PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e OS PRESENTES DE DEUS

 

 

 

* H I S T Ó R I A

 

Tempos atrás, num distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos. Lá chegando, um pequeno e feliz cãozinho olhou através da porta, mas, para sua grande surpresa, deparou-se com outros mil pequenos e felizes cãezinhos – todos com os rabinhos balançando tão rapidamente quanto o dele. Logo abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos! Quando saiu, pensou: ‘Que lugar maravilhoso! Voltarei um montão de vezes’.

Neste mesmo vilarejo, outro cãozinho não tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Também olhou através da porta e, quando viu mil olhares hostis de cães que lhe fitavam, rosnou e mostrou os dentes. Ficou horrorizado ao ver mil cães mostrando-lhe os dentes lá dentro. Saiu correndo e pensou: ‘Que lugar horrível! Nunca mais volto aqui’.

Bem, os rostos que nós conhecemos têm um pouco de ‘espelho’ e podemos considerar que fazemos parte de uma casa de quase mil espelhos diariamente! Quando conversamos com alguém que transmite paz e fé, não desejamos que o mundo seja assim um dia e não ficamos mais aliviados dos problemas que nos afligem?

O mesmo ocorre com aquelas pessoas que interagem conosco; portanto, repare bem na imagem que você vê nos rostos que encontra em seu caminho, pois podem ser o reflexo do seu próprio rosto!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

**  os presentes de deus

 

Deus nos deu Jesus e Maria de presente aqui na Terra e, como não existe nada melhor que isso, deveríamos saber agradecer o Pai por essa grande bênção em nossas vidas.

Mas, mesmo sem merecermos, os presentes do céu continuam chegando – porque a bondade e a misericórdia de Deus são infinitas! O simples fato de continuarmos respirando a cada dia que amanhece também é uma bênção, assim como a nossa fé católica e a proteção que temos dos anjos e santos são bênçãos maiores ainda. Enfim, não existem palavras capazes de expressar as graças que são derramadas sobre nós neste mundo de Deus.

No meu caso, dou graças ao Senhor, meu Criador, não somente pelas coisas materiais que posso desfrutar, mas, principalmente pelos valores espirituais que aprendi a cultivar. Hoje, sei que a caridade e a oração não podem deixar de existir na minha vida. Quanto mais eu rezo e ajudo os pobres, mais presentes eu recebo de Deus.

Quando comecei minha caminhada em comunidade católica – há cerca de 15 anos –, por rezar pouco e quase não participar de obras de caridade, eu não imaginava vir a ser, um dia, tão abençoado! Sem citar fatos menores para não me alongar muito, vou contar alguns ‘presentinhos’ que recebi nesse período.

  • Em primeiro lugar, sem dúvida, está a proteção de Nossa Senhora. Ela tem me surpreendido com inúmeras graças que só a fé explica. Além das orações que faço em agradecimento, me consagrei a Ela e sempre dou testemunhos do seu amor por mim.
  • Um segundo presentinho: alguns amigos terem me levado para a Sociedade São Vicente de Paulo. Isso veio preencher um grande vazio dentro de mim, possibilitando eu ser orientado a praticar a caridade com critérios justos de favorecimento aos mais necessitados. Aprendi que ser proclamado vicentino é um caminho sem volta e, a cada dia, mais me conscientizo que Jesus Cristo está presente no meio dos pobres.

E os presentes espirituais não param aí. Ajudo na Pastoral Familiar, nos movimentos de Cursilhos, Ovisa, Casar, sou Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística, comunicador católico, canto e continuo me esforçando para um dia ser digno de tantas bênçãos de Deus.

Com certeza, querido leitor, você possui dons maravilhosos que o Criador lhe deu gratuitamente. O amor é o maior deles e pode dar frutos maravilhosos!

Reconheça que Jesus e Maria querem continuar morando no seu coração e ajude a construir o Reino de Deus em tudo aquilo que puder.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI 



publicado por Luso-brasileiro às 17:49
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Domingo, 10 de Abril de 2011
PINHO DA SILVA - REFLEXO

                      

 

 

Hóstia em sangue, vermelha, incandescente,

morre, no verde mar, a anoitecer;

e logo outra hóstia, branca, opalescente,

sobe, sobe, no céu rosicler.

 

 

Mas, coisa misteriosa e inaudita:

quem vir essa hóstia, tal se mostra, exangue,

muito lhe custa a crer, mal acredita,

que reflicta a luz da cor de sangue!

 

 

Ora ouvi:- no Calvário, o bom Jesus,

foi Hóstia em sangue, a arder de amor ( a sós!...),

Em mar alto dos braços duma cruz;

 

 

e, como a lua, o Pão Branco do altar

ascende, a reflecti-lo para nós,

inda que isso vos custe a acreditar!

 

 

PINHO DA SILVA  Vila Nova de Gaia, Portugal

 

                    



publicado por Luso-brasileiro às 19:31
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ALBINO JÚNIOR - O MISTÉRIO DAS BONECAS

 

            

 

 

 

PERSONAGENSCECÍLIA, muito bonita;

 

 

 

                               – CARINE ,ela pronuncia muito bem as palavras; tem bom vocabulário. Veste-se, olha, caminha, sempre imitando os trejeitos de uma verdadeira boneca;

 

 

 

CENÁRIO – Uma coleção de bonecas no quarto de Cecília;

 

 

 

ÉPOCA –Atual;

 

 

 

IMPORTANTE – As falas, quando em negrito, são ouvidas pela platéia.

