PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
O ALMOÇO DE NATAL DA FREGUESIA DE SANTA MARINHA, VILA NOVA DE GAIA

                    

 

 

               Quis o Presidente e os membros da Junta de Freguesia de Santa Marinha, realizar almoço de convívio na quadra natalícia.

 

               A ideia não é original, mas é feliz. Original foi o modo cortês como o Sr. Joaquim Leite, actual Presidente, recebeu os convidados. Homem simples, teve para todos, uma palavra amável; uma atenção carinhosa com os idosos; um cuidado peculiar com os doentes e avançados em idade.

 

               A simplicidade, a generosidade de coração, o trato afectuoso como recebe os que dele se abeiram, tornou-o num dos políticos gaienses mais populares e estimado de Vila Nova de Gaia. 

 

      Foi no passado sabado, 18 do corrente, pelas treze horas,no Pavilhão Municipal do Sporting Clube de Coimbrões, que se realizou   o almoço de Natal da freguesia de Santa Marinha, que reuniu largas centenas de idosos.

 

      Presentes, entre outros, o Dr. Marco António Costa, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o Sr. César de Oliveira, Presidente da Assembleia Municipal, a Dr.ª D. Amélia Traça, vereadora, e representantes da Igreja, associações desportivas, recreativas e culturais da freguesia.

 

                        Durante o repasto, o Presidente da Junta da Freguesia, o Sr. Joaquim Leite, proferiu brevíssimas e simples palavras que muito sensibilizaram, porque facilmente se adivinhava que vinham do coração de homem que se dedicou à freguesia, colocando-se inteiramente ao serviço da população, principalmente os mais pobres e carenciados.

 

               Ao concluir, houve interessante programa de variedades.

 

 

               Parece-me oportuno publicar, aqui, breve biografia do actual Presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha: 

 

               Oriundo de modesta família de Celorico de Basto, Joaquim Leite nasceu a 18 de Março de 1945.

  

               Órfão de pai, aos oito anos, frequentou a Escola Primária de Pereira, S. Clemente.

 

 

               Aos doze, veio para a cidade do Porto, trabalhar num talho do Bom Sucesso. Seguiram -se outros modestos empregos, terminando a vida profissional na firma “ Alfredo Caetano”.

 

 

         Sempre que podia alugava bicicletas para passeio ou participar em disputas com outros ciclistas.

  

         Aos dezassete anos iniciou a carreira de atleta no S. C. de Coimbrões, integrando-se mais tarde na equipa de ciclismo do F. C. do Porto.

 

         Foi nesse importante clube da cidade do Porto, que se tornou famoso, ficando conhecido como um dos melhores atletas do ciclismo português.

 

                 Havia ainda de passar pelo S. L. Benfica, antes de ser importante empresário.

 

                 Apesar da fulgurante carreira desportiva e sucesso como empresário, Joaquim Leite, continua a ser o mesmo homem simples, preocupado com o bem estar de todos e em particular dos mais necessitados.

 

                 Por certo a razão disso, é que não esquece - como infelizmente acontece com muitos que subiram na vida a pulso, - as origens humildes e as dificuldades que enfrentou para alcançar o sucesso no desporto e na vida empresarial.

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:51
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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - NATAL. Façamos mais festa ao Menino Jesus que ao Papai Noel !

 

                            

 

  

            A tradição cristã, no decorrer dos séculos, experimentou uma mística natalina que envolve as pessoas, sobretudo num clima de poesias e ternura,singeleza e encanto, expressões simbólicas que procuram traduzir a admiração humana diante do mistério que faz o amor infinito se revelar na carne da História. Meditemos mais nessa circunstância e deixemos de lado nossas exclusivas preocupações com manifestações meramente festivas ou consumistas.

               

                O brasileiro tem o hábito de levar vantagem em tudo, colocando tal situação como premissa maior na convivência com terceiros. Assim, a vida se transformou numa competição, onde os interesses de alguns prevalecem sobre os dos outros, num círculo vicioso sem fim, no qual as normas vigentes são as de “salve-se quem puder” e “cada um por si e Deus por todos”. Essas circunstâncias demonstram o exagerado egoísmo que  prevalece hoje no relacionamento humano.

            Além desse individualismo, paira uma manifesta alienação até certo ponto imposta por elites dominantes que pretendem se perpetuar no poder. Ele gera um comodismo sem precedentes, capaz de colocar o conformismo acima de quaisquer reivindicações ao próprio cumprimento de direitos básicos e essenciais à dignidade humana. E assim, aceitam-se mansa e pacificamente as mais diversas transgressões nos mais variados setores, sem nenhuma reação.

            Essa passividade incentiva a corrupção, a malversação do dinheiro público e a construção de uma cultura desvinculada de princípios, cujo preceito maior é o de tirar proveito de tudo e de todos, ainda que a maior parcela da população, para tanto, sofra inúmeros e graves prejuízos sociais. E o desinteresse vai se difundindo de tal forma, que a relação entre os indivíduos de maneira geral, tornou-se apática, fria e distante.

Mais um Natal vem chegando e tal momento se constitui numa ótima oportunidade para revertermos estas situações. Acima das muitas festas que o circunda, ele nos convida a abrir o coração para contemplar novamente o mistério da vida que renasce, para transformar este mundo tão carente e sofrido. Em nenhuma outra época do ano, o ar fica tão carregado de expectativa e uma atmosfera alegre e feérica toma conta da vida cotidiana, cultivando nas pessoas sentimentos muitas vezes adormecidos, como o amor ao próximo e a fraternidade.

Todo esse clima de reflexão e comemoração, que vem crescendo à medida que o dia 25 de dezembro se aproxima, carrega consigo uma rica simbologia que felizmente resiste ao tempo e às indiferenças de milhares de pessoas, ultrapassando fronteiras geográficas e culturais. Símbolos que freqüentam tanto as vitrines iluminadas dos grandes magazines como a sala de visita de quase todas as casas, nos lugares mais distantes do planeta. E a despeito do inegável apelo comercial que cresce a cada ano, o período natalino continua a despertar gestos de amor e de solidariedade, e a pregar a reconciliação entre os homens.

Por isso, devemos tratar o Natal como um evento espiritual, fazendo mais festa ao Menino Jesus do que ao Papai Noel. Procurar tê-lo  como um instante de profunda reflexão pessoal e de ajuda para que cada um decifre o mistério da existência e a  finitude da vida,  já que poucas vezes lembramos que não somos eternos. Dentro deste quadro, procuremos pelas cores do afeto, da amizade, da tolerância, do Direito e do respeito indistinto a todos.  Busquemos uma Nação justa, embasada na distribuição equitativa de rendas, na igualdade de oportunidades, na educação avançada e no atendimento aos direitos fundamentais dos cidadãos. Tudo isso é possível, basta querermos e a melhor oportunidade para iniciar a consolidação desses anseios é o período natalino.

