PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - FELICIDADE CONJUGAL

                          

 

 

Naquela noite, enquanto a esposa servia o jantar, o marido segurou sua mão e disse-lhe:

– Quero o divórcio. Nosso casamento acabou.

Ela ficou muito brava. Jogou longe os talheres e gritou:

– Você resolve isso sozinho? Você não é homem para enfrentar os nossos problemas?

Naquela noite não conversaram mais. Ouvia-se apenas ela chorando, sabendo que o coração dele não pertencia mais a ela. A mulher que ele conviveu pelos últimos dez anos tornou-se uma estranha.

No dia seguinte, após passar a tarde com outra mulher, o marido chegou em casa e encontrou a esposa sentada no sofá, à sua espera. Então, ela apresentou suas condições para o divórcio: não queria nada dele, mas pediu um mês de prazo antes de se separarem. Pediu ainda que, durante os próximos trinta dias, ele a carregasse no colo para fora da casa todas as manhãs, ao sair para trabalhar. Ele estranhou, mas concordou.

Quando a levou no primeiro dia, foi muito estranho. O filho pequeno os aplaudiu, dizendo:

– O papai está carregando a mamãe no colo. Viva!

Suas palavras causaram constrangimento. Ela fechou os olhos e falou baixinho:

– Não conte para o nosso filho sobre o divórcio. Ele tem provas para fazer e precisa de paz.

No segundo dia, foi um pouco mais fácil para os dois. Ela apoiou-se no peito do marido, que sentiu o cheiro do perfume que usava. Então, percebeu que há muito tempo não prestava atenção naquele aroma delicioso. Pensou que aquela mulher havia dedicado uma dezena de anos da vida a ele, sem nunca pensar em outra pessoa.

Nos próximos dias, foi virando rotina e, às vezes, até divertido. Ela havia emagrecido bastante, estava mais serena e bonita. Certa vez, o filho entrou no quarto do casal e disse:

– Pai, está na hora de você carregar a mamãe. Posso ajudar?

No último dia, quando a segurou, por algum motivo ele não conseguia mover as pernas. O menino já tinha ido para a escola e o marido pronunciou estas palavras:

– Eu não percebi o quanto perdemos da nossa intimidade com o tempo. Não quero mais me divorciar. Por favor, me perdoe, posso voltar a fazê-la feliz.

Ela tocou na testa dele e falou:

– Você está com febre? Mas, se quiser falar sério, saiba que nosso casamento ficou chato porque não soubemos valorizar os pequenos detalhes da vida; não foi por falta de amor.

Ele a carregou com muito carinho e foi trabalhar. No caminho de volta para casa, comprou um buquê de rosas e escreveu:  ‘Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe’.

Nas semanas seguintes ele ficou sabendo que a esposa estava muito doente e vinha se tratando há meses. Muito ocupado com outras mulheres, não houve tempo para se informar da enfermidade da esposa. E mesmo sabendo que morreria, ela quis poupar o filho dos efeitos do divórcio, prolongando a vida a três junto à família que constituiu. Valeu a pena porque, pelo menos aos olhos do filho, o pai era um homem muito carinhoso com a mãe.

Durou pouco tempo a felicidade que voltou a existir naquele lar. Ela se foi e restou a saudade que a grande mãe e a dedicada esposa deixou. Se detalhes importantes ao casamento fossem valorizados, teriam plantado a felicidade com raízes mais profundas desde o início.

E foi pensando mais ou menos isto que escrevi o romance ‘O Mendigo e o Padeiro’ – uma história que retrata dois personagens em busca de um modelo de felicidade conjugal. O lançamento foi na cidade de Itapetininga, durante um encontro de avivamento vicentino, com a participação de 500 pessoas.

Antes, na palestra, eu disse que o amor a Deus e ao próximo deve ser praticado como se fosse um só mandamento, porque é o único sentimento que transforma duas pessoas num único ser. E aconselhei os confrades e as consócias a tirarem proveito das crises, conscientizando-se que um será remodelado para o outro e todos para um Reino de Amor.

