PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
RENATA IACOVINO - ESCREVENDO A HISTÓRIA

                       

 

            Os Festivais de MPB da TV Record do final da década de 1960 são memória não apenas da qualidade musical despontada por uma geração de compositores estimulados pela efervescência cultural da época, mas também do registro histórico de correntes ideológicas distintas, em sua essência.

            Mas, muito embora, por exemplo, a Jovem Guarda, movimento despreocupado de abordagens políticas, não se coadunasse com as posições esquerdistas do pessoal da Canção de Protesto, que por sua vez também não dialogava com a modernidade absorvedora e faminta do Tropicalismo, que destoava do tom sofisticado e acariocado da Bossa Nova... tudo parecia conviver num cenário cultural harmônico e que abriu alas a gerações posteriores, inclusive as que virão.

            Em 1966, concorriam à final do II Festival, “A Banda”, de Chico Buarque, que com seu tom aparentemente despretensioso e feliz, provocava reação contrária da esquerda, considerando-a alienada. Drummond, em crônica publicada no mesmo ano, expôs claramente onde se encontrava a crítica social de Chico, que não só a fez como a fez de forma poética. Foi sua maneira de dar o recado.

            Quatro dias antes desta publicação, “A Banda” venceu o Festival, empatada com “Disparada”, que só obteve tal colocação pela aclamação do público politizado presente.

            O cântico revolucionário, escrito por Geraldo Vandré e musicado por Theo de Barros, estabelece uma analogia entre a exploração do pobre pelo rico e a exploração das boiadas pelos boiadeiros. Manifestando um paralelo entre gente e gado, a canção já nasceu vitoriosa. Outras, de semelhante tema, vieram depois. Porém, nada se equipara ao significado da pioneira, essencial e urgente à época, cabendo ainda nos dias atuais. O ritmo seria uma moda de viola do Centro-Sul, mas transformou-se em catira de chapéu de couro.

            A importância da obra vincula-se, também, à importância das necessidades histórica e política de um momento.

            É possível codificar apatia, insatisfação, vazio, revolta, alienação, enfim, desejos (ou não) de um povo, usando como termômetro sua história musical e as evoluções e involuções decorrentes dela.

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 18:45
link do post | comentar | favorito

Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - O SUCESSOR DE PEDRO

O dia do Papa oferece oportunidade para uma reflexão sobre a importância do sucessor de Pedro à frente da Igreja de Cristo. Desde os primórdios os bispos de Roma foram considerados os chefes da cristandade, detentores da primazia concedida por Cristo ao Príncipe dos Apóstolos. É um erro elementar confundir o primado espiritual do Papa com o surgimento do poder temporal, explicável por acontecimentos históricos. Há um outro equívoco mais lamentável ainda que é apresentar o Papa como chefe da Igreja universal apenas após determinado momento da Idade Média, como fazem certos historiadores destituídos de sólida cultura. O primado espiritual de Pedro e de seus sucessores está claro no Evangelho que é também um Livro histórico (Mt 16,16-19; Jo 21,15 s) . Pedro exerceu este primado, como está claro nos Atos dos Apóstolos. (Atos 1,15 s; 2,14; 3,6; 10,1 s; 9,32; 15,7-12).  Foi bispo de Roma sendo sepultado nesta urbe,  fato que diante das pesquisas arqueológicas realizadas na Basílica de São Pedro, ficou inteiramente comprovado. Aliás, Clemente romano menciona o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma e o sacerdote Gaio, no ano de 180, testemunha a pregação e o martírio de ambos os apóstolos. Uma vez que o primeiro Papa se estabeleceu em Roma há uma perfeita identidade entre a sede romana e o papado. Eis porque vemos no início do cristianismo o Bispo de Roma orientando as igrejas orientais, como o Papa Vítor na polêmica acerca da festa da Páscoa no século II. O Papa Estevão I defendeu, na controvérsia sobre os hereges, perante os bispos da África e da Síria, o conceito de comunhão da Igreja, ao insistir no reconhecimento do batismo administrado  mesmo por hereges. Santo Inácio de Antioquia refere-se à Igreja de Roma como a “que preside a aliança do amor”. Santo Ireneu de Lião fala da “Igreja romana, a mais antiga, a maior, a conhecida de todos, fundada pelos gloriosos apóstolos Pedro e Paulo” com a qual todas as outras, em virtude de sua posição de prioridade devem estar de acordo. Santo Agostinho afirmou o direito decisório do Papa em questões controversas, como ocorreu por ocasião da questão pelagiana. Os pelagianos sustentavam basicamente que todo homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, não necessita da graça divina. As sentenças pronunciadas contra a heresia foram confirmadas pelo Papa Inocêncio I. Além disto, os Concílios Ecumênicos, quando não presididos pessoalmente pelo Papa, sempre tiveram os legados papais e coube sempre ao Papa ratificar as decisões destas Assembléias. O Papa é o representante da unidade da Igreja na medida que também é o representante de Jesus Cristo, o fundamento da sua unidade.  Ambos os aspectos devem-se manter, ou seja, tanto a inteira vinculação do Papa à Igreja e o seu serviço a ela como também a presença dele para com a Igreja, e, sendo assim, a sua função de representar o fundamento de sua unidade. Adite-se que não se pode dissociar a fé em Cristo da obediência ao Papa que é seu lugar-tenente,  Pastor  supremo do rebanho do Redentor. Tal foi a ordem que recebeu Pedro: “Apascenta os meus cordeiros [...] apascenta  as minhas ovelhas! (Jo 21,15-170. Era a investidura no supremo poder. Deste modo detém no mais alto grau a prerrogativa do magistério, do sacerdócio e do pastoreio da Igreja, cabendo-lhe o governo e a disciplina da mesma.  Através dos tempos os Papas têm zelado pela conservação da fé, lutando contra as heresias, propugnando pela moralidade dos costumes  e trabalhando arduamente pela paz no mundo. Sem a Eucaristia a Igreja católica seria  um mundo sem sol; sem o Papa ela seria um barco sem timoneiro. Por tudo isto cumpre uma obediência integral ao Chefe da Igreja, procurando cada um se inteirar das diretrizes pontifícias divulgadas na Imprensa Católica  e, sobretudo, lendo e estudando as encíclicas papais tão ricas de ensinamentos atualizados,  que sedimentam a prática das virtudes e aprofundam o conhecimento das verdades reveladas. Em todas as Missas se reza pelo Papa e são as preces dos fiéis que o sustentam perante tantos ataques dos inimigos da Igreja, inimigos internos e externos. Quem percorre a História da Igreja percebe o quanto sofreram os Chefes da Igreja como ocorre atualmente com Bento XVI sujeito a algumas críticas intensas e injustificadas. Sustentado pelas preces dos fiéis, com grande firmeza e notável serenidade, ele vem conduzindo a nau de Pedro sempre sujeita às intempéries, mas firme na promessa de seu Fundador de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).

 

Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -    Membro da Academia Mineira de Letras,  Diretor Espiritual do JSC



publicado por Luso-brasileiro às 18:37
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010
CLARISSE BARATA SANCHES - A CAMINHO DO CÉU...

 

 

 

 

Com que então, vou de carroça para os Céus,

Puxada por um par de cavalinhos?

Mas eles saberão onde está Deus,

Pra me levarem por santos caminhos?

 

Eles dão bem às patas, com certeza,

Levam também mobílias, documentos

Desta bonita terra portuguesa,

Onde passei a vida e os tormentos!

 

Deus está lá no alto e toca-os bem,

Tal como o jumentinho de Belém,

No qual andou também em pequenino.

 

Querem que vá depressa, assim a andar…

Sem ser preciso os Anjos a puxar…

Em breve entro no Céu, ao som dum hino!