 

                                   Registro

 

No último dia 07 de dezembro, aconteceu no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, a sessão solene de lançamento da Coletânea 2010 da Academia Jundiaiense de Letras. Além da natural expectativa dos textos constantes da obra, de autoria dos seus integrantes, o evento ganhou um brilho especial com as apresentações de Silvia Loverso (piano) e de Fábio Cury (fagote, modelo superior). De acordo com o presidente da entidade, Luiz Haroldo Soutello Gomes, optou-se pela linguagem musical para dinamizar a festa. E efetivamente, os dois excelentes músicos proporcionaram momentos de alto nível e de grande excelência. Também aproveitamos para cumprimentar Anna Geromel pelo excelente trabalho junto à secretaria da Academia: empenho, dedicação e muita simpatia.

 

                        Homenagem a Mariazinha Congílio

 

            Por iniciativa da vereadora Ana Tonelli, a escola municipal de educação básica (creche) do Conjunto Habitacional "João Mezzalira Júnior" (Jardim Novo Horizonte) passou a se chamar "EMEB Profª. MARIA APARECIDA SILVA CONGÍLIO", pelo projeto de lei n.° 10.641/2010, aprovado em sessão ordinária da Câmara Municipal de Jundiaí, realizada em 28 de setembro deste ano. Trata-se de uma merecida homenagem a uma mulher que permanentemente elevou o nome de nossa cidade, além de ter se consagrado como professora, jornalista e escritora. Formou-se ainda em Direito na primeira turma da Faculdade Padre Anchieta. Reverenciando a sua carismática figura, vale lembrar que criou em São Paulo a “Pensão Jundiaí”, reunindo consagrados nomes das artes e ciências em geral, que permanece atuante até hoje, graças ao empenho e dedicação de suas filhas Silvana e Selma. Parabenizamos a vereadora pela feliz iniciativa, que reconhece o grande valor da homenageada.

 

                                               Feliz Natal!

 

                Dentre os cartões e mensagens de Natal recebidas, destaco a de meu amigo, advogado Osiris D`Angieri: “Prezado Martinelli. A cidade virou metrópole. As noites que coloriam com pincéis humanos os verões da Paulicéia foram substituídas pelo progresso dos edifícios e da especulação imobiliária insensata e cruel. Que pena! Só nos resta pedir ao Papai Noel do Magalhães, que embora esteja aposentado, interceda ao Criador para que nos conceda “Habeas Corpus” das prisões dos shoppings e condomínios e nos livre da superficialidade a que fomos condenados. Feliz Natal e Ano Novo!”.

                           

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e membro da Academia Jundiaiense de Letras e Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 18:04
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
TEREZA DE MELLO - VÉSPERA DE NATAL

                  

 

 

Um frio de enregelar vinte e três anos, em cima da bicicleta, deixava a aldeia, seguia para o campo, um cesto atrás com a ceia para a tia Guilhermina.

 A tia Guilhermina, velhinha de oitenta e muitos anos, vivia sozinha numa barraca perto do rio. Quase não se podia entrar, a porta da rua e única, mal se começava a abrir batia logo na cama de ferro, sempre por fazer. As forças já começavam a faltar à tia Guilhermina e ninguém a ajudava. Ao lado ficava uma mesa com um fogão, panelas, pratos, copos e talhares. Era tudo o que tinha, ali, naquele ermo, sem família, sem mais ninguém, segundo dizia, sós os pássaros, os coelhos e as lebres lhe faziam companhia mas ela não era propriamente a branca de neve. Curvada pelo peso dos anos e do reumatismo sobrevivia sem grandes queixumes, resignada mesmo. Se tivera passado, tinha-o esquecido, nunca falava nele e apenas dizia que não tinha ninguém Ela não insistia, não queria ser indiscreta e imaginava uma vida tormentosa cheia de faltas de todo o género e compadecia-se ainda mais.

Pensando na tia Guilhermina pedalava mais forte, o cesto quase se desequilibrava, o vento batia-lhe forte na cara, gelado, puxava para cima a gola de raposa da samarra, mas atenta à curva que se aproximava. As luzes da aldeia tinham ficado para trás. A escuridão era profunda quando finalmente chegou, saltou da bicicleta e começou a andar pelo meio dos campos. Se fosse Verão haveria pelo menos grilos a cantar. Assim, além da escuridão era o silêncio que também a assustava. O silêncio e os cães que ladravam, mas felizmente ao longe. Foi andando com cuidado, não fosse cair, ou torcer um pé, a lanterna acesa, com aquele medo miudinho de se sentir sozinha naquele ermo, mas a tia Guilhermina também vivia sozinha, dizia para si mesma a animar-se. Que corajosa era, pensava a seguir. Ela não seria capaz. E lá continuava a andar, pois a barraca ainda ficava longe.

Foi há muitos anos, agora seria impensável.

Quando finalmente chegou e bateu à porta e chamou, mas apenas lhe respondeu o mesmo silêncio. Quase a prever desgraças, empurrou a porta devagarinho, entrou. Nada. Ninguém. A sua aflição aumentava, onde se teria metido a tia Guilhermina ? Teria caído. Coitadinha. Tornou a sair, a lanterna mal iluminava a terra e começou a procurar e a chamar. O silêncio sempre como única resposta. Acabou por deixar o campo, voltar para a estrada, para a bicicleta, caminho da aldeia.

Foi quando tornou a ver gente e perguntou pela tia Guilhermina. Que estava a cear em casa da filha, disseram-lhe e indicaram-lhe o caminho. Filha ? estranhou, pois se sempre lhe dissera que não tinha família.

Foi, o cesto pesava, o frio parecia que aumentava, puxou as meias de lã, e de novo a gola da samarra, tocou à campainha.

---- Quem é ? ouviu perguntar uma voz ordinária e logo uma mulher com um bonito vestido e saltos altos, colar de pérolas ao pescoço, bem penteada, que quase poderia parecer uma senhora se não fosse a voz, lhe entreabriu a porta e antipática, continuou: ---Que quer a estas horas ? Não incomode. Não a posso atender.—disse.

Até ela chegava a música da telefonia, objecto raro e de luxo ao tempo. Discretamente espreitou para dentro da casa e pareceu-lhe ver na sala de jantar uma mesa comprida com toda a espécie de petiscos e aguarias.

Olhou para o seu cesto de palha, recheado, para a samarra, as meias de lã. Olhou para si mesma, deu meia volta e voltou para casa acabar de enfeitar o presépio. O cão e os gatos esperavam por ela. Acendeu a lareira, sentou-se a olhar as chamas e à espera do marido que tinha ficado a fazer serão no escritório.

Era a véspera de Natal…

 

TEREZA DE MELLO  - Escritora, Lisboa



publicado por Luso-brasileiro às 14:27
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - CRISTO CONTA COM VOCÊ

                      

 

 

Presidindo a Celebração da Palavra na condição de Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística – primeira sexta do mês, Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração –, coube a mim refletir neste trecho do Evangelho de São Mateus (16,24-28):

“Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino’.”

