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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - OLHAR, ESCUTAR E DIZER

                     

 

 

Concluo, após décadas de proximidade com excluídos, que olhar com misericórdia e escutar também salvam as pessoas de desastres maiores, a que ouve e a que é ouvida. Talvez seja uma questão cultural de oprimido e opressor, da maneira com que agem os que se julgam acima, uma questão de poder, mas os que se consideram à margem buscam, inúmeras vezes, alguém que se encontre do outro lado de seu mundo para ouvir suas razões, as dores que experimentaram pela injustiça, as consequências delas e a vontade imensa que carregam em socorrer este ou aquele dentro do que sabem fazer, seja pelas habilidades ou pela força nos braços.

Perde quem não olha com compaixão, escuta e se faz ponte para outras estradas. Perde quem não conclui que sua história poderia ser a mesma e que as oportunidades e a falta delas empurram para degraus ou precipícios. Perde quem não entra na vida do outro e traz para si a resistência, a insistência e o carinho que palpita em coração diferente.

Há vidas dolorosas e muito difíceis. Sobre uma dessas vidas escreveu Ana de Abrão Merij, no site da Adital, o Poema sujo de sangue: “Grito esta palavra jogada no chão, / professo sua face suja / de quem andou mil voltas/ a colher migalhas pelos bueiros e valas/ ferida na alma por desterro dos céus./ De suas mãos escorre o sangue de ventres mudos/ que jorram das mortes fêmeas/ e das chagas das meninas de rua./ Restos jogados nos lixões entre fezes e entulhos./ A palavra que professo brota nos veios da ignomínia,/ é podre, é purulenta, é nauseante, é cancerígena/ fere o olfato da humanidade/ irrita sua hipocrisia”.

O moço procurou-me para dizer de sua ex-esposa. Não tenho quase informações sobre ela e ele não conhecia. Primeiramente me disse que ela precisa de ajuda e ele não pode dar. Necessita de encaminhamento psicológico. Para entender mais, enquanto o observava, fiz algumas perguntas e ele, pouco a pouco, entregou-me a história triste de cada um. Encontraram-se há anos em uma capital. Eram de estados distantes, contudo acreditavam que naquela localidade enfrentariam a miséria. Uma cidade com inúmeras oportunidades, afirmavam. Ele foi contratado como faxineiro de um prédio público e ela como varredora de rua. Ela gostou dos olhos claros dele, que lembravam o mar de verão da vila de pescadores onde nascera. Não se importava que ele não se sentisse atraído pelos seus encantos femininos. Foram sinceros um com o outro. Uniram-se pela solidão da metrópole e pela experiência da penúria que traziam antes, durante e depois da viagem.

Separaram-se em algum momento, sem perder, os dois, o convívio com os filhos, sem perder a amizade. Ele teme pelos tropeços, pelo desamparo, pela saúde dela e acabou, também, por dizer das dificuldades próprias que o abalam e o deixam sem rumo. O que mais o incomoda é o preconceito, demonstrado em palavras que ferem e em olhares que afastam. Uma espécie de maldição que impele com violência para o isolamento.

Comoveu-me a história dele, assim como ela me emociona, com seus  olhos de girino, esculpidos pela fuga no álcool e em contraste com a fivela de menina nos cabelos. História de humilhação, insultos e agressões físicas.

Sinalizei para ele alguns caminhos a que todo cidadão tem direito. Recordei-lhe que, independentemente de suas dificuldades, é filho do Criador.

Agradeceu-me porque, segundo ele, para ser salvo, daquele momento que o estrangulava, era preciso ser ouvido por uma personagem que não fosse de seu mundo. Engano dele, a humanidade inteira é do mesmo mundo. Em relação a mim, apenas não tenho as mesmas dificuldades, o que me faz mais responsável em diminuir as tragédias dele.

Não me iludo com a divisão traçada pela sociedade que não ouve pedidos de socorro, indica que os mundos são diferentes e que existem pessoas superiores e outras inferiores, de acordo com o que carregam, com o lugar onde moram... Não há mundos diferentes, há, sim, pessoas distintas em um mesmo mundo: as que esmagam as outras, as que são pisoteadas e aquelas que olham com misericórdia, ouvem e caminham, com serenidade, lado a lado, levando nas mãos um feixe com luz.

Olhar, escutar e dizer. Cada qual, criatura de Deus. A Lei protege e os sonhos renascem.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DANÇANDO NA CHUVA

                    

 

 

                  Que São Paulo é uma terra de tempo instável, isso é fato inconteste. Não é nada incomum que um dia comece quente e termine frio. Chuva, nessa época do ano, verão, é tão provável quanto, infelizmente, encontrar lixo pelas ruas. Assim, o lema por aqui é andar prevenido.

                Houve um tempo que eu comprava bons guarda-chuvas ou mesmo sombrinhas caras, mas de tanto esquecê-los por aí, acabei ficando cansada de ter prejuízo. Sem dizer das vezes nas quais me pediram os ditos cujos emprestados e devolveram sem funcionar, ou nem devolveram. Por medida de economia, passei a comprar aqueles vendidos por ambulantes, nas entradas do metrô ou pelas ruas.