 

 

CARISSE BARATA SANCHES   - Goís, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 20:01
link do post | comentar | favorito

Dom MIGUEL ÂNGELO FREITAS RIBEIRO - Eleições: NÃO MATAR

http://www.cnbbleste2.org.br/artigo_detalhado.php?cd_artigo=1248


São quatro os direitos fundamentais da pessoa humana: direito à vida; direito à propriedade; direito à liberdade e direito à honra. “Quando se denota a ausência de um deles, a pessoa desaparece: sem vida não existe, sem propriedade não subsiste, sem liberdade, principalmente a religiosa, não se desenvolve, e sem honra não se relaciona.” (Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre: Os sem. Comunicador, junho 2010, p 1). Entre os quatro direitos, o primeiro é o mais importante porque é a base de todos os outros.
 
 
Os Dez Mandamentos da Lei de Deus expressam em sua totalidade esses direitos fundamentais e seus desdobramentos. O direito à vida ocupa um lugar especial no quinto mandamento: Não matar; que nos obriga à defesa da vida humana desde a sua concepção no ventre materno até sua natural consumação na morte. Aborto e eutanásia, assim como tudo que fere a vida humana, são pois, condenados por Deus. A Didaché, catecismo cristão do século II, afirma: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém nascido.” Por ser gravíssima desordem moral, a Igreja penaliza com a excomunhão não somente aqueles que provocam o aborto mas quem colabora de algum modo com a sua execução. “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sentenciae”, isto é automática, afirma o Canon 1314, do Código de Direito Canônico. A excomunhão significa o estado objetivo de pecado grave e a separação da Igreja, corpo místico de Cristo, com a consequente chamada do pecador à penitência e reconciliação.
 
 
Estamos em ano eleitoral no qual vamos eleger o Presidente da República e seu vice, senadores e deputados federais e estaduais. Entre os candidatos não são poucos, de diversos partidos, que defendem o aborto, como já declararam em entrevistas à imprensa ou reduzem sua aprovação a um eventual plebiscito como se a objetividade do bem se definisse pela opinião da maioria ou pela estatística e não pela objetividade da Lei de Deus e da lei natural impressa no coração de todos os homens.
 
 
Entre os partidos, o Partido dos Trabalhadores inclui o aborto em seu programa partidário. O PT em seu 3º Congresso ocorrido em setembro de 2007 afirma-se “por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais” que inclui “a defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público (Resoluções do Congresso do PT, p. 80 in site do PT). A Igreja Católica, afirma a Constituição Pastoral Lumen Gentium do Concílio Vaticano II “não se confunde de modo algum com a comunidade política (GS no 76)” e respeita os cidadãos em suas “opiniões legítimas, mas discordantes entre si, sobre a organização da realidade temporal (GS no 75)”. Mas também afirma que “faz parte da missão da Igreja emitir um juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política,quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas (Catecismo, no 2246 citando GS, 76)”.
 
 
Diante da grave situação em que estamos, cada eleitor católico tem a gravíssima obrigação de ao escolher seus candidatos, observar também seus compromissos com a defesa da vida e com aqueles pontos “que não admitem abdicações, exceções ou compromissos de qualquer espécie” como o caso das leis civis do aborto; da eutanásia; de proteção do embrião humano; da tutela da família como consórcio natural e monogâmico de um homem e uma mulher, portanto contra o reconhecimento da união civil de homossexuais e a adoção de crianças pelos mesmos; da liberdade de educação dos filhos pelos pais; da liberdade religiosa e de uma economia a serviço da vida. Cada um examine diante de Deus e de sua consciência para bem escolher nossos governantes de modo a escolher o melhor pelo Brasil. Não podemos nos furtar diante da verdade e da justa defesa da vida e da Lei de Deus
.
 
 

                  Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro
                         Bispo Diocesano de Oliveira.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:53
link do post | comentar | favorito

PINHO DA SILVA - CLAUSTRO DO MOSTEIRO DA SERRA DO PILAR, VILA NOVA DE GAIA, PORTUGAL

                      



publicado por Luso-brasileiro às 19:50
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links