 

 

 

CARINE – Ai. Estou exausta, cansada, com dor nas costas de tanto ficar aí,  parada, esperando a noite, pra dar umas voltas. Vocês não vêm hoje? Está bem. Vou caminhar sozinha, então. Esperem. Vem vindo alguém. Mas a esta hora? Quem pode ser? (Esconde-se entre as bonecas) É a minha dona. Finalmente. Tenho de transformá-la hoje, sem falta. Há duas na fila à minha espera. Como vai, Cecília.

 

 

 

CECÍLIA (Em off) –Quem me chama? Tem alguém, aí?

 

 

 

CARINE – Sou eu.Sua amiga Carine.

 

 

 

CECÍLIA (Entrando) – A única Carine que eu conheço é aminha boneca.

 

 

 

CARINE –Exatamente.Eu mesma.

 

 

 

CECÍLIA – Deixe debobagem.Bonecas não falam.

 

 

 

CARINE – “Existem muito mais coisas entre os humanos e as bonecas do que sonha nossa vã filosofia.”

 

 

 

CECÍLIA – O que pode haver entre "eu" e as bonecas, por exemplo?

 

 

 

CARINE – Isto. (Levanta-se, dá umas voltas, improvisa alguns passos de balé, etc.)Não vai me dar um beijo?

 

 

 

CECÍLIA – É alguma brincadeira.

 

 

 

CARINE –Ledo engano. Vi você chorando e vim ajudá-la.

 

 

 

CECÍLIA – Pera um pouco.Bonecas são mudas, não andam, não falam.Ou eu tô sonhando?

 

 

 

CARINE –Não,amiga. Nós,bonecas, temos os nossos segredos. Este, de voltar à vida, às escondidas, no silêncio da noite, é um deles. Existem muitos outros, evidentemente.

 

 

 

CECÍLIA –Só pode ser pegadinha. Minha mãe é capaz de tudo.

 

 

 

CARINE – Deixe a dona Laura em paz e me conte o que aconteceu.

 

 

 

CECÍLIA - Não tô gostando muito dessa história mas acho que fala vai me fazer bem. Pelo menos você eu acho que não vai sair espalhando por aí,não é ?

 

 

 

CARINE – Pode ter certeza.

 

 

 

CECÍLIA –Bom, tem um menino aí, o Thiago,que tá apaixonado por mim.

 

 

 

CARINE –Tal fato é motivo de alegria,não de choro.

 

 

 

CECÍLIA – Fomos juntos ao cinema e alguém contou pra minha mãe.

 

 

 

CARINE –Que trágico acontecimento. Qual foi a atitude de dona Laura ?

 

 

CECÍLIA –Quase nada. Só me proibiu de entrar na Internet por um mês.

 

 

 

CARINE –Um  mês é muito tempo. Porque ela foi tão severa ? Você fez alguma outra coisa proibida?

 

 

 

CECÍLIA –Claro que não.

 

 

 

CARINE – Impedi-la de sair, até consigo entender, mas privá-la da Internet...

 

 

 

CECÍLIA – É que ligo ocomputador e já vou falar com ele no Messenger.

 

 

 

CARINE – Entendo.Onde está o mal,como sua mãe diz ?

 

 

 

CECÍLIA –Depois da história do cinema ela virou bicho. Não dá raiva ?

 

 

 

CARINE –Sem dúvida.

 

 

 

CECÍLIA –Agora tô armando  um plano pra me vingar. Isso não vai ficar assim. Você vai ver.

 

 

 

CARINE –Cuidado. Mãe, no caso de vocês, é uma instituição sagrada.

 

 

 

CECÍLIA – Deixe pra lá. Depois vou ver o que eu faço. E,  você?  Quehistória é essa de falar,andar,conversar. Alguma mágica que eu não conheço ?

 

 

 

CARINE – De certa maneira,sim.

 

 

 

CECÍLIA (Risinho ingênuo) –Não sabia que você falava tão gozado.

 

 

 

CARINE –Nós bonecas, não temos osv ícios de linguagem de vocês.

 

 

 

CECÍLIA –Quer dizer que nós, humanos, temos vícios? Vocês, não ?

 

 

 

CARINE –Perfeitamente. Somos fabricadas em série, sob rigoroso controle de qualidade. Todas são absolutamente iguais e perfeitas.

 

 

 

CECÍLIA –Caramba. E todas falam assim?

 

 

 

CARINE –Como, assim?

 

 

 

CECÍLIA –Igual a um advogado. Parece minha professora de português. Às vezes tenho de anotar alguma coisa que ela diz e depois procurar, no dicionário.

 

 

 

CARINE – Procedimento correto.

 

 

 

CECÍLIA – Voltando ao assunto.Como é que você passa a ser normal,assim.

 

 

 

CARINE –Agora estou anormal.Natural,para mim, é ser apenas uma boneca, boazinha, obediente, sempre pronta a brincar com a sua ama e senhora.

 

 

 

CECÍLIA –Devagaraí. Falando desse jeito até parece que você é uma escrava, aqui.

 

 

 

CARINE – E não sou? Quando você está no telefone ou na Internet, horas a fio,eu permaneço aqui,jogada, esquecida.

 

 

 

CECÍLIA – O que eu deveria fazer? Falar apenas com você? Ficar o dia todo te carregando no colo ?

 

 

 

CARINE –Porque,não?

