PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
FILIPE AQUINO - QUEM NÃO TEVE "NAMORADINHA" QUE JÀ FEZ ABORTO?

                      

 

 

O governador do Rio de Janeiro fez esta pergunta lamentável e chocante em um evento em SP, e criticou o uso do tema na campanha política para Presidente; e afirmou que a legislação – que considera o aborto crime -  é "falsa" e "hipócrita". (Folha de SP – 15/12/10).

É preciso responder esta sua infeliz pergunta. Gostaria de responder ao Governador, em meu nome – e creio, em nome de muitos – que jamais tive “uma namoradinha que fez aborto”. Jamais eu teria a coragem de usar uma moça;  e, pior ainda, depois fazê-la abortar. A formação que recebi de meus pais, de meus professores, e pela voz de Deus que fala na minha consciência, jamais eu teria a coragem de tal ato hediondo e pecaminoso.

 O namoro não é um tempo de brincadeira, de vivência sexual vazia e irresponsável, onde se pode gerar uma criança e depois matá-la ainda no ventre da mãe. Por isso são lamentáveis as palavras do sr. governador. E não se pode justificar este crime hediondo com  a desculpa de um jovem ainda imaturo que tem o “direito” de brincar no namoro e  com a vida dos outros.

A pergunta do sr. governador nos leva a entender que ele deseja que o aborto seja descriminalizado para que os jovens imaturos possam continuar matando o fruto de um namoro sem compromisso, irresponsável? Será que há meninas que possam ser usadas como “namoradinhas” de uso e abuso? Quem aceitaria isso para sua filha ou irmã? Ora, é preciso ter mais respeito a tantas meninas e moças que se tornam vítimas nas mãos de rapazes desumanos. Quantas tiveram mesmo que abortar? E quantas estão sozinhas criando seus filhinhos porque tiveram a coragem e a dignidade de respeitar a vida do seu filho?

Quando o Papa João Paulo II esteve no Brasil a última vez, em 1997, fez uma pregação para os jovens no Maracanã, quando disse, entre muitas coisas que: “Por causa do chamado “amor livre” há no Brasil milhares de filhos órfãos de pais vivos”. E muitos nem mesmo tem o “direito de nascer”. Que uma criança seja órfã porque o pai morreu, paciência, mas deixá-la órfã com o pai vivo, sem o seu carinho e proteção, é uma covardia.

O namoro é o tempo sagrado onde dois jovens se encontram para começar a construir um casamento e uma futura família; é um tempo de conhecimento recíproco, respeito e amor. Mas não o amor erótico, mas o amor de Deus. Jesus mandou que nos amássemos, mas “como Ele nos amou”. E Ele nos amou pregado numa cruz. Isso é amor; uma decisão de fazer o outro feliz, e não de usar e abusar do seu corpo e depois matar o fruto desse “amor livre”. A grande crise dos casamentos e das famílias é a crise do amor. Amar não é gostar egoisticamente de alguém.

O Sr. governador do Rio de Janeiro afirma que manter a lei da criminalização do aborto é hipocrisia. Eu gostaria de perguntar-lhe o que é, então, matar uma criança inocente e indefesa no ventre da mãe?

O Instituto de Pesquisa “Vox Populi” acabou de publicar uma pesquisa,  encomendada pelo Portal iG,  divulgada  em 5/12/2010, onde mostra que  82% dos brasileiros são contra a legalização do aborto, 87% contra a liberação das drogas e 60% contra as uniões civis de homossexuais. Para 72% das pessoas, “o futuro governo da presidente Dilma Rousseff não deveria sequer propor alguma lei que descriminalize o aborto” – a posição é compartilhada por católicos (73%), evangélicos (75%) e membros de outras religiões (69%).

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=279234

Portanto, a posição do sr. governador contrasta radicalmente contra o que deseja o povo brasileiro. Como pode um governante se opor tão paradoxalmente à vontade popular, se ele foi eleito para representar esse povo? Por outro lado, a pergunta do governador mostra um descaso tão grande à vida do ser humano ainda não nascido, e um desrespeito tão grande ao namoro, que faz doer o coração. Será que não há lições melhores a serem dadas aos nossos jovens? Será que algumas autoridades não deveriam pensar melhor naquilo que dizem?

 

FILIPE AQUINO   -   Escritor católico.Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:44
link do post | comentar | favorito

JOÃO ALVES DAS NEVES - MUSEU DA IMPRENSA REGIONAL E DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA


A História da Comunicação que leccionei durante cerca de 25 anos na Faculdade de Comunicação Social “Cásper Líbero” – pioneira do ensino jornalístico no Brasil - foi a que mais me interessou, entre outras cadeiras. Trata-se de um tema ligado de perto ao jornalismo profissional que exerci por mais de meio século: exige conhecimento e interpretação.

Das aulas práticas, passei à busca e selecção dos jornais e revistas que apresentei nas 16 mostras no Brasil (12), Portugal (2), (França, na UNESCO, em Paris) e em Macau. E, como pesquisador, publiquei 2 livros: História breve da Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo (Lisboa, 1989) e A Imprensa de Macau e as Imprensas de Língua Portuguesa no Oriente (Macau, 1999). A informação sobra, mas nunca dirigi nenhum museu.

