PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
RENATA IACOVINO - CONTRADANÇA TERNÁRIA...

                      

 

 

Ano de 1970, Vinicius de Moraes entrega uma música composta por ele a Chico Buarque, pedindo que este escreva a letra.

Chico a faz e a remete pelo correio ao poetinha, com o nome “Valsinha”.

De Mar de Plata, onde se encontrava, Vinicius responde ao parceiro que havia feito ajustes na letra, pois ela apresentava alguns... hiatos. Além disto, batizou-a de “Valsa hippie”, argumentando haver tal clima no enredo, um elemento moderno misturando-se ao ritmo antigo sugerido pela valsa.

As cartas trocadas pela dupla é um delicioso registro histórico. Vejamos trechos da resposta de Chico: “Recebi as suas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela.”

“Valsinha”, pois, integrou o clássico álbum da MPB “Construção” e ficou conhecida como a faixa mais romântica, mesmo Chico tendo mesclado o viés político com o amoroso, recurso recorrente em suas obras.

O letrista achou “hippie” algo forçado para a proposta e preferiu manter o título original.

Vinicius sugeriu que o verso “E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar” fosse substituído por “E não falou mal da poesia como era mania sua de falar”, ao que Chico respondeu preferir que o personagem maldissesse a vida ao invés de falar mal da poesia.

Em “convidou-a pra rodar”, Vinicius queria “disse: vamos nos amar”. O outro sustentou, pedindo para deixar: “Rodar, que é dar um passeio e é dançar. (...) se ele for convidando a coitada para amar, perde-se o suspense do vestido no armário (...)”.

Resistindo a trocar um “abraçar” por “bailar”, diz Chico: “É por isso que estou puxando a sardinha para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas modificações que, enriquecendo os versos, também dificultam um pouco a compreensão imediata.”.

Mas houve sugestões do poetinha que foram acatadas, como o trecho “e foram-se cheios de graça”, alterado para “e cheios de ternura e graça”. E outro, o final: “Que o mundo compreendeu/E o dia amanheceu/Em paz”, enquanto que Chico havia utilizado “a gente compreendeu”.   

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:35
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PEQUENINO PRÓDIGO

                      

 

 

 Situações familiares destinaram o bebê à distância e na distância pode estar um “chiqueiro de porcos”, como o da “parábola do filho pródigo” (Lucas 15, 11-32), embora ele não tivesse pedido a parte que lhe cabia na herança, se ausentado para uma região longínqua, esbanjado os seus bens e vivido dissolutamente. O filho pródigo, depois de haver gasto tudo, começou a passar privações e foi trabalhar de guardador de porcos e nem mesmo a comida deles lhe davam. Recordou-se da casa paterna e a ela retornou, pedindo ao Pai que o tratasse como a um de seus empregados. O Pai, que sempre esperara o seu regresso, pois o sabia perdido, correu ao seu encontro, abraçou-o efusivamente, beijou-o e fez festa.

O bebê nasceu há pouco tempo. Na casa, onde foi concebido, havia um triângulo de traços retorcidos, formado por sua mãe, a avó e o padrasto da mãe. Misturados os traços, ele se fez presença. A moça, desde menina, delirava. Algo maior que ela lhe causava temor. Fugia e voltava. Seu corpo mantinha o ritmo normal da passagem da adolescência à juventude. Seus impulsos não diferiam dos de outras meninas de sua idade, faltava-lhe, contudo, pelos obstáculos mentais, discernimento. Era psiquicamente enferma.

A mãe descuidou dela por considerá-la de anos vividos. O padrasto a viu, em sua insanidade, como desculpa para não distinguir a diferença entre o bem e o mal, a moral e o imoral, a justiça e a injustiça, o direito e a opressão, o amor e o uso. Nascido o menino, afastaram-no da casa materna. Não posso afirmar que não o desejavam – seria julgamento de minha parte -, mas sim que não conseguiram conviver com a situação. Em outras terras, porém, sem o pulsar do sangue de sua ascendência, ele poderia ter, no futuro, como abrigo, uma pocilga.

Três olhares, em seguida, se encontraram: o olhar divino de piedade, que se comoveu com a criança, e o olhar do casal que, em uníssono, pedia ao Pai um filho. O Senhor ouviu o choro do bebê e o clamor do casal grávido de esperança em sair deles mesmos para cuidar de uma descendência. Deus teceu a Sua misericórdia com a deles  e fez colo macio e firme para o bebê crescer. Deu ao bebê um lar de verdade e ao casal um motivo maior para sua história de ternura e partilha.

A primeira festa do pequenino pródigo foi, dois dias após a sua chegada ao lar dos seus pais de coração, no Carmelo São José, embalado pelas Monjas que cantaram: “Pai, fechei a porta atrás de mim, o mundo eu esqueci. (...) Quero Te conhecer melhor, quero Te compreender/ quero sentir o Teu amor em mim crescer. (...) Pai, em minha vida Tu és tudo que eu preciso ter/ Tu és o sangue que circula em meu ser.”

Bendito seja o Deus da revelação que é o Deus da compaixão!

