minha filha Clara. “Nossaaaaa.... que alívio.” Ângela se sentiu corar. “Meu Deus, que menina linda. Mas você não me falou que era casado e...” Ele emendou: _ Mas não sou. Não mais. Sou viúvo.

            Depois de mais essas duas bolas fora, Ângela se sentiu mais no pique do futebol. Ela tinha que relaxar. Tinha que parar de julgar as coisas e as pessoas como viva fazendo. Resolveu relaxar e assistir ao jogo. Pediu desculpas pela blusa preta e aceitou, com certo alívio, a camiseta amarela que Clara, com um sorrisinho maroto, ofereceu a ela. Conheceu outras pessoas, riu muito, torceu, tentou, pela enésima vez, entender o que era o tal de impedimento, sem sucesso, mas, fosse como fosse, tinha sido uma tarde diferente.

            Depois do jogo e do churrasco, lembrou-se de que o Alegria, seu cachorrinho, tinha ficado em casa, sozinho e ela já estava fora há horas. Começou a se despedir de todos e quando chegou a vez de Clara, essa logo disse que, da próxima vez, trouxesse o cachorro junto, porque o pai dissera que ele era muito lindo e ela adorava cães. “Quem sabe?”, disse Ângela. Beijou a menina, de quem genuinamente gostara e até que o vestido nem era tão mini assim...

O Antônio a levou até o carro e, antes que ela percebesse, aproximou-se dela e deu-lhe um beijo. Foi um beijo manso, tenro, mais tinha um quê de sincero. Ela gostou. Sentiu-se estranhamente bem, sem constrangimentos. Combinaram de se telefonar durante a semana. Ela foi para casa, dirigindo de forma tranqüila, pensando que tinha se esquecido de devolver a camiseta amarela da filha de Antônio. Ligaria amanhã para falar. Dessa vez, contudo, não estava esperando príncipe nenhum, mas estava certa de estar longe de voltar a engolir sapos. O futuro era parte do amanhã. Por ora, precisava era chegar em casa, porque algo, nesse tempo todo ela aprendera uma importante lição: Nunca deveria deixar Alegria esperando...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 13:19
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SÔNIA CINTRA - SARAMAGO, UM ALENTEJANO NO MUNDO

                  Reza a tradição de nossa civilização ocidental que oscilamos entre sermos heróis e vítimas, ao longo de nossa existência. Herói, quando sozinhos tentamos desafiar o mundo em que vivemos, a despeito de suas inúmeras vicissitudes; vítimas, quando, também sozinhos, perdemo-nos em suas várias contendas e intrigas. Daí, talvez, o hábito ingrato de, apenas morto um grande homem, transformá-lo em mito. O mito, sem tempo-espaço definido, descompromete-nos de tentar seguir seus bons exemplos e com isso engrandecer o mundo em que vivemos coletivamente. Sacralizado o homem, ele se aproxima dos deuses (olímpicos ou não), distanciando-se infinitamente do ser humano que somos. Torna-se impossível alcançá-lo, refletir sobre seus feitos ou dialogar com suas ideias, pois ele é “o nada que é tudo”, tal D. Sebastião, “quer venha ou não”.

            O exemplo de vida e obra do escritor português José Saramago, longe de se render aos apetites do olimpo globalizado, busca alimentar os lugares dos aconteceres solidários dos mortais. Sem receio de erguer a voz  em nome de tantos, pelo risco de ser mal-amado por poucos, ou, como se diz hoje em dia, ser encapsulado, isolado, longe de se render à falsa doçura dos hipócritas, ele foi um desses homens que não temeu expor as amarguras do mundo. Com originalidade e mestria de quem se dedica de corpo e alma à leitura e à escrita literária, ergueu a palavra na construção da dignidade humana dos enfraquecidos e oprimidos pelas injustiças socioespaciais e pelo gigantesco fundamentalismo que atrofia nossos dias: a sociedade de consumo, cruel e voraz, como bem reflete o romance “A Caverna” (2000), cujo conflito principal é resultante da instalação de um mega centro comercial em uma cidadezinha próxima a uma olaria. A simbologia do barro e do plástico ali se contrapõe, sendo evidente a atualização da lenda da caverna de Platão.