                Agora deixo uma sombrinha no trabalho, uma no carro e uma, sempre que me lembro, dentro da bolsa. O material não é dos melhores, mas dá para o gasto, ou melhor, quase dá para o gasto. Na maior parte das vezes até protege da chuva, mas já me fez passar muita vergonha.

                Quando a chuva é daquelas fininhas, se não tiver vento, até que consigo me esquivar dela. Abro a bichinha e encaro a água. Normalmente, como nem ando um percurso muito longo sob chuva, no fim das coisas isso até funciona e acabo só com alguns respingos, os mais rebeldes.

                O grande problema se dá quando a chuva é daquelas que se fazem acompanhar de ventania, granizo ou quando é o que chamamos no interior de um verdadeiro “toró”. Daí, a casa cai.  Para minha sorte, não sou daquelas mulheres que vivem fazendo escova nos cabelos. Não porque seja naturalmente arrumado, mas porque eu tenho mesmo é preguiça de fazer isso... Vira e mexe, chego por aí de cabelo molhado, ou porque lavei e não sequei, ou porque a chuva deu um trato.

                Se estou na rua e uma chuva me surpreende (o que, convenhamos, não deveria acontecer), acabo sacando minha sombrinha e tento vencer as distâncias que forem necessárias. Nem sempre, porém, tudo são rosas, nem água de rosas. Nessa semana mesmo, fui lecionar e, pela faculdade ser perto de casa, acabei indo a pé. Olhei para o céu e vi que umas nuvens meio suspeitas estavam rondando a cidade. Como uma mulher cautelosa vale por duas, pensei que seria bom não me esquecer de levar uma das minhas maravilhosas sombrinhas.

                Dei a minha aula e, uma hora depois, saindo da faculdade, vi o céu que estava quase todo azul, havia se transformado em cinza, quase preto. Uma chuva louca caía, rasgando o dia pelo meio. A danada não só vinha forte, mas também vinha na transversal.  Ponderei se eu estava preparada para aquilo, para aquele desafio. Bom, eu não estava de vestido, o que já era um ponto. Ajuda muito não ter que segurar a roupa com uma das mãos e, com a outra, segurar a sombrinha, pelo menos eu acho!

                O sapato também não era dos piores e não derreteria com um “pouco” de água. Meus pés de pato, de toda forma, não estavam à mão... Resolvi tentar, até porque eu queria chegar logo em casa para almoçar. Esqueci-me de que o estômago não é bom conselheiro e encarei o aguaceiro. Os primeiros momentos foram bem razoáveis e eu vi, com orgulho, que não estava me molhando. Um quarteirão acima, contudo, na primeira rajada de vento, o “trem” ameaçou virar do avesso. Odeioooo  quando isso ocorre e nessas horas fico é com mais raiva de mim, por não ter comprado algo melhor.

                Eu estava, porém, decidida a não desistir. Lembrei-me um pouco da física que estudei na escola e inclinei a sombrinha de tal forma a equilibrar a pressão do vento, evitando que se dobrasse para fora. Até que ia bem, mas isso impediu que eu enxergasse um passo a minha frente e quando um carro quase me matou, de susto e literalmente, pensei que eu, afinal, não era feita de açúcar, mas de carne e osso.

                Passei o restante do percurso brigando com a chuva, com o vento e com a sombrinha. Cada vez que ela se virava, eu me desdobrava também, mas em palavrões, todos ditos, mas não verbalizados. Era, de todo modo, chuva para todo lado. Cheguei em casa, mas a sombrinha não. Joguei-a em um latão no caminho. Agonizante, ela não virava mais para o lado certo. Vou comprar uma coisa boa, com certeza! Se bem que, pensando bem, ainda tenho mais duas sobressalentes...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 11:44
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RENATA IACOVINO - TEMPOS DE FARELO

                       

 

 

            A sensação, cada vez mais rápida, do passar do tempo, parece nos fazer desprezá-lo, em dados momentos.

            É comum, quando nos lembramos de algum fato ocorrido há um, dois ou três anos, exclamarmos: nossa, mas isso já faz tempo! E se a conversa é entre gerações distintas e distantes, o lapso mostra-se ainda maior. O mais velho defende que aquilo aconteceu “ontem mesmo”, enquanto o jovem acha que, de fato, se passou um tempo enorme.

            Encaixo-me, comumente, no primeiro caso. Quantas vezes, a conversar com conhecidos por aí, refiro-me a algum acontecimento de quinze, vinte anos atrás, como se a tal lacuna temporal fosse mínima. Coisas da idade? Sinal dos tempos, da fugacidade?

            Que estes tempos não estão para longa prosa, já sabemos. Hoje tudo deve ser objetivo, descartável, superficial. Objetos e sentimentos, coisas e pessoas, tudo vai no bolo, transformando-se num grande nada; um vazio que vai nos atolando e depois corremos atrás de livros de autoajuda, conselhos que não conseguimos ouvir até o fim, milagres para um bem-estar ilusório, e o nada continua com sua bandeira fincada em nosso peito.

