PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O PRÓSPERO

                     

 

 

            Não posso deixar de achar curioso o fato de que, sempre que podemos, desejamos àqueles que queremos bem, entre outras coisas, muita prosperidade. Aliás, é o que ficamos desejando para nós também. Queremos ser prósperos, porque a prosperidade significa sucesso, fartura, metas alcançadas.

            A prosperidade, que, por sinal, continuo desejando aos outros e esperando que não se esqueça de mim, também costuma vir acompanhada de um delicado efeito colateral, não raras vezes. Pessoas prósperas comem mais e, por conseqüência, tão estão sujeitas a engordar mais.

            Quando a pessoa é muito, muito próspera, a coisa é diferente, porque se pode dedicar muitas horas do dia para se perder o que se “conquistou” ao redor da cintura ou nos quadris. Conforme o caso, ainda se pode fazer uso da tecnologia, de ponta, de meio e das bordas em geral...

            A prosperidade mais ordinária, contudo, é uma coisa estranha. A pessoa ganha um pouco melhor e já sai fazendo compras. Compra bons vinhos, bons queijos, sai para comer com os amigos, quase sempre regado a bebidas ou sobremesas calóricas. A vida do próspero médio é, em parte, uma conquista gastronômica. Ser new próspero também significa poder sair durante a semana para jantar ou almoçar com os amigos sem perguntar se o lugar é barato ou se tal item está ou não incluso.

            Assim, depois de toda essa farra, o próspero começa a sentir que suas calças não acompanharam a expansão, digamos, da sua alma. O próspero percebe que, ao se sentar, o botão da calça muitas vezes de afunda quase irremediavelmente em seu umbigo, puxando, por outro lado, o que deveria ficar reservado para as pernas. O remédio é usar roupas mais largas. Mas próspero que se preze não vai ficar por aí andando como se estivesse vestindo roupas de “ficar em casa”. O negócio é reformular o guarda-roupa. Como próspero, não dá para comprar roupas nos magazines da vida. É necessário algo digno de homens e mulheres em expansão...

            Depois da primeira leva de roupas prósperas, o próspero nota que algo está errado. Pessoas prósperas precisam também ter uma atitude saudável diante da vida. Nada de sedentarismo. O próspero, aquele próspero iniciante, matricula-se em uma academia e começa o calvário de retornar à forma que tinha no tempo das vacas magras. Nas brechas entre o trabalho, que não pode se dar o luxo de largar ou negligenciar, o “prosperozinho” vai suando a camisa. Já precisa recusar alguns convites dos amigos, até porque uma hora de suor e lágrimas mal compensam uma fatia de pizza... Além do mais, pagar academia e as parcelas das roupas e acessórios já causam um certo rombo orçamentário.

            Meses depois, o próspero, já estressado, retoma suas formas originais e, usando suas muito largas roupas de próspero, consulta um médico para ver a quantas anda sua saúde, já que não anda comendo muito bem.

            O doutor, depois de uma olhada geral, comenta que o paciente, o próspero, precisa sair um pouco, se alimentar melhor, trabalhar um pouco menos, isso se não quiser enfartar a qualquer hora. De quebra ainda manda: _ Dinheiro não é tudo na vida não!

            O próspero paga a conta e compra a pilha de remédios sugerida. Lá se vão três zeros. Resolve nem ir para academia. Taciturno, vai para casa e, no caminho, encontra um amigo que, vendo seu estado, convida-o para um café. É fim de ano, resolvem comer uma bela duma pizza! Riem, descontraem e, na hora de ir embora, o amigo, sem pestanejar, deseja:

            _ Que em 2011 a prosperidade bata em sua porta...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - LIÇÕES PARA COMEMORAR O NATAL

 

                         

 

 

Um professor se encontrou com um grupo de jovens que falavam contra o casamento. Os rapazes argumentavam que o que mantém um casal junto é a atração física e, quando isso se esfria, é preferível acabar com a relação. O mestre disse que respeitava aquela opinião, mas lhes contou o seguinte:

“Meus pais viveram 55 anos casados. Uma manhã, mamãe sofreu um infarto. Meu pai a levou à caminhonete e dirigiu a toda velocidade até o hospital. Quando chegou, infelizmente ela já havia falecido.

Durante o enterro, meu pai não falou e, somente à noite, ele pediu que o levássemos ao cemitério. Não discutimos e fomos. Pedimos permissão ao zelador e, com uma lanterna, encontramos a lápide. Meu pai chorou e disse aos filhos:

– Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é compartilhar a vida com uma mulher assim. Vivemos a alegria de ver nossos filhos terminarem suas carreiras, rezamos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, nos abraçamos em cada Natal e perdoamos nossos erros. Estou conformado porque ela se foi antes de mim, porque não teve que sentir a dor de me enterrar.  Sou eu que ficarei sozinho e agradeço a Deus por isso.

Quando terminou, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e, acreditem, era ele que nos consolava! Então, naquela noite, entendi o que significa um verdadeiro amor e o que professam duas pessoas realmente comprometidas com a salvação de suas almas.”

Assim que o mestre terminou, os jovens universitários não quiseram argumentar. Esse tipo de relação era algo que não conheciam e os deixou maravilhados.