 

 

 

CECÍLIA – Tá na hora de me afastar de uma vez dessas bonecas, sabia? Vou fazer treze anos mês que vem. Já sou  uma  moça. Veja. (Estufa o peito e exibe as marcas dos seios sob o vestido) E já tô namorando, esqueceu?

 

 

 

CARINE – Cest la vie.

 

 

 

CECÍLIA – O quê ?

 

 

 

CARINE –Francês. Cest la vie. É a vida.

 

 

 

CECÍLIA – Tentando voltar outra vez ao assunto: como é que você...

 

 

 

CARINE – Simples. Vem cá. (Leva Cecília para fora do palco e, falando, pega a caixa de maquilagem, roupas, sapatos, meias e outros materiais de boneca, etc.) Vou pegar minha caixinha de maquilagem, pintá-la e vesti-la como uma boneca. Espere um pouco. Você vai compreender, em poucos minutos, como se dá ametamorfose.

 

 

 

CECÍLIA – Me-ta-mor...

 

 

 

CARINE – Fose. Me-ta-mor-fo-se. Ou transformação. Você vai sentir na carne – ou melhor, no algodão do nosso recheio – o qu e é uma alomorfia.

 

 

 

CECÍLIA – Ô loco. A-lo-m... Não éperigoso ?

 

 

 

CARINE – Em absoluto. Vamosl á, eu te ajudo. (Conversando amenidades, ela entrega o vestido, e começa a maquilar Cecília, que entra, minutos depois) Ficou perfeita.  Uma autêntica boneca. Parabéns.

 

 

 

CECÍLIA –Tudo bem, mas o que eu faço, agora ?

 

 

 

CARINE – Espere um pouco. A mudança, às vezes, demora um pouco.

 

 

 

CECÍLIA – Tem mesmo certeza de que...

 

 

 

CARINE – Shiiit!

 

 

 

CECÍLIA – O que  foi?

 

 

 

CARINE – Vem vindo alguém. Para o chão, rápido. Deite-se ao meu lado.

 

 

DONA LAURA(Voz de dona Laura em off) – Que bagunça, meu Deus. Depois que começou com essa bobagem de namoro, essa menina tá cada vez mais relaxada. Vou dar um jeito aqui. Nossa. Epa!, essa boneca aí é igualzinha a ela. (Afasta-se. A última fala, a seguir, soa longe) Credo.

 

 

 

CARINE – E então? Como está se sentindo?

 

 

 

CECÍLIA –Tudo bem. Só que bati acabeça quando nos atiramos ao chão. Veja, até cresceu um calombo aqui.

 

 

 

CARINE – E eu caí sobre o braço esquerdo. Felizmente não sentimos dores.

 

 

 

CECÍLIA –Bom,até agora não percebi nada desse negócio de me-ta-mor-fo-se.

 

 

 

CARINE – Tenhacalma. Amutação aproxima-se do final.

 

 

 

CECÍLIA – Mu-ta...

 

 

 

CARINE –Mutação.Modificação. Transformação.Metamorfose. Percebo que você, além de inocente, carece de leitura.

 

 

 

CECÍLIA – Desculpe.

 

 

 

CARINE – Shiit.

 

 

 

CECÍLIA – Outra vez? (Atiram-se novamente ao chão) – É o Thiago e a minha mãe.

 

 

 

DONA LAURA(Em off) – Faz horas que ela sumiu. Deve estar na casa de alguma amiga.

 

 

 

CECÍLIA (Cochichando) – É o meu namorado, o Thiago. E, agora?

 

 

 

CARINE – Fique quietinha e não se  mexa.

 

 

 

CECÍLIA (Deste instante em diante ela começa a se portar como uma boneca, andando, falando, etc. Apenas a platéia as ouvem) Não, senhora. Vou falar com eles. Não tô gostando desse negócio. Mãe. Thiago.

 

 

 

CARINEEles não podem ouvi-la. A metamorfose completou-se.

 

 

 

CECÍLIA (Desesperada)MÃE!

 

 

 

THIAGO (Também em off) –Aqui só estão as antigas bonecas dela.

 

 

 

DONA LAURA(Idem) – E que agora,com treze anos,já começa a abandonar.

 

 

 

THIAGO (Idem) – Poxa.Como aquela boneca ali, é parecidac om ela, não, donaLaura?  Veja.

 

 

 

CECÍLIASou eu mesma, caramba. Socorro, gente.

 

 

 

CARINENão adiante. Já disse.

 

 

 

DONA LAURA(Idem) – É verdade. Eu já havia reparado.

 

 

 

THIAGO (Idem) – É demais a  semelhança. Vouligar pras amigas dela, dona Laura.Qual que rnotícia, aviso a  senhora.

 

 

 

DONA LAURA(Idem) – Obrigada, Thiago. (Ambos afastam-se)

 

 

 

CARINE  Parabéns. Agora você é uma verdadeira boneca.

 

 

 

CECÍLIA (Desesperada) – Mas eu não quero ser boneca. Socorro. Mãe, Thiago, me ajudem, caramba!

 

 

 

CARINENão insista, Cecília. É inútil. Você é a mais bela boneca da minha coleção. Hoje à noite vou à casa da Patrícia, aí na frente, para executar mais uma alomorfia. Você ficou ótima. A melhor de todas até agora. Estou orgulhosa. Vou povoar o mundo de bonecas, cada vez mais lindas, como você. Adeus, querida. (Saindo)

 

 

 

CECÍLIAEspere. Como você fez isso comigo?

 

 

 

CARINE – A maquilagem. A tinta utilizada é um segredo egípcio, de quatro mil anos. Ela provoca a transformação.