            Músicas, livros, filmes; lembro-me quantos anos durava em nossas mentes cada canção, da mesma forma que discutíamos anos a fio uma clássica publicação, ou um filme marcante. Hoje isto não passa de uma semana. Aliás, quando está passando, já passou!

            Incrível imaginar que Tico-tico no fubá, choro de Zequinha de Abreu, de 1931 (leia-se: ontem!), foi exaustivamente executado em bailes, sendo gravada somente quatorze anos depois! Algo inconcebível para os dias atuais, não? E estamos falando num acontecimento de oitenta anos atrás. Para uma mudança tão drástica de comportamento, parece-me pouco.

            O ritmo acelerado, impresso em certo momento da canção, animava os pares dançantes, daí o título da obra, que a princípio era “Tico-tico no farelo”, tamanho alvoroço em que ficavam os dançarinos. Rapidez esta que não deixou para trás a importância da dita música, uma das mais gravadas em todos os tempos, sendo executada, inclusive por cidades essencialmente jazzísticas dos Estados Unidos.

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e A GRAÇA DA CURA

             

 

 

* H I S T Ó R I A 

 

Uma senhora estava molhando o jardim de sua casa quando foi interpelada por um garotinho de 9 anos, que lhe disse:

- Dona, tem pão velho?

- Se está com fome, posso dar um jeito. Onde você mora? – perguntou a senhora.

- Depois do zoológico – respondeu o menino.

- Bem longe daqui, hein? Você está na escola? – quis saber ela.

- Não – disse ele. – Minha mãe não tem dinheiro para comprar material!

- E seu pai, mora com vocês?

- Já faz tempo que ele sumiu! – falou o garotinho de olhar triste.

A mulher, então, sentou-se no banco do jardim e disse-lhe:

- Antes do pão, quero que você me conte um pouco de sua vida, de seus irmãos...

E o papo prosseguiu.

A bondosa senhora jogou água nos pés do menino, deu-lhe uma toalha para se enxugar e ficou alguns minutos ao seu lado, dialogando. Depois, disse-lhe sorrindo:

- Vou buscar alimento. Serve pão novo?

- Não precisa, não. A senhora já conversou bastante comigo, isso é suficiente. Vou andando e volto amanhã. A que horas a senhora estará aguando estas plantas novamente?

Pois é, que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor, não? Por acaso, você já ouviu isto de alguém: ‘Não preciso de mais nada hoje; já conversou bastante comigo, isso é suficiente!’?

Há quanto tempo você sabe que os pobres ganham muitos ‘pães velhos’? Apenas o ‘pão de amor’ não fica velho, porque ele é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: "Eu sou o Pão da Vida!"

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

** A GRAÇA DA CURA

 

Por meio da intercessão da Mãe de Deus, eu já fui curado de várias enfermidades. E não foram problemas simples, tanto físicos como espirituais, embora para Jesus, na Sua infinita Misericórdia, todos os problemas são iguais.

A cada cura em pessoas de minha família, houve um novo despertar na fé. Reconhecíamos que para continuarmos sendo filhos amados de Jesus e de Maria, teríamos que ser instrumentos de evangelização e paz aqui na Terra. Passando a agir assim, temos sido muito abençoados em todos os sentidos.

Às vezes, penso como seria bom se todo filho curado por Deus viesse a trabalhar conosco nas comunidades de Itajubá! Devido às graças alcançadas, já teríamos um batalhão de agentes evangelizadores!

Mas, graças a Deus, não podemos reclamar, pois sabemos que estamos cumprindo a missão para a qual fomos chamados e, ainda, estamos conscientes de que a ninguém Jesus dá, para carregar, um fardo mais pesado do que a sua própria resistência.

Por outro lado, quantos irmãos carentes em fé e esperança poderiam estar sendo assistidos se tivéssemos mais pessoas trabalhando conosco! Não seria essa a melhor maneira de agradecer a graça Divina derramada cotidianamente em nós?

Ainda bem que, mesmo aos filhos errantes, nossa Mãezinha querida, a Virgem Maria, abraça e abençoa com amor. E essa benção é incondicional àqueles que lhe pedem com fé. Eu costumo iniciar as minhas orações matinais assim: “Vinde Espírito Santo! Vinde por meio da poderosa intercessão do Imaculado Coração de Maria, Vossa amadíssima esposa!”. Acredito que somos atendidos mais rapidamente quando invocamos Nosso Senhor por meio da Rainha do Céu e da Terra.

E cada vez mais dou o meu testemunho com esta frase: “Puxa vida, como é bom ter fé e trabalhar para Deus!” Eu já me convenci disso porque senti na pele que por Ele, tudo pode ser mudado e, principalmente, quando praticamos o amor e o perdão, somos abençoados com muitas curas em nossas vidas. Para Deus, com arrependimento sincero e fé, querer é poder!

Somos o maior país católico do mundo e precisamos dar continuidade às obras sociais e espirituais da nossa Igreja. Muitos irmãos pobres e famílias desestruturadas dependem da nossa Comunidade de Fé e nós também dependemos de você. Peço em nome de Jesus e faço-lhe ainda um convite: participe mais da Santa Missa e perceba as boas mudanças que isso propiciará em sua vida!