E para não me limitar somente a um caso fictício, vou relatar partes da vida de uma verdadeira cristã. Para ela, Natal não acontecia apenas em dezembro, mas o ano inteiro! Leitor, vamos nos inspirar em Maria Antonieta Consoli para comemorarmos com alegria o nascimento do Menino Jesus?

Para Maria, as celebrações preferidas eram o Natal, o Sete de Setembro e o Dia das Mães. Nasceu em Pouso Alegre no ano de 1910 e, ao chegar a Itajubá, lecionou no Grupo Escolar Theodomiro Santiago. Depois, foi nomeada para a Escola de Horticultura, hoje Escola Estadual Wenceslau Braz. 

Sua dedicação ao ensino chamava a atenção dos diretores e colegas de trabalho. Tinha respeito pelo Pavilhão Nacional e orgulhava-se de nunca ter deixado de cantar o Hino Nacional antes das aulas. Seus alunos ainda recordam o carinho e a atenção que eram dispensados a cada um, pois não faltava uma pequena lembrança ou alguma guloseima para os mais carentes. Também jamais levantou a voz com algum deles.

Ao aposentar-se, dedicou-se mais aos filhos, netos, trabalhos filantrópicos e religiosos – foi Ministra da Eucaristia. Mesmo com mais de 80 anos, levava a Sagrada Comunhão aos doentes e pessoas incapacitadas de irem à igreja. Seu sorriso era cativante, suas amigas eram como verdadeiras irmãs.

Em novembro de 2004, Antonio Claret, seu filho, veio a Itajubá para se despedir, pois estava de partida para a França – iria participar do casamento do filho Luciano. Maria, então, lhe pediu que fizesse chegar às mãos do Papa um lindo cachecol que ela havia feito com esmero. Mesmo sabendo da provável impossibilidade de realizar a tarefa, Antonio pegou o cachecol e prometeu à mãe que o seu pedido seria realizado.

Após o casamento, Antonio e os vários parentes viajaram para Roma, entregaram o cachecol e uma carta a um dos secretários de João Paulo II. A carta foi escrita em italiano por Maria, referindo-se à sua descendência e dados pessoais.

Em janeiro de 2005, ela recebeu uma resposta em português de Sua Santidade, agradecendo o cachecol e enviando uma benção especial para toda a família. Maria considerou ser este o maior presente que recebeu na vida.

Ela faleceu no dia 1º de julho de 2005, aos 95 anos de idade, perfeitamente lúcida. Hoje, todos aqueles que cruzaram os caminhos de Maria Consoli recordam-se dos momentos agradáveis ao seu lado: declamando poesias, rezando em latim ou francês, e cantando nostálgicas canções italianas. O abraço amigo, as palavras de coragem, de fé, de amor e de carinho foram os alguns frutos deixados por Maria aqui na Terra.

Eu me orgulho de ser amigo de seu filho, Antonio, hoje Presidente do CODPHAI em Itajubá. Pessoa de bem, amoroso com a família e com os amigos, também é referência de inspiração para comemorarmos o Natal com alegria.

E por falar em alegria contagiante, sábado, dia 11, começam os shows no Campus da UNIFEI. O Ballet Bolshoi mostrará porque é considerado um dos maiores espetáculos do país e, durante a semana, ainda tem: encontro de corais (mais de 500 crianças), Jair Rodrigues, Adriana Calcanhoto (infantil) e Banda Sinfônica. As luzes, presépios e mesas natalinas também esperam por você.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 14:49
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - TODAS AS PESSOAS, INDISTINTAMENTE, SÃO TITULARES DOS DIREITOS HUMANOS

  

                      

 

 

          Efetivamente, apesar de inexistir uma unanimidade conceitual, entende-se por Direitos Humanos, “aqueles direitos inerentes à pessoa humana, que visam   resguardar a sua integridade física e psicológica perante seus semelhantes e perante o Estado em geral, de forma a limitar os poderes das autoridades,garantindo assim, o bem-estar através da igualdade, fraternidade e da proibição de qualquer espécie de discriminação” (Júlio Marino de Carvalho, “Os direitos humanos no Tempo e no Espaço”-  1ª. ed. Brasília Jurídica, 1998,             p. 47).

 

A importância dos Direitos Humanos é expressa por nossa Constituição Federal. Ela dispõe que o regime político-jurídico brasileiro consagrado é o Estado Democrático de Direito, sendo a dignidade da pessoa humana, a cidadania, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político e a soberania, seus principais fundamentos. Na mesma trilha, estabelece objetivos fundamentais: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Por outro lado, ainda pela Carta Magna, a nação deve se relacionar com os demais países, orientando-se pelos princípios da independência nacional; do respeito pelos direitos humanos, da autodeterminação dos povos; da não-intervenção; da igualdade entre os Estados; da defesa da paz; da solução pacífica dos conflitos; do repúdio ao terrorismo e ao racismo; da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade e da concessão de asilo político.

