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Terça-feira, 22 de Março de 2011
JOÃO ALVES DAS NEVES - Temas Beirões: JOÃO BRANDÃO E O PAPEL POLÍTICO QUE TEVE NA GUERRA CIVIL DA BEIRA (1832-1834)

 

 


Disse Fernando Pessoa que “o mito é o nada que é tudo”e esta definição pode aplicar-se à lenda que surgiu em torno da vida de João Victor da Silva Brandão (1825-1880).

Na verdade, o mito surge e alastra a partir de uma “história de fundo lendário” que se desenvolve desde criança e por vezes vai até à idade adulta, conforme sustenta Fernando Ilharco: “a tendência constitucional para a mentira, para forjar acontecimentos imaginários (fabulação) e para simular estados orgânicos anormais simulados. É uma disposição muitas vezes hereditária e mais freqüente na mulher”

Entretanto, deixemos o mito e recordemos que João Victor nasceu e cresceu num ambiente que vai desde a participação do seu pai nas lutas liberais que assinalaram o cerco do Porto até à actividade guerrilheira travada pelos beirões (que na maioria dos casos terão sido contrários ao autoritarismo do Rei D. Miguel). E se ultrapassarmos o tempo, teremos de convir que havia guerrilheiros de ambos os lados – e não de um só! Não obstante, a lenda formou-se preferencialmente em torno de João Brandão, como se os tiros não fossem também disparados pelos miguelistas, apesar de serem conhecidas às violências desferidas contra inúmeros liberais, de acordo com os testemunhos daqueles que sobreviveram à tragédia que abalou quase toda a região, com destaque para a Beira-Serra. E da profusa documentação em jornais e revistas destacamos agora o volume “Apontamentos da vida de João Brandão por ele escritos nas prisões do Limoeiro envolvendo a História da Beira desde 1834”

Para lá das informações do autor, que descreve os acontecimentos que viveu de perto, salientamos a “Relação dos ferimentos e mortes praticados na Província da Beira, desde 1834”: foram 235 mortos, incluindo 21 abatidos pelas forças da ordem (militares e guardas civis), além de 13 sacerdotes e seus familiares, bem como 6 assassinatos atribuídos à guerrilha de Agostinho Vaz Pato e de muitos outros pequenos grupos e pessoas, nalguns casos identificados. De um lado, aponta-se a cooperação das “forças da ordem” absolutistas e, paralelamente, a violência contra os padres, vários dos quais estiveram presos em virtude das suas idéias liberais.

Deduz-se de todos estes esclarecimentos que as intervenções de João Brandão não foram as de um bandido vulgar, mas, sim, as de um político militante, que seguiu o liberalismo de seu Pai, combatendo sempre o autoritarismo absolutista; Se cometeu os excessos dos guerrilheiros, os dos miguelistas não foram menores, embora “o mito que é tudo” haja resvalado para o defensor da Rainha (que nunca deixou de apoiar os beirões liberais).

Segundo revela o professor José Manuel Sobral, que prefaciou a 2ª.edição dos

Apontamentos da vida de João Brandão”, o “mito” que beneficiou os adversários de João Victor da Silva Brandão era romântico, porém falso, mas vingou ao ponto de se transformar numa espécie de “hino” dos cantores cegos e provincianos de Lisboa e de aldeias, anunciando os “crimes” de J. B. e a sentença injusta do tribunal de Tábua que o condenou ao degredo em Angola (o júri era formado por um Vaz Pato e por diversos inimigos políticos). E o mito virou lenda, que também nós escutámos em criança, sem entender as origens da tragédia da guerra civil da Beira-Serra).

Muito mais é preciso contar e documentar acerca do liberal indomado de Midões. Insisto neste ponto para honrar a memória do meu avô paterno (que era “midoense” e nada teve com a ideologia de João Brandão), mas insurjo-me contra o julgamento inadmissível de quem o condenou ao degredo, sabendo que até em Angola foi ilegalmente perseguido e roubado, à sombra de um absolutismo ditatorial. Assassinado covardemente por um militar criminoso, depois de morto degolaram-no e mandaram a cabeça ao governador ignóbil...

Acusado pelos miguelistas retardados, os povos de Catumbela (entre o Lobito e Benguela) ergueram-lhe um rústico monumento do jardim público, agradecendo não só a fundação da importante Companhia Agrícola Cassequel, mas também as condições de trabalho dos seus colaboradores. Há cerca de trinta anos visitei esse jardim público – com o Padre e jornalista José Vicente - e fui agradavelmente surpreendido com a existência do monumento em memória de João Brandão: havia um resguardo de vidro com dezenas de cartas de admiradores anônimos exaltando as qualidades de trabalho e de apoio recebidas do benfeitor de Midões.

 

 

JOÃO ALVES DAS NEVES  -  Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos Quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.