Iniciei dizendo que este texto encontra-se nos três Evangelhos sinóticos: Lucas, Marcos e Mateus. Isto já mostra a importância da mensagem – forte e convincente. As palavras de Jesus são claras: “De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida?”. A vida é o maior bem que temos e não a podemos pôr a perder para ganhar bens menores.

O que Jesus nos oferece é a vida plena, a realização de nossos anseios de felicidade. E diz que Ele mesmo é essa vida, nossa possibilidade de salvação. Temos de deixar tudo quanto for necessário para não perder essa oportunidade única de vida eterna.

Então, achei por bem refletir melhor naquilo que entendo em ‘deixar tudo’. Como seres humanos, que precisarmos trabalhar, nos divertir, viver em família e tantas outras coisas mais, deixar tudo significa ter tempo para as obras de Deus. A santidade deve ser buscada passo a passo, gradativamente ao longo da vida, e não num único dia. Se vivermos sem pecados mortais no coração já é um grande começo.

Amar como Jesus amou não é fácil, mas podemos aumentar a caridade que recebemos no Batismo rezando um pouco mais, participando dos Sacramentos, trabalhando em favor dos mais necessitados, praticando a justiça e falando a verdade. Nada disso é difícil e o resultado é maravilhoso! Seremos mais amados, mais respeitados e marcaremos nossa existência por algo que valeu a pena: a comunhão de vida com Deus e com o próximo.

Portanto, no tema ‘o seguimento de Jesus’, o objetivo é a ‘vida’. Renunciar a si mesmo e perder sua vida pode ser compreendido também no desprezo do sucesso pessoal, do enriquecimento e do consumismo. Este tipo de renúncia é uma libertação para assumir o compromisso de transformação deste mundo. Não carregaremos a cruz como condenados, mas suportando dignamente o peso da violência contra quem busca vida plena para todos.

Imaginemos que resolvêssemos o contrário: apegarmo-nos às coisas materiais, cada vez mais, perdendo a vida eterna. Teríamos como voltar atrás após a morte? Quanto custaria ter nossa vida de volta? Infelizmente, quando uma alma chegou ao fim de seu caminho espiritual e perdeu todas as chances de servir a Deus, não há como ser salva. Se perdeu tudo o que é de Deus, ela própria se perdeu.

São Paulo diz: “Morrer é uma vantagem”; isto é: a minha morte por Cristo é o meu ganho. Se quisermos, de fato, perder todas as coisas que fazem mal ao espírito e nos desviam do caminho para o Céu, podemos rezar assim:

“Senhor, livrai-me da ilusão, para que não corra em busca de felicidades que não me podem saciar. Que eu nunca vos deixe por alguém ou por qualquer valor que seja. Dai-me coragem para enfrentar tudo quanto for necessário para vos permanecer fiel. Ponho minha confiança em Vós; guardai meu coração, para que vos possa seguir carregando minha cruz. Amém.”

E encerrando a homilia daquele dia – um grande chamado e privilégio em minha vida –, eu poderia ter contado a história do homem doente que foi visitado por um sacerdote. Ao entrar no quarto do hospital, o padre viu uma cadeira ao lado da cama, como se tivesse sido colocada para ele próprio se sentar. E perguntou ao doente:

– Você estava me esperando? Até a cadeira já foi preparada para mim!

– Não, seu padre. É nesta cadeira que Jesus fica quando vem conversar comigo. É só eu chamá-lo e ele atende. Na verdade, nunca fui muito de rezar, mas desde que caí nesta cama, tenho procurado alguém que me entenda, me faça companhia e me ajude. Encontrei o médico dos médicos e posso dizer que estou em paz.

O padre ficou admirado com a fé daquele homem. Em seguida, o confessou e partiu. Na manhã seguinte, sabendo do falecimento do doente, foi ao velório e conversou com sua filha. Ela lhe disse:

– Encontraram meu pai morto, com o rosto sobre a cadeira ao lado da cama.

– Ele carregou sua cruz e morreu deitado no colo do seu melhor amigo – respondeu o padre.

E você leitor, que não esteve na Celebração que comentei, sinta-se também chamado a renunciar o pecado e seguir pelos caminhos do amor. Cristo conta com você!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.





publicado por Luso-brasileiro às 11:47
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - À ESPERA

                       

 

 

Não tenho dúvida de que Deus permite que experimentemos o Natal de Belém a cada ano. Não tenho dúvida de que o Senhor vem no Natal. É preciso, contudo, permanecer vigilante e observar os sinais. É preciso ultrapassar o barulho ensurdecedor do consumismo, entrar no coração e dele estar atento às palavras, aos indícios.

Percebo, em minha história, que Deus tece figuras geométricas, com um sentido em cada uma, e uma conclusão maior à medida que vão se juntando. Neste advento, prepara-me, o Senhor, um hexágono. O primeiro lado foi o da vigilância para perceber o Natal. E a vigilância exige renúncia. Outra parte veio, em seguida, da proposta, em artigo, de Dom Vicente Costa, de que as pessoas todas sejam vistas como presente de Natal. Essa colocação de nosso Bispo ficou girando dentro de mim. Entender o que existe de Natal nas pessoas com quem tenho dificuldade – não são muitas -, ou que tenham dificuldade comigo. Por certo, têm elas um ponto de luz da estrela que guiou os Reis Magos. Não existem pessoas sem dom algum. Se me fechar para essa claridade, pode ser a única que me indique o caminho que leva à gruta onde Maria e José acalentam o menino e nos abençoam. Um novo lado, que não me era desconhecido, mas há coisas que se entende, em profundidade, apenas no tempo de Deus, traçou-o a Palavra de Vida do Movimento dos Focolares para dezembro. Enviou-a minha amiga Lourdes Colanzi, militante da espiritualidade, que teve como fundadora, Chiara Lubich (1920 – 2008), considerada, pelo Papa Bento XVI, mulher de fé intrépida, mansa mensageira da esperança e da paz. A Palavra é: “Nada é impossível a Deus” (Lc 1, 37).  Encontramos na reflexão: “Como é que vai ser isso?” (cf Lc 1, 34). Essa pergunta de Maria, feita depois do anúncio do anjo, teve como resposta: “Nada é impossível a Deus”. Como prova disso, o anjo citou o exemplo de Isabel que, na sua velhice, tinha concebido um filho. Maria acreditou e se tornou a Mãe do Salvador. “Existe apenas um limite à onipotência de Deus, a liberdade humana, que pode se opor à vontade de Deus, tornando o ser humano impotente, ao passo que ele foi chamado a compartilhar a mesma força de Deus. (...) Para experimentar, contudo, a onipotência de Deus, é necessário que vivamos de acordo com a Sua vontade. (...) Isso não significa que toda vez obteremos aquilo que pedirmos, porque a onipotência de Deus é a de um Pai e Ele a usa tão somente para o bem de seus filhos, tenham eles consciência disso ou não” – destaca o Movimento dos Focolares. A quarta parte chegou-me em colocação do Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD, no livro “Intimidade Divina” – Edições Loyola, 2ª edição, página 51: “Está Deus, necessariamente, presente em todas as suas criaturas. Está Deus em toda a parte, mesmo nos incrédulos e nos pecadores. Mas nos fiéis que vivem na graça e caridade, faz-se Deus presente de modo particularíssimo, justamente o prometido por Jesus, é a presença da habitação”.

