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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - EU NÃO SABIA !

                     

 

 

De uns tempos para cá, parece que virou moda as pessoas fazerem coisas erradas ou serem com elas coniventes e, quando tudo vem à tona, dizer que não sabiam de nada. Tá certo que ninguém precisa se incriminar, mas há determinados setores nos quais essa “estória” não cola ou, ao menos, não devia colar...

Ando muito cansada dessa estranha mania que a cada dia vai ganhando mais adeptos, segundo a qual, para fugir das conseqüências e responsabilidades, as pessoas não somente negam qualquer participação, bem como qualquer conhecimento sobre fatos ou pessoas. A culpa é sempre do outro, da elite branca (que, diga-se de passagem, não faço a menor idéia de quem seja!), do clima, do vizinho, da mãe ou do mordomo.

Estamos em plena campanha política, em meio ao mais do que sério momento de decisão sobre os rumos do país, sobre o futuro das nossas vidas como cidadãos, como trabalhadores e, não mais, mas não menos importante, como contribuintes! O que mais vemos, lamentavelmente, nessa hora, são exemplos do que não gostaríamos ou não deveríamos ver. A todo instante surgem denúncias e mais denúncias, reportando à  população as práticas mais obtusas, menos dignas do que desejamos para aqueles que nos governam ou nos querem governar. Diante de provas dos fatos, entretanto, a defesa recorrente é dizer que não se sabia de nada, nadinha da silva...

Também ando cansada desse discurso idiota de elite para cá, elite para lá. Se eu acuso alguém de algo, é meu dever mínimo dar nome aos bois. Assim, se essa tal de elite é culpada das mazelas do Brasil, tá na hora de dizer quem ela é, até para que possamos dar-lhe o sagrado direito do contraditório. Muitas vezes, parece-me que ser da classe “mérdia” é uma senhora desvantagem, pois se não mantenho contas nas Ilhas Cayman, também não tenho direito à bolsa coisa nenhuma, seja Victor Hugo ou família.

Minha suspeita é de que daqui por diante, o melhor será dizer, eu também, que não sabia! O quê? Conta de luz? Tinha que pagar? Eu não sabia!!! Pagar IPTU, IPVA? Gente, eu não sabia!!! Não podia estacionar aí? Aff, eu não sabia! Meu Deus, a gente precisa trabalhar e estudar para ser alguma coisa na vida? Ah, isso eu juro que não sabia, de verdade...

Mas não é só na política que as pessoas se escusam das responsabilidades e bem é verdade que essa postura não é exclusiva de determinadas pessoas ou partidos, só que já está ficando chato, repetitivo, ouvir as mesmas conversas, as mesmas desculpas, as mesmas justificativas sobre o injustificável.

Talvez essa postura diante da vida, seja ela da pública ou da pessoal, seja uma decorrência do sentimento de impunidade que nos acompanha. Parece que só precisamos mentir um pouco, o suficiente para que as pessoas se esqueçam e pronto! Nada mais do que isso... Talvez estejamos nos acostumando, acovardados pela falta de punição ou pela falta de consciência. Depois de tudo, porém, quando estivermos diante de nossos novos governantes, sejam eles quem forem, só não vai dar para dizermos, nós também, que de nada sabíamos, tal qual a mãe que vê o filho, menor de idade, chegar em casa repleto de relógios e roupas caras e depois dizer, aos prantos, que não sabia que ele mexia com o que não devia. O preço, indubitavelmente, vamos pagar...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 18:42
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - INGENUIDADE

                      

 

 

            Creio que muitas das pequenas alegrias que tenho hoje, nos meus 56 anos, devem-se à proteção da ingenuidade, na minha infância e adolescência, por meus pais. O meu dia a dia era povoado por “Alice no País das Maravilhas”. As aventuras engraçadas do Pica-Pau e Walt Disney também entravam em meu mundo com todos os seus personagens. Criaram-me sem que perdesse lado algum: de criança, de jovenzinha, de quem se dirigia à idade adulta e o das responsabilidades. Educaram-me pensando sério na escola e permitindo que enfeitasse os cadernos com carimbos que coloria e decalques de bichinhos. O Magistério me fez reviver inúmeros contos infantis, para passar, futuramente, aos alunos. As caixas de lápis com 36 cores e as aquarelas reforçavam os tons de minha vivência. Que exercícios bons! A lenda da Sereiazinha, que se sacrificou pelo amado, na fronteira para a adolescência, misturou-se às fantasias de antes e depois, à espera de um possível príncipe encantado. Havia curiosidade sobre os relacionamentos amorosos, porém sem perder a perspectiva de que fossem fiéis.

Hoje, surpreendo-me com uma felicidade imensa diante do vôo de borboletas, de uma pedra bonita, sem forma determinada, que encontro pelos caminhos, ao folhear um livro com gravuras de meus primeiros anos. Emociono-me com relatos de amor feitos de renúncia, coragem e abraço. Tenho pena de crianças, púberes e adolescentes, que na  convivência em casa, diante da TV, no uso de celulares e da internet, ou nos quartos escancarados, dos que o rodeiam, .deparam-se com impulsos sexuais animalescos, sem ternura, fechados para a vida. Empurram-nos para a promiscuidade sexual, para uma visão deturpada do ser homem e do ser mulher e lhes negam a ingenuidade, que lava a alma até mesmo quando, infelizmente, se passa pelos pântanos.