            De sua rica biografia e dos títulos de obras editadas que constam das páginas de jornais e revistas do mundo, vale aqui lembrar que, nascido na aldeia de Azinhaga, no Alentejo, em 1922, José Saramago a certa altura da vida teve que sair da escola para prover sustento a sua família. Vale lembrar que ele, depois disso, criou a Fundação José Saramago, provida de extensa biblioteca para uso comum a todos. Isso nos dá a dimensão da labuta e do talento de nosso Nobel de Literatura. Impedido pela censura portuguesa de receber o Prêmio Camões, quando, da publicação do “Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), foi viver na ilha de Lanzarote, nas Canárias, com sua mulher, a jornalista Pilar del Rio. De lá presenteou o mundo com seus “Cadernos” e “As pequenas memórias” e outros livros de igual magnitude. A obra de Saramago é vasta e profunda, um oceano de letras rigorosas e sublimes, um mar de palavras escritas em nosso favor, que não nos deixam naufragar ante os rochedos e as armadilhas da vida.  Em estilo próprio, uma fusão do neorrealismo e do experimentalismo, em sua prosa, temperada com o fantástico de origem latino-americana,  ele nos acena com a esperança em um tempo sem utopias. De sua poesia, ainda por ser totalmente decifrada e reconhecida, sorvemos a sutileza da emoção de quem se faz racional. O livro “Provavelmente alegria” (1970) é bom exemplo disso.

           Embora a contribuição literária de Saramago seja evidente, importa o legado de grande humanista que nos deixou, seja pela formação clássica (autodidata) com que expressou o mundo contemporâneo, seja pela criação de novos mecanismos linguísticos para dizer o ainda não dito. Quem já não se surpreendeu com os diálogos demarcados por vírgulas e maiúsculas, no lugar dos dois-pontos e travessão tradicional, e com suas personagens? Quem não se apaixona por Blimunda e Sete-Sóis? Quanto rir de sua descrição irônica e minuciosa dos infrutíferos encontros reais em “Memorial do convento”(1982). Quanta tensão depreendida do “Ensaio sobre a cegueira”, levado às telas pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (2008), até percebermos o quanto somos cegos aos outros, de como “a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens”. Que grata aprendizagem no seu par dialético “Ensaio sobre a lucidez” (2004). Quanto navegar com “A jangada de pedra” (1986), ou que maravilhas descobrir em “O Conto da Ilha Desconhecida” (1997). Que graciosa “A maior flor do mundo”. Longe do temor à morte, ela é tema recorrente em sua obra, como é o caso de “As intermitências da morte” (2005) e “O homem duplicado” (2000). Longe da submissão ao autoritarismo burocrático, Saramago revoluciona as relações de poder em benefício do ser humano, através da  compaixão e da solidariedade, o que é muito claro em “Todos os Nomes” (1997) e no recente “Caim”.

De teor multidisciplinar, não lhe escapam à escrita refinada questões filosóficas, geográficas, literárias, históricas, religiosas, dentre tantas, como da física e da química, que, pela intertextualidade, paródia, digressão, metalinguagem, oralidade, períodos longos, frases circulares e outros recursos estilísticos e semânticos, são trazidas a nosso olhar e compreensão, como podemos aferir em “O ano da morte de Ricardo Reis” (1984), “História do cerco de Lisboa” (1989), “A viagem do elefante” (2008), para citar alguns livros. Quanto percorrer Portugal em suas narrativas de viagem. Além de escritor, ele foi revisor e tradutor. Deixou-nos um legado humanista, denso e belo. Quem não se emociona ante a poesia de “Levantado do chão” (1980), romance sobre o qual diz o próprio autor: “Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.” A obra de Saramago reflete questões que buscam a liberdade do homem e a fé em um deus autêntico. Quanto querer que ele estivesse aqui, conosco, para lermos seu próximo livro. Quanto querer que ele estivesse vivo para nos ensinar a viver. Oxalá não façam dele mito para o distanciarem de nós!