O quinto e sexto lados, que completam a figura geométrica, para fechar a célula formadora da colmeia, dependem da doçura que colocarei na vida daqueles – mais agradáveis ou menos - que passarem por mim pelos caminhos de dezembro.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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RENATA IACOVINO - POESIA FALADA

                       

 

 

            Lendo uma entrevista de Tavinho Paes, letrista e poeta, ele comenta sobre algo que tem sido a prática em saraus da atualidade: a poesia falada.

            Sim, poesia falada, pois muito pouco se diz, hoje em dia, nestas rodas literárias, que determinada poesia será declamada. É falada ou dita.

            A declamação caiu em desuso? Creio que não, no entanto, novas formas de manifestar a oralidade poética nasceram naturalmente. Parece-me que o valor da transmissão da mensagem está vinculado à interpretação e não à capacidade de decorar aliada à interpretação. Aquele que optar por falar o poema e não declamá-lo, poderá fazê-lo até melhor, caso se utilize do papel à sua frente. Mesmo que este papel funcione apenas como um instrumento que compõe a cena.

            O que dará vida ao texto é a respiração, entonação e pontuação do apresentador.             Se a poesia escolhida for de sua própria autoria, os ouvintes poderão se deleitar com a intenção fiel de quem a concebeu; ao contrário, se a obra selecionada é de outro escritor, provavelmente a interpretação dará um novo entendimento àquilo proposto por seu primeiro autor – sim, pois sempre que nos apossamos de algum texto para lê-lo em público, tornamo-nos de certa forma co-autores. Processo semelhante ao que se dá com uma música, em que o intérprete emprestará sua leitura àquilo que o compositor tencionou dizer.

            Os saraus nos trazem momentos lúdicos, interativos e, portanto, a naturalidade, o improviso e o imprevisto recheiam o clima que deve buscar o não engessamento do script.

            Outra modalidade que vem sendo bastante praticada nos meios culturais são os chamados recitais. A pessoa fala ou lê determinados poemas a partir de algum tema escolhido para aquele evento e é acompanhada por uma música de fundo executada ao vivo.

            O sarau e o recital nos chamam atenção para um elemento importante: a poesia lida em voz alta. É um exercício que podemos praticar mesmo não estando em público, mas conosco. Desta forma, é possível descobrir uma outra poesia que se escondia por detrás daquela que estava no papel. É, é uma outra poesia. Ao fazermos a leitura em voz alta, deparamo-nos com uma nova mensagem, aquela que só conseguimos captar quando nossos ouvidos tiveram acesso àquilo que, até então, somente nossos olhos podiam tocar.

            E as palavras, desta outra forma, nos tocam de maneira diversa, soando tal qual uma música, com seus meandros intercalados entre a melodia, a harmonia e o ritmo.

            E como poesia e música caminham – na minha cabeça – como duas linguagens irmãs, ilustro o assunto aqui escolhido com um fato curioso ocorrido em 2003, no Rio de Janeiro, quando de um encontro cultural. A filha da cantora Beth Carvalho subiu ao palco, que abrigara até aquele momento tão somente pessoas que escreviam poemas – o que não era seu caso. A moça de 17 anos iniciou sua récita com um poema longo, estruturado, produzindo um efeito desconcertante na platéia. Na seqüência, outros dois poemas de impacto. No terceiro, desconfiou-se que eram letras de sambas, pois os versos de Nelson Cavaquinho repercutiam na memória dos ouvintes, arrepiando a todos. Os anteriores, descobriu-se, eram pérolas desconhecidas, colhidas na discoteca da mãe, assinadas por Luís Carlos da Vila e Candeia, dois grandes sambistas.

            Sem pretensão alguma, ela deu à chamada “letra de música” qualidades típicas de nobres poemas, recitando os versos daqueles sambas com outra respiração, outro ritmo e outra harmonia.

            E como dizer, por exemplo, que Shakespeare, quando escreveu suas peças teatrais, não foi um poeta?

            Para os amantes da poesia, da palavra, do ritmo e das possibilidades de significado, fica então uma dica: pratiquem a leitura em voz alta e um mágico e novo universo descortinar-se-á diante de seus ouvidos.

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:33
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Cfd. ALUIZIO DA MATA - CORDIALIDADE

                       

 

 

Uma das qualidades mais necessárias que o vicentino deve ter é a cordialidade. Aliás, São Vicente já dizia que se a caridade é uma flor, a cordialidade é o seu perfume.
Não é comum desavença entre confrade ou consócias, mas diferenças de opiniões sempre vão existir. O que não pode acontecer é que quando alguém não concorde com o outro, um não fique amolado.
Aquele que for um vicentino autêntico saberá aceitar uma derrota na votação da maioria. Se o problema não for de votação, caberá ao mais caridoso saber contornar qualquer problema que possa haver.
O vicentino deve lembrar-se que somos muito observados. Os contribuintes e a sociedade de um modo geral, vêem nos vicentinos uma união, uma fraternidade que deve ser a marca de todos nós. Portanto, não fica bem que haja ressentimento entre nós.
Se acaso houver um ponto que dê motivo de mal-estar, o correto é procurar a outra parte e esclarecer tudo. Nada de comentar com ninguém. Nada de falar do outro. O vicentino deve ser aquele em que todos possam confiar, principalmente aquele que com ele pratica a verdadeira caridade na pessoa do assistido. Na Bíblia há uma passagem que diz: “Vede quanto eles se amam” se referindo ao amor existente entre os cristãos. Deverá  ser assim, também, em toda a nossa Igreja, nossos movimentos.
Como poderá alguém confiar na seriedade da SSVP, se notar que entre os vicentinos não existe união, cordialidade, amor?
Vamos multiplicar nossa caridade?
Duas pessoas não podem ser amigas muito tempo se não souberem perdoar os defeitos uma da outra.
E São Paulo escreveu aos Coríntios (2Cor-13,11):
“Enquanto isso, irmãos, sejam alegres; trabalhem para a sua perfeição, animem-se uns aos outros. Tenham o mesmo sentimento; vivam em paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês".
Louvado Seja Nosso Senhor
 
 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
EUCLIDES CAVACO - NATAL DAS CRIANÇAS
É mais um poema de Natal declamado dedicado às nossas crianças
em cuja inocência transparece  o verdadeiro sentido do Natal.
Veja  e escute o poema Natal das Crianças  aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Natal_da_Crianca/index.htm
 
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 11:51
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - FELIZ NATAL !

                       

 

 

 Mais um Natal, mais um ano que passa. Como tudo passa! Como tudo voa!