E que Deus abençoe todas as suas intenções.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



 



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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FAUSTINO VICENTE - CARNAVAL, ÓPERA DE RUA

                       

 

 

Na qualidade de presidente de uma associação, que fez do intercâmbio de informações e experiências empresariais a sua grande missão,  tivemos o prazer de integrar uma Diretoria que promoveu um expressivo número de eventos sobre excelência organizacional.

 

Japão, Argentina, Uruguai, Bolívia e Colômbia se fizeram representar nessas promoções e, do nosso país, contamos com profissionais de todos os escalões hierárquicos e dirigentes da mais variadas entidades. Das várias esferas governamentais, recebemos diversas autoridades, inclusive  dois Ministros de Estado.

 

Um desses seminários, cujo tema era - Motivação e Criatividade -, ficou marcado de maneira indelével pela genialidade do seu apresentador - o consagrado carnavalesco Joãozinho Trinta.

 

A ginga do passista e a magia do futebolista brasileiro são embaixatrizes da cultura de um povo, que fez da sua incorrigível alegria o reluzente brilho da Marca Brazil.

 

Da riquíssima diversidade das formas de expressão do carnaval - fantástica ópera de rua - nosso enfoque vai para as escolas de samba, cujo pioneirismo pertence a "Deixa Falar" fundada em 1928, pelos sambistas: Ismael Silva, Bide, Brancura, entre outros.

 

Do Criador à criatura, da pobreza à riqueza,  da tradição à inovação,da flora à fauna, da história à geografia e da antiguidade à atualidade, surgem temas que se transformam em  samba-enredo - espinha dorsal do desfile - gerador do maior espetáculo de artes ao ar livre do planeta azul.

 

A análise gerencial, do cotidiano das escolas de samba, revela a aplicação de conceitos de consagrados especialistas mundiais,  em gestão da excelência, como por exemplo o PDCA de Deming, a adequação de uso com satisfação do cliente de Juran, as equipes de trabalho de Ishikawa, a filosofia de Crosby, e os sábios ensinamentos de Peter Drucker.

 

A empregabilidade, habilidade eclética do profissional moderno, também desfila nas avenidas deste país continente, pois os foliões sabem sambar, cantar, fazer  evoluções e interpretar o personagem que representam no contexto.

 

Motivada, a galera se levanta, estufa o peito e solta o tão aguardado grito de...é Campeã!!!...é Campeã!!!...é Campeã!!!.

 

Por alguns instantes o sonho da igualdade universal acontece no verso do poeta, no som inconfundível do tamborim, no largo sorriso das passistas, na mistura das raças, credos, hierarquias, profissões e classes sociais

 

Nessa hora a emoção fala mais alto e a adrenalina vai a mil, pois é o reconhecimento, e a valorização, do árduo trabalho de milhares de pessoas - a grande maioria anônima - que durante o ano todo se desdobra nas tarefas do barracão, na confecção das fantasias e das alegorias  e participa dos ensaios na quadra.

 

Colocar na passarela milhares de sambistas, com perfeita noção de tempo e de espaço e gerenciar o escasso orçamento da agremiação requer, sem dúvida alguma, muita criatividade para provocar efeitos especiais de baixo custo.

 

Deve haver muita harmonia entre o planejamento estratégico e o "jogo de cintura" dos dirigentes, para lidar com pessoas de características tão diversificadas.

 

Da leveza das evoluções da  porta-bandeira à agressividade das batidas nos surdos, podemos assistir a uma aula singular de MBA ( Master of Business Administration) que, simbolicamente,  podemos traduzir por - doutoramento tupiniquim.

 

Para que as organizações de todos os portes e segmentos, possam agregar valores com o estilo interativo das escolas de samba, basta que seus executivos dêem oportunidades (iguais) para o funcionário possa revelar e desenvolver todo seu potencial empreendedor.

 

Sendo o carnaval brasileiro, através de suas mais variadas expressões regionais, a nossa mais internacionalizada manifestação cultural,  encerramos com o seguinte alerta: vamos explorar o turismo, não o turista.

 

 

Faustino Vicente - Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos  - e-mail: faustino.vicente@uol.com.br - Jundiaí (Terra da Uva) - São Paulo - Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - TENHO NOME E ORGULHO-ME DELE !

                   

 

 

Nessa sexta-feira, 2 de Julho de 1971, estava na livraria “Figueirinhas”, no Porto, a conversar com o chefe do balcão - o Sr. Ferreira.

Meu pai, quando descia à baixa portuense, passava por esse estabelecimento, a examinar escaparates e a folhear novidades literárias. Tinha peculiar predilecção pelos “monos”, manuseava-os com enternecedor cuidado. Ao seu parecer, entre aqueles volumes, que ninguém queria, surdiam obras de elevado valor literário, mas como foram publicados por ilustres desconhecidos, ninguém lhes dava importância.

Nessa livraria da Praça, encontrava amigos e marcava encontros. A dois de Julho, saíra em minha companhia. Era sobre tarde. Pairava doce chilreio de passaritos, que se recolhiam na ramagem das árvores. O tempo era tépido. Estávamos no coração do Verão.