Entre os vários colóquios que coordenei, recordo o de 2000, em Lisboa, onde pudemos recolher as valiosas colaborações de Monsenhor A. Nunes Pereira (“Do Jornal ao Livro”), de Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra - “Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense”), de Aníbal Pacheco (“Imprensa Regional – um factor de Cultura”), de Lina Maria G. Alves Madeira (“Do “Jornal da Mulher” às mulheres do Jornal de Arganil”), de Teodoro Antunes Mendes (“A minha homenagem à A Comarca de Arganil”) de J. E. Mendes Ferrão (“A Comarca de Arganil, o mensageiro das “novas”e o fermento da saudade), António Lopes Machado (Nos meus 41 anos de redactor de A Comarca de Arganil em Lisboa), carta da escritora Beatriz Alcântara (de Fortaleza, Brasil), jornalista Cáceres Monteiro (A Imprensa Regional é mais lida do que a nacional”, Fernando Correia da Silva (“À Comarca, abraço de universalidade”), e Conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira-Serra. A reunião terminou com uma alocução de Jorge Moreira da Costa Pereira, sócio-gerente do jornal ” A Comarca de Arganil”

O I Colóquio abriu com a nossa intervenção, “Subsídios para o Inventário da Imprensa da Beira-Serra”, na condição de Director da Revista cultural Arganilia assinalando-se que voltámos a abordar o assunto na mesma publicação, em ensaio de 16 páginas, “Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (edição nº. 20, ano 2006). Além de artigos esparsos de diversos autores sobre o tema, há que destacar o lançamento volume do Centenário de A Comarca de Arganil, que foi coordenado pela investigadora e escritora Regina Anacleto, Professora de História de Artes da Universidade de Coimbra.

As informações constantes do nosso texto seriam suficientes para justificar a instalação e as possíveis actividades do Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa, não só porque Arganil faz jús a esta necessária instituição cultural, mas também porque tem condições de estabelecer os laços com o Mundo da Língua Portuguesa - devem somar dezenas de milhares os emigrantes que nasceram na Beira-Serra e vivem nos cinco Continentes. Impõe-se, aliás, o motivo ponderável que temos no Rio de Janeiro o grande acervo jornalístico e literário do Real Gabinete Português de Leitura, do Liceu Literário Português e de outras associações culturais luso-brasileiras de alto nível, assim como em São Paulo se projectam as extraordinárias obras da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, o renovado Clube Português (que volta a sobressair no cenário da Terra Bandeirante) e a Casa de Portugal, a-par de outras meritórias agremiações luso-paulistas. E o mesmo poderá afirmar-se das entidades lusas em acção na Bahia, em Pernambuco, Fortaleza, Manaus, Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Curitiba, Porto Alegre e em mais cidades deste fantástico País-Continente que é o Brasil, criado pelos portugueses e desenvolvido com os emigrantes que vieram de todo o Mundo!

 

JOÃO ALVES DAS NEVES é escritor português e vive no Brasil. Já publicou mais de três dezenas de livros, os últimos dos quais foram Dicionário de Autores da Beira-Serra (2008), Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo (2009) e Livro dos 90 anos do Clube Português (2010).


 



publicado por Luso-brasileiro às 14:08
link do post | comentar | favorito

Cfd. ALUIZIO DA MATA - APROVEITAR OU NÃO A EXPERIÊNCIA DE OUTROS?

                       

 

 

Tivemos há pouco tempo a eleição para Presidente da República e cabe aqui uma analogia com a SSVP.   No caso do Brasil, queira  ou não, a candidata eleita  demonstrará boa intenção e inteligência se aproveitar as experiências de seus antecessores, sejam eles de que partido for.  A maioria dos ex-ocupantes de algum cargo terá sempre alguma coisa positiva para ser aproveitada pelo novo mandatário. Não mostrará bom senso quem assim não fizer.

Passemos então para a SSVP.

Imaginemos um presidente eleito em qualquer das Unidades Vicentinas. Nem sempre todos os projetos do ocupante anterior puderam ser completados. Cabe ao novo presidente analisar o estágio do projeto e completá-lo, mesmo porque ele já participava do mesmo projeto anteriormente.

Aí entra a humildade do confrade ou da consócia. Aliás, seria uma atitude de grande desprendimento, que se pedisse ao ex-presidente que coordenasse  a finalização do projeto inacabado. Ele seria o porta-voz do presidente recém-empossado, com o qual manteria  constante diálogo sobre o assunto. Ao ex-presidente, também, caberia a humildade de cooperar sem se sentir menosprezado por estar agora na posição de ajudante.

Mas suponhamos que não haja  nenhum projeto inacabado. Mesmo assim, seria de grande sabedoria aproveitar a experiência dos ex-presidentes para ajudar na administração da Unidade.

Conheci dois casos antagônicos quando houve troca de dirigentes.