Parecia, quando era criança, que o Natal nunca mais chegava, mas com o andar do tempo e a vizinhança da velhice, os anos dão passos ligeiros, e avivam-se saudosas recordações, mormente da infância.

Em minha casa, como na maioria das famílias tradicionais portuenses, vinham para a ceia, tios, primos, irmãos…enfim toda a família.

As melhores alfaias saíam dos armários, e a melhor toalha era lançada na mesa. Entre as oito e as nove, chegavam, em agigantadas travessas de faiança, grossas postas de bacalhau, batata e muita penca da Vilariça. Não havia sopa, mas havia: arroz-doce, bolinhos de bolina, rabanadas, orelhas-de-abade, rochedos (doce de amêndoa, trasmontano), a aletria, creme queimado, bolo-rei, formigos e muita fruta cristalizada, figos, nozes, pinhões, uvas passas, e bom vinho maduro, servido em canecas que já conheceram outros natais. Natais de antepassados, que confraternizaram em noites abençoadas, que foram, mas já não são.

Sentavam-se à mesa, também, os mortos: avós e bisavós, e até amigos, que já lá estão, mas que revivem dentro de nós.

Querem muitos chamar a esta noite: festa da família; mas, para mim, só há razão de existir, se houver a presença do Menino-Jesus, o nascimento do Verbo Divino.

Mas teria Jesus nascido em Dezembro?

Claro que não. Basta ler o Evangelho de Lucas, versículo: 2,8, para constatar que Jesus nasceu, provavelmente, no fim da Primavera, pois o evangelista afirma: que os pastores estavam no campo, guardando, durante a noite, os rebanhos.

Se comemoramos a 25 de Dezembro, é porque, não conhecendo dia certo, os cristãos do século IV, escolheram essa data, porque ficava nove meses após a festa da Anunciação do Anjo, que era a 23 de Março; e não caiu a 23, porque sendo a 25, servia para substituir as comemorações do Sol, rijamente festejadas, a: Natalis Invicti Solis.

Até ao século IV não se comemorava o nascimento de Jesus. Só após esse século é que os cristãos se reuniram no templo, para orar.

E se o Natal é a festa de aniversário de Jesus, não há razão para haver Pai Natal (invenção publicitária da Coca-Cola, baseado em S. Nicolau,) e muito menos Mãe-Natal, sumariamente vestida, a rondar pornografia.

Infelizmente, o Natal, graças à publicidade e maléfica influência de formadores de opinião, que vêm fazendo lavagem cerebral à nossa juventude, transformou-se em festa quase profana, onde há de tudo, menos lembrança do nascimento de Jesus.

Para finalizar, resta-me desejar a todos, uma santa noite de Natal, repleta de bênções divinas.

Feliz Natal!

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:41
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FERNANDO PEIXOTO - O ANJO DEFICIENTE

 

 

Era uma vez um menino (a estória começa assim, e já não sei se a sonhei, se ma contaram a mim).
De qualquer forma, é tão gira que não deixo de a contar.
Escutem-na, pois, com atenção, que é uma estória de pasmar.
Era uma vez um menino irrequieto e teimoso. Muito rico, tinha tudo, mas era mau, orgulhoso. Não se dava com ninguém, julgava-se tão importante que até dos próprios colegas estava sempre distante. Nunca brincava com eles nem, ao menos, lhes falava. Virava as costas a todos e a todos desprezava, porque ele tinha tudo: comboios, carros, aviões, cd’s e computadores, barcos e foguetões; tinha brinquedos a esmo, tinha jogos aos montões, bicicletas, patins, tinha enormes camiões, tinha gruas, tinha barcos, violas e acordeões, tinha lindas espingardas e gigantescos canhões; tinha arcos, setas, pistolas, tinha índios aos milhões, tinha pianos, violinos, tinha gigantes e anões, bonecos articulados, elefantes e leões, tinha palhaços que riam e que davam trambolhões.
Tinha tudo este menino, tinha tanta, tanta coisa que não brincava com nada e, se alguma coisa fazia com os seus divertimentos, era parti-los em pedaços, em pequenos elementos, e não sentia a alegria que sentiam os colegas com os seus próprios inventos, os colegas que brincavam com carros de rolamentos, que jogavam à sameira nas bermas dos pavimentos, que sabiam transformar um pedaço de papel no mais saboroso invento: num avião, num batel ou mesmo num viravento, até mesmo um foguetão, e, de um pedaço de arame, faziam uma bicicleta, e da vara de um guarda-chuva faziam um arco e uma seta, com pedaços de madeira cheios de pregos e pó, bastava pôr-lhes um fio e era logo um trenó.
E o nosso menino rico que nada disto sabia, de cada vez que brincava tinha menos alegria. De facto, não precisava de pensar ou de inventar: aquilo que desejava tinha à mão de semear. E a criada, coitada, era a que mais aturava com as birras do Pedrinho que tanto a arreliava.
Até que um dia, em Dezembro, pouco antes do Natal, começaram a fazer um Presépio colossal. O Pedrinho, agitado, foi às gavetas buscar bonecos de porcelana coloridos, a brilhar.
Nossa Senhora era enorme e tinha um manto azulado de veludo, tão macio, e todo a oiro bordado.
S. José, o Carpinteiro, que tinha cabelo loiro, vestia um manto castanho também bordado a oiro. Os Reis Magos, imponentes, traziam cofres de metal e os camelos, gigantes, eram todos de cabedal. Os cordeiros, pequeninos, eram brancos como a cal e estavam todos cobertos por lã fina e natural.
A própria vaca, agachada, cheirava mesmo a jasmim, a preto e branco pintada e com cornos de marfim. O burrito era cinzento e tinha um pelo sedoso, e abanava o pescoço todo feliz e garboso. Lá no alto havia a estrela que inundava de luz (com uma lâmpada por trás) o bom Menino Jesus. O bom Menino Jesus, numa caminha deitado, sobre palhas feitas de oiro, num riquíssimo brocado.
Estavam todos tão contentes, que até se iam esquecendo de pôr o anjinho branco que do céu vinha descendo e, quando deram por ela, o Pedrinho, a protestar, pega no anjo com raiva e vai pô-lo no seu lugar. Fê-lo, porém, de tal forma, tão brusco e arreliado, que escorregou no soalho e caiu desamparado! E ao seu lado ficou o anjo feito em pedaços, com o corpo para um lado e para o outro... os dois braços!
Batendo com os pés no chão e teimando, renitente, o Pedrinho jogou fora o anjo deficiente.
O Papá ainda tentou, a Mamã ainda quis colar os braços do anjo mas, o Pedrinho, infeliz, teimoso, desobediente, não queria no Presépio um anjo deficiente. E o anjo foi para o lixo com os dois braços partidos. Em seu lugar, colocaram outro de lindos vestidos.
Entretanto, já na rua, um colega do Pedrinho viu, no caixote do lixo, os restos daquele anjinho.
Como era muito pobre, fez um Presépio em cartão, com bonecos desenhados por pedaços de carvão e aproveitou o anjinho, o tal dos braços quebrados, e, colando-os com carinho, pô-los de novo ligados. Meteu-o no seu Presépio e, como não tinha luz, para que o Menino o visse pô-lo ao lado de Jesus.
Chega a Noite de Natal e, em casa do Pedrinho, estava tudo tão contente! Estava tudo tão quentinho que até o próprio Pedrinho estava feliz, sorridente. Havia pinhões e figos, uvas-passas, rabanadas, avelãs, amêndoas e bolos e frutas cristalizadas, tortas, aletria e nozes, bolo-rei, perú, pão-de-ló, pastéis, creme, filhozes, champanhe e Vinho do Porto e bolinhos de bolina, arroz-doce, frutas várias e licor de tangerina... Ei!, tanta coisa, meu Deus! Que aquela gente nem sabia distinguir bem o sabor de tanta coisa que comia.
Mas, perto da meia-noite, quando o Pai-Natal chegava e o Pedrinho, ansioso, suas prendas aguardava... fez-se escuro como breu, foi-se a luz, num arrepio, e o Pedrinho ficou cheio de medo... e de frio.
Parou o aquecimento. Nem uns aos outros se viam. Foi-se a alegria dos rostos: dos rostos que já não riam. Não tinham uma lanterna, nem ao menos uma vela, e o Pedrinho, muito triste, veio chorar p’rá janela...
Foi então que, ao longe, viu uma luz muito brilhante para lá do seu jardim, sobre um casebre distante!
E, pé – ante - pé, saiu para ver o que se passava, donde vinha aquela luz que tanto o fascinava. E seguiu pela estrada fora. Andou, andou, e já cansado chegou, finalmente, ao casebre, todo ele iluminado!
Espreitou pela janela: e que viu ele, afinal?
Viu o colega da escola celebrando o seu Natal. Era aquele menino pobre que recolhera o anjinho, afagando o Deus Menino com infinito carinho, um Deus Menino em cartão a fingir que era Jesus, com o Anjo deficiente a inundá-lo de luz. E era tal a luz do Anjo, enchendo a casa de luz, que até parecia que o Anjo era o Menino Jesus!
Bateu à porta o Pedrinho, muito triste e arrependido. Veio abrir-lha o colega, muito alegre e divertido.
- Que fazes aqui, Pedrinho? Eu não contava contigo, mas dás-me grande alegria se quiseres ficar comigo.
O Pedrinho, arrependido, a chorar, sentidamente, ajoelhou-se e beijou o Anjo deficiente.
Foi então que o Deus Menino (que era feito de cartão) se ergueu, beijando o Pedrinho e dando-lhe o seu perdão.
As coisas simples, amiguinhos, têm sempre mais valor se as rodearmos de carinhos e de muito, muito amor.