A cada livro vendido, entreguei gratuitamente o último CD que gravei com a Soraia, minha filha – ‘Nossas Músicas Preferidas – volume 2’. Graças ao bom Deus, o resultado dessas iniciativas foi maravilhoso e continuará evangelizando muita gente. Nem preciso ser um bom vendedor de livros para comercializar uma quantidade considerável de exemplares, já que é um serviço a Deus e o Espírito Santo sempre me ajuda.

Dizer que todo casamento precisa de paz, de amor e de fé, não é novidade para qualquer pessoa. Há algum tempo, também tenho dito que não pode faltar o perdão, a verdade e a oração. Agora, porém, no livro, o mendigo e o padeiro descobriram coisas novas. Só lendo para saber mais detalhes da felicidade conjugal.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PÉS DE GALINHA

                 

 

 

Dizem que os animais de estimação são, ordinariamente, parecidos com seus donos. Das duas uma: ou os humanos os escolhem a sua semelhança, ou bicho e gente, convivendo juntos, vão se tornando parecidos com o passar do tempo. Até já escrevi, em outra oportunidade, que cada vez que escuto isso, volto meus pensamentos para o Peteco, um dos meus cães de estimação, recordando-me de suas enormes orelhas e avantajado focinho.

O fato é que tanto ele como eu vivemos com frio e morrendo de fome.  A desvantagem é que cintura dele está bem melhor do que a minha, mas o fato é que quando o vejo dormindo a todo momento em que pode, bem como, curioso, fuçando em tudo que é novo, eu nem consigo negar “certa” dose de semelhança.

Além de tudo, ele e eu seguimos tendo alguns problemas de saúde muito parecidos, por mais louco que isso possa parecer. Atualmente ele toma suplementos para um desgaste em sua longa coluna de dashund e eu, infelizmente, venho “vivendo uma vida de cão”, com uma dor nas costas que desatou a me atacar. Segundo o médico, na verdade, segundo o médico e o veterinário, ambos estamos é sofrendo da mesma coisa, ou seja, um reflexo do andar dos anos...

Argumentei com o médico que ainda estou alguns anos distante dos quarenta, mas ele disse “minha filha, depois dos trinta é isso mesmo”... O Peteco, ao contrário, na idade de cachorro, já tem quarenta e nove anos. Meu Jesus, o que será de mim então? Por indicação médica/veterinária, ambos tomamos alguns suplementos de colágeno, para ver se a coisa desacelera um pouco, já que ré eu sei que não dá mesmo...

Da minha parte, sem problemas tomar uns comprimidos diariamente, mas não é tão simples fazer o Peteco tomar os dele. Assim, nessa semana, tive uma idéia. Resolvi comprar pés de galinha para dar para ele e também para o Floquinho, meu outro cãozinho, que embora não tenha “pobrema” de coluna, está prestes a completar cinqüenta e seis anos caninos.

Aproveitei que às sextas-feiras há feira livre a uma rua de casa e fui até a barraca de frango.

_ Moço, você tem pés de galinha?

_ Olha, eu sou novo ainda, mas já tenho um pouco aqui em volta dos olhos, hahaha...

_ Engraçadinho! Quando é o quilo?

_ São três reais.

_Então me vê um quilo.

Com um saco repleto de pés, voltei para casa pensando que as coisas são mesmo um pouco estranhas. Gosto de carne de frango e normalmente a como sem muito pensar, mas olhando aqueles pés eu fui tomada de uma tristeza, imaginando quantas galinhas andaram com eles... Comer tudo bem, mas olhar os pés, jamais! Tive certeza de nunca irei consegui comprar as cabeças das penosas, argh...

Coloquei uns pés na pressão até que eles ficaram bem moles e entreguei um par deles para cada cachorro. No início eles acharam tudo aquilo meio esquisito, pois só ficaram cheirando, cheirando, arriscando uma lambida ou outra, até que o Peteco começou a mastigar os “dedinhos” de um dos pés. A cena me tomou de um arrepio, mas agora era tarde. Minutos depois, ambos se refestelavam com suas porções de dose concentrada de colágeno in natura.