No primeiro caso, uma pessoa foi substituída no cargo que ocupava, mas continuou a trabalhar como uma preciosa auxiliar,  com o mesmo afinco  como quando era a principal  agente do projeto. E a SSVP saiu ganhando com sua atitude.

 O segundo caso aconteceu tempos atrás. O presidente eleito ignorou, sistematicamente, todo o trabalho da administração anterior, causando prejuízos espirituais e materiais para a SSVP.

A humildade ou falta dela ficou patente nos casos relatados.

Os novos presidentes eleitos devem se despir de possíveis ciúmes  e vaidades e aproveitar quem queira continuar ajudando, pois ninguém quer ser  "um Vicentino oferecido sem ser querido!", como diz um amigo meu. Já os ex-ocupantes de cargos devem se cobrir com o manto da humildade e não recusar de ajudar quem deles precisar. E entre todos os confrades e consócias,  mesmo que haja diferença de opiniões,  o tratamento deverá  ser de caridade. A Sociedade de São Vicente de Paulo sempre sairá ganhando com tais atitudes  sem contar, ainda, com os créditos que cada um terá no Céu.  

 

 ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 14:03
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
ASSIM NASCEU O PRESÉPIO...

 

<br/><a href=

 

 

Estando Francisco recolhido a ler o Evangelho de Lucas, ao concluir os versículos, onde se descreve o nascimento do Salvador, lembrou-se de construir o presépio, numa lapinha da cidade de Greecio.

Pedida a autorização ao Papa Honório III, falou a Giovanni Vallita, abastado agricultor, para emprestar-lhe: burrinho meigo e boi manso, e buscou feno pelos campos de Greecio.

Com ternura, colocou a imagem do Menino, em fofo feno, amanhando em berço; e ladeou-O com as venerandas figuras da Virgem e José.

Montada, em tamanho natural a manjedoura, e colocado o altar, celebrou-se a Missa do Galo, de 1223, presidida pelo Cardial Ugolino, Conde de Sugni.

Foi pregador, nessa noite de Natal, Francisco, e para edificação dos presentes, todos observaram, ao seu colo, enquanto o santo proferia a homilia, linda criancinha, envolta em luz.

Era o Menino-Jesus, que veio participar à festa de Seu aniversário.

Dois anos depois, dessa abençoada noite de Natal, falecia Francisco.

 

 HUMBERTO PINHO DA SILVA  -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:00
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
O ALMOÇO DE NATAL DA FREGUESIA DE SANTA MARINHA, VILA NOVA DE GAIA

                    

 

 

               Quis o Presidente e os membros da Junta de Freguesia de Santa Marinha, realizar almoço de convívio na quadra natalícia.

 

               A ideia não é original, mas é feliz. Original foi o modo cortês como o Sr. Joaquim Leite, actual Presidente, recebeu os convidados. Homem simples, teve para todos, uma palavra amável; uma atenção carinhosa com os idosos; um cuidado peculiar com os doentes e avançados em idade.

 

               A simplicidade, a generosidade de coração, o trato afectuoso como recebe os que dele se abeiram, tornou-o num dos políticos gaienses mais populares e estimado de Vila Nova de Gaia. 

 

      Foi no passado sabado, 18 do corrente, pelas treze horas,no Pavilhão Municipal do Sporting Clube de Coimbrões, que se realizou   o almoço de Natal da freguesia de Santa Marinha, que reuniu largas centenas de idosos.

 

      Presentes, entre outros, o Dr. Marco António Costa, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, o Sr. César de Oliveira, Presidente da Assembleia Municipal, a Dr.ª D. Amélia Traça, vereadora, e representantes da Igreja, associações desportivas, recreativas e culturais da freguesia.

 

                        Durante o repasto, o Presidente da Junta da Freguesia, o Sr. Joaquim Leite, proferiu brevíssimas e simples palavras que muito sensibilizaram, porque facilmente se adivinhava que vinham do coração de homem que se dedicou à freguesia, colocando-se inteiramente ao serviço da população, principalmente os mais pobres e carenciados.

 

               Ao concluir, houve interessante programa de variedades.

 

 

               Parece-me oportuno publicar, aqui, breve biografia do actual Presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha: 

 

               Oriundo de modesta família de Celorico de Basto, Joaquim Leite nasceu a 18 de Março de 1945.

  

               Órfão de pai, aos oito anos, frequentou a Escola Primária de Pereira, S. Clemente.

 

 

               Aos doze, veio para a cidade do Porto, trabalhar num talho do Bom Sucesso. Seguiram -se outros modestos empregos, terminando a vida profissional na firma “ Alfredo Caetano”.

 

 

         Sempre que podia alugava bicicletas para passeio ou participar em disputas com outros ciclistas.

  

         Aos dezassete anos iniciou a carreira de atleta no S. C. de Coimbrões, integrando-se mais tarde na equipa de ciclismo do F. C. do Porto.

 

         Foi nesse importante clube da cidade do Porto, que se tornou famoso, ficando conhecido como um dos melhores atletas do ciclismo português.