 

 
FERNANDO PEIXOTO -Escritor, Professor do Ensino Superior, Vila Nova de Gaia, Portugal

 



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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - OS CEM ANOS DE IRMÃ MARIA EUSTELA

                       

 

 

A comemoração dos cem anos de Irmã Maria Eustela Caiuby será com Missa festiva, presidida pelo Padre José Brombal, no Santuário Diocesano de Adoração ao Santíssimo – Igreja do Rosário e São Benedito da Praça da Bandeira – no próximo dia 12 de dezembro, domingo, às 9h00.

Cem anos, um século, merecem reflexão. Ou se vive o tempo com vida curta, no excesso estéril da indiferença e do narcisismo, ou se vive de maneira extensa, na força das virtudes com semeadura. E vida curta ou extensa não depende dos anos pelos quais se passou, mas pela escolhas feitas no suceder dos dias. Cem anos com as opções da Irmã Maria Eustela impedem que se mergulhe no vazio proposto por uma sociedade que deprecia a Eternidade e perdeu a consciência de que somos filhas e filhos de Deus e passageiras e passageiros de caminho breve.

Irmã Maria Eustela entrou na Congregação das Servas do Santíssimo Sacramento em 09 de janeiro de 1933 e fez seus primeiros votos em 24 de novembro de 1935. São 75 anos de entrega à presença de Jesus Cristo na Eucaristia, que a fez de adoração, prece, serviço, alegria, prudência e silêncio. O serviço exerceu na portaria, na sacristia, na ornamentação da capela, nos bordados, no canto, no harmônio. Compositora, também glorificou a Deus com seus versos, dentre eles nos hinos do 1º. Congresso Eucarístico de Juiz de Fora e dos adoradores da Fraternidade Eucarística. Escreveu peças teatrais para as festas nos convento. Das letras, do canto, das artes, foi superiora na casa de São Paulo, de Taubaté, de Sant’Amigo e Palestrina, na Itália, e Chalonnes sur Loire na França. Exerceu, ainda, o cargo de Superiora Provincial no Brasil e Conselheira Geral na Casa Generalícia em Roma. Sempre como serva à disposição do Senhor, pronta ao “lava-pés” e a “desaparecer” para que seu Amado crescesse.

Atualmente, no Santuário Diocesano de Adoração ao Santíssimo, entra com passos curtos, de pegadas santas, e seus olhos, voltados para o altar, permanecem em adoração a Deus. Não se impacienta, não pede repouso. Fica, ali, no silêncio pleno de Jesus Cristo e, pelo sorriso meigo, ela e Ele trocam confidências bonitas, que transcendem o espaço e o tempo. Torna mais do Pai os filhos dEle que, às vezes, apressadamente vêm para rezar.

Ao vê-la, nos seus cem anos, sem murmuração ou tédio, recordo-me de uma poesia de Mário Quintana intitulada “Poema”: “Oh! Aquele menininho que dizia/ ‘Fessora, eu posso ficar lá fora?’/ Mas apenas ficava um momento/ Bebendo o vento azul.../ Agora não preciso pedir licença a ninguém./ Mesmo porque não existe paisagem lá fora:/ Somente cimento./ O vento não mais fareja a face como um cão amigo.../ Mas o azul irreversível persiste em meus olhos”.

 O Céu não muda nos olhos da Irmã Maria Eustela e, pelo olhar, anuncia o único Caminho, a Verdade e  a Vida que dão sentido à existência humana.

Bem-aventurados os que, como Irmã Maria Eustela, indicam Belém com Natal e Jerusalém, com a Páscoa.

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Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O PRÓSPERO

                     

 

 

            Não posso deixar de achar curioso o fato de que, sempre que podemos, desejamos àqueles que queremos bem, entre outras coisas, muita prosperidade. Aliás, é o que ficamos desejando para nós também. Queremos ser prósperos, porque a prosperidade significa sucesso, fartura, metas alcançadas.

            A prosperidade, que, por sinal, continuo desejando aos outros e esperando que não se esqueça de mim, também costuma vir acompanhada de um delicado efeito colateral, não raras vezes. Pessoas prósperas comem mais e, por conseqüência, tão estão sujeitas a engordar mais.