No dia seguinte, repeti o menu, até porque eu preciso mesmo me livrar daqueles pés todos no meu congelador. Guloso e já conhecedor da iguaria, Peteco abocanhou um pé com rapidez, colocando para dentro da boca, mais propriamente para o fundo da garganta, todo o pé, com a parte dos dedos para dentro. Do lado de fora só se via um pedaço do osso e eu logo percebi que, por gula pura, ele não o soltaria, mas também não o conseguiria engolir. Segurei a cabeça dele e puxei o pé para fora, quase como quem faz um parto. Nascia um pé de frango, semi comido, faltando um dos dedos.

Contei a história dos pés de frango por aí e até aprendi “n” receitas de como comê-los, como fazê-los, pois, segundo os relatos, são um santo remédio para melhorar as cartilagens do corpo. Ouvi até a história de uma recém casada que, sabendo que o maridinho amava pés de frango, resolveu se aventurar na cozinha, mas como não quis dar o braço a torcer para a sogra, cozinhou a coisa por conta e risco. Quando o pobre marido foi abrir a panela, entrou pés cujas unhas não haviam sido retiradas, mais parecendo garras de águia... Moral da história: até o frango precisa fazer o pé! Nem precisaria contar, mas o fato é que o coitado nunca mais quis saber dessa parte das penosas...

Pernas para quem te quero! Vou ficar nas pílulas mesmo...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



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Cfd. ALUIZIO DA MATA - TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA

                      

 

 

Precisamos aprender, sempre.

Não adianta! Nunca saberemos tudo o que existe para ser aprendido. Se o saber fosse estático, um dia alguém talvez pudesse chegar até o final de tudo que houvesse para aprender. Mas não é assim! A cada segundo novas coisas surgem para serem aprendidas.

Nestes dias tive prova disso. Não sei se só por coincidência ou por vontade de Deus, dois momentos se cruzaram em minha vida: a doença da Mariana e o Diário de Kika.

A Mariana é uma menina de 4 anos, nascida no Nordeste. Portadora de leucemia está vivendo momentos dolorosos e de expectativas ainda não concretizadas. Precisa, urgentemente, de um transplante de medula óssea, mas até agora não conseguiu um doador compatível. Para aumentar as suas chances, foi transferida para São Paulo e no hospital onde está faz tratamento que a possa deixar em condições de receber o transplante que lhe salvará a vida, quando o doador surgir. Quais são as expectativas de uma criança nessa situação? O que sabe ela do seu estado de saúde? Com o que sonha? O que pede a Deus? Qual será o seu futuro?

O Diário de Kika é um livro que foi escrito há alguns anos, mas parece que a autora estava antevendo o que, em parte, iria acontecer com a Mariana. Ele é um livro do qual o meu neto de 10 anos teve que fazer uma ficha literária. Eu, como sempre gosto de fazer, ajudei-o, pois acho que desperto nele o interessem pela leitura e pela escrita. Esse tipo de trabalho escolar é de muito proveito, pois ensina ao aluno ter gosto pela literatura, aprende a interpretar o texto, acompanha o raciocínio do autor e aprende lições de vida.

O livro conta a história de uma criança de 10 anos que registra o seu dia a dia em forma de diário, mesmo com dificuldades para escrever pela sua limitação de conhecimento da língua e pelo seu estado de saúde. Ela não entende porque é sem saúde; porque sofre dores; porque não pode ir todos os dias à escola; porque não pode brincar como todas as crianças de sua cidade pequena; Não entende também porque, de vez em quando vê seus familiares chorando escondidos.  Gosta, mas fica desconfiada do por que todos da família lhe dão atenção especial. Seu padrinho, que é médico, também. Até os presentes que queria ter ela ganha, embora a sua família seja pobre. Admira a boa vontade de todos em torná-la feliz.

Quem lê o livro percebe que a Kika vai de um crescendo em seus registros quase que diários e depois vai decrescendo à medida que o tratamento não surte o efeito esperado e seu estado físico vai piorando. Já no final ela percebe seu estado de saúde, mas não diz para ninguém, nem lamenta, nem chora. Faz perguntas a si mesma e não sabe as respostas.

Não quero comentar o final do livro, pois acredito que com a Mariana será diferente.