 

                 Havia ainda de passar pelo S. L. Benfica, antes de ser importante empresário.

 

                 Apesar da fulgurante carreira desportiva e sucesso como empresário, Joaquim Leite, continua a ser o mesmo homem simples, preocupado com o bem estar de todos e em particular dos mais necessitados.

 

                 Por certo a razão disso, é que não esquece - como infelizmente acontece com muitos que subiram na vida a pulso, - as origens humildes e as dificuldades que enfrentou para alcançar o sucesso no desporto e na vida empresarial.

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:51
link do post | comentar | favorito

Sábado, 18 de Dezembro de 2010
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - NATAL. Façamos mais festa ao Menino Jesus que ao Papai Noel !

 

                            

 

  

            A tradição cristã, no decorrer dos séculos, experimentou uma mística natalina que envolve as pessoas, sobretudo num clima de poesias e ternura,singeleza e encanto, expressões simbólicas que procuram traduzir a admiração humana diante do mistério que faz o amor infinito se revelar na carne da História. Meditemos mais nessa circunstância e deixemos de lado nossas exclusivas preocupações com manifestações meramente festivas ou consumistas.

               

                O brasileiro tem o hábito de levar vantagem em tudo, colocando tal situação como premissa maior na convivência com terceiros. Assim, a vida se transformou numa competição, onde os interesses de alguns prevalecem sobre os dos outros, num círculo vicioso sem fim, no qual as normas vigentes são as de “salve-se quem puder” e “cada um por si e Deus por todos”. Essas circunstâncias demonstram o exagerado egoísmo que  prevalece hoje no relacionamento humano.

            Além desse individualismo, paira uma manifesta alienação até certo ponto imposta por elites dominantes que pretendem se perpetuar no poder. Ele gera um comodismo sem precedentes, capaz de colocar o conformismo acima de quaisquer reivindicações ao próprio cumprimento de direitos básicos e essenciais à dignidade humana. E assim, aceitam-se mansa e pacificamente as mais diversas transgressões nos mais variados setores, sem nenhuma reação.

            Essa passividade incentiva a corrupção, a malversação do dinheiro público e a construção de uma cultura desvinculada de princípios, cujo preceito maior é o de tirar proveito de tudo e de todos, ainda que a maior parcela da população, para tanto, sofra inúmeros e graves prejuízos sociais. E o desinteresse vai se difundindo de tal forma, que a relação entre os indivíduos de maneira geral, tornou-se apática, fria e distante.

Mais um Natal vem chegando e tal momento se constitui numa ótima oportunidade para revertermos estas situações. Acima das muitas festas que o circunda, ele nos convida a abrir o coração para contemplar novamente o mistério da vida que renasce, para transformar este mundo tão carente e sofrido. Em nenhuma outra época do ano, o ar fica tão carregado de expectativa e uma atmosfera alegre e feérica toma conta da vida cotidiana, cultivando nas pessoas sentimentos muitas vezes adormecidos, como o amor ao próximo e a fraternidade.

Todo esse clima de reflexão e comemoração, que vem crescendo à medida que o dia 25 de dezembro se aproxima, carrega consigo uma rica simbologia que felizmente resiste ao tempo e às indiferenças de milhares de pessoas, ultrapassando fronteiras geográficas e culturais. Símbolos que freqüentam tanto as vitrines iluminadas dos grandes magazines como a sala de visita de quase todas as casas, nos lugares mais distantes do planeta. E a despeito do inegável apelo comercial que cresce a cada ano, o período natalino continua a despertar gestos de amor e de solidariedade, e a pregar a reconciliação entre os homens.

Por isso, devemos tratar o Natal como um evento espiritual, fazendo mais festa ao Menino Jesus do que ao Papai Noel. Procurar tê-lo  como um instante de profunda reflexão pessoal e de ajuda para que cada um decifre o mistério da existência e a  finitude da vida,  já que poucas vezes lembramos que não somos eternos. Dentro deste quadro, procuremos pelas cores do afeto, da amizade, da tolerância, do Direito e do respeito indistinto a todos.  Busquemos uma Nação justa, embasada na distribuição equitativa de rendas, na igualdade de oportunidades, na educação avançada e no atendimento aos direitos fundamentais dos cidadãos. Tudo isso é possível, basta querermos e a melhor oportunidade para iniciar a consolidação desses anseios é o período natalino.

 

                                   Registro

 

No último dia 07 de dezembro, aconteceu no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, a sessão solene de lançamento da Coletânea 2010 da Academia Jundiaiense de Letras. Além da natural expectativa dos textos constantes da obra, de autoria dos seus integrantes, o evento ganhou um brilho especial com as apresentações de Silvia Loverso (piano) e de Fábio Cury (fagote, modelo superior). De acordo com o presidente da entidade, Luiz Haroldo Soutello Gomes, optou-se pela linguagem musical para dinamizar a festa. E efetivamente, os dois excelentes músicos proporcionaram momentos de alto nível e de grande excelência. Também aproveitamos para cumprimentar Anna Geromel pelo excelente trabalho junto à secretaria da Academia: empenho, dedicação e muita simpatia.