De súbito, alguém trava o braço direito de meu pai. Era o Sr. Fernando Figueirinhas, um dos sócios da casa.

- Quer conhecer António Lopes Ribeiro? - pergunta, puxando-o  para o escritório.

O semblante de meu pai iluminou-se de alegria. Quem não gostaria de conhecer o famoso cineasta, figura popular da televisão!

- Aproveite a oportunidade. Está no meu escritório a tratar dos direitos de autor da sua última obra.

Fiquei só, arrimado ao balcão. Pela larga vitrina observava a corrente constante de pessoas, que caminhavam num animado vai e vem.

Na soleira da entrada, recoberta a mármore branco, garotita, esfarrapadinha , de pés encardidos, oferecia a mãozita rosada , solicitando o tostão, por amor de Deus. Chegavam da praça zoada de claxon, à mistura de ruídos de motores.

Decorreram minutos. Sai da estreita porta de madeira, um homem, de elevada estatura, esguio, aprumado, de faces envelhecidas – era António Lopes Ribeiro. Junto, vinha meu pai: baixo, cheio, de sorriso aberto

Estancaram junto a mim. Feitas as apresentações, prosseguiram em animada palestra.

Falava-se do “O Pátio das Cantigas” - Ó Evaristo!, tens cá disto! - dizia, acompanhado de surda gargalhada , o cineasta, e meu pai, sacudindo-se todo, soltava  estridente risada. Aproxima-se então o Sr. Ferreira, atraído pela conversa. Também ele queria ver de perto o Homem do “ Museu do Cinema”

A prosa estava animada. Veio à baila o maestro António Melo. Logo recordei, de memória, a figura encolhida, envergonhada, que aparecia na TV e apenas dizia “Boa Noute”; expressão repetida, entre risos, pelos telespectadores.

Com duas palavras, tão prosaicas, granjeou popularidade invejável!

Meu pai falava-lhe de “O Comércio do Porto”, de Manuel Filipe, e de Costa Barreto - o homem do cachimbo, - como eu lhe chamava. O cineasta, que acabara de publicar “ Anticoisas & Telecoisas”, abordou, com ligeireza, o acicate do tio Francisco, e desertou, com muita graça, a ingrata missão de colaborar na imprensa. Fez-se de repente curto silêncio. António Lopes Ribeiro avizinha-se ainda mais de meu pai e em voz severa, disse:

- Ó Sr. Pinho da Silva, queria-lhe pedir um grande favor…

Meu pai apruma-se, encara-o de frente e aguarda surpreso.

- Trate-me pelo nome. Sou António Lopes Ribeiro e não um doutor. Tenho nome e orgulho-me dele!

Meu pai ficou embasbacado. O Sr. Ferreira - encarregado do balcão, - que assistia à cena, escancarou a boca como púcaro destapado, e eu disse de mim para mim: Então chamar de doutor não é uma deferência?!

Mas, o cineasta, prosseguiu, com sorrisinho dançando nos lábios:

- O Sr. Pinho da Silva já reflectiu que os grandes homens não são chamados de doutores? Veja o Egas Moniz! Alguém chama, a esse grande médico, de doutor?!

Todos concordamos. Como não havíamos de concordar, se era assim?! E o cineasta, continuou:

- Não é que seja ofensa, pelo contrário; mas, que seja doutor quem gosta de o ser. Eu prefiro: António Lopes Ribeiro!

O Sr. Fernando Figueirinhas junta-se ao grupo, e corta a prática, solicitando nova ida ao escritório, para ultimar o contrato.

E eu permaneci, de olhos esbugalhados de espanto e admiração, a ver esbater-se, na penumbra interna da livraria, aquela figura tão familiar da TV. O Homem do “ Museu do Cinema”, o Homem do cinema Mudo.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  - Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:10
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
EUCLIDES CAVACO - SÃO VALENTIM
Com a aproximação do dia de    SÃO VALENTIM
Aqui vos ofereço este tema  dedicado a SÃO VALENTIM feito poema
que pode ver aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Sao_Valentim/index.htm
 
Desejos dum feliz dia de São Valentim para todos vós.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 18:25
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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PURA MAGIA

                    

 

 

            O universo infantil sempre me encantou. Se há uma época da minha vida cujas lembranças são vivas, mas intensas, com certeza é a infância. Curti demais esse período e guardei dele somente aquilo que foi bom. Vendo de longe, de fato, pouco houve que se possa catalogar de ruim, à exceção de um traumatismo craniano, decorrente de uma peripécia em bicicleta. Penso, aliás, que, se o que dele restou foi somente um “ligeiro” afundamento em minha testa, até que me saí bem. Costumo dizer que o medo de todos era de que eu ficasse com alguma seqüela, que ficasse meio louca, sei lá. Sobre isso, infelizmente, não há mais muito o que fazer. Talvez eu já fosse maluquinha das idéias, quem sabe? A vantagem é que posso usar o acidente como desculpa: _”Olha gente, não é minha culpa! Eu bati a cabeça quando era criança”...