Recentemente, revi o filme”Marcelino Pão e Vinho” (1955), do diretor Ladislau Vajda. O filme ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim e o prêmio católico OCIC em Cannes. Guardava apenas algumas recordações dele, como a música com versão da cantora Wilma Bentivegna: “Sonha, sonha, Marcelino, já começa a clarear/ Doces santos cuidam seu dia, guardam tua alma contra o mal. (...) Vai à torre, toca o sino chama todo o povo à oração/ Guilin dalão... guilim dalão...”. É a história de um menino  abandonado, ainda bebê, na porta de um mosteiro e criado por 12 monges sem uma mãe. Garoto travesso até se tornar o protagonista de um milagre que marcará para sempre o vilarejo espanhol onde passa a história. Certo dia, ele ofereceu, durante sua refeição, um pedaço de pão e um pouco de vinho a uma imagem de madeira de Jesus, que aceitou a oferta e passou a conversar com ele. É o início de uma grande amizade. Parece ser um menino que nasceu com uma missão especial a ser cumprida: demonstrar que os de coração puro verão a Deus..

É uma pena que filmes, como esses, não são mais produzidos e, talvez, fizessem pouco sentido no mundo atual. É uma pena que o mundo atual se perdeu da ingenuidade e da pureza.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -  É educadora, coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala e cronista

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:38
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - O CÉU É O LIMITE

 

                          

 

 

Para quem tem como lema de vida: ‘O Céu é o meu limite’, parabéns! Desde que pratique isto com coerência, é sinal que está no caminho certo: do bem, da verdade e do amor.

Ao contrário, aquele que guarda pedados mortais na alma, nunca poderia dizer algo semelhante, pois está cada vez mais se afastando do Céu. Menos mal saber que a qualquer momento poderá se aliviar da carga pecaminosa que carrega nas costas, mas, para isso, é preciso se reconciliar com o Criador.

Isto só será possível por meio da Confissão Sacramental. Com arrependimento, fé e penitência, a remissão dos pecados fará de nós homens novos. Novos para a família, para os amigos, para a Igreja, na sociedade e novos para o Céu. Basta querer mudar e perseverar na graça de Deus.

No mês passado, o reitor da UNIFEI nos lembrou a história dos operários que passavam o dia arrebentando pedras no canteiro de obras de uma igreja. Quando questionados sobre o tipo de trabalho que desenvolviam, respondiam simplesmente: estamos quebrando pedras. Um dia, um deles respondeu: estou construindo uma catedral; e a visão do grupo mudou para melhor.

E nós, simplesmente empurramos a vida com a barriga ou caminhamos para o Céu? Quem escolheu a segunda opção, lembre-se que: os obstáculos devem ser superados com amor no coração; os passos não podem se desviar da caridade; e a esperança na salvação jamais deve faltar. Não é preciso pressa nem promessas, apenas um pouco mais de alegria pela vitória que virá.

E por falar em promessas, o porteiro do prédio onde moro contou à minha filha Soraia o caso do homem que era apaixonado por uma moça e, para conquistá-la, disse-lhe com entusiasmo:

– Vou provar o meu amor por você. Se quiser se casar comigo, atravessarei parte do oceano a nado, percorrerei milhares de quilômetros a pé no deserto e até subirei o Monte Everest!

Ela respondeu:

– Você acha que eu vou me casar para ter um marido que não pára em casa?

Da mesma forma, não adianta prometer o impossível a Deus e, principalmente, coisas sem importância para o crescimento espiritual. Prometa, por exemplo, que vai perdoar aqueles que lhe ofenderam e, inclusive a eles, fará sempre o bem. A fé cristã passa pelo amor a Jesus e ao próximo.

Talvez você se lembre da novela ‘Gabriela’ da Rede Globo, em que o tema musical foi composto por Dorival Caymmi e interpretado por Gal Costa. Uma estrofe era esta: ‘Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim’. Pessoa desse tipo é séria candidata a viver infeliz e perder o Céu. Sem mudanças para corrigir o rumo do pecado, as ‘Gabrielas’ não se salvarão!

Alfredo Gontijo de Oliveira, Presidente do Centro Tecnológico de Minas Gerais, fez uma palestra na UNIFEI na semana passada e chamou a isto de ‘Síndrome da Gabriela’. Segundo ele, por trás de uma grande verdade universal existe sempre um oposto, que muitos dizem também ser uma grande verdade. Baseados nisto, as pessoas insistem no erro e relutam em mudar de vida.

Aliás, para não precisar seguir Cristo, cidadãos se apegam a qualquer tipo de crença e até acreditam em ‘futurologia’! Enquanto uns dizem que viver com Deus é bom, outros dizem que viver com Ele é perigoso... e por aí vai.