Mas, aí está a razão de ter escrito este artigo. A campanha de doação de medula óssea está em pleno andamento no Brasil , mas não atinge todos os possíveis doadores. Muitos adultos têm receios infundados, como teve meu neto. Conversando com ele sobre o livro, contei-lhe o caso da Mariana. Então ele me perguntou: - V ô, se eu doar a medula óssea para livrá-la da leucemia, eu fico com leucemia?

Numa criança de 10 anos é natural esse questionamento, mas fico pensando: Por que a Igreja Católica e a SSVP não fazem uma campanha de esclarecimento nas suas Missas e reuniões? Por que não incentivam para que apareçam doadores?

Agora complemento a observação que fiz logo no início do artigo: aprendi que me faltou na época oportuna esclarecimentos e solicitação para doar medula óssea. Quantas Kikas morreram por falta desses esclarecimentos desde a minha juventude até agora?

Quantas Marianas vão ter que ficar esperando uma doação que chegue logo para aliviar-lhes os sofrimentos?

Somos muitos vicentinos que têm condição de serem doadores, mas eles sabem disso? Foram motivados para doarem ou pensam que se doarem ficarão doentes também?

Bem que o Conselho Nacional poderia pensar em uma campanha dentro das nossas fileiras, campanha essa que poderia ser chamada de VICENTINO SOLIDÁRIO. Basta apenas um pouco de esclarecimentos e de boa vontade.  

 

A Mariana está no Hospital Darcy Vargas, no Morumbi- SP.

 

Deus lhes pague.

 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil   

 



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FAUSTINO VICENTE - A BÍBLIA E O CLIMA ORGANIZACIONAL

 

                              

 

Solicitados, numa de nossas palestras, a sugerir a leitura de um livro especial na abordagem de conceitos e práticas sobre clima organizacional, indicamos a Bíblia - o que causou uma certa estranheza - pela equivocada percepção da abrangência, e da profundidade, desse best-seller cristão - um legitimo manual de qualidade da vida.

Visão, missão, valores, princípios, normas de procedimento e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras de forma explícita. Uma das primeiras referências encontra-se na construção da Arca de Noé. A ordem de serviço veio com todas as especificações técnicas: "Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, largura; e a altura, de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca:um em baixo, um segundo e um terceiro" (Gênesis 6: 14 a 16).

Hoje, produtos e serviços são desenvolvidos obedecendo normas técnicas internacionais, cujos certificados são verdadeiros passaportes para a inserção das empresas nos negócios globalizados. Entre as habilidades gerenciais de Noé destaca-se a sua capacidade de planejamento organizacional, disciplina tática no cumprimento do cronograma, "ouvido de mercador" frente as provocações dos incrédulos de plantão e a aguçada percepção no aproveitamento das características individuais de cada um de seus colaboradores. Formou uma equipe, motivou-a, alocou recursos,estabeleceu processos operacionais, distribuiu tarefas, informou o prazo e gerenciou o andamento do projeto. Noé não foi apóstolo da burocracia.

Outro personagem histórico da Bíblia é José do Egito - administrador admirável, (Gênesis 41: 37 a 45)que pode ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) Presidente Executivo, de hoje. Notabilizou-se, principalmente, pela administração do país nos períodos "das sete vacas gordas e das sete vacas magras" - interpretados como anos de fartura e de escassez. Em termos de relacionamento inter-pessoal, a vida de José é uma das mais comoventes e atraentes da história.

 As vagarosas e silenciosas passadas de Moisés pelo deserto o colocaram na galeria dos protagonistas que agregam valores à gestão de recursos humanos. Dentre os seus desafios destaca-se a complexidade no atendimento das necessidades dos milhares de judeus que liderava à caminho da Terra Prometida. A solução do problema partiu de seu sogro, Jetro, quando lhe disse: "E tu, dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem,maiorais de cinqüenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo" (Êxodo, 18: 13 a 26). Nascia, assim, uma metodologia de descentralização do poder - o "calcanhar-de-aquiles" das atividades humanas. Reagimos como democratas, mas agimos como autocratas.