 

SÔNIA CINTRA - escritora brasilrira

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:08
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VINICIUS AZZOLIN LENA - LUSOFONIA

                     

                     

                      Das Costas d'África, no entorno
                   ao Oriente desconhecido.
                   Da Madeira à Oceania
                   às praias moçambicanas,
                   Angola e Santo Tomé,
                   suas naus não perdem o rumo
                   no Bojador ou Cabo Verde,
                   nem no Golfo da Guiné

                   Se sopram ventos contrários
                   que enfunam as velas rotas
                   de tanto e tanto marear,
                   vão conquistando aos pedaços
                   de mares e de praias mil,
                   transpondo o Mar de Sargaços,

                   Portugal reata o Mundo,
                   ao redescobrir o Brasil.

                   E hoje são nove bandeiras

                   a compor uma sinfonia
                   co'a mesma sonoridade,
                   de lusas raízes que um dia
                   a vencer o mares profundos,
                   de deu em deu inscreveram,
                   o povoamento de um mundo
                   em sonora lusofonia

 

VINICIUS LENA    --   Jornalista - Editor do jornal Nova Fronteira de Barreiras BA. Membro efetivo da Academia Barreirense de Letras. Livros publicados: "Traçando Barreiras" Histórica (). No prelo: "Pequenas Histórias" - Contos, e "Reflexos" (Poesias

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:57
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RENATA IACOVINO - AUGUSTO... DOS ANJOS

                      

 

 

O século XIX viu nascer um dos mais originais poetas brasileiros.

Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos, conhecido na literatura como Augusto dos Anjos, nasceu em 20 de abril de 1884 no engenho de Pau d´Arco, na Paraíba.

Estimulado à leitura desde cedo pelo pai, suas influências foram marcadas por poetas do Romantismo, com os delírios inerentes ao movimento e que nortearam tão bem o estilo do menino triste que era.

A aparência esquálida, os olhos fundos e a perseguição por uma liberdade impossível deram a tonalidade a esse poeta paraibano, que soube transformar a concepção de lírica até então existente, na qual não se coadunavam razão e sentimento.

Seus sonetos se diferenciavam sobremaneira dos praticados nos movimentos literários anteriores – o parnasianismo e o simbolismo. As características predominantes em suas poesias deflagram um universo apocalíptico, alucinado, sempre se utilizando de termos científicos, produzindo, assim, uma espécie de obra clínico-literária. Além disto, o aspecto formal propriamente dito, ou seja, as técnicas aplicadas aos versos, tentando definir o que, então, era certo ou errado, foram, igualmente, alvo de crítica por aqueles que faziam a leitura estritamente pelo viés parnasiano ou simbolista.

Pode-se dizer que Augusto dos Anjos foi o praticante único – ao menos em sua plenitude – da poesia de necrotério. O impacto de desintegração da dita sensibilidade e dos valores do poeta como ser humano, resultaram numa nova expressão literária e neste arcabouço, um novo estado poético nascia, esdrúxulo, dissonante e antagônico.

Mas o espírito decadentista somou-se ao ideal romântico.

Seus escritos estão associados à fase pré-modernista, surgida no Brasil no início do século XX. Mas é tido como um poeta de transição, abarcando traços do parnasianismo e do simbolismo.

O vocabulário absolutamente particular utilizado por ele é um dos mecanismos da originalidade que permeiam sua abordagem sobre a morte, a decomposição da matéria e os vermos, traçando um irresistível modelo de efeitos rítmicos e sonoros.

A produção intelectual de Augusto dos Anjos concentra-se em um único livro, intitulado Eu, de 1912, no entanto, outros poemas e prosa foram recolhidos e editados originalmente em publicações de 1977 e 1978.

Após seu falecimento, em 1914, publicou-se na Paraíba, em 1920, nova edição de Eu, desta vez acrescida das Outras Poesias. Assim, o título Eu e outras poesias passou a ser adotado nas edições seguintes.

Mas sua popularidade teve início em 1928, com duas edições no Rio de Janeiro e uma em São Paulo. Sequencialmente, ocorriam edições quase anuais.

Podemos citar que um dos marcos de seu reconhecimento público se deu com a acolhida de Manuel Bandeira, ícone da poesia moderna, em 1946, pois até então este o havia ignorado ou até mesmo rejeitado.

Inúmeros trabalhos tiveram e têm como objeto a obra de Augusto dos Anjos, seja no âmbito da crítica literária, de estudos formais, biográficos, sociológicos e estéticos, sempre buscando explorar um contexto cultural e literário mais amplo.