Ainda bem que as orações nos ajudam a refletir na vida que levamos e, ao mesmo tempo, nos fortalecem com bênçãos diversas. Veja esta:

“Senhor, se um dia eu estiver sufocado, cheio da vida, com vontade de sumir, insatisfeito comigo e com o mundo em torno de mim, pergunta-me se eu quero trocar a luz pelas trevas ou se eu quero trocar a mesa posta pelos restos que tantos buscam no lixo. Pergunta-me se quero trocar meus pés por uma cadeira de rodas.

Se eu reclamar de coisas banais, pergunta-me se desejo trocar minha voz por gestos, se eu quero substituir o mundo dos sons pelo silêncio dos que nada ouvem, ou trocar o jornal que leio e depois jogo no lixo pela miséria dos que vão buscá-lo para fazer dele seu cobertor.

Pergunta-me se eu quero trocar minha saúde pelas enfermidades de tanta gente, pergunta-me até quando não reconhecerei as Tuas bênçãos a fim de fazer da minha vida um hino de louvor, hino de gratidão, para dizer sempre do fundo do meu coração: Obrigado, Senhor, por mais este dia!”

Concluindo as orientações de hoje, espero que você saiba, leitor, que existe um reservatório infinito de vagas no Céu. Reconhecendo o amor que Deus tem por nós e ajudando a construir um Reino de Amor, seremos fortes candidatos a assumir algumas dessas vagas no Paraíso: onde não há choro nem ranger de dentes.

Mas, para fazer do Céu o seu limite, você precisa cumprir os 10 Mandamentos e evitar os 7 Pecados Capitais. Por exemplo: você tira de letra o 8º Mandamento? E o 5º Pecado Capital, não é problema em sua vida? Recordando os dois: ‘não levantar falso testemunho’ e ‘preguiça’. Se concorda que nem sempre é fácil seguir os passos de Jesus, pratique cada vez mais as ações que deseja viver na eternidade.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 18:34
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JOÃO ALVES DAS NEVES - ORELHA DO LIVRO "A ECONOMIA EM PESSOA" DE GUSTAVO FRANCO ( * )

Só tenho que me congratular com a publicação de A economia em Pessoa/Verbetes contemporâneos, organizada por Gustavo H. B. Franco, porque, ao lado de antologias gerais, passamos a ter um estudo realmente especializado sobre os textos pessoanos versando as questões econômicas. O leitor não deve se surpreender com o interesse do poeta pela economia; com efeito, o criador dos heterônimos não era tão jejuno como alguns pensam nesta área, pois freqüentou desde 1902 a Commercial School de Durban e manteve-se fiel ao tema quando, na autobiografia de 30-3-1935, se declarou apenas "tradutor" ou "correspondente de casas comerciais", já que traduziu centenas de cartas e outros textos para mais de uma dezena de firmas: "O ser poeta e escritor - confessou - não constitui profissão, mas vocação." E foi com esses trabalhos que ele pôde atender suas necessidades financeiras mais prementes até à morte, aos 47 anos.

 

 Os textos de Fernando Pessoa sobre economia foram escritos, quase todos, em 1926, quando o poeta fundou e editou a Revista de Comércio e Contabilidade. Esses textos reapareceram depois nos volumes Fernando Pessoa/textos para dirigentes de empresas, de 1969, organizados por seu primo Eduardo Freitas da Costa, em Lisboa; Sociologia do comércio, organizado por Petrus; e Fernando Pessoa, o comércio e a publicidade, organização de Antônio Mega Ferreira, de 1986. Cremos que a última e mais ampla edição dos referidos textos foi a que fizemos em 1992 sob o título de Fernando Pessoa: estatização, monopólio, liberdade e outros estudos sobre economia e administração de empresas, da qual se fez nova publicação em Lisboa, pela Universitária Editora, em 2004.

 

Entretanto, a fortuna crítica dos estudos econômicos de Fernando Pessoa assume postura autorizada com esta nova coletânea, que faz uma interpretação competente e original dos conceitos pessoanos em torno dos temas "Estatização, monopólio, liberdade", "A evolução do comércio", "Contra as algemas do comércio", "A essência do comércio", "Projetos de concentração industrial", "Organizar", "Quando a lei estimula a corrupção", "Os preceitos práticos de Henry Ford", "As regras de vida" e "Conceitos e preconceitos".

 

Em resumo, diremos que dispomos agora de uma visão crítica dos estudos econômicos de quem se julgava que fosse apenas Poeta. Quer dizer, doravante, ficamos rigorosamente bem informados, apesar dos cerca de 70 anos sobre os textos de Pessoa, que assume novas dimensões, a par das literárias. E o que ocorre com a Economia acontecerá também com a visão do escritor português sobre Política, Ocultismo e outros temas por ele sugeridos, nas múltiplas facetas de Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Raphael Baldaya, além de outros heterônimos de menor dimensão, mas que enriquecem ainda mais o escritor ortônimo Fernando António Nogueira Pessoa.