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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e É MELHOR SER ESTRUME NAS MÃOS DO SENHOR

 

 

* H I S T Ó R I A

 

 

Há muitos anos, numa cidadezinha do interior, o povo se afastava cada vez mais da Igreja. As missas eram pouco freqüentadas e quase ninguém procurava o padre para confissões, batizados e casamentos.

Certa manhã, os sinos soaram forte anunciando o falecimento de alguém e, no alto-falante da Matriz, o sacerdote dizia: ‘Morreu nesta cidade um filho muito querido do Pai. O corpo encontra-se no salão paroquial, onde será velado’.

Os primeiros que lá chegaram, estranharam o caixão lacrado e a falta de informações sobre o defunto. Isso fez com que mais pessoas permanecessem no velório até a hora do enterro. Veio, então, a ordem do vigário, autorizando o corpo partir para o cemitério.

Toda a cidade acompanhou o féretro pelas ruas e, assim que desceu ao túmulo, a tampa do caixão foi aberta. Uma enorme fila se formou para saber a identidade do falecido e começaram a passar ao lado da cova. Cada pessoa que olhava, via no interior do buraco o próprio rosto refletido no fundo espelhado do caixão vazio.

Atingidos no íntimo da alma, os moradores da cidade foram à Igreja pedir perdão a Deus e, daquele dia em diante, muita coisa mudou na vida daquelas pessoas: saíram do caminho da desgraça eterna e entenderam bem as palavras de Santo Agostinho: “Deus te criou sem precisar de ti, mas Ele não te salvará sem a tua vontade”.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

** É MELHOR SER ESTRUME NAS MÃOS DO SENHOR

 

No ano de 1999, eu participei do Programa Tenda do Senhor, na Canção Nova, apresentado pelo querido Pe. Léo – nosso conterrâneo e saudoso homem de fé – que sempre recebeu comentários elogiosos de todo o Brasil, pelo seu carisma e descontração nas mensagens que passava. Na minha opinião, ele era o Faustão ou o Silvio Santos da Canção Nova, no sentido de alavancar audiências. Suas histórias, humor e espiritualidade, divertiam e comoviam muita gente.

E uma história contada ao vivo pelo Pe. Léo foi a seguinte:

Certa época, quando ele ganhava projeção como autor de livros, recebeu um telefonema, solicitando-lhe que enviasse a sua biografia para fazer parte de algum órgão importante que não me recordo agora. Disse-nos que ele próprio passou a escrever coisas maravilhosas a seu respeito até completar seis páginas! Esgotando as suas lembranças, foi até o Santíssimo pedir inspiração para escrever mais. Lá, teve uma visão…

Ao lado de sua casa de infância, aqui perto, no Biguá, viu o seu pai trabalhando, animais pastando e um monte de estrume no chão. Assim que a imagem que lhe veio à mente se aproximou do estrume fresco, Deus lhe disse: ‘Eis você aí’.

Aquilo lhe deixou chocado por alguns dias, sem entender o significado. Passou a rezar, pedindo discernimento do ocorrido, até que voltou a ver novas imagens. O lugar era o mesmo, mas o estrume já estava seco. Seu pai, então, se aproximou, o pegou com uma pá e o transportou até o terreno ao lado.

Chegando ao local, uma mão o esfarelou e passou a jogá-lo sobre a plantação quase seca, precisando de vida nova. Naquele momento, novamente Deus lhe falou: ‘É melhor ser estrume nas minhas mãos do que ser ouro nas mãos do diabo’.

No mesmo programa que eu participava, aplaudimos estas palavras do Senhor e espero que elas sirvam para nortear as nossas vidas, como serviram ao Pe. Léo até o seu falecimento. Eis uma de suas belas colocações:

“As feridas do coração são alimentadas pela inveja, pelo rancor, pelo julgamento e pela atitude crítica. Em geral, o que publicamente criticamos nos outros acabamos fazendo também. A vida é sábia. Jesus ensinou, com uma clareza estupenda, que devemos fazer aos outros aquilo que desejamos para nós. Logo, não devemos fazer para ninguém o que não queremos para nós mesmos.”

Portanto, caro ouvinte, nós, filhos de Nossa Senhora, não podemos deixar de vigiar e orar, pois ações de amor e oração são forças insuperáveis que unem os cristãos.

E que Jesus e Maria continuem sempre nos corações de todos nós, amém!

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O EFEITO DA NOVELA

                        

 

 

Divergem as opiniões: asseveram uns, que a TV, mormente as novelas transmitidas pelos canais de televisão, têm influência nefasta na sociedade; refutam, ao invés, outros, afirmando que séries e novelas, são simples e inocentes reflexos ou espelho da sociedade.

Quem terá razão?

Creio que são os primeiros, visto o público ser facilmente sugestionável, e tende sempre a copiar, atitudes e comportamentos, que fazedores de opinião e novelistas, pretendem inculcar nas mentes.