            Dessa forma, a Lei Maior de nosso país reproduziu alguns dos principais preceitos da Teoria Geral dos Direitos Humanos, mesmo porque o Brasil é um dos signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, cuja proclamação foi uma resposta da humanidade à traumática experiência dos totalitarismos que macularam a primeira metade do século passado. Ela é constituída de trinta artigos que garantem a todos os indivíduos, independentemente de raça, credo e cor, as suas liberdades fundamentais como ser humano. Representa a eterna aspiração da humanidade para uma vida com dignidade para todos.

É por isso que nesta data também se comemora o DIA DOS DIREITOS HUMANOS, de grande relevância, já que todos os indivíduos, indistintamente são titulares desses direitos. Adriana A. Loche aponta tal circunstância: [...] são titulares dos direitos humanos todas as pessoas. Vale dizer, basta ter a condição de “humano” para se poder invocar a proteção desses direitos. Independem, por conseguinte, de circunstâncias de sexo, raça, credo religioso, afinidade política, status social, econômico ou cultural. Todas as pessoas do planeta, pela simples condição de terem nascido com vida, têm igual titularidade sobre esses direitos. (“Sociologia Jurídica” - Porto Alegre: Síntese, 1999. p.88).

Eles nascem com a própria humanidade, encontram-se presentes na história do ser humano e sofrem evolução de acordo com cada época. Atualmente, constata-se a existência, também nas Constituições de vários países, de instrumentos para garanti-los ou protegê-los. Representam o atendimento de todas as necessidades do ser humano para que possam alcançar uma vida digna. Assim, o seu alcance é muito grande, não se restringindo apenas a bandidos quando agredidos, como equivocadamente alguns elementos da mídia costumam proclamar. Nesta trilha, compreendem: direitos individuais fundamentais (relativos à liberdade, à igualdade, à propriedade, à segurança e à vida); os direitos sociais (relativos à educação, ao trabalho, ao lazer, à seguridade social, entre outros); os direitos econômicos (relativos ao pleno emprego, meio ambiente e consumidor); e os direitos políticos (relativos às formas de realização da soberania popular).

Decorridos sessenta e dois anos da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda afloram contradições e disparidades, mas tal desrespeito, no entanto, não significa que ela tenha fracassado. O seu conteúdo se tornou um paradigma ético, que mobilizando o sentimento de vergonha moral, tem sido responsável por processos de transformação e de civilização de muitos governos. No entanto, novos desafios são cotidianamente observados na convivência entre os homens em todo o mundo. Citemos Márcio Barbosa:- “Se, por um lado, progressos consideráveis foram obtidos em campos como combate ao racismo, condenação dos regimes ditatoriais e promoção da igualdade de gênero, por outro lado, novos desafios passaram a ser percebidos como violações dos direitos humanos e, conseqüentemente, passíveis de condenação no âmbito da declaração universal. São os casos da violência e da discriminação a qualquer título e das novas formas e terrorismo. Isso sem falar no desafio de questões antigas, ainda longe de serem resolvidas, como a luta contra o tráfico de pessoas e a tortura” (Folha de São Paulo- A-3- 10/12/2008).  

Conclui-se assim que os direitos humanos são concebidos exatamente para e em função do ser humano. Este por sua vez, pressupõe-se, é criado por amor e à felicidade, tendo, em conseqüência, direito às condições necessárias para lograr seu desenvolvimento. O bem comum se identifica como a associação de circunstâncias que permitem aos indivíduos alcançarem a perfeição. Para que eles prevaleçam, precisamos, com atos e ações, resgatar os princípios de solidariedade e de fraternidade para reduzirmos as diferenças entre as pessoas, eliminarmos a violência e buscarmos uma convivência harmoniosa em comunidade. Invoquemos aqui Paulo Sérgio Pinheiro: - “Somente com a consolidação de uma cultura de direitos humanos as violações poderão cessar. Se muitas iniciativas normativas caberão ao governo, uma infinidade de ações será de responsabilidade da sociedade civil” (Folha de São Paulo - 10/12/96 – cad. 1 – pág. 3).

 

 

            JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 14:30
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EUCLIDES CAVACO - NATAL DA AMIZADE
Olá prezados amigos de todo o mundo
 
NATAL DA AMIZADE
é o meu primeiro poema de Natal deste ano com que vos saúdo
e antecipo desejos dum Natal repleto de sonhos realizados para todos vós.
Veja e ouça Natal da Amizade aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Natal_da_Amizade/index.htm
 
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Cfd. ALUÍZIO DA MATA - OMISSÃO OU FALTA DE CRIATIVIDADE?

 

                                

 

 

Tempos atrás, em Uberlândia, escritas no lado externo das paredes dos edifícios, vi algumas mensagens de cunho espiritual ou chamando atenção para trabalhos e objetivos, certamente colocadas estrategicamente ali por instituições filantrópicas ou por seitas. Elas cobrem todo o lado externo de alguns edifícios e podem ser lidas de longe, tal o tamanho das letras.

Está errado fazer tal divulgação? Não. Elas estão divulgando o que acham que todos devem saber.

Entretanto, não vi nenhuma mensagem católica, seja da Igreja, seja dos seus movimentos. E nem da SSVP.

O católico está acomodado ou não tem criatividade, ou o que é pior: se omite por não querer se expor.

Será que não existe nenhum católico assumido que possua um edifício? Será que não podemos adquirir um espaço e lá deixar nossa mensagem de fé e esperança?