 
(*) Foi durante 1993-1999 foi secretário adjunto de política econômica adjunto do Ministério da Fazenda, diretor de Assuntos Internacionais e presidente do Banco Central do Brasil

- fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Franco

JOÃO ALVES DAS NEVES  -  Escritor português, radicado no Brasil. Foi redactor – editorialista de “ O Estado de S. Paulo”, durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gásper Libero ( São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em  em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de “ Dicionário de Autores da Beira- Serra”, região onde nasceu.



publicado por Luso-brasileiro às 18:24
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RENATA IACOVINO - PALAVRAS E RESISTÊNCIA

                      

 

O acesso à cultura, em especial à literatura e, mais especificamente à poesia, é preocupação recorrente em projetos desenvolvidos por mim e minha parceira, Valquíria Gesqui Malagoli.

A poesia, há muito, encontra-se num ostracismo, considerada linguagem de difícil compreensão. Mas, o que vemos, é uma falta de interesse geral em apropriar-se dela, em senti-la, difundi-la e fazê-la instrumento para saciação de fomes outras, que não a do mero utilitarismo. Aí reside a dificuldade, pois acabam por não encontrar utilidade em versos...

No estudo “POESIA NA ESCOLA: educação para a fruição estética”, os autores Adair Neitzel e Blaise Duarte nos dizem que “Oportunizar o contato com a poesia é um exemplo de atividade de como o educador pode auxiliar o aluno a construir a função social da escrita e promover o interesse e crescimento pela leitura.”. O objetivo do livro literário deve estar além das finalidades didáticas, caso contrário, a poesia, por exemplo, não será aproveitada naquilo que tem de fundamental. Ruth Rocha afirma: “o bom livro educa artisticamente, educa o caráter, estimula a busca do conhecimento, mas tudo isso pelo que ele tenha de mais artístico. Educar as crianças é cuidar do todo, não só da educação formal, mas também da sensibilidade, da criatividade, da formação do caráter e do gosto pela arte.” Há, então, uma necessidade de criar possibilidades para que o texto literário seja trabalhado enquanto arte e não como livro paradidático.

Em nossas atividades, envolvendo poesia e música, com os públicos infantil, juvenil e adulto, buscamos o viés da sensibilidade, esta formadora em potencial de seres humanos.

A CircuitoTeca (biblioteca itinerante) é um dos nossos projetos que visam não a só a democratização da leitura, mas principalmente o estímulo e interesse pelo livro físico, pelo manuseio e contato com esse insubstituível objeto transformador. Como bem ressalta o escritor Caio Riter, “Brincar com palavras não é luta vã.  Ao contrário, é condição essencial para fazer brotar em corações ainda ternos, ainda fechados aos preconceitos, o amor pela leitura, o desejo de descoberta.”.

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora/ reiacovino.blog.uol.com.br

                                  reval.nafoto.net/reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 18:13
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - É! EU NÃO APRENDO MESMO?

                      

 

 

Não tem jeito. Parece que eu não aprendo.
Como vicentino sou um dos primeiros a incentivar que ninguém dê esmola na rua, pois conhecemos bem as maneiras que algumas pessoas encontram para inspirar a nossa piedade e conseguir sempre alguns trocados que nem sempre sabemos se serão bem utilizados.
Em várias ocasiões prometi a mim mesmo que não daria esmola na rua e sempre que posso tenho cumprido tal promessa. Quando me pedem dinheiro para comida levo a pessoa até um bar, compro o almoço ou o lanche e espero que ela o coma, para depois ir embora. Tem dado resultado.
Mas existem outras situações que me pegam “de jeito”. Uma dela é quando envolve pessoas idosas ou crianças doentes. Nesses dias passados tive ocasião de viver duas situações. Numa delas eu estava passando perto de um hospital e uma senhora idosa me parou para pedir alguns reais para comprar remédios. Conversei com ela, me inteirei de qual era o seu problema. Ela me mostrou uma receita com três medicamentos que deveria tomar. Seguindo a minha regra de não dar dinheiro na rua, peguei a receita e fui com a mulher até uma farmácia. Pedi ao atendente que aviasse um dos remédios receitados. Tive o cuidado de pedir a ele que carimbasse a receita informando que aquele medicamento já fora adquirido.  Creio que ela estava dizendo a verdade quando disse que não tinha como comprá-los, pois na mesma hora tomou um dos comprimidos que lhe comprei. Ah! Só para efeito de uma comparação que farei a seguir, o remédio custou pouco mais de R$ 25,00.
Dias depois estava em frente da minha casa aguando uma jardineira, quando uma mulher aparentemente nova se acercou e m e perguntou:
— Moço, o senhor compra rifa beneficente?
Eu lhe respondi: — Depende qual seja o motivo.
Ela que estava com uma criança de dois anos no colo disse que era para pagar um exame de ultra-sonografia pedido por um médico (que sei quem é) que iria operar a criança. Tinha o umbigo bem estofado e o médico não tinha conseguido localizar os testículos do menino. O exame custaria R$ 120,00, mas seria feito por R$ 100,00. E ela me mostrou o pedido médico. A operação ficará em mais de R$ 2000,00. O marido dela, trabalhador na roça, não tem como arcar com as despesas.
Comprei o bilhete da rifa e já pensava em falar com ela que daria a metade do custo do exame(eu o faria através da Conferência), mas resolvi ficar calado. Disse apenas que ela me procurasse no dia que viesse fazê-lo, para ver se eu poderia ajudar em mais alguma coisa.
Como ela mora em uma pequenina cidade vizinha, perguntei-lhe como iria embora. Ela disse que iria usar do dinheiro da rifa para pagar a passagem que era de R$ 8,00.  Para ajudá-la um pouco mais, tirei R$ 10,00 e lhe dei para pagar o bilhete. Ela agradeceu muito e ficou de me procurar quando voltasse.
Aí que me fez escrever este artigo: ela não voltou. Pelo menos ainda! Não me pareceu que ela estivesse mentindo. Quem sabe ainda não arranjou todo o dinheiro necessário para o exame?