Já no passado era assim.

Romancistas e folhetinistas de gazeta exerciam forte influência no trem de vida da população.

D. Francisco Manuel de Melo – clássico da literatura portuguesa, – demonstrou, de modo inequívoco, no seu livro de Guia, o que acabo de assegurar.

A interessante tese de doutoramento, que a Doutora Raquel Carriço, investigadora brasileira, apresentou na Universidade Nova de Lisboa, vem revelar que muitos jovens observam cuidadosamente as novelas, mormente as de produção nacional, no intuito de aprenderem como se devem vestir e comportar-se em determinados meios.

Concluímos, então, que a TV, o cinema, e a imprensa influenciam a população, levando-a a tomar atitudes que antes reprovavam.

O que se disse não é novidade: a moda sempre foi ditada pela elite, que altera o vestuário de harmonia com gostos e interesses.

Tive professor de Economia, que contou numa aula, que importante industrial têxtil, acordara com estilistas, a troco de certa quantia, que as saias descessem até aos joelhos, a fim de aumentar a produção de suas fábricas.

E afirmava: as saias, durante anos, subiam, consoante os acordos, e as mulheres seguiam religiosamente as tendências, para estarem na moda.

Isso confirma que nada é mais influenciável que a opinião pública, e que esta copia meneios e atitudes de figuras conhecidas, personagens de filmes e novelas televisivas.

Quem segue as” novelas “, além da história – em regra imoral, – observa atentamente o vestuário, linguagem, modo de comportamento, e sensibilidade das personagens, e aplica, o que viu, na vida quotidiana.

Daqui se ajuíza a responsabilidade dos que têm a seu cargo escrever guiões, e os que a realizam.

A degradação moral e cívica da sociedade, deve-se, em parte, à novela televisiva.

Comportamentos de violência, desregramento sexual, perversões, não aparecem por acaso, são fruto de imoralidades e atitudes repugnantes que constantemente atingem as camadas jovens.

Não seria necessário Raquel Carriço ter-nos dito, na sua tese, o efeito da novela, no comportamento da sociedade, porque é intuitivo: maus livros, filmes violentos, novelas promíscuas, só podem levar à destruição da família, e aos desvarios em que vive a sociedade.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:50
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EUGÉNIO DE SÁ - O UNIVERSO E O HOMEM

                   

 

 

 

Quando o homem descobre o âmago da sua natureza

            ele encontra o caminho para o seu equilíbrio e bem estar.    

                                                                                      E.Sá 

  

 

     ( Manto de Deus, vistoso, formidável...

É nesta catedral imensurável

que os destinos humanos são traçados)

 

 

Neste universo que o olhar nos enche

Estão as respostas todas de quem somos

As vidas que vivemos e o que fomos

E a que estamos vivendo e nos pertence.

 

Nele se exercem leis universais

Que a mente cósmica domina e orienta

 E que celestes corpos suprimenta

De influências poderosas e astrais.

 

Mercúrio e Vênus são cósmicos pais

Dessas forças que tanto condicionam

Os destinos do homem e lhe abonam

As tendências maiores e estruturais.

 

Dir-se-á que a humana consciência

Assumido o seu karma original

Terá noção do seu poder mental

Pra se dar a si própria consistência.

 

E a alma que nos move a intenção

Do equilíbrio polar assim dotada

Causa intuída, matéria controlada

Dos sete anjos terá a aprovação.

 

E assim, vontade, mente e emoção

De consenso carecem neste jogo

Em que a razão reside desde logo

Na prudência da sábia avaliação.

 

Até que a Consciência Superior

Nos retorne ao Pai espiritual.

É o tempo do mortal ser imortal;

Do espírito volver ao Criador.

 

 

EUGÉNIO DE SÁ   -   São Jósé do Rio Preto, Brasil



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Sábado, 19 de Março de 2011
CORTE EUROPÉIA: CRUXIFIXOS PERMANECERÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS
 
                          http://www.acidigital.com/noticia.php?id=21375
 
 
 
 
 

ESTRASBURGO, 18 Mar. 11 / 01:51 pm (ACI)

A Corte Européia de Direitos humanos com sede em Estrasburgo decidiu hoje, em uma sentença inapelável, que os crucifixos podem permanecer nas escolas públicas.

Esta sentença foi promulgada logo depois da posição favorável aos crucifixos na Itália e na Áustria, após sentenças da Corte Suprema de Cassação, no primeiro caso, e da Corte Constitucional, no segundo.

Com a resolução de hoje a Corte Européia estabelece que "não existe violação do artigo 2 do protocolo N° 1 (direito à educação) da Convenção Européia de Direitos humanos".

Este artigo se refere à obrigação do estado, "no exercício de suas funções em relação à educação, a respeitar o direito dos pais de educar os seus filhos de acordo às suas convicções religiosas e filosóficas".