E o que dizer de jornais e revistas? Nossos jornais, com raras exceções, não têm colunas católicas, ao contrário de outras religiões ou seitas, que diariamente ou semanalmente lá comparecem.

As maiores revistas semanais são todas direcionadas, ostensivamente ou não, para pensamentos espiritualistas, onde a Igreja Católica é muitas vezes mencionada de maneira pejorativa. Dão grandes destaque a erros e falhas humanas do clero, mas não se preocupam em divulgar o que de bom é feito  por ela, através dos seus membros.

Para exemplificar, criticam o Papa, os bispos ou os padres por tomarem posições que para eles são retrógradas (como condenar o aborto, a pena de morte, o sexo sem compromisso, etc.)

Acham que para ser moderno o homem tem de evoluir para o que achamos não ser o melhor.

E o que dizer das televisões? O caso é tão sério que merece ser analisado. Veja o caso das novelas. Para citar apenas as de uma grande emissora. As novelas são todas de cunho espiritualista, com apelos convidativos até demais. Nas que não o são em sua totalidade, em muitos capítulos as chamadas acontecem com o se fossem verdades comprovadas. Lembro-me que até em uma, digamos, de cunho católico ( A padroeira, se não me engano) as chamadas espíritas aconteceram. Nos seriados em TV paga ou aberta é a mesma coisa.  Até no cinema a tendência é a mesma. Raríssimos filmes são totalmente católicos.

Será que não temos escritores, excetuando-se alguns padres, para escrever livros e mais livros sobre a nossa religião? Será que não temos autores, diretores, atores e atrizes que não sejam católicos?

Por falar em divulgação, você já viu alguma reportagem em jornal, revista, rádio ou televisão que abordasse o trabalho dos vicentinos? Não estou falando em divulgação feita por nós, mas o reconhecimento de uma entidade voltada sempre para ajudar os necessitados.

A coisa é tão séria que conversando com um amigo que já publicou alguns livros católicos eu perguntei se ele já colocara seus escritos em consignação em livrarias da nossa religião e ele me respondeu: “Já, mas me decepcionei, pois nem expostos nas vitrines o livro foi”.

É ou não é para desanimar, ou tomar uma  posição mais agressiva, no bom sentido? 

 

  

ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil 



  



publicado por Luso-brasileiro às 12:27
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Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - JESUS DE NAZARÉ, REI DOS JUDEUS

No alto da Cruz no Calvário estava uma  inscrição: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus” (Jo 19,19) Nos arquivos dos povos, nos arcanos das gentes, nos registros das nações, não se depara frase mais bela. Percorram-se as formosas expressões hieroglíficas. Perquiram-se  os famosos ditos em caracteres cuneiformes. Vejam-se os lindos versos gregos ou romanos, gravados na pedra, no mármore, nos metais. Percorram-se as mais notáveis inscrições dos túmulos, famosos que sejam os heróis aí sepultados. Não se encontrará após tal pesquisa, título mais real e pulcro a sintetizar verdade grandiosa que compendia toda a história humana. Forjado embora  na irrisão ele encerra a mais fúlgida das realidades. Os amigos de Jesus a retiraram, pois, aqueles a quem o remoque  a inspirou poderiam vir destruí-la. A Cruz já era um trono. O império de Cristo iria se estender por toda a terra. O Centurião já proclamara sua divindade: “Este era verdadeiramente o Filho de Deus” (Mc 15,39). Deus, realmente reinou no do alto do madeiro, como canta a Liturgia da sexta-feira santa. Jesus Nazareno é rei. Dezenove séculos depois a magna verdade foi enunciada novamente pelo papa Pio XI. Este contemplou o fenômeno maravilhoso de um reinado na inteligência, na vontade e no coração do homem, por ser Jesus a própria verdade, a própria bondade e o oceano imenso de amor. Reinado a se espalhar por toda a sociedade, não só misticamente, silenciosamente no íntimo de cada alma humana, mas ainda visivelmente, de maneira pública, inspirando os governos, os chefes de Estado, informando as leis, dando seu espírito às artes, penetrando as universidades, as escolas, falando pela boca dos magistrados. Honras públicas de todas as nações. Rei da História, fato de novo proclamado por Pio XII. Este, profeticamente, mostrou a influência decisiva de Cristo a enfronhar um novo modo de vida que raiava, uma esperança fagueira para novos dias. Reinado de verdade e de vida, de santidade e graça, de justiça, de amor e de paz, como reza o prefácio da Missa de Cristo-Rei. O papa João Paulo II também exaltaria este Rei em inúmeros documentos e com uma profundidade admirável, ensinou: “O Reino de Deus não é um conceito, uma doutrina, um programa sujeito a livre elaboração, mas é, acima de tudo, uma Pessoa, que tem o nome e o rosto de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível”( RM n.18). Esta realeza foi solenemente pregada no alto da Cruz: Jesus é Rei! Jesus de Nazaré é Rei dos Judeus. Ele é o primeiro dentre os de sua nobre raça, dentre os mais ilustres de seu ilustre povo, dentre os que se tornaram célebres na história de Israel. Ele mesmo proclamou sua supremacia sobre Abraão que anelava por ver o seu dia. Sua sabedoria e seu poder ofuscaram a Jacó, Moisés, Josué, Salomão. Profetas famosos preparam-Lhe a vinda. Ele é, de fato, Rei  dos Judeus ante quem se curva todo o Antigo Testamento. Nós nos ufanamos por ter como nosso Chefe,  nosso Rei um que pertenceu ao povo eleito, ao povo escolhido. Nosso Rei é Jesus, Rei dos judeus, Rei de todos os povos, por que Ele a todos resgatou. A famosa inscrição repercutiria nas quebradas da História como as primeiras clarinadas argênteas do grande triunfo de um Crucificado que é rei.  Tornou-se ela um troféu, hino de louvor à realeza do Redentor.