            Assim, entre vivos e feridos, eu tive uma infância feliz. O que mais me lembro é de como a fantasia era algo presente, alegoria das minhas horas livres, adereço de tudo aquilo que eu sonhava ser. Recordo-me de imaginar que acharia uma pílula mágica e, ao ingeri-la, ficaria do tamanho de uma formiga, sendo convidada para conhecer os mistérios do formigueiro.

            O que me maravilha, nas crianças, ao menos naquelas que podem verdadeiramente sê-las, é a capacidade única que possuem de crer naquilo que quiserem, em fadas, em anjos, em País das Maravilhas ou na possibilidade de excursionar, em um dia qualquer, por dentro da casa de formigas.

            Por óbvio, cresci e, com isso, inevitavelmente, parte do fantástico que havia em mim, também se foi. Contudo, nem as décadas que se acresceram ao meu corpo foram capazes de apagar, de minha mente, o poder de me maravilhar com tudo o que há de novo no mundo, com aquilo que não compreendo, com o que ainda posso aprender e, lá no fundo, com a (insana) esperança de que o avanço da ciência ainda me permita transitar por lugares além da minha imaginação.

            Por tudo isso, creio, é que me divirto muito ao conversar com crianças de tenra idade. Adoro observar como funciona a lógica que as move, com que olhos enxergam um mundo especial, dentro do real. Nesse sentido, meu “laboratório” se dá com filhos de amigos e, principalmente com minha sobrinha Isadora. Prestes a completar 4 anos, ela é uma tagarela de primeira linha.

            Nas férias, entre tantas brincadeiras, combinamos que iríamos morar no Pólo Norte, lá perto da casa do Papai Noel. Tudo começou quando eu olhei para o céu e disse: “_ Isa, acho que vai chover!” Ela me olhou sobressaltada e perguntou: “_Vai cair neve???” Pensei comigo que, se caísse neve em Lins, com a temperatura passando dos 32 graus, seria mais do que fantástico. Seria o fim do mundo! “Mas porque você quer que neve?” “Ah, é que eu queria esquiar”! Papo vem e papo vai, resolvemos que o melhor era, no dia seguinte, pegarmos um trenó até o Pólo Norte, ainda que, na opinião dela, devêssemos ir era de trem.

            No dia seguinte, assistindo a um desenho sobre dragões, ela vibrava ao ver que o herói voava nas costas do bicho, dominando todo o azul do céu. Olhei para os olhinhos vibrantes dela e perguntei: “Isa, se a tia achar um dragão, você vai comigo voar por aí?” Sem pestanejar, ela me olhou no olhos, abriu um sorriso gigante, inesquecível e disse: _ Simmmmmm!!!!

            Não é todo dia que alguém aceita voar com a gente, de dragão, por aí. Não é todo dia que o mundo ganha cores (in)críveis. Nesses momentos, esqueço dos anos que me colocaram na vida adulta e, como ela, sou pouco mais do que uma criança, tão louca como sempre fui...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo





publicado por Luso-brasileiro às 13:28
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PESQUISA APONTA QUE OS DIREITOS DOS DEFICIENTES SÃO DESRESPEITADOS.

                     

 

 

           Existem muitos diplomas legais destinados a proteger e garantir direitos às pessoas portadoras de necessidades especiais, mas na prática a situação lhes é bastante desfavorável. Recente pesquisa mostra que seus direitos continuam desrespeitados e permanecem vítimas de injustificável discriminação. Precisamos cobrar de nossas autoridades e da sociedade em geral, medidas concretas para reverter esses resultados e modificar a triste situação de desleixo que ainda prevalece. 

 

Pessoas com deficiência não têm seus direitos respeitados no País. Essa é a opinião de 77% dos 1.165 portadores de necessidades especiais entrevistados na pesquisa sobre a condição de vida dos deficientes no Brasil, feita pelo DataSenado, entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2010, e realizada com base no cadastro do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), que conta com  10.273 registrados.

                        A enquete mostrou que os prédios públicos estão mais adaptados (18% responderam que a maioria tem acesso) que os comerciais (12% de respostas favoráveis). Mas as ruas e calçadas são o grande entrave para a locomoção – para 87%, nenhuma ou poucas delas estão adequadas em sua cidade. Quatro em cada dez entrevistados deixaram de ir a algum lugar porque a estrutura física não estava condizente. Essa questão também compromete o lazer – 64% dos deficientes físicos e 51% dos visuais gostariam de praticar esportes, mas não podem por ausência de acesso; 25% dos deficientes auditivos gostariam de ir ao teatro; e 23 dos deficientes visuais iriam ao cinema, se as salas fossem ajustadas.

                        O estudo aponta que falta atuação mais firme do Estado na prevenção e tratamento – 64% consideraram que a prevenção de doenças que levam a deficiência é pouco eficiente. “Os deficientes auditivos sentem mais discriminados que os demais. Eles ficam mais isolados”, afirmou Teresa Costa D`Amaral, superintendente do IBDD em entrevista publicada no jornal “Correio Popular” de Campinas (A14-12/12/2010)   . “Hoje, uma prótese auditiva leva três anos para ser concedida. Quando a criança recebe, passou o primeiro momento da comunicação. Ela já fica com defasagem. É o total desrespeito”.