A sentença da Corte indica que "embora o crucifixo seja acima de tudo um símbolo religioso, não há evidencia para a Corte de que sua exposição em uma parede de uma sala de aula influencie os alunos".

"Além disso -diz a resolução- embora se compreenda que a demandante tenha visto que esta exposição do crucifixo nas salas de aula à que assistiam suas filhas como uma falta de respeito do Estado a seu direito de educar conforme suas próprias convicções filosóficas, sua percepção subjetiva não foi suficiente para estabelecer uma violação do artigo 2 do protocolo 1".

A sentença também recorda que o governo italiano explicou em sua apelação que "a presença dos crucifixos nas escolas públicas corresponde a uma tradição que consideram importante perpetuar".

Do mesmo modo, as autoridades da Itália ressaltaram que o crucifixo não é apenas um símbolo religioso mas "representa os princípios e valores que formaram os alicerces da democracia e da civilização ocidental, e que sua presença nas classes é justificável a este respeito".

A Corte Européia de Direitos humanos aceitou a apelação apresentada pelo governo da Itália no 28 de janeiro de 2010, logo depois de que em novembro de 2009 decidira que os crucifixos não deviam estar nas salas de aula das escolas.

A resolução de novembro de 2009 dava razão a uma mãe de família de duas alunas que alegava que os crucifixos "não correspondiam" à forma que suas filhas deveriam ser educadas.

Diante desta decisão, o governo da Itália defendeu a presença dos crucifixos nas salas de aula dos colégios públicos, como um símbolo que representa as raízes cristãs do país.



publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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Sexta-feira, 18 de Março de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - GEMIDOS DA AGONIA

 

 

A Quaresma me chama. Em algumas situações, resisto, em outras insisto e, quando me deparo com a força do Amor de Deus, sucumbo e me torno mais feliz. A Quaresma me chama à conversão.

A Campanha da Fraternidade, deste ano, diz de “Fraternidade e Vida no Planeta” e que “A criação geme em dores do parto” (Rm. 8, 22). O ser humano agride, por interesses pessoais e escusos, a obra do Criador. Suga o verde. Os seres humanos destroem, depredam, aniquilam, extinguem espécies e poluem as águas, sob o azul encoberto por cinzas. Invadem a intimidade do ar, da água... Surgem graves ameaças à humanidade, como o aquecimento global. O Senhor nos alerta no Salmo 134/135: “Os ídolos dos pagãos não passam de prata e ouro; são obras de mãos humanas. (...) Assemelhem-se a eles todos os que os fizeram, e todos os que neles confiam”. A esperança, na “criação” que geme em dores do parto, está em se colocar Deus como o Senhor da natureza – e não a prata e ouro -, no discernimento e na mudança de mentalidade e de atitudes.  

O Senhor me faz um convite: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa e tomaremos refeição” (Ap. 3, 20). É tempo favorável para reconhecer a minha debilidade com uma sincera revisão de vida e acolher a graça renovadora.

Despertou-me a atenção, para esse tempo, porque me mostra o perigo em rejeitar a Cruz do Ressuscitado, uma reflexão que li, ainda no Tempo Comum, de São Gregório Magno – Séc. VI: “Sucede frequentemente que um espírito débil, quando recebe aplausos e elogios pelas suas boas ações, se deixa atrair pelas alegrias exteriores, esquecendo as aspirações interiores e fica contente com os louvores que lhe vêm de fora. Quem assim procede encontra maior satisfação em parecer do que em ser verdadeiramente digno de louvor; e, cada vez mais sedento de palavras elogiosas, acaba por abandonar o que tinha começado”.

Iluminaram-me as palavras de nosso bispo diocesano, Dom Vicente Costa, na Missa de Cinzas e abertura da Campanha da Fraternidade. Foi ele discorrendo a respeito e nos conduzindo, com clareza, à luz da Palavra, à caridade, à oração e ao jejum como imprescindíveis à conversão. Ao final, convidou-nos a proceder de maneira a diminuir o gemido de agonia das obras do Altíssimo. Veio-me a profecia de Joel (2, 13), que acabara de ser proclamada: “... rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor, vosso Deus...” De imediato, ocorreu-me as vezes que, com um julgamento ou palavra má, provoquei em alguém gemidos de agonia. Consola-me, contudo, a possibilidade de mudança, de não mais ocasionar dores de parto estéril nas criaturas do Criador, através da caridade e com a força da oração e do jejum. Haverá de ser, pela graça de Deus, que nos dá a Eternidade, o meu caminho, nesta Quaresma, em busca da Páscoa.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DA ÁGUA: A MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO ESTÁ EXPOSTA A UM GRAU ELEVADO DE ESCASSEZ HIDRICA

                        

 

     

                        “A água é determinante para o desenvolvimento econômico e social de qualquer comunidade, e sua escassez impõe fortes limites até mesmo para preservar condições que a sociedade já conquistou. Além de fundamental à vida e à manutenção das funções ecológicas, a gestão desse recurso natural envolve também grandes interesses econômicos na agricultura, na indústria, na geração de energia elétrica, entre outros e, em particular, no abastecimento público...” (Vicente Andreu Guillo, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas – ANA- Correio Popular de Campinas – “Uma Cantareira em sua vida” – 28/11/2010- E8).