            Quando a pessoa é muito, muito próspera, a coisa é diferente, porque se pode dedicar muitas horas do dia para se perder o que se “conquistou” ao redor da cintura ou nos quadris. Conforme o caso, ainda se pode fazer uso da tecnologia, de ponta, de meio e das bordas em geral...

            A prosperidade mais ordinária, contudo, é uma coisa estranha. A pessoa ganha um pouco melhor e já sai fazendo compras. Compra bons vinhos, bons queijos, sai para comer com os amigos, quase sempre regado a bebidas ou sobremesas calóricas. A vida do próspero médio é, em parte, uma conquista gastronômica. Ser new próspero também significa poder sair durante a semana para jantar ou almoçar com os amigos sem perguntar se o lugar é barato ou se tal item está ou não incluso.

            Assim, depois de toda essa farra, o próspero começa a sentir que suas calças não acompanharam a expansão, digamos, da sua alma. O próspero percebe que, ao se sentar, o botão da calça muitas vezes de afunda quase irremediavelmente em seu umbigo, puxando, por outro lado, o que deveria ficar reservado para as pernas. O remédio é usar roupas mais largas. Mas próspero que se preze não vai ficar por aí andando como se estivesse vestindo roupas de “ficar em casa”. O negócio é reformular o guarda-roupa. Como próspero, não dá para comprar roupas nos magazines da vida. É necessário algo digno de homens e mulheres em expansão...

            Depois da primeira leva de roupas prósperas, o próspero nota que algo está errado. Pessoas prósperas precisam também ter uma atitude saudável diante da vida. Nada de sedentarismo. O próspero, aquele próspero iniciante, matricula-se em uma academia e começa o calvário de retornar à forma que tinha no tempo das vacas magras. Nas brechas entre o trabalho, que não pode se dar o luxo de largar ou negligenciar, o “prosperozinho” vai suando a camisa. Já precisa recusar alguns convites dos amigos, até porque uma hora de suor e lágrimas mal compensam uma fatia de pizza... Além do mais, pagar academia e as parcelas das roupas e acessórios já causam um certo rombo orçamentário.

            Meses depois, o próspero, já estressado, retoma suas formas originais e, usando suas muito largas roupas de próspero, consulta um médico para ver a quantas anda sua saúde, já que não anda comendo muito bem.

            O doutor, depois de uma olhada geral, comenta que o paciente, o próspero, precisa sair um pouco, se alimentar melhor, trabalhar um pouco menos, isso se não quiser enfartar a qualquer hora. De quebra ainda manda: _ Dinheiro não é tudo na vida não!

            O próspero paga a conta e compra a pilha de remédios sugerida. Lá se vão três zeros. Resolve nem ir para academia. Taciturno, vai para casa e, no caminho, encontra um amigo que, vendo seu estado, convida-o para um café. É fim de ano, resolvem comer uma bela duma pizza! Riem, descontraem e, na hora de ir embora, o amigo, sem pestanejar, deseja:

            _ Que em 2011 a prosperidade bata em sua porta...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - LIÇÕES PARA COMEMORAR O NATAL

 

                         

 

 

Um professor se encontrou com um grupo de jovens que falavam contra o casamento. Os rapazes argumentavam que o que mantém um casal junto é a atração física e, quando isso se esfria, é preferível acabar com a relação. O mestre disse que respeitava aquela opinião, mas lhes contou o seguinte:

“Meus pais viveram 55 anos casados. Uma manhã, mamãe sofreu um infarto. Meu pai a levou à caminhonete e dirigiu a toda velocidade até o hospital. Quando chegou, infelizmente ela já havia falecido.

Durante o enterro, meu pai não falou e, somente à noite, ele pediu que o levássemos ao cemitério. Não discutimos e fomos. Pedimos permissão ao zelador e, com uma lanterna, encontramos a lápide. Meu pai chorou e disse aos filhos:

– Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é compartilhar a vida com uma mulher assim. Vivemos a alegria de ver nossos filhos terminarem suas carreiras, rezamos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, nos abraçamos em cada Natal e perdoamos nossos erros. Estou conformado porque ela se foi antes de mim, porque não teve que sentir a dor de me enterrar.  Sou eu que ficarei sozinho e agradeço a Deus por isso.

Quando terminou, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e, acreditem, era ele que nos consolava! Então, naquela noite, entendi o que significa um verdadeiro amor e o que professam duas pessoas realmente comprometidas com a salvação de suas almas.”

Assim que o mestre terminou, os jovens universitários não quiseram argumentar. Esse tipo de relação era algo que não conheciam e os deixou maravilhados.

E para não me limitar somente a um caso fictício, vou relatar partes da vida de uma verdadeira cristã. Para ela, Natal não acontecia apenas em dezembro, mas o ano inteiro! Leitor, vamos nos inspirar em Maria Antonieta Consoli para comemorarmos com alegria o nascimento do Menino Jesus?

Para Maria, as celebrações preferidas eram o Natal, o Sete de Setembro e o Dia das Mães. Nasceu em Pouso Alegre no ano de 1910 e, ao chegar a Itajubá, lecionou no Grupo Escolar Theodomiro Santiago. Depois, foi nomeada para a Escola de Horticultura, hoje Escola Estadual Wenceslau Braz. 

Sua dedicação ao ensino chamava a atenção dos diretores e colegas de trabalho. Tinha respeito pelo Pavilhão Nacional e orgulhava-se de nunca ter deixado de cantar o Hino Nacional antes das aulas. Seus alunos ainda recordam o carinho e a atenção que eram dispensados a cada um, pois não faltava uma pequena lembrança ou alguma guloseima para os mais carentes. Também jamais levantou a voz com algum deles.

Ao aposentar-se, dedicou-se mais aos filhos, netos, trabalhos filantrópicos e religiosos – foi Ministra da Eucaristia. Mesmo com mais de 80 anos, levava a Sagrada Comunhão aos doentes e pessoas incapacitadas de irem à igreja. Seu sorriso era cativante, suas amigas eram como verdadeiras irmãs.

Em novembro de 2004, Antonio Claret, seu filho, veio a Itajubá para se despedir, pois estava de partida para a França – iria participar do casamento do filho Luciano. Maria, então, lhe pediu que fizesse chegar às mãos do Papa um lindo cachecol que ela havia feito com esmero. Mesmo sabendo da provável impossibilidade de realizar a tarefa, Antonio pegou o cachecol e prometeu à mãe que o seu pedido seria realizado.

Após o casamento, Antonio e os vários parentes viajaram para Roma, entregaram o cachecol e uma carta a um dos secretários de João Paulo II. A carta foi escrita em italiano por Maria, referindo-se à sua descendência e dados pessoais.

Em janeiro de 2005, ela recebeu uma resposta em português de Sua Santidade, agradecendo o cachecol e enviando uma benção especial para toda a família. Maria considerou ser este o maior presente que recebeu na vida.