 

 

 

CECÍLIA – Por favor não me faça essa maldade.

 

 

 

CARINE – Maldade? Acabo de criar a minha obra-prima e você agradece assim, ofendendo-me? Esta é a missão imposta a mim, aqui na terra. Perdi a conta de quantas bonecas produzi até hoje.

 

 

 

CECÍLIA – Oh, Deus, tenha piedade de mim. (Carine volta, beija-a e sai, gargalhando histericamente)

 

 

  

Jundiaí, 15 dejaneirode 2003. Ouvindo Beethoven,principalmenteo “Claire de Lune”

 

ALBINO JÚNIOR   - Escritor  - Jundiaí, SP  -  Brasil 



publicado por Luso-brasileiro às 18:03
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - BRUNA SURFISTINHA

                       

 

 

Raquel Pacheco, de 26 anos, que viveu como garota de programa em São Paulo, dos 17 aos 21 anos e adotou o pseudônimo “Bruna Surfistinha”, tornou-se conhecida, através da mídia, primeiramente pelo blog em que começou a comentar sua rotina como prostituída. Depois, veio o livro: “O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de uma Garota de Programa” - descrição da venda de seu corpo e dos que o buscavam, escrita pelo jornalista Jorge Tarquini. Em 2006, foi lançado outro livro de Raquel, com textos do mesmo jornalista: “O que aprendi com Bruna Surfistinha” – histórias sobre o seu envolvimento com jogadores de futebol, galãs de novelas e outros clientes famosos. Em 2007, o terceiro livro: “Na cama com Bruna Surfistinha”. Neste ano, o filme de Marcus Baldini, com Deborah Secco como Bruna, inspirado no primeiro livro, que é sucesso de bilheteria.

Em entrevista à “Folhateen”, do Jornal Folha de São Paulo – 14/03/2011 – pág. 7, Raquel diz que se arrepende da vida de garota de programa. Lamenta as sequelas, como a quase overdose. O que buscava, segundo a moça, era somente amor, num tempo em que acreditava que seus pais adotivos não lhe queriam bem.

A essência do submundo da prostituição, nos lugares mais pobres ou nas boates e apartamentos de luxo, com clientes vips  ou de salário mínimo, não muda. Há homens infelizes, que não entendem ou não vivenciaram um amor verdadeiro, e aqueles que perderam o domínio sobre seus instintos, encontrando-se, em relação ao impulso para a mulher, em estágio de irracionalidade. Existem mulheres, vítimas de violência e promiscuidade sexual, filhas de todos os tipos de miséria quando meninas, que se comercializam para a sobrevivência própria e de seus descendentes. Há mulheres que relacionam felicidade com consumismo e se trocam pela marca do sapato, pela etiqueta da roupa, pela moda, por um carro do ano. Existem violências físicas e emocionais, drogas, desamparo, gosto de fel no dia seguinte. Há, para alguns, a satisfação pelo exercício do poder: faço o que quero com quem compro. Existe uma solidão imensa, nesse mundo/ submundo, porque, na transação comercial, as almas não se encontram.

O rapper Emicida, em entrevista no mesmo jornal citado, destaca versos da música-tema do videoclipe “Rua Augusta”: “A maquiagem forte esconde/ os hematomas na alma. (...) A mesma grana/ que compra o sexo/ mata o amor”.

Embora Raquel afirme que não valeu a pena, penso que ela ainda não encontrou o seu caminho de liberdade da degradação, pois negocia, atualmente, em livros e filmes, a sua intimidade, na qual, homens diferentes depositaram seus desvios e taras e que ela, com consciência ou não, acabou estimulando. Intimidade transformada em objeto impede a pessoa de um encontro mais profundo consigo mesma, de sabedoria diante dos acontecimentos da vida, de força para reagir nos naufrágios.

Que pena a prostituição continuar empurrando a história de Bruna Surfistinha ou Raquel Pacheco!

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala



publicado por Luso-brasileiro às 15:15
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JOSÉ RENATO NALINI - JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA

                   

 

 

O Presidente José Roberto Bedran, do Tribunal de Justiça, pediu-me que falasse em nome da Corte no dia em que o Brasil lamentava a morte do homem que comoveu o Brasil com sua epopeia nos últimos 14 anos.

Tentei traduzir os sentimentos de meus pares, falando como segue. A Justiça de São Paulo também está consternada com o passamento do Ex-Vice-Presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, que durante oito meses foi Presidente da República, ao assumir o cargo durante as viagens do titular. Múltiplas as razões para o reconhecimento de que a partida, há tanto esperada, seja motivo de celebração dos atributos desse homem público.

No Brasil recente, em que as práticas políticas não têm primado pela ética, a conduta desse mineiro que é modelo de self made man foi uma exceção promissora. Alavancou, com sua credibilidade, uma candidatura que prenunciava turbulência e instabilidade. Afiançou as linhas adotadas por um governo que não era unanimidade e que ele mesmo criticou, com lisura, mas de forma consistente.

Mas a vida pública não esgota o acervo de qualidades de José Alencar.
Na sua luta contra o câncer mostrou-se humilde, persistente e corajoso. Não hesitou ao encarar a morte e mostrou à nacionalidade o que significa a transcendência. A confiança de que este estágio – pequena janela aberta entre dois nadas – é trânsito para uma aspiração de toda criatura humana: eternizar-se, ainda que seja apenas na memória dos seus coetâneos.