 

            Estabelecida pela ONU- Organização das Nações Unidas em 1992, o DIA MUNDIAL DA ÁGUA, que se comemora a 22 de março, revela-se numa data que assume, ano após ano, uma maior importância diante da gravidade que é a escassez do produto. Tanto que, os recursos hídricos e sua biodiversidade estão em crise, ameaçados pela ação humana. Cerca de 80% da população mundial está exposta a um grau elevado de escassez hídrica e 65% das espécies que vivem nos rios estão ameaçadas. Os maus tratos a estes – que historicamente ordenaram a ocupação humana – custam aos países US$ 500 bilhões por ano em ações para remediar o problema.

            Essas são as conclusões do mais amplo estudo realizado sobre a situação deles e das bacias hidrográficas no mundo, publicado na edição da revista científica Nature que circulou em 30 de setembro de 2010. O trabalho foi conduzido por especialistas da Universidade da Cidade de Nova York e da Universidade de Wisconsin, além de sete outras instituições e pode ser consultado no site “riverthreat.net.”.

            “Os rios de todo o mundo estão realmente em crise, tanto nos países ricos e industrializados quanto nos países em desenvolvimento”, afirmou Peter McIntre, professor de zoologia da Universidade de Wisconsin e um dos autores da pesquisa, em reportagem publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” (30/09/2010- p. A32 –“65% da biodiversidade dos rios está ameaçada – Andrea Vialli) que ainda apontou: “Segurança hídrica: Cerca de 3,4 bilhões de pessoas nos países em desenvolvimento estão sujeitas a escassez de água em razão do mau uso dos rios, como a construção excessiva de barragens e hidrelétricas. Biodiversidade: Os seres vivos que habitam os rios, de micro-organismos a peixes, estão ameaçados pela pesca predatória e pela introdução de espécies exóticas – como nas criações do pescado”.

            Por outro lado, o Brasil ainda registra números alarmantes de excluídos dos serviços públicos, considerados essenciais para o bem-estar da população. Apesar dos programas de universalização criados pelo governo, milhares de brasileiros ainda não sabem o que é ter luz e água – seja tratada ou não – dentro de casa. Telefone e coleta de esgoto são serviços que nem passam pela cabeça dessas famílias, que, muitas vezes, não têm nem banheiro em suas residências. De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), 95  milhões de pessoas não têm coleta de esgoto de forma adequada no País, 35 milhões vivem sem abastecimento de água, 6 milhões não têm luz elétrica e 53 milhões estão excluídos dos serviços de telefonia. O trabalho foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PN-DA), referente ao ano de 2005 e lançada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

            Diante de constatações extremamente prejudiciais à qualidade de vida do ser humano, o consumo consciente de água é uma preocupação que deve ser constante, uma cultura que deve ser firmemente incutida no comportamento social, até mesmo como atitude preventiva contra um colapso de abastecimento que a cada dia se mostra mais factível. Como muito bem destacou editorial do jornal “O Correio Popular”, “em regiões onde os rios parecem abundantes e os sistemas de distribuição atingem a grande maioria da população, torna-se difícil para as pessoas comuns dimensionarem a gravidade do problema, sendo bastante comuns os abusos, o desperdício e o descaso com as dificuldades e custos para se obter água em quantidade compatível com o consumo e a necessidade. Somente situações críticas e a cobrança de taxas de serviços elevadas despertam o interesse pela racionalização” e conclui: “Todas as ações possíveis assumem caráter de prioridade, desde a preservação dos mananciais e maior eficiência no sistema de captação, tratamento, distribuição e consumo, tendo em vista a necessidade de garantir o futuro do abastecimento, ganhar tempo para medidas conciliadoras e exploratórias, e em respeito à população que tem a água como um bem extremamente raro” (A2- 01/03/2009 – O consumo consciente de água tratada”).

 

            JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



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JOÃO ALVES DAS NEVES - Brasil: A DIVULGAÇÃO DA CULTURA PORTUGUESA ATRAVÉS DAS ASSOCIAÇÕES LUSO-BRASILEIRAS

 

 

Com cerca de 170 agremiações espalhadas por todo o vastíssimo território brasileiro, o papel que têm cumprido na divulgação da Cultura Portuguesa ainda não foi devidamente avaliado pelos especialistas nem tão pouco pelos governantes dos dois paises que costumam atravessar o Atlântico mais pela devoção turística do que ao serviço dos reais interesses de Portugal e Brasil.