 

                        Homenagem a Mariazinha Congílio

 

            Por iniciativa da vereadora Ana Tonelli, a escola municipal de educação básica (creche) do Conjunto Habitacional "João Mezzalira Júnior" (Jardim Novo Horizonte) passou a se chamar "EMEB Profª. MARIA APARECIDA SILVA CONGÍLIO", pelo projeto de lei n.° 10.641/2010, aprovado em sessão ordinária da Câmara Municipal de Jundiaí, realizada em 28 de setembro deste ano. Trata-se de uma merecida homenagem a uma mulher que permanentemente elevou o nome de nossa cidade, além de ter se consagrado como professora, jornalista e escritora. Formou-se ainda em Direito na primeira turma da Faculdade Padre Anchieta. Reverenciando a sua carismática figura, vale lembrar que criou em São Paulo a “Pensão Jundiaí”, reunindo consagrados nomes das artes e ciências em geral, que permanece atuante até hoje, graças ao empenho e dedicação de suas filhas Silvana e Selma. Parabenizamos a vereadora pela feliz iniciativa, que reconhece o grande valor da homenageada.

 

                                               Feliz Natal!

 

                Dentre os cartões e mensagens de Natal recebidas, destaco a de meu amigo, advogado Osiris D`Angieri: “Prezado Martinelli. A cidade virou metrópole. As noites que coloriam com pincéis humanos os verões da Paulicéia foram substituídas pelo progresso dos edifícios e da especulação imobiliária insensata e cruel. Que pena! Só nos resta pedir ao Papai Noel do Magalhães, que embora esteja aposentado, interceda ao Criador para que nos conceda “Habeas Corpus” das prisões dos shoppings e condomínios e nos livre da superficialidade a que fomos condenados. Feliz Natal e Ano Novo!”.

                           

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e membro da Academia Jundiaiense de Letras e Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 18:04
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
TEREZA DE MELLO - VÉSPERA DE NATAL

                  

 

 

Um frio de enregelar vinte e três anos, em cima da bicicleta, deixava a aldeia, seguia para o campo, um cesto atrás com a ceia para a tia Guilhermina.

 A tia Guilhermina, velhinha de oitenta e muitos anos, vivia sozinha numa barraca perto do rio. Quase não se podia entrar, a porta da rua e única, mal se começava a abrir batia logo na cama de ferro, sempre por fazer. As forças já começavam a faltar à tia Guilhermina e ninguém a ajudava. Ao lado ficava uma mesa com um fogão, panelas, pratos, copos e talhares. Era tudo o que tinha, ali, naquele ermo, sem família, sem mais ninguém, segundo dizia, sós os pássaros, os coelhos e as lebres lhe faziam companhia mas ela não era propriamente a branca de neve. Curvada pelo peso dos anos e do reumatismo sobrevivia sem grandes queixumes, resignada mesmo. Se tivera passado, tinha-o esquecido, nunca falava nele e apenas dizia que não tinha ninguém Ela não insistia, não queria ser indiscreta e imaginava uma vida tormentosa cheia de faltas de todo o género e compadecia-se ainda mais.

Pensando na tia Guilhermina pedalava mais forte, o cesto quase se desequilibrava, o vento batia-lhe forte na cara, gelado, puxava para cima a gola de raposa da samarra, mas atenta à curva que se aproximava. As luzes da aldeia tinham ficado para trás. A escuridão era profunda quando finalmente chegou, saltou da bicicleta e começou a andar pelo meio dos campos. Se fosse Verão haveria pelo menos grilos a cantar. Assim, além da escuridão era o silêncio que também a assustava. O silêncio e os cães que ladravam, mas felizmente ao longe. Foi andando com cuidado, não fosse cair, ou torcer um pé, a lanterna acesa, com aquele medo miudinho de se sentir sozinha naquele ermo, mas a tia Guilhermina também vivia sozinha, dizia para si mesma a animar-se. Que corajosa era, pensava a seguir. Ela não seria capaz. E lá continuava a andar, pois a barraca ainda ficava longe.

Foi há muitos anos, agora seria impensável.

Quando finalmente chegou e bateu à porta e chamou, mas apenas lhe respondeu o mesmo silêncio. Quase a prever desgraças, empurrou a porta devagarinho, entrou. Nada. Ninguém. A sua aflição aumentava, onde se teria metido a tia Guilhermina ? Teria caído. Coitadinha. Tornou a sair, a lanterna mal iluminava a terra e começou a procurar e a chamar. O silêncio sempre como única resposta. Acabou por deixar o campo, voltar para a estrada, para a bicicleta, caminho da aldeia.

Foi quando tornou a ver gente e perguntou pela tia Guilhermina. Que estava a cear em casa da filha, disseram-lhe e indicaram-lhe o caminho. Filha ? estranhou, pois se sempre lhe dissera que não tinha família.

Foi, o cesto pesava, o frio parecia que aumentava, puxou as meias de lã, e de novo a gola da samarra, tocou à campainha.