Fico agora pensando: É! Eu não aprendo mesmo!
Mas logo a seguir me vem outro pensamento: Não adianta, sou assim mesmo, quando fala mais alto o coração. Em certas circunstâncias, principalmente quando envolvem idosos e crianças, prefiro agir como agi.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 18:06
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
CLARISSE BARATA SANCHE - AGRADECIMENTO A DEUS

 

Agradeço –Te, Deus, o meu andar,

O raciocínio, o dom da percepção;

Os sentidos da mente, o palpitar,

A voz que sente vivo o coração!

 

Agradeço, Senhor, a vida em flor,

A Terra, o Sol, o ar, a luz celeste!

A Esperança que acalenta a minha dor,

A graça de escrever que Tu me deste!

 

Agradeço a lição do sofrimento,

O auxílio divino de viver.

E, nos dias mais tristes, o alento

Que faz a minha alma enternecer!

 

 

Agradeço, Senhor, o Teu olhar

Para os pobres que choram a má sorte,

Sofrendo nas palhotas do seu “lar”...

E pedem doce alívio ou mesmo a morte.

 

Por todos estes bens, santa partilha,

Me curvo de joelhos, meu Senhor;

Rogando -Te, com Fé, e como filha,

Que derrames no mundo o Teu Amor!

 

CLARISSE BARATA SANCHE  - Goís, Portugal

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:34
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - TERESA DE LISIEUX

                      

 

                                         Teresa aos quinze anos

 

No dia 30 de Setembro faz cento e treze anos que faleceu Maria Francisca Teresa Martin, mais conhecida por Irmã Teresa do Menino Jesus.

 

 

                        

                                           Teresa aos três anos e meio

 

 

Menina de grande beleza, ficou célebre pela autobiografia escrita no Carmelo.

O texto, impregnado de poesia – se não tivesse falecido a 30-09-1897, aos vinte e quatro anos, tornar-se-ia, por certo, numa notável poetisa – narra sua vida e o ambiente familiar da família Martin.

 

                                

 

                                   Alençon. Rua de S. Brás,36. Ca-

                                            sa natal de Teresa

 

                      

 

                      Alençon. Relojoaria e joalharia de Luís Martim,na rua

                                                Ponte Nova,15

 

Foi na Rua de São Brás, 36, em Alençon, pelas 22h30, que Teresa Martin nasceu. Filha de Luís José Alosio Estanislau Martin e de Azélia Maria Guérin.

 

 

                             

 

                                   Zélia Guérim. Mãe de Teresa 

 

                             

 

                                    Luís Martin . Pai de Teresa

 

Os pais, profundamente crentes – segundo Teresa “mais dignos do Céu do que da Terra “ , – educaram-na no amor a Deus e aos Mandamentos.

Após a morte de Zélia, em 1877 (mãe de Teresa), esta vira-se para a irmã Paulina e diz-lhe em lágrimas: - “Tu serás a mamã!”Tinha quatro anos e oito meses!

Mudam-se, então, para Lisieux, pai e cinco filhas – Maria Luísa, Paulina, Leónia, Celina e Teresa.

 

                                       

 

                                        Teresa aos oito anos com a

                                                     irmã Zélia

 

                      

 

                    Lisieux. Os Buissonnet, casa arrendada pelos Martins

 

Teresa é a preferida, a que recebe mais carinhos; ternamente, o pai, trata-a por “rainhazinha”.

À tarde sai com ele em passeio, e visitam igrejas. Após o jantar o Sr. Martin senta-a no colo e entoa canções e declama poemas de inspiração cristã.

Rezadas as orações da noite, em família, Teresa despede-se:

 

- "Boa noite papá! Boa noite, dorme bem! …"

 

                      

 

                           Lisieux. Sala de Jantar da família Martin 

 

                       

 

                       Lisieux. Os Buissonnet, jardim das traseiras

 

Um dia adoece gravemente. As irmãs aflitas permanecem no quarto, receosas. De súbito Teresa vê Nossa Senhora, sorrindo-lhe…e o mal, que tanto a fazia sofrer, desaparece por encanto.

Quer guardar segredo, mas a irmã Maria massacra-a com perguntas e acaba por lhe confessar a visão. Ao saberem do sucedido, todos pensam em milagre.

 

Teresa é agora adolescente e jovem de grande beleza. Dizem-lhe que é formosa, mas os elogios não a envaidecessem, e continua a persistir no intento de entrar no Carmelo.