As associações lusobrasileiras, cujo pioneirismo foi inaugurado pelo Real Gabinete Português de Leitura, em 1837, no Rio de Janeiro, têm feito mais pela Cultura Portuguesa do que todos os políticos seja ele qual ele for. Num passado já remoto, lembramos dois estadistas portugueses que tentaram estimular a aproximação de Portugal e Brasil - o Rei D.Carlos, que preparava a sua visita quando foi barbaramente assassinado, juntamente com o filho mais velho, e o Presidente da República, António José de Almeida, que em 1922 veio participar das comemorações do centenário da independência. E os outros reis e presidentes que fizeram – e neste capítulo incluímos os dirigentes dos dois lados, perguntamos o que é que eles fizeram para que portugueses e brasileiros possam unir-se na construção de um futuro comum. Que responda quem souber!

Às associações de espírito lusíada no Brasil já devemos bastante assim como ressaltamos alguns intelectuais e artistas lusos, entre os quais apontamos as obras de Hipólito José da Costa, João Lúcio de Azevedo, Raphael Bordallo Pinheiro e dos contemporâneos Gilberto Freyre, Jaime Cortesão, Pedro Calmon, Ferreira de Castro, Miguel Torga, Serafim Leite e de tantos outros!

Do ponto de vista associativo, o Clube Português passou a ter, desde 1920, uma posição de relevo, no plano cultural, mas, nos últimos decênios anos, foi dos que mais se ressentiu, em São Paulo, da queda do surto emigratório e apenas na presidência de Rui Mota e Costa a crise econômico-financeira foi debelada. Uma nova fase cultural começou em 2010 com a mesa - redonda, coordenada pela escritora Teresa Rita Lopes (da Universidade Nova de Lisboa) e a participação de professores e escritores brasileiros e portugueses, em torno de “As idéias políticas de Fernando Pessoa”, desmentindo que o poeta da Mensagem fosse um mero seguidor do regime fascista. E não o foi, conforme revelaram os documentos do livro Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo, assim como as conclusões do debate (em 14-7-2010), no Clube Português, nas comemorações, no Brasil, do 75º aniversário da morte de criador dos heterônimos.

Um livro foi lançado – 90 anos do Clube Português, sob a coordenação do Centro de Estudos Luís de Camões (órgão cultural da entidade), e nesse volume de 160 páginas reunimos os principais episódios da história da agremiação luso-paulistana, desde 1920 até hoje. Foram recolhidos depoimentos daqueles que têm acompanhado a vida associativa e vão continuar a fortalecê-la enquanto puderem. O volume reúne dezenas de manuscritos e fotografias dos fundadores e colaboradores dos principais acontecimentos, testemunhando o muito que fizeram pela dignificação cultural da Nação Portuguesa no Brasil e da receptividade da acção que tiveram e que ainda cumprem no país irmão. Por fim, vale a pena ressaltar que o espírito lusíada do Clube Português de São Paulo tem como símbolos os dois maiores poetas de Portugal de ontem e de sempre - Luís de Camões e Fernando Pessoa!

 

 

JOÃO ALVES DAS NEVES  -  Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos Quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.
 


publicado por Luso-brasileiro às 13:26
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SÉRGIO BARCELLOS - EMPATIA

 

 

 

Certa vez participava de uma reunião quando lá pelas tantas o coordenador, por sinal uma das grandes inteligências que conheci em minha vida, fez uma colocação aos participantes:

- Espero de vocês durante nossos trabalhos muita empatia.

Os presentes se entreolharam como que surpresos com tal afirmação, entretanto ninguém se manifestou tentado aparentar ter entendido a palavra final da frase, mas que na verdade os participantes tinha duvidas quanto seu significado.

Olhei de um lado, olhei para outro e percebi nos olhares a dúvida que havia no ar. Sem me acanhar, pois na verdade ignorava a palavra empatia sai na frente perguntando ao coordenador o significado.

Tendo ele percebido a interrogação no rosto de cada um disse:

- Não vou falar sobre o significado dessa palavra, quem souber muito bem, quem não souber deve procurar se informar e se inteirando, pois na próxima reunião será assunto para discussão.

Na época, e já se vão mais de 30 anos, consultei vários dicionários, e por desespero meu não encontrei a palavra.

Preocupado, telefonei a TV Cultura em um departamento que prestava serviço de informação ao público apresentando meu questionamento. Após

alguns minutos de espera, atendente me informou que não havia encontrado tal palavra nos dicionários ali disponíveis, mas que eu aguardasse, pois iriam verificar e me dariam o retorno.