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:29
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - OS BOLBOS DA HOLANDA

                     

 

 

Meu pai que era cem por cento católico, mas que gostava de conviver com evangélicos, contava que certa vez ao palestrar com conhecido pastor baptista, este, após divagar sobre a organização da Igreja e modo de se criarem novos núcleos, declarou-lhe que as comunidades assemelham-se a bolbos de tulipas que compramos dentro de saquinhos plásticos, e que indicam, em lugar bem visível a origem: a Holanda.

Adquiridos os bolbos e amanhada a terra, estes são ligeiramente enterrados. Semanas depois germinam e surgem magnificas flores. Por medida de economia guardamos os novos bolbos que surgiram para os replantar na estação própria. No primeiro ano as tulipas ainda mostram o tom aveludado das originais, mas no correr do tempo, degeneram: as flores perdem o brilho, são menores, e as plantas enfezadas, estiolam e acabam por morrer.

Se queremos manter a qualidade teremos que ir novamente ao horto e adquirir novos bolbos holandeses.

Do mesmo jeito, dizia o pastor, acontece às igrejas de bairro: iniciam-se com pequeno grupo dinâmico, expandem-se, crescem, formam-se departamentos e sem se saber como, a Igreja torna-se apática. Já não se evangeliza nem se visitam doentes e pobres; preocupam-se: com quem vai ocupar esta ou aquela presidência, com mexericos,  gerir desentendimentos, e por vezes nem o pastor se livra de línguas maldizentes.

Assim falou o velho missionário baptista. O que sucedia na sua Igreja acontece igualmente na católica.

As Ordens religiosas foram e são ainda os novos bolbos que Roma vai plantando para que a Fé não esmoreça.

A “ Canção Nova” é o recente exemplo disso e ainda que não perfilhe alguns rituais, devo louvar, porque transformou-se num explendido meio de evangelização que merece ser acarinhado.

Jovens e não só, que andavam desviados do caminho da Igreja, encontraram na “ Canção Nova” a paz de consciência, tranquilidade de espírito, convívio e amor cristão; em suma: encontraram Jesus.

Pena é que não apareçam mais “bolbos” para reanimarem algumas paróquias que parecem cristalizadas na rotina.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - O PAPEL DE CADA UM
               
 
 
Somos o povo de Deus, mas somos um povo interessante.
Todos, os que cremos, queremos ser salvos, mas nem todos nós nos  engajamos no esforço de salvação.
Creio que Deus espera de nós atitudes que venham possibilitar a salvação de toda a humanidade. Assim, ao se fazer um esforço para  a salvação individual, querendo ou não, esforçamo-nos  para a salvação coletiva.
No entanto, alguns não pensam e nem agem assim.
Pessoas existem que se dizem cristãs e na verdade não praticam a sua religião. Entre os católicos, então, o  número é assustador. Elas  pensam que a Igreja tem a obrigação de salvá-las, mas nada fazem para ajudar a Igreja militante. Quando a Igreja pede que elas participem, não o fazem. Já não falo do engajamento efetivo no trabalho pastoral e evangelizador, mas pelo menos na participação da liturgia semanal.  Frequência aos sacramentos, então, nem se fala. Receberam o batismo, fizeram a primeira comunhão, foram crismados, alguns até se confessaram e comungaram no dia do casamento, mas foi só. Muitos vão à Missa por obrigação, outros por costume e outros  ainda nem à Missa vão. Basta que se compare a freqüência às celebrações com o número dos que se dizem católicos na paróquia para se comprovar o que digo. Nem a própria família é sua preocupação em termos de salvação. Cada um por si e Deus por todos.
Ao vicentino  cabe um esforço maior, pois é  nossa obrigação dar ao assistido condições de se salvar. E não é fácil tendo em vista as condições de vida que eles  levam. Como podem pensar na bondade de Deus, se tudo lhes falta? Como pensar em ir à igreja, se muitos dos que lá vão nem  sempre dão o exemplo positivo?
Mesmo que não sejam todos, existem vicentinos sobre os quais podemos dizer: São confrades e consócias que dignificam a Sociedade de São Vicente de Paulo. São extremamente caridosos, participativos nos  trabalhos vicentinos e nas pastorais paroquiais. Mas, eu gostaria de dizer isso de todos  os vicentinos, mas não posso. Precisamos melhorar muito a nossa espiritualidade.
Entretanto, que o mundo não se perca todo por nossa omissão.
Temos um papel que Deus nos reservou e temos de cumpri-lo da melhor maneira possível. E ninguém deveria poder cumprir a missão que não é a sua. Se alguém estiver cumprindo a tarefa que é de outro, essa tarefa já mudou de dono. Mas também já mudou de dono a recompensa no Céu. 
 
 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 11:22
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CLARISSE BARATA SANCHES - ERA ASSIM...

Para alcançar a Paz e a Alegria
Que o povo, desejoso, precisava,
Curiosamente, alguém me perguntava
Se eu dirigisse a Vida, o que faria?

 



-Se eu governasse o mundo, em primazia,
Desde o ensino Base, edificava
Escolas de EDUCAR e ordenava
Que houvesse aulas de amor e cortesia!

  



Armas ninguém mais tinha pra comprar
Humanizava a Terra muito mais...
Ante uma Sociedade que se esquece

 



Do sagrado DEVER de confortar
Quem precisa de alento e vive aos ais...
- Era assim que faria se pudesse!

 

CLARISSE BARATA SANCHES   -  Goís, Portugal  

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:16
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