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho - Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos, Brasil 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:20
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O NATAL NO BRASIL NO SÉC. XVIII

                      

 

 

Quando o Brasil era colónia, a quadra natalícia era bem diferente da actual; havia mais espírito natalino e menos comércio.

No interior, começava no dia 23 de Dezembro. Havia, diante da capela, a rude e improvisada barraca, construída de folhas de bananeira, coqueiro e palmeira, alegrada com festões de flores. Nela ofereciam-se deliciosos doces e grande variedade de salgadinhos confeccionados nos pesados fogões a lenha, das amplas cozinhas rurais.

Construía-se o presépio - a lapinha, - onde permanecia, deitado em fofas mantas, o Menino de barro, ladeado de S. José e Sua Mãe, a Virgem Maria.

Pegureiros, anjos anunciadores, magos e animais domésticos acompanhavam o singelo presépio. Sobre tudo, sobressaia a grande estrela doirada, que rebrilhava, lançando finos fios de prata.

Trabalhos agrícolas e lidas domésticas terminavam quase por completo. Preparava-se carinhosamente a farta ceia e davam-se, com amor, os derradeiros toques à lapinha e arranjos ao dossel da tenda das iguarias.

O senhor do engenho, criados e escravos, estreitavam laços fraternos, olvidando diferenças sociais que os apartavam, e o engenho só reiniciava a elaboração depois do Dia dos Reis.

Na véspera de Natal lançava-se, na grande mesa da sala, a alva e adamascada toalha, e nela colocavam-se: as delícias do reino, as rabanadas, o arroz doce, as castanhas vindas de Portugal, os figos secos e muita fruta da terra.

Tangia alegremente o sino pela meia-noite, anunciando a Missa do Galo. Acontecia mais nas cidades, no interior nem sempre havia igreja ou missão.

Saia a família. Com os avós vinham os filhos, netos e bisnetos. As meninas trajavam de branco com largas fitaças e vaporosas rendas; os moços envergavam terno de linho engomado, e não era raro, nesses encontros devotos, nascerem paixões abençoadas no altar.

Nas circunvizinhanças das igrejas, encontravam-se as “ganhadeiras”, que vendiam: roletes, cocadas, pastéis quentes, bolos e biscoitos confeccionados por antigas receitas portuguesas e não faltavam doces licores e excelentes vinhos, oriundos da Europa.

Depois eram as “cheganças“, a “reizadas“,o “café acompanhado“; o divertimento popular.

Era assim o natal. Era assim que sinhazinhas e sinhôs, viviam a quadra natalícia, bem diferente do Natal consumista do nosso tempo, onde o festejado não é o Menino, mas o Pai Natal (Papai Noel); onde em lugar da oração de louvor, há prendas, gulas e prazeres.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 12:11
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CLARISSE BARATA SANCHES - NATAL 2010 E A CRISE PORTUGUESA

 

Não foi, dois mil e dez, ano da Graça!

Se a crise, a má gestão pôs Portugal

Sem vigor, sem emprego e na desgraça,

Vamos erguer-lhe o seu potencial?!  

 

Tem o seu Mar e Terra, a sua raça

De herói, e tantas cartas de foral…

Na alma a luz da Fé, que nos abraça,

E o Menino em Presépio de Natal!

 

Vamos ser mais humanos, patriotas

E lendo os Evangelhos, suas notas,

Levantemos com honra o Estandarte!

 

Com ideias morais, iniciativas,

Jesus há-de mostrar-nos perspectivas

Duma história a brilhar por toda a parte!

 

Clarisse Barata Sanches  - Goís, Portugal

 



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Sábado, 4 de Dezembro de 2010
PAULO ROBERTO LABEGALINI - TRÊS CONVITES ESPECIAIS

 

                       

 

 

“Como você sabe, está chegando a data do meu aniversário. Todos os anos, as pessoas fazem festa em minha honra e creio que neste ano acontecerá a mesma coisa. As pessoas também vão às compras, o rádio e a TV fazem centenas de anúncios e, em todo lugar, não se fala outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia.

Há décadas, começaram a festejar o meu nascimento. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles, mas, hoje em dia, poucos sabem por que razão o celebram. Famílias se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata.

Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o Natal, havia coisas deliciosas na mesa, com muitos presentes, mas não me convidaram. Eu era o aniversariante e ninguém se lembrou de me convidar! Fecharam a porta na minha cara! Só que isso não me surpreendeu porque, nos últimos anos, muitos me excluíram de suas vidas.