As irmãs tinham abraçado a vida religiosa, como carmelitas. Ela sente igual vocação.

Obtêm o consentimento paterno, ainda que fosse duro sofrimento para o Sr. Martin, mas o Carmelo não concorda. Só com vinte e um anos! …

Nessa conjuntura acompanha o pai a Roma, numa excursão de comboio.

Teresa anima-se ao saber que será recebida pelo Papa. Quem sabe se pedisse a Sua Santidade, não lhe concederia a mercê?!

Persistindo, auxiliada pelas irmãs, acaba por se tornar religiosa. Estamos em 1888. Teresa tem quinze anos…

 

 

                        

 

                         Teresa aos vinte e dois anos e meio  

 

                            

   

                         Teresa aos vinte e três anos e meio

 

Mais importante que a biografia, é a mensagem que Teresa nos deixou. Seu jeito de ver as coisas do Céu.

À cabeceira da cama, no Carmelo, há:“A Imitação de Cristo”,”O Cântico Espiritual” de S. João da Cruz, e o “Novo Testamento “. ”É sobretudo o Evangelho que me vale durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário…” – escreve.

Teresa afirma que o melhor caminho para ser perfeito é o Amor.”O amor pode fazer tudo, as coisas mais impossíveis não lhe parecem difíceis”

Noutro passo do manuscrito, declara:”Um sábio disse:”Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio e levantarei o mundo.”O que Arquimedes não pode obter, porque seu pedido não se dirigia a Deus, e ser feito sob o ponto de vista material, os Santos obtiveram-no em toda a plenitude: o Todo-Poderoso, deu-lhes, como ponto de apoio a oração, que abrasa como fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos, que ainda militam na terra, o levantam, e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também “.

Ao abordar sua acção como educadora, escreve: “Se a tela pintada por um artista pudesse falar, certamente não se lamentaria por ser incessantemente tocada e retocada por um pincel, e não invejaria tão pouca sorte desse instrumento, pois saberia que não é o pincel, mas ao artista, que deve a beleza de que está revestida.” E acrescenta: “Sou um pincelzinho que Jesus escolheu para pintar a Sua imagem, nas almas que vós me confiaste”. - Lembro aqui a nobre missão de mãe e a responsabilidade, desta, perante Deus.

Dois meses antes de falecer, confidencia à Madre Inês:”Sinto que minha missão vai começar…Passarei o meu Céu sobre a terra, até ao fim do mundo. Sim, quero passar o meu Céu, fazendo o bem sobre a terra…Não, não poderei ter descanso até ao fim do mundo, enquanto houver almas para salvar.”.

 

 

                           

 

                                         Cela de Teresa   

 

                         

 

                           Lisieux. Igreja do Carmelo. Urna com

                                  os restos mortais de Teresa

 

Maria Francisca Teresa Martin, faleceu no Carmelo de Lisieux a 30 de Setembro de 1897. Foi canonizada a 17 de Maio de 1925, por Pio XI e considerada Doutora da Igreja, pelo Papa João Paulo II, a 19 de Outubro de 1997.

 

                  

 

 

               Teresa vestida de Joana d'Arc. Protagonista de uma obra

                                       de teatro de sua autoria

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal

     



publicado por Luso-brasileiro às 18:38
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
EUCLIDES CAVACO - UMA FLOR...UM SORRISO
Olá amigos
 
UMA FLOR...UM SORRISO
É o tema harmonizante que preenche o espaço de poema da semana
e que nos inspira serenidade de espírito com o qual desejo a todos
continuação dum excelente mês de Agosto.
Pode vê-lo em poema da semana ou aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/UmaFlor_UmSorriso/index.htm
 
Desejos de boas férias para quem está de férias.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 19:52
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - CADA UM É CADA UM

 

                      

 

 

Se fizéssemos uma pesquisa com comentaristas de futebol que acompanharam a seleção brasileira desde a Copa de 1970 no México, acredito que alguns dos 11 nomes mais lembrados seriam estes: Taffarel, Carlos Alberto Torres, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Falcão, Gerson e Rivelino; Zico, Pelé e Romário.

A seleção B também contaria com muitos craques: Leão, Cafu, Luiz Pereira, Amaral e Leonardo; Júnior, Sócrates e Kaká; Tostão, Ronaldo e Rivaldo.

Imaginando isto como verdade, assim que o resultado da pesquisa fosse divulgado, muita gente ficaria indignada por não ver seus ídolos na relação, tais como: Júlio César, Carpeggiani, Ronaldinho Gaúcho, Clodoaldo, Jairzinho, Careca, Edmundo, Robinho e outros. Sem querer polemizar, eu escalaria Waldir Peres, Ademir da Guia, Edu (ponta esquerda do Santos) e César Sampaio, quatro dos maiores jogadores que vi jogar.

Os torcedores mais antigos diriam que é um crime não considerar os magníficos das Copas de 58 e 62 na pesquisa. Ficaram de fora: Gilmar, Djalma Santos, Mauro Ramos, Nilton Santos, Zito, Didi e Garrincha! Mas, quem tirar do time para considerar mais estes na pesquisa?