A obra deste poeta é interessantíssima, portanto, é essencial tanto para quem aprecia poesia ou literatura, tanto para quem almeja expandir seus conhecimentos culturais, históricos e sociais. Assim como na música, na literatura também possuímos autores de elevada qualidade.

Para finalizar, um pouco dos versos do poeta: “Como um fantasma que se refugia/Na solidão da natureza morta,/Por trás dos ermos túmulos, um dia,/Eu fui refugiar-me à tua porta!/Fazia frio e o frio que fazia/Não era esse que a carne nos conforta.../Cortava assim como em carniçaria/O aço das facas incisivas corta!/Mas tu não vieste ver minha Desgraça!/E eu saí, como quem tudo repele,/– Velho caixão a carregar destroços –/Levando apenas na tumbal carcaça/O pergaminho singular da pele/E o chocalho fatídico dos ossos!” (Solitário).

 

 Renata Iacovino, escritora, poetisa, membro da Academia Jundiaiense de Letras, AFLAJ, AILA e Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro. e-mail: reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:52
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A PERVERSÃO DA SOCIEDADE

                     

 

 

Ao ler o sermão do Padre Manuel Bernardes, pregado no dia do Arcanjo S. Miguel, deparei com o seguinte:

“ As palavras torpes e licenciosas, que agora se usam em lugar das Orações e canções pias da Cartilha, que se ouviam pelas ruas, em tempo do Padre Mestre Inácio Martins (…), são jaculatórias do diabo (…).”

O que diria hoje o bom Padre Bernardes se escutasse as licenciosidades e palavras obscenas que se ouvem não só na rua, mas na TV e cinema!?

Raros são os filmes onde não se empregue linguagem de sarjeta e imagens saturadas de erotismo. Então a TV – que, segundo jornalista francês, tem antenas como o diabo, – transformou-se em escola de desmoralização. Todos os canais, sem excepção, apresentam programas asquerosos, incitando a juventude - e não só, - à violência e desenfreada promiscuidade. As novelas televisivas, que deviam ser educativas, inculcando sentimentos nobres e exemplos de virtude e abnegação, têm, nas últimas décadas, sido fermento do mal, causado estragos irreparáveis na sociedade: ridicularizando valores, que foram e são esteios do povo, como: a família, matrimónio, virgindade e respeito pelo corpo; princípios cristãos, que são os alicerces da Civilização Ocidental.                

 A escola, que durante anos era local de instrução e formação do carácter, converteu-se, em muitos casos, em estabelecimentos de bandalheira e desvergonha. Antro onde, a cada passo, se quebra o respeito, impera a violência e se corrompe corpo e alma.

O desnorte, que responsáveis fingem desconhecer, mas que em certos países fomentam e apoiam, não é peculiar de uma nação, já que não há, no Ocidente, quem escape ao desregramento.

Não se pense, todavia, que todos os jovens estão pervertidos, como os devassos fazem crer, muitos ainda se opõem ao vergonhoso desvario. Conheço em Portugal e Brasil quem combata essa descarada devassidão, manifestando-se em movimentos juvenis. Infelizmente, a maioria da mass-media, figuras públicas e políticos, encontram-se corrompidos e ignora-os, evitando que sua voz tenha a repercussão necessária.

A nível mundial há o desaforado desejo de apartar Deus da escola; de perverter a juventude; fomentando o divórcio, o adultério, a prática abortiva, em suma: denegrir a imagem da mulher, que é, e sempre foi, o suporte da sociedade Ocidental.

Basta passar os olhos pelas revistas, ditas femininas, e dedicadas às adolescentes, para verificar que a maioria acicatam as jovens a prostituírem-se: ensinando e mostrando imagens de posições e posturas depravadas; fazendo crer que o recato é fruto da timidez e ausência de amor.

Dizem-me, e acredito, que é traça de plano de inspiração satânica, no intuito de aniquilar a civilização cristã.

Cabe aos cristãos conscientes, e são ainda milhões, a urgência, de cerrarem fileiras e precaverem-se e denunciarem, energicamente, os atentados à dignidade humana e os constantes afrontas a Deus, se querem ainda salvar esta geração.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  -  Porto, Portugal



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PINHO DA SILVA - CAPITEL ROMÂNICO DO SÉC. Xlll - CLAUSTRO DA SÉ DE LISBOA, PORTUGAL

                     



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