Como não me chamaram, entrei sem fazer ruído. Estavam todos brindando, contando piadas, divertindo-se. Aí chegou um velho gordo vestido de vermelho, com barba branca e gritando: ‘Ho! Ho! Ho!’ Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram, dizendo: Papai Noel! Papai Noel! – como se a festa fosse para ele!

Quando chegou meia-noite, começaram a se abraçar. Estendi meus braços esperando que alguém viesse, e ninguém se aproximou. De repente, começaram a entregar os presentes e cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim... Nada!

O que você sentiria se, no dia do seu aniversário, todos se presenteassem e não dessem nenhum presente para você? Compreendi, então, que estava sobrando na festa. Saí em silêncio, fechei a porta e fui embora.

Cada ano que passa é pior: muitas pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas; de mim, poucos comentam. Mas, neste Natal, gostaria que você me permitisse entrar na sua vida, reconhecendo que, há mais de dois mil anos, vim ao mundo para lhe dar minha própria vida na cruz e, assim, salvá-lo dos pecados.

E já que muitos não me convidam para a festa que fazem, farei a minha própria festa. Estou nos últimos preparativos e logo enviarei os convites. Este, agora, é especial para você. Só quero que me diga se quer vir. Prepare-se porque, quando menos esperar, darei a minha grande festa! Sua família e as pessoas que quiser trazer serão muito bem recebidas.

Ah, esqueci de dizer que, na minha festa, não haverá choro nem ranger de dentes; somente paz, amor e justiça. Pena que muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos.” – Jesus Cristo.

Caro leitor, vamos juntos nessa festa? Os preparativos começam na noite deste sábado, dia 4, no Campus da UNIFEI. As luzes decorativas serão acesas, os presépios e as mesas natalinas estarão montados, dando início à confraternização maior que acontecerá nas igrejas, dia 25.

O confrade Aluizio da Mata, vicentino de Sete Lagoas, também encaminhou-me este texto-convite na semana passada. Vale a pena ler e refletir.

“Em minha opinião, Natal deveria ser apenas uma ocasião de agradecimento a Deus pelo nascimento de Jesus. Foi o maior presente que o Criador poderia dar para a humanidade.

Talvez porque a própria Bíblia narre que Jesus recebeu presentes ao nascer, o homem tenha pensado em imitar o gesto, mas, hoje em dia, o motivo e a intenção mudaram completamente, pois poucos são os que se lembram de Jesus no Natal. O comércio, o consumismo, a própria falta de religião tem contribuído para que seja assim.

Lembro-me que, quando criança, nossos presentes de Natal eram coisas de utilidade. Roupas, sapatos, e só. Os brinquedos, nós mesmos fazíamos. Qualquer manga verde caída do pé era nosso boi, pois colocávamos nela pedaços de paus imitando pernas e chifres. Pedaços de cabaça eram transformados em carros de boi. Minhas irmãs ganhavam bonecas de pano que minha mãe fazia com a ajuda delas. E éramos felizes.

Hoje, as crianças recebem muitos presentes no Natal, às vezes um presente de cada adulto da família. E por mais que ganhem, logo deles se esquecem. Embora mais bem elaborados, já não têm os atrativos dos presentes de antigamente. Dê uma busca em sua casa e achará muitos brinquedos guardados ou esquecidos.

Todas as crianças terão um Natal assim? Certamente não. Existem milhares de crianças que não ganharão nada neste Natal. Se falarmos em termos de Planeta, serão milhões de crianças! E isto não dói na nossa consciência?

Não tem nada mais agradável a Deus do que um nome escrito em Seu coração com o sorriso de uma criança pobre. Caso você não possa ou não tenha coragem  de ir até um bairro distante, vá a uma agência dos Correios. Lá existem centenas de cartas de crianças pedindo algum brinquedo. Você pode optar levar o presente e entregá-lo com suas próprias mãos, ou deixar o carteiro entregar por você.”

Aceitando estes três convites, você concorrerá a uma passagem para o Céu.

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



 



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - ESCOLHAS

                      

 

 

            Já comentei que tenho em mim algum desvio genético, tendo em meu DNA, sem sombra de dúvidas, partes de traça. Assim, além de dois jornais, assino quatro revistas. Por óbvio, nem sempre consigo ler tudo em tempo, ou seja, antes que os novos exemplares cheguem. O resultado, é claro, é uma pilha de revistas e suplementos que ficam me olhando, de canto de olho, esperando para serem lidos, quase impacientemente.

            Normalmente eu lido bem com essa situação. Em certa medida, até gosto de olhar aquele monte de informações, loucas para saírem do papel e pularem para dentro da minha cabeça. O mais provável é que seja o contrário, mas eu gosto de imaginar desse modo, o que me faz sentir menos louca.

            Chega um ponto, contudo, em que percebo que preciso fazer uma triagem, até porque a pilha, em semanas mais apertadas de trabalho, alcança patamares inaceitáveis, essencialmente sob o ponto do equilíbrio. Daí, começo a separar as revistas mais velhas ou aquelas com capas menos interessantes. Tenho alguns destinos para elas. Parte, mando para uma amiga enviar para crianças fazerem recortes e trabalhos escolares. A outra parte eu encaminho para amigos e familiares que apreciam ter material disponível para ler ao banheiro, em momentos de, digamos, concentração.