Exemplo de empreendedor, de quem se ausenta de seus interesses privatísticos para servir à Pátria e de quem, diante do chamamento da morte, assume a postura de resignação cristã – verdadeiramente estoica – mas de destemor e desafio, para adiá-la o quão possível.

O Tribunal de Justiça de São Paulo associa-se às manifestações de pesar exteriorizadas por todo o país e endereça à família de José Alencar Gomes da Silva, na pessoa de seu filho José Christiano Gomes da Silva, os sentidos votos de condolência do Judiciário bandeirante, pela perda de seu genitor.

 

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 15:10
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Côn. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - A VONTADE DIVINA E A HUMANA

 

[Cônego.jpg]

 

 

 

Jesus afirmou: “Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). Aliás, na Agonia no Horto das Oliveiras, Ele assim orou: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este  cálice; contudo, não se faça como que quero, mas como tu queres” (Mt 16, 39)  Deixou magnífico  exemplo para seus seguidores. Santo Agostinho sabiamente ensinou  que “a vontade é a potência pela qual se erra e se vive com retidão”. Daí a necessidade da atenção para com esta faculdade da alma que pode ser prejudicada pela indecisão ou falta de resolução firme para aderir às inspirações divinas. Todo progresso espiritual consiste em desejar firmemente seguir os ditames celestes. A egolatria pode sutilmente levar o cristão a não querer sujeitar-se à voz de sua consciência  Daí a necessidade da maleabilidade nas mãos do Divino Espírito Santo, para que todas as intenções sejam verdadeiramente retas e não meros caprichos humanos. Eis porque advertia São Paulo aos Filipenses sobre aqueles que buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo (Fl 2,21). Donde ser preciso solicitar sempre a graça  da constância para que se fuja da precipitação, da volubilidade, não sendo  nunca o discípulo de Cristo irresoluto e instável, conforme advertiu de São Tiago (Tg 1,8). Para isto mister se faz equilibrar o coração com a inteligência. Estando esta iluminada, cabe à vontade executar com sumo amor e total disposição o que deve ser realizado em cada momento. Aliás, a finalidade última de toda oração deve a total conformidade com os desígnios do Ser Supremo. Esta imolação da vontade própria é sumamente agradável a Deus. Tudo depende do domínio de si mesmo, o qual torna o cristão imune dos desvios que impedem sua adesão ao bem a ser praticado. Nunca se pode esquecer que a fidelidade, mesmo nas pequenas atitudes,  cerra a porta a quase todos os males das potências superiores da alma, pois treina a vontade para o total autodomínio, levando a uma tranqüilidade absoluta no falar e no agir, graças ao valor das virtudes internas do espírito.  Chega-se então à aquela moderação de que fala São Paulo a Timóteo, levando cada um “uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e decoro” (1 Tm 2,2). É que aceitar a vontade de Deus em todas as circunstâncias, durante todo o dia, é uma grande prova de amor. Convém, porém, notar que  sendo Deus luz e amor ele se comunica com a pessoa humana de vários modos.  São João da Cruz, sem querer, evidentemente, fazer um jogo de palavras diz que “às vezes percebe-se mais conhecimento do que amor; outras, mais amor do que inteligência ..., ou só conhecimento e nada de amor ..., ou só amor sem nenhuma informação do Espírito Santo”. O que vale, contudo, na prática é a reta intenção de fazer o que Ele quer e não o que cada um desejaria fazer. É que um ato de vontade constante feito com total dileção para com Deus vale muito mais do que os grandes heroísmos passageiros, esporádicos. É deste modo que a vontade humana vai se tornando livre e generosa, como era a de Cristo, o qual pode dizer ser seu alimento fazer a vontade do Pai (Jo 4,34). É lógico que  esta  conformidade absoluta com os desígnios de Deus leva o cristão a suportar com paciência todas as incongruências de uma passagem por este vale de lágrimas como é o presente exílio nesta terra. Estas provações então purificam o coração como o ouro no crisol. Quantos cristãos, infelizmente, quando Deus envia qualquer desgosto, por pequenino que seja,  chegam até a se revoltarem contra Ele. Ainda bem que o Onipotente é paciente, pois poderia punir imediatamente estes insurgentes. Por tudo isto, o acatamento de tudo que Deus permite se torna fonte maravilhosa de merecimentos. A dependência filial em todas as circunstâncias da vida, este abandono amoroso nas mãos da divina Providência, este oferecimento  habitual nas dificuldades que surgem, esta paciência inalterável atraem o beneplácito do Todo-Poderoso Senhor. É quando o cristão deve se lembrar das palavras de São Paulo aos Coríntios: “Realmente, o leve peso de nossa tribulação no momento presente, prepara-nos, além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória; não que nós olhemos as coisas visíveis, mas para as invisíveis; é que as coisas visíveis são transitórias, ao passo que as invisíveis são eternas” (1 Cor 5,417-18). Além do mais, a imperturbabilidade é o  venturoso resultado da aceitação de tudo como vindo da mão de Deus. Tudo é, deste modo, contemplado através do prisma da divina Sabedoria . É desta maneira que o querer humano vai se transformando no querer divino. Pensar, desejar, aspirar, sentir  em tudo conforme a adorável vontade divina deve ser sempre o grande intuito do verdadeiro imitador de Jesus Cristo. 