                        E há uma série de outras questões que lhe são prejudiciais, embora a Constituição do Brasil determine que as vias, os edifícios públicos e os veículos de transporte coletivo sejam ajustados para lhes garantir uso apropriado. Entretanto, os próprios prédios continuam a ser construídos desconsiderando-se tais exigências; os telefones públicos são instalados em cabines onde não entram cadeiras de rodas ou em orelhões nos quais os cegos não conseguem utilizá-los e não há número suficiente de ônibus adaptados em linhas regulares. Tais circunstâncias revelam manifesta desatenção gerada pela insensibilidade de parte dos indivíduos que integram a administração do Estado e pelo injustificável desleixo da população em geral, que não cobra por determinadas conquistas sociais já alcançadas, colocando os deficientes, muitas vezes, como cidadãos de segunda classe, negando-lhes os mais elementares direitos constitucionais, como os de ir e vir, de estudar e de trabalhar

                        Esses aspectos negativos apontados pela pesquisa são visíveis e freqüentes em nossos dias. No entanto, seria tão mais lógico propiciar condições expressamente previstas na Lei Maior e acabar com qualquer espécie de discriminação, assegurando a estas pessoas, vida auto-suficiente e participação na comunidade para que possam crescer, serem vistas, valorizadas e mostrarem sua capacidade, já que são tão produtivos e talentosos quanto os outros, mas apenas se desenvolvem de um modo diverso. 

Vale ressaltar novamente: existem decretos e leis federais, estaduais e municipais instituindo políticas na área. Efetivamente, no entanto, pouco se tem feito para concretamente integrá-los. Em grande escala, persistem o preconceito e as desigualdades, além do que, as aspirações legalmente asseguradas continuam sendo praticamente ignoradas.

            Por outro lado, reiteramos a necessidade de se exigir de nossas autoridades medidas concretas para minimizar ou reverter esse triste quadro, sendo que a questão não pode mais ser vista, como de puro assistencialismo, mas sim como de Justiça e Cidadania. Da mesma forma, com base nos resultados da pesquisa supramencionada, procuremos por uma convivência solidária, com equiparação de oportunidades e de absoluta abrangência social. Invocamos aqui a Profa. Hilda Alois da PUC-SP:  “A deficiência é a não eficiência em alguma coisa e, nesse sentido, todos nos encaixamos dentro deste conceito, porque ninguém é capaz de ser eficiente em tudo e, ao mesmo tempo, não existe uma pessoa que não seja deficiente em pelo menos alguma coisa”

 

                        REGISTRO

 

            Da escritora Dra. Josyanne Rita de Arruda Franco,  presidente da União Brasileira de Escritores Médicos e integrante da Academia Jundiaiense de Letras, recebemos um belo trabalho, inspirado no artigo da semana passada, sobre o tema da Campanha da Fraternidade de 2011, “Fraternidade e a Vida no Planeta” que será voltada para o meio ambiente e o lema é “A Criação Geme Como em Dores de Parto”, a seguir transcrito: "As dores do parto conhecem Maria./ Marias conhecem as dores do parto./ Na terra fecunda há noites e dias/ Querendo fugir das agruras do acaso./ Ó terra bendita, ó terra de humanos/ Acolhe nos braços os que têm desditas!/ Refaz as certezas de que o ser humano/ Também ao planeta deve dar guarida."

                                  

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, mestre em Direito e professor de Direitos Humanos da Faculdade de Direito do Centro Universitário Pe. Anchieta de Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 13:21
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EUCLIDES CAVACO - CORAÇÕES DE PEDRA
É um leve chamamento poético para uma reflexão sobre
o nosso corportamento humano que continua a distanciar-se
cada vez mais do verdadeiro sentido da amizade.
Ouça e veja este soneto declamado aqui:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Coracoes_de_Pedra/index.htm
 
Muito obrigado pelo seu acompanhamento
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PADRE SÉRGIO MAZZOLDI

                        

 

 

Chorou meu coração ao Pe. Gian Carlos me informar que o Pe. Sérgio, OMV, de sua Congregação, partira para a Eternidade. Não me esquecerei de seu riso franco, de seus conselhos sábios, que reconduziam ao rebanho do Senhor.

Minhas conversas, com o Pe. Sérgio, aconteciam durante a Confissão e, algumas vezes, após a Missa. Considero que tínhamos uma amizade de contatos poucos, mas de sentimento forte, porque são intensas as pessoas que assumem a Palavra por inteiro, Palavra que circula pelo sangue e transpira no olhar, nos gestos, no sorriso, na proclamação da Luz. Ele era assim: de fala firme, de ternura, simplicidade e alma grandes; da verdade, sem subterfúgios; de personalidade forte e meiguice imensa.

Quando buscava o Sacramento da Penitência e era ele que estava atendendo, na Igreja São João Batista, festejava minha chegada com expressão do Pai da “Parábola do Filho Pródigo”. Aliás, os Padres Oblatos de Maria Virgem, na Confissão, têm sempre a postura do Bom Pastor, que recoloca, com carinho, a ovelha no aprisco, onde a vida tem sentido e os lobos não conseguem saciar seus instintos sanguinários.