            Esses dias, em épocas de fim de ano, em que ando quase soterrada por provas, praticamente reduzi a poucas horas no dia minha chance de fazer leitura prazerosa. Tudo o que leio são respostas e mais respostas a questões jurídicas, o que acaba me deixando um tanto esgotada mentalmente. Organizei as minhas habituais escolhas e separei algumas que não abriria mão de ler.  

            Conforme ia separando as ditas cujas, ocorreu-me que, pela capa, eu poderia estar super ou subestimando conteúdos. Ilusão, por outro lado, eu imaginar que, caso as deixasse por ali, um dia as leria. Eu já superei essa fase. Já aprendi que não dou conta de tudo, apesar do meu desejo de fazê-lo.

            Não pude evitar um paralelo, o de que a vida pode também seguir alguns padrões aleatórios. Vai-se lá saber quais os critérios que nos colocam, nas relações pessoais, profissionais, em uma pilha ou em outra... Se nos julgarem pela “capa”, estou certa de que muito conteúdo se perderá. Muitas vezes somos preteridos e nem desconfiamos das razões. Pensamos em tantas hipóteses, culpamos Deus, nós mesmos e, no meio disso tudo, é possível que as razões nem sejam razões, mas caprichos, escolhas tolas e superficiais, de quem não tem tempo ou disposição para desvendar as pessoas, para folhear todas as páginas do capítulo ou de uma vida...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo





publicado por Luso-brasileiro às 10:40
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA DA JUSTIÇA - "Não há governo para o povo sem a igualdade de todos perante a lei" ( A. Lincoln)

                       

 

 

Inúmeras pesquisas de âmbito nacional indicam uma acentuada descrença no sistema judiciário brasileiro, sendo que a maioria absoluta dos entrevistados o acha lento e até parcial. Desta forma, ao comemorarmos o Dia da Justiça, ressaltamos a necessidade de uma manifesta vontade política, independentemente dos frutos eleitorais que possam advir desse importante propósito, para aparelhar este Poder constituído, que apesar de seus inúmeros problemas mantém a sua relevância e seu brilho no aperfeiçoamento do Estado Democrático de Direito. Portanto, faz-se necessário modernizá-lo em todos os sentidos, dinamizando-o, recuperando o seu prestígio como instituição e fazendo com que a Justiça e a verdade prevaleçam e que a lei seja o idioma comum a todos os brasileiros.

 

 

A Constituição estabelece como garantia fundamental de proteção dos direitos fundamentais, o acesso ao Judiciário, quando alguém entender que seu direito foi lesado ou simplesmente ameaçado (Art. 5º, XXXV). Apesar de se constituir num imperativo constitucional, em nosso país, muitas pesquisas como a que embasou o livro “Acesso à Justiça”, organizado por Maria Tereza Sadek, professora do Departamento de Ciências Políticas da USP, constatou que a maioria do povo brasileiro não tem idéia do que seja esses Poder constituído ou o que ele representa, vindo a saber de sua existência quando é obrigado a usá-lo em ocorrências criminais, diante da escalada da violência.

Por outro lado, ressalte-se que a confiança da população nas instituições sofreu mudanças importantes no último trimestre (julho/agosto/setembro) deste ano. É o que revela consulta do Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil), produzido pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (Direito GV). Enquanto o Judiciário ficou em situação desconfortável, empatada com a polícia e à frente apenas do Congresso e dos partidos políticos, a Igreja saltou do 7º lugar para a segunda posição. O ICJ  foi criado para verificar o grau de credibilidade na prestação jurisdicional no Brasil e como os seus habitantes a utilizam para a reivindicar direitos e buscar por soluções. No Distrito Federal são maiores os números positivos, desbancando a liderança do Rio Grande do Sul que, desde o início da sondagem, em julho de 2009, ocupava o posto. Minas Gerais e Pernambuco são os Estados onde os percentuais negativos prevalecem.

Assim, além do distanciamento popular, a sua expansão está praticamente paralisada e seus funcionários, mal remunerados, enfrentam carga excessiva de trabalho - o que levou recentemente grande parte deles em São Paulo a entrar em greve para sensibilizar as autoridades sobre suas parcas condições. E o que é pior, a morosidade no andamento dos feitos e a impunidade provocada por uma série de aspectos os mais diversos, agravam sensivelmente esse quadro. È por isso que as consultas de âmbito nacional indicam uma acentuada descrença no sistema judiciário, sendo que grande parcela dos entrevistados o acha lento e acredita que o tratamento propiciado aos ricos e pobres é diferenciado, que as normas legais só atingem os segundos e que a prática se distingue da teoria, pois se acredita nas leis mas se  conclui que o comportamento desonesto é inevitável, principalmente porque há muitas maneiras de se escapar imune. Paralelamente, inúmeros conflitos de interesses não são resolvidos porque muitos indivíduos não buscam amparo judicial, certos de que este só surgirá a um longo prazo, ou ainda por desconhecerem seus próprios direitos.