 Esta é a mais devastadora das causas de desmotivação de funcionários e do desaparecimento prematuro de promissoras lideranças. O clima organizacional das empresas depende, essencialmente, de uma política de recursos humanos que consolide a seguinte prática: dar oportunidades (iguais) para que os funcionários possam revelar e/ou desenvolver o seu potencial. Questionar as idéias, não as pessoas é a mais eficaz das estratégias para manter a indispensável "oxigenação" do processo gerencial.

Entendemos que, se lêssemos, refletíssemos e vivenciássemos, com maior freqüência, os ensinamentos contidos na Bíblia seríamos muito mais felizes e, de quebra, muito mais prósperos. É crer para ver.

Faustino Vicente -   Advogado, Professor, Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos -  e-mail: faustino.vicente@uol.com.br -  - Jundiaí (Terra da Uva) - São Paulo - Brasil

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:52
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RENATA IACOVINO - ESCREVENDO A HISTÓRIA

                       

 

            Os Festivais de MPB da TV Record do final da década de 1960 são memória não apenas da qualidade musical despontada por uma geração de compositores estimulados pela efervescência cultural da época, mas também do registro histórico de correntes ideológicas distintas, em sua essência.

            Mas, muito embora, por exemplo, a Jovem Guarda, movimento despreocupado de abordagens políticas, não se coadunasse com as posições esquerdistas do pessoal da Canção de Protesto, que por sua vez também não dialogava com a modernidade absorvedora e faminta do Tropicalismo, que destoava do tom sofisticado e acariocado da Bossa Nova... tudo parecia conviver num cenário cultural harmônico e que abriu alas a gerações posteriores, inclusive as que virão.

            Em 1966, concorriam à final do II Festival, “A Banda”, de Chico Buarque, que com seu tom aparentemente despretensioso e feliz, provocava reação contrária da esquerda, considerando-a alienada. Drummond, em crônica publicada no mesmo ano, expôs claramente onde se encontrava a crítica social de Chico, que não só a fez como a fez de forma poética. Foi sua maneira de dar o recado.

            Quatro dias antes desta publicação, “A Banda” venceu o Festival, empatada com “Disparada”, que só obteve tal colocação pela aclamação do público politizado presente.

            O cântico revolucionário, escrito por Geraldo Vandré e musicado por Theo de Barros, estabelece uma analogia entre a exploração do pobre pelo rico e a exploração das boiadas pelos boiadeiros. Manifestando um paralelo entre gente e gado, a canção já nasceu vitoriosa. Outras, de semelhante tema, vieram depois. Porém, nada se equipara ao significado da pioneira, essencial e urgente à época, cabendo ainda nos dias atuais. O ritmo seria uma moda de viola do Centro-Sul, mas transformou-se em catira de chapéu de couro.

            A importância da obra vincula-se, também, à importância das necessidades histórica e política de um momento.

            É possível codificar apatia, insatisfação, vazio, revolta, alienação, enfim, desejos (ou não) de um povo, usando como termômetro sua história musical e as evoluções e involuções decorrentes dela.

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 18:45
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Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - O SUCESSOR DE PEDRO