Padre Sérgio, comumente, relatava-me um acontecimento dos lugares por onde passara no Brasil. Nascido na Itália, cursou teologia na Universidade Gregoriana de Roma e, ordenado, pediu à Congregação que o enviasse a qualquer lugar do mundo que não fosse a Europa. Em 1961, embarcou ao Brasil. Em Jundiaí permanecia desde 2001. Dos fatos a que se referia, destacava os sobre os excluídos e demonstrava sua crença em mudanças, na conversão dos atalhos tortuosos ao único Caminho, que é Jesus Cristo. Em um dos feitos, enfrentara uma pessoa que abusava de seu poderio econômico para explorar trabalhadores. Demonstrou ao opressor que não é da Igreja quem investe em construção de altares, porém massacra o seu irmão. Conseguiu, por sua postura decidida e destemida, iluminar o opressor e, consequentemente, tirar o peso dos ombros dos oprimidos.

Gostava de ouvi-lo e era bom partilhar com ele minhas descobertas de Deus junto aos que se encontram às margens. Como ele tinha paciência em me escutar. Na última vez que estive com ele, durante a Confissão, disse-me sobre Deus passar pelo humano e, por isso, não se escandalizar com minhas fraquezas, limites, resistências. Sei que Deus passa pelo humano, mas a fala dele foi de uma maneira tão especial que me marcou. Tenho em mim o sorriso dele ao me anunciar, na absolvição, o Misericordioso, ao me explicar sobre a misericórdia, comigo também, que conduziu o fundador da Congregação dos Oblatos de Maria Virgem, o venerável Padre Pio Lantéri (1759-1830) em sua obra de madrugada da Páscoa. Ofertou-me bênçãos de Deus, para que eu as sorvesse e experimentasse a graça que conduz à Ressurreição.

Como despedida, tenho a lhe dizer “Obrigada”. Não me esquecerei de que o nosso Deus, que sabia quem estava chamando ao Sacerdócio, quando o convidou a ser, sob o manto de Nossa Senhora, pescador de outros mares, carrega no colo, expurga o pus e cura feridas.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala



publicado por Luso-brasileiro às 13:12
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JOSÉ RENATO NALINI - MEMÓRIA FRACA

“No salão paroquial de Vila Arens, tendo como paraninfo o Padre Angelo Zanela, o Colégio Divino Salvador diplomou mais uma turma de jovens. Das solenidades registramos os flagrantes acima, onde vemos da esquerda para a direita o jovem Luiz Francisco Ferreira Bárbaro (orador dos formandos) fazendo seu discurso, e grupo de formandos”. A notícia data de 30 de dezembro de 1960 e foi publicada em “O Jundiaiense”, que era o “Jornal dos Três Fernandos”: Fernando Pedreira, Fernando Gasparian e Fernando Henrique Cardoso.

São 50 anos idos, desde que os salvatorianos entregaram o diploma do ginasial a uma turma  integrada por Ademir José Manzato, Bechara Jorge Kachan, Carlos Alberto de Almeida, Élcio Borgonovi, Elídio Bulisani, Eudimir Ricardo Bizzarro, Fernando Álcio Fehr, Fernando Loboda, Francisco Ferreira Lima, que era um seminarista e cujo destino desconheço, Ivan José Bernucci, João Griesius Filho, José Anselmo Contesini, José Carlos Tresmondi, José Eduardo Martins (Penaforte), José Renato Nalini, Luiz Alberto Morais Pereira, Luiz Francisco Ferreira Bárbaro, Mariano Bezan, Mário Augusto de Oliveira Bocchino, Norberto Pastre Júnior, Orlando de Jesus Moreira, Odilon Lopes de Moraes, Roberto Luiz Covesi, Roberto Éber Marchi, Stéfano Maria Moretti e Vicente Martin. Perdemos Norberto Pastre Júnior, o primeiro a partir.

Depois Mário Augusto Bocchino e, recentemente, Elídio Bulisani. Mas ainda somos um grupo e poderíamos celebrar as bodas de ouro dessa equipe que foi muito unida. O paraninfo Padre Marcelino Aldo Zanella (os salvatorianos voltaram a usar o nome civil) ainda está conosco. Padre Paulo de Sá Gurgel, que era o diretor do Divino Salvador partiu há pouco para a eternidade. Até há pouco, o Pe. Damião Prentke estava vivo. Pe. Ditmar Graeter, Pe. Miguel Schlerdon, Prof. Wilson Minzon, Prof. Daniel Hehl Cardoso também estão na eternidade.

Será que ninguém se lembrou da data? Estaremos já acometidos de fraqueza de memória ou não significa nada poder recordar que há cinco décadas – meio século, exatamente – alcançamos um ciclo que, à época, foi importante, nos alegrou e pareceu abrir as portas para um futuro, então risonho e franco? PS: Infelizmente, o Prof.Durval Fornari, que nos ensinava canto orfeônico, faleceu no início de janeiro.

 

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 13:08
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