 

 

JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -  da Academia Mineira de Letras. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.  



publicado por Luso-brasileiro às 15:01
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - EDUCAÇÃO PARA A VIDA - parte 1

 

 

                Hoje se fala muito em educação continuada, como um conceito de que as pessoas devem prosseguir pela vida, sempre em renovação de conhecimentos, sempre aprendendo coisas novas. Sinceramente, não creio que isso se restrinja à educação formal, no sentido de que as pessoas precisam ficar se pós, pós, pós graduando. Ao menos, não por obrigação. Se por prazer, tudo certo.

                Certa vez ouvi uma senhora, já beirando os oitenta anos, dizer que era uma bobagem ficarem perguntando como eram as coisas no “tempo dela”, afinal de contas, se ela está viva, o tempo dela também é o presente! Depois disso, passei a encarar algumas coisas de forma muito diferente. Ou seja, não tem mesmo isso de “meu tempo”. O momento presente é uma realidade que pertence a todos que nele vivem. O que ocorre, muitas vezes, é que as pessoas que nasceram há mais tempo, não acompanham as invenções da sociedade moderna, e isso pode causar  certa dificuldade de adaptação.

                Bom, assim, acredito na educação continuada como meio de adaptação. Quem se adapta, integra-se, vive dentro do tempo, o tempo todo. Vejo muitos idosos que dão de dez a zero em muita gente jovenzinha. Conheço um Sensei de Karatê que, aos setenta anos, possui vigor físico de fazer inveja a muita gente. Mas o que mais me surpreende é vê-lo conversando com alunos crianças e adolescentes, de uma forma natural, contemporânea. Ninguém pode negar-lhe uma juventude ímpar, única.

                Essa forma de juventude me faz querer descobrir de onde brota, qual a sua fonte. Penso ser um equívoco o sentimento de que ser jovem é parecer como tal. Com raríssimas exceções, favorecidas pela genética, ninguém tem, verdadeiramente, aparência de vinte anos quando já se tem quarenta ou cinqüenta. Essa é uma ilusão que é vendida a altos preços por aí. Os resultados mais comuns são pessoas com cara de roupa passada a ferro e muita gente infeliz...

                É claro que é válido e eu também gosto, de usar a ciência e tudo aquilo que ela proporciona para manter uma aparência mais leve, mas somente acho tristes os excessos, a busca desenfreada pelos anos que não voltam, mas que, seja como for, foram vividos...

                Então, quando falo em adaptação, penso que as pessoas devem saber usar os aparelhos domésticos, usar o caixa eletrônico, usar a internet, conhecer as músicas e livros novos, conseguir mandar um simples SMS dos seus celulares. Isso é adaptação, é educação continuada. Educar-se para vida, vida que só acaba quando acabar, mas não antes. Não devemos nos ver como coisas que vão ficando sem serventia, sem os necessários botões de ajuste. Li recentemente que as pessoas não nascem novas e vão ficando velhas, pura e simplesmente, mas que vão se modificando, de forma que, a cada ano, somos a versão mais atualizada de nós mesmos.

                Se não pudermos ser versões “novas” na lataria, devemos ser em alma, em conhecimentos. Devemos ser melhores a cada dia, melhores em sentimentos, melhores em caridade, em afeto, em tolerância. Infelizmente, é comum vermos pessoas que o tempo somente fez azedar, amargurar. Ressentidas do que não puderam ou não quiseram ser, não aceitam o mundo que se modifica a cada dia, não se reciclam, não atualizam seus valores, sequer se permitem ou aos outros, o benefício da dúvida. Gente assim fica velha no pior sentido. Fica de alma seca, empoeirada, como se fossem múmias  vivas, gente do tempo passado, daquele tipo que diz “no meu tempo sim é que tudo era bom”. Desse envelhecer eu tenho medo, até porque do outro não dá para escapar com vida...

                Fico encantada quando conheço gente que é atemporal. São pessoas para as quais a idade é um número, respeitado, mas não limitante absoluto, não ditador das horas de ser feliz... A educação, dessa feita, é um movimento eterno, contínuo, rejuvenescedor.

                Como educadora, professora que também sou, preocupo-me com isso, eis que, no dia em que eu pertencer somente ao tempo dos meus anos passados, nada mais terei a passar adiante, nada mais poderei criar ou recriar, pois um professor prepara sempre para o futuro, mesmo que embasado em experiências passadas, mas sem miopia de futuro.

                Pensando no processo de educação, comecei a refletir sobre a educação física continuada e concluí que essa é extremamente relegada ao esquecimento, sendo a causadora de muito sofrimento, mas sobre isso escreverei na semana que vem...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:58
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EUCLIDES CAVACO - GUITARRAS DO MEU PAÍS
Olá prezadíssimos amigos
 
GUITARRAS DO MEU PAÍS
É o poema declamado que vos ofereço esta semana no qual tento ilustrar
o êxtase sentimental a que o trinar da nossa guitarra portuguesa nos conduz.
Ouça e veja este tema aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Guitarras_do_Meu_Pais/index.htm
 
O meu fraterno abraço para todos vós.
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 


publicado por Luso-brasileiro às 14:53
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SÉRGIO BARCELLOS - MANHÃ DE DOMINGO

                     

 

 

Uma manhã ensolarada sempre é muito linda, mas uma manhã ensolarada de domingo é especial.

A manhã de domingo tem algo de belo, trás a marca do dedo de Deus, é o dia do descanso, por isso ressalta aos nossos olhos, aos nossos ouvidos, ao nosso coração.