Enfim, em cada cabeça uma sentença, não é mesmo? Principalmente na religião, existem crenças de todo tipo – algumas fundamentadas em história e tradição, outras sem o menor cabimento. Hoje em dia, se alguém disser que tem uma receita mágica para resolver algum tipo de problema, rapidamente haverá um grupo interessado em saber, praticar e divulgar.

Na missa de sábado passado, o Padre Maristelo contou o caso de um pregador que dizia ter a solução para a aquisição da casa própria: doando um mês de aluguel à igreja, no final de 12 meses conseguiria comprar o seu imóvel. Conclusão: o problema de habitação estaria resolvido no mundo inteiro!

Pois é, sabemos que não é assim que alcançamos graças. Por isso é importante sermos orientados espiritualmente por pessoas sérias, éticas e de boa fé. Um coração recheado de ensinamentos bíblicos vive e caminha mais alegremente.

Leia esta história:

No consultório localizado perto da residência de um médico, um homem bastante doente falou isto em momento de desespero:

– Doutor, tenho muito medo de morrer. Diga-me, o que há do outro lado?

Calmamente o médico respondeu:

– Não sei, meu amigo.

– Você não sabe? E fala com essa tranqüilidade?

Neste momento, ouviram ruídos de arranhões e ganidos do lado de fora do consultório. Quando o médico abriu a porta, um cachorro entrou e pulou festivamente sobre ele. Virando-se para o paciente, o médico comentou:

– Notou o meu cachorro? Ele nunca veio a esta sala, não sabia o que havia aqui, apenas                imaginou que seu dono estava presente. E quando a porta se abriu, ele entrou sem medo. Da mesma forma, não sei quase nada a respeito do que há depois da vida, mas uma coisa eu tenho certeza: o meu Senhor estará lá me esperando. Isto para mim já é o suficiente.

E para você, leitor, é suficiente?

Eu quero, sim, encontrar com Jesus Cristo e Nossa Senhora um dia, mas não tenho pressa. Também não digo isto só por brincadeira, é verdade! Enquanto estou aqui na Terra, tenho oportunidades de ajudar o próximo, amar minha família, servir a Igreja Católica, receber graças da Virgem Maria, evangelizar o nosso povo, fortalecer a minha fé e participar dos Sacramentos. Assim, espero chegar mais depressa no Céu!

Pode parecer incoerência dizer que não tenho pressa e, ao mesmo tempo, afirmar que quero chegar depressa, mas é assim que a coisa funciona. Quanto mais obras na construção do Reino, menor será o tempo de purgatório e mais rapidamente chegaremos ao Paraíso. Para isso, precisamos vencer o grande desafio comum a todos os cristãos: viver as coisas do alto com os pés no chão!

Infelizmente, há gente que pensa diferente e procura tirar pessoas do caminho do bem, da verdade e do amor. Esta semana recebi pela internet o texto que segue. Encarei como piada, mas sei que há muitas cabeças que pensam mais ou menos assim:

Quando uma manada de búfalos é caçada, os mais fracos e lentos – que estão atrás do rebanho – são mortos primeiro. Essa realidade é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho – pela matança dos mais doentes.

De forma parecida opera o cérebro humano: beber álcool em excesso mata neurônios, mas, naturalmente, a bebida ataca os neurônios mais fracos primeiro. Neste caso, o consumo regular de cerveja, cachaça, uísque, vinho, rum e vodka, eliminam os neurônios mais lentos, tornando o cérebro uma máquina mais rápida e eficiente.

E ainda: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool. Isso significa que os outros 77% dos acidentes são causados pelos canalhas que bebem água, sucos, refrigerantes e outras porcarias!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:42
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PESSOA PORTADORA DE NECESSIDADES ESPECIAIS - A barreira do proconceito é uma marca infamante que precisa ser removida

                 

 

 

Vinte e um de setembro é Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.      Uma data de manifesta reflexão. Sejam dotados de problemas físicos, visuais,       auditivos ou mentais, os portadores de necessidades especiais vêm, pouco a          pouco e com grande sacrifício, ampliando seus espaços de participação na        vida social. Deixando de lado o preconceito, a sociedade deve colaborar para            que exerçam em plenitude os seus direitos de cidadania e se integrem   comunitariamente. Nesta trilha, eles vêm demonstrando grande capacidade no             mercado de trabalho, provando que não são sinônimos de invalidez ou   incapacidade.  

 

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre a situação das pessoas portadoras de necessidades especiais. Evidentemente, elas fazem parte da população e são titulares de todos os direitos humanos, garantias e liberdades fundamentais. Por isso, está mais do que na hora de afastarmos quaisquer tipos de preconceitos contra eles. A própria palavra deficiente carrega consigo uma gama enorme de discriminação, sugerindo a imperfeição. Incorporada a um indivíduo, ela tem o poder de estigmatizá-lo como um ser incompleto, o que não traduz a realidade. Ao contrário, a sociedade não pode impedi-lo de exercer em plenitude as suas aspirações de cidadania.