O dia do Papa oferece oportunidade para uma reflexão sobre a importância do sucessor de Pedro à frente da Igreja de Cristo. Desde os primórdios os bispos de Roma foram considerados os chefes da cristandade, detentores da primazia concedida por Cristo ao Príncipe dos Apóstolos. É um erro elementar confundir o primado espiritual do Papa com o surgimento do poder temporal, explicável por acontecimentos históricos. Há um outro equívoco mais lamentável ainda que é apresentar o Papa como chefe da Igreja universal apenas após determinado momento da Idade Média, como fazem certos historiadores destituídos de sólida cultura. O primado espiritual de Pedro e de seus sucessores está claro no Evangelho que é também um Livro histórico (Mt 16,16-19; Jo 21,15 s) . Pedro exerceu este primado, como está claro nos Atos dos Apóstolos. (Atos 1,15 s; 2,14; 3,6; 10,1 s; 9,32; 15,7-12).  Foi bispo de Roma sendo sepultado nesta urbe,  fato que diante das pesquisas arqueológicas realizadas na Basílica de São Pedro, ficou inteiramente comprovado. Aliás, Clemente romano menciona o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma e o sacerdote Gaio, no ano de 180, testemunha a pregação e o martírio de ambos os apóstolos. Uma vez que o primeiro Papa se estabeleceu em Roma há uma perfeita identidade entre a sede romana e o papado. Eis porque vemos no início do cristianismo o Bispo de Roma orientando as igrejas orientais, como o Papa Vítor na polêmica acerca da festa da Páscoa no século II. O Papa Estevão I defendeu, na controvérsia sobre os hereges, perante os bispos da África e da Síria, o conceito de comunhão da Igreja, ao insistir no reconhecimento do batismo administrado  mesmo por hereges. Santo Inácio de Antioquia refere-se à Igreja de Roma como a “que preside a aliança do amor”. Santo Ireneu de Lião fala da “Igreja romana, a mais antiga, a maior, a conhecida de todos, fundada pelos gloriosos apóstolos Pedro e Paulo” com a qual todas as outras, em virtude de sua posição de prioridade devem estar de acordo. Santo Agostinho afirmou o direito decisório do Papa em questões controversas, como ocorreu por ocasião da questão pelagiana. Os pelagianos sustentavam basicamente que todo homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, não necessita da graça divina. As sentenças pronunciadas contra a heresia foram confirmadas pelo Papa Inocêncio I. Além disto, os Concílios Ecumênicos, quando não presididos pessoalmente pelo Papa, sempre tiveram os legados papais e coube sempre ao Papa ratificar as decisões destas Assembléias. O Papa é o representante da unidade da Igreja na medida que também é o representante de Jesus Cristo, o fundamento da sua unidade.  Ambos os aspectos devem-se manter, ou seja, tanto a inteira vinculação do Papa à Igreja e o seu serviço a ela como também a presença dele para com a Igreja, e, sendo assim, a sua função de representar o fundamento de sua unidade. Adite-se que não se pode dissociar a fé em Cristo da obediência ao Papa que é seu lugar-tenente,  Pastor  supremo do rebanho do Redentor. Tal foi a ordem que recebeu Pedro: “Apascenta os meus cordeiros [...] apascenta  as minhas ovelhas! (Jo 21,15-170. Era a investidura no supremo poder. Deste modo detém no mais alto grau a prerrogativa do magistério, do sacerdócio e do pastoreio da Igreja, cabendo-lhe o governo e a disciplina da mesma.  Através dos tempos os Papas têm zelado pela conservação da fé, lutando contra as heresias, propugnando pela moralidade dos costumes  e trabalhando arduamente pela paz no mundo. Sem a Eucaristia a Igreja católica seria  um mundo sem sol; sem o Papa ela seria um barco sem timoneiro. Por tudo isto cumpre uma obediência integral ao Chefe da Igreja, procurando cada um se inteirar das diretrizes pontifícias divulgadas na Imprensa Católica  e, sobretudo, lendo e estudando as encíclicas papais tão ricas de ensinamentos atualizados,  que sedimentam a prática das virtudes e aprofundam o conhecimento das verdades reveladas. Em todas as Missas se reza pelo Papa e são as preces dos fiéis que o sustentam perante tantos ataques dos inimigos da Igreja, inimigos internos e externos. Quem percorre a História da Igreja percebe o quanto sofreram os Chefes da Igreja como ocorre atualmente com Bento XVI sujeito a algumas críticas intensas e injustificadas. Sustentado pelas preces dos fiéis, com grande firmeza e notável serenidade, ele vem conduzindo a nau de Pedro sempre sujeita às intempéries, mas firme na promessa de seu Fundador de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).

 

Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -    Membro da Academia Mineira de Letras,  Diretor Espiritual do JSC



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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010
CLARISSE BARATA SANCHES - A CAMINHO DO CÉU...

 

 

 

 

Com que então, vou de carroça para os Céus,

Puxada por um par de cavalinhos?

Mas eles saberão onde está Deus,

Pra me levarem por santos caminhos?

 

Eles dão bem às patas, com certeza,

Levam também mobílias, documentos

Desta bonita terra portuguesa,

Onde passei a vida e os tormentos!

 

Deus está lá no alto e toca-os bem,

Tal como o jumentinho de Belém,

No qual andou também em pequenino.