Ela faleceu no dia 1º de julho de 2005, aos 95 anos de idade, perfeitamente lúcida. Hoje, todos aqueles que cruzaram os caminhos de Maria Consoli recordam-se dos momentos agradáveis ao seu lado: declamando poesias, rezando em latim ou francês, e cantando nostálgicas canções italianas. O abraço amigo, as palavras de coragem, de fé, de amor e de carinho foram os alguns frutos deixados por Maria aqui na Terra.

Eu me orgulho de ser amigo de seu filho, Antonio, hoje Presidente do CODPHAI em Itajubá. Pessoa de bem, amoroso com a família e com os amigos, também é referência de inspiração para comemorarmos o Natal com alegria.

E por falar em alegria contagiante, sábado, dia 11, começam os shows no Campus da UNIFEI. O Ballet Bolshoi mostrará porque é considerado um dos maiores espetáculos do país e, durante a semana, ainda tem: encontro de corais (mais de 500 crianças), Jair Rodrigues, Adriana Calcanhoto (infantil) e Banda Sinfônica. As luzes, presépios e mesas natalinas também esperam por você.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 14:49
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - TODAS AS PESSOAS, INDISTINTAMENTE, SÃO TITULARES DOS DIREITOS HUMANOS

  

                      

 

 

          Efetivamente, apesar de inexistir uma unanimidade conceitual, entende-se por Direitos Humanos, “aqueles direitos inerentes à pessoa humana, que visam   resguardar a sua integridade física e psicológica perante seus semelhantes e perante o Estado em geral, de forma a limitar os poderes das autoridades,garantindo assim, o bem-estar através da igualdade, fraternidade e da proibição de qualquer espécie de discriminação” (Júlio Marino de Carvalho, “Os direitos humanos no Tempo e no Espaço”-  1ª. ed. Brasília Jurídica, 1998,             p. 47).

 

A importância dos Direitos Humanos é expressa por nossa Constituição Federal. Ela dispõe que o regime político-jurídico brasileiro consagrado é o Estado Democrático de Direito, sendo a dignidade da pessoa humana, a cidadania, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político e a soberania, seus principais fundamentos. Na mesma trilha, estabelece objetivos fundamentais: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Por outro lado, ainda pela Carta Magna, a nação deve se relacionar com os demais países, orientando-se pelos princípios da independência nacional; do respeito pelos direitos humanos, da autodeterminação dos povos; da não-intervenção; da igualdade entre os Estados; da defesa da paz; da solução pacífica dos conflitos; do repúdio ao terrorismo e ao racismo; da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade e da concessão de asilo político.

            Dessa forma, a Lei Maior de nosso país reproduziu alguns dos principais preceitos da Teoria Geral dos Direitos Humanos, mesmo porque o Brasil é um dos signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, cuja proclamação foi uma resposta da humanidade à traumática experiência dos totalitarismos que macularam a primeira metade do século passado. Ela é constituída de trinta artigos que garantem a todos os indivíduos, independentemente de raça, credo e cor, as suas liberdades fundamentais como ser humano. Representa a eterna aspiração da humanidade para uma vida com dignidade para todos.

É por isso que nesta data também se comemora o DIA DOS DIREITOS HUMANOS, de grande relevância, já que todos os indivíduos, indistintamente são titulares desses direitos. Adriana A. Loche aponta tal circunstância: [...] são titulares dos direitos humanos todas as pessoas. Vale dizer, basta ter a condição de “humano” para se poder invocar a proteção desses direitos. Independem, por conseguinte, de circunstâncias de sexo, raça, credo religioso, afinidade política, status social, econômico ou cultural. Todas as pessoas do planeta, pela simples condição de terem nascido com vida, têm igual titularidade sobre esses direitos. (“Sociologia Jurídica” - Porto Alegre: Síntese, 1999. p.88).

Eles nascem com a própria humanidade, encontram-se presentes na história do ser humano e sofrem evolução de acordo com cada época. Atualmente, constata-se a existência, também nas Constituições de vários países, de instrumentos para garanti-los ou protegê-los. Representam o atendimento de todas as necessidades do ser humano para que possam alcançar uma vida digna. Assim, o seu alcance é muito grande, não se restringindo apenas a bandidos quando agredidos, como equivocadamente alguns elementos da mídia costumam proclamar. Nesta trilha, compreendem: direitos individuais fundamentais (relativos à liberdade, à igualdade, à propriedade, à segurança e à vida); os direitos sociais (relativos à educação, ao trabalho, ao lazer, à seguridade social, entre outros); os direitos econômicos (relativos ao pleno emprego, meio ambiente e consumidor); e os direitos políticos (relativos às formas de realização da soberania popular).

Decorridos sessenta e dois anos da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda afloram contradições e disparidades, mas tal desrespeito, no entanto, não significa que ela tenha fracassado. O seu conteúdo se tornou um paradigma ético, que mobilizando o sentimento de vergonha moral, tem sido responsável por processos de transformação e de civilização de muitos governos. No entanto, novos desafios são cotidianamente observados na convivência entre os homens em todo o mundo. Citemos Márcio Barbosa:- “Se, por um lado, progressos consideráveis foram obtidos em campos como combate ao racismo, condenação dos regimes ditatoriais e promoção da igualdade de gênero, por outro lado, novos desafios passaram a ser percebidos como violações dos direitos humanos e, conseqüentemente, passíveis de condenação no âmbito da declaração universal. São os casos da violência e da discriminação a qualquer título e das novas formas e terrorismo. Isso sem falar no desafio de questões antigas, ainda longe de serem resolvidas, como a luta contra o tráfico de pessoas e a tortura” (Folha de São Paulo- A-3- 10/12/2008).  

Conclui-se assim que os direitos humanos são concebidos exatamente para e em função do ser humano. Este por sua vez, pressupõe-se, é criado por amor e à felicidade, tendo, em conseqüência, direito às condições necessárias para lograr seu desenvolvimento. O bem comum se identifica como a associação de circunstâncias que permitem aos indivíduos alcançarem a perfeição. Para que eles prevaleçam, precisamos, com atos e ações, resgatar os princípios de solidariedade e de fraternidade para reduzirmos as diferenças entre as pessoas, eliminarmos a violência e buscarmos uma convivência harmoniosa em comunidade. Invoquemos aqui Paulo Sérgio Pinheiro: - “Somente com a consolidação de uma cultura de direitos humanos as violações poderão cessar. Se muitas iniciativas normativas caberão ao governo, uma infinidade de ações será de responsabilidade da sociedade civil” (Folha de São Paulo - 10/12/96 – cad. 1 – pág. 3).

 

 

            JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 14:30
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EUCLIDES CAVACO - NATAL DA AMIZADE
Olá prezados amigos de todo o mundo
 
NATAL DA AMIZADE
é o meu primeiro poema de Natal deste ano com que vos saúdo
e antecipo desejos dum Natal repleto de sonhos realizados para todos vós.
Veja e ouça Natal da Amizade aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Natal_da_Amizade/index.htm
 
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


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