---- Quem é ? ouviu perguntar uma voz ordinária e logo uma mulher com um bonito vestido e saltos altos, colar de pérolas ao pescoço, bem penteada, que quase poderia parecer uma senhora se não fosse a voz, lhe entreabriu a porta e antipática, continuou: ---Que quer a estas horas ? Não incomode. Não a posso atender.—disse.

Até ela chegava a música da telefonia, objecto raro e de luxo ao tempo. Discretamente espreitou para dentro da casa e pareceu-lhe ver na sala de jantar uma mesa comprida com toda a espécie de petiscos e aguarias.

Olhou para o seu cesto de palha, recheado, para a samarra, as meias de lã. Olhou para si mesma, deu meia volta e voltou para casa acabar de enfeitar o presépio. O cão e os gatos esperavam por ela. Acendeu a lareira, sentou-se a olhar as chamas e à espera do marido que tinha ficado a fazer serão no escritório.

Era a véspera de Natal…

 

TEREZA DE MELLO  - Escritora, Lisboa



publicado por Luso-brasileiro às 14:27
link do post | comentar | favorito

PAULO ROBERTO LABEGALINI - CRISTO CONTA COM VOCÊ

                      

 

 

Presidindo a Celebração da Palavra na condição de Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística – primeira sexta do mês, Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração –, coube a mim refletir neste trecho do Evangelho de São Mateus (16,24-28):

“Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino’.”

Iniciei dizendo que este texto encontra-se nos três Evangelhos sinóticos: Lucas, Marcos e Mateus. Isto já mostra a importância da mensagem – forte e convincente. As palavras de Jesus são claras: “De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida?”. A vida é o maior bem que temos e não a podemos pôr a perder para ganhar bens menores.

O que Jesus nos oferece é a vida plena, a realização de nossos anseios de felicidade. E diz que Ele mesmo é essa vida, nossa possibilidade de salvação. Temos de deixar tudo quanto for necessário para não perder essa oportunidade única de vida eterna.

Então, achei por bem refletir melhor naquilo que entendo em ‘deixar tudo’. Como seres humanos, que precisarmos trabalhar, nos divertir, viver em família e tantas outras coisas mais, deixar tudo significa ter tempo para as obras de Deus. A santidade deve ser buscada passo a passo, gradativamente ao longo da vida, e não num único dia. Se vivermos sem pecados mortais no coração já é um grande começo.

Amar como Jesus amou não é fácil, mas podemos aumentar a caridade que recebemos no Batismo rezando um pouco mais, participando dos Sacramentos, trabalhando em favor dos mais necessitados, praticando a justiça e falando a verdade. Nada disso é difícil e o resultado é maravilhoso! Seremos mais amados, mais respeitados e marcaremos nossa existência por algo que valeu a pena: a comunhão de vida com Deus e com o próximo.

Portanto, no tema ‘o seguimento de Jesus’, o objetivo é a ‘vida’. Renunciar a si mesmo e perder sua vida pode ser compreendido também no desprezo do sucesso pessoal, do enriquecimento e do consumismo. Este tipo de renúncia é uma libertação para assumir o compromisso de transformação deste mundo. Não carregaremos a cruz como condenados, mas suportando dignamente o peso da violência contra quem busca vida plena para todos.

Imaginemos que resolvêssemos o contrário: apegarmo-nos às coisas materiais, cada vez mais, perdendo a vida eterna. Teríamos como voltar atrás após a morte? Quanto custaria ter nossa vida de volta? Infelizmente, quando uma alma chegou ao fim de seu caminho espiritual e perdeu todas as chances de servir a Deus, não há como ser salva. Se perdeu tudo o que é de Deus, ela própria se perdeu.

São Paulo diz: “Morrer é uma vantagem”; isto é: a minha morte por Cristo é o meu ganho. Se quisermos, de fato, perder todas as coisas que fazem mal ao espírito e nos desviam do caminho para o Céu, podemos rezar assim:

“Senhor, livrai-me da ilusão, para que não corra em busca de felicidades que não me podem saciar. Que eu nunca vos deixe por alguém ou por qualquer valor que seja. Dai-me coragem para enfrentar tudo quanto for necessário para vos permanecer fiel. Ponho minha confiança em Vós; guardai meu coração, para que vos possa seguir carregando minha cruz. Amém.”

E encerrando a homilia daquele dia – um grande chamado e privilégio em minha vida –, eu poderia ter contado a história do homem doente que foi visitado por um sacerdote. Ao entrar no quarto do hospital, o padre viu uma cadeira ao lado da cama, como se tivesse sido colocada para ele próprio se sentar. E perguntou ao doente:

– Você estava me esperando? Até a cadeira já foi preparada para mim!

– Não, seu padre. É nesta cadeira que Jesus fica quando vem conversar comigo. É só eu chamá-lo e ele atende. Na verdade, nunca fui muito de rezar, mas desde que caí nesta cama, tenho procurado alguém que me entenda, me faça companhia e me ajude. Encontrei o médico dos médicos e posso dizer que estou em paz.