Desperto e vejo entre as frestas da janela os primeiros raios de sol anunciando que a natureza será mais encantadora, mais tranqüila. Ouço o cantar dos sabiás e bem-te-vis fazendo a corte para sua amada, são eles o despertador da natureza. Sentimos nesse cantar um tom mais melodioso, mais doce, simplesmente por ser uma manhã especial. Conseguimos prestar mais atenção nas coisas e saborear mais esse belo momento da criação.

Sabendo que nesse dia não haverá aquelas obrigações diárias, numa explosão de paz, fico imaginando que esse momento poderia se eternizar.

Manhã de domingo realmente é diferente, sem o barulho costumeiro da semana, aguçado pelos automóveis, coletivos, pessoas apressadas num alvoroço barulhento dos afazeres diário. O mundo pára, difere e nos ressalta com uma força divina, uma beleza incomum, acentuando o perfume das flores, o cheiro do orvalho do campo umedecido pela madrugada, nos mostrando algo diferente dos dias rotineiros da semana. Trás um silêncio confortante, dando a sensação que o mundo realmente parou e que tudo isso nos direciona a uma paz, penetrando fundo em nós, com um recado expresso: “eu existo, eu estou aqui”.

Perceba a refeição da manhã, se torna mais gostosa, tomamos com calma, não há pressa, tudo é lento, prestamos mais atenção na conversa familiar.

Lembro-me nos meus idos tempos de juventude, quando ao domingo, levantava-me e saía a ir jogar o futebol, que todo jovem gosta, e pelo caminho me encontrava com aquelas senhoras já voltando da missa das sete horas, trazendo consigo o pão, o leite, o jornal do domingo,

- Bom dia Dna. Teresa!

- Bom dia, está atrasado para a missa das oito horas!  Dizia ela.

E eu achando muita graça, apenas respondia com um sorriso silencioso. Mal sabia ela o que eu queria realmente era encontrar os amigos para o futebol, e assim, continuava em meu caminho, seguindo e prestando atenção no belo da natureza. Sabedor dessa oportunidade não queria perder nada que me deparasse, pois me era oferecida uma vez por semana. Seguia pelas ruas silenciosas, com o sol sorrindo até meu destino, desfrutando desse espetáculo que só a manhã de domingo pode propiciar.

Sem duvida um momento especial, porque essa manhã é mais clara aos nossos olhos, traz mais luz, o vento se torna brisa suave, seu colorido tem um destaque especial, e assim podemos ouvir o barulho do silencio, e se você nunca ouviu esse barulho aguce seus ouvidos numa manhã de domingo.

Sim, preste atenção, olhe a seu redor e poderá perceber o sorriso de uma criança no parque, alguém a passear com seu cachorro, jovens a andar de patins ou bicicleta despreocupados com o estudo, alguém sentado no banco da praça a ler o jornal ou um cristão voltando da missa, provavelmente meditando na homilia do sacerdote.

Quem sabe, quando eu passar dessa para outra, gostaria que fosse num domingo a noite, não quero perder esse espetáculo por mais uma vez, talvez o criador pudesse me presentear com uma manhã de domingo a mais.

 

 

SÉRGIO BARCELLOS   - Agrimensor e escritor. São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 14:47
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e RECEITA DE VIDA

 

 

 

* H I S T Ó R I A

 

 

Um homem entrou na igreja e começou a dizer: ‘Deus eu vim aqui porque não tem espelhos. Sou muito feio, nada dá certo na minha vida por causa da minha aparência e gostaria que o Senhor melhorasse isso em mim, por favor!’.

No mesmo instante, um sacerdote que ouviu suas palavras, disse-lhe: ‘Não se julga alguém pela aparência, meu filho; o corpo é apenas o templo do espírito! Não importa se suas pernas são tortas, desde que guiem você rumo ao amor; não importa se suas mãos são calejadas, desde que dêem e recebam honestamente; não importa a cor de seus olhos, desde que enxerguem o bem; não importa quão danificados são seus cabelos, porque só servem para lhe cobrir a cabeça; não importa o tamanho de seu nariz, desde que inspire e expire a fé; não importam as rachaduras de sua boca, desde que proclame a vida!’

Rumo à saída da igreja, já quase convencido de que o padre estava certo, o homem chegou diante de uma porta de vidro e ouviu uma voz do alto: ‘Agora, filho, olhe com alegria para este espelho e lembre-se que,em minhas Escrituras, não há uma só frase dizendo que sou bonito’.

Pois é, os espelhos possuem muito mais utilidades do que simplesmente alimentarem o nosso ego, não é mesmo? Não podemos nos esquecer que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança. Se à imagem do Amor fomos criados, o importante é aquilo que carregamos dentro de nós.

E todo espelho que colocarem à nossa frente deve refletir amor!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

** RECEITA DE VIDA

 

 

Em um Encontro de Grupos da Terceira Idade no Sul de Minas foi distribuída a seguinte mensagem:

“O dia mais belo de sua vida: hoje. A coisa mais fácil: equivocar-se. O obstáculo maior: o medo. O maior erro: abandonar-se. As raízes de todos os males: o egoísmo. A distração mais bela: o trabalho. A pior derrota: o desalento. Os melhores professores: as crianças. A primeira necessidade: comunicar-se. O que mais faz feliz: ser útil aos demais. O mistério maior: a morte. O pior defeito: o mau humor. A pessoa mais perigosa: a mentirosa. O sentimento pior: o rancor. O presente mais belo: o perdão. A receita mais rápida: o caminho santo. A sensação mais grata: a paz interior. O resultado mais eficaz: o sorriso. O melhor remédio: o otimismo. A maior satisfação: o dever cumprido. A força mais potente do mundo: a fé. As pessoas mais necessárias: os pais. A coisa mais bela: o amor!”