Efetivamente, sejam portadores de problemas físicos, visuais, auditivos ou mentais, por esforço próprio, organizados em torno de objetivos comuns, vêm, pouco a pouco e com grande sacrifício, ampliando seus espaços de participação na vida social. Tanto que, uma das situações mais difíceis e complexas era a do trabalho em geral. Até  alguns anos atrás, praticamente só conseguiam extrair sua sobrevivência da economia informal e muitos deles, viviam da caridade alheia ou do amparo de familiares e de instituições beneficentes. Com o advento da Lei 8.213/91, a situação se modificou.

O mencionado diploma legal, que completou dezenove anos em julho, determina que empresas com mais de cem funcionários ocupem de 2% a 5% do seu quadro de colaboradores com portadores de necessidades especiais. Dos vinte e sete milhões de cidadãos que existem no país nesta situação, 323,2 mil estão colocados no mercado formal, de acordo com a pesquisa Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada em 2009 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), ressaltando-se que só podem ser demitidos, após a contratação de substitutos de condições semelhantes, com base no parágrafo 1º do artigo 93 da legislação específica.

Assim, eles mesmos estão derrubando a visão equivocada de que são incapazes de assumir serviços mais qualificados. Agarrando-se às raras oportunidades oferecidas, têm mostrado um desempenho profissional igual ou até superior ao de muitas pessoas classificadas como normais. Revelam ainda um processo de amadurecimento bastante intenso, alcançando grande evolução no decorrer dos últimos tempos e inúmeras conquistas. Tanto que são muitas as entidades criadas de defesa de seus direitos e o próprio Poder Público, face às pressões deles recebidas, começou a atender as suas reivindicações.  No Brasil, mais do que uma conquista, a contratação desses cidadãos se constitui numa determinação legal que ao mesmo tempo começa a ser amplamente difundida,

Entretanto, o trajeto que têm a percorrer é manifestamente extenso. Embora incluídos como titulares dos mesmos direitos e serviços oferecidos à população, ainda é precário o atendimento às especificidades de cada deficiência, embora haja previsão legal de natureza constitucional, constantemente desrespeitada ou negligenciada. Por outro lado, a barreira do preconceito é uma marca infamante difícil de ser removida. Felizmente, porém, um horizonte mais digno começa a se vislumbrar quando vitoriosos em suas reivindicações e no constante aumento e na percepção de muitos, de que todos são iguais perante a Lei.

Vale reiterar a indicação feita pela psicóloga Maria Helena Brito Izzo, em artigo publicado pela revista “Família Cristã” (10/1994- p.54) na qual expressou:- “No dia em que cada um souber respeitar o próximo, não haverá lugar para a discriminação. Então, o mundo será mais harmonioso e feliz. Cada grupo terá a liberdade de viver a seu modo, sem representar uma ameaça para o outro. Com certeza, ainda existirão erros e acertos, mas haverá também mais tolerância, solidariedade e paz”.

 

        Maria de Lourdes Guarda, um exemplo

            de luta e de perseverança cristã.

 

        Maria de Lourdes Guarda (1926-1996), em razão de sérias lesões na coluna, ficou paralisada da cintura para baixo, após sofrer seis operações em cinco anos, tendo ainda a perna amputada do joelho para baixo. Embora jovem e dotada de inúmeros planos para o futuro, assumiu sua condição de portadora de necessidades especiais e se constituiu num exemplo de abnegação, de trabalho e principalmente, de fé em Deus. Mesmo deitada, numa forma de gesso, trabalhou para pagar sua diária na enfermaria de um hospital em São Paulo, fazendo tricô e bordados sob encomendas. Seu quarto sempre foi um ponto de encontro e de atração, reunindo não só amigos e parentes, mas pessoas que buscaram consolo e ajuda para suas carências. Sua paz de espírito e sua alegria de viver “fazendo a vontade de Deus”, se irradiaram para além das paredes do quarto hospitalar, vindo a se engajar ao movimento “Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes”, de caráter internacional fundado na França, que ajudou a difundir no Brasil e da qual foi eleita coordenadora nacional. Nesta trilha, a partir de 1980 viajou pelo território nacional, consolidando a instituição em todo o País. Até o fim de sua vida, mesmo com outros sérios problemas de saúde, permaneceu com uma grande energia interior, sempre voltada a ajudar o próximo.

            Tramita perante a Igreja Católica Apostólica Romana o seu processo de canonização, já tendo sido beatificada. Em 02 de dezembro de 2008, seu nome foi outorgado ao Núcleo de Assistência à Pessoa com Deficiência em nossa cidade, órgão da Prefeitura do Município localizado no bairro do Anhangabaú. Por ter residido em nossa Diocese e ter parentes em Jundiaí, como a sobrinha Maria Inês Tafarello, pessoa extremamente solidária e amiga, sua atuação e seu nome são constantemente destacados, notadamente em face de seu constante empenho em fazer o bem. Todos que obtiverem graças por sua intercessão devem comunicar à Causa de Canonização SD. Maria de Lourdes (Caixa Postal 21 – CEP: 13208-970 – Jundiaí /SP).

                       

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e Mestre em Ciências Sociais e Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 19:35
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