 Claro que uma infinidade de casos internos poderiam ser solucionados a contento, mas tais aspectos não retiram a sua relevância e seu brilho, notadamente no aperfeiçoamento do Estado Democrático de Direito.

A 08 de dezembro, celebra-se o Dia da Justiça, instituído pela Lei Federal n. 1408 de 1951 e comemorado com um feriado para os funcionários forenses de todo o País. Momento também para se refletir sobre a necessidade do aprimoramento no seu acesso e  de uma manifesta vontade política, independentemente dos frutos eleitorais que possam advir desse importante propósito,  para aparelhar o Judiciário, a fim de que sua modernização - em todos os sentidos - possa dinamizá-lo, recuperando o seu prestígio como instituição e fazendo com que a Justiça e a verdade prevaleçam e que a lei seja o idioma comum a todos os brasileiros. Vale lembrar aqui, mais uma vez, o conceito de democracia de Abraham Lincoln: “Não há governo para o povo sem a igualdade de todos perante a lei”.

 

                                   DIA DA FAMÍLIA

 

Também se comemora a 08 de dezembro o DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA, uma criação da Igreja Mórmon e que objetiva destacar a importância do instituto como núcleo vital da coletividade. Às suas finalidades principais - a procriação e o amor recíproco - aparece a circunstância eminentemente social que a torna um centro de socialização, de formação da pessoa em todos os níveis, fazendo com que essa dependência não se esgote apenas no aspecto biológico, mas abranja, também, o moral, o psíquico, o espiritual, etc. E essa questão adquire mais seriedade na medida em que a sociedade passa a desempenhar um papel negativo, sendo massificadora, opressora, agente de desidentificação. Exige-se assim da família atitudes mais coerentes nesse processo de formação, em que a pessoa aprende  a sentir-se sujeito dos direitos e deveres, a se libertar do egoísmo; a crescer  na fé; a se adestrar, enfim, para contribuir ativamente na construção de um novo corpo social.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário com Mestrado em Direito Processual Civil.



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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
EUCLIDES CAVACO - GRITO POÉTICO
Distintos amigos e leitores
 
GRITO POÉTICO
É como que um  clamor de indignação a que tentei dar  forma e vida ,
salientando algumas iniquidades que continuam a atormentar a humanidade.
Que bom seria que este meu grito poético não fosse apenas quimérico.
Veja-o em poema  aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Grito_Poetico/index.htm
 
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 12:26
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - NÂO ESTAR SÓ E A ATEAL

                       

 

 

Alguns trabalhos e falas merecem destaque e partilha para burilar o ser humano.

Em 18 de novembro, a ATEAL – Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem –, em sua sede, homenageou, com a placa: “Empresa amiga da Ateal – Ações de Responsabilidade Social”, 20 empresas, dentre elas a Companhia Saneamento de Jundiaí – CSJ, que é a responsável pela construção e operação da Estação de Tratamento de Esgoto – ETEJ – e pelo projeto socioeducacional Casa da Fonte. As empresas, em destaque, em sua maioria, investiram, em 2010, na entidade, através do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, até 1% do IR devido.

A ATEAL foi fundada em 1982, pela fonoaudióloga Mariza Cavenaghi Argentino Pomílio que, além da capacidade profissional na área, é de sensibilidade para as dores do mundo e carrega o dom de mobilizar parceiros para o bem. A diretoria, funcionários e voluntários da ATEAL demonstram isso.

O objetivo  da Associação é atender pessoas com deficiência auditiva e ouvintes com distúrbios de comunicação, prestando-lhes serviços de diagnóstico, habilitação e reabilitação gratuita e permanente, para uma inclusão familiar, social, educacional e profissional. Desenvolve, além disso, pesquisas genéticas em parceria com o CBMEG (Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética) da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Muito interessante a forma da homenagem em meio ao relato do trabalho e seu resultado. Os projetos destacados: “Informatizando Conhecimentos”; “Corpo e Canto” – tivemos a oportunidade de ouvir o coral formado por crianças e adolescentes com limites de audição e fisionomia alegre pela vitória-, “Educação para o pensar”,  “Oficina de habilidades para o trabalho”, “Qualificação e inclusão profissionais”.

Trouxe comigo, ainda, daquela manhã, duas colocações: uma a respeito das atividades que desenvolvem, conduzindo para “a alegria de não estar só”. Que beleza empenhar-se em um trabalho, seja com que grupo for, para que a pessoa com alguma dificuldade – quem não a tem - experimente não estar só. A solidão pelo impedimento de convívio com os que nos cercam é muito triste. É uma condenação às margens. Os condenados gemem e anseiam por alguém que lhes dê luz e dignidade. A luta da ATEAL é um segundo parto para os inabilitados em ouvir e falar. E como são nobres os que engravidam da esperança e ensinam os primeiros passos de cada um dos órgãos do sentido. E como são nobres os que ensinam a escutar a voz do coração.

A outra frase: “No preço que você paga, está o valor que você busca”.

É isso. Não é necessário falar mais nada. A proporção da luta depende das virtudes que cada um carrega: agentes de transformação e assistidos.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/Magdala, Jundiaí,Brasil

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:20
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