Que texto bonito, não? Mais que bonito, são palavras muito profundas que deveriam ser guardadas no fundo do coração! Realmente, é uma verdadeira receita de vida.

Se misturássemos algumas palavras-chave do texto para exemplificar a linha de conduta de um verdadeiro cristão - supostamente chamado José -, talvez ficasse bem assim:

“Hoje, José venceu o medo de equivocar-se, superou o egoísmo e partiu para um trabalho de caridade. Procurou os velhos em desalento, buscou as crianças abandonadas, e foi comunicar-se com eles – saber das suas necessidades. Sentiu como é importante ser útil aos marginalizados, antes que a morte sofrida os leve para junto de Deus. Viu de perto que o mau humor, a mentira e o rancor, em muitos casos, destruíram sonhos e lares. Constatou ainda que aquele que vive no caminho correto da justiça e do perdão acaba tendo paz no coração.

Apesar do sorriso amarelo no rosto por ver tanta injustiça social, José voltou à feliz casa de seus pais com a sensação do dever cumprido e otimista em conseguir mais ajuda para os seus novos amigos. Uma definitiva missão passou a fazer parte da vida de José: testemunhar mais a sua fé e levar amor aos seus irmãos.”

Queridos amigos, o que nos impede de seguir o exemplo de José? Medo de equivocar-se? Egoísmo? Pouca fé? Falta de amor?

Com Deus no coração, somos mais fortes para enfrentar todas as provações deste mundo! E apenas para completar a reflexão do início deste texto, eu acrescentaria:

A criatura mais pura: Maria. O caminho da salvação: Jesus.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI 



publicado por Luso-brasileiro às 14:31
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O SERMÃO DO CEMITÉRIO

 

 

 

Era uma tarde serena, calma, doirada, aquela em que os missionários quiseram ir, em procissão, ao cemitério.

Lembra-se perfeitamente. Como não se poderia lembrar, se, para sempre, ficou cravada na memória?!

Passara pela igreja de S. Francisco e encontrou-a, ajoelhada ao lado da mãe, orando ao Altíssimo.

Era moreninha, cor de areia, de fino cabelo castanho, repuxado. Dona de voz meiga, que cativara esse rapazinho triste e solitário, que não teve irmã, nem menina que lhe tivesse afecto.

Depois, longe de tudo e de todos, naquele fim do mundo, sem amigos, sem conhecidos, sem poder partilhar emoções e sentimentos, era aquela frágil criança a única que o compreendia e, sem pejo, sem disfarce, sem rebuço, sem dissimulações, irradiava ternura, e gosto em abraça-lo.

Como não a poderia amar, se era tudo que possuía naquele antigo burgo, perdido a trás dos montes?!

Os missionários andavam na cidade. Tinham chegado há oito dias. Houvera pregação: na igreja, na rua e o derradeiro sermão do cemitério. Falaram das tenebrosas chamas do Inferno; da morte que não se cansa de ceifar; das almas perdidas, que vagueiam perdidas pelo mundo; de Lázaro e do homem rico, que vestia púrpura e fino linho.

Aos montões, o povo ajuntava-se, comprimia-se, entre campas, cruzes e carneiros. Era lusco-fusco, quase noite cerrada. De tempo a tempo, rompiam o silêncio, cortado por surdas ave-marias, suspiros doloridos, choros convulsos de catraios contrafeitos, prantos pungidos de velhas, sumidas em negras mantas.

Tudo escutou, tudo ouviu atentamente, mas as acutilantes vozes, proferidas pelos missionários, não conseguiram atingi-lo.

Porque o pensamento borboleteava, com imagens felizes, para a garotinha que deixara deprecando em S. Francisco.

Refulgia-lhe, alegremente, diante dele, o rostozinho aveludado, os olhos ternos, cheios de luz, o cabelo sedoso, que acariciava-lhe afectuosamente a face, quando a visitava, após dia de árduas canseiras.

Naquele tempo, que se perdeu no tempo, só uma criança era capaz de restituir-lhe a felicidade perdida, no desgosto da morte cruel de sua mãe.

Onde estão, agora, os missionários, o povo que chorava, a luz doce do cair da tarde, a menina, que orava ao Santíssimo?!

Tudo desapareceu! Ou quase. Tudo mergulhou no esquecimento! Mas dentro de seu envelhecido peito, que chora de saudade, o passado, revive, aflora, emerge.

Vê, cerrando as pálpebras – como vê! - a remota tarde de Verão, o cemitério em penumbra , a menina orando, recolhida no silêncio da igreja...

Que saudade, do tempo que se perdeu no tempo!

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:27
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CLARISSE BARATA SANCHES - CAMÕES EM PORTUGAL

 

 
   

 

 

   

 

 

 

 

Camões um patriota desterrado

Que enalteceu a língua portuguesa.

Um romântico Vate, mal amado,

Jamais teve benesses da nobreza!

 

Lutou. Foi um guerreiro sinistrado;

Viveu sempre na sua singeleza…

Mas foi um dia ao Rei, como um mestrado

Ler uma história linda de grandeza.

 

Se Camões viesse hoje ao seu Choupal

Cantar, talvez, a nossa odisseia…

Como a declamaria em recital?

 

…Decerto em rija prosa, a dar “tareia”

Nos políticos deste Portugal,

Que não lhe inspiram cantos de epopeia!

 

Clarisse Barata Sanches- Goís, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 14:24
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