Após dois dias recebi um telefonema com a informação:

- Senhor, tem a resposta para sua pergunta, seria interessante anotar;

Empatia = é numa palavra que vem do grego. a preposição em + páthos (estado da alma) que quer dizer: capacidade psicológica para se identificar com o eu do outro, conseguindo sentir o mesmo que este, nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciado.

Ou seja, se identificar com a outra e sentir o que ela está sentindo. Ou ainda se colocar no lugar da outra pessoa.

Isso exige acima de tudo que compreendamos a situação em que ela se encontra.

Interessante, que posteriormente ao fazer uma busca mais aprimorada da palavra, vim saber que alguns geneticistas estão afirmando que a empatia é o que nos difere dos animais e que alguns neurocientistas afirmam ter encontrado a área do cérebro responsável por este fenômeno. Agora vem o pior: é que eles dizem que o alelo responsável por isso é diferente nos criminosos do alelo nas pessoas normais. Portanto o criminoso se caracterizaria por uma grande insensibilidade, talvez nula  de empatia.

Consequentemente a empatia pode não só estar ligada ao cérebro, mas também as coisas do coração, claro falo do coração psíquico, sendo um  sentimento que induz em compreender a situação do outro, a compartilhar naquilo que ele sente. E Isso acontece muito mais na dor, visto que a alegria é fácil compartilhar, pois sempre é contagiante. Nos momentos de alegria contagiamos e somos contagiados facilmente.

Percebemos então que os grandes benfeitores do mundo foram possuidores de uma grande empatia pela humanidade.  Aconteceu com Cristo, e seus discípulos bem como seus seguidores autênticos. Também os pacificadores, aqueles que pensam no bem comum, aqueles que se despojam de si mesmo para servirem a outros. Não faltam nomes a serem citados, bem como, os abnegados anônimos.

Dentre os sentimentos que contamina o homem como o ódio, desamor, vingança, insensibilidade, o pior deles é o último. E sobre isso o grande escritor Érico Veríssimo comentou:

 

O contrario do amor não é o ódio, é a insensibilidade”.

 

Essa toma conta dos corações dominadores do mundo, dos governos, dos grandes banqueiros, dos donos das grandes indústrias, ou seja, aqueles que controlam e dirigem o mundo, contaminados pela estupidez e cegueira da ganância, da volúpia pelo dinheiro permanecendo insensíveis ao sofrimento alheio. Como nas guerras, no abandono de crianças, no aumento desenfreado de uma juventude dominada pelas drogas, pela fome no mundo e tudo mais que estamos cansados de saber.

Parece-me que a afirmação dos neuroscientistas não só atinge aos criminosos, mas também a outro tipo de gente.

Aqui no Brasil são nossos íntimos conhecidos os quais estamos bem acostumados a vê-los em nossos jornais, televisão, vésperas de eleições. Freqüentadores eu diria não muito assíduos de nosso Congresso, Câmara de deputados, Palácios Governamentais, etc, etc, etc.

Bem, paro por aqui, mas saliento que na bíblia esse sentimento chamado empatia recheia aquele santo livro. E para finalizar encerro com palavras de Paulo apóstolo aos Romanos que simplifica e põe ponto final:

 

-“O amor seja sem fingimento. Abominai o mal, aderi o bem. Amai-vos reciprocamente com caridade fraternal adiantando-vos em honrar uns aos outros”.  Rom 12, 9-10

 

SÉRGIO BARCELLOS   - Agrimensor e escritor. São Paulo

 



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Quarta-feira, 16 de Março de 2011
RENATA IACOVINO - O LUGAR DO OLHAR...

                      

 

 

O poeta é aquele que se desmembra em “eus”, ou é ele próprio, nu e desmistificado? Ouve o que sopram as musas ou obedece à direção do vento, mesmo não o sentindo alisar  face e braços? Assenta-se sobre o fantástico ou entrega-se à firmeza do chão? Em qual ficção ele reside, que abrindo portas e janelas, novos lares vão acolhendo suas angústias, tristezas, frustrações, anseios e dúvidas?

“Inspiração” – substantivo feminino atribuído ao poeta quando do momento da criação.  Onde começa e onde termina tal sensação?

Vates transformam concretude em sensibilidade, palpável em subjetividade, e quase sempre plantam-se na divisa da tensão entre o real e o imaginário. A inspiração pode ser aquela vontande incontida derramada por suas veias, coração e cérebro, e diante do aceite de tal fenômeno, natural e necessário, decodificam com seu olhar captador de entrelinhas cotidianas, aquilo que até então era intraduzível.

Esta tradução será apropriada por incontáveis pessoas, tornar-se-á pública, provocará variadas leituras, sujeitas ao grau de temperatura, estado de espírito e demais fatores internos e externos que fazem do ser humano um camaleão diário.