O padre ficou admirado com a fé daquele homem. Em seguida, o confessou e partiu. Na manhã seguinte, sabendo do falecimento do doente, foi ao velório e conversou com sua filha. Ela lhe disse:

– Encontraram meu pai morto, com o rosto sobre a cadeira ao lado da cama.

– Ele carregou sua cruz e morreu deitado no colo do seu melhor amigo – respondeu o padre.

E você leitor, que não esteve na Celebração que comentei, sinta-se também chamado a renunciar o pecado e seguir pelos caminhos do amor. Cristo conta com você!

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.





publicado por Luso-brasileiro às 11:47
link do post | comentar | favorito

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - À ESPERA

                       

 

 

Não tenho dúvida de que Deus permite que experimentemos o Natal de Belém a cada ano. Não tenho dúvida de que o Senhor vem no Natal. É preciso, contudo, permanecer vigilante e observar os sinais. É preciso ultrapassar o barulho ensurdecedor do consumismo, entrar no coração e dele estar atento às palavras, aos indícios.

Percebo, em minha história, que Deus tece figuras geométricas, com um sentido em cada uma, e uma conclusão maior à medida que vão se juntando. Neste advento, prepara-me, o Senhor, um hexágono. O primeiro lado foi o da vigilância para perceber o Natal. E a vigilância exige renúncia. Outra parte veio, em seguida, da proposta, em artigo, de Dom Vicente Costa, de que as pessoas todas sejam vistas como presente de Natal. Essa colocação de nosso Bispo ficou girando dentro de mim. Entender o que existe de Natal nas pessoas com quem tenho dificuldade – não são muitas -, ou que tenham dificuldade comigo. Por certo, têm elas um ponto de luz da estrela que guiou os Reis Magos. Não existem pessoas sem dom algum. Se me fechar para essa claridade, pode ser a única que me indique o caminho que leva à gruta onde Maria e José acalentam o menino e nos abençoam. Um novo lado, que não me era desconhecido, mas há coisas que se entende, em profundidade, apenas no tempo de Deus, traçou-o a Palavra de Vida do Movimento dos Focolares para dezembro. Enviou-a minha amiga Lourdes Colanzi, militante da espiritualidade, que teve como fundadora, Chiara Lubich (1920 – 2008), considerada, pelo Papa Bento XVI, mulher de fé intrépida, mansa mensageira da esperança e da paz. A Palavra é: “Nada é impossível a Deus” (Lc 1, 37).  Encontramos na reflexão: “Como é que vai ser isso?” (cf Lc 1, 34). Essa pergunta de Maria, feita depois do anúncio do anjo, teve como resposta: “Nada é impossível a Deus”. Como prova disso, o anjo citou o exemplo de Isabel que, na sua velhice, tinha concebido um filho. Maria acreditou e se tornou a Mãe do Salvador. “Existe apenas um limite à onipotência de Deus, a liberdade humana, que pode se opor à vontade de Deus, tornando o ser humano impotente, ao passo que ele foi chamado a compartilhar a mesma força de Deus. (...) Para experimentar, contudo, a onipotência de Deus, é necessário que vivamos de acordo com a Sua vontade. (...) Isso não significa que toda vez obteremos aquilo que pedirmos, porque a onipotência de Deus é a de um Pai e Ele a usa tão somente para o bem de seus filhos, tenham eles consciência disso ou não” – destaca o Movimento dos Focolares. A quarta parte chegou-me em colocação do Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD, no livro “Intimidade Divina” – Edições Loyola, 2ª edição, página 51: “Está Deus, necessariamente, presente em todas as suas criaturas. Está Deus em toda a parte, mesmo nos incrédulos e nos pecadores. Mas nos fiéis que vivem na graça e caridade, faz-se Deus presente de modo particularíssimo, justamente o prometido por Jesus, é a presença da habitação”.

O quinto e sexto lados, que completam a figura geométrica, para fechar a célula formadora da colmeia, dependem da doçura que colocarei na vida daqueles – mais agradáveis ou menos - que passarem por mim pelos caminhos de dezembro.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
link do post | comentar | favorito

RENATA IACOVINO - POESIA FALADA

                       

 

 

            Lendo uma entrevista de Tavinho Paes, letrista e poeta, ele comenta sobre algo que tem sido a prática em saraus da atualidade: a poesia falada.

            Sim, poesia falada, pois muito pouco se diz, hoje em dia, nestas rodas literárias, que determinada poesia será declamada. É falada ou dita.

            A declamação caiu em desuso? Creio que não, no entanto, novas formas de manifestar a oralidade poética nasceram naturalmente. Parece-me que o valor da transmissão da mensagem está vinculado à interpretação e não à capacidade de decorar aliada à interpretação. Aquele que optar por falar o poema e não declamá-lo, poderá fazê-lo até melhor, caso se utilize do papel à sua frente. Mesmo que este papel funcione apenas como um instrumento que compõe a cena.