 

Querem que vá depressa, assim a andar…

Sem ser preciso os Anjos a puxar…

Em breve entro no Céu, ao som dum hino!

 

 

CARISSE BARATA SANCHES   - Goís, Portugal



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Dom MIGUEL ÂNGELO FREITAS RIBEIRO - Eleições: NÃO MATAR

http://www.cnbbleste2.org.br/artigo_detalhado.php?cd_artigo=1248


São quatro os direitos fundamentais da pessoa humana: direito à vida; direito à propriedade; direito à liberdade e direito à honra. “Quando se denota a ausência de um deles, a pessoa desaparece: sem vida não existe, sem propriedade não subsiste, sem liberdade, principalmente a religiosa, não se desenvolve, e sem honra não se relaciona.” (Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre: Os sem. Comunicador, junho 2010, p 1). Entre os quatro direitos, o primeiro é o mais importante porque é a base de todos os outros.
 
 
Os Dez Mandamentos da Lei de Deus expressam em sua totalidade esses direitos fundamentais e seus desdobramentos. O direito à vida ocupa um lugar especial no quinto mandamento: Não matar; que nos obriga à defesa da vida humana desde a sua concepção no ventre materno até sua natural consumação na morte. Aborto e eutanásia, assim como tudo que fere a vida humana, são pois, condenados por Deus. A Didaché, catecismo cristão do século II, afirma: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém nascido.” Por ser gravíssima desordem moral, a Igreja penaliza com a excomunhão não somente aqueles que provocam o aborto mas quem colabora de algum modo com a sua execução. “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sentenciae”, isto é automática, afirma o Canon 1314, do Código de Direito Canônico. A excomunhão significa o estado objetivo de pecado grave e a separação da Igreja, corpo místico de Cristo, com a consequente chamada do pecador à penitência e reconciliação.
 
 
Estamos em ano eleitoral no qual vamos eleger o Presidente da República e seu vice, senadores e deputados federais e estaduais. Entre os candidatos não são poucos, de diversos partidos, que defendem o aborto, como já declararam em entrevistas à imprensa ou reduzem sua aprovação a um eventual plebiscito como se a objetividade do bem se definisse pela opinião da maioria ou pela estatística e não pela objetividade da Lei de Deus e da lei natural impressa no coração de todos os homens.
 
 
Entre os partidos, o Partido dos Trabalhadores inclui o aborto em seu programa partidário. O PT em seu 3º Congresso ocorrido em setembro de 2007 afirma-se “por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais” que inclui “a defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público (Resoluções do Congresso do PT, p. 80 in site do PT). A Igreja Católica, afirma a Constituição Pastoral Lumen Gentium do Concílio Vaticano II “não se confunde de modo algum com a comunidade política (GS no 76)” e respeita os cidadãos em suas “opiniões legítimas, mas discordantes entre si, sobre a organização da realidade temporal (GS no 75)”. Mas também afirma que “faz parte da missão da Igreja emitir um juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política,quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas (Catecismo, no 2246 citando GS, 76)”.
 
 
Diante da grave situação em que estamos, cada eleitor católico tem a gravíssima obrigação de ao escolher seus candidatos, observar também seus compromissos com a defesa da vida e com aqueles pontos “que não admitem abdicações, exceções ou compromissos de qualquer espécie” como o caso das leis civis do aborto; da eutanásia; de proteção do embrião humano; da tutela da família como consórcio natural e monogâmico de um homem e uma mulher, portanto contra o reconhecimento da união civil de homossexuais e a adoção de crianças pelos mesmos; da liberdade de educação dos filhos pelos pais; da liberdade religiosa e de uma economia a serviço da vida. Cada um examine diante de Deus e de sua consciência para bem escolher nossos governantes de modo a escolher o melhor pelo Brasil. Não podemos nos furtar diante da verdade e da justa defesa da vida e da Lei de Deus
.
 
 

                  Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro
                         Bispo Diocesano de Oliveira.

 



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PINHO DA SILVA - CLAUSTRO DO MOSTEIRO DA SERRA DO PILAR, VILA NOVA DE GAIA, PORTUGAL

                      



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