O amálgama sobrevindo da percepção do poeta é mais que alquimia e finca suas raízes em descobertas infindas.  A simbiose criador/criatura é transferida do âmbito íntimo para a esfera coletiva; é compartida, num ato vital democrático; é a abstração convertida em fruição concreta; é o gozo ancestral manifesto.

Retornando à “inspiração”, tenha ela qual conceito tiver, exista pouco ou muito no processo criativo, o fato é que não está solta, à mercê de um ente que a capture no ar e a utilize como um mote psicográfico. O poeta labora, é um trabalhador, faz uso de técnicas, de estilo e de habilidade pessoal para apresentar o que tem de mais precioso.

O poema está para o poeta como o ar para o ser humano; a palavra é o ar que o poeta respira, decifra e transpira pelos poros em forma de versos.

E se o ato de inspirar é involuntário a todo ser vivo... podemos dizer que todos somos inspirados. Falta-nos a atenção necessária para a poesia cotidiana.

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:50
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Terça-feira, 15 de Março de 2011
EUCLIDES CAVACO - CORAÇÃO DE PEDRA
Muito bom dia prezadíssimos amigos...
 
CORAÇÕES DE PEDRA
É um leve chamamento poético para uma reflexão sobre
o nosso corportamento humano que continua a distanciar-se
cada vez mais do verdadeiro sentido da amizade.
Ouça e veja este soneto declamado  aqui:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Coracoes_de_Pedra/index.htm
 
Muito obrigado pelo seu acompanhamento
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 15:20
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e A CARIDADE COMEÇA NA FAMÍLIA

 

 

 

* H I S T Ó R I A

 

Um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário numa penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado na cadeira elétrica.

Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após um pequeno corte em seu pulso – pequeno, mas suficiente para gotejar todo o sangue que tinha no corpo. Se o sangue coagulasse, ele seria libertado, caso contrário, morreria sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha; mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula, e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Ele morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e, ainda, a ação da mente envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela, às vezes, não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre aquilo que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e continuar guardando na mente as maldades que lhe fizeram em algum momento da vida, mas, com o tempo, as feridas podem não ser mais cicatrizadas. Não adie suas boas ações; o lucro maior é sempre seu.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

** A CARIDADE COMEÇA NA FAMÍLIA

 

 

O nosso trabalho na Sociedade São Vicente de Paulo nos leva a testemunhar muitas injustiças sociais e algumas chegam a nos comover profundamente. É impressionante constatar de perto a miséria em certas famílias, abandonadas à sorte pelos próprios parentes! Por que será que isso acontece?

Os motivos (ou desculpas) são diversos. Quando um pai se refere ao filho que está desfrutando de boa situação financeira, diz que o ‘coitado’ tem os seus próprios compromissos e não pode assumir outras despesas. Quando outro pai de família, cheio de filhos, comenta que os seus pais possuem bens noutra cidade, alega que não combinam de gênio e nunca daria certo morarem juntos. E por aí vai...

De acordo com as nossas possibilidades, ajudamos os mais necessitados, independente de raça ou religião. O nosso trabalho vicentino envolve também o crescimento espiritual da família, desde que aceitem alguma orientação nesse sentido. Acreditamos que com cesta básica mensal, oração, higiene, trabalho e educação, aos poucos, muitos renascem para a vida.

Voltando aos elos familiares, algumas necessidades não poderiam ser supridas pelos próprios parentes? Em muitos casos, sim. Principalmente quando o sofrimento maior vem do espírito, qualquer filho ou irmão de sangue poderia estar ajudando.

É triste dizer isso, mas, infelizmente, um pouco de carinho com um pouco de atenção chegam a despistar a fome ou a tristeza de muita gente. Seria mais importante para alguns pais verem um parente chegando para prestar solidariedade do que o seu alimento batendo à porta. Mesmo sabendo dessa verdade, pouco podemos fazer nesse sentido, pois outros assistidos sempre esperam o nosso socorro.

O desemprego aumenta, a fome assusta e as doenças preocupam. Enquanto não podemos atuar diretamente contra esses ‘fantasmas’, será que não existe alguém de nossa família esperando por carinho e atenção? Imagine algum parente seu que sofre e reflita o que Jesus Cristo gostaria de lhe pedir que fizesse por ele.

Quantas mães rezam terços e terços sozinhas! Quantos pais idosos não vão mais à missa porque ninguém os leva! Quantos filhos se revoltam com a vida indigna dos pais! Quantos gostariam de ter as migalhas dos ricos para comer! Quantos agonizam por falta de remédios!

Acho que não é necessário dizer mais nada, pois cada um sabe o que poderia estar fazendo pelo seu irmão e não faz. Quanto ao irmão ser ou não de sangue, para Jesus não importa, mas julgando com o meu coração humano e também pecador, dói mais quando vejo alguém sofrendo, sendo que a família tem condições de acolhê-lo e o deixa abandonado. Pense nisso.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:24
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