            O que dará vida ao texto é a respiração, entonação e pontuação do apresentador.             Se a poesia escolhida for de sua própria autoria, os ouvintes poderão se deleitar com a intenção fiel de quem a concebeu; ao contrário, se a obra selecionada é de outro escritor, provavelmente a interpretação dará um novo entendimento àquilo proposto por seu primeiro autor – sim, pois sempre que nos apossamos de algum texto para lê-lo em público, tornamo-nos de certa forma co-autores. Processo semelhante ao que se dá com uma música, em que o intérprete emprestará sua leitura àquilo que o compositor tencionou dizer.

            Os saraus nos trazem momentos lúdicos, interativos e, portanto, a naturalidade, o improviso e o imprevisto recheiam o clima que deve buscar o não engessamento do script.

            Outra modalidade que vem sendo bastante praticada nos meios culturais são os chamados recitais. A pessoa fala ou lê determinados poemas a partir de algum tema escolhido para aquele evento e é acompanhada por uma música de fundo executada ao vivo.

            O sarau e o recital nos chamam atenção para um elemento importante: a poesia lida em voz alta. É um exercício que podemos praticar mesmo não estando em público, mas conosco. Desta forma, é possível descobrir uma outra poesia que se escondia por detrás daquela que estava no papel. É, é uma outra poesia. Ao fazermos a leitura em voz alta, deparamo-nos com uma nova mensagem, aquela que só conseguimos captar quando nossos ouvidos tiveram acesso àquilo que, até então, somente nossos olhos podiam tocar.

            E as palavras, desta outra forma, nos tocam de maneira diversa, soando tal qual uma música, com seus meandros intercalados entre a melodia, a harmonia e o ritmo.

            E como poesia e música caminham – na minha cabeça – como duas linguagens irmãs, ilustro o assunto aqui escolhido com um fato curioso ocorrido em 2003, no Rio de Janeiro, quando de um encontro cultural. A filha da cantora Beth Carvalho subiu ao palco, que abrigara até aquele momento tão somente pessoas que escreviam poemas – o que não era seu caso. A moça de 17 anos iniciou sua récita com um poema longo, estruturado, produzindo um efeito desconcertante na platéia. Na seqüência, outros dois poemas de impacto. No terceiro, desconfiou-se que eram letras de sambas, pois os versos de Nelson Cavaquinho repercutiam na memória dos ouvintes, arrepiando a todos. Os anteriores, descobriu-se, eram pérolas desconhecidas, colhidas na discoteca da mãe, assinadas por Luís Carlos da Vila e Candeia, dois grandes sambistas.

            Sem pretensão alguma, ela deu à chamada “letra de música” qualidades típicas de nobres poemas, recitando os versos daqueles sambas com outra respiração, outro ritmo e outra harmonia.

            E como dizer, por exemplo, que Shakespeare, quando escreveu suas peças teatrais, não foi um poeta?

            Para os amantes da poesia, da palavra, do ritmo e das possibilidades de significado, fica então uma dica: pratiquem a leitura em voz alta e um mágico e novo universo descortinar-se-á diante de seus ouvidos.

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:33
link do post | comentar | favorito

Cfd. ALUIZIO DA MATA - CORDIALIDADE

                       

 

 

Uma das qualidades mais necessárias que o vicentino deve ter é a cordialidade. Aliás, São Vicente já dizia que se a caridade é uma flor, a cordialidade é o seu perfume.
Não é comum desavença entre confrade ou consócias, mas diferenças de opiniões sempre vão existir. O que não pode acontecer é que quando alguém não concorde com o outro, um não fique amolado.
Aquele que for um vicentino autêntico saberá aceitar uma derrota na votação da maioria. Se o problema não for de votação, caberá ao mais caridoso saber contornar qualquer problema que possa haver.
O vicentino deve lembrar-se que somos muito observados. Os contribuintes e a sociedade de um modo geral, vêem nos vicentinos uma união, uma fraternidade que deve ser a marca de todos nós. Portanto, não fica bem que haja ressentimento entre nós.
Se acaso houver um ponto que dê motivo de mal-estar, o correto é procurar a outra parte e esclarecer tudo. Nada de comentar com ninguém. Nada de falar do outro. O vicentino deve ser aquele em que todos possam confiar, principalmente aquele que com ele pratica a verdadeira caridade na pessoa do assistido. Na Bíblia há uma passagem que diz: “Vede quanto eles se amam” se referindo ao amor existente entre os cristãos. Deverá  ser assim, também, em toda a nossa Igreja, nossos movimentos.
Como poderá alguém confiar na seriedade da SSVP, se notar que entre os vicentinos não existe união, cordialidade, amor?
Vamos multiplicar nossa caridade?
Duas pessoas não podem ser amigas muito tempo se não souberem perdoar os defeitos uma da outra.
E São Paulo escreveu aos Coríntios (2Cor-13,11):
“Enquanto isso, irmãos, sejam alegres; trabalhem para a sua perfeição, animem-se uns aos outros. Tenham o mesmo sentimento; vivam em paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês".
Louvado Seja Nosso Senhor
 
 

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links